TAXA DE INFLAÇÃO ANUAL DO CANADÁ ACELEROU REGISTRANDO MAIOR ALTA EM 40 ANOS

Inflação no Canadá atinge maior alta em 40 anos

O preço da gasolina foi o grande vilão

Nas bombas, o combustível ficou 12% mais caro para os canadenses

Nas bombas, o combustível ficou 12% mais caro para os canadenses | Foto: Reprodução/Unsplash

A taxa de inflação anual do Canadá acelerou para 7,7% em maio, registrando a maior alta desde janeiro de 1983. O índice foi divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas do país nesta quarta-feira, 22.

No mês passado, a elevação da inflação ocorreu, em grande parte, por causa do preço mais alto da gasolina, que subiu 12% em maio. Segundo a divulgação, isso foi em decorrência da alta do petróleo, resultado da incerteza da oferta em meio à invasão da Ucrânia, bem como a maior demanda pelo combustível.

Serviços, como hotéis e restaurantes, também contribuíram para a elevação do índice, com as acomodações 40% mais caras. Os custos com a energia elétrica também subiram, chegando a 35% em maio na comparação anual.

Os preços dos alimentos permaneceram elevados em maio, com o valor médio quase 10% maior. Com esse cenário, os canadenses relataram que os produtos alimentícios foram os que mais pesaram no custo de vida das famílias. As interrupções na cadeia de suprimentos, os custos mais altos de transporte e insumos, continuaram pressionando a inflação no Canadá.

Continuar lendo TAXA DE INFLAÇÃO ANUAL DO CANADÁ ACELEROU REGISTRANDO MAIOR ALTA EM 40 ANOS

SEGUNDO DADOS DO DESTATIS, ALEMANHA REGISTRA EM MAIO NÍVEL MAIS ALTO DE INFLAÇÃO EM QUASE 50 ANOS

Inflação na Alemanha registra em maio nível mais alto em quase 50 anos

Centro de Estatísticas destacou os preços de energia

Conflito entre Ucrânia e Rússia contribuiu para a situação econômica negativa da Alemanha

Conflito entre Ucrânia e Rússia contribuiu para a situação econômica negativa da Alemanha | Foto: RalfWieckhorst/ Pixabay

O instituto de estatísticas Destatis informou nesta segunda-feira, 30, que a inflação na Alemanha em maio foi de quase 8%. Trata-se do nível mais alto registrado desde dezembro de 1973, observou o Destatis. No mês anterior, o crescimento do índice de preços ao consumidor foi de pouco mais de 7%.

Em nota, o instituto comunicou que os preços de energia impactaram a alta da inflação na Alemanha por causa da invasão russa à Ucrânia — na relação anual, subiram cerca de 40% em maio deste ano. O Destatis observou que o conflito entre os dois países somou-se aos “efeitos sobre os preços das cadeias de abastecimento perturbadas em resultado da pandemia de covid-19”.

Alta da inflação na Alemanha se repete em outros países

A inflação na Argentina chegou a quase 60% em abril, informou o Instituto de Estatística e Censos (Indec). Trata-se do maior avanço da inflação em 12 meses desde janeiro de 1992, sob o governo do então presidente, Carlos Menem.

No quarto mês do ano, os preços aumentaram 6% em relação a março, queda de quase 1 ponto porcentual na comparação com o valor do mês anterior, quando ocorreu o maior aumento mensal dos últimos 20 anos (quase 7%).

Departamento do Trabalho dos Estados Unidos informou que a inflação nos EUA em 12 meses está em pouco mais de 8%. Em abril, o índice de preços ao consumidor teve alta de 0,3% — no mês anterior, 1,2%.

“Aumentos nos índices de moradia, alimentação, passagens aéreas e veículos novos foram os maiores contribuintes para a elevação de todos os itens com ajuste sazonal”, registrou a pasta, em um relatório. “O índice de alimentos subiu 0,9% no mês, enquanto o índice de alimentação em casa subiu 1%.”

No Brasil, no acumulado em 12 meses até abril, o Índice de Preços ao Consumidor chegou a quase 12,15% no acúmulo dos últimos 12 meses, maior alta em 19 anos.

Fonte: R7

Continuar lendo SEGUNDO DADOS DO DESTATIS, ALEMANHA REGISTRA EM MAIO NÍVEL MAIS ALTO DE INFLAÇÃO EM QUASE 50 ANOS

SEGUNDO DADOS DO IPC, INFLAÇÃO NO REINO UNIDO É A MAIOR EM 40 ANOS

Reino Unido tem a maior inflação em 40 anos

O índice foi impulsionado pelo aumento nos preços da energia elétrica e do gás

O valor no Reino Unido ficou na média projetada pelos economistas

O valor no Reino Unido ficou na média projetada pelos economistas | Foto: Divulgação

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) — que mede a inflação no Reino Unido — disparou a 9% em ritmo anual em abril, um recorde em 40 anos, segundo dados publicados nesta quarta-feira, 18, pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS).

Em março, a inflação nos 12 meses anteriores foi de 7%. Em uma base mensal, o IPC subiu 2,5% em abril deste ano. No mesmo mês de 2021, o aumento foi de 0,6%.

“A inflação de abril foi impulsionada por um aumento brusco nos preços da energia elétrica e do gás”, disse Grant Fitzner, economista-chefe do ONS.

A alta no mês passado também foi puxada pela escalada do custo de alimentação e transporte. Fitzner destacou que foram registrados ainda “aumentos acentuados” nos preços dos metais, dos produtos químicos e do petróleo bruto.

Em comunicado, o ministro das Finanças britânico, Rishi Sunak, declarou que “países ao redor do mundo enfrentam uma inflação crescente” e que o índice no Reino Unido é impulsionado pelos preços nos mercados mundiais.

“Não podemos proteger a população por completo dos desafios globais, mas estamos proporcionando um apoio significativo onde podemos, e estamos dispostos a fazer mais”, disse.

Continuar lendo SEGUNDO DADOS DO IPC, INFLAÇÃO NO REINO UNIDO É A MAIOR EM 40 ANOS

SEGUNDO INDEC, A INFLAÇÃO NA ARGENTINA CHEGOU A QUASE 60% EM ABRIL

Inflação na Argentina alcança maior patamar em 30 anos

Dados de abril sinalizam que a alta dos preços deve ultrapassar 65% no fim do ano, conforme prevê o Banco Central

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, e a vice-presidente Cristina Kirchner, ao tomarem posse do governo do país - 10/12/2019 | Foto: Charly Diaz Azcue/Senado da Argentina

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, e a vice-presidente Cristina Kirchner, ao tomarem posse do governo do país – 10/12/2019 | Foto: Charly Diaz Azcue/Senado da Argentina

A inflação na Argentina chegou a quase 60% em abril, informou o Instituto de Estatística e Censos (Indec). Trata-se do maior avanço da inflação em 12 meses desde janeiro de 1992, sob o governo do então presidente Carlos Menem.

No quarto mês do ano, os preços aumentaram 6% em relação a março, queda de quase 1 ponto porcentual em relação ao registrado do mês anterior, quando ocorreu o maior aumento mensal dos últimos 20 anos (quase 7%).

Os dados sinalizam que as projeções do Banco Central do país estão corretas. A autoridade monetária estima que a inflação na Argentina no fim deste ano deve ultrapassar 65%. A meta do governo está entre 40% e 50%.

Em março, o presidente do país, Alberto Fernández, fechou um acordo com o Fundo Monetário Internacional para renegociar uma dívida de mais de US$ 40 bilhões. Uma das promessas é baixar a inflação da Argentina.

Inflação na Argentina em abril

A alta dos preços foi puxada pelos setores de roupas e calçados (cerca de 10%), restaurantes e hotéis (pouco mais de 7%), saúde (quase 6,5%) e comidas e bebidas (quase 6%). Pelo segundo mês consecutivo, a categoria que mais impactou em todas as regiões foi alimentos e bebidas não alcoólicas.

Fonte: R7

Continuar lendo SEGUNDO INDEC, A INFLAÇÃO NA ARGENTINA CHEGOU A QUASE 60% EM ABRIL

SEGUNDO PESQUISA, ALTA NA INFLAÇÃO LEVA RENDA DE BRASILEIRO A PATAMAR DE UMA DÉCADA ATRÁS

Inflação alta leva renda do brasileiro à patamar de dez anos atrás, mostra Pnad

Economistas avaliam que incertezas políticas e econômicas seguram a ampliação do mercado formal, responsável por puxar o crescimento da renda.

Pauline Almeida

da CNN

no Rio de Janeiro

 

Com uma inflação acumulada de 11,3% nos últimos 12 meses, o brasileiro vê sua renda real chegar a R$ 2.548, a menor para um primeiro trimestre do ano desde 2012, ou seja, em uma década.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) de março, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), André Braz, destaca que a inflação vem consumindo o salário dos trabalhadores e a alimentação está entre os principais desafios.

Segundo o IBGE, o rendimento real habitual entre janeiro e março deste ano teve uma alta de 1,5% em relação ao trimestre anterior (outubro a dezembro de 2021).

No entanto, caiu 8,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Das dez categorias usadas pelo IBGE para dividir os trabalhadores por atividades, apenas duas tiveram crescimento na renda real entre o primeiro trimestre deste 2022 e o de 2021: agricultura (+1,8%) e construção, que registrou um aumento médio de R$ 113 (5,8%).

Nesse período, outras sete tiveram redução: comércio e reparação de veículos (-2,8%); transporte, armazenamento e correio (-0,7%); alojamento e alimentação (-5,2%); informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (-4,6%); outros serviços (-3,4%) e serviços domésticos (-0,6%).

As principais quedas em um ano foram registraram na indústria (-7,3%), com uma redução de R$ 198 no rendimento médio, e no grupo da administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais, com uma diminuição de 15,7%, cerca de R$ 671.

Instabilidade barra crescimento do mercado de trabalho

Se o rendimento mostra uma queda em relação aos anos anteriores, ele teve uma leve reação no comparativo com o trimestre encerrado entre outubro e dezembro.

Neste caso, dos dez grupos, apenas transporte, armazenamento e correios (-1,1%) e administração pública (-1,6%) registraram redução.

Os principais crescimentos se deram nas categorias de agricultura, com aumento de 6%, cerca de R$ 93, chegando a R$ 1.649; indústria, com alta de 2,9%, chegando a R$ 2.509 (+R$ 71); construção, aumento de R$ 117, com rendimento médio de R$ 2.060 (+6,1%); comércio, uma alta de 3,2% e rendimento de R$ 2.107 (+R$ 65); alojamento e alimentação, aumento de 5,6%, acrescentando R$ 90 e chegando a R$ 1.696); e serviços domésticos, com 3,1% (R$ 30), com um rendimento de R$ 1.008.

Com renda média superior a do trabalho informal (de R$ 1.637), os postos de trabalho formais cresceram 1,1% entre janeiro e março e registraram um aumento também no valor, indo para R$ 2.467.

É esse segmento que costuma puxar a renda para baixo ou para cima.

O pesquisador e economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, do FGV Ibre, avalia que a ampliação das vagas de carteira assinada é contida pelo cenário econômico, com a expectativa de um PIB inferior a 1% neste ano.

“Isso tem a ver com a baixa taxa de crescimento. O trabalho formal é relativamente mais caro, é algo custoso. O empresário faz isso quando ele vê o ambiente mais tranquilo. A incerteza aumentou desde 2015 e não baixou”, pontuou.

O desemprego ficou estável no Brasil, neste primeiro trimestre de 2022, mas ainda são 11,9 milhões de pessoas desocupadas. Já a população ocupada caiu 0,5%, com 93,5 milhões, com 472 mil pessoas a menos do que no trimestre entre outubro e dezembro de 2021.

Barbosa Filho afirma que o mercado de trabalho também tem outros desafios pela frente, que extrapolam o campo econômico.

“Você ainda tem uma turbulência internacional e tem um ano eleitoral que tem tudo para ser polarizado”, colocou.

Fonte: CNN

Continuar lendo SEGUNDO PESQUISA, ALTA NA INFLAÇÃO LEVA RENDA DE BRASILEIRO A PATAMAR DE UMA DÉCADA ATRÁS

PARA DRIBLAR A PERDA DE PODER AQUISITIVO O CONSUMIDOR ESTÁ APOSTANDO NAS LEMBRAMCINHAS COMO BARRAS DE BOMBONS PARA PÁSCOA

Inflação deixa chocolate mais caro e incentiva troca de ovos por bombons

Segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), vendas para a Páscoa devem ser de R$ 2,16 bi neste ano

Wesley Gonsalves,

com colaboração de Bruno Villas Bôas,

do Rio, do Estadão Conteúdo

Comércio de ovos de Páscoa na Semana SantaComércio de ovos de Páscoa na Semana Santa Fabio Rodrigues Pozzebom

A inflação dos alimentos também vai dar as caras na Páscoa. Com a elevação do valor do cacau neste ano e com a alta dos custos operacionais – reflexo de fatores como o reajuste de combustíveis -, os ovos de chocolate estarão até 8,5% mais caros nos supermercados e chocolaterias. Para driblar a perda de poder aquisitivo do consumidor e garantir as vendas na primeira Páscoa não afetada pela pandemia desde 2020, as marcas estão apostando nas “lembrancinhas”, como as barras e bombons.

Segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as vendas para a Páscoa devem ser de R$ 2,16 bilhões neste ano. Se confirmado, o desempenho será 1,9% superior ao de 2020, já descontada a inflação do período.

Além de pagar mais caro, quem não está disposto a abrir mão dos ovos de Páscoa vai ter que pesquisar antes de comprar. Levantamento feito pelo CNC, a pedido do Estadão, mostra a variação de preços dos produtos. Dependendo do estabelecimento, um mesmo ovo de chocolate pode custar até 181% a mais. A análise considera os cinco itens mais procurados pelos consumidores. “É mais um reflexo da inflação, que desorienta os preços e deixa o consumidor sem uma base de comparação”, explica o economista- chefe do CNC, Fábio Bentes.

Estratégia

De olho no orçamento restrito da clientela, a Cacau Show desenvolveu para a data uma lista de opções para todos os bolsos. Para atender às lojas próprias e franquias, a companhia aumentou em 24% a produção de chocolates em relação a 2021 e espera crescer 60% em faturamento, segundo o fundador e presidente da marca, Alexandre Costa. “Hoje temos produtos na marca com os mesmos preços que são praticados nos supermercados, mas com outra experiência de compra”, afirma.

Mesmo com um público menos sensível à inflação, a marca de luxo Dengo também preferiu pensar a Páscoa com opções mais baratas, como barras e bombons. Dentro do setor de chocolates premium, a companhia espera crescer em faturamento na primeira Páscoa com lojas funcionando sem restrições por causa da pandemia. “Temos visto cada vez menos interesse pelos ovos. As pessoas estão mais preocupadas com a qualidade do chocolate”, diz o presidente da Dengo, Estevan Sartoreli.

De acordo com Sérgio Molinari, fundador da consultoria Food Consulting, apesar de os ovos de chocolate terem um valor agregado muito superior ao de barras e bombons, essa mudança de estratégia das companhias, que vem se intensificando nos últimos anos, pode significar uma redução das perdas com encalhes, já que os ovos são um produto sazonal e podem ter de ser vendidos a preço de custo posteriormente para evitar que estraguem. “Essa mudança pode ser boa para a indústria, pois mantém o prazo de comercialização do produto, aumenta o tempo de prateleira e a chance de venda.”

Físico x digital

Apesar da alta de preços e da menor propensão das famílias ao consumo, a Americanas ainda aposta no símbolo maior da data: espera vender 10 milhões de ovos na Páscoa deste ano, 20% a mais que no ano anterior. Para alcançar esse resultado, a companhia aposta na combinação das operações com a B2W Digital, que vai permitir expandir a ampliação do uso da plataforma digital para vender produtos.

Quem também quer surfar no digital é a Lacta. A marca da gigante de alimentos Mondelez relançou seu site de vendas e preparou um esquema de entregas com lojas físicas parceiras. Segundo o diretor de vendas da Mondelez no Brasil, Álvaro Garcia, por causa da redução no valor médio das compras, além das tradicionais parreiras de ovos, a empresa optou por trazer, pela primeira vez na Páscoa, espaços de destaque para os produtos de menor valor, como bombons soltos e barras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Continuar lendo PARA DRIBLAR A PERDA DE PODER AQUISITIVO O CONSUMIDOR ESTÁ APOSTANDO NAS LEMBRAMCINHAS COMO BARRAS DE BOMBONS PARA PÁSCOA

ECONOMIA: O FED E O BCE PERDERAM O PROTAGONISMO SOBRE O RUMO DA ECONOMIA MUNDIAL

O artigo que publicamos hoje na nossa coluna ECONOMIA é, talvez, o mais importante dos últimos tempos, pois se reporta a verdadeira situação atual da economia mundial e da capacidade de articulação e poder do FED, banco central americano em influenciar a economia de mercado mundial, algo que que sempre foi de uma amplitude extrema, mas que agora está bastante limitada diante da realidade atual depois da pandemia da Covid. Dai a importância da leitura do artigo a seguir e com toda a atenção.

A regra mudou: com a maior carestia em 40 anos, o Fed e o BCE estão encurralados

Eles sempre se preocuparam em salvar a Bolsa – mas agora é diferente

A taxa de inflação de preços nos EUA renovou sua máxima e alcançou o maior valor em quarenta anos.

Segundo dados publicados hoje (quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022) pelo Bureau of Labor Statistics, o índice de preços ao consumidor (CPI – Consumer Price Índex) acumulado nos últimos 12 meses foi de 7,5%.

A última vez em que ele esteve tão alto assim foi em fevereiro de 1982, quando a taxa foi de 7,6%.

inflamaer.pngGráfico 1: evolução da taxa de inflação de preços ao consumidor americano (acumulado em 12 meses)

Na zona do euro, por sua vez, a carestia também está vigorosa.

Embora, oficialmente, a taxa de inflação aos consumidores esteja em 5,1%, que é o maior valor da história do euro, a taxa de inflação de preços aos produtores— ou seja, os preços que os produtores pagam em suas matérias-primas para fabricar bens — está em fulminante ascensão.

inflaeuro.pngGráfico 2: evolução da taxa de inflação de preços ao produtor na zona do euro (acumulado em 12 meses)

Para se ter uma ideia do que representa este valor de 26%, a taxa de inflação de preços ao produtor no Brasil está 28%. Brasil e Europa estão praticamente empatados.

Ou seja, não há mais espaço para o discurso de que a inflação é “transitória” e que não há motivos para preocupação.

A questão é: o que o Fed e o Banco Central Europeu irão fazer? Isso terá consequências para o resto do mundo.

O histórico recente

Em 1989, estourou a maior bolha financeira de todos os tempos: da Bolsa e dos imóveis japoneses.

Após uma década de estímulos monetários, os preços de imóveis alcançaram a estratosfera. Os Jardins Imperiais, no centro de Tóquio, (apenas 1 km²), valiam mais que todos os imóveis da Califórnia juntos. O índice Nikkei, da Bolsa japonesa, jamais se recuperou e ainda está 30% abaixo do pico de 1989.

Nikkei.pngGráfico 3: evolução do índice Nikkei, da Bolsa de Valores do Japão

O estouro foi arrasador para a poupança dos japoneses e para a economia.

Recordo-me de apenas um investidor que navegou bem a bolha: ele identificou uma companhia aérea japonesa com patrimônio líquido negativo (ou seja, a contabilidade indicava mais dívidas do que bens). Mas a companhia detinha um imóvel no centro de Tóquio, cujo valor de mercado era muitas vezes superior ao valor contábil. O investidor comprou a companhia, em seguida vendeu o imóvel, saldou as dívidas e embolsou uma bolada.

Assustado com o cenário devastador, o Banco do Japão concebeu instrumentos não-convencionais que foram copiados pelos demais Bancos Centrais após a crise de 2008 e intensificados com a pandemia.

Com efeito, virou regra: sempre que há uma turbulência, os Bancos Centrais mundiais copiam a política monetária do Banco Central do Japão (BoJ).

Junto com o BoJ, o Federal Reserve (o Banco Central americano) foi também pioneiro nesta política, embora tenha começado bem mais comedido.

Mais especificamente, desde 1987, a cada queda relevante da Bolsa e a cada recessão, o Fed sempre pôs em marcha a seguinte receita: reduzir juros, expandir a base monetária e, com isso, inundar os bancos com dinheiro recém-criado na esperança de que eles emprestarão, comprarão ativos, e manterão estes ativos valorizados.

Essa receita de socorro automático ficou conhecida como o “Fed put”, ou “seguro do Fed”, uma espécie de licença para comprar Bolsa e outros ativos sem risco de perdas. O longo histórico de socorro condicionou os investidores e bancos a presumir que “na próxima crise, o Fed novamente socorrerá a Bolsa e a economia”.

E, com efeito, por reiteradas vezes o dinheiro novo animou a Bolsa e provocou gastos a curto prazo, mas não aboliu o ciclo econômico nem inibiu crises financeiras.

Isso ocorreu em 1987, 1991, 2001, 2008-2015 e agora em 2020.

socorro de 1987 estimulou a carestia que fez o Fed elevar os juros em 1989 e provocar a recessão de 1990.

A expansão monetária da década de 1990 gerou a bolha das ações de internet (pontocom) que estourou em 2000, quando o Fed estava novamente elevando os juros para conter a carestia.

O estouro das pontocom em conjunto com os ataques de 11 de setembro fizeram com que o Fed voltasse a expandir a oferta monetária na década de 2000, o que gerou a bolha imobiliária e um forte (para os padrões americanos) aumento dos preços ao consumidor. O aumento da taxa básica de juros (de 1% para 5,25%) culminou na crise financeira de 2008.

Uma nova e inédita política de afrouxamento monetária é então implantada e dura até o fim de 2015, quando o Fed volta a elevar, timidamente, a taxa básica de juros.

Em todos estes episódios, sempre que o mercado de ações americano dava um soluço, o Fed interrompia e até mesmo revertia seu ciclo de subida de juros.

O exemplo mais recente, antes da Covid-19, havia sido em janeiro de 2019: após uma queda de 9% na bolsa em dezembro de 2018, e mais uma queda de 3,5% no início de janeiro de 2019, o Fed se apressou em vir a público para anunciar que “seria mais paciente” na elevação dos juros. Dali em diante, ele não mais fez elevação nenhuma.

E então veio a Covid-19 e o resultado é o atual.

Mas a novidade é que, ao contrário das outras marretadas nos juros, agora a inflação de preços está muito mais acentuada — mesmo porque o volume de injeção monetária na economia foi sem precedentes.

Isto coloca o Fed em uma sinuca de bico: ele vai se preocupar em combater a carestia e ignorar o mercado de ações, ou vai proteger o mercado de ações e ignorar a carestia?

Por que o Fed não pode se dar ao luxo de ignorar o preço dos ativos

Há vários motivos políticos e econômicos de o Fed não querer que o valor dos ativos — majoritariamente ações e imóveis — caiam. Mas dois se sobressaem.

O primeiro é que a maioria dos americanos assalariados tem os seus famosos planos 401(k), que são suas previdências investidas em bolsa de valores. Uma queda na bolsa empobrece contabilmente dezenas de milhões de americanos.

O segundo motivo, e este é menos discutido mas é igualmente importante, é que tanto os americanos quanto o mundo estão altamente alavancados: ou seja, endividaram-se para investir e obter ganhos bastante acima do valor da dívida.

Quem está alavancado tem de utilizar colateral (garantia para o empréstimo). E este colateral normalmente são imóveis e ações, ambos ativos totalmente sensíveis às taxas de juros.

Se este colateral se desvalorizar, então a alavancagem se torna  literalmente impagável, e o alavancado se torna contabilmente falido.

Se você utiliza um imóvel como garantia para uma dívida, e o valor deste imóvel desaba, você se torna insolvente. Você terá de liquidar outros ativos, normalmente ações. Igualmente, uma queda nas ações irá tornar contabilmente falidos investidores que utilizam ações como colateral para operar alavancados na bolsa e com isso obter retornos acima da média (uma prática comum em ambiente de juros baixos ou juros reais negativos).

Este, portanto, é o grande tormento do Fed. Ele não pode permitir grandes quedas no valor de imóveis e de ações, pois há um efeito-cascata imprevisível e com alto potencial destrutivo.

Logo, se o Fed pressentir que o colateral de americanos e do mundo (que utiliza ativos americanos) pode ficar em risco em decorrência de eventuais elevações nos juros, ele dificilmente incorrerá nesta política. Entre uma carestia maior, mas com ativos mantendo seu valor nominal, e uma carestia menor, mas com ativos perdendo valor nominal (e falindo milhões de pessoas alavancadas, bem como aposentados e pessoas visando à aposentadoria), ele tende a optar pelo primeiro cenário.

O Banco Central Europeu, não é diferente – mas é pior

Proteger os preços dos ativos não é preocupação exclusiva do Fed. Além do já mencionado Banco Central do Japão, o Banco Central Europeu (BCE) também segue a mesma linha.

O mercado financeiro obviamente já entendeu que os propósitos não-oficiais dos principais Bancos Centrais mundiais têm sido a) sustentar os preços de ativos (principalmente ações e imóveis), b) atenuar (ou tentar extinguir) o ciclo econômico, c) financiar os déficits dos respectivos governos.

