Por G1

 

Fux, do STF, manda prender Cesare Battisti e abre caminho para extradição. Bolsonaro e Temer no lançamento do mais moderno submarino brasileiro. Cabral depõe após empresário confirmar pagamentos de R$ 145 milhões.

NACIONAIS

Cesare Battisti

Italiano Cesare Battisti em Cananeia (SP) — Foto: G1

Italiano Cesare Battisti em Cananeia (SP) — Foto: G1

Cesare Battisti pode ser preso a qualquer momento. Ontem, o ministro Luiz Fux, do STF, autorizou a prisão dele atendendo a um pedido da Interpol, que acusa o italiano de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Não houve decisão sobre a extradição. No entendimento de Fux, a extradição cabe ao presidente da República.

Submarino brasileiro

Mais moderno submarino brasileiro vai ser lançado ao mar em dezembro

Mais moderno submarino brasileiro vai ser lançado ao mar em dezembro

Vai ser lançado ao mar hoje o mais moderno submarino brasileiro, o Riachuelo, que vai ajudar a patrulhar a chamada Amazônia Azul. O presidente Michel Temer e o presidente eleito Jair Bolsonaro participam da cerimônia. O Riachuelo é a primeira de cinco embarcações que serão construídas nos próximos 12 anos pelo programa de desenvolvimento de submarinos da Marinha Brasileira.

Depoimento de Cabral

Sérgio Cabral será interrogado nesta sexta-feira na 7ª Vara Federal Criminal, dois dias após Jacob Barata Filho, o “Rei dos Ônibus”, confirmar pagamentos de R$ 145 milhões ao ex-governador do Rio de Janeiro. A audiência, que é a primeira após a prisão do atual governador Luiz Fernando Pezão, é sobre a Operação Ponto Final, que investiga corrupção no setor de transportes do Estado.

Guia de carreiras

Especialistas falam que melhorar a formação de professores exige política institucional das universidades e que vaga em análise de sistemas depende de formação constante.

Curtas e Rápidas:

Previsão do tempo

Veja a previsão do tempo para sexta (14)

Veja a previsão do tempo para sexta (14)

Veja a previsão do tempo por regiões

Hoje é dia de…

  • Dia Nacional do Ministério Público
  • Dia Nacional de Combate à Pobreza
  • Dia Nacional do Engenheiro de Pesca
  • Começa a Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea

Fonte: G1

 

Maior participação de estrangeiros na aviação Brasileira que pode chegar até 100% pode beneficiar passageiros

