Caro leitor,
Não posso deixar de fazer uma singela homenagem ao Físico e grande figura Stephen Hawking que faleceu nesta quarta-feira aos 76 anos. Uma alma evoluída que viveu 55 dos seus 76 anos sem precisar do corpo e deixou uma contribuição fabulosa para a humanidade. Sua obra é muito vasta, mas é possível encontrar pelo menos 17 livros traduzidos para o português. Pessoalmente li apenas um: “O Universo numa casca de nós” e adorei. Ajudou muito a formar a mentalidade que tenho hoje sobre a existência da humanidade e a formação do universo.
Apesar de ser bastante popular muita gente ainda não o conhecia ou pelo menos não conhecia a sua história. Quero nessa oportunidade contar resumidamente a sua trajetória, os seus feitos, a sua vasta literatura e em seguida registrar as suas frases mais memoráveis.
Leia tudo, vale a pena.

A História e Biografia de Stephen William Hawking

O físico Stephen Hawking (1942-) combinou a teoria da relatividade com a mecânica quântica para descrever as propriedades dos buracos negros. Hawking nasceu em Oxford, na Inglaterra. Embora tivesse aprendido a ler somente aos oito anos de idade e seu desempenho como aluno não fosse excepcional, Hawking decidiu tentar uma carreira em cosmologia, o estudo do universo como um todo. Freqüentou a Universidade de Cambridge e, pouco depois de seu 21º aniversário, recebeu o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), também conhecida como mal de Lou Gehrig. Os médicos não ofereciam cura ou tratamento para a doença. Apesar desse empecilho, ele continuou com seus estudos e recebeu o título de Ph.D. em 1966.
Em suas pesquisas, Hawking investigou os buracos negros, objetos muito mais densos do que qualquer coisa já estudada na física. Os buracos negros são formados por enormes estrelas que esgotam seu combustível nuclear e caem para um ponto de volume zero e densidade infinita. A velocidade de fuga em um buraco negro é maior que a velocidade da luz, portanto os buracos negros só podem ser detectados por seus efeitos gravitacionais sobre objetos próximos. Os físicos não tinham a matemática necessária para lidar com a matéria nessas condições. Hawking percebeu que, devido à grande massa dos buracos, a teoria da relatividade de Einstein tinha que ser usada, mas como seu tamanho era mínimo, eles também seguiam as regras de mecânica quântica.

office at the Centre for Mathematical Sciences, University of Cambridge.
11th September 2007
Photo: Eleanor Bentall

Hawking indicou que os pequenos buracos negros talvez tivessem sido produzidos na época do Big-Bang – termo usado pelos cientistas para o momento em que o universo foi criado. Em 1974, seus estudos mostraram que a energia podia escapar dos buracos negros. Buracos negros menores podiam evaporar, e o processo era tão rápido que eles podiam explodir e emitir partículas na forma de radiação térmica – a chamada radiação de Hawking.

Stephen Hawking, 2002. Getty Images.
Hawking nunca mais foi ao médico que diagnosticou sua doença e não ofereceu esperanças. Em vez disso, seu pai, um pesquisador médico, tornou-se seu principal conselheiro. Em 1974, sua condição já requisitava mais assistência do que sua esposa podia dar. Por seis anos, ele foi auxiliado por alunos de pesquisa e, em 1980, começou a depender de enfermeiras. Em 1986, já necessitava de cuidados de enfermagem dia e noite, pois a doença havia progredido tanto, que ele era incapaz de falar ou se mover sozinho.
Apesar de contar apenas com uma cadeira de rodas para se mover e falar por meio de um sintetizador de voz computadorizado, ele viajou bastante, deu palestras para grandes platéias e continuou a escrever. Seu livro, Uma Breve História do Tempo, publicado em 1988, é uma narrativa direcionada ao público em geral da cosmologia e se tornou um best seller internacional.
Em 1979, a Universidade de Cambridge deu a ele a cadeira de matemática ocupada por Isaac Newton 300 anos antes. Durante a década de 1990, ele concentrou seu trabalho em um problema que Einstein não havia conseguido resolver – combinar as forças físicas conhecidas em uma única teoria: a teoria unificada completa.
Fonte: AHISTÓRIA,COM.BR
VEJA AQUI OS 17 LIVROS DE STEPHEN HAWKING PUBLICADOS EM PORTUGUÊS
Stephen Hawking, um dos físicos mais lidos do mundo, tem 17 livros editados em português, desde o inevitável “Breve História do Tempo” às aventuras infanto-juvenis de George, o explorador espacial.
Autor de uma extensa bibliografia, Stephen Hawking tem vários livros editados e publicados em Portugal, incluindo Uma Breve História do Tempo, uma das obras mais notáveis do físico britânico. Ao todo, são 17 os livros de Hawking editados em português.
Breve História do Tempo (Gradiva, 1988) tornou-se rapidamente um dos livros mais vendidos do mundo. A obra descodifica alguns dos mais insondáveis segredos do Universo, como a Teoria do Big Bang, os buracos negros, os cones de luz e a Teoria da Supercordas. A forma como os temas foram desenvolvidos, com a intenção de os tornar tendencialmente compreensíveis para o leitor comum, explica, em grande medida, o sucesso da obra.
O livro seria reeditado pelo menos três vezes: uma vez com ilustrações em A Breve História do Tempo Ilustrada (Gradiva, 1996); numa outra ocasião com atualizações dos capítulos originais com novas informações em Breve História do Tempo — Do Big Bang aos Buracos Negros (Gradiva, 2000); e em Brevíssima História do Tempo (Gradiva, 2005), já co-assinado por Leonard Mlodinow, em que os autores analisam algumas das mais recentes descobertas científicas ao mesmo tempo que procuram simplificar muitos dos conceitos científicos.