Com as maciças — e até então inéditas em volume — injeções monetárias para combater a pandemia, ocorreu uma raríssima sincronização do ciclo econômico no mundo. A inflação de preços agora sobe simultaneamente em quase todos os países, até no Japão. Quase todos os bancos centrais já iniciaram ou anunciaram que irão iniciar altas de juros.

A notável exceção é o Banco Central Europeu, que tem combatido a inflação de preços apenas com retórica vazia. No ano passado, abandonou a histórica meta de inflação, “abaixo de 2%”, e adotou meta de inflação “próxima a 2%” (pode flutuar acima por longo período). A nova atitude “pombinha” (“dovish”) do BCE de Christine Lagarde jogou a inflação para mais de 5%, ao passo que a inflação no atacado, como visto no início deste artigo, tem rodado acima de 25%.

A sinuca de bico do BCE é real. Uma eventual alta dos juros pode elevar em demasia o custo de captação dos governos da Itália (cujos juros de 10 anos subiram de 0,5% para 2%) e da Grécia (que subiram de 0,5% para 2,5%), criando uma situação parecida com a crise existencial do euro de dez anos atrás.

Mas, caso o BCE siga financiando déficits da Itália e da Grécia e praticando juros zero, a espiral inflacionária preços-salários-preços entrará em ação.

Para concluir

Hoje, a Bolsa americana está borbulhante, com ganância e euforia em retroalimentação. Parte da explicação tem a ver com a “TINA, expressão da Margaret Thatcher, “There Is No Alternative”. Ela se referia à economia de mercado, o melhor e único sistema que funciona. A analogia é que, como a renda fixa não paga nada, não parece haver outra opção do que colocar na “tina” da Bolsa.

Porém, se o Fed optar pelo combate inequívoco à inflação e eventualmente indicar uma trajetória de normalização dos juros (a níveis acima da inflação), a Bolsa poderá despencar, a ganância se tornar pavor, e aquele efeito cascata sobre a alavancagem gerar estragos.

Nem investidores, nem bancos, nem gestores, nem os demais países anseiam por essa alternativa. Também não aplaudiram inicialmente quando Paul Volcker acertadamente partiu para cima da carestia aumentando os juros em 1981, o que propiciou a volta da estabilidade e décadas de lucros nos mercados.

O grau de liberdade do Fed desapareceu. O do BCE também. A opção das injeções monetárias não-inflacionárias expirou. A regra do jogo mudou, e os investidores — inclusive os brasileiros — precisam reler o manual para evitar as perdas.

Fonte: Mises Brasil

Continuar lendo ECONOMIA: O FED E O BCE PERDERAM O PROTAGONISMO SOBRE O RUMO DA ECONOMIA MUNDIAL

ECONOMIA: O QUE O FED IRÁ FAZER DIANTE DE UM CENÁRIO OBSCURO NA ECONOMIA AMERICANA?

Um fato quase inédito, que não acontecia na economia dos Estados Unidos há, pelo menos, 40 anos volta a acontecer como consequência da pandemia de Covid-19. Com uma inflação de preços se aproximando da faixa dos dois dígitos rapidamente, uma taxa de desemprego de 3,9%, “aparentemente” positiva e os salários em queda, o país caminha para uma recessão. Leia o artigo completo a seguir e saiba o porquê disso!

Inflação de preços nos EUA é a maior desde 1982. E os salários reais estão em queda

O que o Fed irá fazer?

A inflação de preços nos EUA atingiu o maior valor em quase quarenta anos.

Segundo dados publicados ontem (quarta-feira, 12 de janeiro de 2022) pelo Bureau of Labor Statistics, o índice de preços ao consumidor (CPI – Consumer Price Índex) acumulado em 2021 foi de 7,1%.

A última vez em que ele esteve tão alto assim foi em junho de 1982, quando a taxa foi de 7,2%.

graf1.png

Gráfico 1: evolução da taxa de inflação de preços ao consumidor americano (acumulado em 12 meses)

Este acentuado aumento na inflação de preços provavelmente irá aumentar a pressão política para que o presidente do Federal Reserve (o Banco Central americano) Jerome Poweel “faça alguma coisa” sobre isso.

Após meses insistindo que a inflação de preços seria “transitória” e que não havia motivos para preocupação, ficou claro, já em outubro de 2021, que a inflação de preços estava alcançando os piores níveis em décadas.

Desde então, o Fed fez uma alteração drástica no tom de seus pronunciamento, com Powell, nesta semana, dizendo que a inflação se tornou “uma ameaça severa“, e ainda reiterando que o Fed planeja elevar a taxa básica de juros bem mais cedo do que se imaginava:

À medida que o ano [de 2022] vá avançando … se as coisas progredirem como o esperado, iremos normalizar a política monetária, o que significa que, em março, iremos abolir o programa de compra de ativos, o que também significa que iremos elevar os juros ao longo do ano.

Observem a condicional “se as coisas progredirem como o esperado”. Naturalmente, o planejado aperto monetário irá depender fortemente dos indicadores econômicos do próprio Fed. Mais especificamente, irá depender de se a economia está crescendo e se a bolsa de valores está subindo.

Queda da renda real

Para muitos americanos, porém, as notícias já são ruins, e a carestia está subtraindo o poder de compra dos trabalhadores. Os números de dezembro mostram que a inflação de preços já superou os ganhos salariais. Em 2021, o salário médio aumentou 4,7% em termos nominais. Mas com a inflação de preços subindo 7,1%, os salários reais caíram.

O gráfico abaixo mostra esta evolução. A linha azul representa a evolução da taxa de inflação de preços. A linha cinza mostra a evolução dos ganhos salariais nominais. A partir de 2021, a inflação passa a subir mais que os salários.

graf2.png

Gráfico 2: evolução da taxa de inflação de preços (linha azul) versus evolução dos ganhos salariais nominais (linha cinza). Fonte: BLS, tabela B-3. Ganhos por hora e semanais de todos os empregados do setor privado não-agrícolaConsumer Price Index 

Analisando esta diferença, pode-se constatar que os salários reais estão caindo há pelo menos oito meses, com a queda chegando a 2,3% em dezembro de 2021 em relação a dezembro de 2020.

Além da inflação de preços, a inflação de ativos também continua sendo um problema para os consumidores. Por exemplo, de acordo com a Federal Housing and Finance Agency, os preços dos imóveis estão em forte ascensão, tendo encarecido 16,4% em 2021. Trata-se do maior aumento da série histórica (iniciada em 1975), e muito maior do que os aumentos registrados no período 2004 a 2007, ápice da bolha imobiliária.

Empregos e estímulos

A taxa de desemprego em 3,9% parece positiva, mas a criação de empregos foi significativamente abaixo do consenso: foi de 199 mil em dezembro versus um consenso de 450 mil.

Este número fraco tem de ser visto dentro de seu real contexto: o maior plano de estímulo fiscal e monetário da história recente. Com a oferta monetária tendo aumentado 40% desde janeiro de 2020, e com o governo tendo um déficit de US$ 2,77 trilhões (espantosos 15% do PIB, o maior da história), a criação de empregos ficou muito aquém da ocorrida em outros episódios de recuperações, e a situação do emprego está significativamente pior do que estava em 2019.

O número de pessoas que não estão na força de trabalho, mas que querem um emprego, não mudou em dezembro. Foi de 5,7 milhões. Isso representa 717 mil pessoas a mais do que em fevereiro de 2020.

O total dos que estão desempregados há muito tempo (aqueles que estão sem emprego há 27 semanas ou mais) permaneceu em 2 milhões em dezembro de 2021. Isso são 887 mil pessoas a mais que em fevereiro de 2020. Estes desempregados representam 31,7% do total de desempregados, de acordo com o BLS (Bureau of Labor Statistics).

A taxa de participação da força de trabalho — que é a razão entre o número total de pessoas economicamente ativas (empregadas e desempregadas) e o número total de pessoas aptas a trabalhar — ficou em 61,9% em dezembro, estagnada há quase doze meses. E 1,5 ponto percentual menor que em fevereiro de 2020.

Finalmente, a razão entre empregados e população total ficou em 59,5%, o que dá 1,7 ponto percentual abaixo do nível de fevereiro de 2020.

Se colocarmos todos estes números dentro do contexto de um maciço estímulo de US$ 3 trilhões, a evidência é cristalina. A gastança e a impressão monetária desenfreadas não trouxeram melhorias. Todos os empregos recuperados vieram simplesmente da reabertura da economia. Eles viriam de qualquer jeito. O plano de estímulos não apenas não acelerou a criação de emprego, como, ao contrário, reduziu.

Com as pessoas desempregadas recebendo 300 dólares por semana para ficar em casa, as empresas passaram a ter dificuldades para contratar pessoas. A situação se tornou tão bizarra que o McDonald’s passou a pagar 50 dólares apenas para a pessoa comparecer para uma entrevista de emprego.

Como bem apontou o The Wall Street Journal, ainda antes da pandemia, empresas americanas já estavam reclamando de uma escassez de mão-de-obra qualificada para a indústria e para os setores mais tecnológicos, o que estava afetando a competitividade americana. Na atual situação, ficou ainda mais difícil para essas empresas encontrarem pessoas para operar fábricas de semi-condutores e desenvolver tecnologias de ponta.

Ou seja: a recuperação teria sido mais robusta sem estes estímulos.

Pior: os estímulos serviram apenas para gerar carestia e reduzir os salários reais.

Se a força de trabalho está estagnada e os salários reais estão caindo em meio à maior expansão monetária, ao maior pacote fiscal e ao maior déficit da história do governo americano, a conclusão inevitável é de que estes estímulos não foram particularmente exitosos.

Em específico, o número inédito de pessoas abandonando o emprego é evidência de um mercado de trabalho disfuncional, no qual centenas de milhares de americanos não querem trabalhar porque os custos superam os salários. Isto não é um sintoma de economia robusta; é um sintoma de um efeito realmente preocupante e deletério da inflação.

Por tudo isso, apesar da taxa de desemprego estar em 3,9%, o fato é que os EUA não estão nem próximos de um pleno emprego. A taxa está baixa porque, como demonstrado, a quantidade de pessoas que se retiraram da força trabalho (e que, portanto, não entram nas estatísticas) é alta. Apagar pessoas da lista de desemprego não representa pleno emprego.

Uma inflação persistentemente alta em conjunto com impostos mais altos (que serão necessários para financiar ao menos uma parte do déficit trilionário) significam menos oportunidades de emprego, pois as pequenas e médias empresas — que são as maiores empregadoras do país — têm de lidar com custos de produção maiores e margens de lucro menores.

A sinuca de bico do Fed

Nos últimos 40 anos, a cada queda relevante da Bolsa e a cada recessão, o Fed sempre recorria à mesma receita: socorrer o mercado e a economia, injetando dinheiro nos bancos.

A ideia é que esta impressão monetária fosse despejada na economia — via empréstimos concedidos pelos bancos — e causasse uma injeção de ânimo e de gastos, sustentando a Bolsa e interrompendo a recessão. Com efeito, por reiteradas vezes, o dinheiro novo animou a Bolsa e provocou gastos a curto prazo, mas não aboliu o ciclo econômico nem inibiu crises financeiras.

Só que este longo histórico de socorro condicionou os investidores e bancos a presumir que, na próxima crise, o Fed novamente socorrerá a Bolsa e a economia. Mas a novidade é que, ao contrário das outras ocasiões, agora realmente está havendo inflação de verdade (mesmo porque os estímulos de agora foram sem precedentes).

Logo, o que fará o Fed no atual e inédito cenário?

Se ele optar pelo combate à inflação e eventualmente indicar que haverá uma normalização dos juros — para níveis acima da inflação —, a Bolsa poderá despencar, junto com o PIB. Nem investidores, nem bancos, nem gestores, nem os demais países anseiam por essa alternativa. Também não aplaudiram inicialmente quando Paul Volcker acertadamente aumentou os juros em 1981, o que aniquilou a estagflação da década de 1970 e propiciou a volta da estabilidade e décadas de lucros nos mercados, mas ao alto custo de uma profunda recessão no curto prazo.

Se ele se mantiver no curso atual, tolerando uma inflação de preços mais altas para não apertar a bolsa, os desarranjos econômicos supracitados irão se intensificar, com consequências nada alvissareiras.

O grau de liberdade do Fed desapareceu. A até então “alternativa gratuita” dos estímulos fiscais e monetários não inflacionários expirou. A regra do jogo mudou. Para o mundo todo.

Fonte: Mises Brasil

Continuar lendo ECONOMIA: O QUE O FED IRÁ FAZER DIANTE DE UM CENÁRIO OBSCURO NA ECONOMIA AMERICANA?

