SAÚDE: SEGUNDO ESPECIALISTA, ENVELHECER BEM DEPENDE DE VÁRIOS FATORES E DA FORMA DIFERENTE COMO RESPONDE AOS DIVERSOS TIPOS DE DIETAS

As dietas funcionam? Novos estudos garantem que bom senso é a melhor escolha

Envelhecer bem, segundo especialistas, depende de fatores genéticos, da idade e do período da vida – e da certeza de que cada indivíduo responde de forma diferente aos diversos tipos de dietas

Agência Estado

Cristiane Segato, do Estadão Conteúdo

Estadão Conteúdo

O que colocamos no prato tem a capacidade de interferir nos mecanismos intracelulares a ponto de expandir nossa longevidade? O mercado das dietas antienvelhecimento prospera ao alimentar o sonho de viver anos a mais e com saúde até a velhice.

Faz isso com alegações cientificamente frágeis, mas sedutoras. Uma nova revisão de estudos publicada na revista Science em novembro separa fatos de ficção em um dos mais populares filões da alimentação saudável.

O objetivo da pesquisa foi resumir o conhecimento atual sobre as chamadas dietas antivelhecimento. Os autores delimitaram a pesquisa aos estudos pré-clínicos realizados em roedores e, quando possível, aos achados mais relevantes em humanos.

Analisaram algumas das dietas mais difundidas, como a restrição calórica, o jejum intermitente, a alimentação sem proteínas e a dieta cetogênica.

Resultado positivo

A análise demonstra que, de todas as intervenções alimentares pesquisadas pela ciência, a redução calórica é a única que demonstrou ser capaz de ampliar a longevidade em experimentos com animais.

Roedores submetidos a uma drástica diminuição de calorias chegam a viver 50% mais tempo que os animais livres dessa dieta. Caso fosse possível replicar esse resultado em humanos, seria como elevar a expectativa de vida de 80 anos até o patamar dos 120.

A lógica desse tipo de dieta é reduzir à metade o consumo diário de calorias por longos períodos, sem chegar ao estado de desnutrição. Por enquanto, não há evidências científicas de que ela ou qualquer outra forma de dieta seja capaz de aumentar a longevidade. Ou seja: prolongar o tempo de vida para além da expectativa média.

“Procuramos evidências de que as demais ‘dietas antienvelhecimento’ vendidas às pessoas apresentavam efeitos similares, ao menos em estudos com animais”, disse à Agência Estado o biogerontologista Matt Kaeberlein, coordenador do estudo.

“A resposta é, claramente, não”. O professor da Universidade de Washington, em Seattle, salienta que o fato de não prolongarem a longevidade não significa que essas dietas não tragam nenhum benefício à saúde das pessoas. Segundo ele, os dados disponíveis em relação a isso não são claros.

Personalização

Uma característica do bem-sucedido mercado das dietas é transformar evidências limitadas obtidas em estudos com animais em promessas milagrosas para quem deseja viver mais e melhor.

“O campo da nutrição é confuso. Até mesmo para alguém com treinamento é difícil navegar por tantos conselhos contraditórios”, afirma Kaeberlein. “Minha sugestão é ignorar o ruído. Se alguém disser que a dieta X é a melhor para você, essa pessoa está mentindo”.

Cada indivíduo responde de forma diferente aos diversos tipos de dieta. Um esquema benéfico para alguns pode ser danoso a outros, salientam os autores. Além disso, a biologia de cada um muda ao longo do tempo.

Dessa forma, a resposta individual a um mesmo tipo de dieta pode ser diferente aos 20 anos e aos 60.

Os autores não recomendam que as pessoas adotem dietas radicais de restrição calórica. Além de não haver comprovação de aumento da longevidade em humanos, esse tipo de esquema alimentar pode trazer riscos à saúde, como prejudicar o sistema imunológico e a cicatrização.

Melhor que fast food

Para algumas pessoas, as chamadas dietas antienvelhecimento podem servir de motivação para a melhoria dos hábitos. Vistas por esse ângulo, talvez elas tenham alguma contribuição a dar.

Segundo Kaeberlein, seguir uma dessas dietas é melhor do que viver de fast food e permanecer na obesidade. “Se uma dessas dietas ajudar alguém a emagrecer e a manter o peso saudável, isso será bom para a saúde”, diz.

O bom senso ainda é a melhor bússola. Maus hábitos alimentares (consumo constante de produtos ultraprocessados, com excesso de açúcar, sal e gordura, por exemplo) podem abreviar a vida.

Ao mesmo tempo, escolhas saudáveis aumentam a chance de chegar à velhice com boa saúde. Planos alimentares personalizados e sem radicalismos (em vez das dietas da moda) são a melhor estratégia para quem pretende reduzir o risco de doenças e, talvez, ter uma vida longa.

“Não existe dieta ideal para o ser humano”, diz o endocrinologista Marcio Mancini, chefe do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas, em São Paulo. “Alguns indivíduos vão se dar muito bem comendo um monte de proteínas e cortando gorduras e carboidratos, mas a maioria nem consegue seguir dietas rígidas a longo prazo”, afirma.

Efeito Sanfona

Mancini salienta que a dieta cetogênica e a Dieta de Atkins são variações sobre o mesmo tema. Leva a uma perda de peso relativamente rápida, mas é difícil de seguir por muito tempo.

