MORRE  SENADOR MAJOR OLÍMPIO, DEFENSOR DA INSTAURAÇÃO DA CPI DA COVID-19

Morte de senador Major Olimpio aumenta pressão por CPI da Covid-19

Congresso acredita que postura do governo no combate à Covid-19 não mudará

Bárbara Baião, da CNN, em Brasília
Atualizado 18 de março de 2021 às 23:34
Major Olimpio em entrevista à CNN em maio de 2020

morte do senador Major Olimpio (PSL-SP), o terceiro parlamentar do Senado a morrer vítima da Covid-19, aumentou a pressão para a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a atuação do governo Jair Bolsonaro na condução da pandemia.

O parlamentar, que faleceu aos 58 anos nesta quinta-feira (18), defendia a instauração da comissão. A abertura da CPI foi tema do último discurso de Major Olimpio, antes de ser internado e morrer vítima do novo coronavírus.

“A morte de um senador da República por Covid-19 remete ao aumento da temperatura e da tensão no Congresso Nacional. Isso é indiscutível. Com certeza as cargas vão se voltar para poder se instalar essa CPI”, afirmou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), em entrevista à CNN.

A notícia da morte de Major Olimpio sustou os planos do presidente Jair Bolsonaro, que pretendia ir pessoalmente ao Congresso entregar a medida provisória que garante o retorno do auxílio emergencial, a despeito das medidas restritivas de circulação que as cúpulas da Câmara e do Senado adotaram em razão do agravamento da pandemia.

Comissão

Há pouca expectativa entre os parlamentares de que o governo Bolsonaro vá mudar a forma como conduz o combate à pandemia no Brasil. Mesmo lideranças alinhadas com o governo, que rejeitam a hipótese da CPI, articulam alternativas.

CNN apurou que essas lideranças pretendem criar um grupo de trabalho integrado também por representantes do Judiciário e do Ministério Público. Uma espécie de “estado maior”, que faria também a coordenação e trataria da logística da vacinação direto com governadores e prefeitos.

A criação do grupo foi incentivada pela insatisfação pela maneira como foi feita a troca no comando do Ministério da Saúde. Parlamentares queixam-se de não terem sido ouvidos na escolha do cardiologista Marcelo Queiroga e que avaliam que o novo ministro não promete mudanças em relação à gestão do general Eduardo Pazuello.

“É óbvio que a responsabilidade do distanciamento é fundamental. Termos um compromisso com a vida e a segurança da vida do próximo. Esperamos que todos possam compreender a gravidade que o Brasil vem enfrentando, para que possamos salvar vidas”, disse o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), à CNN.

Para os parlamentares da oposição, o foco das críticas não é a condução do Ministério da Saúde, mas a atuação do presidente Jair Bolsonaro.

“O problema não é o ministro da Saúde, é a condução do enfrentamento da pandemia. Estamos nesse atoleiro sanitário por conta da omissão e negacionismo do governo e do presidente na aquisição de vacinas”, afirmou o líder da oposição no senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Deixe uma resposta