SEGUNDO FBI, INTEGRANTE DA EXTREMA DIREITA ESTEVE EM CONTATO COM TRUMP DIAS ANTES A INVASÃO DO CAPITÓLIO

FBI acha ponto de contato entre invasores do Capitólio e Trump

Integrante de grupo de extrema direita manteve contato com pessoa ligada à gestão Trump antes do ataque, revela NY Times

INTERNACIONAL

 EFE

Invasão ao Capitólio

SHANNON STAPLETON/REUTERS – 06.01.2021

Um integrante do grupo de extrema direita Proud Boys esteve em contato com uma pessoa ligada ao governo de Donald Trump nos dias anteriores ao ataque ao Capitólio em 6 de janeiro, conforme descobertas feitas pelo FBI que foram reveladas neste sábado pelo jornal “The New York Times”.

O periódico de Nova York, que cita fontes da polícia, detalhou que as autoridades usaram registros telefônicos para localizar uma ligação entre o membro da organização extremista e alguém próximo ao então presidente.

As informações não revelam os nomes de nenhuma das partes ou o conteúdo da conversa, que faz parte da investigação do FBI sobre contatos entre indivíduos e organizações de ultradireita envolvidas na invasão ao Capitólio, membros do governo anterior e legisladores conservadores.

Enquanto isso, o líder do Proud Boys, Enrique Tarrio, confirmou ao jornal que telefonou para Roger Stone, um colaborador próximo de Trump, enquanto estava em um protesto fora da residência do senador republicano Marco Rubio alguns dias antes do assalto à sede do Legislativo, mas a chamada que está sendo investigada é outra, de acordo com as fontes.

Tarrio foi preso em 4 de janeiro por destruir uma bandeira da Black Lives Matter em uma histórica igreja afro-americana, e, portanto, não estava envolvido nos eventos no Capitólio.

No entanto, mais de 12 membros do grupo foram acusados, e acredita-se que o grupo estava em grande parte por trás da organização dos protestos que terminaram em violência no Capitólio depois que Trump encorajou seus apoiadores a rejeitar o resultado das eleições de novembro e se oporem à certificação da vitória de Joe Biden.

Nos dias que antecederam a invasão, vários dos manifestantes estiveram em contato com legisladores republicanos, de acordo com registros telefônicos obtidos pelas autoridades. Contudo, não é mostrada qualquer chamada durante o assalto, segundo a fonte citada pelo “The New York Times”.

Nesta semana, o FBI prendeu um funcionário do gabinete de Trump pelo ataque, a primeira pessoa diretamente ligada ao governo anterior a ser presa pelo ocorrido. Trata-se de Federico Klein, um homem de 42 anos, que trabalhou no Departamento de Estado como um cargo político. Porém, por enquanto, não se sabe de quais crimes ele é acusado.

Durante o ataque, morreram cinco pessoas, quatro apoiadores do Trump e um policial. Dois outros agentes que participaram da operação durante o ocorrido cometeram suicídio nos dias seguintes. Trump foi submetido a um julgamento político no Senado americano, mas foi absolvido com 56 votos culpando-o – quando eram necessários 67 – e 44 inocentando-o.

Fonte: R7

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O CAPITÓLIO SEDE DO CONGRESSO PODERÁ SER ALVO DE UM NOVO ATENTADO EM DISCURSO DE BIDEN

Polícia alerta para possível ataque ao Capitólio em discurso de Biden

Sessão conjunta da Câmara e do Senado, que ainda não foi marcada, poderia ser alvo de extremistas mais uma vez

INTERNACIONAL

DA EFE 

O Capitólio, sede do Congresso, poderia ser alvo de um novo atentado

SHAWN THEW / EFE – EPA – 8.2.2021

A chefe da Polícia do Capitólio dos Estados Unidos, Yogananda Pittman, alertou nesta quinta-feira (25) sobre um possível plano de extremistas para atacar o edifício do Congresso quando o presidente Joe Biden pronunciar seu primeiro discurso diante das duas câmaras legislativas, ainda sem data definida.

“Sabemos que membros de milícias que estiveram presentes no dia 6 de janeiro manifestaram seus desejos de atacar o Capitólio e matar o máximo de membros (do Congresso) possível, com uma ligação com o discurso sobre o Estado da União, sobre o qual sabemos que ainda não há uma data definida”, disse Pittman.