Segundo ele, o chamado efeito sanfona (recuperação do peso perdido) é mais comum nas chamadas dietas antienvelhecimento do que nos programas balanceados para perda de peso.

Ele destaca a dificuldade de transpor para estudos em humanos os achados verificados em pesquisas com animais.

“Mostrar o que acontece em animais ou em poucas pessoas por um período curto é uma coisa. Fazer um grupo grande de indivíduos seguir esse tipo de dieta restritiva durante um tempo longo não é tarefa fácil. Não vivemos em gaiolas, à espera de alimento. No dia a dia, as dificuldades de seguir esse tipo de intervenção aparecem”.

Segundo Mancini, há pesquisas em humanos que conseguem comprovar o efeito de algumas intervenções dietéticas na melhoria das taxas de glicose e na redução da hipertensão em poucas semanas.

Demonstrar que seguir esses esquemas ao longo dos anos pode levar ao aumento da longevidade é mais complicado.

Novas drogas

Por mais que seja difícil demonstrar em humanos que dietas possam desacelerar o envelhecimento e expandir a duração da vida, esse tipo de pesquisa é importante, mesmo quando realizada apenas em camundongos.

Apesar de suas limitações, esses estudos contribuem para a melhoria da compreensão da resposta celular à baixa disponibilidade de nutrientes.

Os cientistas acreditam que essa linha de pesquisa pode levar à descoberta dos mecanismos moleculares capazes de explicar o aumento da longevidade e à criação de remédios para estimulá-la.

Eles começam a detalhar a rede complexa composta de múltiplas vias de sinalização que convergem em centros moleculares importantes.

O principal deles é o chamado alvo mecanicista da rapamicina (mTOR), proteína relacionada à atividade mitocondrial, à autofagia (limpeza dos dejetos das células) e à redução da inflamação que contribui para o envelhecimento.

A geneticista Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-tronco da Universidade de São Paulo (USP), destaca também o papel das sirtuínas, proteínas envolvidas no processo de envelhecimento.

“Uma das hipóteses é a de que a restrição calórica ativa essas proteínas e, com isso, elas fariam a célula entrar em um regime de baixa atividade para poupar energia. Algo como baixar o nível de luminosidade do celular para reduzir o consumo da bateria”, afirma.

“Por outro lado, estudos mostram que o resveratrol presente nas uvas rosadas e no vinho tinto teria exatamente o mesmo efeito de ativar as sirtuínas.”

Para quem pode

Autora do livro “O legado dos genes: o que a ciência pode nos ensinar sobre o envelhecimento”, escrito em parceria com a jornalista Martha San Juan França, Mayana lidera um projeto de pesquisa sobre pessoas saudáveis com mais de 80 anos. Segundo ela, a longevidade excepcional é para quem pode – não para quem quer.

“Existem centenários que aguentam qualquer desaforo do ambiente; pessoas que vivem muitos anos mesmo sem ter um estilo de vida saudável”, afirma. Eles são exceção. Para a maioria das pessoas, há uma interação entre o genoma e o ambiente.

Segundo Mayana, muitos genes devem atuar para aumentar a longevidade, mas o ambiente tem um papel muito importante. “O exercício físico é consenso; não há dúvida de que ele aumenta a expectativa de vida com qualidade”, diz ela. “No caso das dietas, há controvérsias.”

Certezas?

Chegará o dia em que a ciência conseguirá demonstrar que uma ou outra dieta tem o potencial de dar aos humanos alguns anos de vida a mais?

O professor Matt Kaeberlein mantém o ceticismo. “Não acredito que qualquer dieta sozinha seja capaz de aumentar a longevidade das pessoas de forma expressiva (30 ou 40 anos), mas posso estar errado”, afirma.

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APLICAÇÃO DA VACINA DA PFIZER EM CRIANÇAS DE 5 A 11 ANOS FOI APROVADA POR UNANIMIDADE PELO CDC NOS EUA

CDC aprova vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos nos EUA

Painel da entidade aprovou o uso emergencial e depende de autorização da diretora para iniciar imunização em breve

INTERNACIONAL

 Do R7

Aplicação do imunizante em 28 milhões de crianças pode começar ainda nesta semana

ERIK S. MENOR/EFE/EPA

O painel de especialistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) aprovou por unanimidade a aplicação da vacina da Pfizer contra a Covid-19 em crianças com idade entre 5 e 11 anos. Cerca de duas horas depois, Rochelle Walensky, diretora do órgão, deu também sua permissão para que a imunização pudesse ser iniciada no país. Assim, a vacinação de crianças pode começar já na manhã desta quarta-feira (3) nos EUA.

Com isso, a vacinação de crianças pode ser iniciada ainda nesta semana. Na última sexta-feira, a agência de alimentos e medicamentos do país (FDA) já havia feito a mesma aprovação para uso emergencial. A medida é considerada essencial já que o país está perto de entrar no inverno e teme novo surto da doença, especialmente em áreas com baixa vacinação de adultos.

A dra. Walensky apareceu rapidamente no início da reunião e disse que aquele era um dia que “muitos de nós estávamos ansiosos para ver”, mas que é apenas uma parte do combate à pandemia. “É importante que continuemos a vacinar o maior número possível de adultos para proteger as demais crianças nas comunidades”, disse ela, referindo-se aos menores de 5 anos.

