LULA CLASSIFICOU A ELEIÇÃO DE ORTEGA MESMO COM CONCORRENTES PRESOS OU EXILADOS COMO “UMA GRANDE MANIFESTAÇÃO POPULAR DEMOCRÁTICA”

Entenda a relação de Lula e do PT com as “ditaduras de esquerda”

Ex-presidente e partido mantêm relações com países como Cuba, China, Venezuela, Coreia do Norte e Nicarágua

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

O então presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, sua ex-esposa, Dona Marisa, Jair Meneguelli, e o então presidente de Cuba, Fidel CastroO então presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, sua ex-esposa, Dona Marisa, Jair Meneguelli, e o então presidente de Cuba, Fidel CastroLUIZ PRADO/ESTADÃO CONTEÚDO

Ao responder sobre uma fala do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores disse ser “má-fé’ afirmar que ele teria dado apoio a “ditaduras de esquerda”. Lula minimizou a ditadura na Nicarágua, comparando o tempo em que o presidente de lá, Daniel Ortega, estava no poder com a chanceler alemã Angela Merkel.

Entretanto, o próprio PT celebrou a eleição de Ortega ao divulgar uma nota, em 8 de novembro, na qual classificou a eleição em que todos os concorrentes de Ortega estavam presos ou exilados, como “uma grande manifestação popular e democrática”.

Dois dias depois, o comunicado foi excluído do site do partido. A justificativa da presidente do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann, foi de que a nota não havia sido submetida à direção partidária.

“A posição do PT em relação a qualquer país é defesa da autodeterminação dos povos, contra interferência externa e respeito à democracia, por parte de governo e oposição. Nossa prioridade é debater o Brasil com o povo brasileiro”, disse Glesi à época.

Se de um lado a legenda afirma ter posição de “respeito à democracia”, o PT e Lula já apoiaram publicamente outras ditaduras de esquerda, como a de Cuba, China, Venezuela e Coreia do Norte. Relembre:

Cuba

A relação de Lula com a família Castro, que comandou a ilha caribenha durante décadas, sempre foi de muita proximidade. Fidel Castro, que foi líder de Cuba até 2008, e o ex-presidente brasileiro se conheceram em 1980, durante a comemoração do primeiro ano da Revolução Popular Sandinista, na Nicarágua.

Na morte de Fidel Castro, em 2016, Lula afirmou sentir sua morte “como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei.

Durante os protestos contra o governo cubano de julho deste ano, Lula disse que o movimento não tinha “nada de especial”, e saiu em defesa do atual presidente cubano Miguel Díaz-Canel, sucessor da família Castro, afirmando que ele estava “no meio do povo”, conversando com as pessoas.

Lula ainda disse que a ilha sofre há 60 anos com o bloqueio econômico dos Estados Unidos, pedindo ao presidente Joe Biden para “aproveitar esse momento” e encerrá-lo.

“Os americanos precisam parar com esse rancor. O bloqueio é uma forma de matar seres humanos que não estão em guerra”, disse à época.

“Se Cuba não tivesse um bloqueio, poderia ser uma Holanda. Tem um povo intelectualmente preparado, altamente educado. Mas Cuba não conseguiu nem comprar respiradores por causa de um bloqueio desumano dos EUA”, continuou.

Coreia do Norte

As relações entre o Brasil e a Coreia do Norte foram estabelecidas em 2001, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Entretanto, as relações bilaterais entre os países ficaram mais estreitas durante o governo de Lula.

Em 2006, os países assinaram um acordo comercial com o objetivo de intensificar e diversificar as relações comerciais bilaterais “em bases mutuamente vantajosas”. Em 2009 ainda houve a assinatura de protocolo adicional e a instalação da embaixada brasileira em Pyongyang.

Entre 2000 e 2015, o acordo comercial entre os países totalizou a movimentação de US$ 2,5 bilhões (R$ 14 bilhões na atual cotação).

China

Durante o governo de Lula, a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2012, durante o governo de Dilma Rousseff (PT), o país asiático também passou a ser o maior fornecedor de produtos importados.

Em entrevista à agência chinesa Xinhua, em 25 de março, Lula afirmou que o governo de Xi Jinping era um “exemplo de que é possível cuidar da população por meio de um governo sério e com responsabilidade para com seu povo”, referindo-se à pandemia da Covid-19.

Quando o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a China havia inventando o cornavírus, Lula saiu em defesa, declarando que a agressão estava “desqualificando nosso maior parceiro comercial.”

“No primeiro em que eu fui presidente o fluxo de comércio entre Brasil e China era de apenas US$ 6 bilhões, quando eu sai, em 2010, era de US$ 76 bilhões. Ou seja, cresceu 16x a relação comercial entre Brasil e China no meu período. A China é um país extremamente importante na relação com o Brasil”, declarou Lula em entrevista ao jornal chinês Guancha.

Lula ainda ressaltou na entrevista a forte relação do Partido Comunista Chinês com a população. “A China tem um partido, que é resultado da revolução de 1949 do Mao Tsé-Tung. A China tem poder, um estado forte que toma decisões e que as pessoas cumprem. Coisas que não temos no Brasil.

No último dia 22, a ex-presidente Dilma Rousseff também elogiou a China. “A China representa uma luz nessa situação de absoluta decadência e escuridão que é atravessada pelas sociedades ocidentais”, declarou a petista ocorreu durante lançamento do livro “China, o Socialismo do Século 21”, da Editora Boitempo.

Venezuela

As relações de Lula e do PT com a Venezuela sempre foram bem consolidadas, primeiro com ex-presidente Hugo Chavéz e posteriormente com Nicolás Maduro.

Após o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, houve um estremecimento, em que Maduro expulsou o então embaixador Ruy Pereira do país.

Neste ano, durante as eleições em novembro, o PT emitiu um comunicado saudando o pleito venezuelano. O PT afirma que “o processo eleitoral ocorreu em total respeito às regras democráticas e concedeu a vitória do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) em vinte estados, tendo a oposição vencido nos três restantes.”

E ainda desejou que o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos fosse rompido pela convivência pacífica e com união.

Durante a crise política venezuelana em 2019, quando o opositor Juan Guaidó declarou-se presidente interino do país, a presidente do PT Gleisi Hoffmann criticou o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump por reconhecerem Guaidó como mandatário.

Gleisi defendeu que Maduro havia sido eleito de forma democrática, em um processo eleitoral legítimo. Ainda disse que a posição dos governos brasileiro e norte-americano poderiam criar um efeito de instabilidade em toda a América Latina.

Em 2020, quando o então secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo fez uma visita a Roraima, Lula afirmou que o diplomata só visitou o Brasil para “provocar a Venezuela”.

“Gostemos dele ou não, a Venezuela tem um presidente eleito”, afirmou Lula, em uma entrevista à agência de notícias Reuters à época. “Os EUA precisam desistir dessa mania de querer ser o xerife do mundo.”

Deixe uma resposta