NOVAS SANÇÕES ESTÃO SENDO PREPARADAS PELOS EUA CONTRA MOSCOU PELA PRISÃO DO OPOSITOR RUSSO NAVALNY

EUA preparam novas sanções contra Rússia por caso Navalny

Opositor do Kremlin foi preso após ser envenenado em 2020; Biden e Putin se encontraram há quatro dias

INTERNACIONAL

 por AFP

Os Estados Unidos preparam novas sanções contra Moscou pela prisão do opositor russo Alexei Navalny, disse neste domingo (20) o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan.

“Estamos preparando outra série de sanções para aplicar nesta situação”, disse à rede CNN, quatro dias depois da cúpula em Genebra entre o presidente americano Joe Biden e seu homólogo russo Vladimir Putin.

Alexei Navalny, líder do principal partido de oposição russo, foi transferido em coma para um hospital de Berlim em agosto de 2020 após um envenenamento na Rússia que ele atribui ao Kremlin.

Passou quase seis meses se recuperando na Alemanha e foi preso em janeiro quando voltou para a Rússia. Desde então, está preso e Washington exige sua libertação.

“Já sancionamos a Rússia pelo envenenamento de Alexei Navalny”, lembrou Sullivan. “Não fizemos sozinhos, reunimos nossos aliados em um esforço coletivo para sancionar o uso de uma substância química contra um de seus cidadãos em território russo”.

Em março, alguns dias depois da prisão de Navalny, Washington aplicou sanções a sete altos funcionários russos, as primeiras sanções tomadas contra a Rússia sob o mandato de Biden, que começou em 20 de janeiro.

Pouco antes da cúpula russo-americana em Genebra em 16 de junho, Biden disse que a morte de Navalny “só deterioraria as relações (de Moscou) com o resto do mundo”. “E comigo”, enfatizou.

Durante seu encontro, Biden e Putin mostraram vontade de aliviar as tensões, embora não tenham feito anúncios concretos.

Sobre o destino de Navalny, Putin se limitou a dizer que “este homem sabia que estava violando a lei vigente na Rússia”.

Fonte: R7
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TRIBUNAL DA RÚSSIA CLASSIFICOU COMO EXTREMISTA AS ORGANIZAÇÕES DO OPOSITOR ALEXEY NAVALNY

Justiça russa classifica organizações de Navalny como extremistas

Decisão abre a possibilidade de fechamento de movimento e escritórios regionais ligados ao opositor do presidente Putin

INTERNACIONAL

 Do R7

Sessão foi realizada a portas fechadas em um tribunal de Moscou

DIMITAR DILKOFF / AFP – 9.6.2021

Um tribunal da Rússia classificou nesta quarta-feira como extremistas as organizações do opositor Alexey Navalny, um ponto culminante para a liquidação do seu movimento e que abre caminho para uma repressão maior a seus apoiadores.

O opositor, 45, que cumpre pena de dois anos e meio de prisão por um caso de fraude que ele considera político, afirmou no Instagram que não desistirá.

O veredito, proferido após uma audiência a portas fechadas, é anunciado após meses de repressão a opositores, marcada pelo envio de Navalny à prisão, pelo exílio de ativistas que fazem parte do seu movimento e por medidas contra a imprensa independente e outras vozes críticas.

A poucos meses das eleições legislativas de setembro, um tribunal de Moscou ordenou hoje a liquidação das organizações de Navalny. A decisão tem como alvos principais o Fundo de Luta contra a Corrupção (FBK), organização que apresentou investigações sobre o estilo de vida e a corrupção na elite russa, e os escritórios regionais que convocam manifestações e animam campanhas eleitorais.

“Fica comprovado que essas organizações não só difundiam voluntariamente informações que incitavam ao ódio e à hostilidade contra os representantes do poder, mas que além disso cometiam crimes e delitos extremistas”, declarou aos jornalistas um representante da Promotoria, Elexey Jafiarov, após a decisão judicial.

