PRIMEIRAS NOTÍCIAS DESTA TERÇA-FEIRA

Por G1

14/01/2020 02h30 Atualizado há 3 minutos


O Brasil inaugura sua nova base científica na Antártica, oito anos depois do incêndio que destruiu a anterior. No centésimo episódio, O Assunto traz relatos docontinente gelado para entender como funciona a estação e qual a importância dela para a ciência brasileira. O podcast diário com Renata Lo Prete chega ao número 100 com 7 milhões de downloads e no topo dos programas mais baixados no Apple Podcasts. E o G1 já viu ‘1917’: vencedor do Globo de Ouro e indicado ao Oscar em 10 categorias, o filme leva o público às trincheiras da 1ª Guerra Mundial.

INTERNACIONAIS

Brasil na Antártica

Estação Antártica Comandante Ferraz conta com geradores eólicos e placas fotovoltaicas. — Foto: Divulgação Estúdio 41

nova estação científica do Brasil na Antártica será inaugurada hoje à tarde, quase 8 anos depois do incêndio que destruiu a base anterior. A estrutura fica na ilha do Rei George e custou R$ 400 milhões. O projeto foi pensado para gerar pouco impacto ambiental, e a nova estação é desmontável, reciclável e menos dependente de energias não renováveis.

A Estação Antártica Comandante Ferraz recebeu um investimento de US$ 99,6 milhões (cerca de R$ 400 milhões) — Foto: Divulgação Marinha do Brasil

A Estação Antártica Comandante Ferraz recebeu um investimento de US$ 99,6 milhões (cerca de R$ 400 milhões) — Foto: Divulgação Marinha do Brasil

O Assunto #100

E a base brasileira na Antártica é o tema do podcast #100 d’O Assunto, com Renata Lo Prete. O episódio traz relatos diretos do continente gelado para entender como funciona a estação e qual a importância dela para a ciência brasileira. Ouça:

O podcast diário do G1 chega ao centésimo episódio com motivos para comemorar. O Assunto teve 6,9 milhões de downloads até domingo. Desde sua estreia, em 26 de agosto, o podcast conquistou o público ao ajudar a entender um mundo em ebulição e está no topo dos programas mais baixados nos aplicativos de podcasts.

NACIONAIS

Cerveja contaminada

Governo determina que cervejaria Backer faça campanha sobre cervejas contaminadasGoverno determina que cervejaria Backer faça campanha sobre cervejas contaminadas

O governo determinou que a cervejaria Backer faça uma campanha de orientação sobre a cerveja contaminada que provocou intoxicação em 17 pessoas. Além disso, o Ministério da Agricultura também mandou a empresa de BH fazer um recall dos rótulos e suspender a venda de qualquer produto da marca.

Pezão interrogado

O ex-governador do Rio Luiz Fernando Pezão será interrogado hoje, um mês após ser solto. Ele é investigado na Operação Boca do Lobo, um desdobramento da Lava Jato no Rio, acusado de embolsar quase R$ 40 milhões. Segundo a denúncia, ele aprimorou esquema de Sérgio Cabral e aumentou propina em contratos de 5% para 8%.

Combustível

O preço da gasolina e do diesel ficará 3% mais barato nas refinarias a partir de hoje. A redução ocorre após um acomodação dos preços internacionais do petróleo, mesmo diante da tensão no Oriente Médio (aqui você entende por quê). Ainda assim, o repasse para o consumidor depende de diversos fatores, como impostos.

Volta por cima no Carnaval

Camila silva festeja com a nova corte do carnaval 2020 — Foto: Paulo Macieira/RioturCamila silva festeja com a nova corte do carnaval 2020 — Foto: Paulo Macieira/Riotur

O ano passado não foi fácil para Camila Silva. De rainha de bateria da Mocidade, no Rio, e da Vai-Vai, em SP, ela se viu sem escola de uma hora para outra. Mas ela deu a volta por cima e neste ano é a rainha do carnaval carioca. Ao G1, a beldade conta que enfrentou preconceito por ser paulistana, foi malvista por se inscrever no concurso e teve ajuda da antiga dona do posto Clara Paixão.

