PRIMEIRAS NOTÍCIAS DESTE SÁBADO

Por Mariana Oliveira, TV Globo — Brasília

27/09/2019 18h30  Atualizado há 5 horas


Rodrigo Janot é alvo de operação da Polícia FederalRodrigo Janot é alvo de operação da Polícia Federal

O ministro Alexandre de Moraes determinou nesta sexta-feira (27) a suspensão do porte de arma do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e o proibiu se aproximar de qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão foi tomada no âmbito do inquérito que apura ofensas e ameaças aos ministros do tribunal depois de entrevistas concedidas por Janot nas quais afirmou que, em 2017, entrou armado no STF com intenção de matar o ministros Gilmar Mendes e se suicidar em seguida.

Além dessa medida, Moraes também expediu mandados de busca e apreensão cumpridos por policiais federais no apartamento e no escritório de Janot.

No apartamento, a Polícia Federal apreendeu arma e munição. Os agentes pediram, e Janot entregou uma arma e três pentes de munição. Depois, os agentes localizaram mais seis caixas de munição nos armários. Ele também entregou celular, tablet e as senhas dos aparelhos.

Na imagem abaixo, publicada no twitter do JotaInfo, Janot assina o auto circunstanciado sobre os bens apreendidos durante a busca feita pela PF.

JOTA

@JotaInfo

Janot assina auto circunstanciado sobre os bens apreendidos durante a busca da PF.

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O ex-procurador-geral preferiu não prestar depoimento nesta sexta-feira. Vai marcar posteriormente horário e local com a Polícia Federal. Um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi chamado ao local para acompanhar o fim das buscas – o estatuto da ordem exige que buscas relacionadas a advogados sejam acompanhadas pela entidade.

Em nota, Gilmar Mendes sugeriu “ajuda psiquiátrica” a Rodrigo Janot e pediu “providências” a Alexandre de Moraes, entre as quais a suspensão do porte de arma do ex-procurador-geral.

Alexandre de Moraes ordenou uma medida cautelar que proíbe o procurador de chegar a menos de 200 metros de qualquer ministro da Corte.

“Diante do exposto, com base nos arts. 282, § 2º e 319, inciso II do Código de Processo Penal, aplico a Rodrigo Janot Monteiro de Barros a medida cautelar de proibição de aproximar-se a menos de 200 metros de qualquer um dos Ministros desta Corte, bem como impedir seu acesso ao prédio sede e anexos deste Tribunal”, escreveu Alexandre de Moraes.

O ministro justificou a medida sob o argumento de que ter por objetivo “evitar a prática de novas infrações penais e preservar a integridade física e psicológica dos Ministros, advogados, serventuários da justiça e do público em geral que diariamente frequentam esta Corte”.

Moraes destacou ainda que a intenção de matar um ministro da corte é um fato “gravíssimo”.

“O quadro revelado é gravíssimo, pois as entrevistas concedidas sugerem que aqueles que não concordem com decisões proferidas pelos Ministros desta Corte devem resolver essas pendências usando de violência, armas de fogo e, até, com a prática de delitos contra a vida”, afirmou.

Além de autorizar buscas no endereço, que permitiram a coleta de “armas, computadores, tablets, celulares e outros dispositivos eletrônicos”, Moraes ordenou que seja colhido o depoimento de Janot, garantido o direito ao silêncio.

“Determino, ainda, que seja colhido o imediato depoimento de Rodrigo Janot Monteiro de Barros, salvo se houver recusa no acompanhamento, por tratar-se de direito do investigado ao silêncio.”

O ministro afirmou que as medidas eram necessárias para averiguar se há mais planos para atentar contra a vida de Gilmar Mendes.

“Na espécie estão presentes os requisitos do artigo 240 do Código de Processo Penal, para a ordem judicial de busca e apreensão no domicílio pessoal, pois devidamente motivada em fundadas razões que, alicerçadas em indícios de autoria e materialidade criminosas, sinalizam a necessidade da medida para verificar a eventual existência de planejamento de novos atos atentatórios ao Ministro Gilmar Mendes e às próprias dependências do Supremo Tribunal Federal”, disse Moraes.

Fonte: G1

 

Por G1

28/09/2019 06h00  Atualizado há 42 minutos


Foo Fighters, Weezer, Tenacious D e CPM 22 + Raimundos tocam em 2º dia de Rock in Rio — Foto: DivulgaçãoFoo Fighters, Weezer, Tenacious D e CPM 22 + Raimundos tocam em 2º dia de Rock in Rio — Foto: Divulgação

O segundo dia de Rock in Rio é o mais perto que o festival chega de uma noite de rock mais alternativo. Neste sábado (28), o Palco Mundo vai receber Foo Fighters, Weezer e Tenacious D, a banda-piada do ator Jack Black.

