PARA FINS DE DEFESA, VENEZUELA FABRICARÁ DRONES MULTIUSOS

 

Maduro anuncia que Venezuela fabricará drones para fins de defesa

Aeronaves não tripuladas têm autonomia de voo de cinco horas; não foram divulgados outros detalhes técnicos ou mecânicos

INTERNACIONAL

Do R7

Anúncio foi feito na quinta-feira (19) e transmitido por rede estatal de televisão

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na quinta-feira (19) que o país “em breve” fabricará drones multiuso, incluindo para fins de defesa, por meio de uma empresa fundada neste ano e que também apresentou nesta sexta-feira (20) dois modelos para treinamentos.

“Nós, os venezuelanos, em breve fabricaremos drones de uso civil e multiuso (…), drones para desenvolvimento nacional, para defesa nacional, feitos na Venezuela”, declarou o mandatário durante um ato público de trabalho transmitido pela rede estatal de televisão “VTV”, sem dar mais detalhes.

Segundo Maduro, os drones serão fabricados pela Empresa Nacional de Aeronáutica (EANSA), fundada em fevereiro deste ano com o objetivo de buscar a “independência tecnológica” do país.

Na quinta-feira, a fabricante apresentou duas aeronaves para treinamento e observação de pilotos, “feitas inteiramente na Venezuela, com mão de obra venezuelana e mente venezuelana”, ressaltou Maduro.

Por sua vez, o vice-ministro de Transporte Aéreo da Venezuela, Ramon Velásquez, afirmou que essas aeronaves têm autonomia de voo de cinco horas, mas não divulgou outros detalhes técnicos ou mecânicos.

A “VTV” mostrou imagens das aeronaves, identificadas como EANSA 1 e EANSA 2 e pintadas com as cores e iniciais da companhia aérea estatal Conviasa, que Velásquez também dirige.

Com uma frota de cerca de 50 aviões, a Conviasa sofre sanções desde fevereiro por parte do governo dos Estados Unidos, que alega que a empresa foi usada para “enviar funcionários corruptos do regime (de Nicolás Maduro) ao redor do mundo para aumentar o apoio a seus esforços antidemocráticos.”

As sanções impedem que cidadãos e empresas relacionadas com os Estados Unidos façam negócios com a Conviasa – como a venda de peças de reposição ou combustível -, o que dificulta as operações internacionais da companhia.

 

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ESPANHA DÁ ASILO POLÍTICO A OPOSITOR VENEZUELANO, LEOPOLDO LÓPEZ

 

Opositor venezuelano é recebido pelo presidente da Espanha

Leopoldo López disse nesta terça (27), em sua primeira entrevista coletiva em Madri depois de deixar a Venezuela, que nunca quis deixar seu país

INTERNACIONAL

Do R7, com EFE

Presidente da Espanha, Pedro Sanchéz recebe opositor venezuelano Leopoldo López

O líder da oposição venezuelana Leopoldo López disse nesta terça-feira (27), em sua primeira entrevista coletiva em Madri depois de deixar a Venezuela, que nunca quis deixar seu país e que sua intenção é “voltar para libertar a Venezuela”.

“Eu não queria deixar a Venezuela, sempre disse; infelizmente, as circunstâncias me levaram a isso”, disse o líder da oposição, que descreveu o governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro, a quem chamou de “criminoso”, de “ditadura”.

Leopoldo López chegou em Madri no último domingo, depois de sair “clandestinamente” da Venezuela – onde estava na residência do embaixador da Espanha – rumo à Colômbia, de onde embarcou para a Europa.

Guarimbas

Leopoldo López é acusado na Venezuela de fomentar protestos violentos, chamados de guarimbas, que deixaram 43 mortos na Venezuela. As manifestações ocorreram entre fevereiro e maio de 2014 e López foi condenado em 2015 a 15 anos de prisão.

A Venezuela acusou o governo da Espanha da facilitar a fuga do opositor do país. Em agosto deste ano, o presidente Nicolás Maduro concedeu uma série de indultos a diversos presos opositores, contudo Leopoldo López não figurava entre os beneficiados.

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APESAR DE PEDIDO DA UE PARA ADIAMENTO VENEZUELA FARÁ ELEIÇÕES

Venezuela fará eleições apesar de pedido de adiamento da UE

O presidente do país, Nicolás Maduro solicitou que União Europeia e Organização das Nações Unidas acompanhassem o pleito

INTERNACIONAL

por 

Reuters – Internacional

 

No dia 6 de dezembro, a Venezuela realizará eleições para eleger parlamentaresNo dia 6 de dezembro, a Venezuela realizará eleições para eleger parlamentares

A Venezuela anunciou nesta quinta-feira (1º) que a realização de eleições para o Legislativo no dia 6 de dezembro está confirmada. A União Europeia havia pedido para que o pleito fosse adiado para poder enviar uma missão para acompanhar o pleito.

Partidos de oposição liderados pelo presidente do Congresso Juan Guaidó já disseram que não irão participar das eleições com a justificativa de que o processo será fraudado para favorecer o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), que governa o país.