A permissão para que estrangeiros invistam até 100% no capital de empresas aéreas brasileiras pode aumentar a concorrência do setor, atraindo novas companhias para operar no Brasil, além de derrubar o preço das passagens beneficiando os passageiros, especialistas em aviação consultados pelo GLOBO. Segundo esses especialistas, o tamanho do mercado brasileiro é um dos principais atrativos para o interesse dos estrangeiros: o Brasil é o sexto maior mercado de aviação do mundo e este ano devem ser transportados 100 milhões de passageiros.
— O mercado brasileiro tem potencial de crescimento de duas, três vezes em pouco tempo. Em mercados como Canadá ou Austrália, por exemplo, vende-se de 3,5 até 4 passagens por ano por habitante. No Brasil, a relação é de 0,5 passagem por habitante. Portanto, podemos crescer 100% rapidamente com a entrada do capital estrangeiro e maior concorrência – avalia Adalberto Febeliano, especialista em economia e planejamento do transporte aéreo.
Ele observa que o investidor que procura oportunidades no setor aéreo sempre tem o Brasil no radar, mas esbarrava na limitação de até 20% do capital votante. Febeliano observa que as companhias brasileiras já possuem investimento estrangeiro, que poderá ser ampliado. Na Gol, a americana Delta Air Lines é dona de 9,5% das ações e o grupo Air France-KLM tem 1,5%. Na Azul, a americana United Airlines tem 8% de participação.
— A Latam também seria beneficiada já que poderia reorganizar sua estrutura de capital. Quando foi criada, com a fusão entre a TAM e a LAN, já havia a previsão de que os chilenos poderiam aumentar sua participação no capital da empresa quando o limite de 20% fosse ampliado – lembra o advogado Felipe Bonsenso, especializado em Direito Aeronáutico.
A família brasileira Amaro e a chilena Cueto são as controladoras da Latam Airlines, com cerca de 28% das ações somadas. E a companhia árabe Qatar Airlines tem 10%.
A Avianca Brasil, que teve o pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça com dívidas que chegam a R$ 494 milhões, poderia juntar formalmente a operação com a Avianca Holdings, baseada na Colômbia, que tem como sócios controladores os irmãos Efromovich. German é dono da empresa colombiana, enquanto o irmão José controla a companhia no Brasil.
Novas tecnologias e modelos de gestão
Além de maior injeção de capital nas companhias brasileiras, as estrangeiras poderiam trazer novas tecnologias e novos modelos de gestão, melhorando a qualidade da administração, observa o advogado Felipe Bonsenso. Para ele, o que chamou a atenção na MP foi o aumento do limite de 20% para 100% da participação do capital estrangeiro.
— É um limite muito maior do que o que se discutiu no governo Dilma Rousseff, quando se pretendia elevar a participação dos estrangeiros para até 49%. A situação da Avianca certamente foi decisiva para aumentar esse limite até 100% – disse Bonsenso.
Para Thiago Nykiel, diretor executivo da consultoria Infraway, especializada no setor aeronáutico, a MP é muito positiva e quem deve ganhar é o consumidor. Para ele, ela abre perspectivas para que empresas estrangeiras se instalem no Brasil – com CNPJ brasileiro – e aumentem ainda mais a concorrência. Com isso, a tendência é que diminua a concentração no segmento, atualmente dominado por quatro empresas.
— A MP abre o leque para que empresas low cost venham ao Brasil e aumentem a oferta de voos, reduzindo o custo por assento – diz Nykiel.
Procurada para comentar a MP, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que não comentaria a decisão do governo. Entre as empresas aéreas, não houve consenso na avaliação da medida. Em nota, a Latam informou que é favorável ao capital estrangeiro nas companhias aéreas, “pois esse é um setor que exige capital intensivo, e a medida estimula o crescimento, gerando riqueza para o Brasil”.
A Azul informou, em nota, que vê com preocupação a assinatura da medida provisória que abre o setor aéreo ao capital estrangeiro.
“Por não haver equilíbrio de concorrência e reciprocidade entre as companhias aéreas brasileiras e estrangeiras, a Azul se posiciona contrária à proposta e sustenta que a ausência de contrapartidas não trará benefícios para as empresas aéreas do Brasil”, escreveu a companhia.
A Gol e a Avianca não se posicionaram sobre a MP.
O GLOBO
Comments

João de Deus: milionário após garimpo, aficionado por ‘carrões’ e curandeiro desde os 16 anos

João de Deus faz atendimentos na casa de Dom Inácio de Loyola, fundada por ele em 1976, no interior de Goiás. Ele recebe por dia entre 2 mil e 3 mil pessoas Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
João de Deus faz atendimentos na casa de Dom Inácio de Loyola, fundada por ele em 1976, no interior de Goiás. Ele recebe por dia entre 2 mil e 3 mil pessoas Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