RELEMBRE AÇÕES DO GOVERNO FEDERAL SOBRE PANDEMIA, POLÍTICA, ECONOMIA E A RELAÇÃO COM O JUDICIÁRIO

Em 2021, governo avançou com vacina em meio a embates com STF e alta da inflação

Pandemia pautou ações do governo federal durante todo o ano, com presidente obtendo vitórias importantes no Congresso e protagonizando tensão com Judiciário

Katia BrembattiBrayan

para a CNN

Relembre as ações do governo federal sobre pandemia, política, economia e a relação com o JudiciárioRelembre as ações do governo federal sobre pandemia, política, economia e a relação com o JudiciárioClauber Cleber Cetano/PR/Arte CNN

As ações do governo federal em 2021 giraram em torno da pandemia pelo segundo ano consecutivo, desde a corrida pela vacina contra a Covid-19, nova troca de ministro da Saúde, investigações da CPI da Pandemia até a aprovação do Auxílio Brasil para os prejudicados pela crise sanitária.

O ano começou com um dos momentos mais tensos da pandemia, quando Manaus passou pelo esgotamento do estoque de oxigênio medicinal, fato que se mostrou determinante para o fim da gestão de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde e a instalação da CPI da Pandemia.

Acusado de negligência ao lidar com a crise no Amazonas, Pazuello viu a pressão crescer e o presidente Jair Bolsonaro (PL) precisou trocar pela terceira vez o ministro da Saúde. Depois de Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Pazuello, quem assumiu a pasta, que à época contava com o maior orçamento da Esplanada dos Ministérios, foi o então presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga.

O ministro, de perfil técnico, começou sua atuação defendendo o distanciamento social, a utilização de máscaras e a vacinação. Aos poucos, porém, passou a se alinhar mais às ideias do presidente. Um exemplo mais recente foi quando Queiroga afirmou que “é melhor perder a vida do que a liberdade”, em referência ao passaporte da vacina.

A atuação do Executivo no combate à pandemia na pandemia também foi alvo de denúncias de irregularidades. Uma delas foi o contrato com a farmacêutica Pfizer, que buscou contato com o governo federal por mais de 30 vezes durante o ano de 2020 – no entanto, as revelações só vieram à tona em 2021. O memorando para a compra de vacinas da Pfizer foi fechado apenas em dezembro de 2020, 9 meses após o primeiro contato.

Outra tentativa de compra de vacina também foi investigada pela CPI da Pandemia. Segundo o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e o servidor do Ministério da Saúde e irmão do parlamentar, Luis Ricardo Fernandes Miranda, houve irregularidades nas tratativas para a compra da vacina indiana Covaxin. Entre as irregularidades apontadas, estavam ​​desvio de conduta, invoice [nota fiscal] irregular, pedido de pagamento antecipado que o contrato não previa, entre outras. O Palácio do Planalto negou qualquer problema , e o imunizante não chegou a ser adquirido pelo governo.

Todo o rol de ações do Executivo foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado. Com maioria de senadores independentes, a CPI avançou nas investigações e incomodou o Planalto.

Bolsonaro reagiu. Fez diversas lives e discursos aos apoiadores com críticas aos senadores da comissão – os principais alvos foram o presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL). Também realizou um ato político no Rio de Janeiro e discursou sem máscara com personalidades políticas, entre elas Pazuello.

Como militar da ativa, o ex-ministro da Saúde não poderia participar de evento político e, por isso, uma investigação foi aberta pelo Exército. Mas não houve punições, e Pazuello voltou ao Palácio do Planalto, na secretaria de Assuntos Estratégicos.

Apesar de idas e vindas nas diretrizes do governo sobre a vacinação, o país termina o ano com 80% do público-alvo com imunização completa e deve começar a vacinar crianças de 5 a 11 anos em janeiro de 2022.

Ao mesmo tempo, as consequências da CPI da Pandemia ainda podem impactar o presidente no próximo ano. O relatório final, apresentado em outubro, propôs o indiciamento de 78 pessoas, entre elas, Bolsonaro, que foi citado pelo relator por ter supostamente praticado nove crimes. O documento foi entregue ao procurador-geral da União, Augusto Aras, que será responsável por dar andamento ao caso.

Relação com o Congresso

No Legislativo, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), à época no DEM, foi eleito para a presidência do Senado, e Arthur Lira (PP-AL) para o comando da Câmara – a candidatura de ambos era apoiada por Bolsonaro.

As vitórias garantiram um ambiente um pouco mais tranquilo para o presidente, que também se aproximou do Centrão, mirando uma melhor interlocução com o Congresso.

Bolsonaro promoveu onze mudanças no primeiro escalão, entre remanejamentos e criação de ministérios, priorizando deputados e senadores desse grupo partidário.

Foi o caso do deputado João Roma (Republicanos-BA), que assumiu a pasta da Cidadania em fevereiro, e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que foi remanejado duas vezes no ano e agora ocupa a chefia do ministério recriado do Trabalho e Previdência.

Walter Braga Netto e Anderson Torres foram, em março, para a Defesa e Justiça e Segurança Pública, respectivamente. Além de novos ministros para o Meio Ambiente, Casa Civil, entre outros.

A aliança de Bolsonaro com o centrão foi sacramentada pela filiação do presidente ao PL (Partido Liberal) , de Valdemar da Costa Neto, no final de novembro.

Para o cientista político e professor de Direito da Universidade Positivo Francis Ricken, o governo deu “uma guinada na governabilidade” a partir da eleição de Lira, da escolha do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) como líder na Câmara e de Ciro Nogueira para ministro da Casa Civil.

Bolsonaro x Judiciário

Com o Judiciário, o tom foi de embates. O presidente Jair Bolsonaro disse por diversas vezes que, se não houvesse voto impresso, não haveria eleição em 2022. Os discursos mais duros foram direcionados aos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do STF. Moraes conduz inquéritos que afetam ao presidente (como o das fake news), e Barroso é o atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e defensor da urna eletrônica.

Bolsonaro chegou a enviar ao Senado um pedido de impeachment contra o ministro Moraes, afirmando que “não se pode tolerar medidas e decisões excepcionais de um ministro do Supremo Tribunal Federal que, a pretexto de proteger o direito, vem ruindo com os pilares do Estado Democrático de Direito”. O pedido foi rejeitado por Pacheco.

O presidente também cogitou pedir o impeachment contra Barroso, mas acabou desistindo.

A crise institucional atingiu o ápice quando Bolsonaro acompanhou um desfile simbólico da Marinha em frente ao Congresso, no mesmo dia em que se discutia a PEC do voto impresso e, na sequência, incentivou manifestações de seus apoiadores para o Dia da Independência.

No feriado de 7 de Setembro, Bolsonaro fez dois grandes discursos, em Brasília e São Paulo, questionando o STF dizendo que não cumpriria decisões de Alexandre de Moraes.

As falas tiveram respostas imediatas por parte da Suprema Corte e de outros órgãos federais. Na sequência, o presidente ouviu conselhos do seu antecessor, Michel Temer (MDB), e divulgou uma carta amenizando o tom das declarações.

De acordo com os especialistas ouvidos pela CNN, a forma de Bolsonaro lidar com os ministros foi uma estratégia para acenar aos seus apoiadores mais radicais.

“Tem uma porcentagem que parece não variar nas pesquisas. Esses seguidores concordam com cada ato do presidente”, diz Erica Anita Baptista, cientista política e pesquisadora do grupo Opinião Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Para a pesquisadora, a descrença nas instituições democráticas por parte da população ajuda a explicar a postura do presidente.

“As instituições democráticas, como políticos, Congresso, ministros do STF, perderam muito apoio. Bolsonaro pegou isso muito bem. O que ele faz é basicamente se descolar das instituições e se colar ao povo”, afirma.

Ass relações do presidente com o STF podem ganhar uma trégua após a posse, em dezembro, de André Mendonça, ex-advogado-geral da União, como ministro da Corte. Após quatro meses de espera, Mendonça é o segundo indicado de Bolsonaro entre os 11 integrantes do Supremo.

Economia, Precatórios e Auxílio Brasil

A melhora na relação com o Congresso também ajudou Bolsonaro a aprovar o Auxílio Brasil. Com o fim do auxílio emergencial para as camadas da população mais afetadas pelo desemprego gerado pela pandemia, Bolsonaro criou o programa, uma versão modificada do Bolsa Família e que distribui até R$ 400 para famílias mais carentes.

A PEC causou controvérsia porque a forma de financiar o aumento das despesas foi driblar o teto de gastos e retirar dinheiro das ações judiciais com trânsito em julgado e que o governo federal deveria pagar aos processantes em 2022 – a alteração ficou conhecida como PEC dos Precatórios.

Na área econômica, o governo também conseguiu passar no Congresso a capitalização da Eletrobras e organizou temporadas de leilões, como o Infra Week e o Super Infra, que envolveram concessões de aeroportos, portos e ferrovias. Foram 39 ativos leiloados em 2021 pelo Ministério de Infraestrutura, totalizando R$ 6,23 bilhões os valores de outorga.

Além disso, o ano foi marcado pelo aguardado leilão do 5G – a quinta geração de internet para telefonia móvel.

No entanto, a elevação de preços em áreas como a alimentação, os combustíveis e a energia deram dor de cabeça à equipe de Paulo Guedes.

Mas, em 2021, a expectativa não virou realidade: a inflação chegou a bater dois dígitos, o desemprego continuou em alta, o preço dos combustíveis disparou e vários dos funcionários de confiança da pasta pediram demissão.

Para Luciana Caetano, um dos problemas é alinhar os discursos da equipe econômica com as práticas do presidente.

“A inflação no Brasil é de causa estrutural. Ao contrário da inflação de demanda, a estrutural não pode ser corrigida com elevação de taxas de juros, sobretudo, porque o país enfrenta um revezamento entre recessão com estagnação econômica desde 2015. Nesse estágio, uma elevação dos juros tende a piorar as condições para uma desejada recuperação econômica e do emprego”, diz.

A economista ressalta que os problemas para os trabalhadores vão além da falta de oportunidade. “No 1º trimestre de 2021, a taxa de desemprego chegou ao nível mais elevado (14,7%) do século 21 e, ao longo do ano, o avanço da inflação para alguns grupos de produtos ultrapassou 30%. Mas os salários seguem defasados, assim como os benefícios previdenciários. Servidor público está sem reajuste salarial há 3 anos e a economia já acumula, aproximadamente, 20% de inflação oficial (INPC) no mesmo período”, afirma.

Fonte: CNN

Continuar lendo RELEMBRE AÇÕES DO GOVERNO FEDERAL SOBRE PANDEMIA, POLÍTICA, ECONOMIA E A RELAÇÃO COM O JUDICIÁRIO

ECONOMIA: BRASIL VOLTA A SER PAÍS COM MAIOR TAXA DE JUROS DO MUNDO, POR SAMY DANA

A partir deste domingo não teremos mais o RESUMO DA SEMANA. Estamos substituindo essa coluna pela coluna ECONOMIA, para você também se atualizar com tudo que está rolando no mercado brasileiro e mundial e saber como proteger o seu dinheiro e patrimônio. Nesta edição vamos iniciar com Samy Dana comentando sobre um ranking que classificou o Brasil como país com maior taxa de juros do mundo, após a elevação da Selic para 7,75% ao ano. Em contrapartida, Argentina e Estados Unidos são os países com o índice mais baixo. Então fique ligado e atualizado!

 

Fonte:

Continuar lendo ECONOMIA: BRASIL VOLTA A SER PAÍS COM MAIOR TAXA DE JUROS DO MUNDO, POR SAMY DANA

SAIBA COMO FAZER O BOTIJÃO DE GÁS RENDER MAIS EM CASA

Por Patrícia Basilio, g1

 

Botijão de gás passou de R$ 75,29 no final de 2020 a R$ 96,89 no início de outubro — Foto: Reprodução / RBS TVBotijão de gás passou de R$ 75,29 no final de 2020 a R$ 96,89 no início de outubro — Foto: Reprodução / RBS TV

A inflação no Brasil está impactando não só a qualidade das refeições dos brasileiros, mas também a forma como os alimentos estão sendo preparados. Com menor poder de compra, a carne nobre foi substituída por uma opção mais em conta e o gás de cozinha passou a ser menos utilizado.

Desde o início do ano, o preço médio do GLP (gás liquefeito de petróleo), conhecido popularmente como gás de cozinha, aos consumidores subiu quase 30%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP)passando de R$ 75,29 no final de 2020 a R$ 96,89 no início de outubroA alta foi 5 vezes superior à inflação acumulada no período, de 5,67%.

Não à toa, a inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, acelerou de 0,87% em agosto para 1,16% em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi a maior taxa para meses de setembro desde o início do Plano Real, em 1994, quando o índice foi de 1,53%.