Na semana passada, a UE enviou uma missão para Caracas e na quarta-feira emitiu um comunicado dizendo que não há condições para a realização de eleições livres e justas, e por isso pediu um adiamento.

O ministério das Relações Exteriores da Venezuela disse na quinta-feira que a declaração da UE “reflete uma posição enviesada sobre as condições nas quais o povo venezuelano irá escolher a nova Assembleia Nacional no dia 6 de dezembro”, e pediu que a UE desempenhe “um papel positivo e respeitoso de facilitação”.

Maduro havia pedido à Organização das Nações Unidas e à UE o envio de missões de observação. Autoridades dizem que a UE precisa de pelo menos seis meses para organizar um grupo de observação.

Henrique Capriles, que foi candidato a presidente duas vezes, há semanas pede que a oposição lute por melhores condições, mas na noite de quarta-feira disse que o adiamento era necessário para garantir uma votação livre e justa.

Fonte: R7

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POLÍTICOS DA VENEZUELA SÃO PROCURADOS COM RECOMPENSA PELOS EUA

 

EUA oferecem recompensa por políticos da Venezuela

Alvos são ex-ministro de Energia Elétrica Luis Alfredo Motta Domínguez e ex-vice-ministro de Finanças Eustiquio José Lugo Gómez

INTERNACIONAL

Da EFE

Pompeo disse que ambos são acusados nos EUA

EFE/EPA/Petros Karadjias

Os Estados Unidos ofereceram nesta quarta-feira uma recompensa de US$ 5 milhões (cerca de R$ 28 milhões) pelo ex-ministro de Energia Elétrica venezuelano Luis Alfredo Motta Domínguez e pelo ex-vice-ministro de Finanças Eustiquio José Lugo Gómez, sancionados pelo governo americano por corrupção no comando da companhia elétrica estatal Corpoelec.

O anúncio foi feito em comunicado divulgado pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, que diz esperar receber informações que levem à prisão e à condenação de ambos.

“A ação de hoje segue a nomeação de Motta e Lugo em 28 de julho de 2020 devido ao seu envolvimento em corrupção significativa, o que resultou na proibição (para eles e as famílias) de entrar nos Estados Unidos”, explicou Pompeo. Em 28 de julho, o Departamento de Estado anunciou sanções contra Motta Domínguez, Lugo Gómez, e suas famílias.

Pompeo explicou que ambos “foram acusados de aceitar benefícios monetários, incluindo propinas, em troca de contratos lucrativos de fornecimento de equipamentos para a Corpoelec, e de se apropriarem indevidamente de recursos públicos para o próprio enriquecimento”.

Os EUA observaram que a sanção inclui vários membros das famílias, e como resultado, todos estão proibidos de entrar nos EUA por tempo indefinido.

De acordo com as informações fornecidas hoje, Motta Domínguez foi nomeado presidente da Corporação Nacional de Eletricidade (Corpoelec) em 2015 e posteriormente ministro da Eletricidade, enquanto Lugo Gómez foi vice-ministro de Finanças, Investimento e Aliança Estratégica no Ministério da Eletricidade, além de diretor de compras da Corpoelec, sob a direção do primeiro.

Motta foi destituído do ministério e da presidência do Corpoelec em 2019, após quatro anos no cargo.

Ambos também acumulam oito acusações no Tribunal do Distrito Sul da Flórida, uma delas de conspiração para lavar dinheiro e sete de lavagem de dinheiro, relacionadas com o suposto recebimento de propina para favorecer empresas.

 

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SERÃO FEITAS PATRULHAS MARÍTIMAS PELOS EUA E GUIANA, PERTO DAS FRONTEIRAS COM VENEZUELA

 

EUA e Guiana irão patrulhar águas perto da fronteira com a Venezuela

Acordo de cooperação ocorre no momento em que a petrolífera norte-americana Exxon Mobil Corp aumentou a produção de petróleo na região

INTERNACIONAL

Do R7, com Reuters

Acordo de cooperação entre EUA e a Guiana inclui patrulhas marítimas

Reprodução/Daily Mail

Os Estados Unidos e a Guiana vão lançar patrulhas marítimas conjuntas com o objetivo de impedir a passagem de drogas perto da disputada fronteira do país sul-americano com a Venezuela, disse o secretário de Mike Pompeo e o presidente Irfaan Ali nesta sexta-feira (18).

O acordo de cooperação ocorre no momento em que a petrolífera norte-americana Exxon Mobil Corp, parte de um consórcio com a Hess Corp e a chinesa CNOOC Ltd, está aumentando a produção de petróleo bruto no enorme bloco offshore de Stabroek da Guiana, em grande parte localizado em águas reivindicadas pela Venezuela.

“Maior segurança, maior capacidade de entender seu espaço fronteiriço, o que está acontecendo dentro de sua Zona Econômica Exclusiva, tudo isso dá soberania à Guiana”, disse Pompeo em uma aparição conjunta com Ali.

