ECONOMIA: UMA RADIOGRAFIA DO IMPACTO DO CORONAVÍRUS NA ECONOMIA E COMO VOCÊ PODE SE PROTEGER

Nesta segunda-feira temos um artigo longo e que pode até ser sacal diante de tantos gráficos e termos técnicos macro e micro-econômicos que podem deixar você em parafuso, mas se tiver calma, paciência e tempo (isso não falta nessa quarentena) para lê-lo completo você vai ter uma noção precisa do cenário econômico brasileiro e mundial e poder saber como agir com os seus investimentos e patrimônio num momento turbulento como esse. Portanto, convido você a sentar num canto, respirar fundo e ler com calma esse artigo!

Uma radiografia de como a Covid-19 já impactou salários, vendas e setores da economia brasileira

E o que você está fazendo para se proteger

 

Este artigo irá se concentrar exclusivamente em mostrar alguns dados que fazem parte de pesquisas pessoais que venho realizando para entender o impacto da epidemia do novo coronavírus na economia, nas empresas e no comportamento das pessoas.

O objetivo deste compartilhamento de informações, e de suas respectivas fontes, é estimular o leitor a fazer seus próprios estudos e se adaptar à nova realidade que nos acomete.

Situação do comércio

Começo com alguns dados que fazem parte de uma pesquisa feita pela Elo Performance e Insights (você pode encontrar os dados neste endereço ou aqui).

Os números mostram que as vendas no varejo brasileiro caíram pela metade até o fim de março, refletindo o forte impacto da crise provocada pela pandemia de Covid-19. É possível que esses números estejam muito piores hoje, pois o processo de fechamento do comércio por determinações de governadores e prefeitos ainda não terminou.

O estudo comparou as vendas do varejo nas últimas semanas de março com uma média de períodos anteriores, quando ainda não existiam casos registrados do novo coronavírus no Brasil e o comércio ainda estava totalmente aberto.

Observe no gráfico abaixo que a linha azul representa as compras utilizando cartão de crédito e a linha preta as compras realizadas com cartão de débito em todos os estabelecimentos do país.

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O governo confirmou o primeiro caso de coronavírus no dia 26/02 (fonte). Já a primeira morte foi confirmada no dia 17/03, justamente no início do declínio das vendas utilizando os cartões em comparação ao mês anterior. Exemplo: o número -50% no dia 25 de março, no gráfico acima, significa que as vendas por cartão de crédito caíram 50% em relação ao dia 25 do mês anterior.

Podemos observar, no canto direito da figura, que essa queda foi de 91% no setor de vestuário. Os supermercados, por outro lado, foram os menos atingidos.

Já no gráfico abaixo temos os dados dos supermercados e farmácias separados dos demais setores.

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Podemos observar um forte aumento nas vendas dos supermercados e farmácias antes mesmo da confirmação da primeira morte. Logo depois ocorre um declínio desse aumento (ou seja, uma desaceleração) em relação ao período anterior, pois provavelmente as pessoas aumentaram suas compras na fase inicial para evitar sair de casa.

O próximo gráfico mostra as vendas pela internet (e-commerce).

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Podemos ver que, no geral, as vendas online caíram 35% em todo Brasil (linha laranja). A venda de bares e restaurantes cresceu 85% pela internet (canto direito da imagem). Supermercados online tiveram alta de 17% nas vendas por meio do cartão. Podemos entender que os brasileiros estão concentrando suas despesas em produtos essenciais.

Expectativas

Agora, eis os dados recentes de uma pesquisa sobre as expectativas das pessoas e seu comportamento diante da crise. Expectativas são cruciais. São elas que mais interferem nas decisões de compra dos consumidores e de investimentos dos empreendedores. Você encontra a pesquisa aqui.

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No gráfico acima podemos somar os valores e descobrir que 36% das pessoas pesquisadas acreditam que a crise terá duração de 1 até 3 meses. Somadas, temos que 57% das pessoas esperam uma crise que dure de 6 meses para mais. E 19% esperam que a crise dure por mais de 1 ano.

Esses valores, como dito, são cruciais, pois as pessoas normalmente tomam decisões de consumo e investimentos com base nessas expectativas.

No relatório detalhado (fonte) podemos ver que as pessoas com mais escolaridade estão mais pessimistas: 17% dos mais escolarizados se preparam para uma crise superior a 2 anos. Por outro lado, apenas 4% das pessoas com menos escolaridade esperam que a crise dure mais de 2 anos.

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As pessoas entre 25 e 40 anos são as mais pessimistas enquanto as pessoas com mais de 60 anos são as mais otimistas (onde existem muitos aposentados). As pessoas com maior renda estão mais pessimistas e as de menor renda, mais otimistas.

Medo e incerteza

Já o próximo gráfico mostra que 31% das pessoas conhecem alguém que já perdeu o emprego após o início da pandemia.

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Saber que seus amigos, parentes e conhecidos estão perdendo o emprego favorece o aumento do pessimismo e isso inevitavelmente produz efeitos nas decisões de consumo, economia de dinheiro e investimentos.

No próximo gráfico temos uma espécie de “medidor do medo”. Sabemos que o comportamento dos consumidores e dos investidores possuem como principais motores: o medo e a ganância/euforia. Muitos negócios como imóveis, eletroeletrônicos, moda, entretenimento, turismo entre outros, dependem de pessoas  otimistas com relação ao futuro.

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Ninguém compra um imóvel maior, abre um novo negócio, faz investimentos de maior risco e de longo prazo, ou gasta dinheiro com luxo e entretenimento quando está com medo de perder o emprego. Normalmente as pessoas gastam mais dinheiro com o essencial e com a educação ou com qualquer tipo de qualificação que possa melhorar seus resultados financeiros. As pessoas tendem a cortar os supérfluos e a aumentar o hábito de poupar, e começam a se preparar para o que está por vir (que podem ser riscos ou oportunidades).

Pelo gráfico, 43% das pessoas estão com medo grande ou muito grande de perder o emprego nessa fase inicial da crise. Nos detalhes da pesquisa existe a informação de que 87% das pessoas acredita que a taxa de desemprego será maior (49%) ou muito maior (38%) nos próximos 3 meses.

Redução salarial

Já o gráfico abaixo mostra que 46% dos entrevistados já tiveram, ou acreditam que terão, redução em sua renda mensal.

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E mais: entre as pessoas que já tiveram perdas na renda, a média dessa perda foi de 44%, como mostrado abaixo.

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Pelos números, e adotando-se uma estimativa conservadora, as pessoas que ainda não tiveram redução de renda já deveriam agora estar tomando medidas preventivas para se preparar para uma redução de pelo menos 30% na renda. Tudo indica que até mesmo os funcionários públicos estaduais, outrora estáveis, irão entrar nessa.

Endividamento

O que torna tudo isso muito pior são as dívidas. O gráfico abaixo indica que 58% das pessoas estão endividadas.

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Nos detalhes da pesquisa, 56% dessas pessoas que possuem dívida declararam que terão de atrasar o pagamento de algumas dívidas. Isso significa que além das empresas já estarem prejudicadas com a queda nas vendas, elas terão problemas para receber o pagamento da vendas que já fizeram no passado.

Agora, preste atenção aos valores vermelhos. Podemos observar que 64% das pessoas reduziram gastos com compra de roupas, 56% reduziram compras de bens duráveis como eletrodomésticos e eletrônicos, 54% reduziram compra de bebidas, 47% reduziram a compra de comida pronta (restaurantes). As pessoas estão comprando mais produtos de limpeza, remédios e alimentos em supermercados.

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Agora é com você

Espero que esses dados possam ajudar você que trabalha, empreende ou investe nos setores que aparecem nas pesquisas.

Assim como as grandes empresas estão nesse momento estudando, planejando e tomando decisões preventivas e proativas, os indivíduos deveriam fazer a mesma coisa.

Existem pessoas cantando e batendo panelas na varanda. Existem pessoas que passam o dia fazendo maratona nas séries do Netflix e fingindo heroísmos nos videogames. Existem aqueles que ficam vigiando e brigando com outras pessoas nas redes sociais. Tudo isso resultará em paralisia.

Para quem tem um emprego e está agora no home office, esse é o momento de ser ainda mais produtivo, proativo e preocupado com a empresa onde você trabalha, como se você fosse o dono dela.

