SAÚDE: SAIBA COMO CORRIGIR SEU COMPORTAMENTO PARA TER UMA BOA NOITE DE SONO SEM O USO DE REMÉDIOS

Conheça os perigos das pílulas para dormir e como evitá-los

Sedativos seriam a causa de até meio milhão de “mortes em excesso” nos Estados Unidos; especialista discorre sobre como corrigir nossos comportamentos para alcançar uma boa noite de sono

Sandee LaMotte

da CNN

Mais da metade dos brasileiros está dormindo mal durante a pandemia, segundo pesquisa do Instituto do Sono
Mais da metade dos brasileiros está dormindo mal durante a pandemia, segundo pesquisa do Instituto do SonoGetty Images

Histórias que envolvem erros com pílulas para dormir são lendários.

Pergunte a qualquer comissário de voo, e você vai ouvir casos divertidas de pessoas sonolentas tirando suas roupas ou até mesmo se levantando e urinando no assento.

Mas o uso de comprimidos também pode ser mortal. Até meio milhão de “mortes em excesso” nos Estados Unidos foram causadas pelo uso de medicamentos para o sono chamados sedativo-hipnóticos, de acordo com um estudo de 2010.

As pessoas com prescrições para esses remédios, que incluem zolpidem e temazepam, tinham mais de quatro vezes mais probabilidade de morrer em acidentes e por condições de saúde decorrentes do uso em comparação com aquelas que não faziam uso dessas drogas, disse o estudo. Mesmo aquelas que tomaram menos de dois comprimidos por mês tinha três vezes mais probabilidade de morrer do que aquelas que não ingeriram.

Se você estiver usando ou pensando em usar esse tipo de remédio ou algum tipo de promotor do sono, o que precisa saber para agir com segurança? Conversamos sobre isso com a doutora Jing Wang, professora assistente de medicina pulmonar, de cuidados críticos e do sono na Faculdade de Medicina de Icahn, no Monte Sinai, na cidade de Nova York.

A conversa foi ligeiramente editada para maior clareza.

Quando alguém procura você por causa de insônia ou outro distúrbio do sono, implorando por uma ajuda para dormir, você receita um remédio para dormir para alívio imediato?

Dr. Jing Wang: Não, com certeza não. Nós tentamos muito, muito mesmo não fazer isso. Quando alguém chega com insônia, fazemos um longo exame de histórico médico e de sono. É muito importante que a pessoa compartilhe detalhes pessoais para que possamos identificar qual a fonte da insônia, se é comportamental, ou medicamentosa ou tem uma doença relacionada.

Eu pergunto o horário de dormir e o que a pessoa faz à noite, para tentar encontrar seus estressores físicos e emocionais. Será que essa pessoa fica vendo telas no trabalho e em casa?

Depois vamos ao ponto em que a pessoa começa pronta para a cama: “Você tem rotinas? Você tem uma hora de dormir regular?”, pergunto. Frequentemente, a insônia é perpetuada pelo que fazemos em resposta a não conseguir dormir. As pessoas são muito criativas de formas que podem não ser úteis: ficam navegando no telefone, checando e-mails ou respondendo mensagens de trabalho, ou dormem com a TV ligada. São elementos que as expõem à luz azul, que envia um sinal ao cérebro para despertar. Tem também aquelas que falam que se levantam e malham em seguida, que não é definitivamente algo a se fazer!

Quando uma pílula pode ser aconselhada?

Nossa primeira abordagem é apresentar aos pacientes uma forma de terapia cognitiva-comportamental denominada CBTL, que é específica para insônia. Ela educa os pacientes sobre comportamento saudável do sono, como horários regulares de dormir e acordar, mantendo telas e luzes azuis fora do quarto, fazendo coisas relaxantes antes da cama, e assim por diante. São as associações que nosso cérebro faz com nosso ambiente do sono e como nossos comportamentos ou atividades podem afetar.

Uma pessoa que estiver sofrendo com um início muito agudo de insônia, com um fator identificável ou mudança em sua vida, pode passar por um teste a curto prazo de uma ajuda de sono por algumas semanas ou um mês, e depois fazer só checkups regulares.

E definimos expetativa claras sobre a utilização a curto prazo, porque não queremos apenas prescrever uma ajuda ao sono e ter a pessoa voltando sempre durante 30 anos. Queremos chegar à raiz do problema de uma forma mais saudável, corrigindo o que está desencadeando a insônia.

Por que o uso de longo prazo de um medicamento para o sono não é saudável?

Depende, porque os povos têm respostas diferentes e podem ser suscetíveis em maneiras diferentes. Alguns desses promotores do sono podem se tornar viciantes, e assim que a pessoa sente que não pode dormir sem ele.

Podem ser perigosos se misturados com álcool ou determinados remédios para dor. Alguns causam sonolência diurna e podem interferir com a condução e outras atividades motoras.

Os sedativos têm sido associados a alucinações e comportamentos dissociativos. As pessoas dirigem, cozinham, perambulam e telefonam, tudo sem qualquer lembrança de quando eles acordaram. Depois de acordar, as pessoas podem ser suscetíveis a sonolência e confusão, como um efeito de ressaca.

Vamos falar sobre medicamentos vendidos sem receita. Eles são um problema?

Qualquer medicação é uma faca de dois gumes: tem utilidade, mas tem sempre efeitos colaterais.

Um dos conselhos mais fortes que dou aos pacientes é que eles devem evitar esse tipo de remédio. Eles podem ter efeitos secundários não previstos, tais como deixá-lo agitado em vez de sonolento. Há potencial para interação com sedativos receitados que os pacientes também podem estar usando. E há sempre um potencial do uso indevido ou em excesso porque as pessoas pensam que, como não exige receita, é seguro.

Veja o caso da melatonina. Algumas pessoas relataram tomar 30 ou mesmo 60 miligramas de melatonina e isso pode ser perigoso; nós só não sabemos ainda. Não é um produto regulamentado, portanto substâncias outras além da melatonina podem ser misturadas no comprimido. Ela pode gerar dores de cabeça, um dos efeitos colaterais conhecidos da melatonina. Ou interferir com o seu ritmo circadiano se tomada no momento errado.

Os anti-histamínicos, por exemplo, criam boca seca, tonturas e uma espécie de sensação de ressaca no dia seguinte. Podem também ter efeitos anticolinérgicos, como retenção urinária, visão desfocada, constipação e náuseas. O uso crônico e regular desses agentes tem sido associado, em alguns estudos, ao aumento do risco de demência.

Por fim, a utilização de auxiliares de sono sem receita pode potencialmente atrasar a visualização dos seus problemas de sono e a procura de cuidados. É quando a pessoa pensa que não há motivo para ver o médico do sono ou falar com o seu médico sobre os meus problemas para dormir porque pode comprar livremente algo na farmácia.

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