Pompeo está usando sua viagem por quatro nações sul-americanas para pressionar a saída do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que foi indiciado nos Estados Unidos por acusações de narcoterrorismo.

Petróleo na Guiana

O Ministério das Comunicações da Venezuela não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Maduro, que culpa os Estados Unidos por tentar provocar um golpe e tomar o controle das vastas reservas de petróleo do país da OPEP, continua no poder apesar das sanções econômicas e da pressão diplomática liderada pelos EUA.

No final de 2018, a Marinha da Venezuela interceptou um navio que realizava uma pesquisa sísmica em nome da Exxon, a última em uma disputa de fronteira de um século que está sendo avaliada no Tribunal Internacional de Justiça.

Uma série de descobertas offshore nos últimos anos deu à Guiana, que não tem histórico de produção de petróleo, o potencial de se tornar um dos maiores produtores da América Latina.

“Tivemos várias dificuldades e acho que agradecemos qualquer ajuda que melhore nossa segurança, melhore nossa capacidade de proteger nossas fronteiras”, disse Ali.

 

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ENTREVISTA: SEGUNDO A ANÁLISE DE CAPRILES, SE FIZERMOS MAL, A VENEZUELA PODE PASSAR DE AUTORITARISMO PARA TOTALITARISMO

Henrique Capriles: “Se fizermos mal, a Venezuela pode passar do autoritarismo ao totalitarismo”

Ex-candidato presidencial analisa a política venezuelana depois de aceitar participar nas eleições. “Um aposentado ganha dois dólares por mês. A única coisa que a revolução produz é a fome”, afirma

JAVIER LAFUENTE

Cidade Do México – 08 SEP 2020 – 16:46 BRT

Henrique Capriles, durante uma entrevista em Caracas, em 29 de março do ano passado.Henrique Capriles, .RAYNER PEÑA / EFE

Na segunda-feira da semana passada, o indulto presidencial que Nicolás Maduro concedeu a mais de 100 presos e perseguidos políticos abalou novamente os alicerces da política venezuelana. Foi a confirmação de um segredo de polichinelo: as conversas que o Governo vinha mantendo com um setor da oposição, liderado por Henrique Capriles, muito crítico da estratégia de Juan Guaidó, que cerca de 60 países, incluindo a Espanha, reconhecem como presidente interino da Venezuela.

Com o passar dos dias, os eventos ganharam corpo. Capriles (Caracas, 48 anos) consumou sua ofensiva e se mostrou disposto a participar das eleições parlamentares marcadas para 6 de dezembro, ao mesmo tempo em que lançava duros ataques contra o plano de Guaidó, cujo Governo interino qualificou de “Governo da Internet”. Quase em paralelo, o Executivo de Maduro enviou um convite à União Europeia e à ONU para que participem das eleições como observadores. Em uma videoconferência, na primeira entrevista que concede após causar um novo turbilhão na política venezuelana, Capriles tenta baixar a tensão entre o setor crítico do chavismo e aponta a Europa como o pilar dos passos que serão adotados a partir de agora.

Pergunta. O senhor afirma que não negociou nada, e que houve apenas conversas. Entre quem e para quê?

Resposta. Política significa fazer acordos, buscar soluções para as pessoas. Estamos procurando qualquer fresta que reste de democracia na Venezuela para entrar por ela. Há pessoas no chavismo que são contra o tudo ou nada, mesmo que demonstrem o contrário. O chavismo é maior que Maduro ou seus porta-vozes. Nem todos os processos de negociação ou conversas acontecem diante de uma câmera de televisão. Todos os processos bem-sucedidos foram subterrâneos. Estamos procurando abrir caminhos democráticos na Venezuela. Se vai ser possível, não sabemos. Não posso prever se minha gestão como líder político teve êxito ou não, é provável que possa fracassar, mas tenho que tentar. Se eu começar a peneirar quem são aqueles que querem explorar os caminhos democráticos, simplesmente acabo com esses acordos e vamos para as trincheiras. A oposição para as suas e o chavismo, bom, não, os governistas, também. Quem arca com as consequências? Os pobres. Não se esqueçam. Os grupos com opiniões arraigadas não correspondem às grandes maiorias na Venezuela.

P. Mas desde quando essas conversações vêm ocorrendo?

R. Busquei a libertação de Juan Requesens [deputado libertado no final de agosto]. Desde 2018. Juan é completamente inocente. Quem o soltou? Eu postei um tuíte, que era um sarcasmo, mas não foi entendido dessa forma, em resposta a um comunicado do Governo interino em que se falava de minhas gestões pessoais. Foi visto como algo personalista, mas eu não sou do tipo que se deixa trair pelo ego. Requesens não foi libertado por um exército, saiu em consequência da busca de acordos, que ainda não geram resultados para o grosso da população. Não sei se esse processo eleitoral, a busca desse fato político, vai se concretizar, mas temos que lutar. As pessoas me dizem: de novo? Sim, infelizmente, de novo, não nos resta opção. É um falso dilema votar ou não votar. O dilema é lutar ou não lutar. A grande questão é como se consegue a mudança na Venezuela. Não se consegue com uma ação militar que não vem, não virá e a maioria dos venezuelanos não quer que venha. Cuidado com os grupos que tentam moldar as opiniões, pois a grande maioria não entra no Twitter. É o que eu tento mostrar.