Cinema

cinema cresceu no Brasil em 2019 e teve mais público e arrecadação em relação a 2018, mas filmes brasileiros perderam espectadores. Mais de 172 milhões de espectadores assistiram aos 887 filmes lançados nos cinemas nacionais. A arrecadação total foi de R$ 2,7 bilhões.

G1 já viu

Cena de '1917' — Foto: DivulgaçãoCena de ‘1917’ — Foto: Divulgação

A 1ª Guerra Mundial não compartilha do mesmo “prestígio” de sua irmã mais nova nos cinemas. Com batalhas em trincheiras e longos momentos de espera e tensão, o conflito ganha uma de suas melhores representações cinematográficas em “1917”, filme que estreia dia 23 no Brasil como um dos melhores de 2019 – e dez indicações ao Oscar.

Curtas e rápidas…

  • Pela primeira vez, cinco reservas ambientais municipais abrem ao público em SP
  • Sisu 2020: dicas para inscrição na seleção do primeiro semestre, que abre na próxima semana
  • Levantamento mostra 38 profissões em alta em 2020
  • Oito em cada dez brasileiros pechincham antes de comprar, mostra pesquisa
  • Prefeita de Paris quer cidade exclusiva para ciclistas, mas os desafios são grandes
  • Afinal, o que é criptografia e para que ela serve?
Por Blog do BG

Maia ‘esquece’ acordo para apoiar Arthur Lira e articula outros nomes para sua sucessão

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já esqueceu o acordo que fez há um ano no apartamento paulistano do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), para apoiar o deputado Arthur Lira à sua sucessão, no início de 2021, e articula três opções diferentes. Dois deles foram ministros de Dilma investigados por corrupção: Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Fernando Bezerra Filho (MDB-PE). Outro que supõe contar com apoio de Maia é Baleia Rossi (SP), presidente do MDB. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Há um ano, Arthur Lira saiu da disputa e ainda garantiu a Maia os votos do MDB e PTB, liquidando a pretensão de Fabio Ramalho (MDB-MG). Lira admite o sonho de presidir a Câmara, “como todo deputado”, mas afirma que o seu partido decidirá sobre o assunto “no momento certo”.

Líder do PP, Arthur Lira parece tranquilo em relação ao presidente da Casa: “Apoio de Rodrigo Maia é importante e espero contar com ele”. Por seu protagonismo no plenário, como fiel da balança nas decisões mais importantes, Arthur Lira acabou despertando os ciúmes em Maia.

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Paulo Guedes afirma que reformas serão retomadas até fevereiro

Depois de dez dias de férias nos EUA, o ministro da Economia, Paulo Guedes, desembarcou na segunda, 13, em Brasília dizendo que vai retomar a agenda de reformas. Segundo ele, a proposta para a área administrativa, cujo envio ao Congresso foi sustado pelo presidente Jair Bolsonaro no final de 2019, deverá ser encaminhada à Câmara entre o final deste mês e o início de fevereiro. Em relação à reforma tributária, a ideia é apresentar o projeto de forma quase simultânea ao da administrativa, pois já haveria acerto para ser analisado por comissão mista do Congresso.

“O presidente continua comprometido com as reformas. Uma coisa é o timing político, outra é o conteúdo das reformas”, disse Guedes, em entrevista ao Estado por telefone no domingo à noite. “O presidente deu algumas sugestões que foram adotadas. Os presidentes da Câmara (Rodrigo Maia) e do Senado (Davi Alcolumbre) também deram as suas sugestões, e isso está sendo conduzido em conjunto. Agora, em vez de mandar uma versão das reformas com muita potência e depois o negócio ser esfacelado, a calibragem está sendo feita antes.”

Estadão Conteúdo

 

Ex-secretária revela mensalão para deputados no governo de Coutinho (PSB) na Paraíba

Novos trechos da delação premiada da ex-secretária de Administração Livânia Farias, uma das “operadoras” do esquema de corrupção chefiado pelo ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB), revelam mensalão de R$30 a R$50 mil pagos a deputados estaduais, durante o governo. As informações são do Diário do Poder.

