RN É O ESTADO DO NORDESTE COM PIOR SITUAÇÃO DE SECA

Seca grave no RN aumenta e atinge 52% da área; estado tem pior situação do Nordeste

Redação / Portal da Tropical

 – Atualizado em: 

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Entre julho e agosto deste ano, o Rio Grande do Norte registrou um avanço da seca grave, passando de 38,39% para 52,66% do percentual de área com estiagem. Os dados são do Monitor da Seca de agosto, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

De acordo com o relatório, o avanço da seca grave em agosto ocorrido principalmente nas regiões Nordeste e Oeste do estado potiguar, em razão das anomalias negativas de chuvas. Como destacou a ANA, “os impactos são de curto e longo prazo em todo o estado”.

Com o levantamento, foi possível constatar que o RN apresenta uma pior condição entre os estados do Nordeste. Já no leste do Maranhão e oeste do Piauí, aconteceu o avanço da seca moderada, devido à piora nos indicadores do fenômeno. Por outro lado, devido às chuvas acima da média nos últimos meses, houve um recuo da seca moderada em parte do litoral baiano e da seca fraca no leste pernambucano.

O Monitor realiza o acompanhamento contínuo do grau de severidade das secas no Brasil com base em indicadores do fenômeno e nos impactos causados ​​em curto e / ou longo prazo. Os impactos de curto prazo são para déficits de precipitações recentes de até seis meses. Acima desse período, os impactos são de longo prazo.

Essa ferramenta vem sendo utilizada para auxiliar a execução de políticas públicas de combate à seca e pode ser acessado tanto pelo site monitordesecas.ana.gov.br quanto pelo aplicativo Monitor de Secas, disponível gratuitamente para dispositivos móveis com os sistemas Android e iOS. O projeto tem como principal produto o Mapa do Monitor, construído mensalmente a partir da colaboração dos estados integrantes do projeto e de uma rede de instituições parceiras que assumem diferentes papéis na rotina de sua preparação.

A metodologia do Monitor de Secas foi baseada no modelo de acompanhamento de secas dos Estados Unidos e do México. O cronograma de atividades inclui as fases de coleta de dados, cálculo dos indicadores de seca, traçado dos rascunhos do Mapa pela equipe de autoria, validação dos estados obrigados e divulgação da versão final do Mapa do Monitor, que indica a ausência do fenômeno ou uma seca, relacionada significando que as categorias de seca em uma determinada área são comuns em relação ao histórico próprio da região.

Fonte: Portal da Tropical _ Notícias

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CIÊNCIAS: RAIO ATINGE IRMÃOS NO EXATO MOMENTO QUE FAZIAM SELFIE E REGISTRO É FEITO

A nossa coluna CIÊNCIAS desta segunda-feira trás um destaque impressionante. Três irmãos ciclistas foram atingidos por um raio no momento em que faziam selfie, conseguiram registrar o momento e saíram ilesos. Agora eles têm uma história mirabolante pra contar para filhos e netos!

Irmãos fazem selfie exatamente quando são atingidos por raio

Imagem mostra o intenso clarão que iluminou o enquadramento enquanto os jovens londrinos tiravam a foto

Raio: os jovens ingleses não seguiram as recomendações de segurança para essas ocasiões, mas nenhum deles ficou gravemente ferido. Crédito: Piqsels

Como é fazer uma selfie no exato momento em que se é atingido por um raio? E o que sai nela? Três jovens irmãos londrinos por sorte sobreviveram a um incidente desses no dia 12 de julho para responder a essas perguntas à reportagem da BBC.

Isobel, Rachel e Andrew Jobson haviam saído para um passeio de bicicleta em Molesey Lock, no sudoeste de Londres, e depois de enfrentarem uma chuva bem pesada decidiram dar uma parada para que Rachel fosse a um toalete. Isobel e Andrew buscaram então abrigo embaixo de uma árvore. Essa ação é extremamente perigosa em tais circunstâncias, porque o relâmpago busca o caminho de menor resistência para o solo e ele geralmente passa pelo objeto mais alto da área.

