DISCURSO DE POSSE DO PREFEITO  DE NATAL ÁLVARO DIAS

Confira na íntegra o discurso do prefeito Álvaro Dias

Por Anna Ruth

Em Prefeitura De NatalSlideshow

02 jan 2021

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Autoridades,

Senhoras e senhores:

É hora de celebrar o recomeço, mesmo com a formalidade dos protocolos e cerimoniais, lembrando que o ato de posse, muitas vezes é o renegar do passado, mas aqui vai ser apenas a verbalização da esperança em um futuro tracejado pelas maos de quem mereceu a fé e a confiança do povo para conduzir seu destino.

É tempo de prosseguir abrindo novos caminhos para fazer Natal avançar. É hora de marchar em frente, na direção certa, conjugando em tom vigoroso o trabalho incansável e ininterrupto, com a certeza de que uma revolução positiva ecoa nos quatro cantos da cidade, no timbre de cada obra como expressão prática e como amplitude de princípios, conceitos e ações para melhorar a qualidade de vida de todos.

Ter recebido uma votação que representa muito mais que o dobro dos votos destinados aos outros treze candidatos que contra mim concorreram, me comove e me emociona. Por isso quero externar meu mais profundo sentimento de gratidão, a Deus e a Natal, pelo reconhecimento a nossa gestão e ao trabalho realizado, que se traduziu numa das maiores votações da história dessa cidade.

A voz do povo se fez ouvir claramente. O recado foi direto. Os números são inegáveis e indiscutíveis. A magnitude que eles carregam, já bastariam se fosse para exibir o pecado da soberba. Eles mostram que o povo sepultou de forma implacável, inexorável e esmagadora a velha política de insultos, desaforos, mentiras e ataques pessoais, que apenas visam denegrir a imagem e atingir a honra dos outros candidatos.

Agora precisamos interpretar o recado das urnas: foi-nos dito claramente que é possível fazer política sem cultivar o ódio e falando a verdade, respeitando o eleitor, apresentando obras e prestando contas do que foi realizado. Fizemos uma campanha limpa, propositiva, democrática e respeitosa.

A resposta veio nas urnas pela voz do povo e com o povo fazendo seu julgamento. Essa voz se pronunciou através de caminhos livres e democráticos com uma força que, antes de impor uma reflexão, impõe uma verdade traduzida em duas palavras: esperança e amor. Essa foi a mensagem das urnas, que o povo natalense quis enviar nessa eleição.

O povo, em sua sabedoria, tantas vezes silenciosa, expressou a materialização do reconhecimento da liberdade, da integração e do companheirismo. Esse mesmo povo desprezou o ódio e escolheu o trabalho, a fé, a esperança e o amor.

Engana-se quem nos imagina contagiado pela nociva soberba dos vitoriosos fugazes. A cada dia amanhece o sol que nos guia, conjugando a prática do verbo lutar para continuar uma luta que não deve parar. Não por nós, mas pelos excluídos, pelos anônimos, pelos mais pobres, pelos que não tem vez, nem voz.

Pensar na próxima geração e não na próxima eleição, pode ser apenas uma frase de efeito, ou não. Cabe a nós, partícipes dessa jornada e gestores, adotar essa frase como uma ideia, adotando políticas públicas nesse sentido, tornando verdadeira essa frase e esse trocadilho, preparando um novo caminho a ser trilhado pelas gerações do futuro.

Aqui faço questão de afirmar: serei um instrumento do povo naquilo que para ele é sagrado e fundamental: a oportunidade de viver. Precisamos fazer da política uma atividade nobre, por isso proponho aos natalenses a união de esforços, a soma do poder público com a sociedade civil organizada para diminuir as desigualdades sociais e para desenvolver o que for vital para Natal e sua gente.

