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OPINIÃO: O MAGISTRAL DESAFIO CONTRA O POPULISMO EM 2020, POR RENATA BARRETO

Na nossa coluna OPINIÃO deste domingo trago mais um artigo publicado no Boletim Coppolla. desta vez da economista Renata Barreto. Em nota o editor explica: Para a economista Renata Barreto, o maior desafio do Brasil em 2020 se dá no campo da narrativa: superar a mentalidade populista fomentada por décadas (e até hoje) por demagogos, cínicos e manipuladores das massas, que propagam a irresponsabilidade socialista envelopada em apelo emocional. Destaque para o uso da “empatia vazia”, aquela que não propõe solução viável, mas contra a qual se insurgir é sinônimo de desumanidade segundo a retórica progressista.

O combate a essas narrativas de fácil aceitação, porém de aplicação impossível, é tarefa para “aqueles que prezam pela liberdade, prosperidade e responsabilidade” e veem as políticas públicas sob o prisma da racionalidade, não das paixões inflamadas com propósito eleitoreiro e descompromisso com a realidade de médio e longo prazos. Mais matemática, menos proselitismo; mais lógica, menos conjecturas; mais liberdade econômica e menos Estado – já que o governo inchado é o meio pelo qual agentes populistas prometem (e às vezes até entregam!) aquilo que não poderiam, sem o consentimento das próximas gerações e às custas do futuro do país.

O MAGISTRAL DESAFIO CONTRA O POPULISMO EM 2020

Renata Barreto, economista. Foto: acervo pessoal.

2019 foi um ano de importantíssimas mudanças, com um giro de 180º graus na política e economia. Um ano que, apesar de conturbado, será lembrado historicamente como aquele em que a reforma da previdência – a mais importante (e também impopular) da década – foi aprovada.

A maneira de fazer política mudou. Quem não se adaptou à invasão das redes sociais e com como as opiniões não são mais moldadas apenas pela grande mídia, se perdeu no caminho. Até mesmo o Presidente da República e alguns de seus ministros se comunicam com o público através do Twitter, Facebook e Instagram. E embora muitas vezes se perca tempo com picuinhas ideológicas e bobagens randômicas, o que importa é que o eleitor agora busca muito mais a informação na fonte oficial e passou a acompanhar muito mais de perto a política e seus desdobramentos. O trabalho de deputados, vereadores, senadores e até mesmo do judiciário é analisado milimetricamente. O eleitor cobra vorazmente que as posturas de seus candidatos se mantenham as mesmas da campanha eleitoral e, em caso de decepção, passam a detratar o político considerado traidor, que talvez não volte a se eleger.

E qual será o maior desafio para o ano que bate à nossa porta? O mesmo desafio que sempre permeou os países da América Latina: o combate ao populismo. A mentalidade populista criada por anos de políticos de discursos fáceis e políticas econômicas desastrosas pode ser a ruína de um país inteiro. Vejamos o próprio Chile, país com PIB per capita 60% maior do que o brasileiro e o melhor IDH da América Latina. Foi tomado por grupos financiados pelo Foro de São Paulo (em especial Cuba e Venezuela), com protestos violentos que chegaram a culminar na morte de 20 pessoas, além de massiva depredação de patrimônio público, aplaudido pela esquerda brasileira. E por que?

Pergunte a qualquer esquerdista o que aconteceu no Chile. Ele dirá, categoricamente, que se trata de uma manifestação contra a desigualdade causada pelo liberalismo. E é claro que nenhum deles vai mencionar o fracasso econômico produzido pela socialista Michelle Bachelet desde 2014. Dizem também que a previdência chilena é desumana (e de novo, fruto do liberalismo cruel), mas recusam-se a sentar e fazer uma conta simples em que se conclui que é impossível se aposentar com mais do que os atuais 34% da renda se a contribuição for de apenas 10%. A conta não fecha, mas matemática e lógica são tidos como algo igualmente cruel e desumano para quem apela sempre para o conceito de empatia como resolução dos problemas da humanidade. O problema é que empatia vazia, aquela que não faz nada de construtivo para de fato ajudar em algo, é bonito de se dizer, mas totalmente inócuo como proposta.

