DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL: O MEDO GERADO PELAS CRENÇAS LIMITANTES NOS IMPEDE DE CONHECERMOS A VERDADE

No texto Transcendendo as ilusões a seguir o autor fala da prisão em que vivemos nesse plano 3D, das crenças limitantes que nos impedem de crescer, evoluir e transcender para planos mais elevados, onde a liberdade impera e não há dor nem sofrimento. O medo gerado pelas nossas crenças limitantes nos aprisiona e nos impede de dar esse salto quântico. Portanto, convido você a ler o texto completo a seguir sair do mundo de ilusões para o mundo da verdade!

Transcendendo as ilusões

Nós não conhecemos a liberdade, portanto temos medo de deixá-la florescer; os seres humanos vivem nas trevas de uma prisão, e por isso têm medo da luz do sol que brilha fora das muralhas erigidas por suas próprias mentes, as muralhas da crença e do preconceito ‘

Clemice Petter*

Muita coisa tem sido dita e escrita a respeito da verdade. Muitas pessoas pensam que sabem o que significa viver uma vida espiritual, que sabem o modo, as “práticas” exigidas e o caminho para chegar à verdade. Facilmente esquecemos o que os ensinamentos têm assinalado; está nos Upanishades, foi dito por J. Krishnamurti e por H. P. Blavatsky: “Aqueles que dizem que sabem, não sabem.” A suposição de que sabemos pode ser a maior de todas as ilusões. Se considerarmos a história da humanidade, veremos que aqueles que pensavam que sabiam, que tinham certeza e que criaram fórmulas e moldes para a vida, e assim se colocaram na posição de ditar aos outros como viver, foram as pessoas que trouxeram miséria e corrupção.

Nossa estrutura social está construída sobre moldes de respostas prontas aos desafios da vida. Nossos sistemas educativos estão voltados a moldar a mente da criança numa direção preestabelecida. Pensamos que sabemos qual é o modo correto de vida, e assim, ensinamos aos nossos filhos a serem tão infelizes quanto nós. Nós não conhecemos a liberdade, portanto temos medo de deixá-la florescer; os seres humanos vivem nas trevas de uma prisão, e por isso têm medo da luz do sol que brilha fora das muralhas erigidas por suas próprias mentes, as muralhas da crença e do preconceito, as muralhas do “conhecimento”.

Pelo fato de termos sido moldados segundo um determinado padrão, pensamos que seguir um padrão é um modo de vida. Cada um tem sua própria fórmula a respeito do que os outros devem fazer ou ser. Certamente não aplicamos nossas teorias a nós mesmos, em nossa própria vida; mas queremos que os outros as apliquem em suas vidas. Temos certeza do que há de errado no mundo e de que sabemos como pode ser corrigido, mas somos impotentes no nosso próprio lar. Não sabemos como pôr fim às nossas tristezas, às nossas incertezas diárias e aos nossos medos profundos, nem sabemos como responder aos nossos filhos quando nos fazem as perguntas mais simples e mais inocentes. O fato é que não sabemos como nos relacionar, como vivermos juntos em harmonia e cooperação. Divisão e competição têm sido o modo de vida dos seres humanos neste planeta.

Sendo assim, o que realmente sabemos, e não o que pensamos que sabemos? Lemos muitas coisas em livros e ouvimos as conclusões a que as pessoas chegam, e, portanto, pensamos que sabemos. Quanto mais lemos, mais pensamos que sabemos. Quanto mais pensamos que sabemos, menos entendemos. O conhecimento fecha a porta à compreensão; isso é muito fácil de ver, se realmente quisermos olhar. Portanto, o grande inimigo da humanidade no atual estágio de ignorância é o conhecimento. Isso pode soar um tanto contraditório, mas não é, porque ignorante é aquele que não conhece a si próprio. Não importa quantos livros se tenha lido, se esses livros são sagrados ou mundanos, ou quantos títulos antecedem o nome da pessoa – se não tem autoconhecimento, o ser humano é um ignorante. Se a pessoa percebe o que está ocorrendo no mundo, verá que a atual estrutura social é o resultado da ignorância humana.