Para quem tem um negócio, esse é o momento de desenvolver um plano de ação e começar a agir. Para o empreendedor, não importa o que vai acontecer. O importante é se ele sabe o melhor a ser feito diante dos possíveis acontecimentos. O bom empreendedor espera o melhor e se prepara para o pior. É o momento de fazer mais com menos.

Para quem é investidor e fez seus estudos no passado e já entende como os investimentos funcionam, esse é o momento de praticar o que aprendeu. Para quem só tomou decisões de investimentos baseadas em recomendações de terceiros, esse é o momento de dedicar um tempo para aprender sobre o funcionamento dos investimentos. Esqueça a ideia de que as pessoas que fazem recomendações sabem o que vai acontecer no futuro. Elas apenas sabem como os investimentos funcionam e vão tomando decisões e ajustando as carteiras de investimentos diante dos cenários que se apresentam.

Enfim, o que você está fazendo para mitigar as enormes incertezas futuras?

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: A SAÍDA DA CRISE ECONÔMICA CAUSADA PELA PANDEMIA SERÁ EM L E NÃO EM V

Neste extraordinário e esclarecedor artigo escrito pelo eminente economista Daniel Lacalle mostra o quão suicida é a política que os governos que optaram pelo Lock Down. Explica que, ao contrário do que pensam a saída da crise econômica gerada por esse tipo de política pública será em L  e não em V como imaginam esses economistas. Então eu convido você a ler o artigo completo a seguir e entender como isso vai se processar.

Destruir a economia não é uma política social – e muito menos uma questão de saúde pública

Governos não podem consertar a crise econômica que eles próprios causaram

 

A economia é o coração do organismo social. Se desligarmos o coração de um organismo para proteger os membros e o cérebro, o organismo morre.

Isso é bastante óbvio, mas, ao que tudo indica, nunca foi tão crucial e necessário repetir o óbvio. Em face a esta crise sem precedentes gerada pela pandemia de Covid-19, temos de ser realistas, responsáveis e cautelosos.

A Lei de Say mandou lembranças

Estamos vivenciando um profundo choque de oferta causado por um desligamento compulsório da economia. Políticos deram a ordem para que o comércio fosse fechado, para que o setor de serviços fosse interrompido, e para que pessoas fossem proibidas de empreender e produzir, e até mesmo de circular livremente. Várias fábricas tidas como produtoras de bens não-essenciais também foram compulsoriamente fechadas.

Com uma só canetada, milhões de empreendedores foram humilhados pelo estado, o qual, além de proibi-los de auferirem seu ganha-pão no livre mercado, ainda afirmou arrogantemente que suas atividades não são essenciais para ninguém. Um golpe duplo.

Com a produção e a oferta paralisadas, não há renda para essas pessoas. Sem renda, não há como elas demandarem outros produtos e serviços. Este é o básico da Lei de Say: quem não oferta bens e serviços não aufere renda; sem renda, não há como demandar outros bens e serviços.

Sendo assim, em decorrência deste choque de oferta, uma resposta séria deve ser feita também pelo lado da oferta. Mas não. Todas as políticas apresentadas são do lado da demanda. É completamente insensato os governos adotarem políticas do lado da demanda para resolver um problema de oferta.

Um choque de oferta causado por um fechamento compulsório da economia não tem como ser resolvido por meio de expansão monetáriaaumento dos gastos públicos e redistribuição de renda. Políticas de demanda em um ambiente de confinamento e de oferta profundamente reduzida não irá aumentar a oferta. Isso é lógica pura.

Com efeito, a crise de oferta nem sequer decorre de algum desarranjo econômico. Tampouco decorre de alguma destruição em massa. Ela decorre das medidas tomadas em decorrência de uma pandemia. Só que uma crise pandêmica é solucionada adotando-se protocolos de segurança e equipamentos sanitários no ambiente de trabalho (sair às ruas com máscaras e luvas, por exemplo), de modo que empresas e empregos continuem existindo. Não se combate pandemia simplesmente desligando toda a economia, medida essa que pode criar problemas sociais e de saúde muito maiores no longo prazo, independentemente de eventuais injeções maciças de liquidez e políticas fiscais expansionistas.

Políticas do lado da demanda não fazem nenhum sentido em um cenário de fechamento forçado de todos os setores. Não existe uma demanda a ser “incentivada” quando o governo ordena o fechamento de todas as atividades produtivas. E não há oferta a ser oferecida quando a inevitável crise econômica gera um colapso no emprego, na produção, na renda e no consumo.

Não será em V, mas em L

Médicos, jornalistas, artistas, intelectuais e até mesmo economistas estão dizendo que o desligamento da economia é uma medida essencial para se ganhar tempo para controlar o vírus e, principalmente, para preparar os hospitais para atender os futuros infectados.

Mas esse tipo de análise é típica de quem simplesmente não entende os efeitos em cascata — bem como todas as ramificações — de um completo desligamento. Tais pessoas veem esse desligamento da economia como um pequeno e temporário dano colateral, pois acreditam que tudo pode voltar ao normal em um mês. Errado. O impacto será severo, generalizado e exponencial.

A decisão de fechar a economia pode causar estragos duradouros aos empregos e às empresas, danos estes que não podem ser desfeitos em poucos meses. Sim, é essencial conter a disseminação do vírus e medidas drásticas podem ser necessárias, mas é crucial relembrar que cada mês de confinamento significa milhões a mais de desempregados e milhares a mais de empresas falidas e fechadas para sempre.

E de nada adianta o governo fornecer capital de giro a juros baixos para empresas que não estão tendo receitas. É uma questão de contabilidade básica. A realidade de um balancete não pode ser abolida por uma simples “vontade política”. Se os custos são fixos, mas a receita cai a zero por muito tempo, os ativos vão se tornando menores que o passivo, o patrimônio líquido se torna negativo e a falência está contabilmente decretada.

Mecanismos artificiais de suporte estatal às empresas (basicamente, empréstimos estatais a juros baixos) duram por apenas alguns dias, ao passo que a ausência de receitas e a subsequente expansão dos prejuízos destroem o fluxo de caixa e os balancetes. Empresas veem suas faturas serem atrasadas ou simplesmente caloteadas. Ao mesmo tempo, por causa da total incerteza, encomendas para o restante do ano vão sendo canceladas.

Não há como dizer que isso será passageiro.

A vasta maioria das empresas não está vivenciando um problema de acesso ao crédito (ao redor do mundo, há ampla liquidez e oferta de crédito a taxas baixas para empresas solventes). Elas estão vivenciando, isso sim, a total paralisação de suas atividades, e as inevitáveis demissões por causa dessa interrupção completa das atividades. Várias empresas descobrirão que apenas postergar (diferir) o pagamento de impostos ou receber empréstimos subsidiados pelo estado não resolverão seus problemas contábeis.

O principal problema vivenciado pelas empresas não é o de fornecer garantias para conseguir empréstimos, mas sim a impossibilidade de sequer ter motivos para requerer um empréstimo. Não estamos em uma crise causada pela falta de acesso ao crédito, mas sim em uma crise causada pelo desaparecimento da atividade econômica.

Isso, por si só, afasta a tese de que haverá um recuperação econômica em formato de V. O mais provável é uma “recuperação” em formato de L. Ou seja, depressão seguida de estagnação. Mesmos todos os eventuais pacotes de estímulo e auxílio dos governos não podem abolir esse verdadeiro pesadelo que é a abolição do capital de giro e a destruição do balancete das empresas.

A saúde pública

Essa crise sanitária tem de ser atacada por três ângulos: prevenção, testagem, e a garantia de que tratamentos e vacinas estarão amplamente disponíveis quando prontos. Se os governos continuarem em pânico, destruindo o tecido social das economias, eles irão apenas adicionar pobreza, miséria, falências e desespero às fatalidades da epidemia, criando assim uma depressão sanitária e social muito maior e mais longeva.

As melhores medidas a serem tomadas para lidar com essa crise sanitária, bem como o risco de colapso econômico, é seguir a estratégia da Coreia do Sul, de Cingapura e de Hong Kong. Realmente, não é necessário reinventar a roda. Basta copiar o que deu certo.