Segundo o jornal New York Times, o governo federal americano preparou um programa com mais de 20 mil pediatras, médicos de família e farmácias para aplicar as vacinas. Cerca de 15 milhões de doses já estão sendo preparadas para distribuição.

As crianças vão receber um terço da dose autorizada para os maiores de 12 anos e adultos, em duas doses com intervalo de três semanas. Essas vacinas serão armazenadas em ampolas menores e aplicadas com agulha própria.

Os especialistas consideram a época do ano crítica porque, após semanas de queda nos números da doença, as reuniões familiares de feriados como o Dia de Ação de Graças e o Natal, realizadas quase sempre em locais fechados por causa do tempo frio, podem voltar a causar surtos de Covid-19.

Cerca de 2 mil escolas em todo o país precisaram ser fechadas após a reabertura, entre agosto e outubro, por causa de surtos localizados da doença.

Riscos e benefícios

Segundo o CDC, os dados dos testes realizados mostram que os benefícios da imunização superam os riscos em potencial. Durante a discussão, os especialistas analisaram informações sobre a possibilidade de o imunizante causar uma inflamação no coração, a chamada miocardite. Os testes mostram que o risco é maior entre homens de 16 a 29 anos, mas a grande maioria se recupera e a possibilidade de apresentação do problema cai bastante na faixa entre 12 e 15 anos.

No entanto, uma forma muito mais preocupante de miocardite pode acontecer em casos graves de Covid, segundo os estudos, e o CDC não conseguiu detectar nenhuma morte por miocardite causada pela vacina. “Pegar Covid traz muito mais risco ao coração do que a vacina”, disse um dos cientistas do CDC, Matthew Oster.

Segundo o CDC, cerca de 8,3 mil crianças entre 5 e 11 anos chegaram a ser internadas por Covid (e um terço delas precisou de terapia intensiva) desde o início da pandemia e pelo menos 94 morreram. O número é proporcionalmente mais baixo que o observado em outras faixas etárias, mas no auge do último surto, após a reabertura das escolas, crianças dessa idade responderam por 11% dos casos registrados, na semana de 4 a 10 de outubro.

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OPINIÃO: PRECISAMOS SER A MUDANÇA QUE QUEREMOS NO NOSSO PAÍS

O Brasil nas nossas mãos: O futuro depende de nós

Foto: Agência BrasilFoto: Agência Brasil

Futuro já começou …precisamos ser a mudança que queremos para o nosso País. A realidade só muda pelo conhecimento e pela informação que provoca decisões e produz ações…o resto é mi mi mi, o que não falta na atualidade.

Tudo muda e certamente o mundo mudou nos últimos 30 anos: para pior e para melhor…,mas o que realmente mudou?

O fato é que a sociedade mudou muito pouco, quando falamos em política e comportamento político social, se pararmos para pensar… não me refiro à conjunção de fatores que elegeram um Candidato Conservador.

Como assim?

Calma, calma: vou explicar…

Atenção: Este é um Artigo Loooongo com mais de 3.200 palavras (desculpem rsss): caso queiram, podem acessar a versão Áudio/Podcast cujo link está no final da página, mas recomendo LER ou OUVIR e compartilhar pois certamente muitas “fichas vão cair” nesse momento crucial de nossa história face as eleições, processo que já começou.

Aos que preferem ler, vamos em frente…

Dias atrás revi uma entrevista “antiga” do Enéas Carneiro no “roda viva” de 1994 (que recomendo ver, mesmo por curiosidade), onde o então candidato à presidência, esse “personagem inesquecível” que nos deixou aos 68 anos em 2007, vítima de uma leucemia mieloide aguda, falava de suas ideias e plataforma como candidato, então pela segunda vez à Presidência (na primeira com seus 15 segundos de TV onde ficaram notabilizadas frases de efeito sempre finalizando com o tradicional bordão “meu nome é Eneeeeeas” e desta feita com cerca de 1 minuto e 17 segundo de TV onde se constituiria num dos maiores fenômenos eleitorais do Brasil, chegando em Terceiro Lugar na corrida Presidencial de 94 com cerca de 4.6 milhões de votos): um grande feito para um Conservador num ambiente já contaminado pela esquerda (também conhecida como a “Social Democracia Progressista de FHC”).

Nessa entrevista, que mais parecia a “santa inquisição”, o Enéas era submetido a um grupo de “jornalistas” nitidamente de extrema esquerda já simpatizantes de Lula, que seria fragorosamente derrotado por FHC (o candidato das Oligarquias, então) nas eleições de 94 por 34.3 milhões de votos, contra 17.1 milhões de votos de Lula, em turno único àquela época.

Era a segunda vez que um candidato considerado Conservador (ele próprio se dizia Conservador, mas acima de tudo um Nacionalista), mesmo com um conjunto de ideias meio malucas (como defender intervenção do Estado e Liberdade de mercado, algo certamente incompatível), se submetia ao “escrutínio” jornalístico de plantão algo que depois do Dr. Eneas, se é que ele de fato era um Conservador, jamais voltaria a acontecer até 2018 com Bolsonaro…

Um hiato de 24 anos (de Janeiro de 1995 até Janeiro de 2019) nos quais seriamos ASSALTADOS pelos governos PROGRESSISTAS (mesmo dando um desconto aos 2 últimos anos com o Temer, após o impedimento de Dilma)…principalmente nos últimos 14 com o PT.

