O BRASIL COGITA FECHAR ACORDO PARA UTILIZAR MAIS DUAS VACINAS CONTRA COVID-19, MAS DEPENDE DO AVAL DA ANVISA

Esperada por governo e clínicas, vacina indiana ainda depende de aval da Anvisa

Anna Gabriela Costa, da CNN, em São Paulo

22 de fevereiro de 2021 às 05:00

A vacina contra a Covid-19 desenvolvida por institutos indianos foi batizada de A Covaxin, vacina contra a Covid-19 desenvolvida por institutos indianos Foto: Reprodução/Bharat Biotech

O Brasil cogita fechar nos próximos dias acordo para a utilização no país de mais duas vacinas contra a Covid-19, a russa Sputnik V e a Covaxin, desenvolvida na Índia pelo laboratório Bharat Biotech. Além do acerto financeiro, os imunizantes dependerão ainda da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicação na população.

Na noite da última sexta-feira (19), o governo publicou uma edição extra do Diário Oficial da União com dois extratos de dispensa de licitação para a compra das vacinas. O documento assegura R$ 693,6 milhões para a compra da vacina russa e R$ 1,614 bilhão para a indiana.

Em nota enviada à CNN, o Ministério da Saúde afirma que planeja, nos próximos dias, assinar contrato com a Precisa Medicamentos, que poderá trazer ao Brasil, entre março e maio, mais de 30 milhões de doses da Covaxin, além de 10 milhões de doses da vacina Sputnik V.

A vacina indiana está aguardando autorização da Anvisa para realizar os estudos clínicos da fase 3 no Brasil. As análises serão conduzidas pelo Instituto Albert Einstein. A novidade despertou interesse nas clínicas particulares brasileiras, que já entraram em contato com a empresa para compra de doses.

A Anvisa se reuniu com representantes do Bharat Biotech, da Precisa Farmacêutica – representante do laboratório indiano no país – e do Hospital Albert Einstein para discutir a melhor estratégia para a submissão formal do pedido de estudo clínico da Covaxin no país.

“Esta iniciativa de reuniões prévias para troca de informação tem o objetivo de dar agilidade às análises e garantir que a pesquisa que será feita no Brasil seja capaz de produzir dados cientificamente válidos sobre segurança e eficácia da vacina”, informou a Anvisa.

O que se sabe sobre a Covaxin

A Covaxin é uma vacina para o combate ao Sars-CoV-2 de duas doses. O imunizante é produzido a partir de vírus inativado.

A vacina é desenvolvida na Índia pela Bharat Biotech em colaboração com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR) e o Instituto Nacional de Virologia (NIV), com apoio da Fundação Bill & Melinda Gates.

Segundo os fabricantes, o laboratório possui capacidade instalada de produção de 300 milhões de doses anuais.

Entre as vantagens do imunizante está a conservação, já que pode ser armazenada em temperaturas que variam de 2ºC a 8ºC. Além disso, de acordo com a Bharat Biotech, a vacina se mostrou eficaz em testes contra a nova variante britânica do vírus.s

Resultados apresentados

A Covaxin foi avaliada em ensaios clínicos nas fases 1 e 2, com resultados promissores de segurança e resposta imunológica, informou o laboratório à CNN.

“O desenvolvimento do produto e os dados dos ensaios clínicos obtidos até agora geraram cinco artigos científicos*, que foram submetidos a revistas internacionais e revisados por pesquisadores independentes”, afirma a Bharat Biotech.

A primeira fase de testes da vacina apresentou resultados de segurança e resposta imunológica dentro do esperado, de acordo com um estudo publicado em 21 de janeiro pela revista londrina “The Lancet”, referência em publicações científicas no mundo.

Uso emergencial na Índia

A publicação dos dados da fase 2 dos ensaios clínicos está sendo submetida ao processo de revisão por pesquisadores independentes. No entanto, segundo o laboratório responsável pela Covaxin, “os resultados até agora divulgados nos permitem manter o mais elevado grau de certeza na eficácia do imunizante”.

Após a apresentação desses resultados, em 3 de janeiro a Covaxin foi recomendada para uso restrito em situação de emergência por um painel nomeado pelo governo indiano, que submeteu suas descobertas ao Drugs Controller General of India, a Anvisa do país.

Desde então, a Índia ampliou o uso da Covaxin em seu programa de imunização em massa, que teve início em 16 de janeiro e aplicou 5 milhões de doses da vacina em profissionais da área da saúde, segundo a Precisa Medicamentos.

Em que fase estão os testes?