Recebiam a propina, segundo a ex-secretária, os deputados Adriano Galdino (PSB), Antônio Mineral (PSB), Branco Mendes (Podemos), Eva Gouveia (PSD), João Gonçalves (Podemos) Lindolfo Pires (Podemos), Márcio Roberto (PMDB) e Tião Gomes (Avante). O mensalão foi pago aos deputados entre os anos de 2013 e 2014.

Livânia contou à força-tarefa da Operação Calvário que o apoio dos parlamentares era obtido por meio do pagamento de propinas oriundas da Cruz Vermelha. Era um mensalão muito semelhante ao dinheiroduto instituído no plano federal pelo então presidente Lula, mentor político de Coutinho.

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SILÊNCIO: Toffoli não fala sobre pagamentos do DPVAT destinado a pessoas próximas de ministros do STF

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli mandou dizer que não comentará a grave revelação de auditoria nas contas da Seguradora Líder, que controla o DPVAT, sobre pagamentos suspeitos a pessoas ligadas a ministros da própria Corte, além de políticos do Congresso e integrantes do governo, entre os anos de 2008 e 2017. Os pagamentos milionários por “serviços prestados” dos quais mal se recordam. A auditoria foi realizada pela empresa de consultoria KPMG. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

A assessoria de Toffoli informou que “o relatório menciona ex-assessor e datas em que ele já não trabalhava mais no gabinete do ministro”. O relatório cita possíveis relações promíscuas que sugerem eventual estratégia do DPVAT de obter decisões favoráveis das autoridades.

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NÃO É NÃO: “Querem tirar direito da mulher de ser assediada”, diz deputado do PSL

Foto: Reprodução/Alesc

O deputado estadual catarinense Jessé Lopes, do PSL, criticou uma campanha de combate ao assédio no Carnaval que planeja distribuir milhares de tatuagens não permanentes com a expressão “Não é Não”.

“Parece até inveja de mulheres frustradas por não serem assediadas nem em frente a uma construção civil”, escreveu o deputado em sua conta oficial no Facebook.

O deputado estadual ainda caracteriza a campanha contra o assédio sexual como um dos “atos mais extremistas” do movimento feminista. “Após […] já terem conquistado todos os direitos necessários, inclusive tendo até, muitas vezes, mais direitos que os homens, hoje as pautas feministas visam […] tirar direitos”, escreveu.

Com informações de UOL e O Antagonista

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LOCAIS

Colégio CBV encerra atividades e antigo Maristela é oficialmente fechado

Uma notícia pegou pais, mães e alunos do colégio CBV Natal, o antigo Maristela, de surpresa: o colégio vai encerrar as atividades. Pior a decisão só foi anunciada após o pagamento das matrículas 2020.

Um dos pais de alunos relatou ao blog que o caso pegou todos de surpresa e que vários estão tendo que procurar a Justiça pela falta de informações, pelo pagamento já realizado de matrículas e mensalidades e pela busca pelo direito ao ensino dos filhos.

Eles lamentaram a decisão afirmando que o colégio vinha com uma proposta de ensino diferenciado que estava agradando a maioria e que os próprios filhos estavam animados em fazer parte do grupo educacional como estudantes.

Até agora, nenhum comunicado oficial por parte do CBV Natal.

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PRIORIDADES: Prefeitura ignora problemas de Ponta Negra, mas não se esquece de multar ambulantes na praia

Até os problemas de Ponta Negra começarem a ser noticiados, a Prefeitura do Natal mantinha um discurso de que a praia era um paraíso, mas, em plena alta estação, se viu que não era bem assim.

Acessos à praia formados por sacos de areia, ratos e baratas caminham tranquilamente em meio a fedentina provocada por esgotos que jorram água com fez-se e lixo na praia. Além disso, vários pontos do calçadão estão cedendo, barras de apoio de tão enferrujadas estão no chão apenas para disseminar doenças. Os problemas são vários, mas a Prefeitura tem como prioridade multar os ambulantes por “ocupação irregular”.

Vale lembrar que quem está errado está errado. E isso não se discute. O problema são as prioridades da gestão.

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Girão pede “justa causa” para deixar o PSL sem perder o mandato

O deputado federal General Girão, eleito pelo PSL do Rio Grande do Norte, se juntou a outros 25 parlamentares da chamada “ala bolsonarista” do partido e pediu a desfiliação por justa causa.

