PRESIDENTE DA UCRÂNIA DECIDIU ROMPER RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS COM A SÍRIA

Síria deve sofrer mais sanções após reconhecer repúblicas pró-Rússia

Ucrânia anunciou o rompimento das relações com o governo de Damasco

O ditador da Síria, Bashar al-Assad, com Vladimir Putin

O ditador da Síria, Bashar al-Assad, com Vladimir Putin | Foto: Presidência da Rússia

 

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, decidiu na quarta-feira 29 romper as relações diplomáticas com a Síria depois que o governo do ditador Bashar al-Assad, apoiado por Moscou, reconheceu oficialmente a “independência e soberania” das repúblicas de Donetsk e Lugansk, no Donbass”.

“Não haverá mais relações entre a Ucrânia e a Síria “, disse Zelensky em um vídeo postado no Telegram, afirmando que “a pressão das sanções contra Damasco, um aliado da Rússia, será ainda mais forte”.

Mais cedo, o governo sírio reconheceu oficialmente “a independência e soberania” das repúblicas separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia, segundo a agência governamental Sana, citando uma fonte do Ministério das Relações Exteriores de Damasco.

A declaração afirma que a presidência síria pretende estabelecer relações com as duas repúblicas separatistas.

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G7 AUMENTA PRESSÃO SOBRE A RÚSSIA POR CAUSA DA GUERRA UCRÂNIA

G7 vai aumentar sanções contra a Rússia e aplicará teto de preço ao petróleo do país

Maiores economias do mundo pretendem aumentar a pressão sobre o governo russo devido à guerra na Ucrânia

Líderes do G7 se reúnem com o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, por chamada de vídeo

BENOIT TESSIER/REUTERS – 27.06.2022

O grupo das sete maiores economias do mundo se comprometerá, nesta terça-feira (28), com um novo pacote de ações coordenadas destinadas a aumentar a pressão sobre a Rússia por causa da guerra na Ucrânia e finalizará os planos para um teto de preço para o petróleo russo, disse uma autoridade de alto escalão dos Estados Unidos nesta segunda-feira (27).

O anúncio ocorre no momento em que a Casa Branca afirma que a Rússia deu calote em seus títulos soberanos estrangeiros pela primeira vez em décadas — uma afirmação que Moscou rejeitou — e depois de conversa virtual do presidente ucraniano Volodmir Zelenski com líderes do G7, reunidos em um resort alpino no sul da Alemanha.

Zelenski pediu aos líderes do G7 uma ampla gama de apoio militar, econômico e diplomático, de acordo com uma autoridade europeia.

As nações do G7, que geram quase metade da produção econômica do mundo, querem aumentar a pressão sobre a Rússia sem alimentar a inflação, já em alta, que está causando tensões internas e devastando vários países.

O teto de preço pode atingir as reservas de guerra do presidente russo Vladimir Putin ao mesmo tempo que reduz o valor da energia.

“Os objetivos duplos dos líderes do G7 têm sido mirar diretamente as receitas de Putin, principalmente por meio da energia, mas também minimizar os reflexos e o impacto nas economias de seus países e no restante do mundo”, disse a autoridade dos EUA à margem da cúpula anual do G7.

Os líderes do G7 também estabelecerão um “compromisso de segurança sem precedentes e de longo prazo para fornecer à Ucrânia apoio financeiro, humanitário, militar e diplomático pelo tempo que for necessário”, o que inclui o fornecimento oportuno de armas modernas, disse a Casa Branca em uma nota.

As sanções ocidentais atingiram duramente a economia da Rússia, e as novas medidas visam privar ainda mais o Kremlin das receitas do petróleo. Os países do G7 trabalharão com outros —como a Índia — para limitar as receitas que Putin pode continuar gerando, afirmou a autoridade dos EUA.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, é um dos cinco líderes de nações convidadas que se juntam ao G7 para conversas sobre mudanças climáticas, energia, saúde, segurança alimentar e igualdade de gênero no segundo dia da cúpula.

“É um mecanismo que pode beneficiar mais países terceiros do que a Europa”, disse uma autoridade da UE. “Esses países estão fazendo perguntas sobre a viabilidade, mas em princípio pagar menos pela energia é um tema muito popular.”

Os líderes do G7 encarregarão seus governos de trabalhar intensamente em medidas para implementar o teto de preço russo, atuando com países de todo o mundo e partes interessadas, inclusive o setor privado, segundo a autoridade dos EUA.

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DEVASTADORA GUERRA NA UCRÂNIA OCUPOU LUGAR CENTRAL NA INAUGURAÇÃO DA ASSEMBLEIA ANUAL DA OMS

Guerra na Ucrânia é tema central da abertura da reunião anual da OMS

Entidade acredita que onde há guerra também há doença e que paz é indispensável para a saúde

Tedros Adhanon, diretor-geral da OMS, em discurso na inauguração da assembleia anual

JEAN-GUY PYTHON/AFP/AFP – 22.05.2022

A “devastadora” guerra na Ucrânia ocupou um lugar central na inauguração da assembleia anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) neste domingo (22) e ameaça ofuscar os esforços feitos em outras crises, assim como uma reforma para prevenir futuras pandemias.

“Onde há guerra, também há fome e doenças”, declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante seu discurso de abertura na 75ª Assembleia Mundial da Saúde.

“A paz é indispensável para a saúde”, frisou.

Essa assembleia deve decidir se renovará o mandato de Tedros por outros cinco anos, após uma primeira gestão marcada pela pandemia da Covid-19.

Pouco antes, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu aos 194 Estados-membros da organização que apoiem a resolução que será apresentada na terça-feira (24) pela Ucrânia. O texto condena duramente a invasão russa, em especial seus mais de 200 ataques ao sistema de saúde, incluindo hospitais e ambulâncias.

O conflito na Ucrânia não é, porém, a única emergência sanitária a ser discutida ao longo da semana.

“Esta reunião é uma oportunidade histórica para fortalecer a arquitetura universal de segurança e saúde”, disse à assembleia o presidente da República Dominicana, Luis Abinader Corona.

As negociações abordarão, por exemplo, como fortalecer as respostas a futuras pandemias por meio de um instrumento legal, como um tratado.

Entre as principais reformas em pauta, está a do orçamento da OMS. Os países devem dar sinal verde para um acordo para que a organização tenha um financiamento mais seguro e flexível.

O orçamento semestral da OMS para 2020-21 foi de US$ 5,8 bilhões, mas apenas 16% desse valor é procedente das cotas ordinárias de seus membros. A ideia é aumentar essas cotas, gradualmente, de modo a chegar a até 50%.

A assembleia termina no próximo sábado (28). Trata-se da primeira a ser realizada de forma presencial desde a eclosão da pandemia de Covid-19 no fim de 2019.

Fonte: R7

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ONU DEMONSTRA TER AÇÕES LIMITADAS DIANTE DA POSSIBILIDADE DE UMA TERCEIRA GUERRA MUNDIAL

Por que a ONU está paralisada em relação à guerra na Ucrânia?

Professor de relações internacionais aponta que a estrutura do Conselho de Segurança limita as ações pela manutenção da paz

INTERNACIONAL

Letícia Sepúlveda, do R7

ONU demonstra ter pouco efetividade para garantir a paz no mundo diante da guerra na Ucrânia

JOHN ANGELILLO/REUTRES – 20.09.2021

A guerra na Ucrânia envolve diretamente a Rússia e indiretamente os EUA, ou seja, duas potências militares em lados opostos. Nesse cenário, esperava-se que a ONU (Organização das Nações Unidas) tivesse um papel fundamental para a manutenção da paz, seu principal objetivo desde sua criação após a Segunda Guerra Mundial.

No momento em que o mundo teme a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial, a organização demonstra ter ações limitadas diante dessa situação. Isso acontece, principalmente, por causa da sua estrutura, na qual os membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China) têm poder de veto nas decisões e usam isso para se proteger de possíveis consequências de suas políticas externas.

“O Conselho de Segurança é o órgão em que se debate o uso das forças da ONU (Forças de Paz conhecidas como capacetes azuis) e seu formato impede que os países que possuem poder de veto sejam atingidos pelas deliberações, o que é o caso da Rússia agora”, explica o professor João Carlos Jarochinsk, do departamento de Relações Internacionais da UFRR (Universidade Federal de Roraima)

Desde o início da guerra, em 24 de fevereiro, a organização apenas condenou a invasão russa e suspendeu Moscou do Conselho de Direitos Humanos. Porém, não teve nenhuma outra ação relevante que contribuísse para um cessar-fogo entre Moscou e Kiev.

Para além da força militar, o especialista destaca o papel humanitário da organização que se mostra importante e efetivo em muitos momentos, como agora no Leste Europeu.

“A ONU é responsável por uma atuação de forma muito rápida e eficiente na questão dos refugiados ucranianos, além de toda a mobilização para estruturas de recepção, abrigos e campos de refugiados.”

Reformulação

Como a ONU se encontra limitada para atuar no campo da paz em meio à devastação que a guerra provocou em muitas cidades ucranianas, surge o debate sobre se é o momento para uma reformulação.

A organização também enfrenta o entrave da busca por soberania por parte de muitos países, com líderes que visam o fortalecimento nacional e que têm apoio da população. Para Jarochinsk, a conjuntura política é desfavorável para que, neste momento, ocorra uma reforma na instituição e ressalta uma possível “tendência de piora”.

“Devemos avaliar quais são as possibilidades de mudança. Pode ser que não consigamos conquistar os objetivos propostos e que se desestruture um sistema que mal ou bem tem funcionado há mais de 75 anos.”

Ainda existe a questão do financiamento da ONU, que vem de seus países membros, desta forma, a organização depende dessas contribuições para sua atuação pelo mundo. Por esse motivo, o especialista acredita que esse é um ponto sensível e o principal problema a ser enfrentado.

“É preciso pensar no fortalecimento do Tribunal Penal Internacional (TPI), que responsabiliza as pessoas que são responsáveis por muitas atrocidades. Apesar de alguns avanços, o tribunal está muito longe do que seria o ideal.”

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MINISTROS DA UNIÃO EUROPEIA DISCUTEM UMA RESPOSTA À RÚSSIA COMO PARTE DE NOVO PACOTE DE SANÇÕES PELA GUERRA NA UCRÂNIA

Ministros da União Europeia buscam resposta à ameaça energética da Rússia

Moscou cortou o abastecimento dos países que se negaram a pagar em rublo, apesar de contratos estabelecidos em euro e dólar

A ministra polonesa Anna Moskwa afirmou que foi pedido um embargo sobre o gás russo

JOHN THYS/AFP – 2.5.2022

Os ministros de Energia da União Europeia discutiram nesta segunda-feira (2) uma resposta ao corte do fornecimento de gás russo à Polônia e Bulgária, além de alternativas para reduzir a dependência de hidrocarbonetos da Rússia, como parte de um novo pacote de sanções pela guerra na Ucrânia.

A reunião é a primeira do setor desde que Moscou cortou o abastecimento a estes países que se negaram a pagar em rublos, uma nova exigência russa.

“Pedimos um embargo imediato sobre o petróleo e gás russos. Chegou o momento do petróleo, logo será do gás”, disse a ministra polonesa Anna Moskwa.

No entanto, Moskwa afirma que as reservas de seu país estarão a 100% de sua capacidade “neste inverno” boreal.

“O gás americano começou a chegar através da Lituânia e vamos obter gás da Noruega através da Dinamarca”, afirmou.

Mecanismos de pagamento

A União Europeia alega que os contratos celebrados por empresas europeias são acordados, em regra, em euros ou dólares, por isso a Comissão Europeia considera que o mecanismo de conversão imposto por Moscou justifica a imposição de sanções.

Com base neste entendimento, Polônia e Bulgária pagaram suas compras na moeda prevista em seus contratos com a Gazprom e se negaram a abrir uma segunda conta em rublos. Em retaliação, a companhia de gás russa considerou que não recebeu os pagamentos e suspendeu as entregas.

Nesta reunião, os ministros devem decidir se há algum problema com a abertura de uma segunda conta em rublos e se a Gazprom deve aceitar o pagamento em euros ou dólares, como determinam os contratos, informou uma fonte europeia.

“Nenhuma empresa ou país pretende abrir uma conta em rublos”, disse a comissária europeia de Energia, Kadri Simson.

Reduzir a dependência

“Os ministros também devem acordar um encerramento gradual das compras de petróleo e derivados russos, mas nenhuma decisão é esperada para o final desta reunião”, disse a ministra francesa Barbara Pompili.

Já a ministra espanhola Teresa Ribera destacou que a questão “das sanções não é competência dos ministros de Energia”.

Chefe alemão da mesma pasta, Robert Habeck, destacou que “reduzimos significativamente nossa dependência de petróleo russo e estamos criando as condições necessárias para suportar também um embargo”.

Em 2021, a Rússia forneceu 30% do petróleo e 15% de seus derivados, comprados pela União Europeia.

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EUROJUST ANUNCIOU QUE O TPI INVESTIGARÁ SE HOUVE CRIMES DE GURRA COMETIDOS PELA RÚSSIA E UCRÂNIA

Tribunal Penal Internacional se une à UE para investigar crimes de guerra russos na Ucrânia

Bloco europeu pretende alterar sua legislação para permitir que provas sejam armazenadas pela Eurojust, vez que isso é inviável na Ucrânia

Eurojust (Agência da União Europeia para Cooperação em Justiça Criminal) anunciou na segunda-feira (25) que o TPI (Tribunal Penal Internacional), com sede em Haia, na Holanda, tomará parte em uma investigação multinacional com o objetivo de apurar eventuais crimes de guerra cometidos pela tropas da Rússia na Ucrânia.

Conforma o acordo, que configura um movimento inédito para o TPI, o procurador do órgão, Karim Khan, se juntará aos procuradores-gerais de LituâniaPolônia e Ucrânia na equipe de investigação conjunta (EIC) que analisa eventuais abusos cometidos pelas tropas russas no conflito.

“Com este acordo, as partes da EIC e o Gabinete do Procurador enviam uma mensagem clara de que serão envidados todos os esforços para recolher provas de crimes internacionais fundamentais cometidos na Ucrânia e levar os responsáveis ​​à Justiça”, disse a Eurojust em comunicado.

Paralelamente, a União Europeia (UE) anunciou que discute a adoção de uma emenda legal permitindo à Eurojust “recolher, conservar e partilhar provas de crimes de guerra”, bem como trabalhar em parceria com o TPI. Atualmente, o regulamento não prevê que a agência “preserve essas provas de forma mais permanente, nem as analise e troque quando necessário, nem coopere diretamente com as autoridades judiciais internacionais”, disse a UE em comunicado.

De acordo com o bloco europeu, tal iniciativa é necessária para permitir que os acusados sejam eventualmente julgados e punidos. “Devido ao conflito em curso, é difícil armazenar e preservar provas de forma segura na Ucrânia. Para garantir a responsabilização pelos crimes cometidos na Ucrânia, é crucial garantir o armazenamento seguro de provas fora da Ucrânia, bem como apoiar as investigações e os processos por várias autoridades judiciárias europeias e internacionais”.

O comissário para a Justiça da UE, Didier Reynders, afirmou após o anúncio que “a impunidade não será tolerada”. Já a vice-presidente de valores e transparência, Vera Jourova, declarou que “a luta da Ucrânia é a nossa luta” e que “a Europa está determinada e fará o que puder para ajudar”.

O Massacre de Bucha

A pressão dos governos ocidentais contra a Rússia aumentou consideravelmente depois que os corpos de dezenas de pessoas foram encontrados nas ruas de Bucha, quando as tropas locais reconquistaram a cidade três dias após a retirada do exército russo. As imagens dos mortos foram divulgadas pela primeira vez no dia 2 de abril, por agências de notícias, e chocaram o mundo.

As fotos mostram pessoas mortas com as mãos amarradas atrás do corpo, um indício de execução. Outros corpos aparecem parcialmente enterrados, com algumas partes à mostra. Há também muitos corpos em valas comuns. Nenhum dos mortos usava uniforme militar, sugerindo que as vítimas são civis.

“O massacre de Bucha prova que o ódio russo aos ucranianos está além de qualquer coisa que a Europa tenha visto desde a Segunda Guerra Mundial”, disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, em sua conta no Twitter.

Moscou, por sua vez, nega as acusações. Através do aplicativo russo de mensagens Telegram, o Ministério da Defesa russo disse que, “durante o tempo em que a cidade esteve sob o controle das forças armadas russas, nenhum morador local sofreu qualquer ação violenta”. O texto classifica as denúncias como “outra farsa, uma produção encenada e provocação do regime de Kiev para a mídia ocidental, como foi o caso em Mariupol com a maternidade“.

Entretanto, imagens de satélite da empresa especializada Maxar Technologies derrubam o argumento da Rússia. O jornal The New York Times realizou uma investigação com base nessas imagens e constatou que objetos de tamanho compatível com um corpo humano aparecem na rua Yablonska entre 9 e 11 de março. Eles estão exatamente nas mesmas posições em que foram descobertos os corpos quando da chegada das tropas ucranianas, conforme vídeo feito por um residente da cidade em 1º de abril.

Os mortos de Putin

Desde que assumiu o poder na Rússia, em 1999, o presidente Vladimir Putin esteve envolvido, direta ou indiretamente, ou é forte suspeito de ter relação com inúmeros eventos, que levaram a dezenas de milhares de mortes. A lista de vítimas do líder russo tem soldados, civis, dissidentes e até crianças. E vai aumentar bastante com a guerra que ele provocou na Ucrânia.