O Brasil passa por uma transformação inusitada que, como esperado, é conturbada, polarizada e barulhenta. Como dito anteriormente, hoje as fontes de informação de muitos mudou da mídia tradicional e foi para as redes sociais. Não por acaso, partidos de esquerda sempre quiseram controlar a mídia, como se lia claramente na proposta do candidato petista derrotado nas eleições de 2018, Fernando Haddad. Mas quem acha que o Brasil está longe de seguir os passos do populismo está muito enganado. É preciso lutar diariamente contra as narrativas fáceis que induzem conclusões erradas e que fatalmente nos levarão ao pior resultado possível.

Vejam, por exemplo, a questão da desigualdade social. É tido como fato de que a desigualdade é um problema e contra ela devemos lutar. Porém o problema de verdade é a pobreza, algo que vêm sendo reduzido no mundo todo de maneira exponencial. É comum vermos matérias alarmistas de que nunca estivemos tão mal, mas a realidade dos números – a que realmente importa – nos conta uma história diferente. Nos anos 1960 a população vivendo em extrema pobreza era de assustadores 40%. Hoje, perto de 2020, temos cerca de 8% nessa situação, mesmo com um crescimento populacional de 140% no período. E como isso foi possível? Com geração de riquezas, não com políticas contra a desigualdade.

Esse simples exemplo, o qual daria um artigo inteiro, demonstra que a luta contra o populismo está nas pequenas coisas e deve ser feita todos os dias por aqueles que prezam pela liberdade, prosperidade e responsabilidade. O populismo é e sempre será um fantasma que ronda os países latino-americanos, justamente pelo tempo absurdo que políticos dessa natureza estiveram no poder. A mente populista sempre terá uma obsessão maluca por igualdade, uma paranoia sobre o “neoliberalismo”, um complexo exagerado de vítima, um desprezo pelas liberdades individuais, a crença de que toda a solução vem do Estado e uma distorção do conceito de democracia.

Como quebrar esse círculo vicioso? Do ponto de vista do eleitor, buscar eleger políticos que lutem pela redução do Estado, inclusive cobrando propostas de reforma política. Governantes não podem deixar o clamor popular os distanciarem das reformas necessárias, justamente porque o tempo é curto para que as medidas sejam sentidas pela população e estes possam entender que o que é estruturalmente bem feito tem mais efeito no longo prazo. A educação da população é o mais difícil e deve ser feito incansavelmente por todos os canais possíveis. Infelizmente, boa parte da mídia tradicional atua mais na desinformação do que na informação, mas essa ruptura sentida pelos grandes canais pode fazer as coisas mudarem de rumo, com o público consumindo cada vez menos esse tipo de informação. É preciso esclarecer, todos os dias, que dinheiro público é dinheiro de todos os pagadores de impostos, que as leis brasileiras de forma geral estão obsoletas, que é preciso flexibilizar as regulações trabalhistas, reduzir a carga tributária e fazer tudo mais o que for possível para criar mais liberdade econômica. Os números mostram que os países mais ricos e prósperos abusam da liberdade econômica e, consequentemente, entregam mais qualidade de vida, nível de educação e empregabilidade.

O populismo não pode voltar a vencer. E é dever de todos lutar contra ele.

Renata Barreto (@renataj.barreto)
Economista

Fonte: Boletim Coppolla

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OPINIÃO: EXPECTATIVAS PARA 2020 POR LUIZ FELIPE PONDÉ

Na coluna OPINIÃO desta sexta-feira trago a análise sempre fria e racional do grande filósofo atual Luiz Felipe Pondé que fala sobre as EXPECTATIVAS PARA 2020. Artigo publicado com exclusividade no Boletim Coppolla e que trás as impressões do próprio Coppolla sobre o destemido intelectual e polemista contumaz:

“Pondé argumenta que o governo não precisa de oposição, porque tropeça nas próprias pernas; alerta para os riscos de uma reorganização da esquerda a partir da soltura de seu corrupto de estimação; aponta que o vácuo de poder está sendo ocupado por um “semiparlamentarismo silencioso” (fisiológico, corporativista, oligárquico, elitista…); identifica na retomada econômica o fator-chave para a popularidade do presidente; e questiona – sem resistir a responder à própria pergunta! – se as redes sociais manterão sua vocação para serem vitrines do populismo”.

