CRÔNICAS: CIAO DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, POR LAURA AIDAR

A nossa coluna CRÔNICAS desta quarta-feira inicia uma série de 8 crônicas famosas comentadas por Laura Aidar, Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design. Uma forma de homenagear, aqui na coluna os maiores cronistas brasileiros de todos os tempos. Na nossa primeira leitura temos Ciao, a última crônica do monstro Carlos Drummond de Andrade, Publicado no Jornal do Brasil em 29 de setembro de 1984, o texto aborda a trajetória do escritor como cronista.  Boa leitura!

Os 10 melhores poemas de Carlos Drummond de Andrade - Revista Bula

Laura Aidar
Escrito por Laura Aidar

1. Ciao – Carlos Drummond de Andrade

Há 64 anos, um adolescente fascinado por papel impresso notou que, no andar térreo do prédio onde morava, um placar exibia a cada manhã a primeira página de um jornal modestíssimo, porém jornal. Não teve dúvida. Entrou e ofereceu os seus serviços ao diretor, que era, sozinho, todo o pessoal da redação. O homem olhou-o, cético, e perguntou:

– Sobre o que pretende escrever?

– Sobre tudo. Cinema, literatura, vida urbana, moral, coisas deste mundo e de qualquer outro possível.

O diretor, ao perceber que alguém, mesmo inepto, se dispunha a fazer o jornal para ele, praticamente de graça, topou. Nasceu aí, na velha Belo Horizonte dos anos 20, um cronista que ainda hoje, com a graça de Deus e com ou sem assunto, comete as suas croniquices.

Comete é tempo errado de verbo. Melhor dizer: cometia. Pois chegou o momento deste contumaz rabiscador de letras pendurar as chuteiras (que na prática jamais calçou) e dizer aos leitores um ciao-adeus sem melancolia, mas oportuno.

Creio que ele pode gabar-se de possuir um título não disputado por ninguém: o de mais velho cronista brasileiro. Assistiu, sentado e escrevendo, ao desfile de 11 presidentes da República, mais ou menos eleitos (sendo um bisado), sem contar as altas patentes militares que se atribuíram esse título. Viu de longe, mas de coração arfante, a Segunda Guerra Mundial, acompanhou a industrialização do Brasil, os movimentos populares frustrados mas renascidos, os ismos de vanguarda que ambicionavam reformular para sempre o conceito universal de poesia; anotou as catástrofes, a Lua visitada, as mulheres lutando a braço para serem entendidas pelos homens; as pequenas alegrias do cotidiano, abertas a qualquer um, que são certamente as melhores.

Viu tudo isso, ora sorrindo ora zangado, pois a zanga tem seu lugar mesmo nos temperamentos mais aguados. Procurou extrair de cada coisa não uma lição, mas um traço que comovesse ou distraísse o leitor, fazendo-o sorrir, se não do acontecimento, pelo menos do próprio cronista, que às vezes se torna cronista do seu umbigo, ironizando-se a si mesmo antes que outros o façam.

Crônica tem essa vantagem: não obriga ao paletó-e-gravata do editorialista, forçado a definir uma posição correta diante dos grandes problemas; não exige de quem a faz o nervosismo saltitante do repórter, responsável pela apuração do fato na hora mesma em que ele acontece; dispensa a especialização suada em economia, finanças, política nacional e internacional, esporte, religião e o mais que imaginar se possa. Sei bem que existem o cronista político, o esportivo, o religioso, o econômico etc., mas a crônica de que estou falando é aquela que não precisa entender de nada ao falar de tudo. Não se exige do cronista geral a informação ou comentários precisos que cobramos dos outros. O que lhe pedimos é uma espécie de loucura mansa, que desenvolva determinado ponto de vista não ortodoxo e não trivial e desperte em nós a inclinação para o jogo da fantasia, o absurdo e a vadiação de espírito. Claro que ele deve ser um cara confiável, ainda na divagação. Não se compreende, ou não compreendo, cronista faccioso, que sirva a interesse pessoal ou de grupo, porque a crônica é território livre da imaginação, empenhada em circular entre os acontecimentos do dia, sem procurar influir neles. Fazer mais do que isso seria pretensão descabida de sua parte. Ele sabe que seu prazo de atuação é limitado: minutos no café da manhã ou à espera do coletivo.