Na conta dos mortos de Putin entram a guerra devastadora na região do Cáucaso, ações fatais de suas forças especiais que resultaram em baixas civis até dentro do território russo, a queda suspeita de um avião comercial e, em 2022, a invasão à Ucrânia que colocou o mundo em alerta.

A Referência organizou alguns dos principais incidentes associados ao líder russo. Relembre os casos.

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CUSTO PARA RECONSTRUÇÃO DA UCRÂNIA PODE CHEGAR A US$ 600 BILHÕES

Reconstrução da Ucrânia vai custar US$ 600 bilhões

Segundo os EUA, parte desse custo pode ser paga pela Rússia

Valor foi calculado para reconstruir o país depois da invasão russa

Valor foi calculado para reconstruir o país depois da invasão russa | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O custo para reconstrução da Ucrânia pode chegar a US$ 600 bilhões (R$ 2,8 trilhões). A afirmação foi feita pelo premiê ucraniano, Denys Shmyhal, na quinta-feira 21 em Washington, nos Estados Unidos.

A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, disse que talvez seja possível fazer com que a Rússia pague parte dessa conta, com os ativos congelados no exterior.

US$ 7 bilhões por mês para compensar perdas econômicas

O presidente Volodymyr Zelensky, em discurso virtual, citou custos e necessidades de financiamento bem maiores.

Ele disse que a Ucrânia precisa de US$ 7 bilhões (R$ 32 bilhões) por mês para compensar as perdas econômicas causadas pela invasão russa. “E precisaremos de centenas de bilhões de dólares para reconstruir tudo mais tarde.”

Segundo o Banco Mundial, os danos físicos a edifícios e infraestrutura da Ucrânia causados pela invasão russa atingiram cerca de US$ 60 bilhões e aumentarão mais à medida que a guerra continuar, disse ontem o presidente do Banco Mundial, David Malpass.

Em conferência sobre assistência financeira à Ucrânia, Malpass disse que a estimativa inicial dos danos é “estreita” e não inclui os custos econômicos crescentes da guerra para a Ucrânia. “É claro que a guerra ainda está em curso, portanto esses custos estão subindo.”

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G20 SE REÚNE PARA DISCUTIR SOBRE DESAFIOS GLOBAIS

Discussões sobre Ucrânia dominam Cúpula das Finanças do G20

Reunião que envolve as grandes potências econômicas do mundo, como EUA e China, deve ser marcado por boicotes à Rússia

Ministro da Finança da Rússia, Anton Siluanov, em evento do G20 em 2021

GUGLIELMO MANGIAPANE/REUTERS – ARQUIVO

Os ministros das Finanças e governadores de bancos centrais dos países mais ricos do mundo se reúnem nesta quarta-feira (20) para abordar desafios globais, como o aumento da dívida e uma possível crise alimentar, mas as tensões provocadas pela invasão russa da Ucrânia podem paralisar a cúpula.

O ataque de Moscou ao país vizinho dominará as discussões na primeira reunião desde que o presidente russo Vladimir Putin iniciou a ofensiva. As nações ocidentais responderam com sanções destinadas a prejudicar a economia da Rússia e transformar o país em um Estado pária.

A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, vai boicotar algumas sessões caso haja funcionários russos presentes, segundo um alto funcionário dos Estados Unidos. Estima-se que os colaboradores do Ministério das Finanças de Moscou participem da cúpula virtualmente.

Yellen vai enfatizar que “os benefícios e privilégios das principais instituições econômicas do mundo […] estão reservados aos países que mostram respeito pelos princípios fundamentais que sustentam a paz e a segurança em todo o mundo”, afirmou o funcionário, esclarecendo que o grupo não pode permitir que a Rússia interrompa o trabalho do G20.

A França indicou que participaria do boicote. Já Berlim, de acordo com uma fonte do governo alemão, não tem a intenção de participar, embora “transmitirá sem dúvidas mensagens fortes” durante e depois das reuniões.

Diante da ameaça de boicote, os especialistas veem poucas possibilidades de que o bloco alcance um consenso nesta reunião sobre desafios globais, como a mudança climática e o alívio da dívida dos países pobres.

A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, pediu hoje aos países do G20 para continuar sua cooperação, apesar das tensões. “Nenhum país pode resolver seus problemas sozinho. É evidente que a cooperação deve e vai continuar”, afirmou em coletiva de imprensa.

“Acredito que as expectativas devem ser extremamente baixas”, declarou Matthew Goodman, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) com sede em Washington, que descarta que os países entrarão em um acordo sobre a crise da Ucrânia.

O G20 é composto por Estados Unidos, União Europeia, China, Reino Unido, França, Itália, Rússia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Canadá, Brasil, México, Argentina, Índia, Austrália, Arábia Saudita, Indonésia, África do Sul e Turquia.

É presidido atualmente pela Indonésia, que até agora quis se manter “imparcial”. Outros países, como México e Brasil, também adotam uma postura neutra.

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HOMEM MAIS RICO DA UCRÂNIA SE COMPROMETEU A AJUDAR NA RECONSTRUÇÃO DA CIDADE DE MARIUPOL

Homem mais rico da Ucrânia promete reconstruir Mariupol

Cidade, hoje sitiada, é considerada ponto estratégico na guerra entre Rússia e Ucrânia

Veículo blindado de tropas pró-Rússia é visto em Mariupol

CHINGIS KONDAROV/REUTERS

O homem mais rico da Ucrânia se comprometeu a ajudar na reconstrução da cidade de Mariupol, local onde o empresário possui duas grandes siderúrgicas que ele diz que voltarão a competir globalmente.

Rinat Akhmetov viu seu império de negócios ser destruído por oito anos de combates no leste da Ucrânia, mas permanece certo de que o que ele chama de “nossos bravos soldados” defenderão a cidade, que foi reduzida a um deserto após sete semanas de bombardeio.

No momento, no entanto, sua empresa Metinvest, a maior siderúrgica da Ucrânia, anunciou que não pode entregar seus contratos de fornecimento. Seu grupo financeiro e industrial está cumprindo suas obrigações de dívida e sua produtora privada de energia DTEK “otimizou o pagamento de suas dívidas” em um acordo com os credores.

“Mariupol é uma tragédia global e um exemplo global de heroísmo. Para mim, Mariupol foi e sempre será uma cidade ucraniana”, disse Akhmetov em respostas por escrito a perguntas da Reuters.

“Acredito que nossos bravos soldados defenderão a cidade, embora eu entenda quão difícil e duro é para eles”, disse o empresário, acrescentando estar em contato diário com os gerentes da Metinvest que administram as usinas em Mariupol.

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PREÇOS MUNDIAIS DOS ALIMENTOS ATINGIRAM “UM NÍVEL SEM PRECEDENTES” NO MÊS DE MARÇO DEVIDO A GUERRA NA UCRÂNIA

Preços dos alimentos atingem nível recorde no mundo devido à guerra na Ucrânia

Agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura informou que 38,3 milhões de pessoas podem ser afetadas em junho, caso medidas adequadas não sejam tomadas

Menino ucraniano come um pão em estação ferroviária em Przemysl, no leste da Polônia

WOJTEK RADWANSKI/AFP – 07.04.2022

Os preços mundiais dos alimentos atingiram “um nível sem precedentes” em março devido à guerra na Ucrânia, que afeta seriamente o comércio de cereais e óleos vegetais, anunciou nesta sexta-feira (8) a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

Os preços das matérias-primas agrícolas, como trigo, girassol ou milho, continuam a disparar à medida que se intensifica o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, os principais exportadores mundiais desses produtos.

O índice da FAO, que se baseia na variação mensal mundial dos preços de uma cesta de produtos básicos, registrou alta de 12,6% em março, em relação a fevereiro, quando já havia batido recorde desde sua criação, em 1990, disse a organização em um comunicado.

A FAO destaca que o preço dos cereais “aumentou 17,1% em relação a fevereiro, principalmente devido ao trigo e outros grãos grossos, aumentos causados ​​pela guerra na Ucrânia”.

O bloqueio dos portos ucranianos explica essa alta histórica. A Ucrânia é o quinto maior exportador mundial de trigo.

Desde o início do conflito, em 24 de fevereiro, o mar de Azov foi fechado ao transporte e as exportações dos portos de Berdyansk e Mariupol foram bloqueadas.

O preço do milho também “registrou um aumento mensal de 19,1%, atingindo um nível recorde, assim como o da cevada e o do sorgo”, disse a FAO em seu relatório de março. A Ucrânia pediu na quinta-feira à União Europeia ajuda urgente para os agricultores.

A Comissão Europeia coordenará os embarques, que incluem “combustível, sementes e fertilizantes” ou máquinas agrícolas, de acordo com o comissário de agricultura Janusz Wojciechowski.

Risco de crise alimentar global

Os preços dos alimentos também subiram devido aos óleos vegetais, que aumentaram 23,2% em um mês, impulsionados principalmente pelo óleo de girassol, do qual o principal exportador mundial é a Ucrânia.

Os preços dos óleos de palma, soja e colza também aumentaram, devido à ausência do óleo de girassol nos supermercados.

Na França, por exemplo, óleo, farinha ou massa tornaram-se escassos em algumas lojas, principalmente devido às compras dos consumidores, que temem a escassez.

Na terça-feira, o presidente russo Vladimir Putin propôs “monitorar” as entregas de alimentos a países “hostis” ao Kremlin, em meio à escalada de sanções contra as operações militares russas na Ucrânia.

A FAO também indica que, como resultado do conflito, a fome no Sahel e na África Ocidental, uma região altamente dependente das importações de grãos da Rússia e da Ucrânia, pode piorar.

Se medidas adequadas não forem tomadas, a fome poderá afetar 38,3 milhões de pessoas em junho, segundo a instituição.

A pedido do presidente do Níger, Mohamed Bazum, vários países, entre os quais Estados Unidos e França, comprometeram-se na quarta-feira a aumentar a sua ajuda às populações dessa zona num montante de 1,79 milhão de euros (1,95 milhão de dólares).

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RÚSSIA FOI SUSPENSA DO CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS NA ASSEMBLEIA – GERAL DA ONU PELA INVASÃO DA UCRÂNIA

Assembleia-geral da ONU suspende Rússia do Conselho de Direitos Humanos

Dos 193 Estados-membros da assembleia, 93 votaram a favor da suspensão, enquanto 24 votaram contra e 58 se abstiveram

INTERNACIONAL

Do R7,

com informações da AFP e EFE

Assembleia-Geral da ONU decide suspender a Rússia do Conselho de Direitos Humanos

TIMOTHY A. CLARY / AFP

A Assembleia-Geral das Nações Unidas (AGNU) suspendeu a Rússia, nesta quinta-feira (7), do Conselho de Direitos Humanos da organização, em represália pela invasão da Ucrânia.

Dos 193 Estados-membros da assembleia, 93 votaram a favor da suspensão, enquanto 24 votaram contra e 58 se abstiveram, incluindo o Brasil. Isto pode sugerir um enfraquecimento da unidade internacional contra a Rússia.

Além dos Estados Unidos e da própria Ucrânia, os países da União Europeia, nações latino-americanas como Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai, e outros Estados como Austrália, Canadá, Turquia e Noruega apoiaram a medida.

Entre os países que votaram contra estão a própria Rússia, China, Cuba, Irã, Nicarágua e Síria. Outros 58 estados decidiram se abster, incluindo Egito, El Salvador, Índia, México, Nigéria, Paquistão e Arábia Saudita.

O embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho, disse: “O Brasil decidiu se abster na votação de hoje porque acredita que a comissão de inquérito deve ter permissão para concluir sua investigação independente para que as responsabilidades possam ser determinadas”.

Costa Filho acrescentou que o Brasil, “profundamente preocupado” com supostas violações de direitos humanos na Ucrânia, está “totalmente comprometido em encontrar maneiras de cessar imediatamente as hostilidades e promover um diálogo real que leve a uma solução pacífica e sustentável”.

Esta é a segunda vez que um país é suspenso do conselho. A Líbia foi o primeiro, em 2011.

O Kremlin lamentou a decisão e advertiu que Moscou pretende “continuar a defender seus interesses por todos os meios legais”.

“Lamentamos isso e continuaremos a defender nossos interesses por todos os meios legais e a nos explicar”, reagiu o porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitri Peskov, em entrevista ao canal britânico Sky News.

Já a Ucrânia expressou seu agradecimento pela suspensão da Rússia afirmando que não cabe a “criminosos de guerra” estarem representados nessa instância da ONU.

“A Rússia não está apenas cometendo violações dos direitos humanos, está abalando as fundações da paz e segurança internacionais”, disse o embaixador ucraniano na ONU, Sergiy Kyslytsya, antes da votação.

“Os criminosos de guerra não têm lugar nos organismos da ONU encarregados da proteção dos direitos humanos”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, no Twitter.

“Agradecemos a todos os Estados-membros que apoiaram a resolução [da AGNU] e ficaram do lado certo da história”, completou.

Criado em 2006 para substituir a fracassada Comissão dos Direitos Humanos, o Conselho é o órgão máximo da ONU para os direitos humanos e é composto por 47 países, eleitos para mandatos de três anos.

A sua composição, que é decidida por eleições realizadas anualmente, tem sido regularmente criticada por incluir Estados com registros muito duvidosos em matéria de direitos humanos.

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CHINA ESTÁ EM EVIDÊNCIA NAS DISCURSÕES DIPLOMÁTICAS SOBRE O ATUAL AVANÇO MILITAR RUSSO NA UCRÂNIA

Qual é o papel da China em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia?

Potência econômica e militar se vê dividida entre interesses políticos e estratégicos diante da pressão internacional

INTERNACIONAL

Letícia Sepúlveda, do R7

ATUALIZADO EM 03/04/2022 – 13H49

O presidente russo Vladimir Putin em reunião com o presidente chinês Xi Jinping, em Pequim

KREMLIN VIA REUTERS – 04.02.2022

A China, grande parceira política da Rússia, está em evidência nas discussões diplomáticas sobre o atual avanço militar dos russos na Ucrânia. A posição do país asiático durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas sobre o conflito foi muito aguardada. Entretanto, Pequim decidiu se abster da resolução que condenava a invasão do território ucraniano, uma posição que diz muito sobre o dilema enfrentado por Pequim.

Enquanto se encontra pressionada pelos países ocidentais para se opor à ofensiva militar, mas estrategicamente vinculada à política russa, a China, segundo o ministro das Relações Exteriores do país, Wang Yi, está “do lado certo da história” em relação à crise. Mas qual seria essa posição?

Alexandre Uehara, especialista em relações internacionais e professor da ESPM, afirma que o “lado certo” está ligado à posição pragmática que o país adota diante da situação.

“A China tem interesse em manter relações com a Rússia por questões geopolíticas, mas os Estados Unidos são seu principal parceiro econômico. O país não tem como abrir mão da Rússia, grande parceira estratégica, ao mesmo tempo que só se tornou a segunda maior economia do mundo porque manteve relações econômicas importantes com o Ocidente”, explica.

De acordo com Alana Camoça, professora de relações internacionais da UFRJ e pesquisadora do LabChina-UFRJ, a principal consequência para a China em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia está ligada à área política. “A guerra traz problemas para a legitimidade chinesa no âmbito internacional, já que o país é visto do lado oposto ao do Ocidente, porque tem se colocado como neutro.”

“Além disso, a China vem tentando, há algum tempo, reconstruir sua imagem internacional enquanto um país pacífico e respeitador da ordem internacional, e esse conflito tem minado esses esforços.”

Essa neutralidade também conversa com as ações adotadas pela Rússia em relação à expansão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para perto de suas fronteiras, que também interessa à China, na medida em que seu crescimento econômico deixou em alerta os países europeus e os Estados Unidos.

Uehara explica que “os americanos aplicam estratégias de contenção da China há algum tempo. O Diálogo Quadrilateral de Segurança, formado por EUA, Índia, Japão e Austrália, claramente mostra o receio que esses países têm em relação ao avanço chinês. Além disso, a China vem expandindo seu mecanismo de defesa”.

Diante do impasse no Leste Europeu, o apoio internacional se mostra essencial para a Ucrânia. Nesse contexto, a China assume mais uma grande significância, uma vez que, após seu grande crescimento econômico, ultrapassou o Japão e se tornou a principal referência para os outros países asiáticos, muito dependentes de sua parceria comercial.

O antagonismo com os chineses, portanto, não é interessante para essas regiões. Além disso, elas sofrem a intimidação de todo o poderio militar

Pelo fato de os interesses chineses estarem relacionados tanto à sua aliança geopolítica com a Rússia como à sua estreita relação com o Ocidente, surge o debate sobre o papel mediador da China para o alcance do cessar-fogo no Leste Europeu.

Por um lado, o país se mostra interessado em assumir esse papel mediador, que seria benéfico para sua legitimidade internacional e para encerrar um conflito que prejudica seus objetivos políticos e econômicos. Por outro, enfrenta o impasse de abandonar seu posicionamento de neutralidade.

“O país tem capacidade de diálogo, mas é preciso ter uma espécie de triangulação ao lado da Rússia e dos EUA, com quem os chineses têm tensões. São necessários canais de diálogo e visões que saiam desse maniqueísmo (bem X mal), como no espírito da Guerra Fria, para que comecem a pensar de forma pragmática sobre esse conflito”, explica a professora da UFRJ.