Enquanto Rachel voltava, a dupla decidiu tirar uma selfie de si próprios. Foi quando o raio caiu, derrubando e ferindo os três. “De repente, eu estava no chão e não conseguia ouvir nada além desse zumbido estridente”, disse Rachel à BBC. “Meu braço direito estava todo dormente e eu não conseguia movê-lo.”

A impressionante selfie feita por Isobel Jobson enquanto o raio caía. Crédito: Isobel Jobson/Twitter

Placa de titânio

Ajudados por transeuntes, os irmãos foram levados para um hospital próximo, onde foram tratados de queimaduras. Nenhum deles ficou gravemente ferido.

A família foi informada de que uma placa de titânio no braço de Isobel, colocada após um acidente de bicicleta em 2020, pode ter sido a causa de o relâmpago percorrer os corpos do trio. “O braço da minha irmã estava muito quente, por causa da placa”, disse Rachel. “Todos ficaram espantados com o que havia acontecido conosco.”

Depois da experiência, eles entraram em contato com a mídia para agradecer toda a ajuda que receberam. E divulgaram em seu Twitter o impressionante registro da foto feita na ocasião.

Fonte: Revista Planeta

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INCÊNDIOS FLORESTAIS DEIXAM CANADÁ EM ESTADO DE ALERTA

Costa oeste do Canadá entra em alerta contra incêndios florestais

Em meio à intensa onda de calor que atinge a região, pelo menos 177 focos de incêndio foram registrados nos últimos dias

INTERNACIONAL

 por AFP

Dezenas de focos de incêndio na Columbia Britânica preocupam o governo canadenseDezenas de focos de incêndio na Columbia Britânica preocupam o governo canadense
SERVIÇO FLORESTAL DA COLUMBIA BRITÂNICA / DIVULGAÇÃO VIA AFP – 1.7.2021
As forças armadas do Canadá estão em alerta neste sábado (3) para ajudar a evacuar as cidades e combater mais de 170 incêndios causados por uma onda de calor sufocante e pela seca no oeste do país.

Ao menos 177 incêndios ocorreram na província da Colúmbia Britânica, dos quais 76 foram registrados nos últimos dois dias, disseram as autoridades. A maioria foi causada por raios.

“Ontem [sexta-feira] observamos cerca de 12.000 relâmpagos”, afirmou Cliff Chapman, diretor de operações do serviço de bombeiros da Colúmbia Britânica, de acordo com a emissora pública CBC.

“Muitos desses relâmpagos caíram perto de comunidades, como visto na área de Kamloops”, 350 quilômetros a nordeste de Vancouver, acrescentou.

Calor sem precedentes

Embora o fenômeno da “cúpula de calor” que retém o ar quente na região seja responsabilizado pelas condições sufocantes no oeste dos Estados Unidos e Canadá, os especialistas dizem que as mudanças climáticas estão fazendo com que os recordes de temperatura sejam quebrados com mais frequência.

A nível mundial, a década que antecedeu 2019 foi a mais quente já registrada, e os cinco anos mais quentes ocorreram desde 2012, de acordo com o climate.gov.

Na sexta-feira, o ministro canadense de Segurança Pública, Bill Blair, apontou para “condições de seca e calor extremo” que são “inéditas” na Colúmbia Britânica.

“Esses incêndios mostram que estamos no início do que promete ser um verão longo e difícil”, acrescentou em entrevista coletiva.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro Justin Trudeau se reuniu com um Grupo de Resposta a Incidentes, que inclui vários ministros, após conversar com lideranças locais, provinciais e indígenas.

“Estaremos aqui para ajudar”, disse ele a jornalistas.

O grupo informou que decidiu estabelecer um centro de operações em Edmonton, no oeste do país, com até 350 efetivos militares para prestar apoio logístico à região, segundo o ministro da Defesa, Harjit Sajjan. Aviões militares também foram enviados.

Cerca de mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas por causa dos incêndios na Colúmbia Britânica, e muitas outras estão desaparecidas.

Ao menos 719 pessoas morreram na semana, “três vezes mais” do que a média naquele período, relatou o departamento médico-legista d Colúmbia Britânica.

Lisa Lapointe, a chefe legista da província, informou que o calor extremo era provavelmente um “fator importante”.