Diante do alto gasto com o botijão, o g1 separou sete dicas para economizar no consumo do gás de cozinha, em parceria com o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

1- Cheque o botijão de gás e as mangueiras

Verifique as roscas do botijão de gás e os canos do fogão e forno despejando um pouco de espuma de sabão e observando se há algum vazamento no caso de formação de bolhas de ar.

2- Mantenha as bocas do fogão limpas

Se as chamas estiverem com tons amarelos ou laranjas, é sinal de que as bocas estão sujas ou com mau funcionamento. Com isso, o fogo perde sua potência e acaba gastando mais gás para cozinhar o alimento.

3- Evite a passagem de vento

Feche as janelas enquanto cozinha. O vento diminui a potência das chamas, exigindo mais tempo para que a panela atinja a temperatura ideal.

4- Use bocas do fogão adequadas

Colocar uma panela pequena em uma boca grande é desperdício de gás de cozinha.

5- Tampe as panelas

Panelas tampadas aproveitam mais as chamas e, por isso, cozinham mais rápido, já que o calor não se dissipa para o ar.

6- Corte os alimentos em pedaços

O tempo de uso é determinante para a economia de gás. Por isso, quanto menor o corte do alimento, menos tempo ele levará para ser cozido.

7- Otimize o uso do forno

Tente cozinher pratos diferentes de uma só vez no forno. Um exemplo são o prato principal e a sobremesa.

Continuar lendo SAIBA COMO FAZER O BOTIJÃO DE GÁS RENDER MAIS EM CASA

ANALISTAS RECEIAM QUE ALTA DOS JUROS PODERÁ NÃO TER EFICÁCIA PARA CONTROLAR A INFLAÇÃO

Por Bianca Lima e Luiz Guilherme Gerbelli, GloboNews e G1

 


A alta dos juros pode ser insuficiente para controlar a inflação no Brasil. Sem corrigir os rumos das contas públicas, alguns analistas alertam que o país pode ver a política monetária perder eficácia. Ou até caminhar para um cenário pior: entrar num quadro de dominância fiscal.

A forma tradicional de o Banco Central controlar a inflação é pelo aumento da taxa básica de juros. Na prática, a alta da Selic encarece o custo do crédito para famílias e empresas, o que contribui para ‘esfriar’ a atividade econômica e, consequentemente, a inflação tende a perder força – menos investimentos e menos consumo desincentivam a alta de preços.

Mas o que é a dominância fiscal?

Em um cenário de dominância fiscal, a desordem das contas públicas faz com que a alta dos juros não tenha o efeito esperado – ou seja, a crise fiscal passa a dominar a política econômica do país.

Nesse ciclo perverso, o aumento da Selic não tem o efeito esperado sobre o controle da inflação. Em vez disso, ele eleva o endividamento do país e afugenta os investidores, diante do medo de insolvência – o que provoca a desvalorização do real e, consequentemente, contribui para o aumento dos preços, num efeito oposto ao desejado.

Por ora, os economistas dizem que o Brasil não vive um quadro de dominância fiscal, mas o debate sobre a possibilidade desse cenário se concretizar ganhou força depois da aprovação do Orçamento pelo Congresso NacionalO texto foi classificado pelos economistas como uma peça de ficção.

“Eu não diria que o país está na antessala da dominância fiscal, mas o risco de caminhar nessa direção é muito grande”, afirma José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetário do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas.

 

“Na verdade, o país já está caminhando (para a dominância fiscal) e o que precisa acontecer é um desvio de rota”, acrescenta o economista, que também foi diretor do Banco Central.

VÍDEO: 4 pontos para entender o impasse no Orçamento 2021

A principal questão envolvendo o texto do Orçamento, que ainda precisa ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro, é que ele subestimou os gastos obrigatórios. Ou seja, da forma como a peça foi aprovada pelo Congresso, faltam recursos para pagar as despesas básicas do governo.

Na terça-feira (6), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reconheceu que a aprovação do Orçamento criou uma incerteza no mercado financeiro.

“Eu não acho que esse seja o caso do Brasil neste momento (estar na dominância fiscal). O país teve sim um piora substancial do tamanho da dívida e também da sua estrutura. Hoje, a dívida é mais curta e mais dependente da taxa Selic”, afirma Solange Srour, economista-chefe do banco Credit Suisse.

“Mas a gente não vê nenhuma fuga de capitais ou as expectativas (de inflação) desancorando. Um país em dominância fiscal já esgotou os caminhos para colocar as contas públicas em ordem. O Brasil está longe de ter esgotado”, diz a economista.

O ciclo da dominância fiscal — Foto: Elcio Horiuchi/Arte G1

         O ciclo da dominância fiscal — Foto: Elcio Horiuchi/Arte G1

O ciclo da dominância fiscal

  • Alta dos juros para conter a inflação

Os analistas de mercado consultados pelo relatório Focus, do Banco Central, avaliam que a Selic deve encerrar 2021 em 5% ao ano, e subir para 6% em 2022, na tentativa de controlar a alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

No mês passado, pressionado pela inflação, o Comitê de Política Monetária já deu início ao ciclo de alta de juros ao subir a Selic em 0,75 ponto percentual, para 2,75% ao ano.

Nos 12 meses até março, o IPCA chegou a 6,1% e superou o teto da meta estipulada pelo governo, que é de 5,25%.

IPCA de março é o maior para o mês desde 2015

IPCA de março é o maior para o mês desde 2015

Para o fim de 2021, as projeções contidas no Focus mostram a inflação em 4,86%. Um mês atrás, estavam em 4,10%

Há analistas, no entanto, que não descartam o risco de a inflação romper o teto em 2021. Na previsão do Credit Suisse, o IPCA deve terminar o ano em 5,1%, com “uma possibilidade de bater acima de 5,25%”, afirma Solange.

Com esse risco, o banco projeta que a Selic vai encerrar o ano em 6,5%.

  • Endividamento elevado

Ao aumentar a taxa básica de juros, o custo da dívida sobe. O Brasil já tem endividamento elevado para uma economia emergente, bastante indexado à Selic e com prazo de vencimento relativamente curto.

No ano passado, com todas as medidas adotadas para minimizar os impactos da pandemia, a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) subiu para 89,3%, um recorde.

Segundo o Credit Suisse, cada aumento de 1 ponto percentual da Selic representa uma alta de 0,4% do PIB no custo da dívida pública em 12 meses, o que é equivalente a R$ 32 bilhões.

“Quando o país tem uma dívida alta, muito curta, com um prazo de maturidade pequeno e muito dependente da taxa Selic, ao subir os juros, o BC aumenta o custo do serviço da dívida”, explica Solange.

  • Aumento de incerteza e o impacto do câmbio

 

O nível do endividamento de um país é um dos principais indicadores analisados pelos investidores e pelas agências de classificação de risco – o Brasil perdeu o grau de investimento em 2015.

Com uma dívida maior, também cresce a incerteza dos investidores com o país, o que afugenta investidores e provoca uma desvalorização do real em relação ao dólar.

Nos últimos 12 meses, o dólar acumula alta de 11,43% em relação ao real.

  • Mais pressão na inflação

A desvalorização do real provoca um efeito inflacionário em diversos setores da economia, por meio do repasse cambial.

Hoje, além da alta do dólar, a economia brasileira sofre com o impacto do aumento dos preços das commodities e de bens industriais e intermediários das cadeias de produção.

A turbulência econômica causada pela pandemia de coronavírus provocou um descompasso nas cadeias globais. A crise sanitária paralisou ou reduziu a produção em muitos setores de vários países. E essa interrupção provocou uma escassez de produtos.

 

Indústria brasileira enfrenta falta de matéria-prima

Indústria brasileira enfrenta falta de matéria-prima

Ao mesmo tempo, houve o que os economistas chamam de desvio de demanda. As famílias deixaram de adquirir serviços – o setor mais prejudicado pelas medidas de distanciamento social – e passaram a comprar mais bens físicos.

“Esse desvio de demanda está sendo forte nos Estados Unidos, está sendo forte no Brasil e ajuda a pressionar os gargalos produtivos, colocando pressão sobre os preços”, afirma José Júlio Senna.

“No caso das commodities agrícolas, há complicações de natureza climática. É o que está fazendo o preço em dólar subir. E, com a taxa de câmbio do Brasil, esse movimento tem batido nos preços”, diz.

Como evitar o caminho da dominância

Para os economistas, evitar que o Brasil caminhe para um quadro de dominância fiscal passa pelo ajuste das contas públicas.

Com uma política fiscal mais acertada, as expectativas de inflação ficam mais comportadas e, portanto, a alta dos juros passa a ter uma eficácia maior.

“Se a trajetória (fiscal) continuar ruim, a cada movimento de alta de juros a gente vai ter um pouco mais de estresse no mercado”, afirma o economista do Ibre.

 

Na lista de medidas apontadas pelos economistas para melhorar a área fiscal, está a realização da reforma administrativa. A equipe econômica chegou a enviar um projeto em setembro do ano passado, mas ele está parado no Congresso.

Governo envia ao Congresso reforma administrativa com regras novas para futuros servidores

Governo envia ao Congresso reforma administrativa com regras novas para futuros servidores

“Não é que o Brasil precisa fazer um ajuste fiscal contracionista forte neste ano, no meio de uma pandemia”, afirma Solange. “Mas a gente não pode expandir gastos sem ter uma contrapartida de médio prazo, porque, infelizmente, o país já começou a pandemia com uma dívida alta.”

Fonte: G1

Continuar lendo ANALISTAS RECEIAM QUE ALTA DOS JUROS PODERÁ NÃO TER EFICÁCIA PARA CONTROLAR A INFLAÇÃO

ECONOMIA: A CONSEQUÊNCIA DE UMA CEGA DEVOÇÃO AO SISTEM DE METAS DA INFLAÇÃO TEM COMO CONSEQUÊNCIA A ATUAL CARISTIA DOS ALIMENTOS

O artigo a seguir publicado aqui na coluna ECONOMIA desta quarta-feira nos dá a exta noção do que causou a carestia dos alimentos durante a pandemia do coronavírus. Ele nos mostra que as políticas de metas de inflação são a real causa dessa carestia. E você pode entender bem melhor depois que ler o artigo completo e analisar os gráficos!

A atual carestia dos alimentos é consequência de uma cega devoção ao sistema de metas de inflação

Políticas de metas de inflação são a causa, e não a solução dos atuais problemas

 

Comecemos com um exemplo simples que, no entanto, reflete exatamente o que está se passando na economia brasileira neste momento pandêmico.

Imagine uma economia em que haja apenas dois produtos: maçãs e laranjas. Vamos trabalhar apenas com o curto prazo.  Há 10 maçãs e 10 laranjas, e uma oferta monetária total de $20.

Suponha que a interseção entre oferta de laranjas e demanda por laranjas determine um preço de $1,10 por laranja. Isso irá, simultaneamente, estipular o preço de cada maçã em $0,90.

(Se você multiplicar 10 laranjas por $1,10 e 10 maçãs por $0,90 terá um total de $20, que é a oferta monetária total da economia).

O preço relativo entre laranjas e maçãs reflete a demanda da sociedade por estes dois bens, sempre de acordo com sua relativa abundância — ou oferta.

Agora, suponha que as preferências das pessoas se alteram e elas passam a demandar ainda mais laranjas e menos maçãs. Ou seja, a demanda por laranjas aumenta e a demanda por maçãs cai. Faltam laranjas e sobram maçãs.

O efeito de curto prazo será um aumento no preço das laranjas e uma redução no preço das maçãs (caso a oferta monetária se mantenha inalterada).

Assim, suponha agora que o novo preço de equilíbrio seja de $1,20 para laranjas e $0,80 para as maçãs.

Isso representa um aumento de 9% no preço das laranjas (de $1,10 para $1,20) e uma redução de 11% no preço das maçãs (de $0,90 para $0,80).

Estatisticamente, essa alteração no padrão de consumo deveria levar a uma alteração no peso de cada item na cesta de consumo. No início, laranjas e maçãs tinham o mesmo peso, pois eram consumidas igualmente (10 de cada). Agora, sobram maçãs e faltam laranjas. Logo, laranjas deveriam passar a ter mais peso estatístico do que maçãs. Se isso for feito, o cálculo da inflação estará correto.

No entanto, se não fizermos essa alteração, e considerarmos que o peso dos dois itens na cesta de consumo das pessoas se manteve o mesmo — que é exatamente o que o IBGE fez; ou seja, o Instituto não alterou os pesos dos itens na cesta de consumo durante a pandemia (e, justiça seja feita, nem teria como) —, então temos que a economia está vivenciando uma deflação de preços de 2%, calculada como uma média ponderada dos dois bens (aumento de 9% nas laranjas, queda de 11% nas maçãs, ambos os itens sendo mantidos erroneamente com o mesmo peso na cesta de consumo).

