REITOR DA UFRN RECOMENDOU QUE OS COLEGIADOS  AVALIEM A POSSIBILIDADE DE SUSPENDER, TEMPORIAMENTE, AS ATIVIDADES PRESENCIAIS POR DUAS SEMANAS

Por G1 RN

 

Reitoria Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) — Foto: Cícero OliveiraReitoria Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) — Foto: Cícero Oliveira

O reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), José Daniel Diniz Melo, recomendou que os colegiados dos cursos avaliem a possibilidade de suspender temporariamente as atividades presenciais pelas próximas duas semanas diante do agravamento da pandemia no estado.

A recomendação consta em mensagem enviada neste sábado (27) à comunidade universitária sobre as medidas contra à Covid-19. O reitor cita que é necessário reduzir para o “mínimo possível” as atividades presenciais neste período.

“Neste sentido, preocupados com a situação da pandemia, decidimos recomendar que os colegiados avaliem se as atividades práticas presenciais de componentes curriculares podem ser suspensas temporariamente, ou ofertadas de maneira remota, desde que a suspensão não traga prejuízos ainda maiores para o enfrentamento da pandemia”, diz o reitor na mensagem.

“Entendemos e, obviamente, concordamos que é necessário reduzir para o mínimo possível as atividades presenciais nas próximas duas semanas”

A carta aponta que o comitê científico da UFRN entende que a “a oferta de atividades presenciais na instituição deve continuar condicionada à deliberação dos colegiados de curso e plenários de departamento”.

O reitor destacou no texto que UFRN tem trabalhado o calendário acadêmico no formato remoto e oferta algumas atividades práticas de forma presencial – essas precisam ser aprovadas pelas instâncias universitárias competentes e terem condições estabelecidas no Protocolo de Biossegurança da instituição.

José Daniel Diniz Melo atenta ainda que a maior parte das atividades que estão sendo ofertadas presencialmente são da área da saúde e que muitos dos estudantes contribuem no combate à pandemia no estado. “Não é demais reiterar que a UFRN já vem funcionando em formato remoto, tanto nas suas atividades acadêmicas como nas administrativas”, diz.

“E que a excepcionalidade de algumas atividades práticas presenciais acham-se circunscritas a alguns cursos da área da saúde e podem permitir, inclusive, que estudantes de graduação e de pós-graduação contribuam com o enfrentamento da situação atual”.

O gestor falou ainda que o retorno no formato online no ano passado se deu porque “os prejuízos da suspensão das atividades de ensino são muito grandes”. A volta do período letivo 2020.1 aconteceu em setembro.

“As aulas atualmente ministradas na UFRN, são, portanto, em formato remoto como previsto nas resoluções 062/2020 e 105/2020 do Conselho de Ensino, Pesquisa Extensão (Consepe) e, apenas excepcionalmente, com algumas atividades práticas realizadas de forma presencial”.

Na mensagem, o reitor cita também algumas ações de enfrentamento à Covid-19 realizadas pela UFRN, como a realização de mais de 70 mil testes da covid-19, a produção de álcool 70%; a participação dos hospitais universitários, com atendimento 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o desenvolvimento de aplicativos para gestão de leitos e aplicação de vacinas.

Veja mensagem na íntegra

“Desde o início da pandemia, em março do ano passado, tivemos que adotar várias medidas acadêmicas e administrativas, entre elas a instalação do Comitê Covid-19 para assessorar a gestão e monitorar o cenário da pandemia; a suspensão das atividades presenciais, por tempo indeterminado, a partir de 17 de março de 2020; a realização de testes da covid-19 (mais de 70 mil exames já realizados). Além dessas, destacam-se igualmente a produção de álcool 70%; a participação dos Hospitais Universitários, com atendimento 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como parte da estratégia de combate ao novo coronavírus; o desenvolvimento de aplicativos para gestão de leitos e aplicação de vacinas e a reorganização das atividades administrativas com a publicação de um protocolo de biossegurança para orientar as unidades na oferta de atividades presenciais.

Sabemos que os prejuízos da suspensão das atividades de ensino são muito grandes, especialmente para os estudantes. Neste sentido, iniciamos em junho de 2020, um Período Letivo Suplementar Excepcional, com oferta de componentes curriculares de forma facultativa para docentes e estudantes, no formato remoto. Nesse ínterim, fizemos o planejamento para a retomada do semestre, buscando, inclusive, criar as condições para acompanhamento das aulas por parte dos estudantes e oferecendo capacitação aos docentes para atuarem em formato remoto. Retomamos, em setembro, o semestre 2020.1, também de forma remota, aprovando, nos meses de novembro e dezembro, resoluções que dispõem sobre a regulamentação das atividades de ensino para os períodos seguintes.

As aulas atualmente ministradas na UFRN, são, portanto, em formato remoto como previsto nas resoluções 062/2020 e 105/2020 do Conselho de Ensino, Pesquisa Extensão (Consepe) e, apenas excepcionalmente, com algumas atividades práticas realizadas de forma presencial, cumprindo rigorosamente a orientação de que sejam realizadas “desde que sejam asseguradas as condições de biossegurança e observadas as normas vigentes em relação à emergência em saúde pública, sendo a oferta condicionada à aprovação pelos colegiados de curso e plenários de departamento e à homologação pelos respectivos centros ou unidades acadêmicas especializadas.”

O recente agravamento da situação da pandemia no nosso Estado, com o significativo aumento do número de casos e possibilidade de colapso de leitos nas unidades hospitalares, tem levado as autoridades de saúde a buscarem o aumento na disponibilização de leitos de terapia intensiva, enquanto se recomenda que gestores estaduais e municipais intensifiquem as medidas de restrição de circulação de pessoas. No esforço de atuar de modo eficaz nesse processo, nosso Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) abriu recentemente 10 leitos de terapia intensiva para covid-19.