A pequena cidade de Lytton foi evacuada na quarta-feira depois que um incêndio se espalhou rapidamente pela área. Cerca de 90% da cidade foi queimada, segundo Brad Vis, deputado que representa a área.

Na terça-feira, 49,6 graus Celsius foram registrados nesse povoado, um recorde no Canadá.

A onda de calor continuou a se expandir pelo Canadá neste sábado, afetando também as províncias de Alberta, Saskatchewan e Manitoba, assim como partes dos Territórios do Noroeste e partes do norte de Ontário.

Mais ao sul, os estados americanos de Washington e Oregon também vivenciam temperaturas recordes.

Ao menos 94 pessoas morreram em Oregon devido à onda de calor, alertaram as autoridades na sexta-feira. E na Califórnia, três incêndios já destruíram cerca de 16.200 hectares no norte do estado.

Fonte: R7
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CANCELAMENTO DA GRANDE FESTA POPULAR ATINGE POLOS TURÍSTICOS DA FOLIA ESPALHADOS PELO PAÍS

Por todo o país, cidades do Carnaval vivem tristeza e ‘rotina fora de época’

Fernanda Santana e Pedro Jordão e José Maria Tomazela, da Agência Estado

14 de fevereiro de 2021 às 17:46

Carnaval Salvador e Bloco Então Brilha BHFoto: Arquivo Agència Brasil + Divulgação

Sem confete, glitter ou trio elétrico nas ruas. Pela primeira vez, Elielson Suplício (o Léo Fissura), de 47 anos, observou pelas janelas, abriu a porta, percorreu quilômetros e não encontrou vestígio de carnaval. Até acordou perdido no fuso, em Salvador. “Não chorei por fora, mas por dentro”, diz o porteiro. É a primeira vez, que se tenha registro histórico, que o carnaval não acontecerá. E o cancelamento da grande festa popular, pela Covid-19, atinge os demais polos turísticos da folia espalhados pelo país.

É rotina fora de época. Osmar (no Campo Grande) – amanheceram e anoiteceram sem foliões. A prefeitura cancelou o ponto facultativo para evitar aglomerações. “O dia acordou estranho. Estou feliz por ter saúde, e não acho mesmo que deveria ter festa, mas o coração está partido”, disse Léo Fissura. Ele costuma sair os seis dias – pois o carnaval abriria oficialmente na quinta -, para seguir o trio de Bell Marques.

E para quem a festa significa sustento acordar sem planos de ir para a avenida, matar a sede e a fome dos foliões, foi ainda mais penoso. “Quase chorei”, diz a vendedora ambulante Derivalda Oliveira, de 57 anos, que trabalha há 15 no circuito Dodô. Um estudo da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostrou que, sem a folia, R$ 1,7 bilhão deixará de circular na cidade e 60 mil trabalhadores ficarão sem renda.

Um ano sem o Galo

No sábado (13, primeiro dia oficial da festa em Pernambuco, a cidade do Recife não teve o tradicional desfile do Galo da Madrugada e as ladeiras de Olinda ficaram silenciosas e desertas, em função dos decretos do governo Estadual, que visam a evitar aglomerações e proíbem até o comércio nos centros históricos.

Como em Salvador, artistas, blocos e bandas programaram lives para levar a folia ao público por redes sociais e canais de compartilhamento de vídeos. O plano era produzir vídeos com até 50 carnavalescos, mas até isso foi restringido. Na quinta o governo baixou norma limitando cada live a dez pessoas.

O folião Luiz Carlos Mendes, de 58 anos, relata que vai ao Galo da Madrugada há 40 anos, sem nenhuma exceção. “Faça chuva ou faça sol, estou lá. Já fui para o Galo com dengue diagnosticada pelo médico, que me deu 15 dias de repouso. Eu disse: doutor, 15 dias não dá, porque na próxima semana eu tenho o Galo. Ele disse que eu não podia ir e, mesmo assim, eu fui”, relata.

“Nunca perdi o Galo! E essa pandemia, essa falta do Galo, é como se houvesse tido uma amputação de alguma parte minha, está um vazio muito grande. Eu chorei muito, não tenho vergonha de dizer. Só de falar já fico emocionado”, afirmou Mendes.

