AUTOCONHECIMENTO: A LIBERDADE ESPIRITUAL ATRAVÉS DA MEDIUNIDADE E DA PROJETABILIDADE

Na coluna AUTOCONHECIMENTO deste domingo trago mais um excelente texto de William Nascimento que nos convida a refletir sobre “mediunidade“e “projetabilidade“. Ele vai a fundo no tema explicando onde e como apareceram esses fenômenos em determinadas pessoas  e nos esclarece o que realmente são esses fenômenos e como funciona nas pessoas que possuem esses dons. Leia o artigo completo a seguir e entenda melhor esses fenômenos! 

sábado, 5 de abril de 2014

Mediunidade e Projetabilidade: em busca de maior liberdade espiritual

Por William Nascimento

            Uma das definições possíveis de mediunidade é “a comunicação provinda de uma fonte que é considerada existir em um outro nível ou dimensão além da realidade física conhecida e que também não proviria da mente normal do médium” (KLIMO, 1998 apud ALMEIDA e NETO, 2004, p. 131).

            Estudos de Alvarado, Machado, Zangari e Zingrone, (2007) revelaram que a mediunidade, veio a tona a partir do  século XVIII nos EUA. No  ano de 1847, em Nova York a família Fox, marcava formalmente o inicio das chamadas sessões mediúnicas, fornecendo a base para o que foi denominado de espiritismo. A família era composta pelo Sr. e Sra Fox e três filhas, Leah (23), Margareth (15) e Katherine (12). Ocorreram fenômenos estranhos em sua residência, como batidas nas paredes chamadas raps de origem desconhecida, o fenômeno sempre ocorria na presença das duas filhas menores. Elas codificaram essas batidas com objetivo de se comunicarem com o autor invisível. A notícia espalhou e atraiu muitas pessoas em busca de comunicação com os mortos, foram realizadas diversas sessões em que até as mesas chegavam a girar. Mesmo mudando de residência os fenômenos voltaram a ocorrer.

            Por volta de 1870, outras sessões se espalharam pelos EUA, Europa e Brasil, atraindo a atenção do cético pedagogo francês Hippolite Leon Denizard Rivail. Acadêmico convidado a colher os relatos nos centros espíritas e unificar as informações, passou a acreditar na mediunidade chegando a publicar em 1857, O livro dos espíritos,  adotando o pseudônimo Allan Kardec, segundo ele ditado por espíritos. Posteriormente sob orientação espiritual, Kardec publicou  outras obras, O Livro dos Médiuns (1955), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1944), A Gênese (1944) e Céu e Inferno (1944). (ALVARADO, MACHADO, ZANGARI, ZINGRONE, 2007).

            Segundo Stoll (2009, p. 16) entendida como modo de comunicação entre vivos e mortos, a experiência mediúnica promove, por meio do transe, a superposição entre planos distintos de existência. A pessoa como no caso do candomblé, constitui o lugar de produção dessa conjunção. […] A preservação da identidade dos personagens envolvidos (isto é, dos “espíritos”, assim como dos sujeitos empíricos que lhes dão suporte) constitui um pressuposto da doutrina. O que se observa é que ela opera no eixo vertical, uma vez que se entende que o encontro de seres de mesma natureza, porém desiguais quanto ao seu grau de “desenvolvimento espiritual”, concretizando-se por meio de relações assimétricas, de ordem hierárquica. A ideia de “faixas vibratórias”, espécie de campo virtual de construção das relações de convivência entre vivos e entre estes “espíritos”, complementam essa visão, sugerindo que os vínculos construídos na experiência mediúnica são de “ordem moral”.

            Tal como no candomblé, acreditam os adeptos do espiritismo que a prática da mediunidade promove o controle da experiência extática por parte dos sujeitos empíricos [médiuns]. Isto é, uma vez ultrapassada a fase de iniciação, o assujeitamento se torna voluntário. Daí afirmar-se que o médium não é alguém que simplesmente se sujeita à vontade dos “espíritos”. Diz-se que é ele quem dá “passagem”, “entra em harmonia”, “abre seu campo de vibração” para a manifestação do “outro”. Com base nessa concepção os espíritas distinguem o transe mediúnico da possessão. “Deixar-se possuir”, isto é alienar-se de si, constitui o que eles definem como obsessão, categoria que utilizam para classificar a experiência do aniquilamento da individualidade, isto é, do livre-arbítrio, que define, segundo eles, o ser humano. (STOLL, 2009, p. 16).

            Um outro autor vai um pouco mais além no que tange ao livre-arbítrio e a sujeição aos espíritos. Segundo Vieira (2009, p. 799.) na sessão parapsíquica [entenda por mediúnica] de qualquer gênero estamos apenas nas proximidades ou cercanias das dimensões extrafísicas [isto é mundo espiritual]. Se desejamos conhecer os seus habitantes, os seus ambientes, as suas comunidades atrasadas ou evoluídas, os seus eventos, a sua parageografia, e sua para-sociologia, precisamos entrar e viver, nem que seja temporariamente, nesses mesmos ambientes. Não existem excursões turísticas, programadas para esse fim, portanto, só há um recurso ou alternativa: promover a autoprojeção lúcida para quem já demonstra esforço e disposição em tentativas e esforços continuados. Aqui o autor está dando outra alternativa para a comunicação com o mundo espiritual, o que ele chama de autoprojeção lúcida, significa que a pessoa pode sair do corpo e ter acesso direto ao mundo extrafísico.

            Vieira também aponta  que 5% da humanidade tem algum talento parapsíquico, e que 1% dessa humanidade já se projetou conscientemente para fora do corpo. Também cita algumas vantagens da experiência fora do corpo. Segundo Vieira (2009, p. 803) o projetor(a) consciente dispensa as qualidades destes agentes de mediação e desempenha todas as tarefas diretamente [eliminando a sessão mediúnica] e, com sua presença, vai, vê, vivencia e volta relatando, por si mesmo, tudo sobre a dimensão extrafísica, de primeira mão, sendo o repórter, o comentarista e o exegeta ao mesmo tempo. O autor relata ainda que o projetor consciente pode fora do corpo, se manifestar através de um médium numa sessão mediúnica, mesmo estando encarnado. Relata também que ao invés de esperar ajuda de algum espírito benevolente, a própria pessoa pode ser o espírito bem feitor e trabalhar em equipe junto aos amparadores [espíritos protetores que nos auxiliam].

            Neste artigo vimos uma breve história da mediunidade e do espiritismo e realizou-se um paralelo com a prática da projeção consciente, apontado esta última como alternativa mais anímica, autonômica, e de maior liberdade, em relação a comunicação mediúnica com o mundo dos espíritos. Para aprofundar mais sobre as projeções conscientes tratadas por Vieira, este autor sugere a visita a este link: http://www.parasinapse.blogspot.com.br/2013/07/tecnicas-projetivas.html que descreve as técnicas propostas pelo autor para sair do próprio corpo com lucidez.

Fonte: Parasinápse

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0