Uma mensagem publicada esta noite na conta de Navalny no Instagram convoca seus apoiadores a não recuarem e pede que eles se unam à sua equipe para as eleições legislativas do outono local. “Iremos nos organizar, evoluir, iremos nos adaptar. Mas não iremos recuar em nossos objetivos e ideias. É o nosso país e não temos outro”, publicou Navalny após o veredito.

Os Estados Unidos e o Reino Unido denunciaram a decisão judicial. “Instamos a Rússia a parar de abusar das designações de ‘extremismo’ para atingir organizações não violentas, a acabar com a repressão ao Sr. Navalny e seus apoiadores e a cumprir suas obrigações internacionais de respeitar e garantir os direitos humanos e as liberdades fundamentais”, declarou o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price.

A audiência judicial durou mais de 12 horas, segundo os advogados da equipe Komanda 29, que defendia em particular o FBK e que anunciou que irá apelar.

O Ministério Público russo celebrou o que considerou um julgamento “legal e justificado”. O resultado do processo deixava poucas dúvidas, uma vez que a rede de escritórios regionais de Navalny já havia sido incluída, em abril, na lista de organizações “extremistas” pelo serviço de vigilância financeira. Consequentemente, a própria rede havia se dissolvido, para evitar que seus membros fossem processados.

A Justiça ordenou hoje a liquidação das organizações restantes, entre elas o FBK. Os colaboradores das formações consideradas “extremistas” correm o risco de serem condenados a longas penas de prisão e se veem privados de participar das eleições, após uma lei promulgada na semana passada pelo presidente Vladimir Putin.

Para a oposição, o texto visa a neutralizar os candidatos perigosos para o governo antes das legislativas, que se anunciam delicadas para o partido no poder, Rússia Unida, em declínio nas pesquisas, em um contexto de estancamento econômico.

Nos últimos meses, a repressão à oposição foi dirigida não apenas contra o movimento de Navalny, mas também contra outros críticos do Kremlin.

Fonte: R7
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ATIVISTA OPOSITOR DE BELARUS FOI PRESO DOMINGO (23) APÓS POUSO FORÇADO

Saiba quem é opositor de Belarus preso após pouso forçado

Ativista de 26 anos foi preso ainda no Ensino Médio após coordenar grupos em rede social contra presidente Alexander Lukashenko

INTERNACIONAL  

por AFP

Ativista foi preso em Belarus durante voo no domingo (23)

REUTERS/STRINGER – 10.4.2017

jornalista bielorrusso Roman Protasévich, detido depois que o avião da Ryanair em que viajava foi obrigado a pousar em Minsk no domingo (23), iniciou seu ativismo na Internet, quando era adolescente.

Em 2012, aos 17 anos, ainda no Ensino Médio, foi detido por coordenar dois grupos na rede social russa Vkontakte contra o presidente Alexander Lukashenko.

Um deles era chamado “Estamos cansados deste Lukashenko”, que governa Belarus com mão de ferro desde 1994, um ano antes do nascimento de Protasevich.

“Me agrediram nos rins e no fígado”, contou na ocasião. “Urinei sangue por três dias. Ameaçaram me acusar de assassinatos não solucionados”, disse.

Durante o interrogatório, oficiais da Agência de Segurança de Belarus, que ainda usa a sigla KGB da época soviética, exigiram as senhas de seus grupos virtuais.

Em seguida, ele trabalhou como fotógrafo para meios de comunicação de Belarus e, em 2017-2018, recebeu uma bolsa Vaclav Havel para aspirantes a atuar como jornalista independente.

Protasevich abandonou Belarus em 2019, depois de começar a trabalhar para o influente canal opositor do aplicativo Telegram Nexta (“Alguém”, em bielorrusso).

Mais tarde, tornou-se chefe de redação do canal, que hoje conta com mais de 1,2 milhão de assinantes.

O canal teve um papel importante na organização dos protestos contra Lukashenko, ao informar detalhes, horários e datas das manifestações.

“Atividades terroristas”

O ativista, que vive entre a Polônia e a Lituânia, dois centros de exilados bielorrussos, é atualmente o editor do canal BGM, que tem 260 mil assinantes.