O GLOBO
Ele serviu como alfaiate no Exército durante a juventude e fez fortuna garimpando ouro em Serra Pelada, o “eldorado” do Pará, no início da década de 80. Mas foi com a mediunidade que João Teixeira de Faria ganhou fama, atraiu a atenção de multidões — incluindo celebridades e políticos — e se tornou o João de Deus. Ou “John of God”, como também é frequentemente chamado, já que, hoje, cerca de 40% dos que o procuram são estrangeiros, segundo contas do prefeito José Aparecido Diniz, de Abadiânia, cidade onde o líder religioso atende.
Homem de 1,80 metro e dentes de porcelana, o médium mais famoso do Brasil é analfabeto funcional, devido à pouquíssima escolaridade que recebeu em Cachoeira da Fumaça, vilarejo goiano onde nasceu, em 1942. É o mais novo de seis filhos de um casal pobre — pai alfaiate e mãe dona de casa. Frequentou a escola apenas até o equivalente ao segundo ano do ensino fundamental.
“Passei fome e trabalhei muito para ter o que tenho”, relata ele na biografia “João de Deus: Um médium no coração do Brasil”, lançada em 2016 pela historiadora Maria Helena Machado — e com venda suspensa pela editora, a Companhia das Letras, após a onda de denúncias.
Embora tenha exercido diversos trabalhos quando jovem, João de Deus, hoje com 76 anos, enriqueceu como garimpeiro. Ele repetiu em várias entrevistas ao longo dos anos que foi “um dos primeiros a chegar” a Serra Pelada, o maior garimpo a céu aberto do mundo. O lugar, no interior do Pará, chegou a reunir mais de 100 mil pessoas atrás de ouro. Na época, João já fazia trabalhos de cura, e muitos acreditam que a paranormalidade também o ajudou a encontrar pepitas gigantes — uma delas pesava mais de 250 kg. Rezava a lenda que ele, com poderes paranormais, ele descobria veios de minério no subsolo.
Dono de garimpo e de fazenda de R$ 2 milhões
Sua fortuna atual ninguém sabe ao certo, mas inclui um garimpo de ouro em Nova Era, Minas Gerais, do qual ele é sócio, e pelo menos uma fazenda no valor estimado de R$ 2 milhões. Não está claro em qual estado fica essa fazenda.
A assessoria de imprensa do médium já disse em algumas entrevistas nos últimos anos que ele tem outras propriedades rurais, mas não informa onde ficam, nem qual é o valor delas. Em 2008, a revista “Galileu” publicou que o médium tinha quatro fazendas. Em algumas, criava gado, e em outras cultivava soja.
Não à toa, ele é sempre visto durante seus atendimentos no centro espiritual que mantém, localizado na pequena cidade de Abadiânia, interior de Goiás, com um grosso cordão de ouro em volta do pescoço e um chamativo anel de esmeralda.
A “Veja” publicou em junho de 2017 que ele tinha em seu nome 28 casas em Abadiânia. Segundo a publicação, ele também teria adquirido, desde 2008, nove propriedades em Anápolis, a 40 quilômetros de distância do centro espiritual. Suas vaidades, segundo o próprio João, são os “carrões”. Ele contou à revista ser também dono, ao menos na época, de um avião Seneca II de seis lugares.
Casado por dez vezes, e com 11 filhos
O médium é casado com a décima mulher, a advogada Ana Keyla Teixeira Lourenço, 40 anos mais nova do que ele. E tem 11 filhos, dos quais somente a caçula é filha de Ana Keyla.
De formação católica, ele afirma que teve sua primeira experiência mediúnica aos 9 anos de idade. Diz que, aos 16, serviu de médium pela primeira vez na “cura” de uma pessoa. Logo em seguida, atravessou vários estados do país realizando seus trabalhos.
Em uma de suas andanças, João decidiu montar um centro em Abadiânia. Foi então que, em 1976, fundou a Casa de Dom Inácio de Loyola — santo do qual é devoto e cujo espírito diz incorporar. É lá onde ele realiza dois tipos de “cirurgias espirituais”: as invisíveis, feitas apenas com o poder da mente, e as que incluem cortes com utensílios domésticos, como facas e tesouras. Ele realiza cortes e incisões sem sequer o uso de anestesia.
Denúncias de charlatanismo
Quando começou a fazer tais “cirurgias”, logo depois de fundar a Casa, ele foi alvo de uma avalanche de críticas de instituições espíritas e de denúncias de exercício ilegal da medicina junto ao Conselho Regional de Medicina de Goiás. No final da década de 70, antes da fama, ele chegou a ser preso por charlatanismo.
Passou, então, a andar com uma pastinha debaixo do braço, repleta de cartas de delegados e deputados. Todas atestando a idoneidade, a eficácia, a compaixão e a generosidade de suas cirurgias espirituais. É que, depois das primeiras acusações de exercer a medicina ilegalmente, ele descobriu que recomendações de autoridades eram a melhor salvaguarda para conseguir fazer os atendimentos sem risco de prisão.
“Se eu chegasse em um lugar e fosse atender o povo, primeiro tinha de visitar as autoridades”, contou ele ao “Correio Braziliense”, em abril de 2017.
A polêmica é mesmo um marco em sua biografia. João de Deus já foi acusado de sedução de menor, atentado ao pudor, contrabando de minério e até assassinato. Em nenhum dos casos o médium foi julgado culpado.