É provável que todos os shows tenham participações especiais. Jack Black deve cantar ao lado do baixista de forró Júnior Bass Groovador, que virou meme tocando Nirvana.

Em sua segunda vinda ao Brasil, a banda californiana Weezer também deve ter um convidado. Em entrevista ao G1, o Weezer disse que pode tocar com Dave Grohl.

O líder do Foo Fighters, por sua vez, vem seguindo um padrão muito fofo em shows recentes. Ele vem convidando crianças para tocarem com ele no palco.

0h10 – Foo Fighters

O Foo Fighters vem pela quinta vez ao Brasil. Com sua simpatia em defesa das guitarras, o vocalista Dave Grohl toca vários covers tipo AC/DC, Queen e David Bowie. E o setlist também passa bem pelos 25 anos de carreira, especialmente os dois primeiros discos e o mais recente. Nas duas últimas turnês por aqui, em 2015 e 2018, rolaram pedidos de casamentos de fãs no palco. Não se surpreenda se o Dave Grohl casamenteiro atacar de novo na Cidade do Rock.

Foo Fighters: Como será o show no Rock in Rio 2019?Foo Fighters: Como será o show no Rock in Rio 2019?

22h20 – Weezer

O setlist do quarteto californiano deve ser dominado pela estreia, o “Blue Album”, com o power pop romântico de “Buddy Holly” na abertura e a sofrida e pesada “Say ain’t so” no fim. Eles também devem tocar covers do disco de versões lançado neste ano. Outro momento que sempre rola é a balada “Island in the sun”, possivelmente com o vocalista andando pela plateia. Ou, quem sabe, lá da plataforma da tirolesa. Em São Paulo, porém, não rolou esse momento.

Weezer: Como será o show no Rock in Rio 2019?

Weezer: Como será o show no Rock in Rio 2019?

20h10 – Tenacious D

A dupla formada pelos comediantes Jack Black e Kyle Gass vem ao Brasil pela primeira vez. Dá para esperar muita guitarra, pulos e gritaria da autointitulada “maior banda de rock do mundo”. O duo equilibra bem canções de seus quatro discos de estúdio, o que pode frustrar um pouco quem conhece mais as músicas tiradas do filme “Tenacious D: Uma dupla infernal”, de 2006.

Tenacious D: Como será o show no Rock in Rio 2019?Tenacious D: Como será o show no Rock in Rio 2019?

18h – CPM 22 + Raimundos

Este é um encontro inédito entre as duas bandas. O CPM já fez muita gente cantar alto na estreia do festival em 2013, com um setlist cheio de hinos do auge do hardcore e do emo aqui no Brasil, lá no início dos anos 2000. Já os Raimundos lotaram um palco de patrocinador na edição passada e agora foram promovidos ao palco mundo. O show deles também é cheio de clássicos.

CPM 22 + Raimundos: Como será o show no Rock in Rio 2019?CPM 22 + Raimundos: Como será o show no Rock in Rio 2019?

E no Palco Sunset?

A banda britânica Whitesnake vai fazer o show de encerramento do Palco Sunset. Eles têm um disco novinho, “Flesh & Blood”, que é uma viagem aos anos 80, tipo em “Shut up and kiss me”.

Também tem dois encontros de artistas brasileiros: Titãs com Ana Cañas, Edi Rock e Érika Martins, e Detonautas com Pavilhão 9. A banda de rock brasileira Ego Kill Talent abre o palco.

Whitesnake: Como será o show no Rock in Rio 2019?Whitesnake: Como será o show no Rock in Rio 2019?

Shows e horários do Rock in Rio:

Palco Mundo

  • 0h10 – Foo Fighters
  • 22h20 – Weezer
  • 20h10 – Tenacious D
  • 18h – CPM 22 + Raimundos

Palco Sunset

  • 21h15 – Whitesnake
  • 19h05 – Titãs convidam Ana Cañas, Edi Rock & Érika Martins
  • 16h55 – Detonautas & Pavilhão 9
  • 15h30 – Ego Kill Talent

New Order Dance

  • 2h30 – Nervo
  • 1h30 – Cic
  • 0h – Kura
  • 22h30 – Diego Miranda
  • 21h – KVSH
  • 20h – Dubdogz
  • 19h – Barja
  • 17h – Kamala
  • 16h – Van Breda