A Coreia do Sul, com seus 51 milhões de habitantes, é um dos países mais bem posicionados no ranking de liberdade econômica da Heritage (25ª economia mais livre do mundo). Seu gasto público em porcentagem do PIB (30% do PIB) é menor que o das principais economias do mundo, e seu gasto per capita em saúde é muito menor que o dos EUA e da União Europeia. A Coreia do Sul também é um exemplo mundial no gerenciamento da pandemia, com 186 mortes e 10.284 casos (em 6 de abril de 2020).

O mesmo pode ser dito de Cingapura e Hong Kong, também líderes em liberdade econômica e com gastos em relação ao PIB bem menores (17% e 18%, respectivamente).

No lado oposto, temos Espanha e Itália, com maciços gastos governamentais (acima de 41% na Espanha e acima de 48% na Itália) e amplos sistemas de saúde pública. Ambos, infelizmente, apresentam a maior taxa de letalidade. Há vários fatores envolvidos, é claro, mas um é evidente: maiores gastos estatais com saúde não são a solução mágica para uma crise gerada por má prevenção e má gestão.

Mas, afinal, qual tem sido o sucesso dos países mais bem posicionados no combate? Pouca burocracia na administração e um rápido, efetivo e eficiente sistema de prevenção, análise e contenção. Em suma, testagem e isolamento dos contaminados, e liberação para o trabalho dos não-contaminados e dos já imunizados.

Qualquer cidadão espanhol ou italiano pode perceber que o acúmulo de ineficiências que vivenciaram no gerenciamento da pandemia teria sido o mesmo caso os gastos de seus governos fossem ainda maiores, pois os recursos teriam sido alocados em outras coisas, e não especificamente para um surto pandêmico que todos os governos falharam em reconhecer. Trata-se de um problema de gestão, e não de fundeio — e muito menos de fundeio gerenciado pelo governo.

No final, o serviço público (em especial os médicos) e o setor privado estão fazendo de tudo, e mais um pouco, nesta pandemia. A crise mostrou que a única solução para futuros desafios virá exatamente de uma maior colaboração, com um sólido e poderoso setor privado. Não há setor público sem o setor privado. Não há saúde pública sem a tecnologia, a inovação, a pesquisa, os produtos e os remédios produzidos pelo setor privado. Nenhum governo do mundo poderá lidar com os desafios da saúde no futuro impondo o gerenciamento político como a única opção.

É indiscutível que iremos precisar de concorrência, liberdade de escolha e liderança tecnológica para atender a muito mais pessoas no futuro, ao mesmo tempo em que maximizamos o uso dos recursos disponíveis. Por tudo isso, acreditar que é possível destruir o setor privado, como está sendo feito agora, e ainda assim ter maior e melhor acesso a bens e serviços no futuro é postura de quem tem sérios problemas com a história e com as estatísticas. No mundo, nenhum sistema de saúde de ponta é exclusivamente estatal. E nenhum trabalha exclusivamente com recursos estatais.

Com efeito, esta crise tem demonstrado a realidade de que o capitalismo é o sistema mais eficiente e social possível. Empresas e trabalhadores autônomos têm respondido de maneira exemplar. O número de empresas, empreendedores e organizações que atuaram rápida e eficientemente para apoiar os países em dificuldades — convertendo suas linhas de montagem para a produção de máscaras, equipamentos hospitalares e álcool em gel — é enorme.

Por outro lado, e infelizmente, exemplos de solidariedade e de contribuição da parte dos agitadores anti-capitalistas são quase nulos. Com efeito, é curioso que exatamente aqueles anti-capitalistas radicais que vivem entonando slogans anti-corporações agora estão exigindo a adoção de medidas que só podem ser levadas a cabo em ambientes capitalistas. Querem que multinacionais reduzam seu patrimônio líquido doando e ofertando equipamentos (algo que seria impossível não fossem os lucros anteriores); querem que as grandes empresas emitam bilhões em títulos que terão de ser comprados pelos fundos de investimento que eles odeiam; querem que os governos incorram em endividamentos maciços financiados por investidores que eles abominam; querem maciços investimentos que terão de ser feitos por empresas que condenam; e querem empréstimos volumosos feitos por bancos que eles querem destruir. Nunca os anti-capitalistas foram tão capitalistas.

Sim, graças ao capitalismo, sairemos dessa crise — que foi pessimamente prevista e gerenciada pelos governos — em tempo recorde, desde que não haja mais obstáculos artificiais à recuperação econômica.

Para concluir

Esta crise irá destruir milhões de empregos, mas a recuperação poderia ser rápida se os governos não incorressem no erro de atacar a pandemia criando uma depressão econômica. Por ora, os governos, ao fecharem suas economias, estão mandando a esmagadora maioria das pequenas e médias empresas para o colapso, gerando anos de estagnação econômica, pobreza e desemprego maciço. Destruir a economia, como está sendo feito agora, não é uma política social.

Governos, em existindo, deveriam fornecer aos cidadãos e às empresas as ferramentas para garantir a segurança, e não matar o tecido social de um país.

Mas, em vez de proteger o tecido produtivo para possibilitar a criação de mais empregos quando a pandemia for controlada, alguns governos irão, ao contrário, levar centenas de milhares de pequenas empresas à falência. E essas empresas não ressurgirão quando a crise passar.

A pandemia sanitária será superada graças à genialidade humana, à ciência, à tecnologia e às empresas. Já a pandemia intervencionista irá custar muito mais, em termos de vidas, de emprego, de crescimento e de oportunidades.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: SERÁ QUE JÁ É TARDE DEMAIS PRA ESCAPAR DA ARMADILHA CHINESA?

Caro(a) leitor(a),

Faço aqui um pequeno comentário sobre o artigo a seguir que é um grande alerta para todos os países ocidentais e em especial ao Brasil, pois estamos subestimando e, o que é pior, ignorando o plano de poder do Partido Comunista chinês, só para não sair da nossa “zona de conforto“, que já não consegue mais esconder essa obsessão, pois é muito evidente para quem tem mais de 5 neurônios na cabeça. É muito clara essa intenção. Por isso lhe convido a ler com atenção o artigo a seguir, de autoria de Luciano Pires, Diretor de marketing da Dana e profissional de comunicação. Reflita e tire suas conclusões!

A armadilha chinesa: O mundo está alimentando um enorme dragão e ficará refém dele

Fotomontagem ilustrativa

Um determinado produto que o Brasil fabrica em um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões…

A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reação é impressionante.

Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas…

Com preços que são uma fração dos praticados aqui.

Uma das fábricas está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares.

Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo que acrescidos de impostos e benefícios representam quase 600 dólares.

Quando comparados com os 100 dólares dos chineses, que recebem praticamente zero benefícios…. estamos perante uma escravatura amarela e alimentando-a…

Horas extraordinárias? Na China…? Esqueça !!!

O pessoal por lá é tão agradecido por ter um emprego que trabalha horas extras sabendo que não vai receber nada por isso…

Atrás dessa “postura” está a grande armadilha chinesa.

Não se trata de uma estratégia comercial, mas sim de uma estratégia “de poder” para ganhar o mercado ocidental.

Os chineses estão tirando proveito da atitude dos ‘marqueteiros’ ocidentais, que preferem terceirizar a produção ficando apenas com o que ela “agrega de valor”: a marca.

Dificilmente você adquire atualmente nas grandes redes comerciais dos Estados Unidos da América um produto “made in USA”.

É tudo “made in China”, com rótulo estadunidense.

As Empresas ganham rios de dinheiro comprando dos chineses por centavos e vendendo por centenas de dólares…

Apenas lhes interessa o lucro imediato e a qualquer preço.

Mesmo ao custo do fechamento das suas fábricas e do brutal desemprego. É o que pode-se chamar de “estratégia preçonhenta”.

Enquanto os ocidentais terceirizam as táticas e ganham no curto prazo, a China assimila essas táticas, cria unidades produtivas de alta performance, para dominar no longo prazo.

Enquanto as grandes potências mercadológicas que ficam com as marcas, com os designes…suas grifes, os chineses estão ficando com a produção, assistindo estimulando e contribuindo para o desmantelamento dos já poucos parques industriais ocidentais.

