ESTUDOS TEOLÓGICOS: O ENIGMÁTICO EVANGELHO DE SÃO TOMÉ

Estamos de volta com a nossa coluna ESTUDOS TEOLÓGICOS e desta vez vamos estudar em algumas edições o evangelho de São Tomé. Um dos muitos evangelhos apócrifos, ou seja, evangelhos que não fazem parte do cânon sagrado. Apenas 4 evangelhos fazem parte do cânon sagrado: Mateus, Marcos, Lucas e João. O Evangelho de São Tomé trás muitas revelações importantes que merecem estudo e reflexão. Então vamos a primeira parte desse enigmático evangelho!

Compreendendo o Evangelho de Tomé

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Compreendendo o Evangelho de Tomé

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na bíblia cristã o cânone do Novo Testamento é o conjunto de informações, que os cristãos consideram como inspirados por Deus.

Para a maioria das denominações cristãs, trata-se de uma lista de vinte e sete livros, dentre os quais estão os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, diversas epístolas e o Apocalipse.

No Concílio I de Nicéia acontecido entre 20 de maio e 25 do ano de julho de 325, foi promulgada a lei canônica em sua primeira forma. E de acordo com ela, aquelas escritas que para a fé cristã “não foram inspirados por Deus”, foram tidas como apócrifas.

Na tradição cristã os Quatro Evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João, são os autores atribuídos à criação dos quatro evangelhos do Novo Testamento e são aceitos oficialmente. E, os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), são assim denominados por conterem uma grande quantidade de histórias em comum, na mesma sequência, e algumas vezes utilizando exatamente a mesma estrutura de palavras.

O apócrifo de Tomé datado no século I d.C., é constituído por informações sobre Jesus, mas ele não é oficialmente considerado pela fé cristã.

Acima imagem de parte dos 114 ditos ou sentenças do Evangelho de Tomé, preservado em versão completa num manuscrito copta descoberto em Nag Hammadi/Egito. Estes ditos são semelhantes aos dos evangelhos canônicos de Mateus, Marcos, Lucas e João, mas alguns deles eram desconhecidos até a sua descoberta em 1945. Tomé como os outros evangelistas expõe seu texto de forma narrativa, mas não a organiza. Suas frases ou ditos são diálogos entre Jesus a seus discípulos de maneira breve e despidos de um contexto filosófico ou retórico (e não maquiados) – Imagem da Internet.

Tomé ou Tomás foi um dos doze apóstolos de Jesus. Em algumas passagens bíblicas ele é chamado de Dídimo. A presença de Tomé na bíblia está registrada nos quatro Evangelhos do Novo Testamento, além de constar no livro de Atos ao lado dos demais apóstolos.

Como o termo “dídimo” era um apelido, que transliterado tanto no grego quanto no hebraico tem o mesmo significado de “gêmeo”, daí a curiosidade histórica surgida sobre a família de Tomé.  Mas, não se sabe muito sobre sua biografia, portanto tem pouco conhecimento sobre sua vida pessoal, origem etc. Devido ao significado de seu nome, evidentemente ele era irmão gêmeo de alguém, porém não existe qualquer informação séria quem seria ele ou ela.

Na bíblia ele se mostra como sendo alguém de extremos, pessimista em sua condição de seguidor de Jesus e ao mesmo tempo possuidor de enorme devoção e comprometimento a ele, sujeitando-se até por ele morrer.

De acordo com a bíblia Tomé ao demonstrar dúvida e perguntar a Jesus: “Senhor, não sabemos para onde estás indo; como podemos conhecer o caminho”? (João 14:5), ele nesta pergunta e em outras, talvez não estivesse com o sentido de propriamente expressar dúvidas, mas ao contrário expressar inconsciente crença, que buscava cada vez mais ter certeza dela, alimentando-a desta forma.

De se clarear cada vez mais à sua maneira e, com ela cada vez mais também se convencer. Talvez ainda, nestes seus questionamentos estivessem refletindo o que pensavam os outros apóstolos.

Quando Jesus apareceu aos apóstolos depois de ressuscitado, Tomé não estava presente nesta ocasião, mas foi informado deste acontecimento (João 20:24,25), quando então deixou transparecer com sua característica personalidade movida pela sinceridade consigo mesmo, que aceitaria a ressureição de Jesus, se pudesse constata-la pessoalmente, tocando seus dedos nas marcas dos cravos que transfixaram suas mãos e na marca feita pela lança em seu peito.

Passados oito dias, os apóstolos estavam outra vez juntos e nesta ocasião Tomé estava presente. No recinto em que se achavam, as portas estavam fechadas porque tinham medo de seus perseguidores judeus. E, tal como antes Jesus apareceu no meio deles e como está no evangelho canônico de João 20:29, ele disse para Tomé: “Paz seja convosco! Mete o dedo nas feridas das minhas mãos, e a mão no meu lado. Não continues descrente. Acredita! ”…

Ao ler o evangelho apócrifo de Tomé e com ele interagir, sua leitura é mais viva, é mais presente. É percebida mais real sem possíveis maquiagens posteriores, que “ornam” nos evangelhos canônicos as informações e os aconselhamentos de Jesus. Na imagem acima “A incredulidade de São Tomé”, de Caravaggio – Imagem da Internet

Eusébio de Cesárea cita Orígenes, como quem afirma ter sido Tomé o apóstolo dos partos. Mas, ele é mais conhecido como missionário na Índia por meio dos Atos de Tomé, escrito em torno do ano 200. De acordo com a tradição oral Tomé chegou a Maliankara, próxima à vila de Moothakunnam, na região de Paravoor Thaluk, no ano de 52

Esse vilarejo está localizado a 5 km de Kodungallur, no Estado indiano de Querala, região onde estão as igrejas dedicadas a ele e popularmente conhecidas como Sete igrejas e meia.

Tomé propagou os conhecimentos adquiridos de Jesus. Foi perseguido, martirizado e morto à flechadas enquanto orava, na localidade indiana Chennai/Madras onde hoje fica a Catedral com seu nome e também onde é o suposto local de seu sepultamento. Ele é festejado pelos católicos no dia 3 de julho.

Basílica de São Tomé, em Chennai/Madras, Índia – Imagem da Internet

Abaixo as 114 sentenças (ditos) contidas no evangelho de Tomé, tidas como proferidas por Jesus de Nazaré e que colocadas neste texto em blocos de duas, às vezes de três, está logo depois de cada um deles, a compreensão dos mesmos escrita por este seu autor.

Este texto como seu próprio título indica, foi escrito pela percepção do autor com a essência do evangelho, ao procurar através de seu conteúdo interagir com sua mente e com seu coração, tentando nestas frequências entrar em sintonia com o significado do que disse Jesus e com a maneira pela qual se conduziu.

E, nestas frequências procurando “se aproximar” do que ele disse cerca de dois mil anos atrás, compreendeu Jesus de Nazaré um ser humano possuidor de imensa sabedoria, que refletia sua divindade no que dizia e fazia. Percebeu nele Luz Viva, iluminando com ela o sentido eterno do que é verdadeiro. Do que é a verdade, mesmo sendo hoje outra a forma de a expressar.

Fonte: Pegasus Portal

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