Espaço Favela

  • 20h10 – Orquestra Maré do Amanhã apresenta Rock Symphony
  • 18h40 – Batalha do Slam
  • 17h30 – Nós do Morro
  • 16h – Setor Bronx
  • 14h50 – Nós do Morro

Palco Supernova

  • 19h30 – Vivendo do Ócio
  • 18h30 – Maglore
  • 17h30 – Ponto Nulo no Céu
  • 16h30 – Dona Cislene
  • 15h30 – Bullet Bane
Fonte: G1

Por G1

28/09/2019 01h48 Atualizado há 4 horas


Veja melhores momentos do show desta sexta-feira (27) no Rock In RioVeja melhores momentos do show desta sexta-feira (27) no Rock In Rio

Rock in Rio 2019 abriu suas atividades nesta sexta-feira (27) com um dos dias mais “família” de sua programação. Até o rapper canadense Drake, primeiro do gênero a ser atração principal, provou ser um cara que une gerações, com um hip pop mais pop e suave. Pena que esta estreia brasileira não foi vista por quem estava fora do festival: ele não autorizou a transmissão do show.

Durante todo este primeiro dia de festival, com 100 mil pessoas na Cidade do Rock, na Zona Oeste do Rio, era comum avistar pelo festival pais acompanhando os filhos, e até avós puderam ser encontradas pelos palcos. Para os mais velhos, Seal foi provavelmente a maior atração, com seu pop dançante cujos maiores hits vêm direto dos anos 1990.

Até Mano Brown, em seu baile soul-funk com a participação do lendário baixista sem baixo Bootsy Collins, conseguiu agradar o público mais experiente.

Já os novinhos não deixaram a frente do Palco Mundo, que abriu suas atividades com o DJ brasileiro Alok e seu desfile de sucessos palatáveis. Em seguida, Bebe Rexha e Ellie Goulding distraíram bem a galera, com direito a fãs subindo e rebolando muito no palco, até a chegada, atrasada, de Drake.

Para chegar ao festival, fãs enfrentaram viagens de pelo menos 1 hora e 40 minutos, protesto e aperto em ônibus do BRT para chegar à Cidade do Rock.

Drake

Drake toca no Rock in Rio 2019 — Foto: Carol Prado/G1Drake toca no Rock in Rio 2019 — Foto: Carol Prado/G1

Nome mais popular do rap norte-americano, o canadense Drake parece não ter vindo ao Brasil para fazer amigos. Em sua primeira vez no país, ignorou fãs que o aguardaram na saída do aeroporto e apareceu com semblante não muito animador na sacada do hotel. No palco, começou protocolar, com a parte mais pesada do álbum “Scorpion”, lançado no ano passado. Depois, voou pelo repertório mais conhecido. Entraram as principais faixas do álbum “Views”, de 2016, o mais pop da carreira. Leia mais.

Ellie Goulding

Ellie Goulding canta seu sucesso "Love me like you do" no Rock in RioEllie Goulding canta seu sucesso “Love me like you do” no Rock in Rio

Ellie Goulding não tinha tarefa fácil. Ela fez o segundo show principal de uma noite que não era bem dela. A cantora substituiu a desistente rapper Cardi B. Ela correu e balançou a cabeça como se fosse o Iron Maiden no Rock in Rio de 1985. Mas o show só engatou mesmo no final com hits como “Burn” e “Love me like you do”. Ellie tem uma voz peculiar: rouca, nasal, mas bem afinada. Parece que tem um efeito eletrônico vocal embutido na garganta. Leia mais.

Ellie Goulding canta "I need your love" no Rock in RioEllie Goulding canta “I need your love” no Rock in Rio

Bebe Rexha

Bebe Rexha sobe ao palco com fã no Rock in RioBebe Rexha sobe ao palco com fã no Rock in Rio

Bebe Rexha chamou vários fãs para o palco, mas um chamou mais a atenção. O influenciador digital Gustavo Fiuza estava vestido com uma macaquinho com fotos da cantora e luzes de led. Dançou demais. Mas além deste momento dançante, a cantora americana fez um show de pop eletrônico com arranjos mais roqueiros. O visual quase perigótico combina com a parte musical. Leia mais.