Nessa entrevista do Eneas, vemos que o ambiente não mudou tanto assim (mesmo que a corrupção tenha sido atacada e combatida, todas as instituições continuam aparelhadas)…quem aparentemente mudou fomos nós… pois ficamos mais “espertos” e mais bem informados com a Internet; as redes sociais; o WhatsApp: e os novos canais independentes de mídia e jornalismo, nem sempre tendenciosos como os que tínhamos até então e que dominavam o pedaço, “fazendo nossas cabeças”, pois tinham na ocasião, a credibilidade que hoje não tem.

A mudança da População seria inevitável: CONHECIMENTO É PODER…

Ao rever o programa, se não soubéssemos a data, poderíamos dizer que a entrevista estaria sendo realizado hoje e veríamos algumas das posições defendidas por Enéas, como o potencial de riquezas do Brasil e os interesses escusos presentes no Establishment, sempre contrários aos interesses dos brasileiros e privilegiando a “elite” detentora do poder.

Não quero me ater às posições do Enéas, algumas das quais, discordo como a ideia de um “estado controlador”, o que se assemelha ao “socialismo”, embora ele se apresentasse com veemência como um ser liberal e a favor da “livre iniciativa”.

Mas sobretudo, na ocasião, a opinião expressa por Enéas sobre Lula chamava a atenção…algo que se materializou como uma profecia sinistra, anos depois. A história apenas confirmou o que Enéas já sabia e alertava aos brasileiros que naquela época não entendiam muito bem, infelizmente e assim, fomos enganados (já que até então Lula sempre fora visto apenas como um Ativista Sindical populista).

Dessa forma, quando finalmente Lula “sucedeu” FHC, tornando-se presidente pela primeira vez eleito em Outubro de 2002, continuaríamos a ser enganados por muito mais tempo, onde nada mudaria se não houvesse ocorrido o “acidente” da tal “terceira via”, me refiro a Bolsonaro, claro, produzido pela força e efeito “desconhecido até então”, da opinião pública que surgiu nas redes sociais e me refiro as Tias, Tios e Avós do Zap, principalmente, que refletiam um estado de consciência jamais visto e que fora produzido pelos escândalos de corrupção e pela ação da lava jato. Mais uma vez: CONHECIMENTO É PODER.

Eneas falava sobretudo do despreparo de Lula e de seu inegável desvio de caráter, algo que se revelou ainda pior quando este foi alçado ao poder… e essa história conhecemos bem. Mas Eneas se enganou: LULA ERA AINDA PIOR QUE ELE IMAGINAVA.

Nas eleições de 1994, depois da experiencia frustrada da Eleição de Collor (um candidato de orientação neoliberal) que herdara uma inflação de 1764% a. a. do fracassado governo Sarney (e hoje ficamos assustados e com razão pelo efeito da pandemia que nos trará uma inflação pouco acima de 8% a.a. e onde a Argentina chega a 50% a.a. sendo a sexta pior no mundo), e assim, chegávamos a um pleito onde tínhamos 9 candidatos à presidência dentre eles, além de FHC e Lula, o próprio Enéas, o Darcy Ribeiro, o Leonel Brizola, o Orestes Quércia e o Espiridião Amin, mas onde o FHC seria imbatível e teria como grande cabo eleitoral o “Plano Real” fruto de cabeças brilhantes, principalmente a do Economista Gustavo Franco, que debelaria definitivamente a Hiperinflação no País. FHC na ocasião era o Ministro da Fazenda do Governo Itamar Franco que herdara o Governo após o impedimento de Collor.

O sucesso do Plano Real que contava com o apoio de 70% da população (com o qual Eneas discordava, por razões obvias), contribuiria não apenas para eleger FHC em 1994, como para o reelege-lo em 1998, desta vez com a coligação que detinha mais de 70% dos Deputados e Senadores do Congresso, onde PFL, PMDB, PPB e PTB passavam a deter cargos no primeiro escalão do governo, dando início ao famigerado “teatro das tesouras” já que nas eleições seguintes teríamos a eleição de Lula que assumiria o governo (já razoavelmente aparelhado) em Janeiro de 2003, assim “convencendo” o Establishment de que faria o “jogo do poder das elites” e daí em diante, até o impedimento de Dilma (ao que tudo indica algo promovido pelo próprio Lula e pelo PSDB), teríamos 14 anos onde o Brasil foi destruído por governos “ditos” progressistas (PSDB e PT), o que representou então, os 22 anos de aparelhamento que saqueou o Brasil e os Brasileiros, quase inviabilizando o País como ocorreu com outros países “geridos” pela esquerda no mundo, mas principalmente na América Latina, tomada pelos participantes do “foro de São Paulo”, uma outra história hoje bem conhecida por muita gente.