Os deputados querem autorização para deixar a legenda sem perder os mandatos. O grupo aguarda decisão do ministro Edson Fachin, na Justiça Eleitoral. Girão será um dos responsáveis por colher assinaturas para formação do partido Aliança no RN.

 

PEGA O DOIDO! Lucena diz que sai no tapa com Bolsonaro, xinga sauditas de parasitas e sugere ao príncipe Harry cortar cana

Foto: Reprodução/Redes sociais

O vereador natalense Fernando Lucena postou nesta segunda-feira, mais um vídeo em suas redes sociais, intitulado “Um chá de simancol nesta tarde pra Bolsonaro se mancar e tomar vergonha”. Nele, o petista ataca, além do presidente Jair Bolsonaro, o príncipe Harry, o presidente Trump e o príncipe saudita Salman Al Saud.

Lucena abriu fogo para todos os lados. Afirmou que Bolsonaro não deixa a presidência porque sabe que o vice Hamilton Mourão é tão burro quanto ele, assim como os eleitores bolsonaristas. “Se ele decidisse ser vereador aqui em Natal, a gente iria sair nos tapas”.

No contexto internacional, o representante do PT na Câmara Municipal xingou de ‘caba de peia’ o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; o príncipe Salman Al Saud e sauditas, de ‘parasitas’; e ainda mandou o príncipe Harry, da família real inglesa, trabalhar: “Aquilo cortando cana é uma maravilha”.

 

Alcaçuz: famílias não foram indenizadas três anos após massacre

Chacina completa três anos nesta terça-feira, 14. Setenta e quatro foram indiciados pelas 27 mortes. Unidade passou por reestruturação

14/01/2020 às 05:05

Cida guarda lembrança do filho. Foto: Bruno Vital/Agora RNBruno Vital/Agora RN

Três anos depois do episódio que ficou conhecido como o “Massacre de Alcaçuz” — o mais sangrento da história do sistema prisional potiguar — familiares dos presos mortos padecem do abandono e sofrem com transtornos psicológicos enquanto ainda esperam por indenizações. A penitenciária, que é a maior do RN, fica em Nísia Floresta, na Região Metropolitana de Natal.

Dos 27 mortos no massacre, apenas as famílias de dois deles ganharam ações contra o Estado. E, mesmo assim, os dois processos ainda aguardam a execução da sentença. Para uma das famílias, o RN foi condenado a pagar R$ 40 mil. Para a outra, a indenização é de R$ 50 mil.

Uma das mães que vive o drama da espera é Maria Aparecida Paixão da Silva, de 43 anos. O filho dela foi um dos 27 assassinados na chacina, ocorrida no dia 14 de janeiro de 2017. Carlos Clayton Paixão da Silva tinha 23 anos, e estava prestes a ganhar liberdade após pouco mais de um ano custodiado em Alcaçuz. Era questão de dias para ele deixar a unidade. Porém, o massacre acabou com a vida dele e seus planos.

Maria Aparecida tenta reivindicar na Justiça o direito à reparação. O processo dela aguarda julgamento para tentar ganhar causa contra o Estado. “Nada vai trazer meu filho de volta. Nenhum dinheiro paga o que fizeram com ele, que tinha uma vida inteira pela frente. É muito difícil para mim viver aqui sozinha lembrando dele, tem dia que falta força. Se esse dinheiro saísse, eu ia tentar comprar uma casa e me mudar daqui para criar meus outros filhos”, desabafa.

Cida, como é mais conhecida, é moradora de Nossa Senhora da Apresentação, bairro da zona Norte de Natal. A rotina da pensionista se divide em se concentrar nos afazeres do lar e cuidar de sete filhos, com idades entre 5 e 16 anos. Ao todo ela tem nove, Carlos era o décimo.

Maria Aparecida Paixão da Silva, 43 anos, mãe de Carlos Clayton Paixão da Silva. Foto: Bruno Vital/Agora RN

Maria Aparecida Paixão da Silva, 43 anos, mãe de Carlos Clayton Paixão da Silva. Foto: Bruno Vital/Agora RN

Para suportar o trauma e contornar as adversidades da vida, Cida se apega na fé em Deus e conta com o apoio de uma amiga, que também perdeu um familiar na rebelião. Ela alega ter desenvolvido problemas cardíacos e psicológicos por causa da trágica morte de Carlos Clayton, que trabalhava estofando sofás antes de ser preso.