No dia 6 de janeiro, centenas de apoiadores do ex-presidente Donald Trump invadiram o Capitólio enquanto as duas câmaras realizavam uma sessão conjunta para certificar a vitória eleitoral de Biden, que ainda não havia sido reconhecida pelo ex-mandatário. Cinco pessoas morreram durante o ataque.

Esquema de segurança

Com base nas informações da polícia, Pittman considera “prudente” que as forças de segurança do Capitólio mantenham as medidas de segurança.

Após o ataque à sede do Congresso, as autoridades instalaram várias barreiras ao redor do edifício e mobilizaram a Guarda Nacional, uma corporação militar da reserva.

Pittman frisou que os extremistas que invadiram o Capitólio não estavam apenas interessados em atacar legisladores e agentes de segurança, mas também “queriam enviar uma mensagem simbólica à nação sobre quem estava a cargo do processo legislativo”, advertiu.

De acordo com a imprensa americana, a expectativa é que Biden faça o seu discurso, semelhante ao do Estado da União (como ainda não completou um ano no poder, focaria em explicar os planos e realizações nas primeiras semanas de governo), em sessão conjunta do Congresso, depois da aprovação de um terceiro pacote de estímulo econômico em meio à pandemia.

Pittman, que substituiu o antigo chefe da Polícia do Capitólio, Steven Sund, após a demissão depois do ataque, disse que os serviços secretos reunidos antes do ataque mostraram que não havia “nenhuma ameaça crível”.

“Foi insinuado que o departamento não sabia ou ignorava informações cruciais que indicavam que ocorreria um ataque da magnitude que vivemos em 6 de janeiro”, afirmou, acrescentou que tal informação nunca existiu.

“Embora soubéssememos da probabilidade de violência por parte de extremistas, nenhuma ameaça crível indicava que dezenas de milhares atacariam o Capitólio dos EUA, nem as informações recebidas pelo FBI ou qualquer outro parceiro de segurança indicavam tal ameaça”, argumentou.

Fonte: R7
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INCOERÊNCIA: REGISTROS MOSTRAM QUE ALGUNS INVASORES DO CAPITÓLIO NÃO VOTARAM NA ELEIÇÃO QUE MOTIVOU O PROTESTO

Invasores do Capitólio queriam anular eleição na qual não votaram

 

Por Blake Ellis e Melanie Hicken, da CNN*
02 de fevereiro de 2021 às 05:00
Apoiadores de Trump saem do capitólio após invasão (06.jan.2021)Apoiadores de Trump saem do capitólio após invasão (06.jan.2021) Foto: CNN Brasil

Eles estavam lá para “parar o roubo” e manter o presidente que reverenciavam no cargo. No entanto, os registros mostram que alguns dos rebeldes que invadiram o Capitólio dos Estados Unidos não votaram na eleição que motivou os protestos. Nos país, o voto não é obrigatório.

Um desses arruaceiros é Donovan Crowl, um ex-fuzileiro naval que avançou em direção a uma entrada do Capitólio em trajes paramilitares em 6 de janeiro enquanto a multidão pró-Donald Trump gritava “quem é nosso presidente?” As autoridades federais identificaram posteriormente Crowl, 50 anos, como membro de uma organização que se autodenomina uma milícia em seu estado natal, Ohio, e é afiliada ao grupo extremista Oath Keepers.

Sua mãe disse à CNN que ele havia dito a ela que “eles iriam tomar o governo se eles (…) tentassem tirar a presidência de Trump dele”. A mãe contou que Crowl ficou cada vez mais raivoso durante o governo Obama e que estava ciente de seu apoio ao ex-presidente Donald Trump.

Apesar dessas visões aparentemente pró-Trump, uma autoridade eleitoral do condado em Ohio disse à CNN que ele se registrou como eleitor em 2013, mas “nunca votou nem respondeu a nenhum de nossos avisos de confirmação para manter seu registro”. O ex-fuzileiro naval foi então removido das listas de eleitores no final de 2020 e o estado disse que ele não era mais registrado em Ohio. Um secretário do condado de Illinois, onde Crowl foi registrado no passado, também confirmou que ele não era eleitor ativo em nenhuma seção do estado.

Crowl foi indiciado por um tribunal federal sob a acusação de destruição de propriedade do governo e conspiração por supostamente coordenar o planejamento do ataque com outros invasores. Ele permanece preso depois que um juiz afirmar que a mera “sugestão de liberá-lo para viver numa residência com nove armas de fogo não é válida”. Em uma entrevista à revista “New Yorker” citada pelo governo, Crowl contou que tinha intenções pacíficas e alegou ter protegido a polícia. O advogado de Crowl não quis se pronunciar sobre o histórico de votação de seu cliente.