Mano Brown

Mano Brown faz show do disco 'Boogie Naipe' no palco Sunset no Rock in Rio, nesta sexta (27) — Foto: Marcelo Brandt/G1Mano Brown faz show do disco ‘Boogie Naipe’ no palco Sunset no Rock in Rio, nesta sexta (27) — Foto: Marcelo Brandt/G1

Faltou algo no show de Mano Brown no Sunset. O convidado anunciado era o americano Bootsy Collins, o “Jimi Hendrix do baixo”. Mas ele só cantou por 20 minutos, não tocou. Ao menos o show teve outros dois convidados especiais, que também têm tudo a ver com a turnê. Os veteranos do soul brasileiro Hyldon e Carlos Dafé fizeram boas participações. Leia mais.

Alok

Alok leva o público do Rock in Rio ao delírio com "Hear me Now"Alok leva o público do Rock in Rio ao delírio com “Hear me Now”

Alok, DJ mais conhecido do Brasil, conseguiu vencer as barreiras do nicho com batidas melódicas e letras em inglês de trânsito fácil nas rádios, como no hit “Hear me now”, recebido num mar de celulares para o alto na plateia. Não faltou empenho do DJ, que investe pesado em recursos visuais e se conecta com o público com artifícios à la coach motivacional. “Há quanto tempo você não olha para a natureza, para o céu, para as pessoas?”, perguntou. Leia mais.

Alok comenta sobre tocar no Palco Mundo e críticas sobre causa indígenaAlok comenta sobre tocar no Palco Mundo e críticas sobre causa indígena

Seal

Seal interpreta seu hit "Kiss From a Rose" no no Rock in RioSeal interpreta seu hit “Kiss From a Rose” no no Rock in Rio

O show de Seal foi morno no geral, carente de uma identificação com o público geral deste primeiro dia. Pode não ter sido um dos melhores do dia, mas o cantor inglês soube muito bem compensar a falta de inúmeros hits com simpatia e presença de palco. E “Kiss from a rose”, seu maior sucesso, foi inegavelmente um bom momento. Leia mais.

Karol Conka, Gloria Groove e Linn da Quebrada

Karol Conka encerra sua participação no Rock in Rio com "Tombei"Karol Conka encerra sua participação no Rock in Rio com “Tombei”

Acompanhada de Gloria Groove e Linn da Quebrada, Karol Conka transformou o Palco Sunset em uma espécie de filial carioca da Jamaica. Reggae, reggaeton e raggamuffin se uniram a batidas eletrônicas, guitarras roqueiras e percussão pesada. Essa mistura foi trilha para letras que, de maneira quase invariável, versam sobre empoderamento, engajamento e “good vibes”. Leia mais.

Karol Conka, Gloria Groove e Linn da Quebrada cantam "Alavancou"Karol Conka, Gloria Groove e Linn da Quebrada cantam “Alavancou”

Lellê e Blaya

Lellê canta "I want you back", clássico do Jackson 5Lellê canta “I want you back”, clássico do Jackson 5

Lellê inaugurou a edição 2019 do Rock in Rio mostrando no Palco Sunset que suas influências vão além das fronteiras cariocas, em direção ao soul americano. O batidão esteve presente no início, no meio e no fim, mas boa parte do show teve clássicos conhecidos nas vozes de Diana Ross, Gloria Gaynor, Jackson 5 e outros. No meio da apresentação, Blaya, brasileira naturalizada portuguesa, mostrou sua fusão de rap e batidas pesadas. Leia mais.

Lellê e Blaya cantam "Faz Gostoso"Lellê e Blaya cantam “Faz Gostoso”
Fonte: G1
Por Blog do BG

Aliados de Lula dizem que Lava Jato faz cálculo político ao pedir progressão de regime

Segundas intenções A reivindicação da Lava Jato de Curitiba para que Lula deixe a carceragem da Polícia Federal e progrida para o regime de prisão domiciliar foi interpretada por aliados do petista como um gesto político, que tenta diminuir a pressão sobre os métodos da República de Curitiba e ainda impedir que o STF analise habeas corpus do ex-presidente.

Tempestade perfeita Políticos e magistrados creditaram a guinada de humor dos investigadores aos sucessivos reveses que vem sendo impostos aos integrantes da operação, coroados no fim dessa semana com as declarações de Rodrigo Janot, o procurador-geral que mais tempo ficou à frente da Lava Jato.

Não tem jogo fácil Os advogados de Lula vão se reunir com o petista na segunda (30) para tratar da mudança de regime. Se a juíza Carolina Lebbos determinar, por exemplo, que ele use tornozeleira eletrônica, a defesa acredita que o ex-presidente pode se recusar a cumprir a condicionante.

PAINEL / FOLHA

Em livro, Janot cita choro de políticos e ‘farmacinha’ de bebidas na PGR; leia resumo

Em 2017, Rodrigo Janot teria entrado com uma pistola no STF (Supremo Tribunal Federal) para matar o ministro Gilmar Mendes. Foi o que o ex-procurador-geral da República afirmou à Folha e a outros veículosnesta quinta-feira (26).