“Ninguém queira estar na minha pele e passar o que eu passo. Tem dia que falta força”

“Sinto muito a falta dele, não consigo dormir direito, principalmente no período de fim de ano e em abril, que é o mês que ele faz aniversário. Eu praticamente vivo dentro de uma UPA, doente e deprimida. Agora no natal foi muito difícil, porque ficava lembrando do jeito dele. Gosto nem de ver as fotos por isso. A minha filha faz aniversário no dia 15 de janeiro, um dia depois da morte dele, e é muito traumatizante para ela também”, conta.

Se estivesse vivo, Carlos completaria 27 anos em abril. Foto: Bruno Vital/Agora RN

Se estivesse vivo, Carlos completaria 27 anos em abril. Foto: Bruno Vital/Agora RN

Assassinado e decapitado

Situação semelhante vive Ana Paula Souza, irmã de Jefferson Souza dos Santos, assassinado e decapitado em Alcaçuz. Jefferson tinha 30 anos, a mesma idade que Ana Paula tem agora. Ele havia se casado dentro da unidade e sonhava com uma nova vida, longe do crime. A liberdade não veio a tempo e o ex-entregador de material de construção, que pagava pelo crime de assalto, morreu meses antes de sair da prisão.

“A viúva dele contratou um advogado e entrou com uma ação. É um dinheiro que a gente nem conta mais, mas seria uma boa para ajudar nas despesas das filhas dele, mesmo sabendo que nenhum dinheiro compra a vida do meu irmão de volta. A filha mais nova dele vai completar ano agora dia 25 de janeiro e acha que o pai está viajando a trabalho. É muito triste isso”, conta Ana Paula Souza.

Jefferson Souza morava na zona Norte de Natal e deixou três filhas (4, 8 e 13 anos) que teve com duas companheiras. Ele estava preso em Alcaçuz há 3 anos. “Hoje tem um vazio dentro de mim, tudo ficou mais difícil com a morte dele. A gente se vira como dá. As mães das filhas dele fazem o que podem para criar as crianças. Nesse sentido, a gente se ajuda porque não recebemos nenhum tipo de acompanhamento do governo”, acrescenta a moradora da comunidade Passo da Pátria, Ana Paula.

“Hoje tem um vazio dentro de mim, tudo ficou mais difícil com a morte dele”

Jefferson Souza dos Santos tinha 30 anos. Foto: José Aldenir/Agora RN

Jefferson Souza dos Santos tinha 30 anos. Foto: José Aldenir/Agora RN

“Um centavo sequer”

Outra que vive a expectativa de ser compensada financeiramente é a agricultora Carla Rejane, de 36 anos. Ela perdeu o ex-companheiro Cícero Israel de Santana, que tinha 23 anos, e também foi assassinado e decapitado durante o massacre. Carla vive em uma área rural de Taipu, distante 50 quilômetros de Natal, e manteve relacionamento com Cícero durante cerca de um ano. Ele estava cumprindo pena por tentativa de latrocínio há três anos.

“Até agora não recebemos um centavo sequer, entramos com uma ação e estamos aguardando. Trazer ele de volta não vai, mas no meu entender isso é também uma forma de dizer para o Estado tomar providências para que isso jamais aconteça novamente e que outras famílias não sofram isso porque ali são seres humanos, erraram e estão ali pagando”, afirma Carla Rejane. Se estivesse vivo, Cícero poderia sair da prisão nesta quarta-feira, dia 15.

Carla Rejane também relata sequelas. Ela confessa sofrer de insônia por causa do episódio traumático e, a exemplo das outras personagens desta reportagem, também disse não ter recebido qualquer tipo de ajuda do Executivo estadual.

“Tenho esse problema até hoje, fiz um tratamento e melhorei, mas isso sempre volta e eu preciso tomar o medicamento para controlar. É muito triste, lembro dele me dizendo que ia mudar de vida, mas infelizmente isso foi interrompido”, pontua.