Minhas senhoras e meus senhores:

Abrindo um pequeno parêntese, recordo agora, quando no dia 11 de abril de 2018 estive aqui, numa sessão especial como essa da Câmara Municipal, para assumir a prefeitura do Natal. Naquele instante eu disse que sabia da grande responsabilidade que pesava sobre meus ombros a partir daquele momento. Sabia dos grandes desafios que iria enfrentar. Da tarefa árdua e difícil que teria pela frente e a promessa que fiz foi a de fazer tudo que estivesse ao meu alcance, usar toda a inteligência que Deus me deu para tentar corresponder às expectativas e aos anseios do povo da cidade de Natal.

Na verdade, eu não sabia quão árdua seria a tarefa que eu teria pela frente. Não sabia nunca que iria enfrentar o maior desafio que qualquer gestor jamais enfrentou na história recente, que é a pandemia do coronavírus. O tempo histórico, diferente do que é ensinado nas escolas não respeita datas, nem se coaduna com o inesperado. Atravessamos um período sem precedentes para as gerações que habitam o planeta.

Um vírus surgiu do outro lado do mundo e se disseminou pelo globo, impondo separações e perdas de todas as ordens, transformando as vidas das pessoas e trazendo muita dor e sofrimento à população. Eu até pensei em não abordar esse assunto hoje, mas como dizia Miguel de Unamuno: as vezes silenciar é mentir. E para não silenciar nem mentir, vou relatar o que houve, ressaltando alguns fatos.

Quando o coronavírus chegou a Natal, imediatamente e com rapidez começou a se disseminar. Uma doença nova, desconhecida, não havia um tratamento específico e os casos começaram a se propagar numa velocidade espantosa. As UPAS, unidades de pronto atendimento, ficaram superlotadas. Ambulâncias nas calçadas, com pacientes contaminados pelo coronavirus, sem ter sequer um leito para ser ocupado por eles.

Isso nos trouxe angústia, aflição e sofrimento. Nós, conscientes da gravidade da situação, já que tanto na rede pública quanto na privada havia uma busca desenfreada por leitos para pacientes acometidos pelo coronavírus, entendemos que precisávamos tomar medidas urgentes para sanar, ou pelo menos amenizar a situação.

Fomos ao Tribunal Regional do Trabalho, solicitamos o Hotel Parque da Costeira, que estava para ir a leilão, expondo nosso pleito e a necessidade urgente de tomar uma medida enérgica para salvar vidas, tivemos nosso pleito atendido, e em tempo recorde equipamos, instalamos e colocamos em funcionamento o nosso hospital de campanha, com 100 leitos de enfermaria e 20 leitos de UTI.

Ao mesmo tempo, abrimos três Centros de Enfrentamernto ao Coronavirus, nos locais de maior incidência e contaminação de pessoas por essa doença, em Natal. Instalamos o primeiro Centro, no Ginásio Nélio Dias na Zona Norte, que estava com índices assustadores de pessoas contaminadas. Disponibilizamos medicamentos e médicos treinados, especializados para tratar o coronavírus.

Da mesma forma abrimos outro Centro de Enfrentamento na Zona Oeste, com a mesma infraestrutura, com médicos e medicamentos disponíveis para a população. E instalamos ainda um terceiro Centro no Palácio dos Esportes, paraatender a população de Mãe Luiza, Praia do Meio, Petrópolis, Tirol e adjacências.

Aliado a isso, equipamos 10 Unidades Básicas de Saúde do município, nas quais estabelecemos um horário estendido, com disponibilidade também de médicos e medicamentos, para atender a população atingida pelo coronavírus.

Com essas medidas, conseguimos amenizar a primeira onda da doença na cidade de Natal. Diminuíram bastante os índices de letalidade e o número de vítimas, assim como também de contaminação de pessoas, por essa doença nefasta, nociva e que tanto sofrimento trouxe a população da cidade de Natal.

A pandemia do coronavírus poderia simplesmente ter pulverizado, aniquilado e destruído um mandato, se na cadeira de prefeito estivesse por acaso quem temesse o confronto com o imponderável, a luta contra o imprevisível, o enfrentamento direto contra um mal fortuito, traiçoeiro e pernicioso.