Os ensaios clínicos de fase 3 da Covaxin começaram em meados de novembro de 2020 e estão hoje na reta final, com 26 mil voluntários em toda a Índia.

A Precisa Medicamentos, representante do laboratório no Brasil, assinou um termo de cooperação científica com o Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein para realizar no país os estudos complementares de fase 3 da vacina. Os testes devem ser iniciados imediatamente após o aval da Anvisa..

Interesse privado

O governo federal incluiu a Bharat Biotech no Plano Nacional de Imunização divulgado pelo Ministério da Saúde em dezembro.

“Ainda no ano passado, o Ministério da Saúde convidou representantes da Bharat Biotech para uma apresentação sobre a vacina – assim como fez com outros fabricantes. Dessa apresentação surgiu um termo de compromisso, no qual a Bharat Biotech se compromete a atender a demanda do governo federal, após a aprovação da vacina pela Anvisa”, informou a Precisa Medicamentos.

Também existe a intenção de fornecer a vacina ao mercado privado, após o atendimento da demanda do sistema público de saúde. Segundo a Precisa, a intenção é “atender principalmente empresas que necessitem imunizar seus colaboradores para, com isso, garantir o acesso a um número maior de brasileiros e permitir retomada mais rápida e segura da plena atividade econômica”.

“Tanto o fornecimento para o serviço público de saúde quanto ao privado dependem da regulamentação da Anvisa”, ressaltou a empresa.

O que especialistas dizem sobre a vacina

CNN ouviu especialistas sobre o laboratório indiano Bharat Biotech, o histórico de produção de vacinas a baixo custo para países em desenvolvimento e sobre as semelhanças dessa vacina com a chinesa Coronavac, que já é aplicada no país.

De acordo com o imunologista Eduardo Nolasco, a vacina indiana utiliza o vírus inativado, como a Coronavac, entretanto, possui o acréscimo de uma importante molécula protetora contra o vírus.

“Acrescentaram na vacina uma molécula que faz com que a resposta de linfócitos T seja aumentada. É o que a gente chama de resposta celular. É basicamente a formulação dela que difere da Coronavac, principalmente por conta desse indutor da resposta de linfócitos T”, explica.

“Isso é muito importante porque já foi avaliado que a nossa principal resposta de defesa à Covid-19 é de linfócitos T, então eles acrescentaram essa molécula que vai aumentar a produção dessa resposta, que é importante e protetora, talvez até mais do que a própria produção de anticorpos”, completa.

O imunologista acrescenta que a Índia já responde por mais de 60% de produção de vacinas no mundo. “A Bharat Biotech participa ativamente dessa produção. Possui inúmeras vacinas conhecidas, como as vacinas contra raiva, coqueluche, mas talvez a mais famosa seja a Rotavac, que é uma vacina contra o rotavírus, que provoca bastante mortes nos países em desenvolvimento”, diz.

Segundo o médico, a Índia introduziu a Rotavac no seu programa de imunização em 2016 e tem mais de 35 milhões de doses fornecidas até o momento. “A RotaVac chegou a ser fornecida a países pobres por US$ 1, e esse valor ainda pode ser reduzido se for [pedido] uma grande disponibilidade de doses, então eles conseguem fazer bastante vacinas a preços acessíveis para esses países em desenvolvimento”.

Mas ainda que o laboratório se destaque na produção de vacinas, é preciso considerar a eficiência da distribuidora dessas doses no Brasil. É o que pondera o sanitarista e ex-diretor da Anvisa, Ricardo Oliva.

“É preciso saber qual a experiência que a Precisa Medicamentos tem em importar vacinas, receber vacinas, fazer controle, distribuição. Uma coisa é receber da Fiocruz, com certeza fariam todo o controle necessário, o embarque, monitoramento no caminho, agora não sei se a Precisa tem competência para isso”, afirma Oliva.

Um dos fundadores e ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto ressalta a importância da conclusão da fase 3, uma vez que a aprovação desta etapa na Índia não pode interferir na distribuição da vacina em outros países.

“O laboratório é um grande produtor de vacina e ainda exporta para o mundo inteiro imunizantes bastante tradicionais, como o que desenvolveu agora para a Covid-19. Porém, o fato de ela ter sido registrada pela agência de vigilância sanitária da Índia não significa nada”, afirma. “A vacina da Bharat Biotech tem o registro da Índia, lá ela pode e está sendo usada, mas para ser usada fora de lá, falta um estudo de fase 3, por exemplo”, diz Vecina.