P. Fala continuamente na primeira pessoa do plural. A quem se refere? Quem está junto com o senhor?

R. Isto não é Capriles contra Maduro nem é a reedição das eleições presidenciais de 2013. É Venezuela contra Maduro. O que acontece é que há muito medo e eu me exponho, assumo a responsabilidade, é o que os líderes fazem. Não que Capriles tenha um cálculo político. Ousei dizer o que todo mundo pensa. Alguns dirão que roupa suja se lava em casa. Faz mais de um ano que venho pedindo uma retificação, uma mudança de estratégia, um plano. Não se trata de dá-lo a Capriles, trata-se de apresentá-lo ao país. Isso se esgotou. O que está por vir, se é que há, é uma grande desesperança e desconhecimento da política. As pessoas estão fartas dos políticos.

P. Quando deixou de acreditar na estratégia de oposição liderada por Guaidó?

R. Já encerrei o capítulo das diferenças. Acho que a partir de 30 de abril de 2019 [a insurreição fracassada com alguns militares], caímos em um tobogã; depois veio a Operação Gideon [a incursão paramilitar de maio deste ano] e depois, o tempo. Se Maduro segue tendo o controle interno, não podemos continuar com a mesma estratégia. A política se move, o mundo se move, aí está o olfato do líder para rever as estratégias. A unidade não é simplesmente uma foto. Se eu tiver que falar com chineses, russos, turcos ou com os cubanos que nunca me amaram, com qualquer pessoa que pense diferente de mim, mesmo regimes autoritários, para deter a tragédia que a Venezuela vive, eu o farei. Esse é o trabalho de um político.

P. Qual é a diferença entre a sua estratégia e a que Guaidó defende?

R. Não se trata de dividir nem contrapor estratégias. A opção eleitoral é aquela que repensa o cenário. Estou falando de lutar por condições. Em 2005, guardando as diferenças, decidimos dar a Assembleia de presente a Chávez. Nossa mensagem era que aquela assembleia perderia legitimidade. E Chávez baixou leis, nomeou autoridades. Não sei se vamos até o fim, mas temos que lutar. Se não lutamos, significa que já nos rendemos. Essa assembleia que vem é a que vai designar o novo poder eleitoral, que é o que vai organizar todos os processos eleitorais, incluindo uma possível eleição presidencial. O que nos deu força perante o mundo livre? Ter um poder legítimo. E esse poder completa cinco anos em 5 de janeiro. Uma coisa é Maduro cometer fraude e deixarmos novamente o rei nu, o que nos daria legitimidade. A posição que há quer prorrogar a Assembleia por conta própria, um Governo interino que não tem controle interno, uma consulta que não é vinculante. Eu não gostaria de perder esta oportunidade. Quem tem neste momento uma oportunidade estelar, protagonismo? A Europa. Pela primeira vez em 14 anos a União Europeia foi convidada para ser observadora eleitoral. Isso pode abrir um espaço de negociação para que essa eleição não acabe sendo um desperdício. A Europa tem uma oportunidade histórica de ajudar este país a recuperar a democracia. Se houver condições, essa eleição pode abrir novos espaços para acordos que permitam chegar a uma eleição presidencial. Se fizermos mal as coisas, a Venezuela pode passar do autoritarismo ao totalitarismo, ocupariam todos os espaços de poder. A cubanização total da Venezuela. Eu sou contra isso.

P. O senhor está pedindo o adiamento da data das eleições…

R. Não, desculpe, não peço que sejam adiadas. Peço que as condições sejam avaliadas. Minha opinião é que uma situação como esta, com pandemia, com mortes, com um sistema de saúde destruído, nos obriga a adiar a eleição. Mas, já que o regime de Maduro convidou a União Europeia, que venha a missão, que avalie, emita um relatório e coloque as cartas na mesa. Eu sei que Maduro disse que mesmo que faça chuva, com trovoadas e raios, haverá eleições no dia 6 de dezembro. Ele pode dizer o que quiser, mas não derrotou a pandemia. E, acima de qualquer cálculo político, uma eleição nunca será mais importante do que a vida dos venezuelanos. Assim como evitei uma guerra civil em 2013, estarei ao lado da vida dos venezuelanos.

P. Se a UE aceita o convite para ir com uma missão de observação eleitoral, mesmo que a data não seja adiada, o senhor participaria?

