PERGAMINHO DE ISAÍAS É O MAIS BEM PRESERVADO ENTRE OS MANUSCRITOS DO MAR MARTO

Inteligência artificial revela segredo dos Manuscritos do Mar Morto

Comparando caracteres, computador apontou que o Grande Pergaminho de Isaías foi escrito por duas pessoas diferentes

TECNOLOGIA E CIÊNCIA

 Do R7

O Grande Pergaminho de Isaías é o mais bem-preservado entre os Manuscritos do Mar Morto

WIKIMEDIA COMMONS

Descobertos em uma caverna israelense em 1947 e escritos há mais de 2 mil anos, os Manuscritos do Mar Morto ainda são estudados por cientistas em busca de respostas sobre como foram escritos. Usando a tecnologia da inteligência artificial (A.I.), pesquisadores da Universidade de Groningen, na Holanda, descobriram que o Grande Pergaminho de Isaías foi escrito por duas pessoas diferentes.

A conclusão foi feita após a análise do texto de 125 a.C., o mais bem preservado dos manuscritos, que mostrou diferentes padrões de escrita imperceptíveis a olho nu, mas que foram encontrados graças a uma análise feita por computador.

A caligrafia usada no Grande Pergaminho de Isaías parece idêntica até para leitores humanos altamente treinados em paleografia. Mas uma análise feita com A.I. publicada na revista científica PLOS One mostra que dois copistas diferentes colaboraram no documento.

“Com o uso da tecnologia e de estatísticas, pudemos encontrar diferenças muito sutis na caligrafia, que são muito difíceis de ver”, explicou o cientista líder da pesquisa, Mladen Popovic ao Art Newspaper. “Isso nos mostra que eles trabalharam em equipe para fazer o manuscrito. Isso não é mais uma conjectura, baseado nas evidências agora podemos dizer que é um fato”.

A pesquisa corrobora teorias de que os textos bíblicos antigos não foram copiados por um único escriba, mas teriam sido feitos em equipe, possivelmente com a ajuda de aprendizes, copiando detalhadamente o mesmo estilo.

O Grande Pergaminho de Isaías

Estudiosos já tinham detectado um intervalo que ocorre na metade do manuscrito do Livro de Isaías. No meio do texto, há um espaço de três linhas e uma segunda folha foi costurada na primeira. A partir desse ponto, segundo detectou o estudo, um segundo escriba assumiu o texto.

Para realizar a pesquisa, a equipe ensinou a inteligência artificial a analisar a imagem do texto e separar digitalmente a tinta do papiro. “Isso é importante porque a maneira como os traços foram feitos remete diretamente ao movimento dos músculos de cada pessoa e isso é individual”, afirmou um dos co-autores, Lambert Schomaker.

Os pesquisadores focaram em dois caracteres hebraicos, aleph e bet, e mapearam todas as vezes em que eles apareciam ao longo do pergaminho e todas as suas variações. Com isso, descobriram que as duas metades do manuscrito foram escritas em um estilo parecido, mas de dois modos distintos.

De acordo com o Museu de Israel, em Jerusalém, o Pergaminho de Isaías é um dos sete Manuscritos do Mar Morto encontrados nas cavernas de Cumran. É o maior e mais preservado deles e contém toda a versão hebraica do Livro de Isaías.

A descoberta abre caminho para novas maneiras de estudar os pergaminhos, segundo Popovic. “Esse é só o primeiro passo. Vamos poder estudar e separar os copistas que fizeram os Manuscritos e agora poderemos entender melhor como eles foram produzidos. Jamais saberemos os nomes deles, mas poderemos entender o papel de cada um”, comemorou.

Fonte: R7
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CIÊNCIAS: FRAGMENTOS DE TEXTO BÍBLICO, UM ESQUELETO DE 6 MIL ANOS E OUTROS ARTEFATOS FORAM ENCONTRADOS EM CAVERNAS NO MAR MORTO

A descoberta de fragmentos de texto bíblico em caverna no Mar Morto por arqueólogos israelitas é o destaque, aqui na coluna CIÊNCIAS desta quinta-feira. Pesquisadores conseguiram reconstituir parte de texto bíblico e ainda descobriram um esqueleto com 6 mil anos. Leia o artigo completo a seguir e conheça os detalhes desta incrível descoberta!