Sua companheira, Sofia Sapega, detida no domingo ao lado dele, é estudante de Direito na Universidade Europeia de Humanidades (EHU) de Vilnius.

Roman Protasevich cobriu a campanha das eleições presidenciais de 2020, na qual a representante da oposição, Svetlana Tikhanovskaya, enfrentou Lukashenko.

Após a vitória deste último, protestos sem precedentes explodiram no país, e as autoridades responderam com violência.

Belarus emitiu em novembro uma ordem de detenção contra Protasevich por seu trabalho no Nexta, alegando que ele estava “envolvido em atividades terroristas”.

Em seu perfil no Twitter, o opositor se definiu na ocasião, com ironia, como o “primeiro jornalista terrorista da história”.

Em caso de condenação, a acusação de “atividades terroristas” pode resultar na pena de morte em Belarus.

Quando o avião da Ryanair foi sequestrado e obrigado a pousar em Minsk, os passageiros escutaram Protasevich afirmar que “enfrentava o risco de pena de morte”.

Seu último tuíte, de 16 de maio, foi uma referência à cobertura fotográfica da visita de Tikhanovskaya a Atenas, cidade de onde partiu o voo da Ryanair com destino a Vilnius.

Fonte: R7
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APÓS SE RECUPERAR DE ENVENENAMENTO, OPOSITOR DE PUTIN AINDA TEM PENA DE PRISÃO A CUMPRIR EM SEU PAÍS

Em ultimato, Rússia ordena a Navalny que retorne ou será preso

Opositor de Putin segue na Alemanha após se recuperar de envenenamento e ainda tem pena de prisão a cumprir em seu país

INTERNACIONAL |

Reuters

Navalny foi condenado em um processo que ele diz ter sido político

O serviço de prisão da Rússia deu a Alexei Navalny, crítico do Kremlin, um ultimato de última hora nesta segunda-feira (28): volte de uma vez da Alemanha e se reporte a um escritório de Moscou na manhã de terça-feira ou será preso se retornar após este prazo.

Navalny, um dos maiores opositores do presidente russo, Vladimir Putin, foi levado de avião à Alemanha para ser tratado depois de desmaiar durante um voo, no que a Alemanha e outros países ocidentais dizem ter se tratado de uma tentativa de assassiná-lo com um agente nervoso Novichok.

A Rússia disse não ter visto nenhum indício de que ele foi envenenado e nega qualquer envolvimento no incidente.

Prisão suspensa

O Serviço Federal de Prisões (FSIN) acusou Navalny nesta segunda-feira de violar os termos de uma pena de prisão suspensa que ainda está cumprindo, resultante de uma condenação de 2014, e de se furtar à supervisão da autoridade de inspeção criminal da Rússia.

Citando um artigo do periódico médico britânico The Lancet sobre seu tratamento, o FSIN disse que Navalny teve alta de um hospital de Berlim em 20 de setembro e que todos os sintomas do que classificou como sua doença já haviam desaparecido em 12 de outubro.

“Portanto, o condenado não está cumprindo todas as obrigações impostas a ele pelo tribunal, e está se furtando à supervisão da Inspetoria Criminal.”

Navalny cumpre uma pena de prisão suspensa de três anos e meio decorrente de um caso de roubo que ele disse ter motivação política. Sua condicional termina no dia 30 de dezembro.

Fonte: R7

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ESPANHA DÁ ASILO POLÍTICO A OPOSITOR VENEZUELANO, LEOPOLDO LÓPEZ

 

Opositor venezuelano é recebido pelo presidente da Espanha

Leopoldo López disse nesta terça (27), em sua primeira entrevista coletiva em Madri depois de deixar a Venezuela, que nunca quis deixar seu país

INTERNACIONAL

Do R7, com EFE

Presidente da Espanha, Pedro Sanchéz recebe opositor venezuelano Leopoldo López

O líder da oposição venezuelana Leopoldo López disse nesta terça-feira (27), em sua primeira entrevista coletiva em Madri depois de deixar a Venezuela, que nunca quis deixar seu país e que sua intenção é “voltar para libertar a Venezuela”.