EXPECTATIVAS PARA 2020

1. O horizonte de 2020 se move, creio, ao redor de alguns eixos centrais. O primeiro é a recuperação econômica que se delineia. Um possível aprofundamento da resposta econômica, depois da devastação que o PT causou na economia, pode definir, em parte, 2020 na política. Terá Guedes o papel de salvar Bolsonaro? Sabemos que o bolso é o órgão mais sensível do homem. Mas, a economia dos índices guarda uma certa distância da economia das donas de casa. Há um tempo de espera entre o otimismo dos economistas e a ida ao supermercado. Entretanto, é possível que um aprofundamento da melhoria econômica lance Bolsonaro para uma curva ascendente. Um paciente na UTI, como a nossa economia, pode ficar apenas estável (índices miseráveis de melhora) sem animar os familiares que o acompanham.

2. Uma outra frente é em que medida Bolsonaro ficará de boca fechada e manterá sua malta ideológica calma. Como bem se falou ao longo de 2019, seu governo não precisou de oposição, essa veio dos seus filhos e assessores ideológicos mais fieis. Uma melhoria significativa na economia pode levar o país a ser governado (como alguns acham que já é) por um regime semi-parlamentarista silencioso feito pelos “adultos” de Brasília, enquanto Bolsonaro seria deixado com suas práticas de churrasco na varanda de casa levadas para o Planalto. O fator de risco “rainha da Inglaterra trans”, que apontei numa coluna no início de 2019, se revelou profético. Em 2020, esse fator de risco pode se normalizar.

3. Haverá uma oposição de fato em 2020? A esquerda, grosso modo, conseguirá se recuperar da humilhação de 2018? Todo vitorioso numa eleição sofre desgaste. Isso ajuda a oposição, em geral. Lula fora da cadeia, sendo ele o único guru da esquerda, pode ajudar a oposição se refazer. Este tema do Lula pode aumentar as tensões entre judiciário, legislativo e executivo. Os grupos que elegeram Bolsonaro, grande parte deles “apenas” antipetistas, teriam gás pra enfrentar o risco de uma onda de simpatia da população pelo velho populista sindicalista que a fez comprar “TV de cristal líquido”? Entendo que as bases que levaram e sustentam Bolsonaro em 2020 terão que voltar a carga. A esquerda, apesar de combalida, foi até recentemente a única frente política pós-ditadura organizada, e esse “hábito” pode reergue-la.

4. Nesse sentido as eleições pra prefeitura serão, como sempre é, um teste para as grandes eleições estaduais e federais. A péssima qualidade da articulação do governo Bolsonaro pode abrir um vácuo de recuperação da esquerda nos municípios e isso será um desafio em 2022. A base institucional-partidária de Bolsonaro tem se revelado amadora e incompetente. Tivesse ela enfrentando uma esquerda organizada, ela já teria sido reduzida a pó.

5. Surgirá uma alternativa de centro a onda Bolsonaro e ao “retorno do Lula”? Essa alternativa depende, entre outras coisas, de uma assimilação do possível sucesso econômico aos agentes do semi-parlamentarismo silencioso em curso. Depende também do quanto de absurdos que a comunicação do governo continuará a produzir e quanto sua sustentação nas redes sociais se revelarem consistentes ao longo do ano.

6. 2020 a 2022 será, em geral, um campo de aprofundamento do estudo do impacto das redes sociais na democracia e nas eleições. Políticos mais ao centro encontrarão formas de se comunicar numa ferramenta de vocação populistas como as redes sociais, seja de direita ou de esquerda? Ou a vocação a imaturidade populista vai continuar a se impor? Aposto nessa última alternativa.

Luiz Felipe Pondé, doutor em Filosofia, professor, escritor e colunista. Foto de divulgação.

Fonte: 

Caio Coppolla
Editor do Boletim e comentarista político

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