Arqueólogos israelitas encontram fragmentos de texto bíblico em caverna

Pesquisadores conseguiram reconstruir cerca de onze linhas do pergaminho. Outros artefatos da época e um esqueleto de 6.000 anos atrás também foram descobertos

Jack Guy, da CNN
16 de março de 2021 às 15:56
Fragmentos encontrados são os primeiros pedaços de texto bíblicoFoto: Shai Halevi/Israel Antiquities Authority

Dezenas de fragmentos do texto bíblico Manuscritos do Mar Morto foram encontrados por arqueólogos no deserto da Judéia, de acordo um comunicado do governo israelense divulgado nesta terça-feira (16).

Os fragmentos são os primeiros pedaços do Manuscritos do Mar Morto, recuperados de uma caverna onde rebeldes judeus se esconderam contra o Império Romano há 1.900 anos. A última descoberta havia sido feita há 60 anos.

Os pedaços de pergaminho estão escritos em grego e contêm versículos dos livros dos profetas Zacarias e Naum.

Os arqueólogos têm trabalhado nas cavernas e falésias do Deserto da Judéia desde 2017 como parte de uma “operação nacional que visa impedir o saque de antiguidades”.

As equipes também encontraram o esqueleto de uma criança de 6.000 anos atrás, moedas raras e uma cesta completa com mantimentos que pode ser a mais velha do mundo, que pode ter mais de 10.500 anos.

Descobertos há 70 anos em cavernas ao redor de Qumran, os Manuscritos do Mar Morto estão entre os achados mais significativos da arqueologia, contendo as versões mais antigas da Bíblia Hebraica e outros textos judaicos que datam da época de Jesus.

A maioria dos rolos é mantida no Santuário do Livro, parte do Museu de Israel em Jerusalém.

Os últimos fragmentos de pergaminho foram encontrados na Caverna do Horror, que fica a cerca de 80 metros abaixo do topo de um penhasco no Deserto da Judéia, cujo único acesso é por meio de um rapel.

Pesquisadores trabalham dentro de caverno no deserto da Judeia Pesquisadores trabalham dentro da Caverna do Horror, no deserto da Judéia Foto: Eitan Klein/Israel Antiquities Authority

Desde que os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos há mais de 70 anos, a área atraiu a atenção dos saqueadores principalmente pela região ter excelentes condições climáticas, o que significa que pergaminhos e documentos antigos ficam excepcionalmente bem preservados.

“O objetivo desta iniciativa nacional é resgatar esses raros e importantes bens patrimoniais das garras dos ladrões”, disse Israel Hasson, diretor da Autoridade de Antiguidades de Israel, que pediu mais recursos para concluir a operação de recuperação.

“Devemos garantir que recuperemos todos os dados que ainda não foram descobertos nas cavernas, antes que os ladrões o façam. Algumas coisas não têm valor”, ressaltou Hasson.

Hananya Hizmi, chefe da equipe do Departamento de Arqueologia da Administração Civil da Cisjordânia, disse que este foi “um momento emocionante” e que os resultados da operação colocam um holofote sobre a história da região.

“Os achados atestam um estilo de vida rico, diversificado e complexo, bem como as duras condições climáticas que prevaleciam na região há centenas e milhares de anos”, disse Hizmi.

Desde outubro de 2017, as equipes pesquisaram 80 quilômetros de cavernas do deserto, muitas das quais são praticamente inacessíveis, segundo o comunicado à imprensa.

Onze linhas de texto foram reconstruídas, incluindo partes de uma tradução grega de Zacarias 8: 16-17. Em outro fragmento, versos de Naum 1: 5-6 foram identificados.

Esqueleto de 6.000 anos atrás preservado

Os arqueólogos também descobriram um esqueleto parcialmente mumificado de uma criança de 6 a 12 anos, enterrado em uma cova rasa sob duas pedras planas e envolto em um pano, que data 6.000 anos atrás.

“Era óbvio que quem enterrou a criança a envolveu e empurrou as pontas do pano por baixo dele, assim como um pai cobre seu filho com um cobertor”, disse Ronit Lupu, arqueólogo da Autoridade de Antiguidades de Israel.

“O esqueleto da criança e o envoltório de tecido estavam notavelmente bem preservados e por causa das condições climáticas na caverna, um processo de mumificação natural ocorreu; a pele, tendões e até mesmo o cabelo foram parcialmente preservados, apesar do passar do tempo.

“Séculos de clima quente e seco significam que a grande cesta, com capacidade para 90-100 litros e feita de material vegetal, pode fornecer uma nova visão sobre como os produtos eram armazenados cerca de 1.000 anos antes da invenção da cerâmica”, explicou o comunicado.

(Esse texto é uma tradução. Para ler a versão original, em inglês, clique aqui)

Fonte: CNN

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