“Eu não queria deixar a Venezuela, sempre disse; infelizmente, as circunstâncias me levaram a isso”, disse o líder da oposição, que descreveu o governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro, a quem chamou de “criminoso”, de “ditadura”.

Leopoldo López chegou em Madri no último domingo, depois de sair “clandestinamente” da Venezuela – onde estava na residência do embaixador da Espanha – rumo à Colômbia, de onde embarcou para a Europa.

Guarimbas

Leopoldo López é acusado na Venezuela de fomentar protestos violentos, chamados de guarimbas, que deixaram 43 mortos na Venezuela. As manifestações ocorreram entre fevereiro e maio de 2014 e López foi condenado em 2015 a 15 anos de prisão.

A Venezuela acusou o governo da Espanha da facilitar a fuga do opositor do país. Em agosto deste ano, o presidente Nicolás Maduro concedeu uma série de indultos a diversos presos opositores, contudo Leopoldo López não figurava entre os beneficiados.

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NA NOVA ZELÂNDIA JACINDA ARDERN OBTÉM VITÓRIA ESMAGADORA

 

Jacinda Ardern obtém vitória esmagadora na Nova Zelândia

O Partido Trabalhista teve 49,0% dos votos, muito à frente do opositor, o Nacional, com 27%, informou a Comissão Eleitoral neste sábado

INTERNACIONAL

Da Reuters, com R7

Esta é a primeira vez em 70 anos que o país terá um partido único

Fiona Goodall/Pool via REUTERS – 22.9.2020

O Partido Trabalhista de centro-esquerda da primeira-ministra Jacinda Ardern obteve uma vitória esmagadora nas eleições gerais da Nova Zelândia no sábado (17), quando os eleitores a recompensaram por uma resposta decisiva na luta contra a covid-19.

O mandato significa que Ardern, de 40 anos, pode formar o primeiro governo de partido único em décadas e enfrentar o desafio de cumprir a transformação progressiva que ela prometeu, mas falhou em seu primeiro mandato, onde o Trabalhismo compartilhou o poder com um partido nacionalista.

“Esta é uma mudança histórica”, disse o comentarista político Bryce Edwards, da Victoria University em Wellington, descrevendo a votação como uma das maiores oscilações na história eleitoral da Nova Zelândia em 80 anos.

O Partido Trabalhista estava a caminho de ganhar 64 das 120 cadeiras no parlamento unicameral do país, a mais alta de qualquer partido desde que a Nova Zelândia adotou um sistema de votação proporcional em 1996.

Se o Trabalhismo ganhar mais da metade das cadeiras, Ardern poderia formar o primeiro governo de partido único sob o sistema atual.

“Resultado notável”

Ardern saiu de sua casa em Auckland, acenou e abraçou os apoiadores reunidos. A líder do Partido Nacional da oposição, Judith Collins, disse que ligou para o primeiro-ministro para parabenizá-la por um “resultado notável”.

O Partido Trabalhista teve 49,0% dos votos, muito à frente do Nacional com 27%, disse a Comissão Eleitoral, com 77% dos votos contados em uma eleição que foi em grande parte um referendo sobre o tratamento agressivo de Ardern do covid-19.

“As pessoas ficaram muito gratas e muito felizes com a forma como lidamos com a covid, elas gostam da forma do plano que temos daqui para frente para a economia”, disse o ministro das Finanças, Grant Robertson, um importante parlamentar trabalhista.

Geoffrey Miller, analista do site político Democracy Project, disse que a vitória foi “um triunfo pessoal para a popularidade e marca da ‘superestrela’ de Jacinda Ardern”.

Dos atuais parceiros da coalizão de Ardern, o nacionalista Primeiro Partido da Nova Zelândia tinha 2,6% e o Partido Verde 7,6%. Se ela não for capaz de formar um governo exclusivamente trabalhista, espera-se que continue a contar com os verdes menores enquanto se livra do New Zealand First.