E tudo por causa de uma simples mudança na preferência das pessoas, mudança essa que não foi levada em conta pela agência que calcula a inflação de preços, que não alterou a cesta de consumo das pessoas — com o novo padrão de consumo, laranjas deveriam ter mais peso que maçãs.

(Ironicamente, o IBGE alterou a metodologia da cesta no fim de 2019, antes da pandemia. A alteração foi correta; porém, com a pandemia, ficou desatualizada)

Ato contínuo, em decorrência do fato de o índice oficial de preços estar agora apontando uma deflação, o Banco Central — que tem como principal política manter este índice de preços aumentando 4% ao ano — terá de reduzir a taxa básica de juros e expandir a oferta monetária (aumentar a quantidade de moeda na economia) com o objetivo de estimular a demanda e, com isso, encarecer ainda mais a laranja (ou evitar que a maçã caia de preço).

Agindo assim, ele tentará fazer com que o índice oficial de inflação ao menos volte para perto de 4%.

E por que o Banco Central tem de atuar para encarecer as coisas? Por que ele tem de impedir que os preços caiam? Nenhum economista convencional sabe responder seriamente a essa pergunta, sem cair em contradição.

É assim no mundo real

Embora extremamente simples, o exemplo acima ilustra exatamente o que o Banco Central brasileiro está fazendo nesta era de Covid-19.

Por causa das quarentenas e do desligamento compulsório da economia efetuado por prefeituras e governos estaduais, a esmagadora maioria do setor de serviços foi fechada. A cesta de consumo do brasileiro foi profundamente alterada.

Com poucas pessoas saindo de casa, a demanda por itens como passagens aéreas, passagens de ônibus, hotéis, turismo, vestuário, lazer, estacionamentos, ingressos de cinema e teatro, utensílios domésticos, móveis, toalhas, lençol, fronhas etc. simplesmente sumiu.

Com a queda global no preço do barril de petróleo e a forte redução na circulação de veículos, combustíveis baratearam. Com o fechamento das escolas e a adoção do ensino à distância, várias instituições ofereceram redução nas mensalidades.

Tudo isso pode ser comprovado nos gráficos abaixo.

Itens como artigos de residência, vestuário e transporte apresentaram a menor taxa de crescimento em 20 anos. (Observação: o gráfico está no formato de média móvel de 12 meses, o que significa que os valores se referem à média dos valores mensais para cada período de 12 meses).

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 15.37.09.png Gráfico 1: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços dos itens “transportes”, “artigos de residência” e “vestuário

Observe que, no primeiro semestre, todos apresentaram deflação de preços.

Já a educação, embora não tenha entrado em deflação, apresentou uma queda fragorosa:

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 15.37.33.pngGráfico 2: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços do item “educação”

Por outro lado, alimentos e bebidas vivenciaram uma disparada de preços.

Consequentemente, e dado que estes itens possuem um peso considerável na cesta de consumo criada pelo IBGE para calcular o IPCA, o Banco Central reduziu acentuadamente a SELIC (fazendo com que a taxa real de juros se tornasse negativa e menor até mesmo que a da Suíça) e expandiu e atuou para expandir a oferta monetária, principalmente por meio do Orçamento de Guerra.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da oferta monetária (M1).

m1xselic.pngGráfico 3: linha azul, eixo da direita: M1; linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão da oferta monetária sofre uma desaceleração. Quando a Selic cai, expansão da oferta monetária acelera.

Igualmente, a forte expansão monetária em conjunto com juros reais negativos depreciaram fortemente o real. O dólar encareceu.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da taxa de câmbio.

selicxcambio.pngGráfico 4: linha azul, eixo da direita: taxa de câmbio (reais por dólar); linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é também quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão a taxa de câmbio cai (ou pára de subir). Quando a Selic cai, a taxa de câmbio sobe.

O real, até o início de outubro, foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo. Um feito.

Como consequência desta forte expansão monetária, desta forte redução dos juros e da ampla desvalorização da moeda, os preços em reais das commodities brasileiras negociadas no mundo e cotadas em dólares, como arroz, milho, soja e carne, subiram forte.

O gráfico abaixo mostra a evolução dos preços, em reais, das principais commodities agropecuárias brasileiras, segundo dados do Banco Central:

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 16.04.03.pngGráfico 5: evolução dos preços das principais commodities agropecuárias.

Com os preços em reais em alta, as exportações de alimentos passaram a bater recordes. E isso gerou seu encarecimento, mesmo tendo havido recorde de produção.

O gráfico abaixo mostra a taxa de inflação dos preços dos alimentos em comparação com os demais produtos da cesta do IBGE.

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 15.43.27.pngGráfico 6: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços dos itens “alimentos e bebidas”, “transportes”, “artigos de residência” e “vestuário”

Portanto, essa disparada dos preços dos alimentos se deveu, basicamente, a três fenômenos:

1) auxílio emergencial de R$ 600 por mês para 67 milhões de pessoas, que está sendo feito majoritariamente via expansão monetária.

2) Isso gerou um aumento da quantidade de moeda injetada na economia pelo Banco Central.

3) E gerou também uma alta do dólar, a qual foi causada tanto pela injeção de moeda quanto pela pronunciada redução da Selic.

Já os preços dos materiais de construção também seguem batendo recordes, mas estes nem sequer entram no índice de preços ao consumidor.

Apenas mais um exemplo

Portanto, comparando-se ao nosso exemplo hipotético inicial, os alimentos e os materiais de construção são as laranjas, que tiveram aumento na demanda e subiram intensamente de preços. Já todo o resto da economia são as maçãs, que tiveram queda na demanda e relativa estabilidade nos preços.

O IBGE captou esse fenômeno, mas não alterou o peso de cada item nas cestas de consumo (e, como dito, nem teria como em tão curto espaço de tempo). E o Banco Central, que é guiado exclusivamente pelo resultado final do índice de preços, reagiu de acordo com seu objetivo de tentar encarecer tudo em 4% ao ano.

Para compensar a queda dos preços dos estacionamentos (vazios), das passagens aéreas (aviões parados), das diárias de hotéis (fechados) e das roupas (quase ninguém compra roupa sem ir à loja experimentar), o Banco Central injetou moeda a rodo para fazer subir outros preços e, com isso, manter a meta de carestia em 4% ao ano.

Consequentemente, acabou gerando uma brutal carestia nos alimentos, algo que todas as famílias sentem no supermercado. E nos materiais de construção. E ainda impediu uma salutar e necessária queda nos preços nos outros setores (em recessão com alto desemprego, custos devem cair para auxiliar uma recuperação mais rápida).

Todo o problema, portanto, está não apenas na devoção cega ao sistema de metas de inflação, como também na estipulação de um valor absurdamente alto para esta meta. Em outros países da América Latina, a meta de inflação é bem menor.

Ao passo que, no Brasil, o Banco Central tem como meta encarecer o custo de vida do brasileiro em 4% ao ano, no Chile, na Colômbia e no México essa meta é de 3%. No Peru, é de apenas 2% (veja a lista completa aqui).

Se, por exemplo, tivéssemos como meta 3% (quiçá 2%, como o Peru) em vez de 4%, a Selic não teria sido reduzida tanto quanto foi, e consequentemente não estaríamos vivenciando essa bizarra desvalorização do real e essa desumana carestia nos alimentos (em meio a uma pandemia e um alto desemprego).

Nosso padrão de vida estaria maior. E, ainda mais importante, não estaria sendo construído um cenário bombástico para o futuro.

Eis a evolução dos preços no atacado:

ipa.pngGráfico 7: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços no atacado

Com uma taxa média de 1,58% ao mês, estamos com um acumulado de quase 21% em 12 meses. Trata-se, simplesmente, da maior taxa da história do real.

Se isso “vazar” para os consumidores (e ao menos uma parte irá vazar), um aperto nos juros poderá ser necessário no futuro — um aperto maior do que seria necessário caso a meta de inflação fosse mais civilizada.

Tal aperto poderá afetar a recuperação econômica.

Ter uma meta para o encarecimento do padrão de vida já é, por si só, algo bizarro e que não faz nenhum sentido. A meta ser alta é algo ainda mais bizarro. Mas a busca por essa meta levar ao encarecimento desnecessário itens essenciais beira o criminoso.

Apenas mais um caso de desarranjo econômico causado pela Banco Central, essa agência estatal responsável por planejar centralmente os preços chaves da economia.

Fonte:mises.org.br

Continuar lendo ECONOMIA: A CONSEQUÊNCIA DE UMA CEGA DEVOÇÃO AO SISTEM DE METAS DA INFLAÇÃO TEM COMO CONSEQUÊNCIA A ATUAL CARISTIA DOS ALIMENTOS

ECONOMIA: A NOVA CÉDULA DE R$ 200 É APENAS UMA CORTINA DE FUMAÇA PARA ENCOBRIR O VERDADEIRO PROBLEMA

Nesta edição da coluna ECONOMIA trago um artigo atualizadíssimo sobre a nova cédula de R$ 200, onde o autor ressalta que o objetivo do lançamento dessa cédula é lançar uma cortina de fumaça para distrair o público sobre algo muito mais relevante, que é o tamanho do estado, ou seja, a incompetência do governo para enxugar a máquina pública. Este que é o verdadeiro problema. Então lhe convido a ler o artigo completo a seguir para entender, através de dados técnicos e gráficos o que realmente está acontecendo com a nossa economia!

A cédula de R$ 200 não é o problema; a inflação é (com dados atualizados)

A chegada do lobo-guará está distraindo o público do verdadeiro problema: o tamanho do estado

Nota do Editor

Já está acontecendo.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirmou em nota que o setor tem sofrido “forte pressão” por aumentos de preços de itens da cesta básica.

Os preços dos alimentos cobrados pelos produtores estão em forte ascensão, e os supermercados estão segurando ao máximo este repasse de preços.

Em uma ação inédita, as varejistas passaram a expor publicamente a indústria de alimentos em redes sociais, numa estratégia para tentar evitar a percepção de ser o “vilão” dos aumentos.

A maior pressão está em itens como arroz, feijão, leite, carne e óleo de soja “com aumentos significativos”.

Eis um trecho da nota divulgadas pela Abras:

O setor supermercadista tem sofrido forte pressão de aumento nos preços de forma generalizada repassados pelas indústrias e fornecedores. Itens como arroz, feijão, leite, carne e óleo de soja com aumentos significativos.

Conforme apuramos, isso se deve ao aumento das exportações destes produtos e sua matéria-prima e a diminuição das importações desses itens, motivadas pela mudança na taxa de câmbio que provocou a valorização do dólar frente ao real.

Somando-se a isso a política fiscal de incentivo às exportações, e o crescimento da demanda interna impulsionado pelo auxílio emergencial do governo federal.

Reconhecemos o importante papel que o setor agrícola e suas exportações têm desempenhado na economia brasileira. Mas alertamos para o desequilíbrio entre a oferta e a demanda no mercado interno para evitar transtornos no abastecimento da população, principalmente em momento de pandemia do novo coronavírus (covid-19).

O setor supermercadista tem se esforçado para manter os preços normalizados e vem garantindo o abastecimento regular desde o início da pandemia nas 90 mil lojas de todo o país.

Como consequência, hoje, dia 4 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro pediu “patriotismo” aos donos de supermercado e que baixassem os preços.

O presidente errou completamente alvo (inaceitável para quem serviu no Grupo de Artilharia). O inimigo está ao lado dele.

Para quem acompanha este Instituto, nada disso é surpresa. A alta está sendo causada por aquele exato fenômeno que sempre foi por nós alertado: a política monetária insensata (e, nos últimos meses, insana) praticada pelo Banco Central, a qual causou uma brutal desvalorização da moeda e, consequentemente, incentivou os produtores de alimentos a mandarem boa parte da sua produção para o exterior.

Segundo a reportagem do jornal Valor Econômico, os produtores de alimentos “alegam que se trata de reajustes por conta de oferta e demanda, portanto, práticas naturais de mercado […]. Ainda, afirmam que a escalada do dólar, que eleva o preço global dos alimentos, ocorre em todos os mercados, e as empresas têm que se adequar a isso.”

A Abras está em seu direito de reclamar do aumento dos preços cobrados pelos produtores de alimentos. Mas os produtores estão corretos em sua atitude de reajustar preços. Eles estão apenas se adequando às condições monetárias do mercado. A real culpa está em quem gerencia a moeda, e não em quem produz.

Ademais, os aumentos de preços não estão apenas no setor alimentício. O setor de metais industriais também tem batido recordes, assim com todos os itens da construção civil.

O artigo abaixo já alertava que isso aconteceria. À época em que ele foi publicado, a mídia noticiava apenas a cédula de R$ 200, sem analisar as reais causas do surgimento dela. Só agora começaram a se atentar para o fato. Por isso, estamos republicando o artigo, agora com os dados atualizados.