A ciência avançou tremendamente no último século, mas foi incapaz de resolver os nossos mais básicos problemas; pelo contrário, eles estão aumentando. Vivemos na era da informação – jamais anteriormente na história da humanidade tivemos tanto conhecimento – e, contudo, estamos enfrentando a maior de todas as crises. Sabemos muito, mas entendemos tão pouco… O conhecimento não está ajudando o ser humano a despertar a natureza humana  gentileza, compaixão e responsabilidade que permanece oculta. Para lidar com isso precisamos compreender a nós mesmos. O autoconhecimento é a chave que abre os portais desta prisão autoimposta, é o caminho para a liberdade, e essa liberdade é o libertar-se do “eu” e do “meu”. Sem liberdade, a aquisição incessante de conhecimento leva inevitavelmente à autodestruição, como podemos ver acontecendo bem diante dos nossos olhos: a insana destruição do meio ambiente, a poluição da água e do ar e o envenenamento deliberado do nosso próprio alimento. Estamos destruindo nosso próprio lar e somos incapazes de ver; consequentemente, não conseguimos mudar isso.

                                                                  Espírito cooperativo

Para ir além da ilusão, precisamos primeiramente entender o mundo por ela criado. O mundo no qual vivemos é um mundo que não conhece a compaixão, que está se tornando cada vez mais violento, brutal e competitivo. Existem aqueles que dizem que a competição é o caminho, que precisamos ser competitivos para progredir. Isso mostra apenas o quão pouco entendemos. Precisamos questionar o que chamamos de progresso e civilização. Ensinar às crianças nas escolas a serem competitivas é um crime contra a humanidade, pois a competição mata o espírito cooperativo; ensinar às crianças uma fórmula para a vida, dizendo-lhes o que devem sentir, como devem amar, é ainda pior. Dizer-lhes o que é o amor é matar a inocência e estupidificar a mente. A verdadeira educação é permitir à criança pensar por si mesma, e não lhe ensinar o que pensar. Até aqui não entendemos ainda este fato simples e óbvio.

Blavatsky nos advertiu a respeito da necessidade de se entender os modos e meios da mente, para não sermos escravos dela. Na primeira página de A Voz do Silêncio, ela escreveu: “A mente é a grande assassina do real. Que o discípulo mate o assassino.” Ela disse que devemos “buscar o rajá [rei] dos sentidos, o produtor de pensamento, aquele que desperta a ilusão.” Blavatsky escreveu isso há mais de cem anos; quantos realmente deram atenção a este ensinamento básico? Muito poucos, parece.

Krishnamurti viajou pelo mundo por mais de sessenta anos explicando, em centenas de locais diferentes, essas afirmações curtas e profundas feitas por Blavatsky. Quantos de nós somos capazes de lhe dar ouvidos? Nenhum instrutor antes de Krishnamurti foi tão profundo e explicou de modo tão detalhado o despertar das ilusões e os meios e modos da mente – a grande assassina do real. Mas, pelo fato de sua linguagem ser simples, de ele não se apresentar
como autoridade e nada prometer, poucos querem ouvi-lo.

Krishnamurti não alega que sabe, ele convida a viajar com ele, a descobrir por si próprio, caminhar juntos como amigos; e caminhar juntos é muito difícil para nós, porque estamos acostumados à autoridade. Nós adoramos autoridade estabelecida pela mente; somos incapazes de ver a natureza destrutiva da autoridade no reino psicológico.

Para ir além da ilusão precisamos sentir o impulso, sermos sérios e capazes de permanecer sós. Assim, a primeira coisa a compreender é a nossa própria ignorância; mais uma vez Blavatsky advertiu sobre isso. Gostamos de pensar que somos grandes e que sabemos. É a vaidade que nos cega; em vez de começar com o primeiro passo pensamos que podemos saltar até o último; em vez de começar a caminhar, pensamos que podemos começar com a chegada. Mas não existem atalhos ou milagres que possam nos fazer entender o mecanismo do nosso criador de ilusões, dessa máquina de pensar chamada mente. Isso pode parecer possível – afinal, a mente é perita em enganar.