Uma coalizão Trabalhista-Verde seria o primeiro governo totalmente de esquerda desde os anos 1970, um cenário que Collins alertou que significaria mais impostos e um ambiente hostil aos negócios.

Ardern se comprometeu a aumentar os impostos sobre os que ganham mais, enquanto Collins prometeu cortes de impostos de curto prazo, mas eles mostraram poucas diferenças importantes na política.

“Seja forte, seja gentil”

A primeira-ministra ganhou aclamação global por lidar com um tiroteio em massa no ano passado por um supremacista branco em Christchurch, com seu mantra inclusivo “seja forte, seja gentil” e ação rápida para banir armas.

Ela poliu essa reputação este ano com uma abordagem do tipo “vá duro, vá cedo” para o novo coronavírus, que eliminou o covid-19 disseminado localmente no país.

A eleição foi adiada por um mês após novas infecções de covid-19 em Auckland, que levaram a um segundo bloqueio na maior cidade do país.

Embora conhecida internacionalmente por promover causas progressistas, como os direitos da mulher e a justiça social, em casa Ardern enfrentou críticas de que seu governo falhou em uma promessa de ser transformacional.

A vida voltou ao normal na Nova Zelândia, mas suas fronteiras ainda estão fechadas, o setor de turismo está sangrando e os economistas preveem uma recessão duradoura após os severos bloqueios.

A economia encolheu a uma taxa anual de 12,2% no segundo trimestre, sua queda mais acentuada desde a Grande Depressão. A dívida deve aumentar para 56% do produto interno bruto, de menos de 20% antes da pandemia.

Os neozelandeses também votaram no sábado em referendos para legalizar a eutanásia e a maconha recreativa, com resultados a serem anunciados em 30 de outubro. A última votação poderia tornar a Nova Zelândia apenas o terceiro país do mundo a permitir o uso adulto e a venda de cannabis em todo o país, depois do Uruguai e Canadá.

 

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APOSTA DE CAPRILES NAS ELEIÇÕES AUMENTA A FRAGILIDADE DE GUAIDÓ

Oposição venezuelana dividida aprofunda o desgaste do Guaidó

Aposta de Capriles nas eleições parlamentares aumenta a fragilidade do líder opositor venezuelano, reconhecido como presidente interino por vários países, mas atacado pela incapacidade de apresentar avanços claros em sua agenda

ALONSO MOLEIRO|FLORANTONIA SINGER

Caracas – 06 SEP 2020 – 13:33 BRT

O líder opositor da Venezuela, Juan Guaidó, em Caracas, em 28 de março.

O retorno de Henrique Capriles à primeira linha da política venezuelana, com sua aposta de participar nas eleições de 6 de dezembro, não somente aumentou as crônicas diferenças na oposição. Também compromete ainda mais o futuro de Juan Guaidó, a quem dezenas de países ainda reconhecem como o presidente interino da Venezuela, um cargo sem poder real no país, ainda que com peso, principalmente à comunidade internacional.

A dificuldade para oferecer uma alternativa à participação eleitoral e a falta de resultados de sua estratégia para retirar Maduro do poder deu voz a um coro de críticos. Ainda mais: a maioria dos venezuelanos perdeu as esperanças no resultado de seus esforços.

Guaidó, de 37 anos, era praticamente um desconhecido em janeiro de 2019, quando foi nomeado presidente da Assembleia Nacional e tomou posse como presidente interino da Venezuela, cargo reconhecido por aproximadamente 60 países, entre eles os Estados Unidos e grande parte da União Europeia, incluindo a Espanha. Nenhum desses países desistiu de considerá-lo ainda mandatário interino, mas a realidade mostra outro caminho.

Após quase dois anos, a estratégia de Guaidó, que começou o ano recebendo uma homenagem do Congresso dos EUA, quase não deu frutos internos e a criação de uma estrutura paralela, principalmente no exterior ― “Governo de Internet”, disse Capriles ―, levantou muitas dúvidas na Venezuela. A fracassada incursão paramilitar de maio, em que se viu envolvido, foi outro golpe que a manobra de Capriles ajudou a derrubar. Ainda que continue sendo uma referência, a credibilidade de Guaidó desabou.