____________________________________________

Enxadristas utilizam costumeiramente a manobra de diversionismo, cujo propósito é “distrair” o adversário e induzi-lo a desguarnecer uma casa vital para o desenrolar do jogo. Apresenta-se como ameaça imediata, mas muitas vezes revela-se inócua.

Na política e na comunicação institucional, é equivalente ao ‘factoide’.

Não é um fato determinante em si, mas parece. Muitas vezes os factoides são lançados por políticos, tal qual um balão de ensaio, com o mesmo objetivo da manobra de diversionismo no xadrez.

Outras vezes são autogestados por uma percepção pública equivocada.

Este último é o caso da vindoura cédula de R$ 200, que estampará a imagem do lobo-guará. Tão logo foi anunciada, a medida foi tachada pelos críticos do governo como prenúncio de futura inflação. Isso é falso.

Na realidade, confundiu-se causa e consequência.

A nova cédula é apenas consequência do que já ocorreu

A inflação de preços chegou antes do lobo-guará.

O índice de preços ao produtor amplo (IPA) — que mede essencialmente a variação dos preços dos produtos agropecuários e industriais nas transações interempresariais, ou seja, nos estágios de comercialização anteriores ao consumo final— subiu 3,75% apenas no mês de agosto. E isso após ter subido 3,14% em julho.

Eis um gráfico da evolução dos preços mensais:

IPA-M.png

Gráfico 1: IPA mensal

Perceba que o atual valor mensal é o maior desde 2003.

No acumulado de 12 meses, a alta é de impressionantes 18,15%, como mostra o gráfico a seguir, que está no formato de média móvel de 12 meses (o valor na coluna da esquerda se refere a valores mensais; para saber o valor acumulado a cada 12 meses, basta elevar o valor da coluna da esquerda ao expoente 12. Assim, o atual valor de 1,4 significa uma inflação de preços de 18,15% em 12 meses (1,0112ˆ12).

IPAmediamovel.png

Gráfico 2: evolução mensal do IPA (média móvel acumulada em 12 meses)

O IPA é um dos componentes do IGP-M, que é o índice que serve usualmente como indexador de reajuste de aluguéis, dos planos de saúde, da mensalidade de escolas, de energia elétrica e de telefonia.

O IGP-M, por sua vez, apura preços de cerca de 1.400 itens, ante 350 apurados no IPCA, que é o índice oficial utilizado pelo Banco Central para balizar sua política monetária.

Em janeiro, o mercado estimava um IGP-M de 4,3% para todo o ano 2020. No entanto, de janeiro até julho, o IGP-M já apresenta alta de 6,7%.

Quando olhamos exclusivamente os produtos agrícolas, é possível constatar que a carestia está se acelerando fortemente. O gráfico a seguir mostra a média móvel acumulada em 12 meses da evolução do índice de preços dos produtos agrícolas no atacado. No acumulado de 12 meses, a alta de preços foi de 28%.

IPAOG.png

Gráfico 3: taxa de variação de preços dos produtos agrícolas no atacado (média móvel acumulada em 12 meses).

Mas não são só os produtos agrícolas. Os metais industriais também estão apresentando uma forte aceleração de preços. O gráfico a seguir mostra a evolução desses preços.

Metais.png

 Gráfico 4: evolução dos preços do metais industriais

Causas

As causas dessa carestia são basicamente duas.

1) A forte desvalorização cambial vivenciada pelo real perante o dólar (que saltou de R$ 4,02 no fim de 2019 para os atuais R$ 5,30) não só encareceu diretamente a importação de insumos industriais, como também estimulou enormemente a exportação de alimentos (ver também aqui). Quanto mais exportação de alimentos, menor a oferta no mercado interno.

2) A vigorosa criação de moeda feita tanto pelo governo brasileiro quanto pelos governos ao redor do mundo, como forma de tentar combater os efeitos recessiva da pandemia de Covid-19, está estimulando a demanda.

O gráfico a seguir mostra a evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil.

M1.png

Gráfico 5: evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil até junho de 2020

Um aumento de quase 50% na quantidade de moeda em apenas 12 meses. É inflação de gente grande. É inflação de Argentina. Mas a cédula de R$ 200 é quem figura proeminente no noticiário.

Distrações

O público, distraído, permanece com foco no IPCA. Meta oficial de inflação há décadas, deixou de ser um bom medidor da carestia sofrida pelo brasileiro comum, ao ser manipulado por desonerações e outros truques. O exemplo clássico ainda é o do governo Dilma: de 2012 a 2014, o IPCA se manteve artificialmente baixo por causa do congelamento do preço da gasolina e por reduções artificiais de até 25% no preço da energia elétrica.

Analistas apontaram nos últimos dias que R$ 100 no início do Plano Real compravam 100 dólares e hoje compram apenas 19 dólares, e que a cesta básica em São Paulo custava R$ 68 em 1994, ante mais de R$ 550 hoje (o que é um fato). (O grama do ouro custava 12 reais e hoje custa 330 reais; e, de acordo com o IPCA acumulado, algo que custava 100 reais custa hoje 621 reais)

Porém, poucos mencionaram o aumento brutal da moeda em circulação (gráfico 5) promovido pelo Banco Central, o qual se intensificou ainda mais a partir de março, quando a oferta monetária passou de R$ 410 bilhões em fevereiro para R$ 550 bilhões em julho, aumento superior a 30%.

auxílio emergencial contribuiu para essa recente disparada, bem como o entesouramento — em épocas de enorme incerteza econômica, como a atual, as pessoas preferem ter em mãos moeda em espécie.

Com a demanda crescente por moeda durante a pandemia acompanhando a oferta, é natural que a inflação de preços ao consumidor leve um tempo para se manifestar de forma mais vigorosa no índice agregado de preços (IPCA).

A queda nos preços da gasolina (por causa da forte queda no barril de petróleo), da energia elétrica (por causa da redução do consumo das empresa e de desonerações dos governos estaduais) e das mensalidades escolares também está ajudando enormemente a segurar o IPCA.

No entanto, isso pode mudar rapidamente assim que a demanda por moeda volte aos níveis normais. E os preços dos alimentos — setor no qual não houve contenção do consumo — são um bom indicativo.

O lobo-guará é uma mera consequência

O problema, já está claro, não está nas novas cédulas de R$ 200. Estas são apenas consequência da expansão monetária, que já está em curso antes mesmo delas. A inflação de preços derivada dessa expansão monetária é um imposto invisível, que pune particularmente os mais pobres.

saudoso Joelmir Beting dizia que “a economia, ciência severa da escassez, enquadra a política, utopia alegre da abundância”. Infelizmente, a política populista atual prevalece sobre o conhecimento econômico.

A chegada do lobo-guará está distraindo a opinião pública do verdadeiro problema: os gastos do estado.

Toda a expansão monetária está sendo feita exatamente para possibilitar a manutenção dos gastos do estado, os quais agora foram inchados pelo Orçamento de Guerra criado para combater os efeitos da Covid-19.

A subida dos índices de preço enfatiza a urgência do controle de gastos públicos, mesmo diante de todas as dificuldades causadas pela pandemia. Sim, a causa fundamental de toda essa expansão monetária é o tamanho dos gastos públicos. Não se trata, obviamente, de reduzir o apoio aos mais necessitados, mas de acelerar as privatizações, a reforma administrativa e o enxugamento da máquina. É preciso cortar desde já as duas rubricas que representam cerca de 80% do total: salários dos servidores e aposentadorias de forma geral.

O leitor pode se perguntar: “A inflação está aumentando ou é impressão minha?”. Atenção ao factoide diversionista: a impressão é do BC mesmo.

Fonte: Mises Brasil

Continuar lendo ECONOMIA: A NOVA CÉDULA DE R$ 200 É APENAS UMA CORTINA DE FUMAÇA PARA ENCOBRIR O VERDADEIRO PROBLEMA

OPINIÃO: GOVERNO ASSUME 85% DO RISCO, DINHEIRO NÃO CHEGA NA PONTA E BANCOS AINDA SÃO REMUNERADOS PELO DINHEIRO PARADO

Na nossa coluna OPINIÃO deste domingo trago mais um texto espetacular do nosso colaborador e economista Ricardo Paz sobre a covardia e a crueldade do governo e dos bancos com a população brasileira que está sendo impactada pela pandemia. O rico dinheirinho dos banqueiros não saem dos seus cofres, não chega na ponta para o guerreiro empresário que carrega o piano nas costas, mesmo o governo assumindo 85% do risco em caso de calote e como se não bastasse o Banco Central emite título da dívida pública para remunerar esse rico dinheirinho que está parado no banco só escutando a conversa. Então convido você a ler o impactante texto a seguir e entender essa malandragem!

Qual é a sensação de ganhar muito dinheiro de uma só vez? - Quora

QUE PAÍS É ESTE???

BANCOS DEIXAM DE EMPRESTAR R$1,4 TRILHÃO E A SOCIEDADE AINDA PAGA A CONTA DA DÍVIDA PÚBLICA

Isso é coisa de crime organizado! O que deveria ser um mecanismo de política monetária para aumentar ou diminuir a liquidez no interbancário, impactando no volume de empréstimos na economia, virou um dispositivo de “investimento seguro” para os bancos. Se estamos em recessão e pandemia, o excesso de liquidez em nada impactaria na inflação. Isso está mais evidente do que em 2017. É simplesmente vergonhoso o banco central emitir título da dívida pública para remunerar o dinheiro parado dos bancos, protegendo-os de supostos calotes caso emprestassem a juros baixos aos seus clientes. Essa lógica é perversa, pois implica em aumento da dívida pública. Como esclarece Maria Lúcia Fattorelli, as “Operações Compromissadas” significam uma proteção ilegal aos banqueiros. Além disso, expõem uma distorção na dinâmica de economias de mercado, pois simplesmente anula o “risco do negócio” para os bancos. Isso não pode ser considerado um escudo de defesa do sistema financeiro, como alguns podem alegar, enquanto a economia do país segue afundando. Isso é crime contra a economia popular! A gangue Banco Central-banqueiros deveria ser presa imediatamente!!! Onde estão o STF e Congresso Nacional, para irem pra cima dessa imoralidade??? Certamente, muito ocupados na perseguição ao poder executivo.
Escrito por Ricardo Araújo
Continuar lendo OPINIÃO: GOVERNO ASSUME 85% DO RISCO, DINHEIRO NÃO CHEGA NA PONTA E BANCOS AINDA SÃO REMUNERADOS PELO DINHEIRO PARADO

ANÁLISE POLÍTICA: A BAIXA INFLAÇÃO DE 2019 E O CONFLITO NO IRÃ

Na coluna ANÁLISE POLÍTICA desta segunda-feira temos mais um comentário do jornalista Alexandre Garcia que fala sobre, entre outros assuntos, a inflação de dezembro, que a 4,1% em 2019, atesta aquecimento da economia etraz novo alento para o ano de 2020. Vamos assistir ao vídeo que tem muitas informações importantes!

Fonte:

Continuar lendo ANÁLISE POLÍTICA: A BAIXA INFLAÇÃO DE 2019 E O CONFLITO NO IRÃ

ECONOMIA: VEJA O QUE ACONTECEU NOS 25 ANOS DO REAL

Na coluna ECONOMIA desta primeira quinta-feira de 2020 trago um artigo super interessante acerca dos 25 anos do Real. O estudo mostra que a moeda perdeu 84%, com uma inflação de 513,55%, do seu valor de compra nesse espaço de tempo através de cálculos matemáticos e compara com a desvalorização da moeda norte americana, que nesse mesmo espaço de tempo sofreu uma inflação de apenas 73,32%. Leia esse super esclarecedor artigo de Leandro Roque e entenda tudo que aconteceu!

Os 25 anos do real: os preços regulados pelo governo subiram muito mais que os preços de mercado

E o espanto: nossa moeda já perdeu 84% do seu poder de compra nesse curto espaço de tempo

A moeda é monopólio do governo. O governo está no completo controle da moeda. Sendo a moeda um monopólio do governo, a qualidade da moeda será diretamente proporcional à qualidade do governo que a gerencia.

Se o governo tem uma política fiscal ruim, se ele não gera confiança nos investidores e nos consumidores, se ele trava os investimentos, se sua política creditícia é ruim, e se ele é visto como relutante em atacar seu déficit e estancar o crescimento da dívida, então sua moeda será fraca (será pouco demandada mundialmente) e, consequentemente, o poder de compra dela será declinante.

Logicamente, uma sucessão de governos ruins será fatal para a qualidade de uma moeda.

Nós brasileiros somos vítimas diretas do que os sucessivos governos fizeram com o nosso dinheiro.

A destruição do real

Segundo as estatísticas do próprio governo — o IBGE e seu Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) —, aquilo que custava R$ 100 em 1º julho de 1994 passou a custar R$ 613,55 em 30 de novembro de 2019. Um aumento de 513,55% em 25 anos.  Uma taxa média de 7,5% a cada 12 meses.