Hoje foi publicado pela Exma. Sra. Governadora do Estado, o Decreto n° 30.383, que “dispõe sobre medidas temporárias de distanciamento social e institui o toque de recolher no âmbito do Estado do Rio Grande do Norte, e dá outras providências.”

Logo que tomamos conhecimento da publicação do referido decreto, convocamos o Comitê Covid-19 da UFRN, que se manifestou no sentido de que a oferta de atividades presenciais na instituição deve continuar condicionada à deliberação dos colegiados de curso e plenários de departamento, além da homologação dos respectivos centros ou unidades acadêmicas especializadas, em conformidade com a Resolução do Consepe.

Não é demais reiterar que a UFRN já vem funcionando em formato remoto, tanto nas suas atividades acadêmicas como nas administrativas. E que a excepcionalidade de algumas atividades práticas presenciais acham-se circunscritas a alguns cursos da área da saúde e podem permitir, inclusive, que estudantes de graduação e de pós-graduação contribuam com o enfrentamento da situação atual. Não sendo demais também lembrar que para o planejamento dessas atividades foi necessária uma preparação dos centros e unidades acadêmicas especializadas, de maneira a atender às recomendações do Protocolo de Biossegurança da Instituição.

Importa dizer que diante do agravamento das circunstâncias da covid-19 no nosso Estado, entendemos e, obviamente, concordamos que é necessário reduzir para o mínimo possível as atividades presenciais nas próximas duas semanas. Apesar de todos os cuidados observados, sabemos que até mesmo o deslocamento das pessoas deve ser reduzido neste período, na medida do possível. Neste sentido, preocupados com a situação da pandemia, decidimos recomendar que os colegiados avaliem se as atividades práticas presenciais de componentes curriculares podem ser suspensas temporariamente, ou ofertadas de maneira remota, desde que a suspensão não traga prejuízos ainda maiores para o enfrentamento da pandemia

Gostaríamos de finalizar reiterando que temos a perfeita noção de que enfrentamos dias muito desafiadores. E sem prejuízo de atividades que, no âmbito da instituição possam ajudar de forma concreta a melhorar a situação a partir das medidas oportunamente baixadas pelo Governo do Estado – uma vez que, não dispondo ainda de vacinas para toda população, a necessidade do distanciamento social tem sido recomendada como alternativa para tentar evitar o colapso dos nossos sistemas de saúde – pedimos a todas as pessoas para que contribuam com este processo. Isto é gesto de cidadania, responsabilidade e respeito ao próximo. Aproveito o ensejo para dirigir os nossos agradecimentos a toda nossa comunidade universitária pela dedicação, compreensão e paciência nesta jornada tão incomum e difícil.”

Decretos

A prefeitura de Natal determinou o fechamento da orla marítima da cidade durante os fins de semana, como forma de tentar reduzir as aglomerações e a contaminação pelo novo coronavírus. O novo decreto sobre o assunto foi publicado no Diário Oficial do Município no sábado (27) após publicação do governo, que determinou toque de recolher no estado e recomendou medidas aos municípios

Por outro lado, a prefeitura não seguiu o fechamento das escolas, determinado pelo estado, e autorizou a realização de aulas em formato presencial e remoto em todos os níveis de ensino, desde que seguido os protocolos de distanciamento, uso de máscara e higienização.

O município também determinou alteração no horário de funcionamento de parte do comércio, especialmente para evitar aglomerações no transporte público.

As áreas de lazer dos condomínios residenciais devem permanecer fechadas, em especial as áreas de piscina e de churrasqueira.

Cenário no RN

De acordo com o Regula RN, plataforma que monitora em tempo real as internações no estado, o Rio Grande do Norte tinha 88,34% dos leitos críticos ocupados, sendo a Região Oeste a região que mais preocupa no momento, com 91,8%. A consulta foi realizada neste domingo às 8h30.

Na quinta-feira (25), a governadora admitiu que o sistema de saúde da Grande Natal colapsou e pediu aos prefeitos dos municípios medidas mais rígidas para evitar que isso se espalhe pelas demais regiões e se agrave ainda mais na Região Metropolitana.

Exemplo disso é que alguns pacientes não têm conseguido sequer ser internados. Na quinta-feira, uma idosa de 93 anos precisou ser intubada dentro da ambulância depois de ficar cinco horas sem receber atendimento em um hospital particular.

Neste sábado, o próprio governo publicou um decreto que proíbe circulação de pessoas entre 22h e 5h em todo o estado, além de determinar suspensão de eventos e até atividades religiosas.

Sem vagas na Grande Natal, os pacientes estão sendo transferidos de avião para o interior do estado. Pelo menos sete já foram internados em leitos em Caicó, Mossoró e Pau dos Ferros. Ao todo, somados às transferências por ambulâncias, 31 pessoas foram reguladas nos últimos dias da Grande Natal para o interior pela falta de vagas.

Além disso, há um crescimento de 60% na internação de pessoas abaixo dos 60 anos de idade. Atualmente, quase metade dos internados em leitos críticos não são idosos.

A superlotação dos hospitais na Grande Natal também se reflete nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que já operam acima dos 100% de ocupação. Pelo cenário, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal decidiu tornar todos os 30 leitos clínicos do Hospital dos Pescadores exclusivos para pacientes com Covid-19.

Veja também: ‘Apavorados’, ‘entrando em colapso’, ‘semanas muito difíceis’… No vídeo abaixo, veja as falas de autoridades estaduais e municipais sobre o avanço da pandemia no Brasil.

Fonte: G1 RN

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