Tudo indica que Guaidó está jogando contra o relógio no campo de disputa: a possível participação de Capriles nas eleições parlamentares ― vista com bons olhos entre grande parte da diplomacia europeia, incluindo a Espanha ― pode enfraquecer ainda mais suas posições no contexto internacional, seu maior ativo hoje em dia. Por enquanto, Guaidó ainda conta com o apoio irrestrito de Washington.

A cientista política e escritora Colette Capriles opina que o fim de ciclo de Guaidó está se aproximando e, mesmo concentrando uma grande parte da oposição, suas alianças estão comprometidas. “Esse processo pode romper a unanimidade da comunidade internacional em torno a Guaidó. Maduro, ao dividir a oposição, também divide os aliados estrangeiros dos quais Guaidó se tornou muito dependente, especialmente dos EUA”.

“A fresta que deve se abrir, portanto”, diz a cientista política, “é para recalcular, como o fazem os aparelhos de GPS. Uma postergação das eleições, como vários atores colocaram, seria um espaço em que pode se traçar o horizonte de uma saída negociada como a que se estava tentando fazer com a ajuda da Noruega”. A possibilidade de encontrar um final negociado foi mencionado nessa semana pelo Alto Representante exterior da UE, Josep Borrell.

luta contra o chavismo significou o sacrifício de muitas lideranças ao longo dos últimos anos. Para o cientista político Luis Salamanca, Guaidó vive a natural deterioração da sua. “Quando não se consegue o nocaute, é preciso continuar boxeando para enfraquecer o outro”, diz. “Há um erro de interpretação em pensar que como não se conseguiu o máximo não se conseguiu nada. Guaidó conquistou muitas coisas. A lógica indica que se deve continuar trabalhando”. Salamanca teme um risco ainda maior do que a sobrevivência de Guaidó: “Há um grave perigo de debandada maciça dos partidos e dos membros de oposição. As pessoas já estão muito frustradas”.

Com todas as diferenças, Guaidó reteve durante muitos meses o apoio de quase todos os partidos importantes da oposição. Mas dirigentes mais próximos ao setor de Capriles evidenciam seu incômodo pela tutela de setores conservadores norte-americanos. Alguns dirigentes próximos a Guaidó temem que ocorram deserções a favor de Capriles. O Primeiro Justiça, partido ao que Capriles pertence e um dos partidos fundamentais da unidade oposicionista, teve nesses dias longos debates sobre o anúncio de um de seus líderes fundamentais. Em particular porque entre suas bases há muitas pessoas que consideram que participar das eleições legislativas continua sendo a única opção para enfrentar Maduro.

O chavismo, entretanto, continua dando passos para seduzir os opositores e dividi-los por dentro. Além dos mais de 100 indultos a presos e perseguidos e a carta convidando a UE e a ONU para participar como observadores das eleições, na sexta-feira veio uma decisão do Supremo Tribunal, que deixava sem efeito a nomeação do dissidente Luis Parra como maior representante do Primeiro Justiça, teoricamente retornando o controle do partido aos seus dirigentes, um dos pedidos da oposição. Agora se espera que o mesmo ocorra com o Ação Democrática e o Vontade Popular.

Reconhecer erros

O Primeiro Justiça emitiu um comunicado em que mantinha que não participará das eleições, porque não há condições eleitorais e a pandemia impede sua realização. Mas mesmo lembrando que os que desobedecerem a essa linha serão punidos, o texto lança um ataque a Guaidó: “Devemos reconhecer com humildade uma série de erros e a incapacidade de retificação na condição do Governo interino, que impediu derrotar a ditadura e aliviar o sofrimento dos venezuelanos”. O texto propõe “abrir um debate franco para reconstruir a organização e a atuação da oposição”, o que evidencia que sequer dentro do que é conhecido como G4, que aglutina os principais partidos da oposição, Guaidó tem garantido o respaldo a sua rota.

