PARTIDO DE NETANYAHU BUSCA ALIANÇAS PARA CONSEGUIR MAIORIA NO PARLAMENTO DE ISRAEL

Eleição em Israel: Netanyahu sai na frente, mas não garante maioria

Partido do atual primeiro-ministro deve ficar com cerca de 30 cadeiras no Parlamento, mas precisa de 61 para formar governo

INTERNACIONAL

Da AFP

Partido de Netanyahu busca alianças para conseguir maioria no Parlamento de Israel

EMMANUEL DUNAND / AFP

Os israelenses aguardam os resultados definitivos das eleições legislativas, a quarta em dois anos, para saber se a balança inclina para o lado de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo da história do país, ou de seu principal rival, Yair Lapid.

Na terça-feira (23) à noite, Netanyahu proclamou uma “vitória imensa” da direita nas urnas. Com 90% dos votos apurados, seu partido, o Likud, tem 30 cadeiras no Parlamento, seguido pelo Yesh Atid, de Lapid, com 17.

Aquele que foi o principal rival de Netanyahu há apenas alguns meses, Benny Gantz, com o qual formou um governo de união nacional que implodiu, conquistou apenas oito cadeiras.

Caso Netanyahu e Lapid se unam a seus aliados considerados lógicos, cada lado teria pouco mais de 50 deputados dos 120 no Kneset, o Parlamento israelense. Ou seja, nenhum deles chegaria aos 61 necessários para formar o governo.

Desta maneira, os olhares estão voltados para Naftali Bennett, cujo partido Yamina, que representa a direita radical, nacionalista e religiosa, conquistou sete cadeiras.

O ex-pupilo de Netanyahu – chefe de Governo desde 2009 – alimentou o mistério durante toda a campanha e até agora não se sabe se participaria em uma coalizão com “Bibi”, apelido do primeiro-ministro, ou contra ele, para afastá-lo do poder.

“Usarei o poder que vocês me deram para perseguir uma única ideia: o que é bom para Israel, o que é bom para todos os cidadãos de Israel”, disse Bennett em um discurso na terça-feira.

No domingo, ele compareceu a um programa de televisão e assinou uma declaração na qual se comprometeu a não participar de um governo liderado por Lapid, desde que Netanyahu não se alie ao deputado Mansour Abbas, que saiu da coalizão de partidos árabes e disputou as eleições de modo solitário.

Este político se declarou disposto a trabalhar com Netanyahu, o que provocou muitas críticas da comunidade de palestinos de Israel, que representam 20% da população.

Em Israel, os partidos devem obter no mínimo 3,25% dos votos nas eleições para conseguir entrar no Parlamento. Este percentual de votos representa o mínimo de quatro deputados.

Cenários possíveis

O pequeno partido de Abbas, que na terça-feira parecia não ter conquistado nenhuma cadeira segundo as pesquisas de boca de urna, conseguiu a eleição de cinco deputados e isto muda tudo.

“Nós fomos dormir com um empate e não tenho ideia do que nos espera hoje ao acordar”, resumiu o colunista Ben Caspit no jornal Maariv: “Tudo depende dos resultados finais (…) e sobretudo de Naftali Bennett. Se ele realmente é a figura-chave do momento dramático que vivemos, não tenho inveja”.

Para outro analista, Yaron Deckel, provavelmente Bennett pressionará o primeiro-ministro antes de dar seu apoio.

“Terá problemas para explicar a seus eleitores por quê não se une a um governo de direita e prefere aliar-se a um de partidos de esquerda”, opinou. “Mas vai procurar Netanyahu com grandes exigências e Netanyahu terá que pagar o preço”.

Entre os cenários possíveis, Bennett poderia pedir para ser uma espécie de vice-primeiro-ministro, um posto que seria criado a sua medida. Netanyahu, acusado de “corrupção” em vários casos, deve enfrentar uma nova audiência com os juízes em 5 de abril.

“Bennett pensa que talvez se isto pesar muito, Netanyahu poderia se ausentar em algum momento e ele poderia atuar como primeiro-ministro”, afirmou Deckel.

“Caça”

Para conservar o posto, Netanyahu iniciou a “caça” de apoios em outros partidos.

“Vou falar com todos que compartilham nossos princípios. Não descartarei ninguém”, disse o chefe de Governo, que estenderá a mão a uma direita radical e religiosa. Ele também pode se ver obrigado a recorrer a forças políticas a princípio incompatíveis como Naftali Bennett e Mansour Abbas.

No complexo quebra-cabeças político em que 13 partidos vão dividir 120 cadeiras, o bloco liderado pelo centrista Lapid precisará dos apoios de pelo menos dois de três partidos: Yamina de Naftali Bennett, Raam de Mansour Abbas e a Lista Árabe Unida de Ayman Odeh.

A Comissão Eleitoral deve anunciar os resultados finais até sexta-feira (26), pouco antes do início da Páscoa judaica. Em seguida começarão as negociações entre partidos para formar a maioria e evitar algo que muitos israelenses temem: as quintas eleições.

Fonte: R7

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