R. É um cenário completamente diferente. Acho que o que a UE deveria fazer é avaliar a condição. Se diz que há tempo, é outro cenário político. Não é que Capriles participe, é que muitos que hoje dizem não, lutarão. A Europa tem hoje um papel histórico diante da crise venezuelana. Já conhecemos a posição dos Estados Unidos, que está no meio de uma campanha presidencial. O Governo Trump tem como alvo um tipo de eleitor porque sabe que isso lhe dará votos. Minha questão não é quem ganha a presidência dos Estados Unidos. Meu tema é a situação dos venezuelanos. Um aposentado ganha dois dólares por mês. Essa é a revolução. A única coisa que a revolução produz é a fome.

P. O que fará se a UE não aceitar o convite do Governo?

R. Não posso revelar minha estratégia para você. Se a Europa recusar atuar como observadora na eleição, o processo na Venezuela ficará muito comprometido. Esse processo sem observação internacional… Não sou um aventureiro, sou um lutador. Uma missão qualificada de observadores internacionais é essencial nas condições institucionais da Venezuela hoje. Este CNE [Conselho Nacional Eleitoral] não é um CNE imparcial. Sempre acreditei que, para além dos dirigentes, o combate está nas seções eleitorais, mas há uma pandemia, não há gasolina, portanto, esses observadores são necessários. O convite se dá como consequência da busca de acordos, não é que agrade a Maduro convidar a União Europeia. Não é grátis.

P. Que compromissos firmou com o Governo?

R. Isto não é uma permuta, não estamos trocando coisas. Setores do governismo querem que a política volte, e eu também. Mas isso requer que não haja prisioneiros, que não haja perseguidos, que haja condições. Este é um processo de construção de confiança. Na medida em que você demonstra que está disposto a redemocratizar o país, iremos resgatando a política.

P. Mas nessa busca de acordos, o Governo deve ter pedido algo em troca. Com o que o senhor se comprometeu?

R. A questão não é que tenhamos firmado compromissos. Se você quer que a oposição participe, há condições. É isso que o Governo está colocando sobre a mesa. Por que eles querem que a eleição corra bem? Acho que a briga com o mundo livre é muito ruim. Eu também acho que há pressões internas, inclusive militares, que estão inconformados, insatisfeitos, e tem gente que está fazendo contas, evitando uma implosão. Não sou daqueles que acreditam que uma implosão fará com que a oposição governe, isto não é 2+2. Pode haver algo pior, sempre pode ser pior.

P. Para além da participação, nessa busca de acordos foi definida como condição a remoção de algumas sanções?

R. As sanções não dependem de nós.

P. O que acha se forem levantadas algumas sanções?

RAs sanções devem ser usadas para negociar o retorno da democracia à Venezuela. E aí está o grave erro de quem acreditava que as sanções iriam derrubar Maduro. As sanções por si só não derrubam governos.

P. De certa forma, está se beneficiando de uma estratégia que não deu frutos, mas serviu para encurralar o Governo.

R. Contanto que você tenha clareza sobre para que servem as sanções. Houve quem pensasse que iriam causar a falência do Governo. É preciso ter muito cuidado para que, ao aplicar sanções que vão além do Governo, isso não afete o tecido social, o que, longe de fortalecer os venezuelanos na luta contra Maduro, os enfraquece. As sanções podem ter o efeito contrário. Maduro não fica sem gasolina, os venezuelanos, sim. Se ficarmos mais fracos, esse tecido social de que se precisa para pressionar o regime, fica perdido. É preciso ter cuidado para não debilitar um tecido social já enfraquecido. Na medida em que você é mais pobre, você depende mais do Governo, da comida, do pouco combustível… É o que eu disse a alguns amigos nos Estados Unidos: avaliem bem como vocês está fazendo as coisas. Sanções são pressões para negociar a democracia.

P. Quem são esses amigos?

R. Não vou citar ninguém. É gente do Governo Trump, e também do Partido Democrata. Os Estados Unidos também terão um papel importante, é do seu interesse que a Venezuela se redemocratize.

P. Uma das exigências da oposição e da comunidade internacional é que todos os prisioneiros sejam libertados. É condição indispensável para que haja observação internacional?

R. É por isso que a Europa pode ajudar muito. Apertar um botão não muda as coisas. A liberdade absoluta vai depender da distensão da questão internacional, da qual não tenho controle. Claro, todos devem ser libertados, a política tem que voltar a ser o eixo.

P. Que papel a Espanha desempenha nesses movimentos?

R. No caso da Espanha, espero que isso não se transforme em uma luta ideológica em relação a suas posições sobre a Venezuela. Esta é uma luta para viver. Um paciente em um hospital não está interessado em se você é de esquerda ou de direita. Não se trata de que a União Europeia brigue com os Estados Unidos, mas vejo que o Governo Trump não tem propostas que abram espaços de negociação. Cuidado, negociar para quê? Para que Maduro fique? Não, para a volta da democracia. Maduro vai ter que fazer algo.

P. Mas o senhor também está apresentando às pessoas a possibilidade de retornarem a uma situação em que já estiveram, que é a de ser uma oposição minoritária.