Isso significa que para adquirir a mesma quantidade de mercadorias e serviços que R$ 100 compravam em 1994, o consumidor precisa desembolsar R$ 613,55, um valor quase seis vezes superior.

Falando de outra maneira, desde 1º de julho de 1994 até 30 de novembro de 2019, o real já perdeu 83,7% do seu poder de compra.

(A matemática é simples: em julho de 1994, R$ 100 compravam Y.  Isso significa que R$ 1 comprava (1/100) Y.

Atualmente, são necessários R$ 613,55 para comprar esse mesmo Y, o que significa que R$ 1 compra (1/613,55) Y.

Fazendo-se a conta do valor final (1/613,55) menos o valor inicial (1/100), e dividindo o resultado pelo valor inicial (1/100), tem-se o percentual de 83,7%, que foi a perda do poder de compra da moeda.)

Na prática, essa perda de quase 84% no poder de compra significa que uma nota de R$ 100 hoje tem o mesmo poder de compra que R$ 16 em julho de 1994.  Isso é uma destruição significativa.

Para se ter uma ideia, neste mesmo período, a inflação de preços acumulada nos EUA foi de “apenas” 73,32% (contra 513,55% no Brasil).  Aquilo que custava US$ 100 em 1º julho de 1994 passou a custar US$ 173,32 em 30 de novembro de 2019.  Uma média de 2,22% a cada 12 meses (contra 7,5% no Brasil).

Nem toda destruição é igual

Mas, em meio a esses escombros, há detalhes interessantes — os quais, porém, não deveriam surpreender ninguém que conheça o básico sobre economia.

O IBGE divulga vários componentes que formam o IPCA. Para começar, há o componente “preços livres” e há o componente “preços monitorados”.

O componente “preços livres”, como o próprio nome diz, engloba todos aqueles itens cujos preços são livremente formados no mercado.  Exemplos:

Alimentos industrializados e semi-elaborados. Artigos de limpeza, higiene e beleza. Móveis. Utensílios domésticos. Equipamentos eletro-eletrônicos. Automóveis. Produtos de cama/mesa/banho. Bebidas. Roupas. Material escolar. Matrícula e mensalidade escolar. Cursos. Produtos in natura. Alimentação fora de casa. Aluguel. Consertos domésticos. Seguro de carro, conserto de carro, lavagem de carro, e estacionamento. Recreação e cultura. Dentistas e todos os tipos de serviços pessoais.

Já o componente “preços monitorados” engloba todos aqueles itens cujos preços são determinados pelo governo via agências reguladoras, estatais e portarias do Ministério da Fazenda. Exemplos:

Todos os tipos de serviços públicos. Taxa de água e esgoto. IPTU. Gás de bujão. Energia elétrica. Ônibus urbano. Ônibus intermunicipal. Metrô. Gasolina e óleo diesel. Planos de saúde. Tarifas de celular e de telefonia fixa. Pedágios. Remédios e outros produtos farmacêuticos. Licenciamento.

O gráfico abaixo mostra a evolução destes dois componentes (veja aqui as taxas mensais de inflação de ambos). Parte-se da base 100 em junho de 1994, o que significa que ambos os componentes custavam R$ 100 em 1º de julho.

prec¸os.png

Gráfico 1: encarecimento dos bens e serviços cujos preços são livres (linha azul) e dos bens cujos preços são regulados pelo governo (linha vermelha)

Observe que o agrupamento de bens e serviços cujos preços são regulados pelo governo encareceu acentuadamente mais do que o agrupamento de bens cujos preços são estipulados pelo mercado.

Em média, um bem ou serviço regulado pelo governo que custava R$ 100 em julho de 1994 passou a custar R$ 950 em novembro de 2019. Encarecimento de 685%.  Média de 9,42% a cada 12 meses.

Já um bem ou serviço regulado pelo mercado que custava R$ 100 em julho de 1994 passou a custar R$ 540 em novembro de 2019. Encarecimento de 440%.  Média de 6,98% a cada 12 meses.

Algumas curiosidades:

1) A primeira fase do Plano Real, que tinha uma moeda realmente forte, com o câmbio atrelado ao dólar, foi bastante eficaz em domar os preços livres.  De 1996 até o final de 1998, os preços livres (linha azul) demonstraram uma estabilidade que nunca mais seria repetida após 1999, ano da adoção do câmbio flutuante.  Por que o câmbio flutuante não é propício a gerar preços estáveis em países ainda em desenvolvimento foi explicado em detalhes neste artigo.

2) Repare a pequena ‘deflação’ na linha vermelha ocorrida no início de 2013. Foi quando Dilma reduziu na caneta o preço da energia elétrica. E também congelou o preço da gasolina em um momento em que o dólar estava encarecendo aceleradamente.  Isso foi um fator decisivo que nos trouxe à situação em que estamos hoje.

3) À exceção dessa lambança feita por Dilma em 2013, não parece haver nenhum critério específico na maneira como o governo regula os preços monitorados. Eles estão sempre subindo mais aceleradamente que os preços livres.

4) Como ensina a teoria econômica, aqueles bens e serviços que são ofertados em um mercado concorrencial sempre têm seus preços restringidos pela ação dos consumidores (que podem comprar ou se recusar a comprar).

Já aqueles bens e serviços ofertados em mercados regulados e fechados pelo governo — os quais na prática são fornecidos por empresas que usufruem um monopólio concedido e protegido pelo governo, como empresas de ônibus, de saneamento, de eletricidade, telefônicas, planos de saúde, postos de gasolina, TV a cabo, internet etc.— podem encarecer continuamente sem qualquer represália. O governo acorda os preços com as empresas protegidas (dentre elas várias estatais) e o consumidor simplesmente não tem o que fazer nem para onde ir.

5) Dentre os preços livres, temos de levar em conta que:

5.a) boa parte da alta advém dos alimentos, que estão sujeitos não apenas a fatores climáticos, como também, e principalmente, à taxa de câmbio: quanto mais desvalorizado o câmbio, maior o incentivo à exportação de alimentos, menor a oferta de alimentos no mercado interno, maiores os seus preços.

5.b) praticamente todos o produtos industrializados e manufaturados nacionais são protegidos por altas tarifas de importação. Não fosse esse protecionismo, seus preços seriam bem menores.

6) Ainda assim, se pegarmos aqueles bens e serviços que são ofertados em regime concorrencial, inclusive os próprios alimentos, eles são os que apresentaram o menor encarecimento dentre todos.

O gráfico abaixo mostra a evolução dos preços dos “artigos de residência”, que englobam eletrodomésticos e equipamentos, TV, som e informática, mobiliário, utensílios e enfeites, cama, mesa e banho, e consertos e manutenção; do “vestuário”, que engloba roupas masculina, feminina e infantil, calçados e acessórios, jóias e bijuterias, tecidos e armarinho; e dos alimentos e bebidas.

prec¸os2.png

 Gráfico 2: encarecimento dos bens e serviços para casa (linha vermelha), do vestuário (linha azul), e dos alimentos e bebidas (linha verde)

Compare com o gráfico 1 e veja como estes itens subiram bem menos. Com efeito, nota-se que o item “preços livres” foi puxado quase que majoritariamente pelos alimentos — que, como dito, estão sujeitos não apenas a fatores climáticos, como também, e principalmente, à taxa de câmbio: quanto mais desvalorizado o câmbio, maior o incentivo à exportação de alimentos, menor a oferta de alimentos no mercado interno, maiores os seus preços.

Móveis, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, utensílios, enfeites, cama, mesa e banho, consertos e manutenção doméstica (este certamente foi o item que mais puxou para cima) que custavam R$ 100 em julho de 1994 custam hoje R$ 268.  Encarecimento médio de 4,02% a cada 12 meses.

Roupas, tecidos, jóias e bijuterias que em julho de 1994 custavam R$ 100 custam hoje R$ 380.  Encarecimento de 5,48% a cada 12 meses.

Já aqueles alimentos e bebidas que custavam R$ 100 em julho de 1994 custavam R$ 585 no fim de novembro. Encarecimento de 7,32% a 12 meses  bem menos que os bens e serviços regulados pelo governo, que encareceram 9,42% a cada 12 meses.

O fato de todos estes itens — alimentação e bebidas, artigos de residência e vestuário — terem encarecido bem menos que os bens e serviços regulados pelo governo nos leva a uma ironia é inevitável: um item essencial à vida, como alimentação, que está a cargo do mercado, encareceu bem menos que coisas como tarifas de celular e de ônibus (para não dizer dos remédios e planos de saúde), cujos preços são regulados pelo governo.

Logo, a ideia de que o governo protege os consumidores e é necessário para impedir que o povo seja explorado pelos “gananciosos capitalistas” não só é errada, como está completamente invertida: é o governo quem realmente ferra o povo, ao passo que os capitalistas fornecem os bens e serviços que menos encarecem.

Uma observação sobre juros

Imagine que você vá emprestar dinheiro para alguém. De posse do gráfico 1, você sabe que os preços daqui a um ano ou daqui a vários anos (dependendo do prazo do empréstimo) estarão substantivamente maiores. Esse sempre foi o histórico do Brasil. Nossa moeda nunca permitiu que os preços se comportassem civilizadamente. Como você agirá?

É claro que você embutirá nos juros cobrados essa incerteza em relação à carestia. Por exemplo, como visto, os preços controlados pelo governo provavelmente subirão a uma taxa média de 9,42% a cada 12 meses. Logo, uns 10% ao ano é o mínimo que você deveria cobrar apenas para manter seu poder de compra.

Acrescente a isso o fato de que você quer ter algum lucro, o fato de que você quer ser compensado pelo tempo em que ficará sem seu dinheiro, e o fato de que o tomador de empréstimo já está bastante endividado (o que gera alguma incerteza quanto à sua solvência), e você começará a entender por que os juros bancários são altos no Brasil.

Eis uma conclusão importante: juros altos são, acima de tudo, consequência de uma moeda que continuamente perde poder de compra. Sim, um governo gastador, endividado e com orçamento desequilibrado também impulsiona os juros de uma economia (pois ele está continuamente pegando empréstimos para fechar seu orçamento), mas, ainda assim, o principal sustento dos juros altos é a fraqueza da moeda.

Juros altos são a consequência de uma moeda que perde poder de compra.

Conclusão

O governo, que detém o monopólio da moeda, é um impiedoso destruidor da mesma. Mas nem toda a destruição é igual.

Setores que operam sob concorrência oferecem os bens e serviços cujos preços foram os que menos subiram nos 25 anos de real.

Mesmo com o explosivo crescimento da quantidade de dinheiro na economia nestes 25 anos — que cresceu a uma taxa média de 18% ao ano —, a concorrência neste setor conseguiu conter os preços, fazendo com que seu encarecimento ficasse confinado, como mostra o gráfico 2, a algo entre 4 e 7% ao ano. Isso é um feito e tanto.

Em contraste, bens e serviços ofertados por setores regulados pelo governo e blindados da concorrência por meio de agências reguladoras conseguiram extrair preços cada vez mais altos da população. E com uma qualidade, no mínimo, insatisfatória.

Ao passo que bens cada vez mais demandados pelo povo — como TVs, smartphones, geladeiras, eletrodomésticos, computadores, notebooks e todos os tipos de vestuário — foram os que menos encareceram, bens e serviços ofertados sob intensa regulação do governo — como planos de saúde, remédios, passagens de ônibus, energia elétrica, telefonia, TV a cabo, gasolina e diesel, pedágios, gás de bujão, taxa de água e esgoto etc. — foram os que mais dispararam.

Mesmo alguns itens que são considerados “preços livres”, como mensalidade escolar (que estão entre as que mais subiram nos preços livres), operam sob um regime de proteção estatal. Afinal, a partir do momento em que o governo decreta ser obrigatório matricular seu filho em uma escola — sob pena de encarceramento caso você não o faça —, está criado um mercado cativo, cujos serviços devem ser compulsoriamente consumidos.  Sob esse arranjo cartelizado pelo estado, impossível os preços não dispararem.

Realmente, não é nada complicado. Se você quer bons serviços, bons produtos, idéias inovadoras e preços contidos, você tem de ter mercados livres e concorrenciais. Você tem de ter liberdade de entrada em todos os setores. Você tem de abolir as barreiras regulatórias erigidas pelo governo, as quais servem apenas para proteger as empresas reguladas, garantindo-lhes um mercado cativo e monopolista.

Quanto mais o governo controla, maiores serão os preços, e mais insatisfatórios serão os serviços.

Fonte: Mises Brasil

Continuar lendo ECONOMIA: VEJA O QUE ACONTECEU NOS 25 ANOS DO REAL

Fim do conteúdo

Não há mais páginas para carregar