“Se a China tomasse um dos lados, sua pressão contra a Rússia poderia fazer Moscou recuar, até porque os dois países têm relações econômicas muito profundas. Essa dependência do gigante asiático poderia ser um grande problema para os russos, que estão ficando cada vez mais isolados na arena internacional”, explica. “Mas não vejo a China disposta a se movimentar nesse sentido.”

Em uma guerra moderna, em que as notícias circulam em tempo real e em grande quantidade, as informações se mostram valiosas. A China e a Rússia exercem uma política interna parecida em relação à liberdade de imprensa e ao acesso que a população pode ter a determinadas notícias. Entretanto, para Alana Camoça, essa semelhança não é o que define a relação estreita entre os países.

“A posição da China é muito mais prática em relação aos interesses geoeconômicos e políticos que estão em jogo do que por afinidade com a política interna russa.”

Para ela, “também é importante ponderar que a guerra de informação acontece tanto dentro quanto fora do ponto de vista interno. Apesar de os chineses falarem que buscam uma mediação, ainda assim são vistos de forma negativa pelos maiores fluxos midiáticos, assim como os russos”.

Armas nucleares

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, subiu o tom em suas afirmações e declarou que claramente a Rússia está considerando o uso de armas químicas e biológicas no território ucraniano. A declaração ocorreu com a intensificação dos ataques russos à Ucrânia, ao lado das grandes sanções econômicas aplicadas pelos países ocidentais contra Moscou.

Entre as duas grandes potências militares, o papel da China de novo chama a atenção da diplomacia mundial. Para Uehara, tal medida não se alinha aos interesses chineses.

“Não sabemos qual é o limite do presidente Putin em termos de escalar o conflito. A Rússia tem armamentos nucleares táticos, bombas nucleares com capacidade de causar destruição localizada. Já a China, país com arsenal nuclear, não mostrou interesse em colaborar nesse sentido. Isso poderia gerar sanções dos países ocidentais, o que foge de seus objetivos.”

Tais sanções, entretanto, poderiam ser prejudiciais para os dois lados. “Em um futuro próximo, a China pode ser a maior economia do mundo, ela também é muito importante para os Estados Unidos e para a Europa. Os chineses possuem meios de retaliar a arena internacional, onde jogam o jogo das grandes potências”, conclui Camoça.

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PRESIDENTES DOS EUA E UCRÂNIA DISCUTIRAM CAPACIDADES ADICIONAIS PARA AJUDAR OS MILITARES DA UCRÂNIA

Biden e Zelenski discutem capacidades militares ‘adicionais’ para o exército ucraniano

EUA prometeram fornecer à Ucrânia cerca de 500 milhões de dólares (R$ 2.3 bilhões) em ajuda direta na luta contra a Rússia

INTERNACIONAL

 por AFP

Presidentes da Ucrânia e dos Estados Unidos tiveram encontro presencial em setembro de 2021

BRENDAN SMIALOWSKI/AFP – 1º.9.2021

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e seu colega ucraniano, Volodmir Zelenski, discutiram em um telefonema nesta quarta-feira (30) sobre capacidades militares “adicionais” necessárias para ajudar os militares da Ucrânia, informou a Casa Branca.

“Os líderes discutiram […] os esforços contínuos dos Estados Unidos e seus parceiros e aliados para identificar capacidades adicionais para ajudar os militares ucranianos a defender seu país”, disse o comunicado.

A Casa Branca acrescentou que Biden destacou o impacto “determinante” das armas fornecidas pelos americanos durante o conflito.’

Biden também disse a Zelenski que os Estados Unidos fornecerão à Ucrânia cerca de 500 milhões de dólares (R$ 2.3 bilhões) em ajuda direta, em meio à luta de Kiev contra as forças invasoras russas.

O chefe de Estado ucraniano, por sua vez, escreveu no Twitter que “compartilhou sua análise da situação no campo de batalha e na mesa de negociações”, um dia após uma nova sessão de negociações entre Kiev e Moscou.

“Falamos sobre apoio defensivo específico, um novo pacote de sanções melhorado e ajuda macrofinanceira e humanitária” para a Ucrânia, acrescentou Zelesnki.

A Rússia, que lançou sua invasão na Ucrânia em 24 de fevereiro, multiplicou nos últimos dias os sinais contraditórios sobre suas intenções militares e diplomáticas.

O Kremlin estimou, nesta quarta-feira, que não houve nenhum avanço nas negociações entre as duas partes em Istambul, o que reduz as esperanças geradas por outras declarações muito mais positivas de funcionários russos na terça-feira (29).

As autoridades ucranianas acusaram, nesta quarta, a Rússia de bombardear um centro da Cruz Vermelha em Mariupol e a cidade de Chernihiv.

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VEJA CINCO POSSIBILIDADES PARA FICAR ATENTO À GUERRA ENTRE RÚSSIA E UCRÂNIA NAS PRÓXIMAS SEMANAS

Cinco cenários que podem acontecer na Ucrânia daqui para frente

Do agravamento da crise de refugiados até as condições para um cessar-fogo, guerra terá diferentes desdobramentos nas próximas semanas

Angela Dewan

da CNN
23/03/2022 às 13:42

Soldado ucraniano nas ruas de Kiev, capital do paísSoldado ucraniano nas ruas de Kiev, capital do paísChris McGrath/Getty Images (14.mar.2022)

guerra da Rússia na Ucrânia está se aproximando da marca de um mês, e o avanço de suas tropas em algumas cidades-chave, incluindo a capital de Kiev, parece ter diminuído.

Embora haja um quadro crescente de que o ataque da Rússia à Ucrânia não está saindo como planejado, o país continua a usar seu poder aéreo para destruir cidades e atingir civis a fim de empurrar a Ucrânia à submissão.

Então, para onde caminha essa guerra? Aqui estão cinco possibilidades para ficar atento nas próximas semanas.

1. A Rússia poderia intensificar sua campanha de bombardeio

Especialistas estão alertando que quanto mais a Rússia é atingida em solo, maior a probabilidade de intensificar sua campanha de bombardeio aéreo e o uso de outras armas de “repouso” que coloquem os soldados russos em menor perigo.

Há pouca informação confiável saindo da Ucrânia ou da Rússia sobre o número de mortos, mas um relatório em um tablóide russo na segunda-feira (21) sugeriu que o lado russo havia perdido quase 10.000 soldados e que outros 16.000 haviam sido feridos.

O site Komsomolskaya Pravda removeu os números no final do dia, alegando que os números só apareceram em primeiro lugar porque haviam sido hackeados.

CNN não conseguiu verificar os dados, mas o número de mortos está mais próximo do que o relatado pelas agências de inteligência dos EUA.

Tais perdas, se comprovadamente verdadeiras, explicariam tanto a parada no movimento terrestre quanto o aumento do bombardeio aéreo de cidades-chave e outros ataques de impasse.

Um alto funcionário da defesa dos EUA disse que a Rússia começou a disparar contra a cidade de Mariupol, no sul, de navios no Mar de Azov.

“A Rússia ainda tem capacidades e reservas, e haverá um aumento na intensidade à medida que se esforça para trazer mais tropas”, disse Jeffrey Mankoff, um distinto pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos Nacionais da Universidade de Defesa Nacional dos EUA, à CNN.

Uma atualização recente do Ministério da Defesa do Reino Unido disse que a Rússia estava atraindo tropas de todo o país e de locais distantes, como sua frota do Pacífico. O país também estaria atraindo combatentes da Armênia e de empresas militares privadas, sírios e outros mercenários.

A questão é por quanto tempo a Rússia pode continuar com altas perdas de pessoal.

“Haverá mais tropas e outros equipamentos e ajuda, é claro, mas há um ponto em que será difícil sustentar esse tipo de ritmo operacional, particularmente os números sobre os quais temos ouvido — tanto em termos de homens e de perdas materiais, quanto eles superar a capacidade de reabastecimento”, disse Mankoff.

2. Embora haja foco em Kiev, a Rússia pode tentar cercar combatentes ucranianos no leste

Fala-se muito sobre o impasse do esforço de guerra russo, mas se isso é verdade ou não se resume a quais eram os objetivos de Moscou em primeiro lugar.

Mesmo isso é difícil de saber com certeza, já que a justificativa pública do país para sua invasão é claramente propaganda — a “desnazificação da Ucrânia”, por exemplo.

É provável que a Rússia esteja, no mínimo, tentando incorporar partes do leste da Ucrânia.

Áreas como Donetsk e Luhansk, que compõem a região do Donbass, são controladas por separatistas apoiados pela Rússia desde 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e, embora as ambições da Rússia possam se estender além do Donbass, ainda é provável que seja um foco central, dizem especialistas.

Embora haja muita atenção no impulso da Rússia em direção a Kiev, a maior parte do exército ucraniano permanece perto de Donetsk e Luhansk, onde eles são agrupados como a Operação das Forças Conjuntas (JFO).

O movimento das tropas russas sugere que eles estão tentando cercar o JFO em três eixos, e é provável que esse seja o foco principal da Rússia.

Isso fica claro ao olhar para a sofisticação do tipo de tropas que estão sendo enviadas para lá, disse Sam Cranny-Evans, analista de pesquisa do Royal United Services Institute.

“O Distrito Militar do Sul — em Donetsk, Luhansk, Mariupol, Berdyansk, Melitopol — estas são as melhores tropas do exército russo. E eles sempre funcionam. Eles são projetados para combater a Otan”, disse Cranny-Evans à CNN.

“Então, as forças que estavam comprometidas com o cerco de Kiev sugerem que era um objetivo que ou a Rússia achava que seria facilmente alcançado, ou superestimaram as capacidades dessas forças. Portanto, isso leva, em parte, à conclusão de que um cerco das tropas ucranianas na JFO faz parte do objetivo que a Rússia está procurando alcançar. E os movimentos das forças russas parecem sugerir que esse é o caso.”

Ele acrescentou que a mídia ocidental estava tão focada nas perdas da Rússia e no desafio da Ucrânia que estava dando uma falsa noção da dinâmica da guerra.

“Se olharmos para esses mapas, fica claro que as forças russas realmente avançaram um longo caminho para um país muito grande. Eles tomaram algumas cidades, então agora há muito mais cidadãos ucranianos vivendo sob o domínio russo do que há três semanas”, disse Cranny-Evans.

“Independentemente de quantos veículos russos explodiram ou quantos soldados russos são mortos, também é provável que haja um número muito alto de ucranianos que sofreram um destino semelhante.”

3. Haverá mais conversas sobre conversas

Um cenário é que a guerra da Ucrânia pode se tornar um conflito prolongado.

É provável que a Rússia tenha perdido um número significativo de soldados, armas e equipamentos na guerra e, embora tenha se envolvido em conflitos de longa data no passado, não vai querer deixar este com seus militares totalmente destruídos.

“As negociações são a única área em que as coisas parecem um pouco promissoras, porque tanto a Rússia quanto a Ucrânia disseram na última semana que estão caminhando para uma discussão substantiva real, em vez de a Rússia apenas estabelecer um ultimato”, disse Keir Giles, especialista russo do think tank Chatham House, com sede no Reino Unido, à CNN.

Autoridades russas disseram que suas demandas incluem a Ucrânia abandonar suas intenções de se juntar à Otan, se desmilitarizar e adotar um status “neutro”, como a Áustria e a Suécia. Mas as condições do que isso significa para a Ucrânia teriam que ser negociadas.

O principal porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov, disse à CNN em uma entrevista na terça-feira que a Rússia também queria que a Ucrânia aceitasse que a Crimeia — que a Rússia anexou em 2014 — é oficialmente parte da Rússia e que as estadistas separatistas de Luhansk e Donetsk “já são estados independentes”.

Numerosos especialistas especularam que a Rússia procurará esculpir partes do leste da Ucrânia.

“Será doloroso deliberar, a menos que se torne possível que a ajuda ocidental, tanto militar quanto humanitária, seja absorvida na Ucrânia a taxas suficientes para que eles possam realmente virar a maré contra o avanço russo”, disse Giles.

“Se é uma questão de quem pode derramar os maiores recursos e sentir a dor maior para prevalecer, a Rússia tem um histórico de infligir danos econômicos substanciais a si mesma e submeter sua própria população ao sofrimento a fim de seguir com guerras”, disse Giles, referindo-se a sanções que estão começando a complicar a economia russa.

Mas as autoridades dos EUA não estão tão otimistas de que as negociações vão correr bem.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse em uma coletiva de imprensa na semana passada que uma solução diplomática para a guerra era improvável, dizendo que as ações da Rússia “estão em total contraste com qualquer esforço diplomático sério para acabar com a guerra”.

Ele também sugeriu que a Rússia intensificaria a guerra usando armas químicas.

4. Pode haver “deportações” de ucranianos para a Rússia. Isso é preocupante

Embora alguns tenham conseguido sair, autoridades ucranianas dizem que outros foram levados involuntariamente para a Rússia.

A Rússia tem dito aos moradores da cidade de Mariupol, no sul, para sair enquanto realiza um bombardeio aéreo agressivo que despedaçou a cidade.

As forças abriram o que chamam de “corredores humanitários” para permitir que civis fujam, mas dezenas de milhares deles foram transportados para a Rússia.

A organização estatal russa de mídia RIA Novosti informou que quase 60.000 residentes de Mariupol chegaram ao território russo “com total segurança”.

A mídia russa mostrou linhas de veículos aparentemente indo para o leste até a fronteira, a cerca de 40 quilômetros de Mariupol.

Mas o conselho de Mariupol acusou a Rússia de forçar os moradores a ir à Rússia contra sua vontade.

“Na semana passada, vários milhares de moradores de Mariupol foram levados para o território russo”, disse a cidade em um comunicado.

O prefeito de Mariupol, Vadym Boichenko, disse no sábado que “o que os ocupantes estão fazendo hoje é familiar para a geração mais velha, que viu os terríveis eventos da Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas capturaram pessoas à força”.

Giles disse que havia a preocupação de uma reprise dessa história sombria nas próximas semanas.

“A Rússia tem um histórico de represálias cruéis e selvagens contra civis em qualquer área quando qualquer tipo de movimento de resistência está ocorrendo. E já se moveram para deportar pessoas de Mariupol para partes remotas da Rússia, o que vem diretamente do roteiro do século XX da Rússia para lidar com esses problemas”, disse ele.

Giles se referiu às “deportações” de centenas de milhares de pessoas dos estados bálticos da Estônia, Letônia e Lituânia, que a Rússia anexou à União Soviética no início da Segunda Guerra Mundial.

“‘Deportação’ é um eufemismo. Tem sido usado como um termo bastante inócuo para o que aconteceu com essas pessoas, o que foi efetivamente escravidão e fome. Estão enviando as mulheres, as crianças, as pessoas que você deseja remover das sociedades, para neutralizá-las”, disse Giles.

“Eles geralmente se deparam com destinos horríveis. Se eles sobreviveram, não retornariam por anos ou décadas.”

5. Mais milhões de ucranianos poderiam fugir, deixando uma nação em pedaços

O destino da guerra é uma coisa, mas o destino da Ucrânia é outra.

Assim como o poder aéreo russo deixou algumas das cidades e vilas da Síria em escombros, partes da Ucrânia estão começando a parecer iguais. Mais de 3,5 milhões de ucranianos já deixaram o país.

A maioria são mulheres e crianças, o que significa que as famílias também estão sendo dilaceradas. A guerra desencadeou o maior movimento de refugiados que a Europa já viu desde a Segunda Guerra Mundial.

Esses números estão aumentando a uma taxa de cerca de 100.000 pessoas por dia.

Ucranianos que fugiram de guerra aguardam para embarcar em ônibus próximo à fronteira com a Polônia / Getty Images

Se for incluído o número de pessoas deslocadas internamente, 10 milhões de ucranianos já deixaram suas casas. Isso é quase um quarto da população do país.

E o que as guerras passadas mostram é que os refugiados muitas vezes nunca retornam aos seus países de origem. Muitas vezes, há pouco para o que voltar. Eventualmente, a ameaça de mais uma guerra é suficiente para manter os refugiados afastados.

É algo em que os negociadores precisarão pensar em qualquer conversa no horizonte.

Mesmo que uma solução diplomática possa ser encontrada para acabar com esta guerra, uma questão que permanecerá é se ela será suficiente para evitar a próxima, disse Cranny-Evans.

“Se olharmos, historicamente, para regimes autoritários que têm um desempenho ruim em um ambiente militar, eles não tendem a mudar seu comportamento em uma direção positiva depois”, disse Evans.

“Portanto, a questão pode ser que, se os ucranianos disserem: ‘Ok, seremos neutros, apenas saia’, os russos podem dizer ‘Não, você tem que nos dar Donetsk e Luhansk. Isso pode ser suportável para a Ucrânia, talvez, para parar a guerra'”, avaliou.

“Mas e se, por exemplo, 10 anos depois, a Ucrânia avançar com uma modernização militar significativa? Ou se o próximo presidente russo quiser provar seu valor, e eles conduzem outra guerra? Há muitos cenários para pensar em termos do que o fim desta guerra poderia levar.”

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CRÔNICAS: SONHOS INTERROMPIDOS, POR ANA MADALENA

Diante de tanta barbaridade que estamos enfrentando nos dias atuais, em pleno século XXI, tendo que encarar uma guerra do outro lado do mundo, mas que afeta todo o planeta, violentando quase todas as regras humanitárias impostas pelos tratados e convenções que regulam as guerras não podia deixar de haver pelo menos uma inspiradora  CRÔNICA da nossa incrível colaboradora Ana Madalena, que desta vez escreveu sobre “Sonhos interrompidos”, uma crônica que fala dos inúmeros sonhos e aspirações da pátria ucraniana que foram destruídos por causa dessa guerra estúpida.