Donovan CrowlDonovan Crowl foi indiciado por um grande júri federal sob a acusação de destruição de propriedade do governo e conspiração Foto: Mountgomery County Jail/ Reprodução

Muitos envolvidos na insurreição professaram ser motivados pelo patriotismo, declarando falsamente que Trump foi o legítimo vencedor do pleito. No entanto, pelo menos oito das pessoas que agora enfrentam acusações criminais por seu envolvimento nos eventos no dia da insurreição não votaram na eleição presidencial de novembro de 2020, de acordo com uma análise dos registros de votação dos estados onde os manifestantes foram presos, entre os estados que exibem registros públicos. Os manifestantes vieram de estados de todo o país e tinham idades entre 21 e 65 anos.

Para determinar quem votou em novembro, a CNN analisou os registros de votação de mais de 80 dos presos logo após o ataque. A maioria votou nas eleições presidenciais e, embora muitos fossem republicanos registrados, alguns foram registrados como democratas nas jurisdições que forneciam informações sobre o partido (o partido de preferência do eleitor pode ser informado e isso pode constar em seu registro, mas não em quem ele votou). O acesso público aos registros do histórico eleitoral varia de acordo com o estado, e a CNN não conseguiu visualizar os registros de alguns dos acusados.

Entre os que não votaram estavam um homem da Geórgia de 65 anos que, de acordo com documentos do governo, foi encontrado em sua van com uma pistola carregada e munição, e um homem da Louisiana que se gabou publicamente de ter passado quase duas horas dentro Capitólio depois de participar do comício “Parem o roubo” (“Stop the Steal”) de Trump.

Outro caso é de uma mulher de 21 anos de Missouri que, segundo os promotores, compartilhou um vídeo no Snapchat que a mostrou desfilando com um pedaço de uma placa de madeira do escritório da presidente da Câmara, Nancy Pelosi. Há também um homem da Flórida anteriormente condenado por tentativa de homicídio acusado pelo governo de se recusar a deixar o Capitólio – ele não pode votar porque tinha multas judiciais não pagas.

Jessica Stern, professora da Universidade de Boston que passou cerca de 30 anos pesquisando extremistas, afirmou que, embora não tenha falado com os indivíduos envolvidos nos eventos no Capitólio, a partir de suas entrevistas com outros extremistas violentos ela pode concluir que uma série de fatores estiveram em jogo. Os manifestantes podem ter acreditado que o sistema era fraudado, como afirma o movimento “Parem o Roubo” – e nesse caso não haveria sentido em votar. Eles poderiam ser mais atraídos pela encenação, a violência ou a atenção que obteriam em uma manifestação como a do Capitólio do que por alcançarem de fato seu objetivo (no caso, o resultado diferente das eleições).

Para a professora, pode ter acontecido uma combinação dessas razões, que se somaram a sentimentos de raiva e humilhação que frequentemente atraem as pessoas para grupos extremistas e para a violência. Ela disse que quando uma pessoa vota, “precisa acreditar mais na ética de votar do que no que seria uma perda de tempo (…) e ver isso como um imperativo moral. A pessoa tem que acreditar que o sistema funciona para todos, que é para o bem do país”.

Jack Griffith, um jovem de 25 anos do Tennessee, alardeou sua chegada a Washington com uma postagem no Facebook dizendo: “A CAVALARIA ESTÁ CHEGANDO!!!!”, usando a hashtag “#MAGA”, de acordo com documentos do tribunal. Pouco depois de deixar o Capitólio em 6 de janeiro, ele postou uma mensagem de decepção. “Eu odeio ser esse cara, mas a Nova Ordem Mundial nos venceu”, escreveu. “Trump foi nosso maior campeão e ainda não foi o suficiente. Ele fez o melhor que pode. Ele fez tanto, mas é só um homem… Até ajudei a invadir o capitólio hoje, mas só piorou as coisas… Por que, Deus? Por quê? POR QUE VOCÊ NOS ABANDONOU? A menos que… Trump ainda tenha um plano?”

As participações online descrevendo sua participação no cerco ao Capitólio foram mais tarde usadas pelo Departamento de Justiça para construir um processo criminal contra ele. Griffith enfrenta uma série de acusações, incluindo entrada violenta ou conduta desordeira na área do Capitólio.