Em breve, por exemplo, já não haverá mais fábricas de tênis ou de calçados pelo mundo ocidental. Só haverá na China.

Então, num futuro próximo veremos os produtos chineses aumentando os seus preços, produzindo um “choque da manufatura”, como aconteceu com o choque petrolífero nos anos setenta. Aí já será tarde demais.

Então o mundo perceberá que reerguer as suas fábricas terá um custo proibitivo e irá render-se ao poderio chinês.

Perceberá que alimentou um enorme dragão e acabou refém do mesmo.

Dragão este que aumentará gradativamente seus preços, já que será ele quem ditará as novas leis de mercado, pois será quem manda, terá o monopólio da produção .

Sendo ela e apenas ela quem possuirá as fábricas, inventários e empregos, é quem vai regular os mercados e não os “preçonhentos”.

Iremos, nós e os nossos filhos, netos… assistir a uma inversão das regras do jogo atual que terão nas economias ocidentais o impacto de uma bomba atômica… chinesa.

Nessa altura em que o mundo ocidental acordar será muito tarde.

Nesse dia, os executivos “preçonhentos” olharão tristemente para os esqueletos das suas antigas fábricas, para os técnicos aposentados jogando bocha no clube, e chorarão sobre as sucatas dos seus parques fabris desmontados.

E então lembrarão, com muitas saudades, do tempo em que ganharam dinheiro comprando “balatinho dos esclavos” chineses, vendendo caro suas “marcas-grifes” aos seus conterrâneos.

E então, entristecidos, abrirão suas “marmitas” e almoçarão as suas marcas que já deixaram de ser moda e, por isso, deixaram de ser poderosas pois foram todas copiadas….

REFLITAM E COMECEM A COMPRAR – JÁ – OS PRODUTOS DE FABRICAÇÃO NACIONAL, FOMENTANDO O EMPREGO EM SEU PAÍS, PELA SOBREVIVÊNCIA DO SEU AMIGO, DO SEU VIZINHO E ATÉ MESMO DA SUA PRÓPRIA… E DE SEUS DESCENDENTES.

Luciano Pires. Diretor de marketing da Dana e profissional de comunicação

Fonte: Jornal da Cidade On Line

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OPINIÃO: O AUTORITARISMO AVANÇA NA ESTEIRA DO CORONAVÍRUS

Caro(a) leitor(a),

As colunas OPINIÃO e PONTO DE VISTAS são os espaços neste blog que procuro expressar  o meu pensamento sobre a política no nosso país, através de artigos publicados na grande imprensa, os quais tomo como base para fazer as observações e formar a minha opinião. Quando se trata de ideologia política estou alinhado com a direita liberal apoiado pelo capitalismo e a iniciativa privada. Portanto, não é novidade para ninguém que lê as páginas deste blog o meu posicionamento, deixando sempre claro que não tenho nenhum político, partido ou ideólogo de estimação. Dito isto, acho muito importante analisar o conteúdo do artigo a seguir do economista e professor Ubiratan Jorge Iorio, sobre o ambiente gerado pela pandemia do coronavírus que propicia o levante do comunismo, do socialismo e do autoritarismo, não apenas aqui no Brasil, mas em todo o mundo. De antes de ontem pra hoje já publiquei pelo menos dois artigos desse movimento na Europa. E aqui não é diferente, até porque a esquerda tem o apoio massivo da grande imprensa com algumas exceções. Está muito claro que o coronavírus tornou esse ambiente muito mais fértil para a propagação do autoritarismo. Os exemplos estão todos citados no artigo a seguir e precisamos, mais do que nunca ter voz altiva e participação nesse processo para ajudarmos a dar governabilidade a Bolsonaro, apesar do seu temperamento não ajudar muito. Mas infelizmente não temos outra alternativa. É isso ou o estado de exceção, que nesse momento seria o caos! Leia o artigo completo a seguir e tire suas conclusões!

Coronavírus e “comunavírus”: “Quem trabalha, produz e não abre mão de ser livre tem que se manifestar”

Fotomontagem/JCO

A peste que veio do leste – mais especificamente, da China – está submetendo o planeta a uma experiência inusitada e bastante perigosa.

Alguns dizem que a coisa nasceu quando um idiota, sem qualquer noção de higiene, comeu uma inacreditável e repugnante sopa de morcego-comedor-de-cobra, iguaria que alguns tentam nos empurrar como fruto de “hábitos culturais”, mas que ninguém me convence de que não tenha sido imposta aos chineses pela necessidade de sobreviver à fome, comum a todos os povos que experimentam o comunismo.

Outros especulam que teria surgido em laboratório e, dentre esses, há quem sustente que seria uma arma biológica do PC chinês para conquistar o mundo.

Nunca me arrisco a dar palpites sobre coisas que desconheço e, nesse caso, esse hábito, herdado de meu pai, é ainda mais indicado, por tratar-se de um tema novo, complicado e cheio de dúvidas e mistérios. Ademais, se os entendidos ainda não o entenderam, é impossível que não entendidos possam entendê-los. Como não entendo bulhufas de vírus, porque moro na “praia” da economia, onde mergulham, tomam sol, caminham e surfam a oferta e a demanda, a poupança e o consumo, a produção e o investimento, só o que posso me atrever a afirmar, sem medo de erro ou exagero, é que o Covid-19 é um inimigo que tira vidas, impõe custos sociais tremendos e ameaça destroçar as atividades econômicas em todo o planeta.

Para termos uma esquálida – e, mesmo assim, enigmática – ideia da devastação que pode se abater sobre o mundo, do início deste ano até o final de março, a peste do leste já se estendeu a mais de 150 países e a cinco continentes, infectou mais de 450 mil pessoas e interrompeu perto de 24 mil vidas.

Não bastasse isso, ameaça destroçar a economia mundial com violência sem precedentes. Não faltam estimativas quanto ao montante dos estragos, como essas sobre a queda do GDP americano:

– Bank of America – 12%

– Goldman Sachs – 24%

– JP Morgan – 14% e

– Morgan Stanley – 30%.

Para o PIB do Brasil, de 35 instituições que apresentaram projeções, apenas 5 apostam em um número positivo (entre 0,3 e 0,7), três cravam zero e as demais 27 oscilam entre – 0,3% e – 3%. Ou seja, se é possível confiar em alguma coisa, é na incerteza, no risco e no pessimismo.

É costume exigir dos governos as soluções para as grandes crises, porque os indivíduos, paradoxalmente, embora não gostem de políticos, acreditam que os governos têm sempre boas intenções e que podem fazer mágicas na economia para conduzir todos ao Éden.

Esses truques consistem em inflar a demanda pela imposição de uma verdadeira olimpíada de estímulos, a saber, qual banco central é mais rápido em martelar artificialmente a taxa de juros para baixo, que governo arremessa mais longe os seus gastos, quem é melhor em despejar moeda sem lastro do alto, etc.

Isso já vem acontecendo desde o início de março. Nos Estados Unidos, o Fed reduziu a faixa das taxas de juros de entre 1% e 1,25% para entre zero e 0,25%, o maior corte desde 2008; injetou US$ 1,5 trilhão em liquidez no sistema bancário; comprou US$ 1,2 trilhão em títulos; baixou a taxa de redesconto de 1,5% para 0,25% e reduziu os requisitos de reserva para zero, ou seja, acabou com todo e qualquer resto de lastro. Do lado fiscal, o governo também tomou medidas muito fortes, como uma lei para aumentar os gastos em US$ 8,3 bilhões; a decretação de estado de emergência para liberar a distribuição de até US$ 50 bilhões em ajuda a estados, cidades e territórios; ajuda ao exterior; a proposta de um novo pacote de estímulo de cerca de US$ 1 trilhão.

O Banco Central Europeu (BCE), que desde 2019 já reduzira a taxa de juros abaixo de zero para prevenir uma recessão esperada, também anunciou medidas de estímulo, como aumentar em US$ 128 bilhões as compras de títulos em 2020 e afrouxar as exigências de capital dos bancos.

Medidas semelhantes vêm sendo adotadas na Austrália, na China, em Hong Kong, na Coreia do Sul, Reino Unido, França, Itália e Japão.