      A chave da prisão

Não existe saída desta prisão autoimposta na qual os seres humanos vivem. O autoconhecimento é a chave, e isso foi esclarecido por Blavatsky mo prefácio de A Voz do Silêncio: “O Livro dos Preceitos Áureos – alguns dos quais são pré budistas, ao passo que outros pertencem a uma época posterior – contém uns noventa pequenos tratados distintos. Destes aprendi de cor, há muitos anos, trinta e nove. Para traduzir os outros, teria que recorrer a apontamentos
dispersos entre um número de papéis e notas, acumulados em vinte anos e nunca postos em ordem, demasiado grande para que a tarefa fosse fácil. Nem poderiam eles ser, todos, traduzidos e dados a um mundo demasia- do egoísta e aprisionado aos objeto dos sentidos, para que pudesse estar preparado a receber, com a devida atitude do espírito, uma moral tão elevada. Porque, a não ser que um homem se entregue perseverante ao cultivo do autoconhecimento, ele jamais dará, de bom grado, ouvidos a conselhos de tal natureza.” [itálico acrescentado]

Aqueles que estão estudando A Voz do Silêncio entendem que o autoconhecimento é o início, é o primeiro passo. Sem ele a pessoa é cega e surda em questões espirituais. Portanto, é totalmente inútil continuar lendo livros se não queremos assumir uma jornada interior que revelará as ilusões projetadas pela mente.

Muitos dizem que ir além da ilusão é apenas para poucos, que não é para todos; seria melhor dizer que é para aqueles que são sérios, para aqueles interessados na verdade, não importa o que aconteça. É para aqueles que não mais estão encantados com a doce canção das ilusões despertadas pelo desejo de conforto, seja físico ou psicológico. Assim, a
verdadeira dificuldade nesta questão é de quanto a pessoa está disposta a abrir mão, o quanto está disposta a considerar, a penetrar dentro de si mesma. Os Instrutores disseram que o “eu” é a ilusão primária. Intelectualmente sabemos disso, mas não conseguimos entender ou ver. Não conseguimos entender que esse “eu” seja criação da mente, e, enquanto não entendermos os modos e meios da mente, não conseguiremos ver as ilusões que são os seus subprodutos.

A mente é uma ferramenta cega destinada a ser usada pela inteligência. O problema é que os seres humanos transformaram uma ferramenta cega no rei supremo – um rei cego, adorado por ignorância. A ilusão de que existe inteligência na mente é criada pela falsa impressão de que, pelo fato de termos desenvolvido muita tecnologia, somos inteligentes. Mas tecnologia é basicamente o conhecimento do processo mecânico das coisas, enquanto a inteligência está muito além do mecânico.

Para a inteligência se concretizar é preciso desenvolver a mente e o coração; inteligência significa amor, compaixão e responsabilidade. Responsabilidade no sentido de poder responder – e para isso precisamos primeiramente ser capazes de ouvir. Para ouvir precisamos ser sensíveis; portanto, para a inteligência se concretizar, precisamos trabalhar muito. Não é uma tarefa fácil para uma mente preguiçosa, uma mente que foi colocada para dormir pelas crenças. A mente mecânica, sem a luz da inteligência, está propensa a criar cada vez mais miséria, como atualmente está acontecendo no mundo. nos dividiu em eu e você, meu país e seu país, é o que está destruindo a ca-
sa em que vivemos – a Terra. O poder dessa ilusão é tal que nos torna incapazes de ver que estamos destruindo o próprio ambiente no qual estamos nos desenvolvendo. Nos últimos cinquenta anos, em nome do que orgu-
lhosamente chamamos de progresso, destruímos o meio ambiente com uma velocidade inacreditável. Pensamos que somos inteligentes e civilizados, mas a realidade mostra o contrário; somos bárbaros, como éramos há dois mil anos ou mais. Temos que mudar agora, não no futuro, porque o comportamento humano tornou-se uma ameaça à vida no planeta.

Para transformar a sociedade, precisamos transformar a nós mesmos; isso é muito óbvio. Não podemos ter uma sociedade diferente com o mesmo tipo de mentalidade que criou essa desordem. Para trazer ordem ao mundo precisamos trazê-la a nós mesmos. Pensar que podemos ajudar a humanidade a se livrar dos pensa-
mentos, sentimentos e comportamentos desordenados e conflitantes é a mesma coisa que pensar que podemos limpar uma casa com um pano sujo e uma água suja.

Ir além da ilusão é pôr fim ao “eu”, o local de origem de toda a miséria e degeneração humana.

Fonte: SOPHIA • NOV/DEZ 2020

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