Com esse espírito, a tarefa do croniqueiro estreado no tempo de Epitácio Pessoa (algum de vocês já teria nascido nos anos a.C. de 1920? duvido) não foi penosa e valeu-lhe algumas doçuras. Uma delas ter aliviado a amargura de mãe que perdera a filha jovem. Em compensação alguns anônimos e inominados o desancaram, como a lhe dizerem: “É para você não ficar metido a besta, julgando que seus comentários passarão à História”. Ele sabe que não passarão. E daí? Melhor aceitar as louvações e esquecer as descalçadeiras.

Foi o que esse outrora-rapaz fez ou tentou fazer em mais de seis décadas. Em certo período, consagrou mais tempo a tarefas burocráticas do que ao jornalismo, porém jamais deixou de ser homem de jornal, leitor implacável de jornais, interessado em seguir não apenas o desdobrar das notícias como as diferentes maneiras de apresentá-las ao público. Uma página bem diagramada causava-lhe prazer estético; a charge, a foto, a reportagem, a legenda bem feitas, o estilo particular de cada diário ou revista eram para ele (e são) motivos de alegria profissional. A duas grandes casas do jornalismo brasileiro ele se orgulha de ter pertencido ― o extinto Correio da Manhã, de valente memória, e o Jornal do Brasil, por seu conceito humanístico da função da Imprensa no mundo. Quinze anos de atividade no primeiro e mais 15, atuais, no segundo, alimentarão as melhores lembranças do velho jornalista.

E é por admitir esta noção de velho, consciente e alegremente, que ele hoje se despede da crônica, sem se despedir do gosto de manejar a palavra escrita, sob outras modalidades, pois escrever é sua doença vital, já agora sem periodicidade e com suave preguiça. Ceda espaço aos mais novos e vá cultivar o seu jardim, pelo menos imaginário.

Aos leitores, gratidão, essa palavra-tudo.

A última crônica de Carlos Drummond de Andrade impressa em jornal foi Ciao. Publicado no Jornal do Brasil em 29 de setembro de 1984, o texto aborda a trajetória do escritor como cronista.

Drummond revela ao leitor sua paixão pela notícia e também pela escrita das coisas simples, corriqueiras e, ao mesmo tempo, filosóficas. É com transparência e entusiasmo que o autor refaz seu percurso como cronista aliado aos acontecimentos do mundo.

Assim, sua despedida dos jornais se tornou também um relato de sua história e de suas ideias sobre o gênero da crônica.

Fonte: Cultura Genial

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POESIA: SOBRE AS CICATRIZES QUE NOS TROUXERAM ATÉ AQUI, POR ALLAN DIAS CASTRO

POESIA: SOBRE AS CICATRIZES QUE NOS TROUXERAM ATÉ AQUI, POR ALLAN DIAS CASTRO
Allan Dias Castro, como nasce um poema

Nesta sexta-feira Allan Dias Castro vem lhe convidar a abrir o coração e abraçar a sua história falando sobre a trajetória e as cicatrizes que nos trouxeram até aqui, no seu Voz ao verbo 158. Um poema que atinge a sua alma e faz você refletir. Não deixe de ver e um bom fim de semana!

Fonte:

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POLÍCIA ENCONTRA EX-PRESIDENTE INTERINA DA BOLÍVIA ESCONDIDA DENTRO DE UMA CAMA

Ex-presidente interina da Bolívia foi achada dentro de uma cama

Policiais encontraram Jeanine Añez em sua própria casa após horas de busca; relembre a trajetória, da presidência à prisão

INTERNACIONAL

 Do R7, com AFP

Jeanine Añez foi encaminhada para a capital, La Paz, após ser detida em Trinidad

LUIS GANDARILLAS / AFP – 13.2.2021

A ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, foi detida na madrugada deste sábado (13) em Trinidad, a cidade onde mora, no noroeste do país. Durante horas, policiais a procuraram pela cidade, e chegou a se cogitar que ela teria fugido, possivelmente para o Brasil. No fim, ela foi encontrada dentro do box de uma cama em sua própria casa.

A televisão boliviana mostrou Áñez chegando ao aeroporto de El Alto, que serve La Paz, momento em que ela acusou sua prisão como “ilegal”. Junto a ela, que não estava algemada, estavam o ministro do Governo (Interior) Carlos Eduardo del Castillo e vários policiais.