Corpos enfileirados após carnificina. Foto: Reprodução

Os termos de indenizações podem ser demandados ao Estado do Rio Grande do Norte via advogado contratado ou por meio da Defensoria Pública do RN — opção para quem não possui recursos para arcar com todos os custos do trâmite na Justiça.

Devido às particularidades de cada caso, como sigilo e andamento de cada processo indenizatório, a Procuradoria Geral do Estado (PGE-RN) não sabe precisar se alguma família já foi compensada financeiramente. Por se tratar de processos individuais, nenhuma generalização pode ser feita, explicou o órgão. Contudo, os parentes das vítimas ouvidos pela reportagem do Agora RN acreditam que nenhuma das 27 famílias foi indenizada.

Os sobreviventes

Sobreviventes temem represálias e preferem não serem identificados. Foto: José Aldenir/Agora RN

Sobreviventes temem represálias. Foto: José Aldenir/Agora RN

João Silva, hoje morador da comunidade Passo da Pátria na Zona Leste de Natal, relembra os sete anos que passou dentro da Penitenciária Estadual de Alcaçuz cumprindo pena por assalto. O ex-detento relata os momentos de tensão vividos durante a matança, onde presenciou confrontos, assassinatos e decapitações, antes de conseguir escapar do cenário de guerra. O homem conta que não sabe ao certo como conseguiu sair do massacre com vida: “Foi na base da adrenalina”.

Ouça abaixo o relato do sobrevivente:

Com 34 anos, João trabalha em uma oficina e diz ter enfrentado dificuldades para conseguir emprego e largar o crime. “Eu só consegui esse trabalho porque o dono da oficina é meu amigo daqui e me deu essa oportunidade, mas a vida do cara que sai da prisão é essa e a tendência é se manter dentro do crime de novo. Se eu for pedir emprego fora da comunidade é capaz até de eu ser preso novamente”, comenta.

“Foi horrível”

Outro que conseguiu sair com vida da batalha campal ocorrida em janeiro de 2017 foi José Silva, que estava em Alcaçuz fazia 4 anos e respondia pelo crime de tráfico de drogas. Hoje, o homem de 30 anos, morador da zona Norte de Natal, cumpre pena no regime semiaberto e é monitorado por tornozeleira eletrônica. A exemplo de João, ele também conseguiu escapar da unidade subindo no teto do pavilhão.

“Foi horrível, não gosto nem de lembrar porque achei que ia morrer. Aconteceu muita coisa que não era para acontecer. Subi em um dos pavilhões com uns companheiros e ficamos lá. Quem sobreviveu foi porque fez isso também. Os que ficaram dentro do pavilhão, infelizmente morreram no confronto”, relembra José da Silva. Ainda segundo José, que está desempregado, o estigma de “ex-presidiário” é uma barreira para conseguir acessar o mercado de trabalho.

João e José são nomes fictícios para os dois personagens, que não quiseram se identificar por medo de represálias.

Inquérito foi concluído há menos de 2 meses

Polícia indiciou 74 pessoas pelas mortes. Foto: Andressa Anholete/AFP

O inquérito policial sobre a maior chacina que se tem conhecimento no RN foi finalmente concluído 2 anos e dez meses após o massacre que vitimou os 27 presos. O número oficial de mortes era 26 até novembro do ano passado, mas subiu para 27 durante a investigação.

Com a conclusão do documento, a polícia indiciou 74 pessoas pelos crimes de homicídio, dano ao patrimônio público, motim e associação criminosa. Além disso, outros 132 detentos que ficaram em silêncio durante os interrogatórios responderão por falso testemunho.

“Desses 74, um deles ainda responde por tentativa de homicídio e três outros por vilipêndio de cadáver, justamente por essa 27ª vítima”, explica o delegado Marcos Vinicius, da Divisão Especializada em Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e que participou da elaboração do inquérito.

“Em relação aos 132, eles se calaram perante a verdade já que eles estavam lá presentes e eram testemunhas do fato criminoso. Para isso, o Código Penal prevê falso testemunho. Ou seja, o número de indiciados pode aumentar na fase processual”, completa Marcos Vinícius.

Em julho de 2019, uma comissão foi montada com delegados, agentes e escrivães para interrogar 266 presos e agentes penitenciários. Os indiciamentos se basearam nesses depoimentos e também em vídeos divulgados pelos próprios detentos nas redes sociais.

