PACIENTES TRANSPLANTADOS FAZEM PROTESTO DEVIDO A FALTA DE MEDICAMENTOS NO ESTADO

Por Julianne Barreto e Leonardo Erys, Inter TV Cabugi e G1 RN

 

Protesto aconteceu em frente à sede da Unicat, em Natal — Foto: CedidaProtesto aconteceu em frente à sede da Unicat, em Natal — Foto: Cedida

Os pacientes transplantados do Rio Grande do Norte têm sofrido com a falta de medicamentos nos últimos meses no estado. A reclamação deles é de que pelo menos desde novembro não há quantidade suficiente para atender a todos os que necessitam do remédio na rede pública.

Sem a normalização da situação, nesta sexta-feira (29), data em que estava prevista, mas foi adiada a chegada de um lote dos remédios, pacientes e familiares protestaram em frente à sede da Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), em Natal.

O remédio em falta é o Tacrolimo, nas dosagens de 1mg e 5 mg, que é fundamental para o bom funcionamento do órgão transplantado nos pacientes. Caso ele não seja tomado, há a possibilidade de o corpo reagir negativamente, rejeitando o órgão, e serem necessárias sessões de hemodiálise.

“O medicamento é de suma importância para a gente não rejeitar o nosso rim, mas infelizmente nós temos a resposta da Unicat que só vai chegar daqui para próxima semana. Mas a gente não tem como esperar a próxima semana”, reclamou a aposentada Patrícia Grace, que faz uso da medicação.

“Muita gente não pegou desde o mês passado. Mais ou menos desde o final de novembro que vem faltando essa medicação. Então não temos como esperar porque nosso rim não espera. Ele pode chegar a rejeitar, por falta de medicação. E aí, vamos parar na máquina de hemodiálise novamente, por falta de medicação?”.

De acordo com a Unicat, a aquisição da medicamento é de responsabilidade do Ministério da Saúde. “No momento o órgão está com dificuldade na aquisição deste componente desde o ano passado não consegue atender as necessidades dos estados”, disse em nota.

A Unicat prevê o recebimento de um novo lote do Tacrolimo 1 mg do Ministério da Saúde no próximo dia 5 de fevereiro. O de 5 mg “está com previsão de envio para os estados para o final de fevereiro”, segundo a unidade. A quantidade não foi informada.

Atualmente, o Rio Grande do Norte tem 657 pacientes cadastrados para receber o Tacrolimo 1 mg e 40 para receber o Tacrolimo 5 mg. O lote recebido na última semana (de 4 mil comprimidos), segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), foi suficiente para atender 100 pacientes.

Pacientes se preocupam

Assim como a aposentada Patrícia Grace, outras mais de 600 famílias no estado dependem desses medicamentos. E alguns deles já veem as cartelas acabando, como é o caso de Fernando Luiz de Lima, que mora em Jucurutu, no interior do RN.

Através de uma rede de apoio entre os transplantados, ele conseguiu alguns comprimidos emprestados de outro paciente, que tinha alguns sobrando. Mas a preocupação já toma conta para os próximos dias.

“Eu só tenho cinco envelopes. Estava previsto chegar no dia 29, agora está previsto para o dia 5. E aí como é que fica a nossa situação? Querem fazer nós voltarmos para hemodiálise? Ou então morrer e diminuir os transplantados?”, reclama ele.

“Cadê a responsabilidade? O negócio é sério, não é brincadeira. Estão lutando com ser humano, não é com bicho”.

Mas nem sempre é possível conseguir uma caixa de medicamentos emprestada com alguns outro transplantado, que também necessita fazer uso do remédio. É o que lembra o personal trainer Victor Araújo, que também participou do protesto nesta sexta-feira (29), por conta da mãe, que é transplantada renal há sete anos.

“O recebimento desses medicamentos tem sido com bastante transtorno desde dezembro, porque o pessoal da Unicat não tem recebido a quantidade certinha dos medicamentos, inclusive quando recebem, eles repassam de forma muita rápida e nem todos recebem. Acaba ficando gente sem medicamento. E quem recebe já tem a quantidade certa para tomar e infelizmente não pode estar doando”, diz.

Além disso, a possibilidade de comprar é praticamente nula pra maioria dos pacientes, já que o custo é muito alto. Segundo eles, em média, o Tacrolimo custa R$ 1 mil por caixa.

Quem também reclama é o autônomo João Maria, transplantado há seis anos.

“Eu posso chamar de negligência. Nenhum deles (gestores) passou por um processo de hemodiálise, que só sabe quem passa. Eu fiz 13 anos de hemodiálise e estou transplantado há seis. A gente está cobrando não é à toa. É um direito nosso que está adquirido pela Constituição Federal. A gente quer resposta sobre isso urgente. Não tem Tacrolimo e para mandar fazer é caro”, citou.

Fonte: G1 RN

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