MAS HOUVE UMA MUDANÇA IMPORTANTE DE 2016 PARA CÁ

Se a conclusão é a de que na política muito pouco mudou, como afirmei, na sociedade vivemos mudanças na forma de comunicação o que impactou a forma de como o “jogo político” passou a ser jogado à partir do impedimento de Dilma, basta ver de como as “redes” deram um susto no Establishment em 2018 e que à ocasião, já considerava como “favas contadas” a permanência dos “progressistas” no poder, mas como na poesia de “Drummond”: tinha uma “pedra no caminho”…uma pedra chamada Dilma… e não me refiro a sua duvidosa reeleição vencendo o Aécio, mas à estratégia malsucedida de substitui-la por alguém da “turma” das “Tesouras”, algo que não se materializou nas eleições de 2018 após a transição Temer.

Mesmo que a política e o modelo de subserviência no Brasil tenha sido mantido, principalmente com base no caráter corporativista que nos trouxe a constituição de 1988 (e suas incontáveis emendas mais que convenientes), a classe política foi de mal a pior, a julgar pelos 13 candidatos que concorreram à presidência em 2018, o que evidenciava o “vácuo” de bons políticos que vivemos nos últimos 20 anos: as pessoas envelhecem; outras morrem e nem sempre seus sucessores, de sangue ou não, tem o carisma e a expertise de seus mentores, muito menos em tempos de redes sociais.

Isso, sem dúvida, facilitou a vitória de uma terceira via em 2018 (interrompendo o “teatro das tesouras” à brasileira) no caso com a eleição do Bolsonaro, um improvável candidato da direita Conservadora num país dominado pela esquerda “progressista” (outro nome dado ao Socialismo), tanto na política, quanto de um aparelhado sistema judicial; da mídia; da cultura; da educação e dos principais setores da nossa sociedade que representam a economia.

Produziu-se assim, por um conjunto de fatores que já apresentei em outros artigos, a inflexão da curva que parece se materializar mesmo com tantas forças em contrário, algo que nem as fraudulentas pesquisas de “opinião” tem o poder de mudar, caso haja eleições limpas em 2022. Sendo um processo, os dados ainda estão rolando, mas reverter a inflexão por vias normais é algo pouco provável, mesmo pelo conjunto de forças de oposição.

Se por um lado tivemos e temos um processo de “doutrinação” nas duas últimas gerações, principalmente via Cultura e Educação, sabemos que a maior longevidade de uma população mais informada a cada dia, a mesma que produziu a “virada” nas urnas nos últimos anos, permanece engajada e possivelmente aumentou em número.

O tempo e a experiencia são os pais da razão e hoje a comunicação é absolutamente uma questão de curadoria onde há opções…ainda.

Uma população ativamente envolvida na política nacional é tudo que o Establishment gostaria de evitar, mas tem fracassado mesmo com todo aparato envolvido na censura e restrição nas liberdades de expressão. Pela primeira vez na nossa história a informação circula apesar dos canais uma vez que os vetores são a própria população.

Sociologicamente falando, a grande maioria da populações brasileira se apresenta como “conservadora nas pautas de “costumes” e “liberal nas pautas econômicas” e nada indica que isso vá mudar nos próximos anos: é um fenômeno Global mesmo que a oposição raivosa também seja global…globalista, para ser mais preciso.

Os eleitores jovens hoje entre 18 e 24 anos representam 19 milhões do eleitorado Brasileiro (onde apenas 1.3 milhão estão na faixa de 16 a 17) e, mesmo que seja um contingente importante, se encontra dividido. Assim, o contingente sênior dos cerca de 148 milhões de eleitores brasileiros é, como falei, majoritariamente composto por conservadores na pauta de costumes e liberal em termos de economia, defensores de um Estado menor, mais ágil e atento às suas reais funções de gestão em relação ao bem estar da população e ao desenvolvimento do potencial natural e agroindustrial que possuímos, o que nos coloca como uma potência econômica indiscutível, o que assusta e preocupa muita gente que concorre com o Brasil pelos mercados Globais: há sem dúvida um conflito de interesses que só vai se acirrar.

DITO ISSO, PARA ONDE VAMOS?

Tenho total convicção de que as eleições de 2022 serão as mais importantes da nossa história pois, não apenas podem impedir o retorno de criminosos que tomaram o país por quase 30 anos (e muitos ainda estão lá…, me refiro ao poder), mas também porque implicam na continuidade do processo de renovação das nossas “casas políticas” e também nos Estados: como enfatizei no último artigo, temos três jogos em andamento e não apenas o da eleição presidencial.

Assim, considero da maior importância o engajamento e conscientização de todos nós para a responsabilidade de cada um de nossos voto. Com base nisso, algo que vou repetir à exaustão até Outubro de 2022, o que está em jogo é o futuro do Brasil e dos Brasileiros, me refiro ao futuro imediato e não algo longínquo lá no horizonte.

Para começar, vou repetir o final do meu artigo publicado no JCO em 08/05/2021, sob o título SURGEM NO HORIZONTE OS SINAIS DE UM NOVO BRASIL.

Segue… e vale ler ou reler e propagar:

Se paramos para verificar como se apresentam os grupos de políticos que atuam nas casas políticas (também nos Estados e Assembleias), identificamos as seguintes configurações:

Os dinossauros honestos. Políticos honestos da velha guarda que são raríssimos;

Os dinossauros Bandidos, que entre os dinossauros são a maioria (muitos dos quais denunciados em processos da lava jato e que são os chamados “rabo preso” junto ao STF via foro privilegiado;

Os filhos dos dinossauros, que com honrosas exceções são frutas que não caem muito longe do pé, algo como filho de peixe, que são responsáveis em preservar as dinastias de poder que foram criadas ao longo da história da “Republica”…

A nova geração que tem algum poder pois são alavancados por algum tipo de interesse que tem poder. Muitas vezes interesses genuínos e outras vezes não.