Os dados eleitorais do Tennessee e do Alabama, onde os registros públicos provam que Griffith viveu, mostraram que ele votou nas eleições de 2016 e 2018, mas não no pleito presidencial de 2020. O defensor público que inicialmente o representava não quis comentar. Outro advogado listado como seu atual representante não respondeu aos pedidos de comentários.

Os registros do tribunal detalham como Gracyn Courtright, estudante veterana da Universidade de Kentucky, postou uma série de imagens no Instagram nas quais aparece marchando com uma grande bandeira dos Estados Unidos e outra com os braços erguidos em triunfo fora do Capitólio, com a legenda “mal posso esperar para contar aos meus netos que estive aqui”. Mais tarde, ela postou uma foto sua com uma camisa à mostra com a legenda: “A infâmia é tão boa quanto a fama. De qualquer forma, fiquei mais conhecida. Beijos”.

Acusada de crimes como entrar intencionalmente em um prédio restrito, entre outros, a estudante também foi identificada em imagens de vigilância arrastando uma placa do Congresso “Somente para membros” (“Members Only”) pelo Capitólio, de acordo com registros do tribunal.

“Não sei o que é traição”, ela escreveu em uma conversa compartilhada com o FBI por um informante, que confrontou a estudante universitária mostrando uma série de mensagens no Instagram. A universitária não está registrada em Kentucky, segundo autoridades eleitorais, e sim em seu estado natal, West Virginia, mas os documentos mostram que ela não votou na eleição de 2020. Seu advogado disse à CNN que Courtright não contestou o fato de ela não ter votado na eleição, mas se recusou a fazer mais comentários.

Uma foto do Instagram postada por Gracyn Courtright Uma foto do Instagram postada por Gracyn Courtright a mostra nos arredores do Capitólio e foi incluída nos registros do tribunal federal Foto: Reprodução

Em uma série de postagens nas redes sociais que compartilhou direto do Capitólio, Edward Jacob Lang, de Nova York, se disse pronto para uma revolução. “1776 começou”, escreveu em um documento citado pelo governo, mostrando-o de pé nos degraus do Capitólio. “Eu fui o líder da Liberdade hoje. Me prendam. Vocês estão do lado errado da história”, dizia outro texto. Depois de deixar o Capitólio, ele continuou a encorajar os seguidores a se juntarem ao “movimento patriota” com ele. “DÊ-ME LIBERDADE OU A MORTE”, postou.

Os promotores federais disseram que o vídeo de 6 de janeiro mostra Lang tentando atacar policiais com um taco de beisebol, vestindo uma máscara de gás e um escudo antimotim. Ele agora enfrenta uma série de acusações federais, incluindo agressão, resistência ou impedimento de certos oficiais ou funcionários, desordem civil e entrada violenta. Uma texto recente no site ProPublica revelou como Lang usou o aplicativo de mensagens online Telegram em uma tentativa de radicalizar os “normies” (os que seguem as normas) e convencê-los a se juntar a grupos de milícias locais, encorajando as pessoas nos dias após o motim do Capitol a estocar armas e se preparar para a guerra.

Embora os registros estaduais mostrem que Lang está registrado como eleitor e tenha participado de algumas eleições anteriores, funcionários do condado e do estado confirmaram à CNN que ele não votou na eleição de novembro. O advogado de Lang disse em um comunicado que, de dentro da prisão, Lang alegou que apresentou uma justificativa de voto à distância, dizendo: “O Senhor Lang sempre se apresentou como um Libertário… Ele não é um apoiador devoto de Trump, mas acredita que aqueles que assumem o cargo não irão defender os direitos da Primeira e da Segunda Emenda dos cidadãos”.

A lei de Nova York exige que os votos à distância sejam postados até o dia da eleição e recebidos na semana seguinte para serem contados. Quando questionado sobre a alegação de Lang de que ele enviou seu voto à distância, o Conselho de Eleições do condado de Sullivan instruiu a CNN a registrar uma solicitação de registros abertos para receber qualquer informação. A solicitação não foi respondida até a publicação desta reportagem.

O advogado de Lang também disse que o homem de 25 anos era um “jovem ingênuo e impressionável” que foi provocado pela retórica de Trump. Ele citou a declaração do senador Mitch McConnell de que “a multidão foi alimentada com mentiras” e disse que esperava que Lang e outros não fossem considerados culpados “devido apenas às suas associações, crenças e presença”.