A razão do plano de assassinato seria insinuações que Gilmar teria feito sobre sua filha em 2017. Nesta sexta-feira (27), o ministro do STF se pronunciou em carta recomendando tratamento psiquiátrico a Janot, além de colocar sob dúvida a sua atuação como procurador.

A cena é descrita no livro de memórias de Janot, “Nada Menos que Tudo”, lançado neste mês, embora o nome de Gilmar não seja mencionado na obra.

O APELO DE TEMER POR CUNHA

O livro começa com o relato de um encontro de Janot com o então vice-presidente Michel Temer (MDB) e o deputado Henrique Eduardo Alves (MDB-RN) no Palácio do Jaburu, em que teriam pedido que o PGR arquivasse investigação sobre o deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ).

“Eu chamei o senhor aqui porque quero conversar não com o procurador-geral da República, mas com um brasileiro preocupado com o Brasil, com um patriota”, disse Temer, segundo Janot.

“Cunha é um louco, pode reagir de forma imprevisível e colocar o Brasil em risco. Confiamos no senhor como brasileiro e como patriota para manter a estabilidade do país”, disse Alves.

Nesse momento, segundo Janot, o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, chegou para participar da reunião e testemunhou a conversa. Alves sugeriu que ele arquivasse a investigação sobre Cunha.

O ex-procurador diz que questionou Temer sobre a “gravidade” do que Alves propôs. “Ele está propondo ao patriota Rodrigo Janot”, disse Temer, segundo o relato de Janot. “Esse homem [Cunha] é muito perigoso, e a gente não sabe quais as consequências que poderão vir dele. Então apelamos para que o senhor não leve a cabo essa investigação, que a arquive”.

“O que os senhores estão me propondo aqui é que eu cometa um crime de prevaricação. Isso eu não farei jamais”, disse Janot. “E muito me estranha que o vice-presidente da República e o ex-presidente da Câmara dos Deputados venham fazer uma proposta indecorosa dessas ao procurador-geral da República. Estou chocado com a ousadia de vocês.”

“Os senhores são responsáveis por esse homem estar assumindo a Câmara. Os irresponsáveis são vocês. Vocês é que são os não patriotas. Como é que vocês fizeram uma merda dessas?”, acrescentou. Segundo seu relato, a conversa durou 20 minutos e terminou aí.

LAVA JATO, DELAÇÕES E FESTA

Janot diz que achou fraco o conteúdo das delações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, no início da Lava Jato. “Tivemos uma grande decepção”, diz. “Isso tá uma merda, não tem nada, tá raso esse negócio!”, disse aos procuradores de sua equipe antes de mandar refazer os depoimentos.

Relata diálogo que Vladimir Aras tivera com “Souza”, provavelmente o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. “Segundo ele, Souza disse que a intenção da força-tarefa era ‘horizontalizar para chegar logo lá na frente’, e não ‘verticalizar’ as investigações, e que, por isso, teríamos dificuldade em fundamentar os pedidos de inquérito. […] Não entendi direito esse conceito”, diz Janot.

Menciona a ida de Sergio Moro para o governo Bolsonaro e acrescenta: “Horizontalizar implicaria uma investigação com foco num determinado resultado? Eu não quis imaginar isso lá atrás e também não quero me esticar nesse assunto agora, mas isso ainda me incomoda um bocado, sobretudo quando penso em dois episódios separados no tempo, mas muito parecidos”. Cita os vazamentos do depoimento de Youssef sobre Lula e Dilma em 2014 e da delação de Palocci em 2018.

As declarações de Youssef “eram destituídas de qualquer valor jurídico. Youssef não compartilhava da intimidade do Palácio do Planalto e não tinha provas do que dizia”. Janot desconfia de “atuação com viés político”.

Após examinar delações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, decidiu que os próximos acordos que envolvessem pessoas com foro seriam conduzidos por seu gabinete. E resolveu tomar novos depoimentos dos dois colaboradores.

O ministro do STF Teori Zavascki autorizou 21 inquéritos contra 50 políticos. “Não era a bomba atômica que se imaginava. […] Mas abriu uma avenida para a Lava Jato avançar.”

Janot também justifica o arquivamento dos casos de Dilma e Aécio: “Se o delator diz apenas que ‘ouviu dizer’, que não foi testemunha do suposto crime e não tem como indicar provas, o caso deve ser arquivado”.

