DEPOIS DE MANIFESTAÇÃO CONTRA BOLSONARO SEM GRANDE ADESÃO OPOSIÇÃO TERÁ DESAFIO DE SUPERAR RUSGAS

Manifestações com baixa adesão confirmam desafios da oposição a Bolsonaro

Movimentos e partidos que defendem o impeachment ou mesmo são apenas críticos ao presidente não conseguem unificar discurso e nem mobilizar grande parte da população

Wellington Ramalhoso

da CNN*

Depois de manifestações sem grande adesão popular em 18 capitais e no Distrito Federal neste domingo (12), as forças de oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) terão pela frente nas próximas semanas os desafios de superar rusgas e colocar grupos divergentes em sintonia para tentar mobilizar protestos maiores pelo impeachment do presidente.

Organizados pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e pelos grupos Vem Pra Rua e Livres, os atos deste domingo atraíram presidenciáveis de campos diferentes como os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Luiz Henrique Mandetta (DEM), mas partidos como PT e PSOL não participaram e se articulam com outros movimentos para um protesto pelo impeachment previsto para 2 de outubro.

Em meio a essa divisão, a mobilização popular ficou pelo caminho e não endossou pesquisas como a divulgada em julho pelo Datafolha – 54% se declararam a favor do processo de impeachment, mas as manifestações de 7 de setembro em apoio a Bolsonaro, apesar de terem tido uma adesão mais baixa do que o esperado, ainda foram superiores às da oposição neste domingo. Tomando São Paulo como exemplo, a Polícia Militar estimou cerca de 125 mil pessoas na Paulista a favor do governo, enquanto neste domingo apontou aproximadamente 6 mil presentes.

Só na última semana o mote foi trocado para “Fora Bolsonaro” em busca de uma ampliação da frente. A mudança não foi suficiente para atrair PT e PSOL. E apesar da alteração, o antigo slogan ainda foi exibido por manifestantes neste domingo. Na avenida Paulista, surgiu, inclusive, uma nova versão do Pixuleco, boneco inflável de Lula vestido de presidiário. Desta vez o boneco é duplo e tem Bolsonaro abraçado ao petista.

Para a próxima tentativa, o diálogo sobre o ato de 2 de outubro envolve, por enquanto, nove partidos: PT, PDT, PSB, PSOL, PCdoB, PV, Solidariedade, Rede e Cidadania.

O avanço do diálogo do MBL e do PSDB com o PT parece difícil. Em relação ao MBL, os petistas têm na memória a campanha pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e os duros ataques do grupo ao partido.

Pelo lado tucano, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, afirmou à CNN, na última quinta-feira (9), que a legenda não caminhará ao lado do PT. Além de superar expressivas fissuras, a oposição teria de encontrar o tom mais adequado para puxar manifestações.

Até o protesto do começo de outubro, o país verá a CPI da Pandemia se aproximar do fim. O relatório da comissão, que tende a consolidar denúncias contra o governo Bolsonaro, deve ser votado no dia 29.

Além das denúncias da CPI e da crise institucional, sobretudo com o Poder Judiciário, o governo se vê às voltas com problemas como a inflação em alta, o desemprego e os riscos da crise hídrica.

Por enquanto, o governo Bolsonaro desfruta do alívio que a declaração divulgada na última quinta-feira (9) trouxe. Depois de dizer em discurso no dia 7 que não cumpriria decisões judiciais do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a crise institucional se agravou com reações do Judiciário, do Legislativo e dos partidos.

Na quinta, o presidente Bolsonaro publicou uma carta em que disse não ter tido a intenção de agredir outros poderes. O gesto para tentar amenizar a crise contou com o apoio do ex-presidente Michel Temer (MDB), que colaborou na redação da carta e intermediou uma ligação telefônica entre o presidente e Moraes. De quebra, ajudou a ofuscar as articulações dos atos da oposição.

O governo também permanece com apoio suficiente na Câmara dos Deputados para impedir a abertura do processo de impeachment. As dezenas de pedidos da oposição estão paradas nas mãos do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

*Com informações de Iuri Pitta, Leandro Resende e Renata Agostini, da CNN

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