Um homem que se identificou com o nome do pai de Lang recusou-se a falar com um repórter, dizendo: “Nós odiamos a CNN. Nós somos pró-Trump, adeus”. Em uma declaração para um jornal local, o pai de Lang atribuiu as ações de seu filho no Capitólio a “um problema de abuso de drogas”.

Arie Perliger, professor da Universidade de Massachusetts Lowell especializado em terrorismo doméstico de direita, disse que não ficou surpreso ao saber que alguns dos manifestantes não votaram, principalmente membros de milícias, como o ex-fuzileiro naval Crowl, já que a filiação à milícia costuma estar enraizada na desconfiança do governo. Ainda assim, o professor afirmou que temia que isso pudesse refletir uma erosão crescente da fé no processo democrático norte-americano, que é um “risco no qual precisamos pensar”.

“Quando vemos que grupos ideológicos significativos estão deixando de participar do processo democrático, isso pode significar que estão procurando outras formas de se envolver, que podem ser mais violentas”, declarou Perliger, que supervisiona um banco de dados de extremistas de direita atos de violência nos Estados Unidos. “Devemos nos preocupar com um número crescente de grupos ideológicos reduzindo seu envolvimento na política eleitoral”.

* Curt Devine, Sara Sidner, Anna-Maja Rappard e o Editorial Research da CNN contribuíram nesta reportagem.

(Texto traduzido, clique  aqui   para ler o original em inglês).

Fonte: CNN

 

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POLICIAL QUE ATRAIU SOZINHO UMA MULTIDÃO PARA LONGE DO SENADO DURANTE INVASÃO, ESTÁ SENDO CHAMADO DE HERÓI

O policial chamado de ‘herói’ por ação durante invasão do Congresso dos EUA

As imagens da rebelião mostram Goodman atraindo uma multidão para longe do Senado e os legisladores escondidos lá dentro

INTERNACIONAL

 por BBC NEWS BRASIL

O agente Eugene Goodman está sendo elogiado por seu trabalho na semana passada

IGOR BOBIC

Um policial do Capitólio dos Estados Unidos está sendo chamado de herói por conduzir sozinho uma multidão para longe do plenário do Senado durante os tumultos da semana passada.

As imagens do oficial, identificado como Eugene Goodman, mostram-no a poucos passos dos manifestantes enquanto eles o perseguem por escadas.

Goodman então é visto olhando para a entrada do Senado antes de atrair os homens na direção oposta.

Cinco pessoas, incluindo um policial, morreram como resultado dos tumultos. Outro policial que estava trabalhando durante o episódio morreu por suicídio neste fim de semana, disse sua família.

A demonstração de bravura de Goodman, que é veterano do Exército e serviu no Iraque, vem em meio a críticas à polícia do Capitólio por aparentes falhas de segurança durante o ataque.

Na noite de segunda-feira (11), o departamento disse que dois de seus policiais foram suspensos e mais de uma dúzia está sob investigação por suspeita de envolvimento impróprio com os manifestantes.

O professor de direito penal da Escola de Direito de Nova York e veterano de 20 anos do Departamento de Polícia de Nova York, Kirk Burkhalter, classificou a reação de Goodman aos manifestantes como “tremenda”.

“Não acho que tenha havido qualquer tipo de treinamento que o preparasse para essa situação”, disse Burkhalter.

No vídeo filmado pelo repórter do Huffington Post Igor Bobic, Goodman, que é negro, é hostilizado pelo grupo de apoiadores de Trump — todos homens brancos.

O homem na frente do pelotão, vestindo uma camiseta da QAnon, foi identificado como Doug Jensen, de Iowa. Posteriormente, ele foi preso pela polícia local e pelo FBI (Polícia Federal americana) por seu papel nos tumultos.

As filmagens mostram Jensen liderando a multidão que perseguiu Goodman pelas escadas — a poucos metros da entrada do andar do Senado. Enquanto é perseguido, Goodman grita “segundo andar!” em seu rádio, aparentemente alertando outros oficiais do grupo que se aproximava do plenário.

Depois que Goodman olha para a entrada do plenário do Senado, ele empurra Jensen — um movimento aparentemente calculado para chamar a atenção para si mesmo, atraindo a multidão para longe do plenário, onde muitos se escondiam.

A imagem de Goodman seguido por uma multidão — alguns armados com bandeiras confederadas, outros com alusões à bandeira nazista — é foi extremamente perturbadora, disse Burkhalter.