A nova geração que representa o chamado “baixo clero” (mesmo que no baixo clero tenhamos integrantes de vários grupos) que, embora tenham boas pautas, não tem poder para implementá-las (Bolsonaro foi um destes). Esses, em sua maioria, são os representantes de boa parte da população: aqueles que tem a missão dificílima de enfrentar o establishment quase que sem nenhuma munição.

Guardadas as proporções, a estratificação é mais ou menos essa, o que nos mostra que boa parte da nova geração de políticos que tem poder é cooptada pelo sangue ou pela corrupção. E outra parte é formada por jovens políticos que representam as minorias sem grande poder de realização ou por outras vezes são também oportunistas buscando uma têta para mamar.

E visando manter o aparelhamento, temos no parlamento duas ferramentas que possibilitam perpetuar o “cabresto” de boa parte dos membros: me refiro a 1) o foro privilegiado que representa uma espécie de “salvo conduto” para garantir o poder da cooptação dos políticos e 2) a não prisão até o trânsito em julgado (a não possibilidade de prisão em segunda instância) que torna quase inimputáveis de pena os corruptores, que são representantes das oligarquias e facções criminosas que mandam no Parlamento (algo que se estende ao poder nos Estados e municípios).

Nem vou entrar aqui no sistema eleitoral que elege “gente sem voto” popular…me refiro ao “sistema proporcional”(QE e QP) que se aplica a Deputados e vereadores, mas que sugiro buscarem informações sobre esse famigerado sistema.

O PODER DO VOTO OU QUE O VOTO PRECISA TER

Por todas essas razões, estamos como falei, diante da mais importante eleição da nossa história. E não podemos de forma alguma renunciar ao VOTO CONSCIENTE e FISCALIZADO (se não auditado) para que a lisura do pleito possa cumprir o seu papel de representar o estágio de consciência e informação do eleitorado brasileiro… algo que de fato precisará ser consolidado nas próximas eleições (e quando digo próximas, me refiro aos próximos 20 anos, mas sobretudo às eleições de 2022).

Nessa hora e, desde já (lembrando que o Establishment já se encontra e franco processo eleitoral e a CPI, não deixa nenhuma dúvida quanto a isso), é preciso que cada eleitor cumpra o seu dever de casa para consolidar o processo de mudança que desejamos e precisamos.

E qual é o dever de casa de cada um dos eleitores brasileiros?

Segue uma lista breve, dos principais pontos que considero fundamentais:

Conheça os seus candidatos (algo como você nunca fez): faça pesquisas e se for o caso, crie até um breve dossiê da vida pregressa de cada um deles… não é difícil fazer: fontes não faltam. O importante é saber da idoneidade deles e do que já fizeram de bom pela sociedade, principalmente se já tiveram mandatos e pleiteiam reeleição.

Conheça e entenda as ligações dos seus candidatos com organizações diversas e com outras pessoas que representam interesses setoriais. Não se deixe enganar, muitos deles estarão mudando seus discursos e apagando “evidências” de ligações comprometedoras com gente ruim (para dizer o mínimo).

Veja a reputação e as ações dessas relações e veja as reais intenções dessas ligações. Quem os seus candidatos apoiam ou defendem?

Avalie a capacidade do candidato, me refiro mesmo ao perfil dos candidatos em relação à missão que você pretende atribuir a eles (não se esqueça que o que se atribui é um mandato, ou seja, uma missão de te representar): e não se esqueça que os políticos que você ajuda a eleger são uma espécie de espelho seu, das suas convicções e das aspirações para você mesmo e para a sociedade em geral.

Faça uma avaliação crítica do que pensa cada um dos candidatos que você poder vir a escolher, me refiro ao que eles defendem em termos de pautas que melhoram a vida da coletividade. Fuja de candidatos que se vestem de “chavões” retóricos que são pura demagogia e que não tem nenhuma sintonia com a realidade: lembremos que política é mesmo “a arte do possível” e que o que não está calcado na realidade é mesmo retórica para te enganar.

Se alguns dos teus candidatos estão em mandato, faça uma pesquisa de como votaram as pautas mais importantes dos últimos anos: comece por exemplo por como votou a PL 4754/2016 que visa manter/preservar o ativismo judicial que tanto mal tem feito ao país…,mas tem muitas outras votações importantes disponíveis que podem dizer quem é quem em relação ao que importa: me refiro a Parlamento; Estados e Municípios em geral.

Bem, é isso…

Aproveito para transcrever neste artigo, mensagem de vídeo que recebi e que circula nas redes, definindo os tipos de ladrão:

Segundo Francois-Marie Arouet, filósofo mais conhecido pelo seu pseudônimo VOLTAIRE, há dois tipos de ladrões:

O Ladrão Comum: que é aquele que rouba sua carteira, seu dinheiro, seu relógio, seu celular… e;

O Ladrão Político: que é aquele que rouba o seu futuro, o seu conhecimento, os seus sonhos, a sua educação, a sua saúde, o seu salário, as suas forças…o seu sorriso;

A grande diferença entre esses dois ladrões é que o Ladrão Comum te escolhe para roubar os teus bens…enquanto o Ladrão Político é você que o escolhe para te roubar.