Já as ladeiras de Olinda ficaram desertas ontem, sob vigilância policial. “Há poucas pessoas transitando, um silêncio nunca visto. Às vezes, uma ou outra pessoa passa cantando uma marchinha, levando vizinhos às lágrimas”, diz Meire Oliveira, de 63 anos, entristecida.

Como o comércio de rua e os shoppings vão funcionar amanhã e terça, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Pernambuco (Abrasel-PE) criou um festival gastronômico. “O turismo em Pernambuco teve uma receita de R$ 2,3 bilhões em 2020 e não sabemos o que vai ser deste ano”, disse o presidente, André Araújo.

Minas

Já as ondas de foliões que desciam e subiam as ladeiras de Ouro Preto, em Minas, também vão ficar na saudade, pelo menos este ano. A prefeitura cancelou o ponto facultativo entre os dias 15 e 17 e o carnaval presencial, considerado um dos melhores do país, está sem data.

No lugar, a prefeitura lançou o carnaval virtual “Beleza Pura”, em 2021. “Todos os blocos se dispuseram a contribuir conosco e fizeram lives que serão mostradas durante este período”, disse Felipe Guerra, secretário de Governo.

Paraitinga

As tradicionais marchinhas continuarão presentes este ano, em São Luiz do Paraitinga, interior de São Paulo, mas sem os foliões que abarrotam a cidade. A prefeitura lançou o “Carnaval Virtual de Marchinhas”, que já escolheu as 16 composições que serão apresentadas em um canal do YouTube e na página da Viva Produções Culturais nas redes sociais.

As músicas foram compostas por artistas locais e de outras cidades paulistas e gravadas por bandas de apoio com número limitado de integrantes contratados pela organização.

Em sua 36ª edição desde que aboliu outros ritmos, permitindo somente marchinhas, o carnaval da pequena cidade do interior está entre os melhores do país. No ano passado, mesmo com limitações impostas pelo município à entrada de ônibus e vans, atraiu 80 mil foliões.

Os 25 blocos que tradicionalmente animam o Carnaval pretendem agora fazer uma ação neste período para valorizar a cultura carnavalesca local. Integrantes principais estarão se apresentando individualmente no centro histórico, sem a presença de público.

Fonte: CNN

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COM GOVERNADORA PROFESSORA, MAS SEM PROJETOS PARA EDUCAÇÃO, O RN TEM ÍNDICE ALTÍSSIMO DE ANALFABETISMO

Analfabetismo atinge 372 mil pessoas no Rio Grande do Norte, aponta IBGE

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) mostram que 13,4% da população acima dos 15 anos é analfabeta no RN. Em 2019, a taxa de jovens e adultos potiguares que não sabem ler ou escrever é o dobro da média nacional, que é de 6,6%

Por Redação – Publicado em 16/07/2020 às 00:49

Brasil tem hoje 10,1 milhões de jovens entre 14 a 29 anos que não frequentam mais a escola

O analfabetismo atinge 372 mil pessoas no Rio Grande do Norte. Deste total, 188 mil estão dentro da população acima dos 15 anos em 2019, o que representa 13,4% desta parcela populacional. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de jovens e adultos potiguares que não sabem ler ou escrever é o dobro da média nacional, que foi de 6,6% no ano passado.

De acordo com o levantamento, o analfabetismo acima dos 15 anos ficou 0,5% pontos percentuais acima de 2018, quando a taxa foi de 12,9%. Em contrapartida, a taxa de pessoas acima de 60 anos que sabem ler ou escrever apresenta queda no Rio Grande do Norte. Segundo a PNAD, a taxa foi de 33,1% no ano passado, contra os 34,8% de 2018.

Segundo os dados do IBGE, quase seis em cada dez analfabetos no País são moradores da região Nordeste, onde houve ligeira piora no analfabetismo em relação ao ano anterior, contrariando a tendência das outras regiões. A taxa de analfabetismo do Nordeste é mais do que o dobro da nacional: 13,9%, com 6,2 milhões de pessoas nessa condição. Na região Sul, é de apenas 3,30%.