“Sendo policial ou não, ver um homem negro sendo perseguido por alguém que carrega uma bandeira da Confederação — há algo de errado com essa imagem. Isso nunca deveria acontecer novamente”, disse ele.

“Isso parece ser tudo que precisamos corrigir.”

O oficial Goodman foi homenageado por vários membros do Congresso, alguns deles pedindo que Goodman recebesse a Medalha de Honra do Congresso por seus serviços.

“Enquanto a multidão fascista de Trump saqueava o Capitólio dos EUA, este bravo oficial da USCP (a polícia do Capitólio) manteve desordeiros assassinos longe do plenário do Senado e salvou a vida daqueles que estavam lá dentro”, escreveu o congressista Bill Pascrell no Twitter.

“Na quarta-feira passada, eu estava dentro do plenário do Senado quando o oficial Eugene Goodman desviou uma multidão enfurecida para longe dali, correndo um grande risco pessoal. Seu pensamento rápido e ação decisiva naquele dia provavelmente salvaram vidas, e temos uma dívida de gratidão com ele”, escreveu o senador Bob Casey na segunda-feira.

O impasse de Goodman com a multidão ocorreu poucos minutos antes que as autoridades pudessem selar o local, de acordo com reportagem do Washington Post.

O departamento de polícia do Capitólio conta com 2 mil funcionários, e tem a tarefa de proteger o prédio do Capitólio e todos que estão dentro dele. Eles são diferentes da polícia de DC, que patrulha o resto da capital americana.

O que vai acontecer com a Polícia do Capitólio dos EUA agora?

O chefe da Polícia do Capitólio, Steven Sund, renunciou na semana passada após críticas sobre a reação de sua força aos distúrbios, incluindo um apelo público da democrata Nancy Pelosi para que Sund deixasse o cargo.

O procurador dos EUA em exercício, Michael Sherwin, disse que o Departamento de Justiça vai considerar a possibilidade de processar qualquer policial do Capitólio que tenha agido como cúmplice dos manifestantes.

O policial Howard Liebengood, 51, que trabalhou durante os distúrbios, morreu por suicídio no sábado, disse sua família. Um advogado da família de Liebengood chamou a morte do veterano de 15 anos do departamento de uma “perda devastadora”.

No Twitter, o senador republicano Mitt Romney disse que ele e sua equipe estavam “de coração partido” com a morte de Liebengood. “Howie era uma presença familiar e alegre, e também um amigo meu e da minha equipe”, escreveu Romney. “Sua bravura, bondade e cuidado genuíno com os outros foram profundamente sentidos por todos nós que tivemos o privilégio de conhecê-lo.”

De acordo com a CBS News, a força policial do Capitólio respondeu a uma série de incidentes de policiais que ameaçaram causar danos a si mesmos após os ataques da semana passada.

Burkhalter diz que a responsabilidade por qualquer falha de segurança é da liderança do departamento.

Quando se chega ao ponto em que cada policial, como o policial Goodman, precisa tomar decisões sobre a distribuição de recursos, a batalha está perdida, diz ele.

“Nunca deveria ter chegado a esse ponto.”

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APÓS INVASÃO AO CAPITÓLIO, DUAS SECRETÁRIAS DE DONALD TRUMP PEDEM DEMISSÃO

Duas secretárias de Trump pedem demissão após invasão ao Capitólio

Elaine Chao, de Transporte, e Betsy DeVos, de Educação, são as primeiras baixas oficiais no gabinete do presidente dos EUA

INTERNACIONAL |

 por Reuters | Do R7

Elaine Chao é casada com o senador republicano Mitch McConnell

A secretária de Transportes, Elaine Chao, e a secretária de Educação, Betsy DeVos, renunciaram na quinta-feira (7), juntando-se a uma lista de funcionários que deixaram o governo do presidente Donald Trump em protesto contra a invasão do Capitólio dos EUA por seus apoiadores.

Chao, esposa do líder republicano do Senado, Mitch McConnell, disse em um e-mail para a equipe que o ataque “me incomodou profundamente de uma forma que simplesmente não posso deixar de lado”. Ela disse que sua renúncia entrará em vigor na segunda-feira (11).

Em uma carta a Trump, DeVos disse que o ataque ao Capitólio foi ‘inescrupuloso’. “Não há dúvidas sobre o impacto que sua retórica teve sobre a situação, e é o ponto de inflexão para mim”, escreveu ela, acrescentando que sua renúncia entraria em vigor na sexta-feira. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a renúncia de DeVos.