Os mortos

Não identificado. Anderson Barbalho da Silva. Antônio Barbosa do Nascimento Neto. Anderson Mateus Félix dos Santos. Caio Henrique Pereira de Lima. Carlos Clayton Paixão da Silva. Charmon Chagas da Silva. Cícero Israel de Santana. Diego Felipe Pereira da Silva. Diego Melo de Ferreira. Eduardo dos Reis. Felipe Rene Silva de Oliveira. França Pereira do Nascimento. Francisco Adriano Morais dos Santos. George Santos de Lima Júnior. Guilherme Ely Figueiredo da Silva. Jefferson Pedroza Cardozo. Jefferson Souza dos Santos. Jonas Victor de Barros Nascimento. José Marcelo da Cruz. Lenilson de Oliveira Melo Silva. Luiz Carlos da Costa. Marcos Aurélio Costa do Nascimento. Marlon Pietro da Silva Nascimento. Rodrigo José Leandro dos Santos. Tarcísio Bernardino da Silva. Willian Anden Santos de Souza.

Os indiciados

Alexsandro da Silva Macedo. Alexandre da Silva Elesbão. Alisson Rodrigues Lopes. Alisson Kariely Elias Bezerra. Allef Marrone da Silva Coringa. Anderson de Sousa Nascimento. Andrey da Silva Leão. Aramis Carlos Silva de Oliveira. Adeilson Nunes da Silva. Bruno Querino da Silva. Diego Caio da Costa Souza. Erison Gleidson de Lima Pereira. Edson Corsino de Oliveira. Elison Gonçalves de Araújo. Elias Rodrigues Martins. Erivan Cleiton Ferreira da Silva. Fabio Silva de Paiva. Felliphe José Amorim Costa. Francisco Canindé de Souza. Francisco Marcelino da Silva Neto. Francisco Robério de Lima Silva. Francisco Job de Oliveira. Gildervan Kleber de Oliveira. Gildeon Henrique de Oliveira. Gilberto Lopes de Moura. Habynnadad Dalton Bezerra. Herculano Batista da Silva. Ítalo Ralan de Melo Lopes. Jailson Santos da Silva. Jean Alves de Lima. Jean Mota dos Santos. Jefferson Santos da Silva. Jefferson Robson Damasceno Silva. João Bosco Martins Tomaz Júnior. João Francisco dos Santos. Josa Wesley Alves da Silva. José Eugenio dos Santos Júnior. José Carlos de Oliveira Júnior. José Augusto Damasceno. José Cláudio Cândido do Prado. José Maciel Santos da Silva. José Marconi Santos da Silva. José Lindemberg Dantas Nascimento. José Ivanildo Pinheiro de Lima. Jucélio Antonio da Silva Júnior. Kerginaldo Moreira Ferreira. Laerte Ambrósio de Oliveira. Luan Franklin Anselmo da Silva. Luiz Antonio Bezerra da Rocha. Lucrécio Carlos de Souza. Marcos Chandecley Gomes de Queiroz. Paulo da Silva Santos. Paulo Márcio Rodrigues de Araújo. Paulo Cezar Balbino de Oliveira. Relmayck do Nascimento Ferreira. Reinaldo da Silva Xavier. Ricardo Lúcio George de Souza Feitosa. Robson do Amaral Bezerra Filho. Robson Batista Marinho. Ruan Lázaro Florêncio de França. Rodrigo Felipe Macedo Rego. Roberto da Silva Gomes. Thales Ramon Lopes de Oliveira. Thalyson Jeyms de Moura Severiano. Thiago de Souza Vilarinho. Thiago Batista Coelho. Thiago Medeiros Conforte. Tiago de Sousa Soares. Valdemir Gomes de Oliveira. Valmir Araújo de Lima. Veibergan Soares de Carvalho. Victor Guilherme Cavalcanti de Oliveira. Wagner Vieira Ferreira da Silva. Wellington Santos Cruz.

