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REFLEXÃO: TODO CONHECIMENTO NASCE COM A ADMIRAÇÃO

Na coluna REFLEXÃO desta terça-feira trago um texto de autoria de Beth Michepud com um profundo cunho filosófico que exige muito da nossa cognição para entender algo inicialmente aparentemente tão simples: Admirar para conhecer. Leia o texto completo a seguir, reflita e tire suas conclusões!

Admirar para conhecer

 em JANEIRO 27, 2020
nuvens
Todo conhecimento começa com a admiração. Somente nos interessamos por algum assunto, se realmente nos sentirmos atraídos pelo tema ou pela experiência. É a sintonia de nossa essência com o universo das informações e sensações que desejamos ter e sentir, que nos encaminha ao conhecimento. E que delícia é quando nos percebemos mais capazes, não é?
Rodolf Steiner, pai da antroposofia nos convida a refletir partindo de uma simples experiência.
“Suponhamos que se faça a seguinte experiência: certo dia observa-se um fenômeno do mundo, perfeitamente acessível, isto é, que se possa observar completamente: por exemplo, a aparência do céu. Observa-se a configuração das nuvens, a maneira como o sol desapareceu no poente etc. Faz-se então a imagem mental tão perfeita quanto possível do que se observou. Tenta-se conservar essa imagem o mais possível com todos os seus pormenores, esforçando-se por mantê-la fielmente com toda a sua nitidez até o dia seguinte.
No dia seguinte, torna-se a observar, mais ou menos à mesma hora, o tempo e a aparência do céu, e repete-se o esforço para formar uma imagem completa das observações feitas.
Formando-se desse modo claras imagens mentais de aspectos sucessivos, se perceberá nitidamente que o pensamento se enriquece e interiormente se torna intenso, pois o que produz a ineficácia do pensamento é geralmente a inclinação muito forte de se deixarem de lado os pormenores dos fenômenos que se sucedem, guardando-se mentalmente apenas representações vagas e confusas.
O que é essencial e precioso para tornar  o pensamento fecundo é formar imagens precisas dos fenômenos sucessivos, e então dizer consigo: “Ontem as coisas eram assim, hoje são de outro modo.” As duas imagens, correspondentes a fenômenos distintos do mundo real, devem ressurgir ante o espírito com a maior nitidez, como se fossem quadros.
Quem reflete e repara, mesmo que só um pouco, no processo que vivencia em sua alma quando se aproxima de qualquer tipo de conhecimento, poderá experimentar em si próprio que um caminho saudável para o conhecimento sempre tem seu ponto de partida na admiração, na surpresa sobre algo.
Essa admiração, essa surpresa da qual tem de começar todo processo cognitivo, pertence justamente àquelas vivências anímicas que temos de considerar como as que trazem nobreza e vida ao que é sóbrio. Pois, o que seria qualquer conhecimento instalado em nossa alma, que não partisse da admiração? Seria, na verdade, um conhecimento totalmente imerso em sobriedade e pedantismo.
Somente o processo que se passa na alma e que transcende a surpresa, partindo dela e conduzindo à felicidade alcançada pela solução dos enigmas, constitui o aspecto nobre e intimamente vivo do processo cognitivo. Em realidade, se deveria sentir o elemento seco e ressecante de um conhecimento não emoldurado por esses dois movimentos da alma. O conhecimento sadio está emoldurado por admiração e felicidade diante do enigma solucionado.”
Luz e Paz!
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