DE PONTA-CABEÇA: VALORES

A coluna DE PONTA-CABEÇA desta segunda-feira chama o leitor a uma REFLEXÃO no que diz respeito aos seus Valores. Que valor você dá às coisas? Que valor você dá a cada decisão que você toma? Boa leitura! 

Valores

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Qual a sua definição de caro? E de barato? O que vale a pena comprar e o que não vale? Onde vale a pena ir e onde não vale? Quando está valendo fazer uma viagem e quando não está? Alguma aquisição com arrependimento?

Como justificar que para algumas pessoas seja tão fácil tirar o dinheiro do bolso e, para outras, um verdadeiro sacrifício, mesmo quando há para gastar? Muito simples, não é? Quanto mais dinheiro alguém tem, menos valor essa pessoa atribui a ele e vice-versa. Correto?

Mas e quando uma mesma pessoa abre a mão para determinadas coisas e fecha para outras de mesmo valor comercial? Ah, mas, aí, é uma questão de necessidade! Se você não necessita, não tem por que comprar, certo?

A matemática do negócio 

Veja bem, nem tudo é uma questão de matemática básica ou financeira. O que gastamos e como gastamos tem tudo a ver com o valor que atribuímos ao dinheiro, mas não necessariamente tem tudo a ver com o quanto ganhamos.

Quantas vezes você não gastou mais que o orçamento e ficou preso a dívidas ou à reclusão para poupar ainda mais gastos? E por que isso ocorreu? Necessidade? Puro desejo? Mas e o que dizer quando o desejo é tão forte que se torna necessidade? Você saberia distinguir?

Café

Eu e o meu namorado somos loucos por café. Ele sempre tomou. Três, até quatro vezes por dia. Já, eu tomava uma vez por semana. Até que fui morar em uma das cidades do Brasil mais diversificadas em café e mais empenhadas em espalhar a cultura de apreciá-lo.

Passei a frequentar as cafeterias da cidade durante o meu tempo livre e descobri sabores incríveis. Que eu nunca poderia encontrar nas garrafas térmicas dos escritórios ou do refeitório.

Resolvi me aprofundar um pouco mais e fiz o curso de barista. Identifiquei as diferenças entre o café tradicional e o especial bem como entre as formas de preparo, que podem manter ou alterar a qualidade da bebida. Para mim, desfrutar de um café de alta qualidade é uma grande satisfação. Traz-me sentimentos de conforto e de nostalgia.

Gulp gulp

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Sempre que posso, consumo café especial. Apenas quando posso. Porque se eu fosse tomar café especial todos os dias, com o salário que ganho, não conseguiria fazer outras coisas que aprecio igualmente, sem contrair dívidas. O importante é qualidade. Esse é o valor que atribuo ao café.

O meu namorado, que ganha quatro vezes o que eu ganho, não faz a menor questão de consumir esse tipo de café. Com o paladar bastante treinado para o tradicional, o especial possui o mesmo valor afetivo, no entanto, tendo valor comercial superior, para ele, não vale a pena. O importante é quantidade. Esse é o valor que ele atribui ao café.

Ou seja, quando saímos para tomar café especial, eu pago 10 e me sinto feliz, ele paga 10 e sente como se tivesse sido roubado. Já, quando saímos para tomar café tradicional, ele paga 3 e se sente feliz, eu pago 3 e sinto como se tivesse rasgado a nota de 2 e fundido a moeda de 1.

Refrigerante

O mesmo tipo de situação experimentei ao trabalhar em uma indústria de refrigerante regional. Estávamos constantemente tentando inovar formulações e quando aplicávamos a análise sensorial, acontecia sempre a mesma coisa.

O pessoal que trabalhava há muitos anos com aquela bebida e que tinha o hábito de consumi-la, ao participar dos testes de preferência, optava sempre por ela. Mesmo quando as características da amostra teste se aproximavam daquelas das marcas mais vendidas no mundo.

A bebida tinha um valor sentimental para aquelas pessoas. Está na memória das suas células há muito tempo. Aquela bebida é o seu sustento e esteve presente nos momentos mais especiais de suas vidas: no aniversário dos seus filhos, nas festas de natal. E esse é o valor atribuído.

Outras coisas…

Minha mãe e minha irmã adoravam comprar sapatos. Sempre que podiam, gastavam R$ 200,00, R$ 300,00 em um par. Para mim, que saía menos que elas e, no trabalho, só podia usar bota de segurança, não fazia sentido ter tantos pares.

Portanto, o valor que eu atribuía aos sapatos era muito alto. Só comprava quando as solas de dois pares já estavam tão gastas que eu podia sentir as pontas de cada paralelepípedo de uma rua calçada. E ainda tentava fazer a aquisição apenas quando as lojas estavam em liquidação.

Por outro lado, tenho cabelo cacheado e difícil de domar. Como aprecio praticidade, defini que preciso de um profissional hair stylist extremamente habilidoso para cortar as minhas madeixas. E, como não existe almoço grátis, esse profissional quase sempre cobra valor comercial acima da média. R$ 210,00 é o que eu costumava pagar.

Para a minha mãe e a minha irmã, esse valor é estratosférico e jamais pagariam. Para mim, continua sendo estratosférico, porque tenho como base a minha renda, mas o resultado me faz sentir liberdade. Bem-estar. É esse o valor atribuído.

Você no jogo

E você? Quais são os seus valores? Que valor as coisas têm para você? É importante se fazer esse tipo de pergunta e entender quais as suas prioridades.

Decisões mal pensadas podem trazer muitas noites em claro e bastante olheira. E quando penso que, se eu chegar nesse estado, precisarei comprar maquiagem para disfarçar… Veja bem, eu atribuo um valor muito alto a cosméticos…

Autoria: Deborah Braga

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