R. Neste momento, não sabemos o final do filme, mas temos que lutar. Não estou interessado nas eleições parlamentares, mas temos um problema, não podemos ser irresponsáveis. O período da Assembleia Nacional está acabando, não podemos prorrogá-la por conta própria, perderíamos a legitimidade. E aqueles de nós que abraçaram a legitimidade que o Parlamento nos deu? O que vamos fazer então? Um Governo no exílio? Temos que mudar o jogo, para além da eleição. Ver quantos deputados podemos ter, isso é secundário. É preciso evitar o totalitarismo. Sabemos o que Maduro vai dizer, que a oposição não quis participar. Temos que tirá-lo daí. A política se move, o pior é quando você pensa que é estática.

P. É viável neste momento a unidade na oposição?

R. Eu acredito que a unidade, que é um meio, se não houver um plano ou estratégia, é de pouca utilidade para as pessoas. A unidade não é uma foto de líderes, não é vários partidos divulgando um comunicado. Unidade é um meio de alcançar mudanças. Meu adversário não é Guaidó, minha luta é contra Maduro, sempre foi. Se a unidade não tem estratégia, é intangível para as pessoas, termina sendo irrelevante.

P. Conversou com Guaidó depois das críticas que fez contra ele?

REu participei de um G-4 [grupo dos principais partidos da oposição] e foram apresentadas todas as propostas. Eu torno público o que todo mundo pensa. Não faço isso para causar polêmica, faço porque, se não há a intenção de fazer mudanças e se nos quer levar para o abismo, é preciso pôr um freio nisso. Vamos nos unir para nos salvar, não para morrermos.

P. Na última sexta-feira, 277 pessoas se inscreveram na chapa Força de Mudança. Quem são esses candidatos?

A. Os espaços foram preenchidos por uma questão de cronograma. Não são definitivos. A Força da Mudança é uma plataforma que foi criada para cadastrar testemunhas presenciais nas eleições contra Chávez e que foi reativada pelos prefeitos para disputar as eleições municipais. Não há nada truculento ou obscuro. O que temos feito é evitar ficar de fora. Mas não são candidatos, porque não vamos apresentar candidatos enquanto não tivermos condições.

P. Quais foram os critérios para o indulto de mais de 100 prisioneiros e perseguidos?

R. Não conheço os critérios. Se você quer que os deputados aspirem à reeleição ou concorram para continuar no Parlamento, eles não podem estar sob julgamento, no exílio, em embaixadas, presos… Mas essa é uma decisão do regime. Estão todos? Não. O que é um sinal de que a luta tem que ser política? Sim.

P. Nessa lista não estão, por exemplo, Juan Guaidó, Leopoldo López e Julio Borges. Estaria disposto a participar das eleições se eles não forem indultados?

R. Devemos continuar buscando a liberdade de todos. Não deveria haver nenhum prisioneiro. A questão da Assembleia Nacional não é algo que eu quero, estamos com um entrave pela frente. O período constitucional vai terminar. O que fazemos? Tenho certeza de que Maduro não quer que participemos das eleições. Nós nos tornamos muito previsíveis. Imagine que toda a oposição diga que não vai disputar a eleição. Garanto que Maduro a adia. Eu gostaria de conseguir tudo com uma única ação, mas não é possível. E o adversário sabe disso, por isso sempre te leva ao extremo. Aí entra a necessidade de pararmos de nos tornar previsíveis.

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MADURO CONTA COM A AJUDA DO IRÃ PARA ENFRENTAR OS DESAFIOS NA PETROLÍFERA ESTATAL

Maduro diz que Venezuela e Irã estão se ajudando

Em maio, a Venezuela recebeu pela primeira vez combustível iraniano, com o qual conseguiu amenizar uma grave escassez de gasolina

INTERNACIONAL

por 

Reuters

Maduro, disse que conta com a ajuda do Irã para enfrentar os desafios na petrolífera estatal

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse neste domingo (23) que conta com a ajuda do Irã para enfrentar os desafios na indústria petrolífera estatal, que ele disse ter sido atacada por sanções americanas e também por funcionários infiltrados.

“Estamos nos ajudando”, disse Maduro em uma entrevista transmitida pela televisão estatal, na qual celebrou como o Irã conseguiu estabelecer uma poderosa indústria de energia.

O bombeamento de petróleo da Venezuela está no pior nível dos últimos 70 anos.

“Acredito que a experiência iraniana nos ajudará a poder reforçar toda a capacidade gerencial e os projetos de desenvolvimento”, acrescentou Maduro. No entanto, ele evitou se aprofundar nos detalhes do acordo, dizendo que a atuação deve ser em “silêncio quando em uma guerra”.

Em maio, a Venezuela recebeu pela primeira vez combustível iraniano, com o qual conseguiu amenizar uma grave escassez de gasolina, em petroleiros que chegaram sem obstáculos ao país caribenho e foram escoltados por unidades das Forças Armadas ao entrarem em águas territoriais.

Sanções do governo Trump

No entanto, neste mês os Estados Unidos apreenderam mais quatro carregamentos iranianos a caminho do país sul-americano, deixando poucas opções para o governo enfrentar novamente falhas no fornecimento de gasolina devido à baixa produção das refinarias após anos de desinvestimentos e problemas de gestão da estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela).