Fonte: CNN

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RECUPERAÇÃO HISTÓRICA PARA 2021 É ESPERADA EM 3 PAÍSES DA AMÉRICA LATINA

Os 3 países da América Latina com a maior previsão de crescimento em 2021

Região enfrentou maior crise econômica das últimas décadas. Agora, 2021 verá recuperações econômicas sem precedentes

ECONOMIA

 por BBC NEWS BRASIL

Cepal projeta uma queda histórica de 7,7% na economia regional em 2020

GETTY IMAGES/BBC BRASIL

A queda nas economias latino-americanas em 2020 foi tão forte, em meio à pandemia de coronavírus, que recuperações históricas são esperadas para 2021.

Mas cuidado: isso não significa um grande crescimento econômico que indica um período de vacas gordas pela frente.

Na verdade, trata-se de um esperado “efeito rebote” — ou seja, um forte aumento do PIB (Produto Interno Bruto) na maioria dos países da região, que compensará parcialmente o cenário atual. É uma recuperação econômica parcial em relação a um resultado muito negativo do ano anterior.

A economia do Peru, por exemplo, fechará este ano com uma queda brutal da ordem de 13%, e em 2021 crescerá cerca de 9%, de acordo com as últimas projeções da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

Isso significa que mesmo com um aparente aumento espetacular da atividade econômica, o país ainda estará longe de retornar ao nível pré-crise, uma história que se repetirá na maioria dos países da região.

“A recuperação estará sujeita a muitas incertezas, como a dinâmica da pandemia, a disponibilidade de vacinas, a capacidade dos países em manter políticas de apoio e o que acontecerá com a economia mundial”, diz Daniel Titelman, diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal, à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Para este ano, a Cepal projeta uma queda histórica da economia regional de 7,7%, enquanto para 2021 espera um crescimento de 3,7%.

Se não houver grandes mudanças no horizonte, pode-se dizer que a América Latina atingiu o fundo do poço e agora inicia um lento processo de recuperação.

Durante essa recuperação, os três países que terão o maior crescimento econômico no próximo ano, segundo as projeções da Cepal, serão: Peru (9%), Panamá (5,5%) e Bolívia (5,1%).

Um ano eleitoral no Peru

Apesar do impacto econômico devastador da pandemia no Peru, o ministro de Economia e Finanças, Waldo Mendoza, disse que o país está apresentando uma recuperação “muito mais rápida” que o resto dos países da região.

Entre os motivos, ele citou a redução no avanço da pandemia e os efeitos dos pacotes de estímulo para conter a crise econômica.

“Temos uma situação um pouco mais administrável, que nos permite abrir atividades econômicas com um pouco mais de confiança e menos risco”, disse Mendoza, membro do gabinete do governo de Francisco Sagasti, que assumiu a presidência do Peru em meio a uma profunda crise política, em meados de novembro.

Se a economia do Peru crescer 9% em 2021, conforme projeta a Cepal, será o país com maior crescimento econômico na região, depois de ter ficado no topo do ranking de pior desempenho regional (atrás apenas da Venezuela) em 2020.

Um efeito rebote da economia não está condicionado exclusivamente à evolução da pandemia, mas também às condições políticas.

“Há incerteza por motivos de saúde e por motivos políticos”, explica Diego Macera, gerente do Instituto Peruano de Economia (IPE), à BBC.

“Se houver investimento privado, empregos são criados e isso impulsiona a recuperação econômica, mas se o Congresso que será eleito no próximo ano for como o que temos agora, o golpe para a confiança será grande”, diz ele.

As eleições presidenciais e parlamentares estão convocadas para 11 de abril e o segundo turno, se necessário, está previsto para junho.

No plano econômico, um dos sinais animadores para o próximo ano é que os especialistas esperam melhores resultados no setor de mineração, especialmente em produtos como o cobre.

No entanto, uma das principais preocupações é o que acontecerá com o emprego e o subemprego e como o país conseguirá obter as doses das vacinas necessárias para manter o vírus sob controle.

A recuperação do Panamá

“A recuperação depende de dissipar a névoa da pandemia”, disse Samuel Moreno, presidente do Colégio de Economistas do Panamá, à BBC.

Se for gerada mais confiança na população, diz ele, o consumo interno vai aumentar e a expectativa de fazer negócios no país vai melhorar.

O Panamá é o segundo país, depois do Peru, com a maior taxa de crescimento do PIB projetada para 2021, segundo a Cepal.

A atividade econômica deve crescer 5,5% em 2021, após experimentar uma das maiores desacelerações econômicas regionais neste ano, com queda próxima a 11%, segundo a Cepal.

