PAZUELLO PASSARÁ POR PROCEDIMENTO DISCIPLINAR NO EXÉRCITO POR TER IDO AO ATO POLÍTICO SEM AUTORIZAÇÃO DO COMANDO

Exército decide abrir procedimento disciplinar contra Pazuello

Como general da ativa, ele só poderia ir ao ato com autorização do comando do exército, o que não ocorreu

Caio Junqueira

Por Caio Junqueira, CNN  

Atualizado 24 de maio de 2021 às 22:39

Exército decide abrir processo disciplinar sobre ida de Pazuello a ato

O Exército decidiu abrir um procedimento disciplinar contra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello por ter ido ao ato no Rio de Janeiro com o presidente Jair Bolsonaro. Como general da ativa, ele só poderia ir participar com autorização do comando do exército, o que não ocorreu.

A investigação irá avaliar se ele descumpriu o Regulamento Disciplinar do Exército, que prevê punição caso “manifeste-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária”.

Pazuello foi notificado pelo Exército Brasileiro ainda na noite desta segunda-feira (24) sobre a abertura da apuração. A ideia inicial era que o ex-ministro fosse informado pessoalmente pelo comandante do Exército, Paulo Sergio Nogueira, mas fontes das Forças Armadas informaram à CNN que ele não chegou a tempo do Rio de Janeiro.

Inicialmente pensou-se uma reunião pessoalmente entre Nogueira e Pazuello na manhã desta terça-feira (25), mas a reunião foi cancelada.

O episódio é mais uma demonstração da irritação do Alto Comando do Exército com Pazuello. Militares consideraram a participação dele no ato com Bolsonaro uma afronta e agora pressionam para que ele vá para a reserva.

O artigo 24 do Regimento prevê seis tipos de punição:
“I – a advertência;
II – o impedimento disciplinar;
III – a repreensão;
IV – a detenção disciplinar;
V – a prisão disciplinar; e
VI – o licenciamento e a exclusão a bem da disciplina.”

Pazuello será chamado a se manifestar e apresentar sua defesa. A expectativa é de que o procedimento dure até  30 dias.

Procurado pela CNN o ex-ministro da Saúde não retornou as ligações.

Pressão por aposentadoria

O Alto Comando do Exército vai pressionar Eduardo Pazuello a pedir aposentadoria e, caso ele resista, debaterá alternativas para forçar o ex-ministro da Saúde a deixar a instituição. A situação interna, segundo generais, nunca esteve tão ruim.

Em conversa com Pazuello após o ato de domingo, o comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira, orientou-o a ir para reserva. A solução é considerada pela força a mais diplomática, pois agradaria ao Alto Comando que poderia atenuar sua punição por ter ido ao ato com Bolsonaro. Pazuello, porém, resiste à ideia. Generais continuarão a debater essa possibilidade com ele.

Caso ele mantenha a resistência, alternativas estão sendo avaliadas pelo Exército. Uma delas é a promoção de oficiais generais de turmas mais novas, o que automaticamente o levaria à reserva. Outra é uma punição tão severa pela ida ao ato que o force a pedir aposentadoria.

Ato no Rio de Janeiro

O general Eduardo Pazuello esteve, sem máscara, em um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro, também sem máscara, neste domingo (23) no Rio de Janeiro. A participação aconteceu dias depois de o militar falar à CPI da Pandemia, no Senado.

O depoimento à comissão deveria ter acontecido no começo do mês, mas foi adiado em duas semanas depois de Pazuello ter contato com casos suspeitos de Covid-19. Ele chegou a enviar uma carta ao Exército pedindo o adiamento. O general também havia sido flagrado sem máscara em um shopping de Manaus.

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