Sonhos interrompidos

Alguém me disse que Freud tinha dito que o maior ato de poder é dar nome à alguém. E eu agora lhe digo: cuidado ao escolher nomes. Falo por causa própria; ouvi muito “Madalena arrependida”, mas, por sorte,  escapei ilesa. Atualmente, com o mundo  cheio de bullying, a atenção deve ser redobrada! Ainda bem que meus filhos gostaram dos seus nomes, pelo menos nunca recebi queixas! A verdade é que a maternidade é uma eterna preocupação; só estamos felizes quando nossos filhos estão bem.

Fui uma grávida feliz, apesar de descolamento de placenta, enjoo, melasma e ter engordado 15 kg em  cada gravidez, cujo saldo final foi uma conta que nunca fechou.  Eu vivia em êxtase  por estar gerando uma vida na minha nave espacial. Dia desses voltei no tempo; estava remexendo meu baú, onde encontrei algumas roupinhas de bebê que guardei de lembrança. Na verdade não estava procurando por elas; uma amiga que viajaria no início do ano para o gelado inverno da Europa, perguntou se eu tinha roupas de frio.

O meu baú acomoda diferentes fases da minha vida; é de longe, a coisa mais lúdica que tenho em casa. Pessoas de todas as idades gostam de dar uma olhadinha; ali eu tenho desde meu primeiro uniforme de colégio, sapatilha de balé,  patins, até meu vestido de noiva, um clássico que usaria ainda hoje. E, no meio de tudo isso, guardo as roupas de frio. Enviei uma sacola para minha amiga, que adorou as meias de lã coloridas, luvas e echarpes e principalmente a balaclava.

– A bala o quê??? Não faço ideia do que você está falando…

– Ana, é o gorro de lã que deixa só os olhos de fora. Foi “trend” na semana de moda ano passado.

O tal gorro eu comprei numa lojinha em Bariloche, há muitos anos. Nem sabia que tinha esse nome, mas, estranhamente, fui inundada por vários artigos falando desse acessório, que leva o nome de uma cidade portuária ucraniana, Balaclava, e foi cenário de uma batalha durante a guerra da Crimeia, em 1854. As tropas britânicas e irlandesas foram enviadas para lutar contra soldados russos em condições de congelamento. Obrigada Google.

Voltando aos dias atuais, é com muita tristeza que, mesmo depois de dois anos de pandemia ( e contando…), agora assistimos  em tempo real,  o terror de uma  guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Sobre esse último país, somente li a respeito ha alguns anos pela curiosidade em saber mais sobre o lugar onde nasceu Clarice Lispector, uma das minhas escritoras favoritas. Mas agora, por onde vou, encontro pessoas falando detalhes sobre a Ucrânia, como se fossem vizinhos de porta.  A sensação que tenho é a mesma do início da pandemia, quando todos viramos cientistas e profundos conhecedores sobre virus, vacina e respiradores. Não, não é uma crítica, muito pelo contrário. Acho até  muito bom quando as pessoas aprofundam seus conhecimentos e não se limitam a leituras rasas. Falando nisso…

Semana passada eu estava numa padaria, na fila das tapiocas, e escutei a conversa de dois rapazes; um deles, planejando uma viagem para a Turquia. Ele disse que resolveu mudar o itinerário para o Chile, com receio da guerra, e perguntou ao colega se ele tinha a “balalaiva” para emprestar. Eu, que há pouco tivera conhecimento da palavra,  tive o Ímpeto de corrigi-lo, mas aí fui novamente surpreendida:

– Será que por lá tem loiras bonitas como as ucranianas?

O colega, alheio ao “tour du blond” feito por um político, retrucou:

-E no Chile tem loira?

Por sorte, minhas tapiocas ficaram prontas.

Dizem que as mulheres ucranianas são bonitas;  não parei para observá-las como um tipo especifico de beleza. Aliás não faz sentido alguém pensar ou tecer qualquer comentário sobre esse assunto, diante de tanto sofrimento. O que li é que elas são muito fortes e valentes! Até 2016, as Forças Armadas da Ucrânia não aceitavam mulheres em posição de combate e algumas delas cobriam a cabeça com a balaclava para esconder seu gênero. A verdade é que homens e mulheres ucranianos têm uma longa história de sofrimento, sendo uma delas, o “Holodomor”, genocídio de milhões de pessoas, vitimados pela fome, em razão da política econômica de Stalin, entre os anos 1931 a 1933. A palavra  holodomor significa “deixar morrer de inanição”. Apesar do número estimado, quatro milhões de mortes, alguns meios de imprensa negaram a existência de tal barbárie e colocaram uma pedra em cima dessa história.

Falando em barbárie, e voltando a Freud, ele, que teve três, dos seus filhos, lutando na Primeira Guerra Mundial, escreveu um texto em 1915, intitulado “Considerações atuais entre a guerra e a morte”, onde finaliza dizendo que a “guerra desfaz todos os laços de solidariedade entre os povos combatentes e ameaça deixar atrás de si uma exasperação que durante um longo tempo, impossibilitará o reatamento de tais laços”.

Freud chamava a civilização moderna de hipócrita e dissimulada e que a guerra era uma fissura nos pilares do projeto civilizatório iluminista europeu, povo que detinha os valores culturais, filosóficos, científico,  artísticos, etc. Diante dessa constatação, ele se perguntava como justificar a dicotomia entre civilização e barbárie… Pelo visto, nem Freud explicou.

Os corredores humanitários são uma pausa temporária em uma zona desmilitarizada;  milhares de famílias seguem nesses corredores em busca de um novo lugar para morar. A guerra gera caos em termos práticos, como adquirir água, alimento, aquecimento e um local seguro, mas gera um trauma muito maior no emocional. Acredito que não há nada pior do que não ter perspectiva de um futuro, um amanhã… Assisti muitas cenas fortes, uma delas, em particular, me emocionou:  a de criancinhas, vestindo pesados  casacos de frio, que chega a atingir 20 graus abaixo de zero,  em um bunker, onde uma menina canta a música do filme Frozen. Outra imagem forte foi a do estacionamento de carrinhos de bebês, para

a chegada dos refugiados com seus filhos, uma verdadeira lição de humanidade.

Recebi um post contendo uma foto em preto e branco, onde estão a figura de uma criança, de uma mulher e de um casaco pendurado em um cabide, com a frase de um poeta e escritor palestino, Malimoud Darwish: “A guerra terminará, os líderes apertarão as mãos  e aquela velha mãe esperará por seu filho martirizado, aquela mulher esperará por seu amado marido e aquelas crianças esperarão por seu pai herói… Não sei quem vendeu a pátria, mas sei quem pagou o preço”.

Há muitos anos eu assisti o filme “A escolha de Sofia”, uma história passada na guerra, onde uma mãe tem que fazer a escolha de qual dos filhos morrerá. Ela, calculando que sua menina não resistiria ao sofrimento dos campos de concentração, opta pela morte da filha, salvando o filho de morrer em câmeras de gás. Não sei se por causa do filme, mas  tornou-se usual  dizer essa expressão, quando é exigida uma escolha de tamanha dificuldade. Com certeza existem muitas Sofias na Ucrânia, tendo que fazer escolhas difíceis, como a mãe que enviou o filho para atravessar o corredor humanitário sozinho, com medo de que algo pior pudesse lhe acontecer. Ele chegou bem e espero que ela saiba disso.

Na guerra, lutar pela vida é a única opção. Infelizmente, o saldo será sempre negativo; ou perdem-se vidas ou sonhos. Que Deus proteja os inocentes!

Ana Madalena

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PRESIDENTE DA UCRÂNIA DIZ QUE ESTÃO DESENVOLVENDO PROGRAMA DE APOIO AOS UCRANIANOS DESLOCADOS PELA INVASÃO RUSSA

Zelensky anuncia assistência aos ucranianos deslocados pela invasão

Plano irá ajudar as pessoas a encontrarem emprego, a conseguirem habitação e a irá prestar apoio às famílias que abrigam deslocados em territórios em que existam combates

Yulia Shevchenko

da CNN

Volodymyr Zelensky, presidente da UcrâniaVolodymyr Zelensky, presidente da UcrâniaFacebook/Reprodução

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou, no sábado (19), em horário local, uma assistência aos ucranianos deslocados pela invasão russa.

Falando em uma mensagem de vídeo, Zelensky disse que os ministros do país estão desenvolvendo um programa para apoiar as pessoas que foram forçadas a fugir ou perderam suas casas devido à guerra.

1. Ajudar as pessoas deslocadas a encontrar empregos nos lugares em que estão atualmente localizadas, “para que cada um de nosso povo, cada uma de nossas famílias, tenha a base para a vida”.

2. Providenciar habitação para os deslocados e organizar esforços para reconstruir as casas destruídas assim que a guerra terminar.

3. Dar apoio às famílias que abrigam pessoas que fugiram de territórios ocupados ou áreas onde o combate está em andamento. “No mínimo, eles receberão o reembolso de suas despesas de serviços públicos relacionadas ao alojamento das pessoas reassentadas”, disse Zelensky.

Zelensky acrescentou que um centro de coordenação foi estabelecido para lidar com entregas de ajuda humanitária à Ucrânia e que o chefe do gabinete do presidente consultou embaixadores para acelerar a medida.

Fonte: CNN

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PRESIDENTE DOS EUA ANUNCIARÁ NESTA TERÇA-FEIRA (16) O ENVIO DE US$ 800 MILHÕES EM AJUDA DE SEGURANÇA À UCRÂNIA

Biden anunciará US$ 800 milhões em ajuda de segurança à Ucrânia

Presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, deve discursar virtualmente para congressistas americanos nesta quarta-feira (16)

INTERNACIONAL

por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciará nesta quarta-feira (16) o envio de US$ 800 milhões em ajuda para a Ucrânia, no mesmo dia em que o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, tem previsto discursar virtualmente para congressistas americanos.

A decisão eleva “o total da ajuda anunciada para 1 bilhão de dólares somente na última semana”, declarou o funcionário do governo americano, que pediu anonimato.

Zelenski deverá renovar seus pedidos por mais ajuda quando se dirigir ao Congresso virtualmente, enquanto alguns legisladores pressionam a Casa Branca a adotar uma linha mais dura em relação à invasão russa.

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CONSELHO DO FMI APROVA FINANCIAMENTO EMERGENCIAL PARA UCRÂNIA

FMI aprova ajuda ‘crítica’ de R$ 7 bilhões para a Ucrânia

Fundo diz que país sofrerá “profunda recessão” este ano, apesar de antes da guerra a organização ter calculado crescimento de 3,6%

Ucrânia sofre com bombardeios russos em instalações civis e militares

STR/UKRAINIAN STATE EMERGENCY SERVICE/AFP – 7.3.2022

O Conselho do FMI (Fundo Monetário Internacional) aprovou nesta quarta-feira (9) um financiamento emergencial de 1,4 bilhão de dólares (cerca de R$ 7 bilhões) para a Ucrânia, a fim de ajudar o país, vítima de uma “enorme crise humanitária e econômica” causada pela invasão russa.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, declarou que o pacote fornecerá “apoio financeiro crítico” que, por sua vez, catalisará uma “mobilização em larga escala” de fundos necessários para “mitigar os impactos econômicos da guerra”.

“A necessidade de financiamento é importante, urgente, e poderia aumentar consideravelmente à medida que a guerra persistir”, afirmou.

Segundo Georgieva, a Ucrânia sofrerá uma “profunda recessão” este ano. Antes da guerra, o FMI calculava um crescimento da economia ucraniana de 3,6% para 2022.

A Ucrânia, um dos países mais pobres da Europa, já se beneficiava de um programa de ajuda do FMI. No entanto, este chamado acordo “de confirmação”, que previa um desembolso de 2,2 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 11 bilhões) até o fim de junho, foi anulado a pedido das autoridades ucranianas.

A chefe do FMI destacou, ainda, que “a resposta política de emergência das autoridades ucranianas tem sido notável”, acrescentando que a Ucrânia “tem se mantido em dia em todas as obrigações da dívida”.

Duas semanas após o início da invasão russa da Ucrânia, são muito elevadas as perdas humanas e materiais causadas pelo conflito militar mais grave da Europa na atualidade, do qual mais de 2 milhões de pessoas fugiram.

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MORADORA DE KIEV ARREMESSA POTE DE TOMATE E DERRUBA DRONE RUSSO

Moradora de Kiev, capital da Ucrânia, derruba drone russo com pote de tomate

Imprensa do país foi atrás da mulher e garante que informação é verdadeira; ela explicou que, no desespero, ao ver o aparelho invasor, arremessou o que tinha mais perto

INTERNACIONAL

 Do R7

Drone russo estaria checando se havia alguém no apartamento, diz mulher que o derrubou

PIXABAY

Uma moradora de Kiev, capital da Ucrânia, estava fumando na varanda de sua casa quando começou a ouvir o barulho de um motor. Achou estranho, pensou que poderia ser um corvo, mas entrou em desespero mesmo ao perceber que se tratava de um drone, provavelmente russo, segundos depois abatido por um pote de tomate arremessado por ela.

“Eu estava com medo. E se eles começassem a atirar em mim?”, justificou a mulher ao canal de TV Kanal 5.

A moradora de Kiev foi chamada pela reportagem de Elena, nome fictício criado para proteger a identidade da ucraniana, explicou o veículo.

A história foi divulgada no Twitter pela chefe do Centro de Comunicações Estratégicas e Segurança da Informação Lyubov Tsybulskaya, no sábado (5). Ela é especializada em detectar fake news e deu entrevistas à imprensa local sobre mentiras contadas desde o início da invasão da Ucrânia pelas tropas russas.

Em seu tuíte inicial, acima, a especialista diz que o pote era de pepinos, mas a moradora a corrigiu.

“Que pena desses tomates… Eu não sei de onde vieram as histórias sobre pepinos”, disse a mulher ao canal ucraniano.

Nesta segunda-feira (7), Lyubov voltou ao assunto para contar que a história era verídica.

“Atualize, pessoal. Nossa mídia encontrou aquela senhora. A história está provada. Com uma pequena correção: foi TOMATE em conserva.”

A suposta Elena disse aos repórteres que acredita que o drone fuçava a casa dos moradores e provavelmente seria usado por saqueadores que procuravam apartamentos abandonados na Ucrânia.

Ela disse ainda que se recusa a deixar sua residência, mesmo com o risco de ser vítima dos ataques russos. “Não vou a lugar nenhum. Esta é minha casa, minha terra. Vou ficar de pé e lutar.”

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FUNCIONÁRIOS DA CASA BRANCA FORAM À VENEZUELA CONVERSAR COM GOVERNO SOBRE A RELAÇÃO DO PAÍS COM A RÚSSIA APÓS INVASÃO A UCRÂNIA

Funcionários do governo dos EUA vão à Venezuela para tentar tirar apoio do país a Putin

Outro objetivo da conversa, realizada no sábado (5), foi verificar a viabilidade da compra de petróleo do país caso os americanos deixem de importar o produto da Rússia

INTERNACIONAL

 Da Reuters, com R7

Nicolás Maduro é aliado de Vladimir Putin

MANAURE QUINTERO/REUTERS – 22.1.2021

Altos funcionários da Casa Branca e do Departamento de Estado americano foram à Venezuela no sábado (5) para conversar com o governo do presidente Nicolás Maduro sobre a relação do país com a Rússia após a invasão da Ucrânia, que completa 11 dias.

Os EUA tentam pressionar Maduro a retirar o apoio declarado a Vladimir Putin, da Rússia.

A viagem também tinha como objetivo estabelecer se seria viável comprar mais petróleo da Venezuela, caso o governo de Joe Biden decida cortar a compra do produto da Rússia.

Funcionários dos dois governos se encontraram no sábado, mas não chegaram a nenhum acordo, disse uma fonte próxima das autoridades americanas, que não quis se identificar. Não está claro se será realizada uma nova reunião.

A visita foi divulgada inicialmente pelo jornal The New York Times

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SECRETÁRIO DE ESTADO DOS EUA ANUNCIA VERBA PARA AJUDA HUMANITÁRIA AOS REFUGIADOS DA GUERRA DA UCRÂNIA

Na Polônia, secretário de Estado dos EUA anuncia verba de US$ 2,7 bi para ajuda humanitária

Cerca de 106 mil refugiados chegaram da Ucrânia nas últimas 24 horas, segundo autoridades polonesas

INTERNACIONAL

 por Agência EFE

ATUALIZADO EM 05/03/2022 – 14H08

Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA, em imagem de arquivo

OLIVIER DOULIERY/POOL/AFP – 04.03.2022

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, anunciou neste sábado (5) uma verba de US$ 2,7 bilhões para ações de ajuda humanitária aos refugiados de guerra ucranianos, e reafirmou seu compromisso com a defesa do flanco oriental da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O governo do presidente americano Joe Biden pediu ao Congresso a aprovação do repasse, conforme disse Blinken na cidade de Rzeszów, na Polônia, perto da fronteira com a Ucrânia, em um pronunciamento conjunto com o chanceler polonês Zbigniew Rau.