Para Salamanca, Capriles está procurando a maneira de retomar sua liderança no que sem dúvida será um próximo ciclo à oposição. Mas alerta que, sem Guaidó, não terá força de mobilização, de modo que a unidade continua sendo uma condição necessária. Salamanca diz que o que Guaidó conseguiu é o que em termos militares pode se chamar “cabeça de ponte”, se referindo ao momento em que, se os reforços chegarem, pode se passar da defesa ao ataque.

O desgaste de Guaidó, na opinião do escritor e analista político Pedro Benítez, é completamente lógico e isso não significa necessariamente que o fim de seu ciclo se aproxima. “Guaidó deixou expectativas que não se cumpriram e isso lhe custou apoio. Continua tendo consigo, entretanto, muitas cartas fortes e a mais importante de todas, além do respaldo internacional e latino-americano, é que continua sendo um dirigente popular”.

Colette Capriles aponta um aspecto bem importante: as sanções ao Governo e à cúpula chavista. “Sem elas, Maduro não estaria em condições de ceder nada. O objetivo do chavismo nas eleições é tirar Guaidó do jogo. Se ocorrerem em dezembro conseguiria, até mesmo declarando a continuidade do Governo interino, que seria um Governo no exílio, como já praticamente o é. O prolongamento do Governo interino não tem base jurídica, mesmo que possa ser buscada, mas também não tem base política”.

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ALEXEI NAVALNY RECEBE AMEAÇA DE EMPRESÁRIO PRÓXIMO DE PUTIN

 

Empresário próximo de Putin promete arruinar opositor Navalny

‘Se Navalny sobreviver, todo o peso da lei deve ser aplicado a ele’, disse Yevgeny Prigozhin, após vencer uma batalha judicial contra o opositor

INTERNACIONAL

Da EFE

Alexei Navalny foi condenado a indenizar um empresário russo por calúniaAlexei Navalny foi condenado a indenizar um empresário russo por calúnia

O empresário russo Yevgeny Prigozhin, próximo ao presidente Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira (26) que pretende arruinar o líder da oposição Alexei Navalny, que está em coma há cinco dias em um hospital de Berlim com suspeita de envenenamento.

Yevgeny Prigozhin obteve uma decisão favorável da justiça russa contra o opositor, e agora Navalny deverá pagar cerca de US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 6,70 milhões) por calúnia e difamação.

Anteriormente, Navalny e seu Fundo Anti-Corrupção (FBK) haviam publicado um relatório criticando a má qualidade da merenda escolar servida pela empresa de Yevgeny Prigozhin, a Concord. Mas a FKB se declarou insolvente e foi dissolvida em julho.

“É uma quantia enorme e nem faz sentido cobrá-la”, explicou Navalny sua decisão de fechar a ONG, conhecida por suas denúncias de corrupção entre as elites russas.

Um tribunal de Moscou considerou as queixas sobre a má qualidade da merenda escolar da empresa ligada a Prigozhin como difamatório e, portanto, determinou o pagamento da grande compensação financeira.

“Pretendo arruinar os membros deste grupo de pessoas sem vergonha. Claro, se o colega Navalny for ao nosso Senhor, eu pessoalmente não pretendo persegui-lo neste mundo”, disse Prigozhin, citado pelo comunicado da empresa.

Ele acrescentou: “Se Navalny sobreviver, todo o peso da lei deve ser aplicado a ele”.

Mal estar no avião

No último dia 20, o líder da oposição russa, de 44 anos, passou mal durante voo que seguia da Sibéria para Moscou, com o piloto realizando um pouso de emergência na cidade de Omsk, onde foi internado inconsciente em um hospital local.

Os colegas de Navalny relataram que ele havia sido envenenado e exigiram sua transferência para uma clínica no exterior.

Os médicos locais indicaram que não havia vestígios de venenos nos exames de Navalny e apenas após dois dias permitiram que ele fosse transferido para Berlim, um atraso que, segundo a porta-voz do opositor, Kira Yarmysh, tinha como objetivo dificultar a detecção de substâncias tóxicas.

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