Devido a pressões de padres da Igreja Católica, João de Deus cogitou, em 1983, mudar a sede de seu centro para outra cidade. No entanto, ele foi convencido a permanecer graças a um bilhete do médium ícone do espiritismo brasileiro, Chico Xavier, que disse ser Abadiânia o lugar ideal para o centro: “Prezado João, caro amigo, Abadiânia é o abençoado recinto de sua iluminada missão e de sua paz”, dizia a cartinha.
João não cobra nada pelas consultas e operações espirituais, mas vende os remédios prescritos por ele mesmo e fabricados por uma farmácia de manipulação própria, a JTF (iniciais do seu nome).
Alcance mundial
A popularidade de João de Deus foi alavancada em 1991, quando a atriz americana Shirley MacLaine se tratou com ele de um câncer na região abdominal. A partir daí, ele não só se tornou muito mais conhecido no Brasil, como também ganhou fama mundial. Passou a atrair turistas vindos de países como Índia, Austrália, Alemanha e Estados Unidos.
Um novo marco na trajetória do médium foi quando a apresentadora Oprah Winfrey visitou o centro de Abadiânia em 2012 e exibiu na televisão uma entrevista com ele. Segundo relatos de funcionários, Oprah chorou feito criança durante o encontro. Na exibição, a americana acompanha uma das cirurgias feitas pelo médium, mas se sente mal e é obrigada a parar a gravação. Depois, Oprah disse ter tido uma revelação.
“Surgiram lágrimas de gratidão. Gratidão pela jornada de toda minha vida e não apenas pelo que havia dado certo, mas também pelo que não tinha”, afirmou ela, em seu programa.
A lista de pacientes de João de Deus é gigante. Já recebeu vários ex-presidentes da República brasileiros e estrangeiros, entre eles Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer, Hugo Chávez, Alberto Fujimori e Bill Clinton. Também já recebeu as apresentadoras Xuxa e Luciana Gimenez, as atrizes Dira Paes e Giovanna Antonelli e a modelo internacional Naomi Campbell — apenas para citar alguns.
Incorporação de 33 entidades
Ele conta que incorpora 33 entidades. A mais influente seria Dom Inácio de Loyola — que dá nome ao centro espiritual de Abadiânia —, padre espanhol que fundou a Companhia de Jesus, no século XVI.
Em entrevista à “Época”, durante visita da reportagem ao centro em julho deste ano, ele disse não se recordar de nada do que se passa durante as sessões. Afirmou que “quem cura é Deus”. Frase muito repetida por ele ao longo dos anos.
“Nunca atendi ninguém. Quem atende é Deus. Nunca curei ninguém. Quem cura é Deus. Eu sou só o mensageiro”, disse ele ao “Correio Braziliense”, em abril de 2017.
Todos esses espíritos teriam uma única missão: a de tratar doenças que vão de depressão e esclerose até câncer — enfermidade das que mais leva fiéis a Abadiânia.
Atualmente, nenhum serviço comercial abre na via principal da cidadezinha sem receber “aval” de alguma entidade recebida pelo médium.
Em setembro de 2015, apesar de defender a veracidade de suas curas, João de Deus não quis passar por uma “cirurgia espiritual” para tratar um câncer agressivo no aparelho digestivo. Ele se submeteu a uma longa e delicada cirurgia convencional no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, um dos mais renomados do Brasil, onde ficou internado por mais de três semanas.
Como é a rotina do centro espiritual
João de Deus atende entre 2 mil e 3 mil pessoas por dia, todas as quartas, quintas e sextas-feiras. Isso representa cerca de 20 mil fiéis por semana. O centro, chamado de Casa de Dom Inácio de Loyola, tem 40 funcionários e 20 voluntários — os chamados “filhos da Casa”.
Dentro do centro, há uma televisão que repete à exaustão as “cirurgias visíveis”, com cortes. Na primeira filmagem, João passa uma faca de cozinha no globo ocular de uma mulher; na segunda enfia uma tesoura com algodão no nariz de um senhor e gira; na terceira faz um corte na barriga de uma jovem e aperta. Esse tipo de procedimento só é feito a pedido do fiel. Após uma intervenção, visível ou não, é necessário repouso absoluto por 24 horas. Em torno da área de espera, encontra-se também a livraria, que vende lembranças variadas, pedras semipreciosas e os curiosos terços que apresentam um triângulo no lugar do crucifixo.
O triângulo é um símbolo da Casa. As três arestas simbolizam os três pilares que a Casa diz seguir: fé, amor e caridade. Na varanda em frente ao cômodo onde são feitos os atendimentos, há um altar com um triângulo de madeira na parede, com aproximadamente 1 metro de altura, no qual fiéis encostam a testa ou colocam fotos, exames médicos e cartas.
Passando por uma pequena porta azul que leva à sala em formato de U onde são feitos os trabalhos, outro triângulo — este translúcido — está pregado na parede acima da cadeira em que João de Deus se encontra.
Dentro do grande salão onde ele faz os atendimentos públicos, um rádio alterna hinos católicos com canções sobre a Casa tocadas em moda de viola e, não raro, algumas músicas de Roberto Carlos.
Uma parte importante do tratamento oferecido na Casa de Dom Inácio são as pílulas de passiflora. Vendidas em frascos de 50 unidades, devem ser tomadas todos os dias pela manhã e pela tarde, de forma que cobram-se R$ 100 pelos dois frascos necessários para os 50 dias de tratamento. Na farmácia da Casa também são vendidos remédios que seriam indicados para emagrecimento, xarope e uma pomada para cicatrização.