“Tenho uma visão positiva”, diz Moreno, argumentando que no último trimestre deste ano houve indícios de uma reativação, como, por exemplo, a retomada das operações da companhia aérea Copay e de atividades comerciais e financeiras.

Apesar dos problemas causados ​​pela pandemia, o Panamá mantém uma boa classificação de risco nas agências internacionais, acrescenta o economista, o que contribui para a velocidade da recuperação.

Peça essencial da economia, o Canal do Panamá também começa a dar bons sinais.

“Esperamos que o comércio mundial se recupere em 2021 e que isso continue influenciando positivamente a reativação dos fluxos comerciais nas atividades do canal”, explica Titelman, da Cepal.

“Esperamos também aumento do comércio interno, principalmente de construção e serviços financeiros”, acrescenta.

Um dos maiores desafios para o próximo ano, concordam os especialistas, é a geração de empregos em um país com altos níveis de desigualdade, onde o acesso aos serviços básicos não é garantido nas áreas rurais habitadas principalmente por populações indígenas e comunidades de descendência africana.

O Banco Mundial afirmou que uma de suas preocupações é que os níveis profundos de desigualdade que existem no país aumentem como consequência da pandemia, causando alta da insegurança alimentar e da desnutrição infantil.

A preocupação é compartilhada por Gersán Joseph Garzón, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Panamá.

“Essa pandemia revelou a grande desigualdade que existe no país”, afirma.

Um dos motores essenciais para a reativação, defende o economista, é que o gasto público aumente para gerar novas fontes de trabalho.

“Grande parte do emprego depende de projetos de infraestrutura promovidos pelo governo. Isso ajudaria muito.”

Os desafios da Bolívia

A Bolívia ocupa o terceiro lugar entre os países latino-americanos que podem apresentar maior crescimento, com uma projeção de alta de 5,1% em 2021, após uma queda profunda de 8% em 2020, segundo a Cepal.

O governo de Luís Arce, que iniciou seu mandato em 8 de novembro após um longo período de instabilidade política no país, está promovendo uma série de medidas que incluem aumento do investimento público, crédito a juros baixos aos produtores. e a criação de um imposto permanente sobre grandes fortunas.

E o orçamento do país para o próximo ano reflete um forte aumento do endividamento e dos gastos públicos para sustentar o crescimento econômico.

“Esperamos que as políticas de transferência de renda que estão sendo realizadas na Bolívia possibilitem o acionamento da demanda interna”, disse Titelman, acrescentando que o programa de recuperação produtiva que o governo está implementando também pode gerar mais dinamismo econômico.

No que diz respeito às exportações, uma fonte essencial de recursos para a Bolívia é a venda de gás natural para os países do Cone Sul. É por isso que “a evolução do Brasil e da Argentina influenciará significativamente a recuperação da Bolívia no próximo ano”, diz Titelman.

Os planos de recuperação da economia boliviana, como ocorre com o restante dos países, estão sujeitos à grande incógnita sobre o controle do vírus.

“Não sabemos o que acontecerá com a pandemia. A recuperação dependerá se serão necessárias medidas que restrinjam a atividade econômica e a mobilidade das pessoas”, afirmou Juan Antonio Morales, ex-presidente do Banco Central e professor da Universidade Católica Boliviana.

Outros fatores como a evolução do contexto econômico internacional e os preços dos recursos naturais também vão influenciar, segundo ele. Nessa frente, existem alguns sinais de esperança.

“Os preços das commodities tiveram uma recuperação considerável”, o que favorece a mineração local, afirma o economista.

Ele também destaca que houve aumento no preço de alguns alimentos, fenômeno que pode ser “uma boa notícia para os exportadores desses alimentos, mas uma má notícia para os preços internos”.

São tantos os elementos que entram em jogo na análise das perspectivas econômicas para a América Latina em 2021 que qualquer mudança no cenário pode transformar as projeções.

Se há algo em que há um pouco mais de certeza, é que faltam vários anos para a região recuperar o crescimento econômico que tinha antes da pandemia, e mais ainda para melhorar os indicadores sociais.

E o Brasil?

Apesar de não estar entre as economias na América Latina que mais vão cair em 2020, o Brasil deve apresentar contração de 5,3% em seu PIB neste ano, de acordo com a Cepal. Para 2021, a previsão é de crescimento de 3,2%.

“Em 2020, a pandemia da doença coronavírus (covid-19) marcou negativamente a evolução da economia brasileira e um elevado número de vidas”, disse a entidade.

Fonte: R7

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