 

Capa de Breve História do Tempo — Do Big Bang aos Buracos Negros (Gradiva, 2000)

O Fim da Física (Gradiva, 1994) foi publicado em Portugal com prefácio do físico Carlos Fiolhais. Na obra, Hawking debate o binómio religião-ciência e discorre, entre outros aspetos, sobre as implicações da fé na evolução civilizacional.
Escreveu Carlos Fiolhais: “Stephen Hawking é reconhecido internacionalmente como um dos génios do século XX. Ocupa na Universidade de Cambridge a cátedra que pertenceu a Newton e é, segundo a opinião geral, um forte candidato ao Nobel da Física. O presente volume reúne dois textos da sua autoria — um sobre o fim da física e outro sobre o fim do espaço-tempo — que, após o sucesso de Breve História do Tempo, também publicado pela Gradiva, merecem divulgação acrescida.”
Em Buracos Negros e Universos Bebés — E Outros Ensaios (Gradiva, 1994) Hawking mistura relatos autobiográficos e reflexões contemporâneas, analisando conceitos como o tempo, a estrutura da matéria e o futuro do Universo.
A obra A Natureza do Espaço e do Tempo (Gradiva, 1996) co-assinada pelo físico britânico Roger Penrose foi publicada em abril desse ano. Seis anos depois, chega O Universo numa Casca de Noz (Gradiva, 2002), onde Stephen Hawking volta a debruçar-se sobre buracos negros, viagens no tempo, a vida humana e o futuro da tecnologia — tentando, mais uma vez, descodificar alguns dos conceitos mais complexos da física. A obra foi distinguida com o prémio Avensis, o mais importante galardão para as obras científicas.
O livro contava com o prefácio de Jorge Buescu, atual presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática: “Uma das grandes diferenças da Casca de Noz em relação à austeridade da Breve História do Tempo está sem dúvida no fantástico grafismo. Metade do livro são figuras, mais ou menos artísticas, muitas vezes a cores. Elas ilustram, de forma simples mas arrebatadora, ideias científicas, equações, ou os próprios cientistas. Além de tudo o resto, o livro é uma explosão de luz e cor, quase uma obra de arte. Desta vez será difícil um leitor interessado pousar o livro. A edição portuguesa está em todos os aspectos ao nível da original: graficamente perfeita, com tradução, do físico Paulo Ivo Teixeira, absolutamente exemplar. (…) Hawking quis deixar, a todos nós, uma obra-prima. Na minha opinião, conseguiu.”
A partir de 2008, Stephen Hawking começou a publicar uma série de livros pensados com a filha Lucy, destinados ao público infantil: A Chave Secreta para o Universo (Gradiva, 2008), Caça ao Tesouro no Espaço (Gradiva, 2009), George e o Big Bang(Gradiva, 2012), George e o Código Secreto do Universo (Gradiva, 2017) e George e a Lua Azul (Gradiva, 2017). As histórias giram em torno de George, um jovem que explorador espacial que vai sendo confrontado com alguns dos maiores segredos do universo — mais uma vez, a preocupação central de Hawking e da filha é explicarem da forma mais acessível possível as grandes questões científicas.
Ao mesmo tempo, Hawking ia desenvolvendo as suas próprias obras científicas. Em Aos Ombros dos Gigantes — As Grandes Obras da Física e Astronomia (Gradiva, 2010), analisa cinco obras que revolucionaram a ciência, descodificando os escritos de Copérnico, Galileu, Kepler, Newton e Einstein.

