PRIMEIRO-MINISTRO BRITÂNICO ANUNCIOU FIM DO ISOLAMENTO OBRIGATÓRIO PARA CASOS POSITIVOS DE COVID-19 NA INGLATERRA

Inglaterra: Boris Johnson anuncia fim de restrições contra Covid-19

Decisão do premiê vale somente para o território inglês; os outros três países do Reino Unido seguem as próprias regras

Boris Johnson foi duramente criticado pela oposição após decisão

TOLGA AKMEN/AFP/POOL – 21.02.2022

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou nesta segunda-feira (21) o fim do isolamento obrigatório para os casos positivos de Covid-19 na Inglaterra, uma medida decisiva e controversa em uma estratégia para conviver com o novo coronavírus como se faz com a gripe.

“Já temos níveis de imunidade suficientes para passar da proteção das pessoas através de intervenções governamentais a [uma abordagem baseada em] vacinas e tratamentos como primeira linha de defesa”, declarou o chefe do governo no Parlamento.

“As restrições têm um custo importante para nossa economia, nossa sociedade, nosso bem-estar mental e as oportunidades dos nossos filhos, e não temos que continuar pagando esse preço por mais tempo”, acrescentou.

O fim do isolamento para as pessoas infectadas com o novo coronavírus entra em vigor na quinta-feira (24). No entanto, até 1º de abril, recomenda-se permanecer em casa em caso de teste positivo.

Nesse dia, os testes para detectar o coronavírus deixarão de ser gratuitos, exceto para as pessoas idosas ou vulneráveis.

Johnson afirmou que a pandemia não acabou, mas que, graças à “incrível” dispersão das vacinas, o país está um passo mais perto de “voltar à normalidade” e de “finalmente devolver a liberdade às pessoas”, sem deixar de se proteger.

Johnson ressaltou que mais de 71% dos adultos receberam três doses de alguma das vacinas anti-Covid na Inglaterra, 93% da população de mais de 70 anos.

Ao mesmo tempo, o governo tenta continuar com sua campanha de vacinação, com a aplicação, na primavera do Hemisfério Norte, da quarta dose da vacina em maiores de 75 anos e nos mais vulneráveis.

Após o pico provocado pela variante Ômicron em janeiro, Johnson tinha suspendido a maioria das restrições em vigor, entre elas o uso de máscara em ambientes fechados e o passaporte sanitário para acessar discotecas ou eventos maciços.

Dois anos depois do início da pandemia, o Reino Unido é uma das nações mais afetadas pela Covid-19, com 160 mil mortos.

Embora o número de casos tenha diminuído com força no Reino Unido (cerca de 40 mil por dia), a própria rainha Elizabeth 2ª testou positivo para a Covid-19, segundo informações divulgadas neste domingo (20). A monarca, de 95 anos, tem um quadro leve, com sintomas similares aos de um resfriado.

Na área da saúde, as decisões do Governo de Londres valem apenas para a Inglaterra. Os outros três países do Reino Unido (Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) têm suas próprias competências sanitárias.

“Pouco sábio”

Os partidos da oposição acusam Johnson de querer distrair a atenção em um momento em que o cargo de primeiro-ministro está em perigo devido à investigação de uma série de festas na residência oficial de Downing Street durante o confinamento.

Os trabalhistas compararam a medida de eliminar os exames gratuitos a “substituir sua melhor defesa a dez minutos do fim de uma partida”.

“Boris Johnson está declarando vitória antes do fim da guerra, em uma tentativa de distrair a atenção da polícia que bate à sua porta”, criticou a porta-voz de questões de saúde do Partido Trabalhista, Wes Streeting.

O premiê também é acusado de querer agradar aos representantes conservadores, insatisfeitos com as restrições às liberdades públicas.

Por sua vez, a Confederação dos NHS, que representa os mais altos dirigentes do sistema nacional de saúde, informou que uma consulta interna revelou que a maioria dos membros se opõe a pôr fim às medidas de isolamento e dar testes gratuitos à população.

David Nabarro, delegado da OMS (Organização Mundial da Saúde) especializado em Covid, afirmou que eliminar a lei de isolamento dos infectados parece “realmente pouco sábio”.

Deixe uma resposta