E até a equipe econômica do governo brasileiro, a mais liberal de nossa história, seguiu, embora certamente com alguma contrariedade, a toada: liberação de compulsório para bancos proverem liquidez às empresas (R$ 200 bilhões), empréstimos do BNDES e Caixa (R$ 150 bilhões); liberação de recursos ao Ministério da Saúde; postergação de impostos; antecipação de abonos salariais e benefícios para aposentados (R$ 150 bilhões). Em poucos dias, R$ 500 bilhões despejados na economia!

Além disso: auxílio a informais (R$ 50 bilhões) e empréstimos em folha de pagamento (R$ 50 bilhões); transferências mensais de R$ 600 para 38 milhões de pessoas; complementação de parcelas de salários que as pequenas empresas não puderem pagar; empréstimos na folha salarial. Como disse o ministro Paulo Guedes no final de março, “o pacote atual é de mais ou menos R$ 750 bilhões, e ele pode aumentar se for necessário”. E prosseguiu: “Vamos gastar de 4,8 a 5,0% do PIB esse ano”.

Nessa combinação de keynesianismo econômico com o autoritarismo provocado pelas providências de confinamento que vêm sendo adotadas pelos governos em escala mundial, duas perguntas são relevantes: (a) essas medidas estão corretas? e (b) supondo que sejam, serão suficientes?

O comunavírus

Admitindo – para evitar que o artigo fique quilométrico – que as respostas a ambas sejam positivas, vamos formular então a seguinte:

Quais os perigos desse aumento sem precedentes da coerção do Estado nas nossas vidas?

O momento exige a maior serenidade possível, porque, embora saibamos que o vírus chinês não gosta de brincadeiras, não podemos perder a cabeça e o controle da situação, sob a pena de transformarmos as vidas de todos em um suceder de atos servis, em uma lista de afazeres ditada diariamente pelo governo.

Qualquer cidadão que preze a liberdade não pode deixar de manifestar perplexidade diante da quantidade de ações de natureza autoritária e populista que espocam diariamente nas mídias de informação, por parte de prefeitos, governadores, políticos e membros do Judiciário, sempre com o apoio quase irrestrito da imprensa tradicional. É uma saraivada de comandos e ordens do Estado aos cidadãos que nunca se imaginava acontecer em nosso país e é notório que muitos estão procurando tirar proveito político da pandemia para minar o governo e afastar o presidente, seja por razões ideológicas ou simplesmente para afastá-lo da eleição de 2022 e apresentarem-se como candidatos. E o jogo dessa gente é sujo, muito sujo, mesmo levando-se em conta que a atividade política, desde os tempos mais remotos, não pode ser caracterizada propriamente como atos de santidade, porque visa ao poder que – se espremermos bem o limão -, é a dimensão política do axioma da ação humana.

Com efeito, temos assistido perplexos a um desfile de arbitrariedades e propostas de mais arbitrariedades repletas de boas intenções (tenho dúvidas) e, principalmente, de populismo barato e ideologia camuflada. Vou citar algumas, dentre inúmeras outras de teor semelhante:

– quarentena horizontal – fechamento de comércio – detenção de pessoas que se recusam a obedecer a governadores e prefeitos – ameaças de todos os tipos a quem discordar – invasão de estabelecimentos comerciais por policiais – confisco de mercadorias “para servir ao bem comum” – prefeitos bloqueando acessos a suas cidades e governadores a seus estados – controles e congelamentos de preços e aluguéis – propostas de imposição do IGF (imposto sobre grandes fortunas) – bloqueio de estradas – proposta de taxação de 10% do lucro de empresas com capital igual ou maior a R$ 1 bilhão – proposta de estatização de todos os hospitais privados do país – respaldo do STF a medidas desse tipo – imprensa tradicional incutindo pavor e pânico 24 horas por dia e apoiando as medidas autoritárias – permanentes bombardeios ao Executivo desferidos pela imprensa e pelos outros poderes, com objetivos pouco disfarçados de desestabilizá-lo – rebelião de alguns governadores e prefeitos.

No exterior, não tem sido diferente. Dois casos chegam a chamar a atenção por sua bizarrice: o primeiro no Panamá, onde o governo impôs um “rodízio de gênero”, em que os homens só podem sair de casa nas segundas, quartas e sextas, as mulheres somente nas terças, quintas e sábados e, nos domingos, nem homens e nem mulheres podem deixar suas casas. E o segundo na Colômbia, onde a agência de saúde do governo aconselhou a masturbação como forma de minorar os efeitos da quarentena…

As raposas autoritárias, como vemos, estão saindo rapidamente de seus esconderijos e avançando sobre nossas galinhas. O direito de propriedade, uma instituição fundamental da economia de mercado, está sendo ameaçado e desrespeitado; o direito à liberdade, seja a econômica, seja a de ir e vir e até mesmo a de se expressar, também está sendo agredido; E o direito mais importante de todos – que é o direito à vida – está visivelmente servindo de pretexto para a imposição de agendas autoritárias muito perigosas. Podemos dizer que a impressão é que estamos na porta de entrada do totalitarismo mais descarado.

Costuma-se defender essa onda autoritária argumentando que vai se limitar à emergência da situação e que, uma vez passada, tudo retornará ao que era antes.

Não podemos ter certeza de que vai ser assim! A história da civilização já é suficientemente longa para mostrar que o poder costuma tirar proveito de todas as crises, porque é durante elas que o seu avanço não encontra grandes obstáculos, e tem mostrado também que, uma vez aumentado, nunca retorna ao ponto inicial. Em outras palavras, o poder discricionário do Estado morre de amores pela continuidade e odeia a brevidade. Entretanto, quando se trata de desonerar e reduzir alíquotas de impostos, o que vem sendo obrigado a fazer pela pandemia, ele adora ter um romance efêmero com a brevidade…

Existe – e não podemos ser tolos a ponto de negar – o perigo de um estado de exceção aguçado por razões de saúde passar para um estado de exceção motivado por saques, protestos e levantes sociais. Isso impediria, ou na melhor hipótese, atrasaria a restauração completa das liberdades que os governos nos estão suprimindo. A pior das pandemias é a dos estados totalitários.

Nem vou mencionar os projetos criminosos da eternamente rupestre esquerda de implantação do socialismo, que está estimulando o facho totalitário dos malucos de sempre. Por isso, finalizo com uma advertência: quem trabalha, produz e não abre mão de ser livre tem que se manifestar desde já, para que fique bem claro que ninguém que tenha a cabeça no lugar admite qualquer tipo de totalitarismo no Brasil.

Ubiratan Jorge Iorio. Professor.

Publicado originalmente no blog do prof. Iorio

Fonte: Jornal da Cidade On Line

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NEGÓCIOS: COM QUEDA NAS BOLSAS WARREN BUFFET PODE IR AS COMPRAS

O mega investidor Warren Buffett é o destaque da nossa coluna NEGÓCIOS desta terça-feira. Ele tira proveito da crise e manda recado ao mercado que está com apetite para comprar a mega, ultra, super sanduicheira  Mc Donalds’ e/ou a a fabricante de veículos autônomos Tesla. Ambas com valor nominal em torno de 100 bilhões de dólares. Assista ao vídeo a seguir e conheça essa realidade!

Fonte:

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ECONOMIA: PACOTE DE AJUDA TRILIONÁRIO PARA FREAR TSUNAMI NOS EUA

Situação da pandemia nos Estados Unidos é crítica e corre o risco de se tornar o maior epicentro do vírus do planeta. Governo Trump se antevem e libera uma pacote de ajuda trilionário. O maior já concedido em toda a história republicana da América. Leia a reportagem completa a seguir e veja todos os detalhes do plano.

EUA têm quase 70 mil casos do novo coronavírus

EUA têm quase 70 mil casos do novo coronavírus

Vista da Times Square, em Nova York, deserta – AFP

 

NOVA YORK, 26 MAR (ANSA) – Apesar do otimismo do presidente Donald Trump em querer “reabrir” a economia antes da Páscoa, os Estados Unidos caminham a passos largos para se tornar o país com o maior número de casos do novo coronavírus em termos absolutos.

Segundo o balanço em tempo real feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, o país já tem 69,2 mil contágios, atrás apenas da Itália (74,4 mil) e da China (81,7 mil). Além disso, mais de 1 mil pessoas morreram com o novo coronavírus em solo americano.