E há ainda outra importante diferença, não menos importante: o Ladrão Comum é procurado pela Justiça e o Ladrão Político é, em geral, PROTEGIDO POR ELA.

Em que pese essa definição haver sido feita por Voltaire no século XVIII, de lá para cá, como afirmei no início deste artigo, nada mudou significativamente…pelo contrário, ficou ainda mais fácil, sutil e sofisticada a arte de te roubar por ambos os tipos de Ladrão.

Então que fique claro:

O processo de mudança do Estado e da sociedade não é uma corrida de 100 metros rasos e sim, uma imensa e sofrida maratona. E nesse imenso desafio, o VOTO representa o único bem que torna todos nós IGUAIS em termos de nos atribuir poder: numa sociedade democrática o VOTO é capaz de mudar a realidade e promover um futuro melhor.

Comece HOJE MESMO a construir o seu VOTO para 2022 (a oposição já começou): não é uma tarefa fácil e nem rápida, mas necessária para resgatar o Brasil que queremos para nós, nossos filhos e nossos netos.

NÃO ACEITE MAIS SER ROUBADO POR POLÍTICO LADRÃO!

Foto de JMC Sanchez
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O BRASIL COGITA FECHAR ACORDO PARA UTILIZAR MAIS DUAS VACINAS CONTRA COVID-19, MAS DEPENDE DO AVAL DA ANVISA

Esperada por governo e clínicas, vacina indiana ainda depende de aval da Anvisa

Anna Gabriela Costa, da CNN, em São Paulo

22 de fevereiro de 2021 às 05:00

A vacina contra a Covid-19 desenvolvida por institutos indianos foi batizada de A Covaxin, vacina contra a Covid-19 desenvolvida por institutos indianos Foto: Reprodução/Bharat Biotech

O Brasil cogita fechar nos próximos dias acordo para a utilização no país de mais duas vacinas contra a Covid-19, a russa Sputnik V e a Covaxin, desenvolvida na Índia pelo laboratório Bharat Biotech. Além do acerto financeiro, os imunizantes dependerão ainda da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicação na população.

Na noite da última sexta-feira (19), o governo publicou uma edição extra do Diário Oficial da União com dois extratos de dispensa de licitação para a compra das vacinas. O documento assegura R$ 693,6 milhões para a compra da vacina russa e R$ 1,614 bilhão para a indiana.

Em nota enviada à CNN, o Ministério da Saúde afirma que planeja, nos próximos dias, assinar contrato com a Precisa Medicamentos, que poderá trazer ao Brasil, entre março e maio, mais de 30 milhões de doses da Covaxin, além de 10 milhões de doses da vacina Sputnik V.

A vacina indiana está aguardando autorização da Anvisa para realizar os estudos clínicos da fase 3 no Brasil. As análises serão conduzidas pelo Instituto Albert Einstein. A novidade despertou interesse nas clínicas particulares brasileiras, que já entraram em contato com a empresa para compra de doses.

A Anvisa se reuniu com representantes do Bharat Biotech, da Precisa Farmacêutica – representante do laboratório indiano no país – e do Hospital Albert Einstein para discutir a melhor estratégia para a submissão formal do pedido de estudo clínico da Covaxin no país.

“Esta iniciativa de reuniões prévias para troca de informação tem o objetivo de dar agilidade às análises e garantir que a pesquisa que será feita no Brasil seja capaz de produzir dados cientificamente válidos sobre segurança e eficácia da vacina”, informou a Anvisa.

O que se sabe sobre a Covaxin

A Covaxin é uma vacina para o combate ao Sars-CoV-2 de duas doses. O imunizante é produzido a partir de vírus inativado.

A vacina é desenvolvida na Índia pela Bharat Biotech em colaboração com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR) e o Instituto Nacional de Virologia (NIV), com apoio da Fundação Bill & Melinda Gates.

Segundo os fabricantes, o laboratório possui capacidade instalada de produção de 300 milhões de doses anuais.

Entre as vantagens do imunizante está a conservação, já que pode ser armazenada em temperaturas que variam de 2ºC a 8ºC. Além disso, de acordo com a Bharat Biotech, a vacina se mostrou eficaz em testes contra a nova variante britânica do vírus.s

Resultados apresentados

A Covaxin foi avaliada em ensaios clínicos nas fases 1 e 2, com resultados promissores de segurança e resposta imunológica, informou o laboratório à CNN.

“O desenvolvimento do produto e os dados dos ensaios clínicos obtidos até agora geraram cinco artigos científicos*, que foram submetidos a revistas internacionais e revisados por pesquisadores independentes”, afirma a Bharat Biotech.

A primeira fase de testes da vacina apresentou resultados de segurança e resposta imunológica dentro do esperado, de acordo com um estudo publicado em 21 de janeiro pela revista londrina “The Lancet”, referência em publicações científicas no mundo.