Blinken enfatizou a “enorme solidariedade” que a Polônia está demonstrando ao receber os refugiados, bem como sua importância estratégica para a defesa do flanco oriental da Otan. Antes do pronunciamento conjunto, houve uma reunião entre Blinken e o primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki, na mesma cidade. No fim da reunião, o premiê polonês garantiu que seu país e os EUA concordaram plenamente sobre a necessidade de “construir uma arquitetura de defesa mais sólida” no flanco oriental. Os Estados Unidos têm 10 mil soldados destacados em território polonês, de acordo com o secretário de Estado americano.

A Polônia recebeu 106 mil refugiados da Ucrânia nas últimas 24 horas, o maior número desde o início da invasão russa do país vizinho, segundo as autoridades polonesas. Com isso, chegou a cerca de 780 mil o total de refugiados acolhidos pela Polônia nos dez dias desde o começo da ofensiva militar russa. Segundo dados da ONU, estima-se que 1,2 milhão de pessoas tenham deixado a Ucrânia nos últimos dez dias, 78 mil delas não ucranianas, principalmente estudantes ou trabalhadores de 138 nacionalidades que vivem no país.

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CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU REALIZARÁ REUNIÃO DE EMERGÊNCIA PARA AVALIAR CRISE HUMANITÁRIA PROVOCADA PELA INVASÃO RUSSA NA UCRÂNIA

Conselho de Segurança da ONU fará reunião na segunda (7) sobre a crise humanitária na Ucrânia

No mesmo dia, os membros do Conselho também farão uma outra sessão, mas desta vez, com portas fechadas

Refugiados da Ucrânia em direção à fronteira com a Polônia

£UKASZ GAGULSKI /EFE – 28.02.22

O Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião de emergência na segunda-feira (7), às 17h (horário de Brasília), para avaliar a crise humanitária provocada pela invasão russa da Ucrânia, a pedido dos Estados Unidos e da Albânia, segundo fontes diplomáticas consultadas nesta sexta-feira (4).

Após a sessão pública, haverá uma outra a portas fechadas entre os 15 membros do Conselho de Segurança, esta a pedido do México e da França, para discutir o projeto de uma possível resolução, informou um diplomata à AFP sob condição de anonimato.

A proposta do México e da França visa pedir o fim das hostilidades na Ucrânia e dos obstáculos ao fluxo de ajuda humanitária e proteção de civis.

O esboço do texto encontrou barreiras, pois os Estados Unidos alertaram que não o apoiariam se não dissesse explicitamente que a Rússia causou a crise humanitária, segundo outro diplomata.

A França originalmente queria uma votação na terça-feira, mas isso não aconteceu.

Diplomatas dizem agora que a França, diante da relutância dos Estados Unidos, reverteu sua posição e não está pressionando por uma votação tão rápida quanto antes.

Qualquer projeto de resolução que critique a Rússia está fadado ao fracasso porque a Rússia tem poder de veto no Conselho de Segurança.

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A MISSÃO ARRISCADA DE UM POLONÊS QUE DECIDIU RECOLHER SOZINHO DOAÇÕES PARA REFUGIADOS DA UCRÂNIA

guerra também desperta a solidariedade entre os povos

Personagens, muitas vezes invisíveis durante uma grande cobertura de guerra, são essenciais para os foragidos tão abalados

INTERNACIONAL

Leandro Stoliar, da Record TV

Leandro Stoliar e o repórter cinematográfico Luís Felipe Silveira

LEANDRO STOLIAR/RECORD TV

Era quase madrugada quando Luis Felipe e eu chegamos à um bairro afastado do centro de Varsóvia, capital da Polônia. Nosso dia terminaria com a entrevista de um brasileiro que está preocupado com a guerra na Ucrânia e com medo das batalhas atravessarem a fronteira entre os dois países.

Um homem corria de um lado para o outro da rua com o porta-malas do carro aberto. Fazia muito frio. Sensação de -4 graus. O veículo cheio de mantimentos até o teto despertou minha curiosidade.

Lukas é um polonês que decidiu sozinho realizar uma missão arriscada: Recolher doações e levar sozinho para a Ucrânia, do outro lado da fronteira onde milhares de refugiados passam frio e fome para tentar fugir do país.

“Somos vizinhos da Ucrânia e me sinto na obrigação de ajudar”, diz o morador no meio da escuridão.

Essa missão solidária havia se tornado ainda mais perigosa depois que as duas maiores cidades ucranianas foram bombardeadas naquele dia. Em Kharkiv, ex-capital do país, um míssil atingiu o prédio do palácio do governo local.

A imagem chocou o mundo.

10 pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas no ataque. O curioso é que dias antes, nossa equipe esteve no mesmo lugar fazendo uma reportagem para o Jornal da Record. A maior praça da Europa, segundo os ucranianos. Na frente do prédio, um grupo de voluntários recolhia donativos para ajudar as vítimas da guerra.

Enquanto Lukas se desdobrava em muitos para tentar salvar vidas, as decisões políticas de Ucrânia e Rússia mexiam no tabuleiro e mudavam os rumos da guerra.

Os novos ataques às principais cidades ucranianas aconteceram depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, pediu novamente a inclusão imediata da Ucrânia na União Europeia. As delegações de Rússia e Ucrânia haviam se encontrado para negociar o cessar-fogo um dia antes, e nada. A Rússia não quer a vizinha na UE. Zelenski assinou um pedido oficial para fazer parte do bloco e a Rússia reagiu com um ataque violento. Nas fronteiras, milhares de ucranianos fogem do país no que já é chamada de “a maior crise de refugiados do século na Europa”. Segundo dados da Agência da ONU para os refugiados, o número de refugiados no leste europeu era de 660 mil, até então. O governo polonês estima que nas últimas 24 horas mais de 100 mil pessoas atravessaram a fronteira para entrar no país. E a maioria não tem para onde ir.

Fomos conhecer a casa do polonês Mikolai, que também decidiu ajudar os refugiados. Ele se inscreveu numa lista de voluntários para receber, na própria casa, famílias que fogem da Ucrânia.

“Eu fico bem por estarem seguros, porque essa é uma situação trágica e dramática. Eu vou até a fronteira pegar mais gente para levar para a casa de amigos”, me disse o polonês emocionado. Mikolai é advogado e dono de uma agência de viagens com sede em vários países.

Os primeiros hóspedes são uma família do Azerbaijão que vivia há 15 anos na Ucrânia e fugiu do país depois que a cidade deles foi bombardeada.

O dentista Elvin aceita me dar uma entrevista. Ele não fala muito bem inglês, então, meu tradutor precisa me ajudar. Elvin me conta que a família tem vergonha de aparecer na Tv. Ficaram todos no quarto, enquanto conversávamos na sala da casa luxuosa, em um condomínio de classe média alta em Constantin, nos arredores de Varsóvia.

Elvin me diz que fugiu quando as tropas russas cercaram a cidade.

“Depois de 4 dias de bombardeios eu me sinto em casa aqui”, conta o refugiado aliviado. De acordo com uma pesquisa feita na Polônia, 74% da população acreditam que a possibilidade de um ataque Russo ao país é media ou alta.

Fomos até a casa do brasileiro Esron, do outro lado da cidade. Outro personagem da nossa história que a produtora, Gabriela Coelho, conseguiu descobrir mesmo trabalhando do outro lado do mundo. Nessa cobertura, ela também se desdobrou.

Esron é casado com uma polonesa e nos recebe com a hospitalidade brasileira em meio ao frio polonês. Uma casa bonita de dois andares com lareira na sala e um bom espaço interno. Assim como muitas casas ucranianas, que agora estão destruídas pelos bombardeios russos.
Esron conta que está com medo da guerra.

“O que a gente queria é ir embora pro Brasil, mas a empresa dela (esposa) não liberou.”
O casal começou a tomar providências para tentar se proteger como: sacar dinheiro em grande quantidade, estocar madeira para aguentar o frio (no caso de falta de energia) e alimentos. A esposa, Catagena, diz que a mãe dela está com muito medo.

“Minha mãe falou pra estocar dinheiro. Eu acho que ela exagera, mas é melhor prevenir do que não fazer nada”, disse a polonesa com a filha de 1 ano e meio no colo.

Os poloneses mais velhos já viveram a guerra. O país foi atacado na segunda guerra mundial… Eles sabem que a chance de os conflitos chegarem aqui é real.

Depois de 16 dias de uma cobertura intensa e cansativa, recebemos a notícia de que amanhã uma equipe de reportagem vem para nos render. Foram dias sem dormir, sem comer, sem descansar, atrás de histórias reais. Passamos por todas as cidades e regiões ucranianas onde os conflitos deixam mortos e feridos. Passamos antes e depois da invasão russa.

Nossa missão foi contar aquilo que ninguém costuma ver: As histórias dos invisíveis.

Nesta guerra em que um lado se impõe com a força das armas e da poderosa máquina de desinformação digital, trazer a realidade dos mais fracos que lutam bravamente pelo próprio futuro também é um ato de resistência.

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ANÁLISE POLÍTICA: A GUERRA NA CRIMÉIA E O RESPONSÁVEL POR TUDO ISSO, POR CAIO COPPOLLA

Nesta edição da coluna ANÁLISE POLÍTICA o competente comentarista Caio Coppolla faz uma análise muito sóbria acerca da situação na região da Criméia com a invasão russa na Ucrânia, indo buscar a causa que gerou toda essa crise e a encontra no governo Obama. Vale a pena assistir ao vídeo completo a seguir para entender esse complexo jogo de xadrez.

Fonte:

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RÚSSIA É PRESSIONADA PELA ONU PARA CESSAR INVASÃO NA UCRÂNIA

Rússia enfrenta forte pressão na ONU para que cesse invasão na Ucrânia

Assembleia-Geral da ONU para discutir a guerra Rússia-Ucrânia começou nesta segunda (28) e vai até quarta (2)

António Guterres na Assembleia-Geral da ONU, nesta segunda (28)

MICHAEL M. SANTIAGO/GETTY IMAGES NORTH AMERICA/GETTY IMAGES VIA AFP – 28.2.2022

No banco dos réus do cenário internacional, a Rússia defendeu nesta segunda-feira (28), na Assembleia-Geral da ONU, a invasão da Ucrânia, durante uma reunião excepcional de emergência dos 193 membros da organização, na qual houve múltiplos chamados pelo fim da guerra na ex-república soviética.

À cascata de sanções contra interesses econômicos, políticos e esportivos russos, sucederam-se na tribuna da ONU, em Nova York, chamados pelo fim das hostilidades na Ucrânia.

Paralelamente à reunião, os Estados Unidos deram um novo passo, ao anunciar a expulsão de 12 membros da missão diplomática russa nas Nações Unidas, acusando-os de espionagem.

“Basta! Os combates devem parar”, declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres, na abertura da sessão, convocada pelos defensores da legalidade internacional após o fracasso de sexta-feira do Conselho de Segurança, que não conseguiu condenar a invasão russa.

Representantes de mais de uma centena de países devem passar pela tribuna até a próxima quarta-feira (2), quando a Assembleia-Geral deve votar uma resolução em que “deplora nos termos mais fortes a agressão da Rússia à Ucrânia”, após a alteração do termo “condena”, segundo o rascunho do documento, observou a AFP.

O texto, promovido pelos europeus em coordenação com Kiev e o apoio de mais de 70 países, é semelhante ao apresentado por Estados Unidos e Albânia e rejeitado por um veto russo no Conselho de Segurança na sexta-feira. Ele exige a retirada imediata das tropas russas da Ucrânia e o fim dos combates.

Após mais de oito horas de discursos, a sessão foi concluída e será retomada às 15h (horário local, 12h no Brasil) desta terça-feira.

LEGÍTIMA DEFESA

Desde o início da invasão, a Rússia alega a legítima defesa prevista no artigo 51 da Carta das Nações Unidas. Após mobilizar dezenas de milhares de militares na Ucrânia e em seus arredores, com tanques, aviões de combate e navios, Putin evocou neste domingo implicitamente a ameaça nuclear, provocando a indignação dos Estados Unidos e da Europa.

“Não foi a Rússia que começou esta guerra, estas operações militares foram iniciadas pela Ucrânia, contra os habitantes do Donbass (região separatista no leste do país) e contra todos os que não concordavam com ela”, defendeu o embaixador russo na Assembleia-Geral.

Essa versão foi contestada pela maioria dos países que passaram pela tribuna. A embaixadora britânica, Barbara Woodward, condenou o que chamou de “guerra injustificada”. Já o representante do Brasil, Ronaldo Costa Filho, declarou: “Estamos sob uma rápida escalada de tensões que pode pôr toda a humanidade em risco”, acrescentando que “ainda temos tempo para parar isso”.

“Se a Ucrânia não sobreviver, não nos surpreendamos se a democracia falhar”, disse o embaixador ucraniano na ONU, Sergiy Kyslytsya. “Salve as Nações Unidas, salve a democracia e defenda os valores em que acreditamos”, implorou em um discurso grave.

NADA A GANHAR

O representante chinês, Zhang Jun, afirmou que “não há nada a ganhar com o começo de uma nova Guerra Fria, ressaltando que a mentalidade “baseada no confronto de blocos deveria ser abandonada. Devem-se respeitar a soberania e a integridade de todos os países, bem como o conjunto dos princípios da Carta das Nações Unidas”.

Iniciada com um minuto de silêncio pelas vítimas da guerra, a essa reunião se somou outra, do Conselho de Segurança, durante a tarde, dedicada à situação humanitária na Ucrânia, onde, segundo a ONU, meio milhão de pessoas já tiveram que deixar o país por causa da invasão russa, e 102 já morreram no conflito.

França e México promovem nesse fórum uma nova resolução em favor do “fim das hostilidades”, da “proteção dos civis”, e que se permita a chegada de ajuda humanitária “sem obstáculos”.

A Rússia também está na mira da ONU em Genebra, onde um debate urgente no Conselho de Direitos Humanos sobre a invasão da Ucrânia deve ocorrer na próxima quinta-feira.

Mihares de pessoas estão fugindo da guerra na Ucrânia, país que vem sendo atacado muito fortemente pela Rússia. Nesta segunda (28), muita gente seguiu para a Polônia e Hungria na tentativa de escapar dos combates. Na foto, mulher e criança que saíram da Ucrânia descansam num ponto de recepção de refugiados montado numa estação de trem em Przemysl, na Polônia

Fonte: R7

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ONU APROVA PEDIDO DE PAÍSES OCIDENTAIS PARA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DE EMERGÊNCIA SOBRE INVASÃO DA UCRÂNIA

ONU aprova reunião extraordinária da Assembleia Geral sobre guerra

Encontro será realizado na segunda-feira (28) para que 193 países se manifestem sobre invasão russa da Ucrânia

INTERNACIONAL

Do R7, com informações da AFP

Assembleia Geral da ONU

JOHN ANGELILLO/POOL VIA REUTERS – 20.9.2021

O Conselho de Segurança da ONU aprovou neste domingo (27), a pedido de países ocidentais, uma resolução para convocar para amanhã, segunda-feira (28), “em sessão extraordinária de emergência”, a Assembleia Geral da ONU, a fim de que seus 193 membros se pronunciem sobre a invasão da Ucrânia.

A resolução, promovida pelos Estados Unidos e pela Albânia, foi aprovada por 11 países, com o voto contrário da Rússia e a abstenção de China, Índia e Emirados Árabes. O Brasil votou a favor. O regulamento da ONU não contempla o direito ao veto para recorrer a essa instância.

Com base em procedimento estabelecido em 1950 e intitulado “A união pela paz”, esse recurso, que representa um revés para a Rússia no cenário diplomático internacional, não pode ser vetado por nenhum dos cinco países-membros do Conselho de Segurança.

Recorrer à Assembleia Geral, o que aconteceu algumas vezes na história da ONU, permitirá que os 193 países da ONU se posicionem sobre o conflito, entre os defensores da democracia e da soberania da Ucrânia e o apoio a Moscou.

A sessão extraordinária da Assembleia Geral, marcada para as 10h em Nova York, será aberta pelo presidente da instância e pelo secretário-geral da ONU e deve durar o dia inteiro.

Fonte: CNN

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GOVERNO BRASILEIRO ESTÁ FOCADO EM CONTRIBUIR PARA RESOLUÇÃO PACÍFICA ENTRE RÚSSIA E UCRÂNIA

Por Guilherme Mazui, g1 — Brasília

 

Bolsonaro defende soberania dos Estados, mas não cita Rússia

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou neste sábado (26) em uma rede social que o Brasil defende a soberania e a integridade dos países e que seu governo está focado em contribuir para uma “resolução pacífica do conflito” entre Rússia e Ucrânia.

A Rússia invadiu a Ucrânia na madrugada de quinta-feira (24), na maior ofensiva militar registrada na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A invasão já dura três dias.

No texto, Bolsonaro, mais uma vez, não fez uma crítica direta à Rússia, à invasão ou ao presidente Vladimir Putin. Ele somente declarou que a posição do Brasil em “defesa da soberania, da autodeterminação e da integridade territorial” dos países “sempre foi clara e está sendo comunicada” por meio de canais adequados, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

“A posição do Brasil em defesa da soberania, da auto-determinação e da integridade territorial dos Estados sempre foi clara e está sendo comunicada através dos canais adequados para isso, como o Conselho de Segurança da ONU, e por meio de pronunciamentos oficiais”, escreveu o presidente.

