RN REGISTRA AUMENTO DE 1,5% NO NÚMERO DE GOLPES PELA INTERNET

Golpes pela internet crescem no Rio Grande do Norte

24 abr 2022

Golpes e estelionato pela internet crescem durante a pandemia

O Rio Grande do Norte registrou aumento de 1,5% no número de estelionatos, se comparados o primeiro trimestre de 2021 (4.098) com igual período deste ano (4.160), de acordo a Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (Coine), órgão da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social. No âmbito dos crimes, no entanto, um dado chama atenção: o de golpes virtuais. Segundo a Coine, a Polícia Civil registrou cinco ocorrências do tipo entre janeiro e abril do ano passado. Já entre o começo de 2022 e o último dia 8 de abril, foram contabilizados 100 crimes decorrentes de golpes pela internet.

Neste caso, o aumento é de 1.900%. A Polícia Civil disse que a principal causa do crescimento é a massificação do uso da internet e do comércio eletrônico, fator que ganhou força à medida em que a pandemia se prolongava e que se manteve mesmo após o arrefecimento da crise sanitária.

Além disso, segundo a Polícia, o maior acesso da população aos serviços da delegacia virtual da PCRN (criada em dezembro de 2020 e ampliada no ano passado), facilitou o registro das ocorrências e ocasionou a diminuição de subnotificações de casos de um ano para o outro.

“Com a facilitação no registro dos crimes sem que as pessoas precisem sair de casa (através da ampliação dos serviços da delegacia virtual), consequentemente houve uma diminuição da subnotificação. As pessoas, por motivos diversos, deixavam de se deslocar até uma delegacia para registrar o crime do qual foi vítima”, explicou a Polícia Civil. Os números da Coine indicam que, a partir de maio do ano passado, os registros de golpes virtuais começaram a crescer.

Novembro foi o mês com mais notificações (33). No acumulado do ano, foram 108 casos registrados, apenas oito notificações a mais dos registros desses primeiros meses de 2022, cujo destaque é janeiro, com 36 notificações.

O delegado Alexandro Gomes, da Delegacia de Falsificações e Defraudações de Natal (DEFD), disse que, desde o início da pandemia, os casos de estelionato apresentaram mudanças, puxadas  exatamente por golpes em ambientes virtuais. As principai são crimes em plataformas de vendas, com criação de sites e anúncios falsos. Depois, vêm as situações que envolvem vendas em redes sociais, provocadas pelo aumento da utilização dessas plataformas.

A mãe da servidora pública Carla Salviano é uma das vítimas dos chamados golpes virtuais. O prejuízo foi de quase R$ 24 mil. Carla conta que, no dia 23 de março passado, a mãe recebeu uma mensagem de WhatsApp de alguém que se dizia filho dela. A pessoa afirmou que teve o celular danificado e que precisaria fazer um depósito via pix no valor de R$ 4.997. Por isso, pediu que a mãe de Carla fizesse essa transferência. Acreditando se tratar do filho, a mulher, de 74 anos, atendeu ao pedido.

“Seis minutos depois, outra mensagem foi enviada para a minha mãe, pedindo um valor de R$ 19 mil para a troca de um carro. Ela, que estava à procura de um veículo, de pronto, repassou o valor, convicta de que seria para dar entrada em um carro. Minha mãe pensou que meu irmão faria uma surpresa para ela”, detalha Carla. “Após os depósitos, meu filho perguntou  se ela havia ligado para o meu irmão a fim de confirmar a necessidade dos depósitos. E aí, os dois perceberam que se tratava de um golpe”, acrescenta.

Carla conta que foi informada da situação e procurou a agência bancária 20 minutos depois. Ao chegar lá, recebeu a informação de que a conta onde os depósitos foram feitos estava bloqueada. Ela foi orientada a fazer uma carta de próprio punho solicitando o reembolso, que foi indeferido pelo banco depois. A servidora disse que registrou um boletim de ocorrência e procurou um advogado para judicializar a questão.

Da Tribuna do Norte

Fonte: Política em Foco

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