O estado mais atingido é Nova York, com mais de 30 mil contágios e de 300 óbitos. Os EUA vêm registrando mais de 10 mil casos por dia e, nesse ritmo, podem ultrapassar Itália e China até o fim da semana.

Em termos relativos, no entanto, o país tem 21 mil contágios para cada 100 mil habitantes, ainda muito distante de nações como Itália (123/100 mil hab.), Suíça (128/100 mil hab.) e Islândia (208/100 mil hab.), que lidera o ranking quando não se leva em conta micropaíses, como San Marino (616/100 mil hab.) e Vaticano (500/mil hab.).

Para combater a pandemia, o Senado dos Estados Unidos aprovou por unanimidade um plano sem precedentes de US$ 2 trilhões, dinheiro que será usado sobretudo para apoiar a economia. O projeto ainda precisa do aval da Câmara e inclui a destinação de US$ 1,2 mil para cada americano adulto e de US$ 500 por criança, para famílias que ganham menos de US$ 150 mil por ano.

O texto também prevê cerca de US$ 500 bilhões em empréstimos e ajudas para empresas, incluindo US$ 30 bilhões para o setor aéreo, e outros US$ 100 bilhões para hospitais. (ANSA)

Fonte: Isto É Independente

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ECONOMIA: QUEM SERÁ QUE MATA MAIS, CORONAVÍRUS OU RECESSÃO?

Na coluna ECONOMIA desta quinta-feira trago um estudo científico bem elaborado do gestor e economista Gláucio Brandão, da inPACTA incubadora da UFRN, que analisa vários prováveis cenários provocados pela pandemia para concluir quem mata mais, o coronavírus ou a recessão provocada por ele? Leia este competente estudo e tire suas conclusões! 

Vírus versus quebra da Economia: qual morte escolher? Empreendedorismo Inovador

quarta-feira, 25 março 2020

É imperioso que aprendamos a mecânica do movimento atual, o que vai exigir muito de epidemiologistas e economistas

Claro que a pergunta do título é retórica e a resposta óbvia: de nenhuma das duas formas!

A solução para este grande imbróglio universal só sairá se (eu escrevi se e não quando) acionarmos a inteligência coletiva que nos falta, a qual está sendo testada agora com choro e vela. Preferiria outras condições mas, como gosta de dizer minha progenitora, “A humanidade só cresce no amor ou na dor”. Desta vez, nossa evolução utilizará da segunda via.

Nunca se produzira tantos artigos acadêmicos sobre um mesmo tema em tão pouco tempo (a busca por COVID-19, às 17 horas do dia 24.03.2020, no Google Acadêmico retorna 4.460 resultados só para 2020), afora mais outras centenas de artigos baseados em dados científicos, estes não-acadêmicos. Optei por avaliar os que se mostraram mais impactantes para mim e que chegaram pela rede mundial amorfa, o Whatsapp. Destes, escolhi os que apresentavam pontos antagônicos entre si, já que, para mim, são os que melhor oferecem caminhos para a inovação, pois sempre recorro à TRIZ, Teoria para Resolução de Problemas Inventivos para solucioná-los.

Vamos ver se eu consigo enxergar uma possível rota sensata e mostrá-la a vocês. Claro que não sairá muito do que toda esta gente boa escreveu, mas é uma forma de eu dizer ao leitor: entendi algo e estou certo que a solução sairá da mistura das forças.

Propostas antagônicas

  1. Parando as pessoas

No artigo Why outbreaks like coronavirus spread exponentially, and how to “flatten the curve”, porquê surtos como o coronavírus se espalham exponencialmente e como “achatar a curva” (tradução livre), o autor Harry Stevens, repórter gráfico – profissão que eu nem conhecia -, mostra excelentes simulações sobre a estratégia de isolamento social, indo de zero isolamento (A), em que todos agem como se a ordem fosse “aglomerem-se”, como ando vendo por aí em vídeos no RN mundo afora, ao isolamento intensivo, no qual apenas uma em cada oito pessoas pode se movimentar (B).

Para a simulação de 200 “bolinhas”, a proposta A nos dá o colapso do sistema de saúde (SS) em 40% do tempo de simulação, considerando que todo o sistema estivesse com seus leitos disponíveis. Como a onda “contaminação – cura” dura perto de 3 meses, levaria-se 36 dias para o colapso total do SS, nesta região de simulação utópica com leitos hospitalares 100% disponíveis. Claro que todos estariam doentes ao final deste tempo, com uma ou outra exceção. Em uma das simulações de isolamento total dos enfermos com liberação em um dado período de tempo (aprox. um oitavo do tempo de simulação, ou perto de 12 dias), retarda-se o colapso para o quarto final do tempo, ou seja: o colapso chegaria em 68 dias após o início do surto. Para o caso B, intensivo, não haveria colapso do SS e, ao final da onda, teríamos 158 bolinhas não infectadas, 28 recuperadas e 14 doentes.

Fim da análise #1.

2. Parando as Empresas

Para este quadro, extraio recortes da fala do analista Geraldo Samor no artigo O custo econômico do shutdown global (e a busca por alternativas):

“A economia global mergulhou numa queda livre que ninguém sabe onde ou quando termina. As principais vítimas serão as pequenas empresas familiares, que têm pouco acesso a crédito e capital de giro. O restaurante do bairro e a padaria da esquina podem nunca mais reabrir, mas as grandes empresas — quando a tempestade passar – voltarão ainda mais ricas e dominantes”. E continua “Só esta semana, 2,25 milhões de americanos perderam o emprego nos EUA – o maior número desde que começaram a coletar os dados”.

“(…) Infelizmente, o custo desse ‘shutdown’ global será medido não apenas em dinheiro, mas também em efeitos colaterais como desorganização econômica, desespero e violência urbana. Milhões de brasileiros – a tia do pastel, o cara do cachorro quente, o motorista de Uber e a faxineira diarista – dependem da circulação de pessoas e da existência de um mercado, isto é, oferta e demanda.

(…) Explicaram que, se não desacelerarmos o contágio, os sistemas de saúde ficarão sobrecarregados e as pessoas morrerão – como está acontecendo na Itália – por falta de leitos, respiradores e médicos. Isso tudo é verdade – e não se trata de contestá-la.

(…) Ninguém nunca tentou, voluntariamente e de uma hora para outra, paralisar 80% da economia global – e ninguém nunca tentou religar o sistema depois de paralisá-lo.

Fim da análise #2.

3. Proposta Cirúrgica

No artigo Coronavírus: Médicos defendem ‘abordagem cirúrgica’ em vez de lockdown indefinido, Thomas Friedman, um dos colunistas mais influentes do mundo (aquele do Mundo Plano), ouviu três médicos e escreveu o artigo mais contundente até agora sobre o risco do lockdown global (travada geral na economia) se estender por muito tempo.

Friedman mostra a fala do Dr. Katz, que diz “há três objetivos neste momento: salvar tantas vidas quanto possível, garantindo que o sistema de saúde não entre em colapso, “mas também garantir que no processo de atingir os dois primeiros objetivos não destruamos nossa economia e, como resultado disso, ainda mais vidas.”

Katz sugere que o isolamento atual dure duas semanas, em vez de um período indefinido. Para os infectados, os sintomas aparecerão nesse período. “Aqueles que tiverem uma infecção sintomática devem se auto-isolar em seguida, com ou sem testes, que é exatamente o que fazemos com a gripe. Quem não estiver sintomático e fizer parte da população de baixo risco deveria voltar ao…trabalho ou a escola depois daquelas duas semanas.”

Fim da análise #3.

Comparando as abordagens

Finalizando

Todas as abordagens são excelentes e corajosas, pois os autores se expõem para levar “pancada”. Embora embasadas em seus conhecimentos adquiridos e reforçadas pelos respectivos vieses, precisamos juntar as inteligências e criar uma única. A quarentena é necessária, isso é indiscutível, assim como a economia, mas tem de ser administrada sob os fatores de tempo e frequência. Juntando todas estas abordagens (devem haver muitas outras), pois temos que partir de algum ponto, é imperioso que aprendamos a mecânica do movimento atual, o que vai exigir muito de epidemiologistas e economistas mais do que quaisquer outros profissionais, e modelar tudo como um grande processo da produção, que utiliza o protocolo Tambor-Pulmão-Corda (TPC): prender – mergulhar – subir – respirar.