“Volto a afirmar que eu e meu governo estamos focados em garantir a segurança do nosso país, proteger os interesses do nosso povo, auxiliar os cidadãos brasileiros que se encontram nas regiões conflagradas e contribuir para uma resolução pacífica do conflito”, concluiu.

Conselho da ONU

O Brasil condenou a invasão da Rússia ao território da Ucrânia durante seu voto no Conselho de Segurança das Nações Unidas na sexta-feira (25).

Representante do Brasil na ONU, o embaixador Ronaldo Costa Filho disse que o Conselho de Segurança deveria agir urgentemente diante da agressão da Rússia. O diplomata apelou pela “cessação total das hostilidades, pela retirada das tropas e pela retomada imediata do diálogo diplomático”.

Costa Filho ainda declarou que o Brasil tentou manter uma posição de equilíbrio, mas que “o uso da força contra a integridade territorial de um Estado-membro não é aceitável no mundo atual”.

Durante a reunião, a Rússia vetou uma resolução do conselho que serviria para condenar a invasão da Ucrânia – e foi o único país (dos 15 membros) a votar contra, mas seu voto teve poder de veto.

Rússia usa poder de veto e bloqueia condenação pelo Conselho de Segurança da ONU

Histórico

Bolsonaro, que na semana passada esteve com Putin em Moscou, tem sido criticado por não condenar a invasão à Ucrânia, a exemplo do que presidentes e primeiros-ministros de outros países já fizeram. No encontro com Putin, Bolsonaro disse ser ‘solidário’ à Rússia, mas sem especificar o motivo.

Representantes das embaixadas da Ucrânia e dos Estados Unidos no Brasil afirmaram que aguardavam qualquer declaração do Brasil que condenasse os ataques feitos pela Rússia.

Em nome do Brasil, houve somente duas declarações contra a guerra até o momento: o voto proferido na ONU pelo embaixador Ronaldo Costa Filho e fala do vice-presidente Hamilton Mourão, que disse não concordar com a invasão. Mourão, porém, foi desautorizado por Bolsonaro durante uma transmissão pela internet.

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BANCOS RUSSOS FORAM EXCLUIDOS DA REDE GLOBAL PELAS POTÊNCIAS OCIDENTAIS COMO PARTE DE SANÇÕES PELA INVASÃO DA UCRÂNIA

Potências ocidentais retiram bancos russos de rede global

Anúncio feito pela Comissão Europeia e países como Alemanha amplia sanções à Rússia após início de guerra contra a Ucrânia

INTERNACIONAL

 Do R7, com EFE e AFP

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen

CHRISTIAN HARTMANN/REUTERS – 23.11.2021

Potências ocidentais decidiram excluir neste sábado (26) vários bancos russos do serviço de mensagens interbancárias Swift, fundamental em transações internacionais, como parte de um arsenal de sanções contra a Rússia pela invasão da Ucrânia.

Os bancos sancionados serão “cortados dos fluxos financeiros internacionais, o que reduzirá substancialmente suas operações globais”, destacou o governo da Alemanha.

Além disso, a Comissão Europeia proporá aos países da UE (União Europeia) uma nova bateria de sanções contra Moscou, que incluirá, além da paralisação dos ativos do Banco Central da Rússia e da exclusão de vários bancos russos do sistema Swift, a proibição de oligarcas russos de usarem seus ativos nos mercados europeus.

“Todas essas medidas prejudicarão significativamente a capacidade de Putin de financiar sua guerra. Elas terão um impacto erosivo na economia. Putin embarcou em um caminho destinado a destruir a Ucrânia, mas o que ele também está fazendo, na verdade, é destruir o futuro de seu próprio país”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em um pronunciamento ao vivo na noite deste sábado.

As medidas que a presidente do Executivo comunitário considerou “um reforço significativo da resposta internacional” à invasão russa da Ucrânia serão aplicadas em estreita coordenação com os líderes de Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Canadá e Reino Unido, segundo acrescentou.

Logo após seu discurso, os líderes da Comissão Europeia, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos emitiram um comunicado conjunto no qual prometem coordenar a adoção de medidas econômicas restritivas contra a Rússia.

A paralisação dos ativos do Banco Central da Rússia, segundo Von der Leyen, congelará as transações da entidade “a ponto de impossibilitar o Banco Central de liquidar seus ativos”, o que impedirá o presidente russo, Vladimir Putin, de “usar seu fundo de guerra”.

Por sua vez, a exclusão de “certos bancos russos” do sistema Swift garantirá sua “desconexão do sistema financeiro internacional e prejudicará sua capacidade de operar globalmente”.

“Também estamos comprometidos em retirar outros bancos russos do Swift conforme for apropriado. O Swift é o sistema de pagamento interbancário global dominante no mundo. A exclusão dos bancos os impedirá de realizar a maioria de suas transações financeiras em todo o mundo e efetivamente bloqueará as exportações e importações russas”, destacou Von der Leyen.

“Trabalharemos para proibir os oligarcas russos de usar seus ativos financeiros em nossos mercados”, acrescentou a presidente da Comissão Europeia.

O objetivo dessas novas medidas, de acordo com Von der Leyen, é “continuar impondo custos à Rússia que a isolam ainda mais do sistema financeiro internacional e das economias ocidentais”, além de “prejudicar a capacidade de Putin de financiar sua máquina de guerra”.

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PONTO DE VISTA: A COMUNIDADE INTERNACIONAL PRECISA POR UM FREIO NISSO OU FICAREMOS SEM OPÇÃO

Caro(a) leitor(a),

A situação nesse conflito entre Rússia e Ucrânia é delicadíssima e muito grave, pois ao peitar os Estados Unidos e a União Europeia e iniciar uma guerra covarde o ditador Wladimir Putin abre caminho para uma escalada armamentista sem precedentes e mostra que está disposto a conquistar toda a região territorialmente, como já demonstra ameaçando a Suécia e a Finlândia diante da inércia dos aliados da OTAN. Isso é péssimo, pois a coisa vai caminhar para uma situação fora de controle, que pode culminar com uma 3ª guerra mundial. A passividade da comunidade internacional, apenas assistindo de camarote o massacre da Rússia sobre a Ucrânia, abre um forte precedente pra que Putin amplie a sua hegemonia em toda a região da Criméia. E se isso acontecer é temerário acreditar que ele vai se contentar com isso.

Então, apesar da delicadíssima situação a comunidade internacional precisa se posicionar urgentemente, com sanções econômicas e, se for necessário, militares também.

Após invadir Ucrânia, Rússia faz ameaças contra Finlândia e Suécia

Declaração acende alerta na Europa.

Arquivo | Flickr

Depois de invadir a Ucrânia, a Rússia voltou a subir o tom e realizou ameaças que aumentam as tensões no cenário europeu.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, sinalizou nesta sexta-feira (25) eventual retaliação contra Finlândia e Suécia se eles passarem a integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Desde a última semana, o grupo militar internacional ficou ainda mais no centro dos conflitos entre Ucrânia e o governo do presidente Vladimir Putin.

“Todos os estados membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa [OSCE] em sua capacidade nacional, incluindo Finlândia e Suécia, reafirmaram o princípio de que a segurança de um país não pode ser construída à custa da segurança de outros”.

A fala ocorre no mesmo dia em que representantes dos dois países europeus se reuniram com o conselho da Aliança Atlântica.

“A adesão à Otan provocaria graves retaliações militares e políticas”, garantiu.

Fonte: Conexão Política

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BIDEN LIBERA US$ 350 MILHÕES DE DÓLARES EM NOVAS AJUDAS MILITARES À UCRÂNIA

Presidente dos EUA aprova ajuda de US$ 350 milhões à Ucrânia

Joe Biden manteve uma conversa telefônica de 40 minutos com o líder ucraniano, Volodymyr Zelenski, nesta sexta-feira (25)

INTERNACIONAL

 Do R7, com informações da EFE

Biden libera 350 milhões de dólares em ajuda

BRENDAN SMIALOWSKI/AFP – 22.2.2022

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, aprovou na noite desta sexta-feira (25) a liberação de até 350 milhões de dólares em novas ajudas militares à Ucrânia, que sofre ataques da Rússia desde quinta-feira (24).

Em um memorando, Biden autorizou o Departamento de Estado a direcionar até US$ 250 milhões em ajuda geral à Ucrânia e até US$ 350 milhões em “itens e serviços de defesa”, incluindo educação e treinamento militar.

O anúncio veio depois que o presidente dos EUA manteve uma conversa telefônica de 40 minutos com seu colega ucraniano, Volodymyr Zelenski, na sexta-feira (25), para discutir ajuda militar e sanções.

Embora a Casa Branca não tenha divulgado o conteúdo da conversa, Zelenski disse no Twitter que conversou com Biden sobre “fortalecer as sanções”, “assistência concreta à defesa” e “uma coalizão antiguerra”.

“Grato aos Estados Unidos pelo forte apoio à Ucrânia”, acrescentou o líder ucraniano.
Em reação ao ataque russo, Biden atingiu a Rússia com sanções a seus bancos e sua elite, além de restrições às exportações de alta tecnologia para a Rússia, entre outras medidas, às quais se somaram a punições econômicas contra o presidente Vladimir Putin e outras várias figuras do seu Governo.

Fonte: R7

ARTE/R7

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PRESIDENTE BOLSONARO AFIRMOU QUE É SUA A DECISÃO SOBRE POSICIONAMENTO DO BRASIL FRENTE A GUERRA ENTRE RÚSSIA E UCRÂNIA

Bolsonaro sobre posição do Brasil em guerra na Ucrânia: decisão é minha

Fala acontece após o vice-presidente Hamilton Mourão declarar que os países do Ocidente devem usar a força em apoio aos ucranianos

Douglas Porto

Emanuelle Leones

da CNN*

em São Paulo e Brasília

 

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quinta-feira (24), que é sua a decisão sobre o posicionamento do Brasil frente à guerra entre Rússia e Ucrânia.

“Quem fala pelo país é o presidente e o presidente se chama Jair Messias Bolsonaro. Quem tem dúvida disso basta procurar o Artigo 84 [da Constituição Federal]. Quem está falando isso está falando sobre o que não lhe compete”, disse Bolsonaro em transmissão pelas redes sociais.

A fala acontece após o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) declarar que os países do Ocidente devem usar a força em apoio aos ucranianos.

“Tem que haver o uso da força. Realmente um apoio à Ucrânia maior do que o que está sendo colocado. Essa é a minha visão”, indicou Mourão.

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, ao lado do chefe do Executivo na transmissão, expressou que a Embaixada do Brasil na Ucrânia está aberta e dedicada aos brasileiros. E que junto ao Ministério da Defesa, está fazendo um plano para retirada desses cidadãos.

“Esse plano envolve contato com países vizinhos. Só vamos tirar os brasileiros dali quando tivermos condições necessárias para que isso ocorra de maneira segura e ordenada. Estamos analisando comboios terrestres, ferrovias, rodovias. O espaço aéreo está fechado, mas estamos focados”, informou Carlos França.

Em viagem à Rússia, em 17 de fevereiro, Bolsonaro discursou ao lado do presidente Vladimir Putinque prega a paz e respeita “quem age desta maneira” e que era solidário ao país. Entretanto, não citou o conflito com os ucranianos.

Os Estados Unidos criticaram o discurso de Bolsonaro, afirmando que “o momento em que o presidente do Brasil se solidarizou com a Rússia, quando as forças russas se preparam para lançar ataques a cidades ucranianas, não poderia ter sido pior”, disse à CNN um porta-voz do Departamento de Estado.

O Brasil está negociando com os EUA alterações no projeto de resolução que os norte-americanos submeteram nesta quinta-feira aos países que integram o Conselho de Segurança da  Organização das Nações Unidas (ONU).  No documento, revelado pela CNN, os americanos pedem a condenação da invasão da Ucrânia pela Rússia e a imediata retirada das tropas.

Segundo fontes do governo brasileiro, a avaliação inicial é que o país apoie o projeto, mas com alterações para equilíbrio do texto. Por exemplo: defender o diálogo, reconhecer que acordos do passado nunca foram completamente implementados por nenhuma das partes e oferecer uma melhor contextualização da situação. Em suma, fugir da lógica de que há um país culpado e que os demais são inocentes neste embate.

Fonte: CNN

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GOVERNO FEDERAL MONTARÁ PLANO DE CONTIGÊNCIA PARA RESGATAR BRASILEIROS QUE VIVEM NA UCRÂNIA

Governo espera condições seguras para tirar brasileiros da Ucrânia

Ministro diz que governo quer retirar brasileiros da zona de conflito e montará plano de resgate, mas vai esperar momento adequado

BRASÍLIA

 Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro com o ministro das Relações Exteriores, Carlos França

GUSTAVO MAGALHÃES/MRE

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, disse nesta quinta-feira (24) que o governo federal montará um plano de contingência para resgatar os brasileiros que vivem na Ucrânia, mas que essa operação só será realizada mediante condições adequadas de segurança. Ao longo desta quinta, a nação do leste europeu sofreu diversos ataques de tropas militares russas, que invadiram o território ucraniano por ordem do presidente da Rússia, Vladimir Putin.

“Nós já estamos elaborando um plano de contingência para a retirada desses cidadãos brasileiros. Nós não podemos soltar os detalhes ou anunciar com muita antecedência, mas ele envolve contato com países vizinhos, como Polônia e Romênia, e negociação intensa com autoridades ucranianas, que têm o controle do território”, detalhou o ministro, em live nas redes sociais com o presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, é necessário um momento mais seguro para que seja possível garantir que o trajeto dos brasileiros a algum país vizinho à Ucrânia ocorra de maneira ordenada.

“Não estamos deixando de lado nenhuma possibilidade. Estamos analisando comboios terrestres, por ferrovias ou rodovias. Há um consulado honorário do Brasil em Lviv, que está trabalhando conosco nessa questão de montagem do plano. Com base nisso, esperamos dar em breve uma boa notícia”, destacou França.

O ministro prometeu que o governo vai reforçar o corpo diplomático brasileiro em Kiev, capital da Ucrânia, e em países próximos para melhorar o suporte aos cidadãos brasileiros que estão lá. “Vamos mandar reforços às embaixadas para que possamos atender o cidadão brasileiro que buscar nosso apoio”, disse. França pediu que todos tenham paciência e busquem se afastar das zonas de ataque.

Tenham um pouco de paciência. O importante é ficar em segurança, onde haja acesso, alimento e água, e em contato com a Embaixada. Dadas as condições [de segurança] e montado o plano de contingência, nós vamos começar de maneira ordenada a fazer retirada desses brasileiros”, prometeu o chanceler.

Fonte: CNN

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GOVERNO DO JAPÃO ANUNCIA NOVAS SANÇÕES CONTRA RÚSSIA PELA INVASÃO DA UCRÂNIA

Japão amplia sanções à Rússia aos setores de semicondutores e financeiro

Além de bloqueios econômicos, premiê japonês Fumio Kishida deseja dificultar produção russa de artigos para fins militares

Fumio Kishida durante entrevista coletiva na manhã de sexta-feira (25, data local)

RODRIGO REYES MARIN/POOL/AFP – 24.2.2022

O governo do Japão anunciou nesta sexta-feira (25, quinta-feira no Brasil) novas sanções contra a Rússia pela invasão da Ucrânia, que incluem controles sobre as exportações de semicondutores e outros produtos que podem ser usados para fins militares, assim como o congelamento de fundos de entidades financeiras russas.

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, apresentou hoje uma nova rodada de medidas punitivas contra Moscou que foram tomadas em coordenação com o G7 e que são divulgadas após as sanções já reveladas na quarta-feira (23) por Tóquio.

Kishida também pediu ao presidente russo, Vladimir Putin, que “retire suas tropas” da Ucrânia e “cumpra o direito internacional”, durante uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira em Tóquio, horas depois de participar da cúpula virtual do G7 para chegar a um acordo sobre a resposta à crise na Ucrânia.

As novas sanções incluem o congelamento de fundos de entidades financeiras russas, bem como determinadas empresas e indivíduos daquele país e a suspensão de vistos para eles, segundo Kishida, que não deu mais detalhes a esse respeito.

O Japão também vai impor controles sobre as exportações de semicondutores e outros produtos destinados ao setor de defesa ou segurança nacional, acrescentou o primeiro-ministro japonês.

As medidas adicionais de Tóquio não incluem o setor de energia, ao contrário das aplicadas pela União Europeia e outros países do G7.

Na última quarta-feira, o Japão anunciou a suspensão de vistos e congelamento de fundos vinculados às autoproclamadas repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia, além de sujeitá-las a um embargo comercial e bloquear novas emissões de dívida soberana russa nos mercados japoneses.

Kishida também disse nesta sexta-feira que o Japão consideraria “medidas adicionais” para pressionar Moscou junto com o G7 se a crise ucraniana continuar piorando.

“É uma situação muito grave que pode afetar a ordem mundial, inclusive a Ásia”, disse o chefe do Executivo do Japão, Estado que compartilha fronteiras marítimas com a Rússia e mantém uma disputa territorial com o país vizinho sobre as Ilhas Curilas do Sul, chamados Territórios do Norte por Tóquio.