Avisou os parlamentares que seriam investigados, mandando o assessor entregar a petição num envelope, pessoalmente. No caso de Cunha, “como ele estava em guerra comigo, achei por bem repassar o aviso pelo vice-presidente Michel Temer, com quem o deputado mantinha estreitas relações”. Também avisou o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Em 4 de março de 2015, desceu para ver manifestantes na porta da PGR, cerca de 30 pessoas. “[…] achava, de fato, importante receber apoio popular. Eu sabia que a reação do mundo político seria forte e, portanto, nenhuma ajuda poderia ser desprezada”.

Recebeu Rogério Chequer, do Vem Pra Rua, nessa época. Chequer sugeriu alvos para investigações e deixou com ele um kit do movimento.

Após a divulgação da lista de investigados, comemorou com a equipe. “Tiramos um dia de folga e esvaziamos algumas garrafas de vinho”.

ENCONTROS COM DILMA

Encontrou Dilma duas vezes. Na primeira, em 2013, disse que deveria ser “duro, muito duro com malfeitos”.

Na segunda conversa, para recondução, em 8 de agosto de 2015, não falou sobre a Lava Jato. Cardozo estava presente. “Nunca mais voltamos a falar.”

O APELO DE AÉCIO

Youssef citou Aécio Neves em depoimento ao grupo de trabalho da PGR no dia 12 de fevereiro de 2015. “O depoimento do doleiro era crível”, diz Janot, sobre propina da construtora Bauruense para obter contratos de Furnas. O problema é que testemunhas estavam mortas e não havia meios de comprovação.

Janot recebeu Aécio quatro vezes em seu gabinete. Ele falava da mãe, das filhas e da vida pregressa sem máculas. Chorava. Escreveu uma carta de três páginas para fazer apelo. “My life in your hands”, dizia o texto do tucano.

Eram “protestos sentimentais” desnecessários, e Janot arquivou o caso. “Se fôssemos abrir investigação contra todo político acusado por terceiros, sem provas, teríamos que investigar todos os ocupantes de cargos eletivos no país. A ideia pode não ser tão ruim, mas com certeza é inviável.”

Mais tarde, na época da delação da JBS, Aécio ofereceu cargos. Nove inquéritos foram abertos pelo STF a pedido de Janot para investigar Aécio Neves.

O CHORO É LIVRE

O deputado Henrique Eduardo Alves (MDB-RN) também procurou Janot. Depois, quando recebeu o envelope com petição para arquivamento do seu caso, baixou a cabeça e começou a chorar. Mandou garrafa de cachaça com carta de agradecimento.

Paulo Roberto Costa disse que Alves fez gestões em favor de uma termelétrica e visitou Jorge Zelada. Sem dar maiores detalhes no livro, arquivou.

O senador Valdir Raupp (MDB-RO) “chorou copiosamente” ao saber que seu caso seria arquivado também.

A ex-senadora e hoje deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) foi pedir clemência para seu então marido, Paulo Bernardo, que estava preso, e começou a chorar. Janot também chorou, lembrando do irmão Rogério Janot, morto, que foi usado por Collor para atacá-lo.

“A ideia é investigar todo e qualquer político contra o qual existam indícios mínimos de práticas de crime. Os requisitos para abertura de uma investigação estão previstos em lei. Eu não posso sair por aí abrindo inquérito só porque parece evidente que determinado personagem cometeu um crime.”

“E tem mais: se um desavisado qualquer resolvesse fazer algum tipo de insinuação, seria simplesmente preso em flagrante. O temor da mordida é de quem entra na toca do leão, não do leão.”

‘FARMACINHA’

Nos momentos mais tensos à frente da PGR, Janot conta que interrompia o trabalho e convocava a equipe para a “farmacinha”, como chamava uma geladeira que mantinha ao lado do gabinete abastecida com vinho, cerveja, uísque, cachaça, rum, vodca, gim etc.

“Na hora do aperto, quando a turma estava arrancando os cabelos, a farmacinha cumpria uma função terapêutica”, escreve.

Segundo Janot, ele engordou quase 30 quilos, fez dois cursos de tiro e passou a andar armado, com uma pistola .40 na cintura.

MORO E VAZAMENTOS

Encontrou Sergio Moro pela primeira vez no enterro do ministro do STF Teori Zavascki, em Porto Alegre. “Foi um encontro protocolar. Trocamos cumprimentos e seguimos adiante, cada um para um lado, sem entabular uma conversa mais longa.”