Maduro disse que nenhuma petroleira no mundo sofreu perseguições como a que sofre a PDVSA e alertou seus trabalhadores para que lutem contra a burocracia, a corrupção e os funcionários infiltrado, afirmando que eles foram contatados pelos Estados Unidos há anos.

A relação entre Irã e Venezuela também preocupa governos da região. Nesta semana, o presidente colombiano, Iván Duque, disse que a Venezuela está em negociações para adquirir armas por meio de Teerã.

“Pareceu-me uma boa ideia”, comentou Maduro sobre a declaração de Duque, após apontar que até então não tinha pensado nisso. “Se for possível e conveniente, compraremos esses mísseis”, disse ele.

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PRESIDENTE DA VENEZUELA NICOLÁS MADURO PEDIU AOS PRESIDENTES DO BRASIL E DA COLÔMBIA COLABORAÇÃO NO COMBATE AO CORONAVIRUS NO PAÍS

 

Maduro pede cooperação a Brasil e Colômbia contra covid-19

Presidente da Venezuela está preocupado com aumento de casos de coronavírus no país vindos de venezuelanos que estavam nos países vizinhos

INTERNACIONAL

Da EFE

Maduro pede colaboração de vizinhos durante crise Maduro pede colaboração de vizinhos durante crise

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu na sexta-feira (31) aos governos de Brasil e Colômbia para que trabalhem em conjunto no combate ao coronavírus nas áreas de fronteira.

“Como gostaríamos (…) de ter uma coordenação efetiva com as autoridades governamentais e autoridades de saúde”, disse Maduro, durante a inauguração de um hospital de campanha, sobre uma eventual parceria com os dois países com os quais a Venezuela tem suas maiores fronteiras e que não o reconhecem como chefe de governo – e sim o opositor Juan Guaidó, considerado por ambos como presidente interino.

Maduro também declarou que a Venezuela pediu ajuda à Organização Mundial da Saúde (OMS) e à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para coordenar as “políticas de proteção à saúde” nas duas fronteiras.

Críticas aos vizinhos

Pouco antes, o presidente venezuelano havia criticado o governo da Colômbia, que, segundo ele, “está tomando medidas tardias, mas as está tomando” para conter a expansão da pandemia.

“Se tivéssemos apoio sanitário do lado colombiano (da fronteira), outro galo cantaria, não haveria este problema dos criminosos, ‘trocheros’ da Colômbia”, disse o governante, usando um termo para definir conhecedores de trilhas alternativas para cruzar fronteiras e que levam pessoas a atravessá-las irregularmente

‘Bioterrorismo’

O governo Maduro vem responsabilizando migrantes que retornam à Venezuela por meios ilegais pela expansão do coronavírus no país e os rotula como “bioterroristas”. Entretanto, a oposição denunciou que muitos dos que querem voltar não podem fazê-lo porque o governo estabeleceu uma cota diária de retornos permitidos.

Além disso, em diversas ocasiões Maduro classificou o coronavírus como um “vírus colombiano”.

Ele também pediu na sexta-feira “ao povo colombiano que force seu governo a ser sensato” para coordenar com as autoridades sanitárias, governamentais, cívicas, militares e policiais venezuelanas “para poder conter este vírus e poder proteger toda a população na fronteira”.

Maduro havia feito um apelo semelhante no início da pandemia, o que originou uma reunião por teleconferência entre os ministros da Saúde Carlos Alvarado, da Venezuela, e Fernando Ruiz, da Colômbia.

O representante da Opas na Venezuela, Gerardo de Cosío, também participou e discutiu a estratégia para conter a pandemia e proteger a saúde da população mais vulnerável, de acordo com o governo colombiano.

 

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Confinados sem gasolina na Venezuela

Um homem pede esmola sentado na avenida Libertador, na capital da Venezuela.Um homem pede esmola sentado na avenida Libertador, na capital da Venezuela. 

A grave escassez de combustível tornou ainda mais feroz a quarentena sob o regime de Nicolás Maduro. Nem sequer os trabalhadores de setores essenciais têm como se deslocar

Às 7h da manhã de uma quarta-feira, com apenas três horas na fila, Freddy Herrera ainda faz planos para o dia. É técnico radiologista numa clínica privada e pela segunda vez tentava encher o tanque de 85 litros de uma Grand Cherokee ano 99, seu único carro. A caminhonete tem um número escrito a giz no para-brisa: 262. Sua esposa dormia dentro. Como trabalhador de um setor considerado essencial —o da saúde, junto com o alimentício, o funcionalismo público, os meios de comunicação e os militares—, tem direito a abastecer em alguns postos de gasolina de Caracas, que desde que começou a pandemia vive, como toda a Venezuela, uma aguda escassez de gasolina enquanto atravessa três meses de quarentena para frear a expansão da covid-19.