O Brasil já está quatro anos atrasado em relação ao cumprimento da meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de reduzir a taxa de analfabetismo a 6,5% em 2015. O PNE também prevê a erradicação do analfabetismo até 2024.

Segundo o IBGE, o analfabetismo vem diminuindo gradualmente no total do País, mas por uma questão demográfica, e não pela escolarização. “O efeito dessa queda é muito mais demográfico do que por introduzir a educação para esse grupo de 60 anos ou mais”, lamentou Marina Aguas, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O analfabetismo é até três vezes maior entre os idosos do que entre os jovens. Na faixa etária a partir de 60 anos, a taxa de analfabetismo no País foi de 18% em 2019. Entre os idosos pretos ou pardos, o analfabetismo é de 27,1%.

Quanto às diferenças regionais, a taxa de analfabetismo entre idosos alcança 37,2% no Nordeste e 25,5% no Norte. Por outro lado, no Sul e Sudeste, o analfabetismo na terceira idade está abaixo dos 10%.

Os dados sobre a escolarização da população brasileira vêm melhorando, mas ainda mostram uma forte desigualdade, especialmente a partir da adolescência, quando parte expressiva dos jovens ainda interrompe os estudos. O País tem 10,1 milhões de jovens de 14 a 29 anos que não frequentam a escola nem concluíram o ensino médio, sendo que 7,2 milhões deles são pretos ou pardos.

As informações da pesquisa mostram que o abandono escolar se agrava a partir dos 15 anos. Metade dos rapazes que abandonaram a escola alega que precisavam trabalhar. Entre as mulheres, quase um quarto delas (23,8%) deixaram os estudos porque ficaram grávidas.

Apenas 41,8% dos adultos pretos ou pardos acima de 25 anos tinham concluído o ensino básico obrigatório em 2019, contra uma fatia de 57% da população branca na mesma faixa etária

“Os motivos da evasão, do abandono, são diferentes. O que chamou mais atenção foi a diferença entre homens e mulheres. A questão do trabalho para os homens pesa muito mais. É óbvio, se olhar a realidade heterogênea do Brasil, a gente sabe que muita gente tem de trabalhar cedo porque precisa prover dinheiro para dentro de casa, para alimentação, para o sustento. Mas impressiona como a questão da gravidez entre as mulheres faz com que haja uma ruptura da questão escolar. Isso chamou a atenção. Óbvio que o trabalho é importante, mas, para as mulheres, a questão da gravidez foi também decisiva”, disse Marina Aguas, analista do IBGE.

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OS EMPREGOS MAIS ATINGIDOS NA PANDEMIA SÃO DE QUEM GANHA ENTRE 1 E 2 SALÁRIOS MÍNIMOS

 

Com pandemia, fechamento de vagas formais atinge mais quem ganha de 1 a 2 salários mínimos

75,5% do total de vagas fechadas no ano estão nesse patamar de renda; ocupações com maior número de postos criados estão nas áreas de saúde, educação e agricultura.

Por Marta Cavallini, G1

 

A pandemia mudou o cenário de criação de vagas no país. Se em 2018 e 2019 o saldo positivo de vagas formais era restrito às faixas salariais de até dois salários mínimos, em 2020, até o mês de maio, esses foram os patamares de salário com maior fechamento de postos de trabalho.

Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), enviados pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho a pedido do G1.

No acumulado de 2020, do total de 1,145 milhão de vagas fechadas, mais da metade foi na faixa salarial de 1,01 a 1,5 salário mínimo – um total de 635,1 mil postos de trabalho fechados. Essa faixa liderou o saldo de vagas criadas em 2018 e 2019.

Já na faixa de 1,51 a 2 salários mínimos, foram 229,3 mil postos fechados até maio deste ano. Essas duas faixas corresponderam a 75,5% do total de vagas fechadas no ano.

No caso da renda de 0,51 a 1,0 salário mínimo, que ficou na vice-liderança de criação de vagas em 2018 e 2019, foram fechadas mais de 45 mil vagas.