Janot diz que Teori se preocupava com vazamentos. “Em alguns casos, para segurança da própria investigação, algumas informações eram divulgadas. Mas algo entre 80% e 90% dos vazamentos tinha como origem bancas de advocacia interessadas em botar as delações na rua para criar na opinião pública uma posição favorável à homologação dos acordos.”

Elogia Teori por ter recuado no início da Lava Jato, tendo a “humildade de rever a própria decisão”, e cutuca Moro.

“Tempos depois, alguns disseram que ele teria ficado magoado com Sergio Moro. O juiz não o teria informado devidamente das condições dos presos e saíra do episódio como o magistrado da primeira instância que colocara um ministro do Supremo contra a parede. Se o ministro cultivou essa mágoa, nunca deixou transparecer.”

DENÚNCIA CONTRA LULA

Em setembro de 2016, os procuradores Deltan Dallagnol, Januário Paludo, Roberson Pozzobon, Antonio Carlos Welter e Júlio Noronha foram a Brasília para se reunir com Janot e “cobrar uma inversão da minha pauta de trabalho”.

Queriam que ele denunciasse Lula imediatamente por organização criminosa. Ele queria começar pelo PP, depois o PMDB e por último o PT. “Precisamos que você inverta a ordem das denúncias e coloque a do PT primeiro”, disse Deltan, segundo Janot, que disse que não faria isso.

Januário Paludo explicou que a denúncia apresentada pela força-tarefa de Curitiba contra Lula no caso do tríplex “ficaria descoberta”, sem crime antecedente para o de lavagem de dinheiro.

“Se você não fizer a denúncia, a gente perde a lavagem”, disse Deltan. “Você está querendo interferir no nosso trabalho”, exclamou o procurador, “aparentemente irritado”. “[…] vocês é que querem interferir no meu”, respondeu Janot. “Mas, se não for assim, nós vamos perder a denúncia”, disse Januário.

A CONVERSA DE JOESLEY E TEMER

Janot manifesta espanto ao receber a gravação da conversa do empresário Joesley Batista, dono da JBS, com o então presidente Temer, como se não soubesse das negociações.

Descreve Joesley como “bilionário de fala caipira” e diz que ele “fala como se estivesse lendo Guimarães Rosa de trás para a frente”.

Pediu para ouvir tudo quando lhe disseram que os empresários queriam imunidade. “Então traga todo o material. Quero ouvir tudo”.

“Moçada, não temos que pensar muito. Isso aqui é crime em curso. Temos que interromper esses crimes agora. Se não interrompermos, se não fizermos acordo, esse material é inservível, não posso usar. Como é que eu vou interromper essa merda sem acordo? Eu vou ter que fazer acordo, sim. E vamos dar imunidade”.

Falou com o ministro do Supremo Edson Fachin, fez “curto relato” sobre os diálogos com Temer e Aécio e a narrativa dos donos da JBS.

“Deixei os áudios com ele e fui embora. Um ou dois dias depois, retornei ao seu gabinete.” Explicou então que negociavam delação e precisavam de autorização para ação controlada.

Fernanda Tórtima pediu para ele receber os irmãos Batista no gabinete. Queriam posar para fotos.

Estavam “apreensivos quanto ao desfecho do acordo”. Queriam saber se Fachin ia homologar. Janot disse que não receberia ninguém. “[…] se eu tivesse acolhido aquele pedido, eles poderiam ter me gravado para, num outro momento, ostentar uma intimidade comigo que não tinham. As fotos não deixariam dúvidas sobre a suposta amizade”.

Procurado pelo jornal O Globo, soube do vazamento e negociou acordo com João Roberto Marinho, para que segurasse a informação em troca de aviso prévio de meia hora quando a operação fosse deflagrada.

Quem passou a informação para o Globo? “Gente ligada aos delatores […] para pressionar pela homologação”, diz Janot.

CRÍTICAS À FOLHA

Ao discutir a delação da JBS, Janot critica reportagens da Folha que lançaram dúvidas sobre a gravação da conversa que o empresário Joesley Batista teve com o presidente Michel Temer em março de 2017: “Esperei longamente uma revisão do caso pela Folha, o que não aconteceu até minha aposentadoria”.

PLANO DE MATAR GILMAR MENDES

Descreve “amargura” provocada por nota de revista semanal que apontava a filha Letícia como alvo de denúncias.

“[…] era como se estivessem arrancando meu fígado sem anestesia. Num dos momentos de dor aguda, de ira cega, botei uma pistola carregada na cintura e por muito pouco não descarreguei na cabeça de uma autoridade de língua ferina que, em meio àquela algaravia orquestrada pelos investigados, resolvera fazer graça com minha filha. Só não houve o gesto extremo porque, no instante decisivo, a mão invisível do bom senso tocou meu ombro e disse: não.”

