IMPEACHMENT DE PRESIDENTE DO PERU PERDE FORÇA APÓS DIVISÃO DE OPOSIÇÃO

Oposição se divide e impeachment de presidente do Peru perde força

Votação na próxima sexta vai definir se processo pode seguir adiante, mas membros importantes da oposição temem uma crise política no país

INTERNACIONAL

por Reuters

Vizcarra é acusado de envolvimento com cantor investigado por corrupção

Uma tentativa liderada pela oposição no Congresso de remover o presidente do Peru, Martín Vizcarra, perdeu força neste domingo (13), depois que líderes políticos rejeitaram o impeachment por temerem que a revolta mergulhe o país em uma crise política.

César Acuña, chefe do segundo maior partido no Congresso e possível candidato nas eleições presidenciais de 2021, disse que uma derrubada “só poderia agravar” a situação atual do país, já frágil pelo impacto da crise do novo coronavírus.

O partido de Acuña deu votos importantes na sexta-feira passada para iniciar o processo de impeachment contra Vizcarra devido ao vazamento de áudios que, segundo legisladores, mostram o presidente tentando minimizar a relação que tem com um cantor que está sendo investigado por conta de contratos governamentais.

Votação decisiva na 6ª

Vizcarra, que acusa o Congresso de um complô, vai encarar os legisladores na sexta-feira, ocasião em que o impeachment exigirá 87 votos dos 130 legisladores. A votação para lançar o processo de derrubada do mandatário foi aprovada por 65 votos na sexta-feira passada, 21 dos quais vieram do grupo populista de direita, Alianza para el Progreso, de Cesar Acuña.

Vizcarra, um centrista que assumiu a presidência em 2018 após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, não tem representação no Congresso e não pode concorrer nas eleições do próximo ano devido aos limites constitucionais.

O país andino, segundo maior produtor mundial de cobre, há muito tempo é atormentado por turbulências políticas, com a maioria dos ex-presidentes recentes sendo investigados por corrupção. O próprio Vizcarra tem buscado uma agenda agressiva anticorrupção.

“Seria absolutamente desnecessário e impertinente forçar uma vacância presidencial por parte do Congresso”, tuitou Acuña, empresário que possui várias universidades privadas. “Isso só poderia agravar a crise política e de saúde em curso.”

Rivais de campanha

Outros nomes da política peruana, incluindo Keiko Fujimori, líder da terceira força no Congresso, e Julio Guzmán, do centrista Partido Roxo, se distanciaram da tentativa de impeachment e sugeriram que Vizcarra deveria ser investigado quando seu mandato terminar.

“Até hoje, não há elementos ou procedimentos necessários para derrubar o presidente”, disse Fujimori — ela mesma investigada por ter recebido contribuições da Odebrecht do Brasil na eleição anterior — no Twitter neste domingo.

O governo anunciou no sábado que usaria de todas as vias legais para defender Vizcarra e que apresentará uma ação de concorrência sobre o caso ao Tribunal Constitucional na segunda-feira para interromper o processo de impeachment.

Fonte: R7

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