Um mergulho em apneia de 3 ou 4 meses vai gerar mais mortes do que o próprio COVID-19. Desempregos, violência, assassinatos, depressão, suicídios, doenças oportunistas, fome etc., vão fazer Mad Max parecer Lagoa Azul, e ainda nos obrigará a viver em bolhas, um protótipo de Matrix. O treinamento já começou.

Referências

Artigo Why outbreaks like coronavirus spread exponentially, and how to “flatten the curve

Artigo O custo econômico do shutdown global (e a busca por alternativas)

Artigo Coronavírus: Médicos defendem ‘abordagem cirúrgica’ em vez de lockdown indefinido 

 

 

 

Gláucio Brandão é gerente executivo da inPACTA, incubadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

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EMPREGO: WALMART E AMAZON VÃO CRIAR 250 MIL VAGAS ATÉ MAIO PARA SUPRIR DEMANDA DE VENDAS ON LINE

Em tempos de crise muita gente sofre, outros quebram, mas alguns aproveitam para dar um salto quântico. É o caso das empresas que trabalham com vendas on line e delivery. Para a sorte dos americanos algumas gigantes do mercado de e-commerce vão suprir grande parte da taxa de desemprego contratando funcionários demitidos dos setores prejudicados. Leia a reportagem completa a seguir e entenda o que está acontecendo!

Walmart e Amazon vão contratar quem está sendo demitido

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Na contramão da crise econômica provocada pelo coronavírus, Walmart e Amazon anunciaram que vão contratar e absorver funcionários demitidos de setores prejudicados nos Estados Unidos.

E não se trata de ser bonzinho. É uma questão de visão estratégica de mercado! O motivo é simples: sem poder sair de casa por causa da quarentena, o consumidor passou a fazer compras online e a demanda das duas redes aumentou. Por isso, os empresários decidiram investir neste momento de crise, em vez e recuar.

O Walmart pretende contratar 150 mil funcionários adicionais para trabalhar temporariamente em suas lojas e centros de distribuição, para atender à crescente demanda, resultado da pandemia de coronavírus.

A rede de supermercados também planeja pagar US$ 550 milhões, cerca de 2,5 bilhões de reais,  em bônus aos seus funcionários atuais.

Para ajudar no processo de contratação, o Walmart diz que procurou grupos dos setores de hotelaria e restauração para empregar justamente pessoas que estejam enfrentando demissões.

As novas contratações do Walmart serão feitas até o final de maio. O processo de seleção vai cair de duas semanas para apenas um dia.

A empresa informa ainda que muitas das funções temporárias “se converterão em posições permanentes ao longo do tempo”.

Amazon

A Amazon também anunciou na semana passada a contratação de 100 mil novos trabalhadores para os seus armazéns de estoques e entregas nos EUA

Eles vão atuar nos armazéns de estoque e nos processos de entrega de produtos comprados através da Amazon.com.

Segundo a empresa, o reforço é necessário para dar conta do “aumento sem precedentes na demanda” de pedidos online, fruto da atual pandemia de coronavírus.

A Amazon informou que o pagamento de todos os funcionários dos Estados Unidos e Canadá terá um aumento de US$ 2,00 por hora, até abril.

“Estamos vendo um aumento nas compras online e, como resultado, alguns produtos, como artigos básicos e suprimentos médicos, estão fora de estoque. Com isso em mente, estamos priorizando temporariamente produtos básicos, suprimentos médicos e outros produtos de alta demanda que entram em nossos centros de atendimento, para que possamos receber, reabastecer e entregar mais rapidamente esses produtos aos clientes”, diz o comunicado divulgado no Business Insider.

Com informações da B9

Fonte: Só Notícia Boa

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ECONOMIA: O NÚMERO DE DESEMPREGADOS MA ALEMANHA PODE CHEGA A 3 MILHÕES SE CRISE FOR FORTE

 

Na Alemanha teme-se que o número de desempregado possa ultrapassar os 3 milhões caso essa pandemia demore mais do que o esperado!

Número de desempregados na Alemanha pode chegar a 3 milhões

Davy Albuquerque

Publicado em 

Número de desempregados na Alemanha pode chegar a 3 milhões 16

De acordo com a pesquisa, o instituto acredita que a produção econômica do país recue 2% em 2020 como resultado da pandemia. As previsões são baseadas no pressuposto de que partes da economia serão efetivamente fechadas por seis semanas e que o retorno ao normal levará o mesmo tempo.

Colunista político e editor-chefe do Conexão Política; Fundador do Movimento Brasil Conservador. Brasileiro com orgulho, cristão por convicção, política por vocação.

Com informações, Agência de notícias britânica.

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ECONOMIA: O CÁLCULO CORRETO DO PIB BRASILEIRO MOSTRA UM PIB MAIS ROBUSTO

A forma correta de cacular o PIB brasileiro é o destaque desta segunda-feira na nossa coluna ECONOMIA. Ao separar PIB privado do PIB estatal é fácil observar que a economia brasileira está crescendo mais do que o PIB anunciado pelo IBGE. Leia o artigo esclarecedor a seguir e entenda qual a real situação da nossa economia!

A economia brasileira está crescendo mais do que o PIB reportado

Eis a importância de se separar o PIB privado do PIB estatal

 

De acordo com os dados divulgados hoje pelo IBGE, a economia brasileira cresceu 1,14% em 2019.

Houve duas notícias boas, que foram amplamente divulgadas:

1) No quarto trimestre de 2019, a economia cresceu 1,67% em relação ao quarto trimestre de 2018.

2) O segundo semestre de 2019 foi o melhor, em termos de crescimento econômico, desde 2013. Em termos anualizados, o crescimento do segundo semestre foi de 2,3%.

No entanto, há algo ainda mais positivo que não tem sido ressaltado pela mídia: a atividade econômica não só está crescendo com mais vigor do que o divulgado, como também está crescendo com mais qualidade.

O que compõe o PIB

Para entender como o Brasil está crescendo mais do que sugere o PIB, é preciso entender como o Produto Interno Bruto é construído e quais são seus componentes internos.

Este Instituto possui vários artigos detalhando os principais problemas com a metodologia do PIB, e estamos vivenciando hoje aquele que talvez seja o seu mais grave: ele considera que o gasto estatal é igual (tem a mesma qualidade e o mesmo efeito benéfico) ao gasto privado.

A maneira tradicional de se calcular o PIB de um país é por meio da seguinte (e extremamente simples) equação:

PIB = C + I + G + X – M

C representa os gastos do setor privado, I representa o total de investimentos realizados na economia, G representa os gastos do governo, X é o total de exportações e M, o de importações.

Observe que os gastos governamentais entram somando (ou seja, são considerados criadores de riqueza) na equação, sendo, portanto, considerados uma atividade econômica criadora de riqueza.

Igualmente, o ‘I’ considera que os investimentos privados, feitos por empreendedores em busca do lucro (o que só ocorre se souberem atender a demanda de consumidores), têm a mesma qualidade que o investimento estatal, feito por políticos que visam a eleições e por burocratas que querem atender a algum grupo de interesse (pense nos estádios da Copa, no Comperj, na Refinaria Abreu e Lima, na Sete Brasil etc.).

Presumir, como faz a equação do PIB, que todo gasto e todo investimento, público ou privado, são produtivos significa incorrer em profundos erros econômicos.

A diferença crucial entre o gasto estatal e o privado está na origem dos recursos e nos critérios que são utilizados para estes gastos. O setor privado, quando opera fora da alçada estatal, arrisca os seus próprios recursos (mesmo quando pega empréstimos, pois tem de apresentar garantias que, se não forem honrados, resultam em arresto de bens). Já o setor público simplesmente utiliza dinheiro de impostos, sem qualquer preocupação com  custos, lucros, racionalidade e retorno.

No entanto a estatística do PIB é cega para a diferença da origem dos recursos.

A diferença entre PIB privado e PIB governamental

Exemplo: ao contabilizar o gasto privado como sendo igual ao gasto estatal, o PIB assume que,  quando João compra R$ 100 em comida para sua família”, isso tem o mesmo efeito que quando João paga R$ 100 em impostos, os quais são gastos para comprar lagostas para juízes do STF.