Fonte: R7
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A INVASÃO DO CAPITÓLIO ENTRARÁ PARA HISTÓRIA DOS EUA E TERÁ REFLEXOS NOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS DA POLÍTICA NORTE-AMERICANA

Quais os impactos da invasão do Capitólio para o futuro dos EUA

Partido Republicano, governo Biden e sistema político norte-americano devem sentir os reflexos das ações de trumpistas

INTERNACIONAL 

| Pablo Marques, do R7

Invasão do Capitólio deve ter reflexo na política dos Estados Unidos

A invasão do Capitólio por apoiadores do presidente Donald Trump entrará para a história dos EUA e terá reflexos nos próximos capítulos da política norte-americana.

As declarações de Trump sobre a ocorrência de fraudes no sistema eleitoral para beneficiar Joe Biden e a decisão de não reconhecer a derrota para o adversário foram alguns dos motivos que fizeram trumpistas se organizarem e partirem para Washington para barrar a sessão no Congresso que certificaria a vitória democrata nas urnas.

“O Trump não tem responsabilidade sobre as informações que ele divulga. Não é possível confirmar tudo o que as pessoas falam na internet, mas o presidente não pode divulgar mentiras”, diz o professor Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV, apontando a parcela de culpa do líder americano pela invasão do Capitólio.

Desde a derrota, em novembro passado, o candidato republicano questiona a apuração de votos em estados onde os eleitores mudaram de lado e votaram no partido democrata. “A retórica do presidente convenceu muitas pessoas de que o resultado foi roubado, mas não existem provas que justifiquem essa postura”, diz Paz.

Consequências para os republicanos

O Partido Republicano está dividido internamente entre aqueles que seguem apoiando Trump e aqueles que buscam um distanciamento. O professor da FGV afirma ser difícil apontar impactos de algo tão recente, mas acredita que a postura do partido pode indicar o que vai acontecer daqui para frente.

“Um possível caminho será reconhecer que o governo Trump foi um erro e iniciar uma reconstrução e deixar que os Democratas governem, já que Biden terá maioria no legislativo. Outro cenário seria uma aproximação com os democratas para tentar a aprovação de projetos de maneira conjunta, ou seja, bipartidária e assim conseguir alguns crédito”, explica.

O professor destaca, porém, que Trump é uma potência de popularidade e ir contra os seus apoiadores também pode ser uma manobra arriscada eleitoralmente.

Fonte: R7
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EM FINAL DE MANDATO TENSO TRUMP PÕE FOGO NAS RELAÇÕES POLÍTICAS AO AMEAÇAR VETAR O RESGATE APROVADO PELO CONGRESSO

Trump incendeia o fim de seu mandato com a ameaça de vetar o resgate aprovado pelo Congresso

Presidente surpreende sua Administração e coloca os republicanos diante da alternativa de reiterar sua fidelidade ao mandatário e se alinhar com seus líderes no Capitólio

O presidente Trump, durante uma visita ao monte Rushmore.O presidente Trump, durante uma visita ao monte Rushmore.ALEX BRANDON / AP

O final de ano em Washington está sendo tão agitado quanto corresponde a um 2020 excepcional. O coronavírus golpeia os Estados Unidos com mais virulência do que nunca; a população sofre a deterioração de uma economia cujos indícios de recuperação são dramaticamente detidos pela pandemia; a complicadíssima campanha de vacinação traz o único esboço de otimismo a Administrações estaduais, com os cofres vazios pela crise econômica causada pela luta contra o vírus, que se aproximam do colapso financeiro. Além disso, o segundo turno das eleições pelos dois senadores da Geórgia, que decidirão a maioria na Câmara alta do Capitólio em 5 de janeiro, enchem de incerteza o campo de manobra da Administração do presidente eleito, Joe Biden, que vai ganhando forma, revelando os colossais desafios que a aguardam.

E, sobrevoando tudo, um mandatário em fim de mandato, Donald Trump, empenhado em enlamear o que for possível com sua insólita e já agonizante batalha para reverter sua derrota eleitoral, enfrentando até mesmo seu partido, majoritariamente ausente da agenda política, em que surge de quando em quando soltando bombas. Como a que lançou na noite de terça-feira em meio a um Capitólio que acabava de fechar um histórico acordo evitando o recesso governamental. O presidente Trump, que precisa assinar a lei aprovada na segunda no Congresso, um macroprojeto de lei de 5.593 páginas que dá 900 bilhões de dólares (4,6 trilhões de reais) em ajudas urgentes a famílias e empresas atingidas pelos efeitos da crise sanitária, insinuou na noite de terça que não irá fazê-lo, pois a considera uma “vergonha”.