Capa de Aos Ombros dos Gigantes — As Grandes Obras da Física e Astronomia (Gradiva, 2010)
Em O Grande Desígnio (Gradiva, 2011), co-assinado pelo físico norte-americano Leonard Mlodinow, Stephen Hawking discorre sobre a origem do universo e da própria vida, desafiando as barreiras entre a filosofia, a teologia e a ciência.
A primeira e única biografia chega com A Minha Breve História (Gradiva, 2014), uma obra descomplexada em que Stephen Hawking fala sobre as suas origens, a família e a doença que o paralisou quando tinha acabado de entrar na vida altura.

Capa de A minha breve história (Gradiva, 2014)
Teoria de Tudo — A Origem e o Destino do Universo (Gradiva, 2017) foi o último livro de Stephen Hawking. Nesta obra, o físico responde, em sete lições, às dúvidas mais comuns sobre o universo. Hawking fala sobre a evolução das teorias do universo, desde Aristóteles a Hubble, explora a física moderna, as origens do universo, a natureza dos buracos negros ou os conceitos de espaço-tempo. É também nesta obra que tenta levantar questões sobre Teoria Unificada (em inglês Theory of Everything), uma teoria científica que pretende unificar, procurar explicar e conectar todos os fenómenos físicos (incluindo a mecânica quântica e a relatividade geral) num único tratamento teórico e matemático. A esse propósito, Hawking diria: “Se descobrirmos a resposta a esta questão, atingiremos o triunfo máximo da razão humana – porque então conheceremos a mente de Deus“.
Fontehttp://observador.pt/2018/03/14/os-17-livros-de-stephen-hawking-que-pode-ler-em-portugues/
FRASES MAIS FAMOSAS DE STEPHEN HAWKING
Das explicações para a existência do Universo aos aspectos negativos da fama, conheça algumas das mais famosas frases do cientista, que se dedicou a aproximar a Ciência do grande público.
Sobre buracos negros: “Einstein estava errado quando disse que ‘Deus não joga dados’. A existência dos buracos negros sugere não apenas que Deus brinca de dados, mas também nos confunde ao jogá-los onde não podem ser vistos”- no livro A Natureza do Espaço e do Tempo , publicado em 1996.

Sobre as razões para a existência do Universo: “Se encontrarmos uma resposta para isso, será o maior triunfo da razão humana, porque conheceríamos a mente de Deus”- no livro Uma Breve História do Tempo, publicado em 1988.

Sobre Deus: “Não é necessário invocar Deus para iniciar uma reação e fazer o Universo funcionar”- no livro O Grande Projeto , publicado em 2010.

Sobre sucesso comercial: “Eu quero que meus livros sejam vendidos em lojas de aeroporto”- em entrevista ao jornal americano The New York Times , em dezembro de 2004.

Sobre a fama: “O aspecto negativo da minha fama é que eu não posso ir a qualquer lugar do mundo sem ser reconhecido. Não adianta eu usar óculos escuros e peruca. A cadeira de rodas me entrega”- em entrevista a um programa de TV israelense em dezembro de 2006.

Sobre a imperfeição do mundo: “Sem imperfeição, você e eu não existiríamos”- no documentário O Universo de Stephen Hawking , transmitido pelo Discovery Channel em 2010.

Sobre eutanásia: “A vítima deve ter o direito de acabar com a própria vida, se ela quiser. Mas eu acho que seria um grande erro. Por pior que a vida pareça, sempre existe algo que você possa fazer e ser bem-sucedido. Enquanto há vida, há esperança”- fala citada no site de notícias People Daily Online, em junho de 2006.

Sobre a possibilidade de contato entre seres humanos e extraterrestres: “Acho que seria um desastre. Os alienígenas provavelmente estão bem mais avançados que nós. A história do encontro entre civilizações mais avançadas com povos primitivos neste planeta não é muito feliz, e eles eram da mesma espécie. Acho que devemos manter a cabeça baixa”- no programa In Naked Science: Alien Contact , do canal National Geographic, em 2004.

Sobre ser diagnosticado com uma doença neuromotora: “Minhas expectativas foram reduzidas a zero quando eu tinha 21 anos. Tudo desde então tem sido um bônus”- em entrevista ao The New York Times, em dezembro de 2004.

Sobre a morte: “Eu tenho vivido com a perspectiva de morrer cedo nos últimos 49 anos. Não tenho medo da morte, mas não tenho pressa para morrer. Eu quero fazer muita coisa antes disso”- em entrevista ao jornal britânico The Guardian, em maio de 2011.

Fonte:  BBC BRASIL.com, 14 MAR2018, 08h43

atualizado às 12h14

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