Eu poderia ter me acomodado. Poderia ter feito o velho discurso da covardia e da transferência de responsabilidades para outras esferas de governo. Mas não fiz isso. Tirei a gravata, joguei de lado o paletó, que a essa altura de nada servia, e vesti o jaleco branco, que tantas vezes na brancura de sua cor, presenciou, juntamente conosco o desenvolvimento de muitas ações que salvaram vidas, em outros momentos, durante nossa existência.

E não tinha outro caminho, para quem fez o juramento de Hipócrates. Sobre a minha mesa, estava a terrível notícia da morte. A coragem e a responsabilidade de gestor, aliadas a vocação de salvar vidas como médico nos fizeram enfrentar a doença indo para as ruas, sem temer o mais covarde e perverso mal que atingiu a cidade de Natal, como atingiu o mundo todo.

Fui para a frente da luta, sem medo e sem tréguas. Instalamos e equipamos hospitais para combater o coronavírus, tudo em tempo recorde. Esses hospitais rapidamente ficaram prontos, atendendo a quem batia a sua porta, todas as horas do dia e da noite. Enfrentamos a peste com a ira santa de quem não temeu a fera, por mais feroz que ela pudesse vir a ser.

Fui a todos e a tudo, rompi fronteiras, quebrei normas, passei sobre protocolos formais, visitei hospitais, adentrei enfermarias e UTIs, tudo em nome da vida, e para que o natalense, rico ou pobre, conhecido ou anônimo, todos encontrassem a mão estendida, o remédio que apascenta a dor, e o amparo que derrota o medo do sofrimento e da morte.

Honrei o velho jaleco branco e o juramento de hipócrates, consciente do dever e da responsabilidade, como gestor e como médico. Nada pedi em troca. Não mercadejei. Não pratiquei o populismo torpe, explorando a dor dos que sofriam. Tenho minha consciência tranquila e o sentimento do dever cumprido.

Fizemos isso, sabendo que o profissional de saúde é um sacerdote da vida. Eu sei, porque como médico durante anos e anos, esse foi o meu dia a dia. Por isso, nessa pandemia, como em tantos outros momentos, vivi na prática o verso escrito pelo grande poeta Cazuza, que disse em determinado momento: “Eu vi a cara da morte, e ela estava viva”.

E muitas vezes pudemos ver a cara da morte nesta pandemia, em muitos maus momentos, tivemos de tomar decisões difíceis, enérgicas e corajosas e agimos. Porque a coragem não é virtude que se escolhe, nem que se tem quando se deseja ter. A coragem é destino permitido aos que não tem medo.

Aos fracos, não poderia ter sido dada essa missão. Porque a eles, estão destinados apenas a mera concessão vergonhosa, da omissão e da covardia. Olhando para trás e enxergando tudo que passei desde o início desta pandemia, posso afirmar sem medo de errar: a coragem não me faltou em nenhum momento, seja para encontrar caminhos ou para tomar decisões, por mais difíceis e complicadas que fossem.

O capítulo do hospital de campanha está fincado na história de Natal. Representou um marco e um divisor de águas, pelo tempo recorde que foi implantado, pela sua atuação na pandemia e pelas vidas que salvou. Ele transformou Natal num exemplo de eficiência para o Brasil inteiro. Foi um dos grandes resultados na nossa guerra contra a pandemia, mesmo com sangue, suor e lágrimas.

            Alguns podem me perguntar se a missão terminou. Podemos responder a esses, lembrando o que escreveu um dos grandes nomes da literatura mundial, o escritor americano Richard Bach que disse certa vez: “Eis um teste para saber se você terminou sua missão na Terra: Se você está vivo, ainda não terminou”.

Minha missão a partir desse primeiro de janeiro, não apenas não terminou, como estará renovada e recomeçando. Agora com um novo ciclo e um compromisso forte, de fé e de coragem, para fazer “Natal Avançar”.