A única faixa salarial com saldo positivo de vagas neste ano foi a de até meio salário mínimo: 24,2 mil vagas criadas. Veja no gráfico abaixo:

Saldo de vagas por salário mensal — Foto: Economia G1

Organização Internacional do Trabalho afirma que trabalhadores vivem crise sem precedentes

Setores e cargos com maior demanda

A pandemia também mudou o ranking de ocupações que mais criaram vagas com carteira assinada nos primeiros meses de 2020. A predominância foi nas áreas de saúde, educação e agricultura.

As medidas de restrição e isolamento social para reduzir a velocidade do avanço da doença provocaram a suspensão do funcionamento de serviços considerados não essenciais, o fechamento de boa parte do comércio e também de fábricas.

Em janeiro, técnico de enfermagem e enfermeiro não apareciam entre os 30 cargos com maior saldo de vagas. No acumulado até maio, entretanto, ambos lideraram a lista de cargos, sendo responsáveis pela criação de quase 45 mil vagas (veja relação abaixo). Esse cenário tem relação com a demanda de profissionais para o tratamento da Covid-19.

Já no ranking de ocupações que mais perderam vagas, vendedor de comércio varejista lidera, com 180.258 postos de trabalho fechados até maio. O quadro também tem relação com a pandemia, que levou ao fechamento de estabelecimentos. Em janeiro, o cargo também liderou o fechamento, com 28,8 mil vagas a menos. Entretanto, essa redução foi motivada principalmente pelo término de contratos temporários para as vendas de Natal.

Vendedor com máscara em loja no Rio de Janeiro — Foto: Pilar Olivares/ReutersVendedor com máscara em loja no Rio de Janeiro

Outras ocupações que fecharam vagas até maio, que têm relação com o encerramento de atividades devido à pandemia, são atendente de lanchonete, auxiliar de escritório, operador de caixa, cozinheiro geral e garçom.

O comércio e serviços foram os setores que mais fecharam vagas até maio, o que explica o ranking de cargos com maior perda de postos. O setor agropecuário foi o único que registrou saldo positivo de vagas.

Veja abaixo o saldo de vagas em cada setor no ano até maio:

  • Comércio: -446.584 vagas
  • Serviços: -442.580 vagas
  • Construção: -44.647 vagas
  • Indústria: -236.410 vagas
  • Não identificado: -84 vagas
  • Agropecuária: 25.430 vagas

Ranking de ocupações que mais criaram vagas:

  1. Técnico de Enfermagem: 29.376
  2. Enfermeiro: 15.501
  3. Tratorista Agrícola:12.635
  4. Trabalhador Volante da Agricultura: 12.410
  5. Motorista de Caminhão (Rotas Regionais e Internacionais): 12.301
  6. Trabalhador da Cultura de Café: 9.867
  7. Professor de Nível Superior do Ensino Fundamental (1ª a 4ª Série): 8.389
  8. Auxiliar de Processamento de Fumo: 7.398
  9. Magarefe: 6.582
  10. Trabalhador Agropecuário em Geral: 5.655
  11. Professor de Nível Médio no Ensino Fundamental: 5.482
  12. Auxiliar de Desenvolvimento Infantil: 4.914
  13. Operador de Máquinas de Beneficiamento de Produtos Agrícolas: 4.335
  14. Professor da Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental (1ª a 4ª Série): 4.201
  15. Trabalhador da Cultura de Milho e Sorgo: 3.965
  16. Professor de Nível Superior na Educação Infantil (4 a 6 Anos): 3.488
  17. Professor de Nível Médio na Educação Infantil: 3.441
  18. Fisioterapeuta Geral: 3.131
  19. Auxiliar de Enfermagem: 2.771
  20. Analista de Desenvolvimento de Sistemas: 2.728
  21. Professor de Nível Superior na Educação Infantil (0 a 3 Anos): 2.559
  22. Professor de Ensino Superior na Área de Prática de Ensino: 2.511
  23. Embalador à Mão: 2.491
  24. Professor de Ensino Superior na Área de Didática: 2.313
  25. Abatedor: 2.249
  26. Operador de Colheitadeira: 2.199
  27. Professor de Disciplinas Pedagógicas no Ensino Médio: 2.063
  28. Professor de Língua Inglesa: 1.906
  29. Inspetor de Alunos de Escola Pública: 1.861
  30. Orientador Educacional: 1.761