Uso emergencial na Índia

A publicação dos dados da fase 2 dos ensaios clínicos está sendo submetida ao processo de revisão por pesquisadores independentes. No entanto, segundo o laboratório responsável pela Covaxin, “os resultados até agora divulgados nos permitem manter o mais elevado grau de certeza na eficácia do imunizante”.

Após a apresentação desses resultados, em 3 de janeiro a Covaxin foi recomendada para uso restrito em situação de emergência por um painel nomeado pelo governo indiano, que submeteu suas descobertas ao Drugs Controller General of India, a Anvisa do país.

Desde então, a Índia ampliou o uso da Covaxin em seu programa de imunização em massa, que teve início em 16 de janeiro e aplicou 5 milhões de doses da vacina em profissionais da área da saúde, segundo a Precisa Medicamentos.

Em que fase estão os testes?

Os ensaios clínicos de fase 3 da Covaxin começaram em meados de novembro de 2020 e estão hoje na reta final, com 26 mil voluntários em toda a Índia.

A Precisa Medicamentos, representante do laboratório no Brasil, assinou um termo de cooperação científica com o Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein para realizar no país os estudos complementares de fase 3 da vacina. Os testes devem ser iniciados imediatamente após o aval da Anvisa..

Interesse privado

O governo federal incluiu a Bharat Biotech no Plano Nacional de Imunização divulgado pelo Ministério da Saúde em dezembro.

“Ainda no ano passado, o Ministério da Saúde convidou representantes da Bharat Biotech para uma apresentação sobre a vacina – assim como fez com outros fabricantes. Dessa apresentação surgiu um termo de compromisso, no qual a Bharat Biotech se compromete a atender a demanda do governo federal, após a aprovação da vacina pela Anvisa”, informou a Precisa Medicamentos.

Também existe a intenção de fornecer a vacina ao mercado privado, após o atendimento da demanda do sistema público de saúde. Segundo a Precisa, a intenção é “atender principalmente empresas que necessitem imunizar seus colaboradores para, com isso, garantir o acesso a um número maior de brasileiros e permitir retomada mais rápida e segura da plena atividade econômica”.

“Tanto o fornecimento para o serviço público de saúde quanto ao privado dependem da regulamentação da Anvisa”, ressaltou a empresa.

O que especialistas dizem sobre a vacina

CNN ouviu especialistas sobre o laboratório indiano Bharat Biotech, o histórico de produção de vacinas a baixo custo para países em desenvolvimento e sobre as semelhanças dessa vacina com a chinesa Coronavac, que já é aplicada no país.

De acordo com o imunologista Eduardo Nolasco, a vacina indiana utiliza o vírus inativado, como a Coronavac, entretanto, possui o acréscimo de uma importante molécula protetora contra o vírus.

“Acrescentaram na vacina uma molécula que faz com que a resposta de linfócitos T seja aumentada. É o que a gente chama de resposta celular. É basicamente a formulação dela que difere da Coronavac, principalmente por conta desse indutor da resposta de linfócitos T”, explica.

“Isso é muito importante porque já foi avaliado que a nossa principal resposta de defesa à Covid-19 é de linfócitos T, então eles acrescentaram essa molécula que vai aumentar a produção dessa resposta, que é importante e protetora, talvez até mais do que a própria produção de anticorpos”, completa.

O imunologista acrescenta que a Índia já responde por mais de 60% de produção de vacinas no mundo. “A Bharat Biotech participa ativamente dessa produção. Possui inúmeras vacinas conhecidas, como as vacinas contra raiva, coqueluche, mas talvez a mais famosa seja a Rotavac, que é uma vacina contra o rotavírus, que provoca bastante mortes nos países em desenvolvimento”, diz.

Segundo o médico, a Índia introduziu a Rotavac no seu programa de imunização em 2016 e tem mais de 35 milhões de doses fornecidas até o momento. “A RotaVac chegou a ser fornecida a países pobres por US$ 1, e esse valor ainda pode ser reduzido se for [pedido] uma grande disponibilidade de doses, então eles conseguem fazer bastante vacinas a preços acessíveis para esses países em desenvolvimento”.

Mas ainda que o laboratório se destaque na produção de vacinas, é preciso considerar a eficiência da distribuidora dessas doses no Brasil. É o que pondera o sanitarista e ex-diretor da Anvisa, Ricardo Oliva.

“É preciso saber qual a experiência que a Precisa Medicamentos tem em importar vacinas, receber vacinas, fazer controle, distribuição. Uma coisa é receber da Fiocruz, com certeza fariam todo o controle necessário, o embarque, monitoramento no caminho, agora não sei se a Precisa tem competência para isso”, afirma Oliva.

Um dos fundadores e ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto ressalta a importância da conclusão da fase 3, uma vez que a aprovação desta etapa na Índia não pode interferir na distribuição da vacina em outros países.

“O laboratório é um grande produtor de vacina e ainda exporta para o mundo inteiro imunizantes bastante tradicionais, como o que desenvolveu agora para a Covid-19. Porém, o fato de ela ter sido registrada pela agência de vigilância sanitária da Índia não significa nada”, afirma. “A vacina da Bharat Biotech tem o registro da Índia, lá ela pode e está sendo usada, mas para ser usada fora de lá, falta um estudo de fase 3, por exemplo”, diz Vecina.

Fonte: CNN

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