Nos dois casos, o PIB considera que a economia “girou”, e irá registrar que o Brasil está crescendo. No entanto, o primeiro caso é um gasto voluntário, que visa a uma satisfação pessoal, que decorre da livre associação de indivíduos e no qual o agente utiliza recursos próprios. Já o segundo, além de ser involuntário, é apenas uma exemplo prático de confisco seguido de parasitagem.

Se esses dois gastos houvessem ocorrido, o PIB os somaria, contando R$ 200 como parte do PIB brasileiro. Ou seja, o Brasil estaria crescendo firmemente! Mas se o segundo gasto não houvesse ocorrido, e João tivesse comprado R$ 100 em alimentos e economizado os R$ 100 que deixou de pagar em impostos, o PIB teria crescido “apenas” mais R$ 100. Ou seja, o PIB seria “decepcionante”.

Olhando a frieza dos números, parece que o segundo cenário é bem pior do que o primeiro. No entanto, agora que entendemos a diferença, podemos ver que essa situação não só é preferível, mas ética.

Mas, mesmo em termos puramente econômicos, os recursos tributados e subsequentemente gastos pelo governo são um fardo para a economia. Dado que o governo só pode gastar aquilo que ele antes confiscou do setor produtivo, temos que quando o governo federal gasta, isso significa que deputados, senadores, ministros, reguladores, secretários, comissionados e todos os tipos de burocratas estão desempenhando um papel substantivo na alocação de trilhões de uma riqueza que foi previamente criada pelo setor privado e subtraída deste.

Os gastos do governo não têm como criar riqueza pelo simples motivo de que algo que só é possível em decorrência da apropriação de riqueza alheia não pode, por definição, criar riqueza nenhuma.

Por outro lado, quando menos desta riqueza vai para o governo, isso significa que empreendedores, investidores e consumidores possuem mais recursos em mãos para produzirem e, consequentemente, multiplicar a riqueza à disposição de todos.

No exemplo acima, se João houvesse gasto R$ 100 com alimentos, e o gasto em lagostas para o STF houvesse sido cortado em R$ 100, com uma redução de impostos na mesma quantia, e João agora economizasse esse dinheiro em vez de gastá-lo, o PIB nos diria que nada mudou na economia. Cem para um lado, cem para outro, resultado zero. Porém, agora é fácil perceber que essa terceira situação é ainda melhor do que a segunda: o gasto estatal encolheu, a poupança privada aumentou, e o nível de confisco e parasitagem na economia foi reduzido.

Portanto, é preciso decompor o PIB em no mínimo dois componentes: o privado e o estatal.

O Brasil está crescendo mais do que o PIB mostra

Os dois gráficos a seguir utilizam os próprios dados do PIB. (Eles vão até terceiro trimestre de 2019; ainda não há uma atualização para os resultados divulgados hoje).

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Figura 1: decomposição feita pelo Ministério da Economia entre PIB privado e governamental (trimestre sobre mesmo trimestre do ano anterior)

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Figura 2: decomposição feita pelo Ministério da Economia entre PIB privado e governamental (variação acumulada em 12 meses)

Observe que, a partir de março de 2017, o PIB privado passa a crescer mais que o PIB estatal. No terceiro trimestre de 2019, o PIB privado cresceu 2,72% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior enquanto o PIB estatal encolheu 2,25%.

Isso é uma diferença brutal.

Porém, olhando-se o PIB como um todo, houve um crescimento de 1,19% no período. Esse número mascara a realidade. O número a ser celebrado é de 2,72%, com uma menção honrosa à redução de 2,25% nos gastos do estado.

O mesmo raciocínio se aplica ao gráfico 2, que mostra os mesmo indicadores, mas com outro intervalo de tempo.

Em um jargão econômico, temos o chamado crowding-in: o encolhimento do PIB público ajuda no processo de crescimento do PIB privado, pois se está reduzindo a quantidade de recursos controlados pelo estado. Como dito acima, deputados, senadores, ministros, reguladores, secretários, comissionados e todos os tipos de burocratas passaram a ter um papel menor na alocação de trilhões de uma riqueza que foi previamente criada pelo setor privado e subtraída deste.

Com o estado gastando (improdutivamente) menos, sobra mais espaço para o setor privado atuar.

Eis os números fechados para todos os anos desde 2013:

PIBprivado.png

Figura 3: decomposição dos PIBs anuais em público e privado

Note que, em 2019, o PIB privado cresceu 1,81%, sendo que o investimento privado (FBCF) foi de 4,48%. Já o PIB estatal encolheu 1,11% e o investimento público também encolheu 5,18%.

Outra boa notícia: a quantidade de funcionários públicos, estatutários federais e regidos pela CLT, diminuiu mais de 31 mil em 2019, mantendo a tendência iniciada em 2015.

Vale observar, porém, que o governo brasileiro ainda apresenta um profundo déficit em suas contas. Embora tenha sido o menor déficit desde 2014, o país registrou um rombo de 95 bilhões de reais em 2019, ou cerca de R$ 452 por brasileiro. Além disso, o resultado foi obtido sobretudo em virtude de aumento de receitas extraordinárias.

E esse é apenas o déficit primário, que não inclui o pagamento de juros da dívida. O déficit total do Brasil em 2018, por exemplo, foi de R$ 120 bilhões no déficit primário e de R$ 342 bilhões em juros da dívida, totalizando um assombroso valor de R$ 462 bilhões, ou R$ 2.200 por brasileiro.

Foram implantadas medidas para o Brasil crescer mais, como a Lei da Liberdade Econômica, a reforma da previdência e outros avanços. Contudo, o ambiente de negócios brasileiro ainda é um dos piores do mundo. Nesse sentido, há algumas propostas interessantes tramitando no Congresso, como as PECs emergencial e do pacto federativo e a reforma tributária.

Dito isso, podemos ao menos ter a boa notícia de que a economia brasileira está se recuperando a passos um tanto mais largos do que os números do PIB mostram. O setor privado está retomando o crescimento, enquanto o estado reduz seu peso nas nossas vidas.

Uma discussão ética dos gastos públicos

Oppenheimer já apontava a diferença entre os “meios econômicos” e os “meios políticos” no seu livro “O estado”, de 1919. Murray Rothbard expandiu essa análise em seu livro “Governo e Mercado”.

O setor privado obtém recursos recorrendo a meios pacíficos: empreendedores têm de convencer investidores a financiar seus projetos, e depois têm de convencer os consumidores a voluntariamente abrirem mão de seu dinheiro para adquirir os bens e serviços fornecidos por esses empreendedores.

Um empreendedor apenas possui o dinheiro que ele foi capaz de convencer terceiros a lhe emprestar ou o dinheiro que obteve servindo aos seus clientes.

Já o estado obtém recursos por intermédio da tributação (isto é, do roubo). Outra alternativa é a “promessa de roubo futuro”: a emissão de títulos de dívida. O estado convence credores de que será capaz de roubar pessoas no futuro para pagá-lo, e obtém um crédito hoje.

Finalmente, o estado pode emitir moeda, como fazem a Venezuela e Argentina. Isso gera uma queda no poder aquisitivo da moeda e uma destruição das poupanças, enquanto os primeiros recebedores desse dinheiro enriquecem. A impressão de moeda, portanto, nada mais é do que um roubo disfarçado, um processo chamado Efeito Cantillon.

Tudo que o estado gasta é produto de crime. Um aumento nos seus gastos diretamente significa um aumento do crime atual ou futuro, uma situação indesejável e antiética.

Enquanto isso, o setor privado obtém recursos de maneira pacífica, conseguindo apenas aquilo que foi capaz de convencer terceiros a voluntariamente lhe conceder.

Consequentemente, um aumento dos gastos no setor privado necessariamente implica convencimento, comunicação e coordenação na sociedade, o que por definição significa que os indivíduos nela estão mais bem servidos.

Para concluir

Por tudo isso, somar gastos privados e públicos como se fossem equivalentes é um enorme erro. Quanto menor o gasto estatal e quanto maior o privado, melhor estará o Brasil, tanto econômica quanto eticamente.

Fonte: Mises Brasil

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