Ela foi acusada pelo Ministério Público boliviano de sedição, terrorismo e conspiração. As acusações dizem respeito ao período após a eleição de 2019, que foi vencida pelo então presidente Evo Morales. Após acusações de fraude eleitoral e em meio a uma onda de protestos e violência contra seus aliados, ele renunciou à presidência e deixou o país.

Da presidência à prisão

Foi nesse contexto que Jeanine Áñez deixou de ser uma senadora de direita quase desconhecida e se tornou a presidente interina da Bolívia, em uma sessão legislativa atípica após a renúncia de Evo Morales. Com a Bíblia em mãos, jurou reconstruir o destino do país onde hoje foi presa por “sedição e terrorismo”.

Em novembro de 2019, esta advogada de 53 anos, opositora ferrenha de Morales, prometeu novas eleições em breve. No entanto, um ano depois, após o adiamento de duas eleições e com a pandemia de coronavírus no pano de fundo, Áñez deixou o poder em novembro de 2020 após a vitória de Luis Arce, do mesmo partido de Morales.

A segunda mulher na história da Bolívia a alcançar o cargo de presidente reconheceu sua derrota contra os rivais de esquerda, que um ano antes ela acreditava que não voltariam a recuperar o poder.

“Parabenizo os ganhadores e peço que governem pensando na Bolívia e na democracia”, disse Áñez.

A ex-presidente, que também foi apresentadora de televisão, morava na cidade de Trinidad, capital do departamento amazônico de Beni (noroeste), onde foi presa pela polícia com base em uma ordem assinada por dois promotores de La Paz.

No domingo passado, Áñez se candidatou ao governo de Beni nas eleições locais, mas ficou em terceiro lugar com 13% dos votos.

Após a derrota, prometeu que continuaria impulsionando “as oportunidades e o bem-estar para as famílias benianas”, sem fornecer detalhes.

No entanto, nesta sexta-feira, assim que soube que era alvo de uma orden de prisão, Áñez afirmou que era vítima de uma mentira e justificou a “sucessão constitucional devido a uma fraude eleitoral” de novembro de 2019.

A saída de Morales

Áñez assumiu a presidência dois dias depois de Morales renunciar após 14 anos no poder, em meio a uma forte convulsão social surgida após as eleições gerais um mês antes.

O então presidente indígena se candidatava para um quarto mandato até 2025, mas os opositores alegaram que houve fraude nessas eleições e exigiram a anulação de todo o processo eleitoral. Em seguida, membros da polícia se amotinaram em todo o país.

Junto com Morales, renunciaram também seu vice-presidente Álvaro García e os presidentes e primeiros vice-presidentes das câmaras dos Deputados e Senadores, todos oficialistas e na linha de sucessão constitucional.

A oposição de então argumentou que não podia haver vazio de poder e que cabia a Áñez, então segunda vice-presidente do Senado, assumir o primeiro cargo do país.

Bíblia, pandemia e prisão

Áñez entrou no Palácio do Governo com uma Bíblia debaixo do braço e prometeu que sua única missão seria convocar as eleições gerais como manda a Constituição em um prazo de seis meses. Ela foi a segunda presidente mulher da Bolívia, depois de Lidia Gueiler (1979-1980), derrubada por um golpe militar.

A repressão policial contra partidários de Morales causou cerca de 35 mortes, segundo dados da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Apesar de ter prometido apenas convocar as eleições, Áñez anunciou em janeiro de 2020 sua candidatura à presidência, o que gerou críticas de seus opositores e até mesmo de seus aliados.

Com a chegada da pandemia na Bolívia em março desse ano, uma primeira denúncia de corrupção surgiu na compra de respiradores mecânicos espanhóis. Áñez responsabilizou seu ministro da Saúde e o demitiu.

Em setembro, ela acabou desistindo de se candidatar para a eleição presidencial devido às pesquisas que previam sua derrota certa para Arce e os opositores.

Após o retorno do MAS ao poder, a ex-deputada Lidia Patty apresentou em dezembro ao Ministério Público um pedido de investigação e denunciou Áñez, vários de seus ministros, ex-chefes militares e policiais de terem cometido um golpe de Estado.

Fonte: R7
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OPINIÃO: SERIA BERGOGLIO O “TAL PAPA NEGRO”?

A trajetória errática de Bergoglio

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Nicolas Maduro e Papa FranciscoNicolas Maduro e Papa Francisco

Há uma clara dissonância entre o papa Francisco e grande parte de seu rebanho.