Faço questão de lembrar aqui que os seres humanos são iguais. Isso está escrito na constituição, na bíblia e na declaração universal dos direitos humanos. Mesmo assim muita gente desconhece isso no nosso país, fazendo com que a vergonha do racismo continue a existir na nossa sociedade. Mais de 100 anos após o fim da escravidão, verificamos que ainda existe um verdadeiro abismo a separar brancos e negros no nosso país.

Temos uma dívida social impagável com os afrodescendentes no Brasil. A escravidão deixou de existir, mas não deram escolas, nem moradia, nem emprego para os escravos libertos.

Precisamos começar a resgatar essa dívida. Podemos dizer que estamos no País das desigualdades. Desde cedo conhecemos a riqueza dos engenhos e das plantações de cana de açúcar, mas conhecemos também os rigores e os sacrifícios da escravidão indígena e dos negros, que deixaram chagas e mazelas na nossa sociedade.

Entre os mais pobres, os negros são muitos. Dados divulgados no estudo das desigualdades sociais pelo IBGE, mostram que entre os dez por cento dos brasileiros com menor renda familiar mensal, em torno de 75 por cento são negros.

De acordo com dados estatísticos, sabemos também que o Brasil possui uma das maiores populações negras do mundo, ficando atrás apenas da Nigéria. E Natal vai procurar contribuir na nossa gestão para resgatar a dívida social que temos com os negros.

Para isso, estaremos elaborando e estaremos implementando políticas públicas direcionadas, destinadas a essa finalidade. Dentro desse contexto, vamos hoje anunciar hoje, a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Direitos Humanos e Minorias.

Natal nos próximos 4 anos será melhor no turismo, com a concretização de obras consideradas importantes e inadiáveis, como o novo mercado da redinha, que representará a união da história com a modernidade, criando um novo espaço de contemplação e de beleza, com imagens indescritíveis do rio, do mar e da ponte que une à praia do forte à redinha.

Ponta Negra será novamente nosso orgulho internacional porque vamos priorizar e fazer investimento significativos naquele local, já estamos fazendo. Vamos dotá-la de melhor infraestrutura, trazendo comodidade, segurança, conforto e mais beleza para aquela praia, que é um verdadeiro cartão postal da cidade de Natal.

Tenho um compromisso com a cidade e com o povo, precisamos gerar emprego e renda, precisamos reaquecer a economia e investir no turismo com responsabilidade, para superar a grande lacuna gerada pelo desaquecimento de mercado provocado pela pandemia do coronavírus.

Agradeço a todos que lutaram ao nosso lado, combatendo o bom combate. Agradeço as lideranças comunitárias, aos presidentes de conselho, aos candidatos a vereador, aos vereadores eleitos, que somaram conosco nessa luta, imbuídos no sentimento de fazer Natal avançar.

Agradeço ao povo de Natal mais uma vez. A todos, quero dizer que não esquecerei os gestos, a participação, e os momentos que estiveram ao nosso lado, em toda essa campanha política.

Agradeço aos meus familiares, que sabem como ninguém dos estresses, das noites de sono mal dormidas, das ausências e das dificuldades que enfrentamos. Mas como disse Simone de Beauvoir: “todas as vitórias ocultam uma abdicação”.

Quero somar minha esperança à esperança de todos os natalenses. Vamos plantar agora as flores do futuro, imorredouras, porque feitas de convicção e fé, de consciências livres e sem as amarras do retrocesso.

Natal em seu esplendor de belezas e vocações naturais, plural na sua essência, falou pelo coração de seu povo, ao decidir que hoje aqui estivéssemos, todos nós, num ato humano e solene para continuar a construir, edificar e compor o livro aberto da história dessa cidade.

            Para encerrar, quero lembrar Aristóteles que afirmou: “A esperança é o sonho do homem acordado”. Vamos sonhar acordado, levando Natal, essa cidade do sol, com o rio e o mar, com suas belezas naturais, com suas praias maravilhosas, que cantam e encantam para ser a cidade que sonhamos.

Muito obrigado a todos

ÁLVARO DIAS

Fonte: Política em Foco

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