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EMBAIXADA DA CHINA NA UCRÂNIA PUBLICA COMUNICADO COM DICAS DE SEGURANÇA PARA SEUS CIDADÃOS QUE VIVEM NO PAÍS EUROPEU

Embaixada da China na Ucrânia pede que seus cidadãos coloquem bandeira do país no carro

Documento emitido pela embaixada chinesa dá dicas de segurança e de como se portar durante os ataques

INTERNACIONAL

 Do R7

Embaixada chinesa na Ucrânia pede que seus cidadãos usem bandeira do país em local visível do carro

GENYA SAVILOV/AFP – 24.2.2022

A embaixada da China na Ucrânia publicou em seu site, nesta quinta (24), um comunicado com várias dicas de segurança para seus cidadãos que vivem no país europeu. Uma delas é para que, caso os chineses tenham de dirigir, que coloquem uma bandeira da China em algum lugar visível do veículo.

O documento da embaixada, que se dirige também às empresas financiadas pela China na Ucrânia, tem como título “Lembrete para que os cidadãos chineses na Ucrânia prestem muita atenção à segurança”. A primeira dica diz que “a ordem social é caótica e descontrolada, principalmente quando há um grande tumulto na cidade. Ao andar na rua, você pode se tornar alvo de ataque, o trânsito pode ser bloqueado a qualquer momento e sair correndo pode gerar riscos incontroláveis. É melhor ficar em casa e longe de janelas e vidros para evitar ferimentos acidentais”.

A mensagem segue pedindo que os chineses procurem ajudar uns aos outros e que busquem sempre informações divulgadas pela embaixada através de diversos meios, “principalmente a conta pública do WeChat e o site oficial”.

A embaixada diz que se algum cidadão chinês “estiver viajando por muito tempo de carro, fique atento para reabastecer ao longo do caminho, antes que o posto de gasolina feche, o que impossibilitaria a continuação [da viagem]. A bandeira chinesa pode ser afixada em local visível do veículo”.

O documento encerra pedindo que chineses prestem atenção aos avisos de segurança emitidos localmente e que evitem entrar em áreas em que a situação é instável. Afirma ainda que “o povo chinês sempre teve uma bela tradição de solidariedade, luta e assistência mútua. É ainda mais necessário que os compatriotas chineses levem adiante esse espírito quando vão para o exterior, e eles devem se esforçar para ajudar uns aos outros para refletir a imagem do povo chinês e a força da China. (…) Em particular, devem ajudar outros compatriotas com pouca experiência, especialmente estudantes internacionais”.

Por fim, o texto diz que a embaixada está pronta para ajudar os chineses a resolver seus problemas.

O governo da China, nesta quinta, pediu que haja negociações para encerrar a crise e evitou chamar o ataque russo de invasão. Apesar disso, o país asiático pediu moderação e respeito à soberania nacional. Hua Chynying, ministro das Relações Exteriores chinês, disse que “esperamos que as partes envolvidas não fechem a porta para a paz e se envolvam em diálogo e impeçam que a situação se agrave ainda mais”

Fonte: R7

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FRANÇA CONDENA ENERGICAMENTE DECISÃO DA RÚSSIA DE FAZER GUERRA CONTRA UCRÂNIA

Macron condena guerra na Ucrânia e trabalha para detê-la; Otan prepara reunião de emergência

Embaixadores da Otan vão realizar novo encontro nesta quinta-feira (24) para discutir a ação militar autorizada por Vladimir Putin

INTERNACIONAL

 Do R7, com informações da AFP

Presidente da França, Emmanuel Macron, tentou mediar o confronto entre Rússia e Ucrânia

TOBIAS SCHWARZ / POOL / AFP

“A França condena energicamente a decisão da Rússia de fazer a guerra contra a Ucrânia”, declarou nesta quinta-feira (24) o presidente francês, Emmanuel Macron, que pediu a Moscou que “ponha fim imediatamente a suas operações militares”.

“A França se solidariza com a Ucrânia. Está ao lado dos ucranianos e age com seus parceiros e aliados para deter a guerra”, acrescentou o presidente francês em dois tuítes.

Novas tratativas

Embaixadores da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) realizarão uma nova reunião de emergência nesta quinta-feira (24) para discutir a ação russa no território ucraniano, disse à agência AFP um funcionário da aliança militar.

Nas primeiras horas da quinta-feira, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, condenou a operação militar russa, que ele definiu como um “ataque irresponsável e não provocado, que coloca em risco inúmeras vidas de civis”.

“Mais uma vez, apesar de nossas repetidas advertências e esforços incansáveis para se engajar na diplomacia, a Rússia escolheu o caminho da agressão contra um país independente e soberano”, acrescentou.

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SECRETÁRIO GERAL DA OTAN EMITE DECLARAÇÃO CONDENANDO ATAQUE IMPRUDENTE DA RÚSSIA CONTRA UCRÂNIA

Secretário-geral da Otan diz que Rússia ‘escolheu o caminho da agressão’ contra país soberano

Jason Stotenberg pede que Rússia cesse sua ação militar imediatamente e respeite a soberania e a integridade da Ucrânia

Secretário-geral Jens Stoltenberg dá uma coletiva de imprensa online após uma reunião extraordinária da comissão OTAN-Ucrânia sobre a situação entre a Ucrânia e a Rússia

SEM VAN DER WAL/ ANP/AFP – 24.02.2022

O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jens Stoltenberg, emitiu uma declaração condenando “o ataque imprudente e não provocado da Rússia”. Na madrugada desta quinta-feira (24), explosões foram ouvidas em Kiev, capital da Ucrânia, Dnipro, Odessa e em outras cidades do país.

“Condeno veementemente o ataque imprudente e não provocado da Rússia à Ucrânia, que coloca em risco inúmeras vidas de civis”, disse Stoltenberg. “Mais uma vez, apesar de nossos repetidos avisos e esforços incansáveis ​​para se engajar na diplomacia, a Rússia escolheu o caminho da agressão contra um país soberano e independente.”

Stoltenberg disse que os aliados da Otan se reunirão para falar sobre as consequências das ações agressivas da Rússia.

“Esta é uma grave violação do direito internacional e uma séria ameaça à segurança euro-atlântica”, disse ele. “Peço à Rússia que cesse sua ação militar imediatamente e respeite a soberania e a integridade territorial da Ucrânia.”

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PRESIDENTE DA UCRÂNIA DIZ QUE APOIA NEGOCIAÇÕES DE PAZ DENTRO DOS GRUPOS TCG E OSCE DOS QUAIS O PAÍS PARTICIPA JUNTO COM A RÚSSIA

Presidente da Ucrânia pede cessar-fogo imediato no leste do país

Confrontos entre separatistas pró-Rússia e forças ucranianas se intensificaram na região nos últimos dias

INTERNACIONAL

 Do R7

O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, pediu cessar-fogo imediato

GLEB GARANICH/REUTERS – 14.01.2022

O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, pediu neste domingo (20) um cessar-fogo imediato na parte leste do país, onde os confrontos entre separatistas pró-Rússia e forças ucranianas se intensificaram nos últimos dias.

Ele acrescentou que a Ucrânia apoia as negociações de paz dentro do Grupo de Contato Trilateral (TCG, em inglês), das quais o país participa, junto com a Rússia e a Osce (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa).

“Nós defendemos a intensificação do processo de paz. Apoiamos a convocação imediata do TCG e a introdução imediata de um regime de silêncio”, publicou Zelenski no Twitter.

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OTAN ACREDITA QUE HÁ ESPAÇO PARA OTIMISMO PRUDENTE E SINAIS DA PARTE DE MOSCOU EM MANTER ESFORÇOS DIPLOMÁTICOS

Otan expressa “otimismo prudente” sobre Ucrânia após anúncio russo de retirada parcial de tropas

Secretário-geral da aliança militar afirma que ainda não há sinais concretos de desescalada da tensão na fronteira ucraniana

Militares russos durante exercícios na cordilheira de Kuzminsky, na região sul de RostovMilitares russos durante exercícios na cordilheira de Kuzminsky, na região sul de Rostov
SERGEY PIVOVAROV/REUTERS – 26.01.2022

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou nesta terça-feira (15) que a Rússia está dando a entender que deseja dialogar, o que gera um “otimismo prudente”, mas destacou que ainda não há sinais concretos de desescalada na fronteira com a Ucrânia.

“Acreditamos que há espaço para um otimismo prudente, há sinais da parte de Moscou sobre seu interesse em manter os esforços diplomáticos”, disse Stoltenberg, para quem a transferência de tropas russas da fronteira não representa uma desescalada real.

Mais cedo, a Rússia anunciou a retirada parcial das tropas estacionadas nas proximidades da fronteira com a Ucrânia.

Em uma entrevista coletiva em Bruxelas, Stoltenberg explicou que as tropas russas deixaram na área equipamentos pesados e infraestrutura militar, e que isso permitiria um rápido retorno das tropas às proximidades da fronteira.

Dessa maneira, o secretário-geral da Otan acrescentou que “até agora não vimos uma desescalada, nem vimos sinais de redução da presença militar da Rússia nas fronteiras da Ucrânia”.

“Vamos continuar monitorando e acompanhando de perto tudo que a Rússia está fazendo”, disse.

A decisão da Rússia de concentrar quase 100 mil soldados e equipamento bélico nas fronteiras do país com a Ucrânia, no fim de 2021, provocou muita preocupação sobre uma possível invasão do território ucraniano.

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MINISTROS DE FINANÇAS DO G7 ESTÃO DISPOSTOS A IMPOR SANÇÕES IMEDIATAS PARA ECONOMIA RUSSA EM CASO DE AGRESSÃO MILITAR CONTRA UCRÂNIA

Ministros das Finanças do G7 estão dispostos a impor sanções à Rússia em caso de invasão na Ucrânia

Grupo presidido atualmente pela Alemanha dará resposta “rápida e eficaz” a qualquer agressão militar russa contra os ucranianos

Ucranianos participam da Marcha da Unidade em meio às crescentes tensões com a Rússia

VALENTYN OGIRENKO/REUTERS – 12.02.2022

Os ministros das Finanças do G7 afirmaram nesta segunda-feira (14) que estão dispostos a impor “em um prazo muito curto” sanções econômicas e financeiras “com consequências importantes e imediatas para a economia russa”, em caso de agressão militar contra a Ucrânia.

“Nossa prioridade imediata é apoiar os esforços destinados a fazer a situação avançar”, afirmam os ministros do Reino Unido, Estados Unidos, França, Canadá, Alemanha, Itália e Japão em um comunicado.

“Mas qualquer agressão militar da Rússia contra a Ucrânia merecerá uma resposta rápida e eficaz”, garante o G7, presidido atualmente pela Alemanha.

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BIDEN EM CONVERSA POR TELEFONE COM VOLODYMYR ZELENSKY SOBRE FORÇAS RUSSAS NA FRONTEIRA COM A UCRÂNIA CONCORDARAM EM INSISTIR NA DIPLOMACIA E A DISSUASÃO

Joe Biden e Volodymyr Zelensky decidem manter diplomacia como arma contra a Rússia

Presidentes conversaram por telefone neste domingo (13) sobre escalada de tensão no leste da Europa

Presidentes se encontram em setembro na Casa Branca

BRENDAN SMIALOWSKI/AFP – 1º.9.2021

O presidente americano, Joe Biden, conversou por telefone neste domingo (13) com o colega ucraniano, Volodimir Zelensky, sobre a concentração de forças russas na fronteira com a Ucrânia e concordaram em em insistir na “diplomacia e a dissuasão”.

“Os dois líderes coincidiram na importância de manter a diplomacia e a dissuasão em resposta à concentração de forças militares russas nas fronteiras com a Ucrânia”, segundo um comunicado da Casa Branca sobre o telefonema, que durou cerca de 50 minutos.

Com o temor crescente do Ocidente de uma iminente invasão russa da vizinha Ucrânia, a Casa Branca acrescentou que Biden “deixou claro que os Estados Unidos responderão rápida e decisivamente, juntamente com seus aliados e parceiros, a qualquer agressão da Rússia à Ucrânia”.

Washington e aliados alertaram que a Rússia concentrou mais de 100 mil tropas em na fronteira com a Ucrânia. Neste domingo, altos funcionários americanos traçaram um panorama sombrio.

O assessor de Segurança Nacional, Jake Sullivan, disse que a invasão russa da Ucrânia pode ocorrer “ainda esta semana” e provavelmente vai começar “com fortes ataques com mísseis e bombardeios”.

Fonte: R7

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BIDEN DIZ QUE O IMPASSE COM A UCRÂNIA PODE SER RESOLVIDO DE FORMA DIPLOMÁTICA OU DE OUTRAS MANEIRAS

Biden diz a Putin que EUA estão prontos para ‘todos os cenários’

Em conversa, presidente afirmou que americanos estão dispostos a resolver impasse de maneira diplomática ou por outros meios

INTERNACIONAL

Do R7, com informações da AFP

Presidente Joe Biden em conversa telefônica com o líder russo Vladimir Putin

WHITE HOUSE/AFP – 12.2.2022

presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, advertiu o líder russo Vladimir Putin que o governo americano está pronto para “todos os cenários”. Segundo o mandatário da Casa Branca, o impasse com a Ucrânia pode ser resolvido por meios diplomáticos ou de outras maneiras, sem especificar quais.

Em conversa por telefone neste sábado (12), Biden também afirmou que os Estados Unidos “responderão decisivamente e imporão custos rápidos e severos à Rússia” em caso de invasão da Ucrânia, segundo a Casa Branca.

De acordo com informações da agência AFP, um funcionário de alto escalão do governo americano revelou que a conversa entre os presidentes não provocará “mudança fundamental” sobre as tensões na Ucrânia.

“[A conversa] foi profissional, substantiva e durou mais de uma hora. Não houve mudança fundamental sobre o que se está desenvolvendo há várias semanas”, conta o funcionário da Casa Branca, que pediu para não ter a identidade revelada.

A expectativa nas últimas 24 horas era que a conversa entre Biden e Putin desacelerasse a escalada de tensões na Europa. Enquanto nações do Ocidente deslocam tropas para países no leste do continente, como a Polônia, os russos aumentam o contingente de militares nas proximidades da fronteira da Ucrânia.

Mais cedo neste sábado, Putin classificou como “especulações provocativas” quaisquer insinuações sobre uma invasão da Ucrânia. Enquanto isso, americanos afirmam que russos podem iniciar uma ofensiva militar até o fim dos Jogos Olímpicos de Inverno, no dia 20.

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CHANCELERES DA RÚSSIA E REINO UNIDO TROCAM ACUSAÇÕES EM ENCONTRO TENSO QUE DESTACOU O ABISMO ENTRE ELES SOBRE A CRISE NA UCRÂNIA

Chanceleres da Rússia e do Reino Unido trocam farpas após encontro

Britânica desafiou Lavrov ao dizer que o acúmulo de tropas e armamentos na fronteiras com a Ucrânia não ameaça ninguém

INTERNACIONAL

 por Reuters 

Chanceler do Reino Unido, Liz Truss, e o chancele da Rússia, Sergey Lavrov

MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DA RÚSSIA/DOVULGAÇÃO VIA REUTERS

O ministro das Relações Exteriores da Rússia acusou sua colega britânica nesta quinta-feira (10) de arrogância e de se recusar a ouvir, em um encontro tenso que destacou o abismo entre eles sobre a crise na Ucrânia.

“Estou honestamente desapontado que o que temos é uma conversa entre um mudo e um surdo… Nossas explicações mais detalhadas caíram em terreno despreparado”, disse Sergei Lavrov em entrevista coletiva conjunta com a britânica Liz Truss.

Truss desafiou Lavrov diretamente por sua afirmação de que a Rússia não está ameaçando ninguém com o acúmulo de tropas e armamentos perto das fronteiras com a Ucrânia.

“Não vejo outra razão para ter 100.000 soldados estacionados na fronteira além de ameaçar a Ucrânia. E se a Rússia leva a diplomacia a sério, eles precisam remover essas tropas e desistir das ameaças”, disse ela.

A Rússia apresentou ao Ocidente uma série de exigências para garantir a segurança, reclamando que se sente ameaçada pelas repetidas ondas de ampliação da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e pela recusa da aliança em descartar a adesão de sua vizinha Ucrânia, uma ex-República soviética.

“Ninguém está minando a segurança da Rússia –isso simplesmente não é verdade”, disse Truss, acrescentando que era “perfeitamente apropriado” que a Ucrânia se defendesse e buscasse alianças.

Fonte: R7

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DURANTE ENCONTRO COM CHANCELER ALEMÃO BIDEN PROMETE FECHAR GASODUTO SE A RÚSSIA INVADIR A UCRÂNIA

Joe Biden promete fechar gasoduto se a Rússia invadir a Ucrânia

Chanceler alemão, principal beneficiado com o polêmico Nord Stream 2, afirmou que estará alinhado com as decisões dos EUA

INTERNACIONAL

por AFP

Joe Biden fez anúncio durante encontro com o chanceler alemão Olaf Scholz

BRENDAN SMIALOWSKI/AFP – 07.02.2022

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu nesta segunda-feira (7) “encerrar” a polêmica construção do gasoduto Nord Stream 2, para abastecer a Europa de gás russo, se Moscou invadir a Ucrânia.

Biden falou juntamente com o chanceler alemão, Olaf Scholz, que recebeu na Casa Branca. Esse último se manteve mais moderado e prometeu apenas estar unido ao presidente americano.

A declaração de Biden foi a mais contundente até agora sobre o futuro do novo gasoduto, já concluído, mas que ainda não começou a canalizar gás natural para a Alemanha.

Scholz foi menos claro sobre até onde iria para punir a Rússia se o país optasse por um ataque envolvendo seus mais de 100 mil soldados concentrados na fronteira da Ucrânia por ordem do presidente Vladimir Putin.