Ranking de ocupações que mais perderam vagas:

  1. Vendedor de Comércio Varejista: -180.258
  2. Atendente de Lanchonete: -45.170
  3. Auxiliar de Escritório, em Geral: -42.775
  4. Operador de Caixa: -40.682
  5. Cozinheiro Geral: -38.963
  6. Garçom: -34.171
  7. Auxiliar nos Serviços de Alimentação: -33.774
  8. Assistente Administrativo: -33.675
  9. Trabalhador da Cultura de Cana-de-Açúcar: -30.985
  10. Recepcionista, em Geral: -23.385
  11. Faxineiro: -22.918
  12. Atendente de Lojas e Mercados: -22.401
  13. Almoxarife: -21.165
  14. Trabalhador no Cultivo de Arvores Frutíferas: -17.496
  15. Camareiro de Hotel: -16.962
  16. Frentista: -16.046
  17. Promotor de Vendas: -15.395
  18. Alimentador de Linha de Produção: -14.960
  19. Supervisor Administrativo: -14.815
  20. Costureiro na Confecção em Série: -12.190
  21. Ajudante de Motorista: -12.120
  22. Assistente de Vendas: -10.415
  23. Operador de Telemarketing Ativo e Receptivo: -10.233
  24. Motorista de Ônibus Rodoviário: -9.851
  25. Gerente Administrativo: -9.605
  26. Costureiro, a Máquina na Confecção em Série: -9.460
  27. Pedreiro: -9.458
  28. Motorista de Ônibus Urbano: -9.279
  29. Trabalhador Polivalente da Confecção de Calçados: -9.100
  30. Vendedor em Comércio Atacadista: -9.068

Menos escolarizados são mais afetados

O maior fechamento de vagas se deu entre níveis de escolaridade mais baixos, com exceção dos analfabetos, que foram os menos afetados. Lideram no saldo negativo de vagas os profissionais com nível médio completo, seguidos de quem tem fundamental incompleto e completo. Além dos analfabetos, o desemprego afetou menos os profissionais de nível superior.

Saldo de vagas por nível de escolaridade — Foto: Economia G1

Saldo de vagas por nível de escolaridade

Já em relação à faixa etária, profissionais de 30 a 39 anos foram os mais afetados: 368,2 mil vagas fechadas. A única faixa etária que teve saldo de vagas positivo foi até os 17 anos.

Saldo de vagas por faixa etária — Foto: Economia G1

Saldo de vagas por faixa etária

Na crise, mais qualificados perdem menos

Para Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, os números apontam que os trabalhadores mais qualificados tiveram uma piora bem menos significativa.

“Quanto ao salário de admissão do Caged, eles aumentaram. Isso significa que estão sendo expulsos do mercado de trabalho aqueles com menores rendimentos, e os empregos formais criados no período de pandemia são os de maior salário, então você vê uma mudança de composição do mercado de trabalho”, comenta.

Juliana Inhasz, coordenadora da graduação em economia do Insper, afirma que os efeitos para o trabalhador desempregado com renda mais baixa serão mais perversos porque, no geral, ele possui qualificação menor e terão de disputar vagas com aqueles que têm qualificação maior.

“A gente tem um mercado com muita gente desempregada, inclusive com mais qualificação, que se mostra disposta a trabalhar por salários menores do que ganhava quando deixou o mercado. E essas pessoas vão acabar sendo talvez mais atrativas do que as com baixa qualificação. Então esses trabalhadores de baixa renda vão ter uma dificuldade maior para se recolocar”, diz.

Daniel Duque considera que, quando há uma crise no mercado de trabalho, os mais atingidos são os que têm menor qualificação, em especial os jovens com menos experiência e menos a oferecer.

“Então as pessoas que têm menor escolaridade e menos qualificação terão mais dificuldade de se recolocar do que quem tem formação superior e especializações. Os jovens tiveram a possibilidade do serviço de entrega que foi um certo colchão”, afirma.

Fonte: G1
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