JORNALISTA RUSSO LANÇA LEILÃO DE PRÊMIO NOBEL PARA BENEFICIAR CRIANÇAS UCRANIANAS

Russo leiloa Prêmio Nobel com recorde de R$ 537 milhões para ajudar crianças ucranianas

Medalha com capa de ouro de 150 gramas vendida em Nova York será recebida por comprador anônimo

INTERNACIONAL 

ATUALIZADO EM 21/06/2022 – 10H54

Medalha do Prêmio Nobel e o jornalista russo Dmitri Muratov

DAVID ‘DEE’ DELGADO/REUTERS – MICHAEL M. SANTIAGO/AFP – 20.06.2022

O leilão da medalha do Prêmio Nobel lançado pelo jornalista russo Dmitri Muratov para beneficiar crianças ucranianas atingiu US$ 103,5 milhões (R$ 537 milhões), quebrando todos os recordes desse tipo de leilão.

Em venda organizada nesta segunda-feira (20) em Nova York, o editor-chefe do jornal investigativo independente Novaya Gazeta deu a um comprador anônimo a medalha de 196 gramas, que tem uma capa de ouro de 150 gramas, que obteve em conjunto com a jornalista filipina Maria Ressa “pelos seus esforços para salvaguardar a liberdade de expressão”.

O dinheiro arrecadado será destinado a um programa do Unicef para crianças ucranianas deslocadas pelo conflito e supera em muito os US$ 4,76 milhões que outra medalha Nobel alcançou em 2014.

“Muratov consultou o comitê do Nobel e recebeu permissão para apoiar sua decisão para que os lucros ajudem crianças e refugiados na Ucrânia”, disse Olav Njølstad, secretário do comitê que concede o prêmio.

“É um objetivo louvável. Só podemos felicitá-lo pelo resultado e torcer para que a ajuda chegue a quem mais precisa”, afirmou em email à AFP.

Em seus 120 anos de história, o Prêmio Nobel foi concedido a 975 indivíduos e organizações, recompensando carreiras em áreas como a promoção da paz, literatura, medicina, física, química e, desde 1968, economia.

Com o tempo, vários prêmios acabaram sendo leiloados pelos herdeiros, permitindo que uma dessas medalhas fosse conquistada sem ter sido distinguida com o reconhecimento por “um serviço à humanidade”.

O Nobel vendido por menos dinheiro em leilão foi o prêmio do francês Aristide Briand, distinguido em 1926 por seu papel na curta reconciliação entre França e Alemanha. Em 2008 foi adquirido por um museu e, sete anos depois, roubado por desconhecidos.

Há alguns anos, o apetite por essas medalhas começou a aumentar. Na última década, vários prêmios em física, química ou economia atingiram preços entre US$ 300 mil e US$ 400 mil.

Entre as medalhas do Prêmio Nobel da Paz, a do belga Auguste Beernaert, distinguido em 1909, chegou a US$ 661 mil, e o prêmio concedido ao argentino Carlos Saavedra Lamas em 1936 atingiu US$ 1,16 milhão.

Esse era o prêmio de medicina que detinha o recorde, mas o americano James Watson, um dos cientistas que descobriram a estrutura do DNA, arrecadou US$ 4,76 milhões em 2014.

Por outro lado, às vezes as expectativas de um leilão não são atendidas. A medalha concedida ao escritor americano William Faulkner, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1949, foi retirada de um leilão depois que ele não conseguiu arrecadar o meio milhão de dólares que seus herdeiros esperavam ao pôr a peça à venda em 2013.

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