O chanceler alemão assinalou que ele e Biden estão “absolutamente unidos” em aplicar sanções contra a Rússia e afirmou que os dois não darão “passos diferentes”.

Ao ser questionado por jornalistas sobre o Nord Stream 2, Scholz evitou mencionar o gasoduto por seu nome ou confirmar se apoiaria uma eliminação da infraestrutura.

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CONFLITO ENTRE RÚSSIA E UCRÂNIA PROVOCARIA O ENVOLVIMENTO DAS POTÊNCIAS MILITARES DO MUNDO E TERIA REFLEXOS NO BRASIL

Entenda como conflito entre Rússia e Ucrânia poderia afetar o Brasil

Agravamento da situação no Leste da Europa faria preço do petróleo e do gás disparar e impactaria na economia do país

INTERNACIONAL

Letícia Sepúlveda

 do R7

Membro do exército russo durante exercício militar na região sul de Rostov, na Rússia

SERGEY PIVOVAROV/REUTERS – 26.01.2022

As preocupações devido à crescente tensão na fronteira da Rússia com a Ucrânia não estão restritas apenas à Europa. O conflito entre os dois países provocaria o envolvimento das principais potências militares do mundo e teria reflexos inclusive no Brasil, mesmo estando tão distante da zona de guerra.

O geógrafo João Correia explica que o país ocupa o assento rotativo no Conselho de Segurança da ONU a partir deste ano e fica até 2023 e que, tradicionalmente, assume uma posição de neutralidade nesse tipo de questão da geopolítica.

Apesar disso, o país pode ser pressionado a abandonar essa postura mais diplomática, como já ocorreu no passado. “A ex-presidente Dilma foi muito criticada em 2014, quando não se posicionou em relação à invasão russa na península da Crimeia”, lembra Correia.

Para o professor Carlos Gustavo Poggio, do curso de Relações Internacionais da FAAP, se o conflito se agravar, o maior impacto para o Brasil talvez não seja relacionado com a Rússia diretamente, mas sim em questões mais amplas.

“Precisaríamos analisar como o país se comportaria se uma invasão ocorresse, se os Estados Unidos demandariam algum tipo de posicionamento do governo brasileiro”, aponta. “Além disso, haveria um impacto no comércio internacional, na bolsa de valores, e isso afetaria a economia do país.”

A Rússia é um parceiro comercial importante para o Brasil. De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o país negociou um total de 2,7 bilhões de dólares (R$ 14,3 bilhões) em produtos russos em 2020. Desse total, 53,6 milhões de dólares (R$ 285,6 milhões) foram gastos na importação de óleos combustíveis de petróleo.

O preço do petróleo subiria se a Rússia, que é uma grande exportadora, diminuísse seu fornecimento. Outro fator que contribuiria para a alta do preço seria a demanda por gás natural em toda a Europa, grande consumidora do gás russo.

Gunther Rudzit, professor do curso de relações internacionais da ESPM, afirma que se o conflito na Ucrânia se agravar, haverá uma disparada do preço do petróleo, do gás natural e uma grande valorização do dólar.

Ele ainda cita Adriano Pires, Doutor em Economia Industrial pela Universidade de Paris XIII, ao dizer que se o barril do petróleo subir dos atuais 87 dólares para 100 dólares, o litro da gasolina pode custar R$ 10,00 no Brasil e impactar todos os setores.

“Com esse valor, o preço dos produtos seriam muito inflacionados. Seria o pior cenário possível para a Petrobras e para o país”, ressalta. “Por isso precisamos esperar muito que a situação não se torne mais grave na Ucrânia, porque isso afetaria a economia global com um todo.”

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PRESIDENTES DA RÚSSIA, FRANÇA E UCRÂNIA IRÃO SE REUNIR EM UM NOVO ESFORÇO DIPLOMÁTICO PARA TENTAR FREAR A CRISE NA FRONTEIRA UCRANIANA

Putin recebe Macron e Scholz para tratar da crise na Ucrânia

Líderes da França e da Alemanha também farão reuniões com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em Kiev

O presidente russo, Vladimir Putin, fala durante uma cerimônia de entrega de prêmios em Moscou

SERGEY KARPUHIN/REUTERS – 02.02.2022

O presidente francês Emmanuel Macron se reunirá com o presidente da Rússia Vladimir Putin em Moscou na próxima segunda-feira (7) e com o pesidente ucraniano Volodymyr Zelensky na próxima terça-feira (8) em Kiev, anunciou o Palácio do Eliseu, em um novo esforço diplomático para tentar frear a crise na fronteira ucraniana.

Macron intensificou nas últimas horas as conversas telefônicas com os colegas russo e ucraniano, assim como com o presidente americano Joe Biden, para atuar como mediador na crise.

Os dois encontros serão presenciais, confirmou o Palácio do Eliseu, mas “em coordenação com os aliados europeus”. Nos últimos dias, Emmanuel Macron e seus assessores conversaram por telefone com seus colegas europeus, informou a presidência francesa.

Diante da crise, o chanceler alemão, Olaf Scholz, também irá para Kiev e Moscou. As visitas devem ocorrer em 14 e 15 de fevereiro para ter reuniões sobre a crise entre a Rússia e a Ucrânia.

Essa será a primeira visita de Scholz a ambos os países, desde que substituiu Angela Merkel como chanceler em dezembro passado. A viagem acontece em meio a críticas por seu baixo perfil, até o momento, nos esforços diplomáticos europeus para evitar um conflito na Ucrânia.

Scholz desembarca primeiramente em Kiev e, no dia seguinte, estará em Moscou para se encontrar com Putin.

“Além das relações bilaterais, também serão abordadas questões internacionais, incluindo as de segurança”, disse o porta-voz de Scholz, Wolfgang Buechner, à imprensa.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse hoje aos jornalistas que Putin e Scholz terão conversas bilaterais “substanciais”.

O chanceler alemão também terá conversas, em Berlim, com os líderes de Estônia, Letônia e Lituânia. Nelas, irá tratar das preocupações dos países bálticos com a crise.

A Rússia acumulou milhares de militares na fronteira ucraniana, o que aumentou os temores de uma invasão. Moscou nega qualquer intenção bélica e exige garantias de segurança dos países ocidentais. Entre elas, reivindica que a Ucrânia nunca seja autorizada a ingressar na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

A tensão pela crise continua aumentando e o governo dos Estados Unidos afirmou na última quinta-feira (3) que tem provas – sem apresentá-las – de que a Rússia planeja produzir vídeos falsos de um ataque ucraniano como pretexto para invadir o país vizinho.

O governo ucraniano demonstra mais prudência. O ministro da Defesa, Oleksii Reznikov, considerou “pequeno” o risco de uma “escalada significativa” do conflito.

Fonte: R7

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SEGUNDO PORTA-VOZ, É INACEITÁVEL A IDEIA DE UMA GUERRA ENTRE UCRÂNIA E RÚSSIA

Rússia diz que simples ideia de guerra com a Ucrânia é ‘inaceitável’

Alemanha e França entraram em negociação com russos e ucranianos para reduzir o temor de um conflito armado na região

Veículos militares russos realizando exercícios próximo à fronteira com a Ucrânia

SERGEY PIVOVAROV/REUTERS – 26.1.2022

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse nesta quinta-feira (27) que até mesmo a ideia de uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia é “inaceitável”, a última de uma série de declarações oficiais com o objetivo de eliminar os temores de uma iminente invasão russa ao país vizinho.

“Já afirmamos repetidamente que nosso país não pretende atacar ninguém. Consideramos inaceitável até mesmo o pensamento de uma guerra entre nosso povo”, disse Alexei Zaitsev, porta-voz do ministério.

A Rússia, que anexou a Crimeia da Ucrânia em 2014 e apoiou uma rebelião separatista no leste da Ucrânia, aumentou a presença de tropas na região da fronteira ucraniana, assim como enviou forças à também vizinha Belarus.

Kiev rejeita a versão da Rússia de que o conflito separatista no leste da Ucrânia é uma guerra civil que nada tem a ver com Moscou, dizendo que a Rússia apoia os separatistas com forças disfarçadas no terreno de combate.

Apesar da tensão, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, saudou as negociações entre quatro partes com Rússia, França e Alemanha como significativas e um passo para a paz, segundo comunicado divulgado por seu gabinete nesta quinta-feira.

“O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, avalia positivamente o fato da reunião, sua natureza construtiva, bem como a intenção de continuar conversações significativas por duas semanas em Berlim”, disse ele.

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RÚSSIA REALIZOU EXERCÍCIOS MILITARES ENQUANTO AUTORIDADES SE PREPARAVAM PARA NEGOCIAÇÃO SOBRE A UCRÂNIA

Rússia faz exercícios militares antes de negociações sobre a Ucrânia

Soldados russos estão na região da fronteira, e países ocidentais ameaçam aplicar sanções econômicas em caso de invasão

Rússia envia mais militares para a região da fronteira com a Ucrânia

SERGEY PIVOVAROV/REUTERS – 21/01/2022

A Rússia realizou exercícios militares nesta quarta-feira (26) e enviou mais forças e caças a Belarus para exercícios no próximo mês, enquanto autoridades se preparavam para negociações em Paris sobre o conflito no leste da Ucrânia.

O responsável no Kremlin pelas questões que envolvem a Ucrânia deveria encontrar autoridades de França, Alemanha e Ucrânia para conversações no formato “Normandia” em Paris diante do  pano de fundo de uma concentração de tropas russas perto da fronteira com a Ucrânia que provocou temores de uma invasão.

A Rússia insiste que não pretende invadir a Ucrânia, mas o Ocidente ameaçou adotar severas penalidades econômicas se isso acontecer. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta terça-feira (25) que consideraria sanções pessoais ao presidente russo, Vladimir Putin, e o Reino Unido afirmou nesta quarta-feira que não descartaria fazer o mesmo.

As conversas em Paris para acabar com a guerra no leste da Ucrânia entre Kiev e os separatistas apoiados pela Rússia se encontram há anos sem progresso real, mas as conversações de quarta-feira podem ser vistas como um sinal positivo de que a diplomacia está ocorrendo apesar das tensões crescentes

O confronto com a Ucrânia desencadeou uma venda nos mercados russos nesta semana, e o rublo voltou a cair na quarta-feira.

A agência de notícias Interfax afirmou que o Ministério da Defesa russo anunciou nesta quarta-feira, um dia depois de deslocar forças de artilharia e fuzileiros navais antes dos exercícios conjuntos com Belarus no próximo mês, ter enviado uma unidade de paraquedistas para o país vizinho. Também afirmou que a Rússia estava mandando caças de combate Su-35 a Belarus para os exercícios.

A concentração de forças russas em Belarus, ao norte da Ucrânia, cria uma nova frente para um possível ataque.

Separadamente, as forças de artilharia russas na região sul de Rostov, que faz fronteira com a Ucrânia, iniciaram treinamento de tiro mais tarde nesta quarta-feira, como parte de uma inspeção de prontidão de combate do Distrito Militar Sul, disse o Ministério da Defesa.

No extremo norte, navios de guerra russos entraram no mar de Barents para proteger uma grande faixa de navegação no Ártico, disse a Frota do Norte. Moscou anunciou exercícios navais de varredura na semana passada.

Um porta-voz de Dmitry Kozak, representante do Kremlin para a Ucrânia, disse que as conversações em Paris começariam às 8h (horário de Brasília), com um informe à imprensa esperado para depois das 11h.

Andriy Yermak, chefe de gabinete do presidente ucraniano Volodymr Zelenskiy, afirmou que a Ucrânia descartou falar diretamente com os separatistas apoiados pela Rússia.

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MOVIMENTOS DOS EUA SOBRE A UCRÂNIA CAUSA PREOCUPAÇÃO NA RÚSSIA

Rússia observa com ‘preocupação’ ação dos EUA sobre a Ucrânia

O governo norte-americano colocou 8,5 mil soldados em alerta máximo

A Rússia posicionou suas forças militares na fronteira com a Ucrânia

A Rússia posicionou suas forças militares na fronteira com a Ucrânia | Foto: Reprodução

 

A Rússia indicou nesta terça-feira, 25, que está observando com grande preocupação os movimentos dos Estados Unidos (EUA).

Um dia antes, o governo norte-americano colocou 8,5 mil soldados em alerta máximo, para estarem prontos para serem enviados à Europa, em caso de uma escalada na crise na Ucrânia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusou Washington de alimentar as tensões sobre a Ucrânia — repetindo a linha de que a crise está sendo impulsionada por ações dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Estados ocidentais acusam a Rússia de planejar um novo ataque à Ucrânia, invadida em 2014. Moscou nega, mas diz que pode realizar ações militares não especificadas a menos que as exigências sejam atendidas, incluindo uma promessa da Otan de nunca admitir Kiev na aliança.

Na segunda-feira 24, a Otan afirmou que está colocando forças de prontidão e reforçando o leste europeu com mais navios e caças de guerra. A Rússia denunciou os movimentos como “histeria” ocidental. A ação é uma resposta ao Kremlin, que posicionou as tropas russas na fronteira com a Ucrânia.

A Rússia está aguardando uma resposta por escrito dos EUA nesta semana à sua lista de demandas de segurança, algumas das quais Washington já descartou.

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RIVALIDADE ENTRE RUSSOS E AMERICANOS FOI INTENSIFICADA MAS CONFRONTO DIRETO ENTRE AS POTÊNCIAS É POUCO PROVÁVEL

Entenda a influência dos EUA na disputa entre Rússia e Ucrânia

Rivalidade entre russos e americanos foi intensificada em 2021, mas é pouco provável um confronto direto entre as potências

INTERNACIONAL

 Lucas Ferreira, do R7

Presidentes se encontraram em Genebra, na Suíça, em junho de 2021

PETER KLAUNZER / EFE – EPA – 16.6.2021

confronto territorial entre Rússia e Ucrânia, que começou a escalonar após a anexação da Crimeia pelos russos, em 2014, ganhou novos contornos nos últimos meses com o aumento de tropas das duas nações na fronteira entre os países. A tensão fez com que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e os Estados Unidos entrassem nessa discussão.

Um grande conflito armado entre russos e americanos, entretanto, é pouco provável, na visão do pesquisador e sociólogo Gustavo Lacerda: “Os Estados Unidos não querem [se envolver em uma guerra]. Por todos os motivos do mundo eles não querem”.

Diferentemente da guerra civil na Síria, na qual os americanos apoiam os curdos enquanto os russos estão do lado do presidente sírio, Bashar al-Assad, o conflito ucraniano teria dimensões muito maiores para a Rússia. Consequentemente, um confronto bélico entre as nações seria de grande escala.

“Esses confrontos entre Rússia e Estados Unidos se dão de diferentes maneiras, mas alguns em particular assumem uma dimensão maior, e a Ucrânia é esse conflito”, explica o especialista.

Lacerda ressalta que o presidente dos EUA, Joe Biden, tentará evitar a qualquer custo um conflito armado, em especial pelo insucesso dos 20 anos de guerra no Afeganistão. Os R$ 4,5 trilhões investidos no conflito foram “dinheiro jogado fora”.

Se Biden não deseja colocar os Estados Unidos em um conflito com a Rússia, por que decidiu se envolver na questão da Ucrânia? Simples, pelo mesmo motivo que Vladimir Putin dá apoio aos países latino-americanos que incomodam politicamente os EUA, como Cuba, Nicarágua e Venezuela.

“Assim como o Leste Europeu é propriedade da Rússia, os americanos têm clareza de que até o Panamá é tudo território dos Estados Unidos”, destaca Lacerda, ressaltando a tentativa de influência das duas potências mundiais nos países vizinhos.

Tanto Biden quanto Putin não desejam que a nação contrária prospere, e isso está por trás da política externa das duas superpotências.

“Os Estados Unidos querem evitar que a Rússia faça qualquer coisa. E não são só os EUA. A Inglaterra pensa o mesmo, a Itália também. Não porque são países ocidentais, mas em termos de geopolítica, pura e simples, não querem deixar que a Rússia vire novamente a União Soviética.”

Para Lacerda, caso os russos decidam invadir a Ucrânia, pouco seria feito pelas nações ocidentais, uma vez que a tomada da região da Crimeia ocorreu sem grande repressão de outros líderes mundiais. Na opinião do especialista, não há uma grande vantagem para os americanos se envolverem no conflito caso se torne bélico.

“Se os Estados Unidos forem agora para a Ucrânia, não vai ser como no Afeganistão, que tem montanhas onde é possível se esconder. A Ucrânia faz fronteira com a Rússia, eles vão estar cercados pelos Bálcãs, pela Polônia e por outros regimes que são contrários aos Estados Unidos. Vão gastar rios de dinheiro para quê?”

Biden e Putin se reuniram algumas vezes nos últimos meses. Em um desses encontros, em Genebra, na Suíça, o presidente russo disse que a conversa foi “construtiva”. Lacerda não enxerga com tanto ânimo os encontros entre os dois líderes.

“Encontro construtivo quer dizer que eles não se mataram e não declararam guerra”, brinca o pesquisador. “Isso é linguagem diplomática. […] Quando os russos dizem que tiveram um resultado positivo, isso significa que eles concordaram em discordar.”

No entendimento do pesquisador, as trocas de acusações e ameaças de sanções entre Biden e Putin são uma demonstração de como funciona o jogo da diplomacia internacional.

“Eles sabem jogar esse jogo. Eles sabem, eles estão nisso há séculos, então sabem como disputar”, conclui Lacerda.

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