Pior, com sua omissão à perseguição de cristãos pelo Islã, na Africa e na China; com seu silêncio diante do terrorismo contra os templos católicos no Chile; e por fim, com seu apoio ao reconhecimento do casamento entre homossexuais, dentre outras atitudes, há risco de que a dissonância se transforme em abismo.

O desconforto com o papa vem sobretudo dos mais conservadores, hoje, esmagadora maioria católica. Já se espalham até boatos pelo próprios católicos de que Bergoglio, além de marxista, seria o tal “Papa Negro”, o “Anticristo do Apocalipse”, até mesmo praticante de ocultismo e de satanismo.

Obviamente, tudo delírio ou campanha difamatória de má fé, mas que ilustram o enorme desconforto de parte da Igreja com seu atual chefe.

Paradoxalmente, Francisco vem sendo defendido com fervor por progressistas não católicos, ou católicos não praticantes.

Cumpre esclarecer que Jorge Bergoglio tem uma trajetória política errática. Durante a ditadura militar argentina, esteve muito próximo dos generais, especialmente de um almirante da linha dura, mais tarde acusado de tortura e assassinatos de militantes da esquerda (era o vice do almirante Massera, ministro da Marinha).

Bergoglio foi acusado por seus próprios pares jesuítas de ter sido um colaborador da ditadura. Mas isso soa injusto. Parece que ele apenas optou por uma estratégia de redução de danos, usando do bom diálogo com o amigo almirante para tentar proteger seus padres, por um lado, e silenciando seus subordinados para não provocar a ditadura. Teria sido, enfim, uma espécie de resistência complacente.

Quando caiu a ditadura, Bergoglio foi extremamente estigmatizado pelo clero progressista, acusado de covarde, fraco, até mesmo de colaborador. Então passa um bom tempo exilado nas bases, faz mea culpa, adere à Teologia da Libertação até ressurgir como bispo progressista na periferia de Buenos Aires. Aliás, com um belo trabalho social.

Daí, é redimido, alça voo até ser ungido papa.

Fernando Meirelles retrata parte dessa trajetória no belíssimo filme Dois Papas. O diretor é extremamente indulgente com Bergoglio. Até aí, tudo bem, pois estamos falando de obra de arte.

O problema é que Bergoglio pode estar cometendo um grave erro de liderança.

Depois do conservador Wojtyla e do reacionário Ratzinger, tudo indica que o rebanho praticante seja hegemonicamente conservador. O atual papa foi eleito pelo cardeais justamente para conduzir uma guinada à esquerda. Mas há indícios de que estaria sendo por demais açodado. Talvez perdido. Seu reinado pode desandar em desastre.

(Texto de Hugo Studart, católico praticante, devoto dos franciscanos)

Fonte: Jornal da Cidade Online

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O PRESIDENTE DA OAB DIZ, QUE KASSIO NUNES POSSUI TODOS OS PRESSUPOSTOS E TRAJETÓRIA HONRADA

Possui todos os pressupostos e trajetória honrada’, diz presidente da OAB sobre Kassio Nunes

Marcos Rocha

Publicado 7 horas atrás

em 01.10.2020

Por Marcos Rocha

 

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, foi às redes sociais nesta quinta-feira (1º) para comentar sobre a indicação do presidente Jair Bolsonaro à cadeira que será deixada por Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em live nas redes sociais, o chefe do Executivo anunciou o nome de Kassio Nunes Marques para o posto na mais alta instância do Judiciário.

A indicação será publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (2). Marques é atual desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Após a publicação, ele terá de passar por sabatina no Senado Federal, de acordo com o rito previsto pela Constituição Federal de 1988.

Caso seja aprovado pelos parlamentares, ele poderá integrar a Suprema Corte pelos próximos 27 anos, até 2047.

Santa Cruz, ao falar sobre o magistrado, afirmou que ele ‘possui todos os pressupostos constitucionais e uma trajetória honrada e reconhecida’.

A declaração foi publicada no Twitter.

“A Ordem dos Advogados do Brasil saúda a indicação do Desembargador Federal Kassio Nunes Marques para ocupar a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. O desembargador possui todos os pressupostos constitucionais e uma trajetória honrada e de reconhecida eficiência.”, escreveu o presidente da OAB.

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