Comments

Cerca de 3 mil brasileiros inscritos no Mais Médicos ainda não se apresentaram e prazo vence hoje

Cerca de 3.000 candidatos que se inscreveram no programa Mais Médicos ainda não se apresentaram nos municípios para os quais foram alocados. O prazo para que comecem a trabalhar termina nesta sexta (14). Foram abertas no total 8.517 vagas.

CADEIRA 2 

Os dados foram apresentados nesta quinta (13) para a comissão tripartite que acompanha o programa. Ela é composta por representantes dos municípios, dos estados e da União.

SUSPENSE 

Uma segunda questão aflige os gestores: boa parte dos mais de 4.000 médicos brasileiros que já se apresentaram no trabalho pode deixar os cargos a partir de março, quando começam as residências médicas do país.

OBA! 

O alto número de inscritos na primeira etapa do edital aberto para substituir os médicos cubanos chegou a entusiasmar Jair Bolsonaro. Ele chegou a dizer, no Twitter, que “quase 100% das vagas [dos cubanos] já foram preenchidas por brasileiros”.

OPS! 

Até agora, 60% delas foram de fato preenchidas.
MÔNICA BERGAMO

Comments

Milicianos mataram Marielle Franco por causa de terras, diz general

Entrevista com secretário da segurança pública do Rio, Richard Nunes em seu gabinete no centro da cidade
Entrevista com secretário da segurança pública do Rio, Richard Nunes em seu gabinete no centro da cidade Foto: Fabio Motta