Reestruturação

Penitenciária Estadual de Alcaçuz. Foto: José Aldenir/Agora RN

Penitenciária Estadual de Alcaçuz. Foto: José Aldenir/Agora RN

Alcaçuz aprendeu com as lições, garante o atual diretor da unidade Jocélio Barbosa. De acordo com o policial penal, a chance de uma nova rebelião como a de 2017 é zero.

“A principal mudança de Alcaçuz hoje é a vigilância, nós temos equipes que monitoram os pavilhões 24 horas por dia. Isso quer dizer que qualquer movimentação estranha que possa acontecer já é logo controlada pelos agentes”, destacou Jocélio, que trabalha na unidade há 7 anos e ocupava o cargo de vice-diretor na rebelião de 2017.

Complexo Penal Alcaçuz/Rogério Coutinho fica em Nísia Floresta, na Grande Natal. Foto: José Aldenir/Agora RN

O Complexo Penal de Alcaçuz foi repaginado e hoje conta com seis pavilhões, sendo um deles construído do zero. O complexo de Nísia Floresta é formado pelas penitenciárias estaduais Doutor José Francisco Fernandes, conhecida como Alcaçuz, que tem os pavilhões 1, 2 e 3 e mais o novo pavilhão 4, que foi construído ano passado e inaugurado há menos de 2 meses.

Já o Presídio Estadual Rogério Coutinho Madruga, agora possui dois pavilhões: o pavilhão 1, que é o antigo pavilhão 5 de Alcaçuz, e o pavilhão 2, que é o antigo pavilhão 4 de Alcaçuz. Um muro de concreto, que foi erguido logo após o massacre, é o que divide os dois presídios.

Novo pavilhão de Alcaçuz. Foto: José Aldenir/Agora RN

Novo pavilhão 4 de Alcaçuz. Foto: José Aldenir/Agora RN

Sem fugas, mortes ou motins

Em 2019, o complexo penal não registrou nenhuma fuga, motim ou morte graças ao uso de novas tecnologias, mudanças estruturais e aumento do número de agentes. Três anos depois da carnificina, 261 policiais penais cuidam dos seis pavilhões, onde estão custodiados 2.134 reeducandos, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para se ter uma ideia, no momento do confronto, nove agentes penitenciários prestavam serviço.

Celas receberam reforço. Foto: José Aldenir/Agora RN

Celas receberam reforço. Foto: José Aldenir/Agora RN

No novo pavilhão, inaugurado há cerca de dois meses, foram construídas novas celas de paredes com concreto armado e sistema de automação, espaços de conveniência, guaritas de vigilância, alojamento para os policiais e salas de aula. O prédio ganhou equipamentos como portal detector de metais, algemas, além de armas letais e não letais, que estão à disposição dos agentes.

O pavilhão 4 tem capacidade para 432 apenados e está com lotação de 220. Cerca de 50 deles recebem aulas de construção civil em cursos preparatórios para o mercado de trabalho.

Turmas de construção civil em Alcaçuz. Foto: José Aldenir/Agora RN

Turmas de construção civil em Alcaçuz. Foto: José Aldenir/Agora RN

“Antes aqui era só um depósito de presos, agora nós conseguimos organizar e colocar para funcionar de forma mais adequada. Estamos aguardando novos presos para o novo pavilhão. Temos vigilância total com os policiais nas guaritas e com o sistema de monitoramento por câmeras. Alcaçuz conta hoje também com um body scan, que impede a entrada de armas, drogas e telefones”, conta o diretor de Alcaçuz Jocélio Barbosa.

Escâner de corpo acabou com a “revista vexatória”. Foto: José Aldenir/Agora RN

body scan, é um aparelho de raio-x com tecnologia de última geração usado nas visitas. As duas cabines com o aparelho foram instaladas em agosto de 2019 e acabaram com a chamada “revista vexatória”, antiga reclamação dos familiares dos presos. Agora, o visitante é cadastrado em um banco de dados biométrico e submetido ao procedimento, que dura aproximadamente 20 segundos.

A penitenciária também conta com uma área destinada à prestação de serviços, com enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos. No ano passado foram 7,2 mil atendimentos. As equipes fazem atendimento individualizado com os presos e controlam as medicações para que não ocorra comercialização dentro das celas.

Presos têm atendimento individualizado. Foto: José Aldenir/Agora RNFonte:

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