Herrera é diabético e hipertenso. Tem 60 anos e chega ao posto de máscara e com o macacão verde de técnico radiologista. Depois de um descanso, pretende retornar ao trabalho para ajustar os equipamentos que tiram as chapas que confirmam as pneumonias decorrentes do vírus. Ele está no grupo de risco, mas sua preocupação hoje é outra. “Se puder encher todo o tanque, poderei buscar meus filhos, que estão retidos há mais de um mês na casa dos avós em Guatire [a 50 quilômetros da cidade]. Se só me derem 20 litros, como estão dizendo, terei que esperar uma semana a mais e voltar a abastecer.” O dia está só começando.

Organizações médicas alertam sobre a escassa disponibilidade de respiradores em todo o país: não chegam a 200 unidades

Ele chegou pouco antes das 4h e, pelo número que lhe coube na fila que cerca o posto de gasolina, achou que tinha chegado tarde. Mas atrás da sua caminhonete em poucas horas se juntaram mais de 100 outros veículos. A fila se perde entre vários quarteirões em torno dos postos. Assim é desde que teve início o racionamento de gasolina. Hoje só foi suficiente para 200 carros.

Os venezuelanos, após 20 anos de revolução bolivariana, entendem muito de filas, racionamentos, listas de espera, pessoas numeradas por algum militar e mercados informais. Mas a Venezuela em quarentena também deixou cenas como a descoberta de um posto de gasolina clandestino em um bairro luxuoso de Caracas, brigas entre motoristas cansados de esperar e a fúria de um bando de motociclistas bloqueando vias expressas em sua sede por gasolina. Sem combustível, o país com as maiores reserva de petróleo parou.

A Venezuela enfrenta o coronavírus com uma grande opacidade epidemiológica, na qual chama a atenção uma reduzida capacidade de verificar os contágios, que em 20 de abril alcançavam 256 confirmados e 9 mortes. O Governo de Nicolás Maduro diz ter feito o maior número de testes na região: 25.000 por dia. Mas quase a totalidade é de testes rápidos, não recomendados para um diagnóstico conclusivo. Há apenas um laboratório capaz de processar 93 exames de PCR por dia em Caracas. Também se assegura que há 23.000 leitos disponíveis (sendo 1.200 de UTI) entre hospitais, clínicas privadas, ambulatórios e hotéis, mas organizações de médicos indicam que a disponibilidade de respiradores no país não chega a 200. Desde 17 de março se aplica uma quarentena que ficou mais severa pela grave escassez de combustível, que agora é racionado. Essa situação que, junto com a falta de insumos médicos e de proteção para o pessoal sanitário e falhas nos serviços básicos, como a água, acendeu protestos em todo o país. A companhia estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) não consegue produzir os 135.000 barris de gasolina consumidos diariamente. Na última década, uma feroz corrupção que também alimentou o contrabando e a má gestão da empresa levaram a capacidade de refino a apenas 55.000 barris nas duas refinarias que estão operacionais, das seis instaladas. O país que vendia a gasolina mais barata do mundo agora precisa importá-la e paga caro por ela.

Sob essa tempestade, na mesma fila de gasolina com Herrera, espera José Martínez, dono de uma companhia de atendimento médico a domicílio que presta serviços à PDVSA, que lhe deve pagamentos há ano e meio. Mais perto da meta, cochilando, está Josefina Morón, enfermeira de um hospital. Saiu de um plantão para o qual teria que voltar ao anoitecer, mas ficou sem gasolina e teve que comprar dois litros de gasolina por 22 reais para conseguir chegar até o posto. À frente dela, María Dagher faz fila no lugar do filho, médico plantonista em um dos centros de referência para o atendimento dos pacientes da covid-19. “É um Deus nos acuda”, diz, tentando descrever o que seu filho testemunhou nos últimos dias. Com a senha 198 em mãos, aguardava Mercedes Pichardo, de 72 anos, bioanalista em um hospital sem água.

Maduro manobrou nos últimos anos para administrar a crise, e Caracas ainda não tinha sofrido do mal da gasolina que há anos assola o interior do país. Na capital, é longínqua a lembrança da paralisação que o setor empresarial e a oposição promoveram depois de tentar um golpe de Estado contra o projeto de Hugo Chávez e seus primeiros sinais autoritários: um calhamaço de leis habilitantes que lhe permitiriam governar por decreto e ter o controle centralizado da petroleira.

A falta de gasolina em todo o país tornou ainda mais rigoroso o distanciamento social provocado pelo novo vírus que já contaminou 197 venezuelanos, dos quais nove morreram, segundo os dados oficiais. A escassez de combustível também deixou a comida mais distante para 80% dos venezuelanos que não ganham o suficiente para comprá-la, para quem vive do que vendem a cada dia e não pode contratar um serviço de entrega a domicilio, e muito mais longe os remédios, que os doentes de câncer e Aids só conseguem após horas de viagem rodoviária até a fronteira com a Colômbia, agora cheias de controles onde são exigidos salvo-condutos.

Fonte: El País
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