 
A vereadora Marielle Franco (PSOL) foi morta porque milicianos acreditaram que ela podia atrapalhar os negócios ligados à grilagem de terras na zona oeste do Rio. O crime estava sendo planejado desde 2017, muito antes de o governo federal decidir decretar a intervenção federal no Rio. As revelações foram feitas pelo general Richard Nunes, secretário da Segurança Pública do Rio. Nunes, que assumiu a pasta no dia 27 de fevereiro, relatou os casos que encontrou na secretaria e diz que vários generais que vão assumir cargos na área no próximo ano procuraram o comando da intervenção no Rio para levar o modelo de gestão para outros Estados. Leia, a seguir, sua entrevista:
O senhor imaginava o tamanho do problema que encontraria aqui?
Imaginava. Primeiro porque sou do Rio e acompanhei a evolução do quadro da Segurança no Estado. Segundo, porque comandei a força de pacificação na Maré (ocupação militar de complexo de favelas, zona norte do Rio, de abril 2014 a junho de 2015), vendo de perto no nível tático, na ponta da linha, o que estava acontecendo no Estado e, depois, como comandante da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército) era um tema de estudo nosso. Não me surpreendeu, mas o fato de não me surpreender não significa que eu não tenha me deparado com ações que eu não imagina.
Dos R$ 1,2 bilhão enviados pelo governo federal, por enquanto o gabinete da intervenção conseguiu empenhar 39,06% do total ou R$ 468 milhões. Qual foi a dificuldade para se conseguir gastar esse dinheiro?
Esse é um aspecto fundamental do início da ação: compreender as restrições impostas pelo regime de recuperação fiscal; Isso não estava claro para ninguém. O regime de recuperação fiscal estabelecido em setembro de 2017 nos causou embaraço de todas ordem. Tanto que a verba federal alocada aqui teve de ser administrada por uma estrutura que não existia, que nós tivemos que criar. Ai foi uma luta contra o tempo. Em uma intervenção de curta duração, tivemos de montar esse processo ao mesmo tempo em que montávamos a estrutura para fazer as licitações. No âmbito da secretaria, colocamos em funcionamento o Fised, o Fundo Estadual de Segurança Pública e e Desenvolvimento Social. Ele é uma dádiva. São 5% dos royalties do petróleo. Neste ano, já superamos R$ 300 milhões e no próximo nossa expectativa é superar R$ 400 milhões.
Como estava frota da polícia quando o senhor chegou?
O índice de indisponibilidade era de 50%. Metade da frota sem condições de rodar e as últimas aquisições datando dos grandes eventos, coisa de cinco anos. A crise econômica que se abateu sobre o Rio provocou dois efeitos graves: o atraso de pagamento de salário e o Estado deixar de honrar contratos, como o de manutenção. Os carros iam enguiçado e sendo encostados. Tinha batalhão com menos de dez viaturas para rodar. O policiamento virou a pé com consequências gravíssimas para os indicadores de criminalidade. Não tínhamos ostensividade. Mesmo que tivesse policial não tinha viatura para transportá-lo.
O senhor tinha ideia disso quando assumiu?
Víamos a criminalidade se expandir e não víamos mais a polícia. A polícia desapareceu. A polícia estava a pé. E a desmotivação era completa. O quadro que encontramos em fevereiro era muito negativo. Com pagamentos atrasados – o 13.º só foi sair no final de abril –, sem equipamento, sem capacidade de mobilização, pois algumas verbas de premiação não eram pagas, como o regime adicional de serviço, no qual o policial trabalha na folga. Criou-se um descrédito, porque a crise econômica cria uma crise moral e as pessoas começam a deixar o interesse público em segundo plano. Era um salve-se quem puder. Tivemos de atacar fortemente isso aí, e foi na garganta, pois não tínhamos o que entregar. Era pegar o pessoal e dizer: acredite que vai melhorar. Nossa intervenção foi de gestão, de atrair os policiais com maior senso de liderança para os postos chaves. Hoje, a situação da frota não é a ideal, mas nós conseguimos fazer a entrega e comprar cerca de 2 mil viaturas. Isso com recursos do Estado. As com recursos federais tem mais 1,5 mil viaturas que devem chegar de um licitação de R$ 200 milhões (hoje a PM do Rio tem 3,5 mil viaturas e a Polícia Civil tem 1,3 mil viaturas). E também criamos uma estrutura logística para a manutenção.
O senhor considera que esse foi o principal efeito da intervenção?