Em um curto vídeo divulgado pelo Twitter, após permanecer afastado das negociações frenéticas, Trump pediu aos legisladores que aumentem de 600 a 2.000 dólares (3.080 a 10.200 reais) a quantia “ridiculamente baixa” dos cheques que o projeto de lei prevê entregar à maioria dos adultos norte-americanos. O presidente também atacou outra série de medidas da lei. Os congressistas haviam decidido, para agilizar a tramitação parlamentar do resgate, combiná-lo com um plano mais amplo para financiar o Governo e o Exército durante o próximo mandato. Entregavam assim ao presidente eleito Joe Biden um horizonte econômico de certa estabilidade quando chegar à Casa Branca em 20 de janeiro, com uma injeção de fundos federais que chegará, no total, a um histórico montante de 2,3 trilhões de dólares (12 trilhões de reais), e que inclui envios de ajuda internacional e dotação de fundos a instituições federais, que o presidente chamou de “um esbanjamento desnecessário”.

“Ela se chama lei de Alívio à Covid, mas não tem quase nada a ver com a covid”, disse o presidente. “O Congresso encontrou muito dinheiro para países estrangeiros, grupos de lobby e interesses especiais enquanto envia o mínimo à população norte-americana”, acrescentou.

A líder da maioria democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, não demorou a responder ao mandatário, lembrando que os democratas lutaram até o fim para elevar a quantia dos cheques a ser enviados aos norte-americanos e que, no acordo final, foi estabelecido o montante de 600 dólares, a metade do valor distribuído na primavera. “Os republicanos se negaram reiteradamente a dizer qual montante o presidente queria para os cheques. Por fim, o presidente aceitou que seja de 2.000 dólares. “Os democratas estamos preparados para levar isso ao Congresso nesta semana e que receba um consentimento unânime. Vamos fazer!”, disse Pelosi no Twitter na terça-feira. “Senhor presidente, assine a lei para manter o Governo funcionando. Peça a McConnell e a McCarthy [líderes republicanos no Congresso] que concordem com a solicitação de consentimento unânime dos democratas para os pagamentos diretos de 2.000 dólares! Isso pode ser feito antes do Natal!”, afirmou na quarta-feira.

Entre os republicanos, e entre os cargos de alto escalão da própria Administração Trump, a jogada do presidente chegou de surpresa. A ameaça de bloqueio coloca os legisladores conservadores diante de um dilema, o último dos muitos que enfrentaram nestes quatro anos de uma presidência extraordinária. Devem escolher se alinham-se com seus líderes no Congresso ou se entram novamente no curral criado por Trump que, agora, paradoxalmente, lhes coloca ombro a ombro com os membros mais progressistas do Capitólio.

O golpe foi particularmente duro para o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que comemorou na própria terça-feira o acordo feito e agradeceu a Trump sua liderança, horas antes de que este fizesse tudo saltar pelos ares. “Estamos completamente comprometidos a assegurar que os norte-americanos que trabalham duro recebam esta ajuda vital o quanto antes e a fortalecer nossa recuperação econômica”, disse Mnuchin em um comunicado.

O detalhe da lei, fruto de um raro consenso bipartidário e da pressa em se agir antes do Natal, não satisfez ninguém totalmente e angariou críticas à direita e à esquerda. Mas a legislação foi aprovada com margens suficientemente amplas (359 a 53 votos na Câmara baixa e 92 a seis no Senado, de maioria republicana) para reverter facilmente um eventual veto do presidente, ainda que este tenha tomado o cuidado de não dizer expressamente se está disposto a bloqueá-lo.

Entre as explicações ao movimento de Trump que a Administração lida está o possível incômodo por não ter podido capitalizar o sucesso das negociações. Também a possibilidade de que o pedido para aumentar os pagamentos diretos à população constitua um último gesto a uma base eleitoral que o ainda presidente continua alimentando, enquanto considera seu futuro político e, pelo menos à plateia, não descarta continuar no poder por um novo mandato. “Peço também ao Congresso que se desfaça imediatamente dos elementos esbanjadores e desnecessários desta legislação, e que me envie um projeto de lei apropriado, caso contrário a próxima Administração terá que criar um pacote de ajuda pela covid, e talvez eu seja essa Administração”, disse.

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