VICE DE AÉCIO

Janot diz que, em 2017, o então senador Aécio Neves (PSDB-MG) o convidou para ser ministro da Justiça em um eventual futuro governo. Aécio o procurara para saber se era alvo da delação da Odebrecht e se seria investigado.

O tucano depois teria sugerido a Janot que ele poderia ser o vice da sua chapa presidencial.

Após deixar a Procuradoria-Geral da República, em 2017, Janot se separou da esposa. Aposentou-se em abril deste ano, depois de 34 anos de atividade no Ministério Público.

NADA MENOS QUE TUDO: BASTIDORES DA OPERAÇÃO QUE COLOCOU O SISTEMA POLÍTICO EM XEQUE

  • Preço R$ 55,90 (256 págs.)
  • Autor Rodrigo Janot, Jailton de Carvalho, Guilherme Evelin
  • Editora Planeta do Brasil
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Gilmar Mendes foi avisado há mais de um ano de que Janot planejou matá-lo

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), já tinha sido avisado há mais de um ano que o ex-procurador-geral Rodrigo Janot planejou matá-lo em plena corte. Ele não levou a história a sério.

Familiares do magistrado, no entanto, se assustaram já que a informação foi repassada por uma autoridade do governo federal. Pediram que tomasse providências. Mendes, no entanto, acreditava se tratar de pura bravata.

Janot contou a história também para procuradores do MPF (Ministério Público Federal). Poucos acharam que ele estava falando sério.

confissão pública de Janot de que planejou o assassinato causou perplexidade no MPF. Procuradores passaram a madrugada de sexta (27) trocando mensagens entre si e com terceiros sobre as afirmações e as consequências, que consideram desastrosas, para o órgão.

Não é hora de lançar livro de memórias, todo mundo horrorizado, Janot apequenou a cadeira de PGR, diziam algumas delas.

Há um consenso também de que o ex-procurador-geral se isolou depois que saiu do cargo, rompendo com antigos amigos e se relacionando pouco com os ex-integrantes de sua equipe na PGR.

E Janot assinou nota técnica em 2017 protestando contra o fato de o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul proibir integrantes do Ministério Público de entrarem armados na corte.

O TJ-RS exige ainda que eles passem por detectores de metal. Janot também insurgiu-se contra essa norma.

Na nota, que publicou quando era presidente do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público Federal), ele dizia que a regra “fragilizou” a proteção de promotores. Eles seriam “merecedores de uma pronta e imediata defesa pessoal que minimiza, o quanto possível, os incontáveis riscos a que estão submetidos”.

E Janot colocou em sua foto de perfil do WhatsApp a figura de um copo com a frase: “Keep calm and drink gin”, ou fique calmo e beba um gim.

MÔNICA BERGAMO / FOLHA

 

LOCAIS

Reajuste de PMs e bombeiros terá impacto de R$ 20 milhões na folha do Estado

O projeto de lei de reajuste de 23% no salário dos policiais e bombeiros militares do Rio Grande do Norte terá impacto de R$ 20,9 milhões mensais na folha de pagamento do Estado até o final da correção salarial, em novembro de 2022. Essa é a estimativa da equipe econômica levando em consideração os valores atuais, mas segundo disse à TRIBUNA DO NORTE o chefe do Gabinete Civil, Raimundo Alves, essa quantia não deve ter  variação significativa até o final do reajuste. O secretário disse ainda que o impacto na folha é “suportável” segundo os cálculos do Governo.

“Isso está programado até 2022. Dentro da estimativa que a gente faz até lá, é suportável na folha de pagamento. Essa situação não é de reposição salarial, porque perdas salariais o governo não tem como, nesse momento, fazer nenhuma discussão”, salientou.

O documento foi enviado pelo Governo do Estado à Assembleia Legislativa na última quinta-feira (26) e precisa passar por todas as comissões além da votação por plenário para poder entrar em vigor. É um projeto anexo à Lei Orçamentária Anual (LOA). O texto traz uma série de mudanças nos planos de carreira dos policiais e bombeiros militares  do RN. Além dos reajustes, há uma mudança nas promoções dentro das corporações.

“É apenas um equilíbrio entre as carreiras da segurança pública tentando diminuir certas distorções que existem dentro das carreiras como PM, Policia Civil, Itep. Nossa intenção é tentar diminuir essas diferenças”, completou.

TRIBUNA DO NORTE

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Fonte: Blog do BG

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