Esse foi o grande diferencial dessa intervenção, o legado que acredito que vai ser apropriado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública. O general Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira virá aqui se reunir comigo e com o general Braga Netto; o (futuro) secretário de Segurança de São Paulo, o general João Camilo Pires de Campos, o futuro secretário do Paraná, general Luiz Carbonell, estiveram aqui conversando. Está havendo um interesse nas experiências da intervenção federal que possam ser úteis em outras partes do País. E o grande diferencial foi exatamente esse. Fizemos a intervenção com propósito muito mais de reestruturar os órgãos do que de tratarmos do dia a dia da criminalidade. Segurança Pública é muito absorvida pela temática da criminalidade, mas ela não é só isso. Nossa preocupação é que o legado da intervenção tenha prosseguimento. O maior risco que a gente corre aqui é a divisão da secretaria, como pretendido pelo novo governo. É como acabar com o Ministério da Defesa. Como acabar com essa estrutura e fazer a integração? Já deixei patente em várias reuniões. Eu e o general (interventor) Braga Netto, mas o tempo vai passando, e a gente vai ficando cada vez mais preocupado. Não adianta ficar pedindo GLO (operações de garantia da lei da ordem com emprego de tropa das Forças Armadas na segurança pública). Esse negócio de GLO virou uma panaceia.
Aliás, continua GLO depois do fim da intervenção?
Não. GLO morre com a intervenção, no dia 31 de dezembro.
O senhor é crítico do modelo das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs). Ele deve ser abandonado?
A minha crítica não é ao modelo em si, mas à maneira indiscriminada como ele foi empregado. Imaginar que em uma área de atuação de um batalhão existe uma organização comandada por um oficial inferior com efetivo superior ao do batalhão que não presta contas ao batalhão. Isso é um contrassenso. Há locais em que você pode ter uma polícia de proximidade dentro do conceito de pacificação perfeitamente e fazendo isso integrado ao batalhão da área. Não extinguimos as UPPs. Fizemos uma rearticulação. Sete delas deixaram de ser UPPs e passaram a ser companhias de batalhão, que é o caso da Cidade de Deus (favela na zona oeste do Rio). Ali não tem sentido fazer uma UPP. Como faz polícia de proximidade em uma área enorme daquela? É colocar no ombro da polícia uma responsabilidade maior do que ela pode assumir. E começa a dar errado, pois o policial se torna refém de uma estrutura montada no terreno inadequada para o enfrentamento daquela realidade. Imobiliza a polícia. Ela precisa ter dinamismo, deslocar-se no terreno, ter liberdade de ação. Determinadas UPPs se tornaram uma prisão para os policiais. Eles tinham de permanecer em bases sem a menor condição de fazer o patrulhamento daquela área. Foi um desperdício de recursos e daí a perda de credibilidade. Seria melhor preservar as UPPs naquelas iniciais para que elas se consolidassem. Porém, o interesse político falou mais alto e houve expansão das UPPs para outras áreas onde não havia condições de dar certo porque naquela época era uma marca positiva e trazia dividendos político-eleitorais. Tivemos de romper com isso e só a intervenção podia fazer isso. Pela autonomia política que desfrutamos a gente pode fazer esse movimento sem causar maiores comoções. O modelo UPP não está proscrito. Está sendo revisto e poderá funcionar em outras regiões do País.
General, o caso Marielle foi uma afronta à intervenção?
Não foi. O que entendo hoje é que os criminosos superestimaram o papel que a vereadora poderia desempenhar. Era um crime que já estava sendo planejado desde o final de 2017, antes da intervenção. Isso aí nós temos já; está claro na investigação. O que aconteceu foi o contrário. Os criminosos se deram conta da dimensão que tomou o crime por ter sido cometido na intervenção. Não podemos entender como afronta porque eu assumi em 27 de fevereiro. E dei posse ao comandante da PM no dia 14 de março, que foi o dia do crime. Estávamos iniciando um trabalho. E hoje com os dados de que dispomos de 19 volumes de investigação fica claro que se superestimou o papel que ela desempenhava.
Que papel?
Ela estava lidando em determinada área do Rio controlada por milicianos, onde interesses econômicos de toda ordem são colocados em jogo. No momento em que determinada liderança política, membro do legislativo, começa a questionar as relações que se estabelecem naquela comunidade, afeta os interesses daqueles grupos criminosos. É nesse ponto que a gente precisa chegar, provar essa tese, que está muito sólida. O que leva ao assassinato da vereadora e do motorista é essa percepção de que ela colocaria em risco naquelas áreas os interesses desses grupos criminosos.
Como ela colocaria em risco?
A milícia atua muito em cima da posse de terra e assim faz a exploração de todos os recursos. E há no Rio, na área oeste, na baixada de Jacarepaguá problemas graves de loteamento, de ocupação de terras. Essas áreas são complicadas.
A atuação dela seria de fazer…
Uma conscientização daquelas pessoas sobre a posse da terra. Isso causou instabilidade e é por aí que nós estamos caminhando. Mais do que isso eu não posso dizer.
Fonte: Blog do BG
 

Deixe uma resposta