CRÔNICAS: GUERRA E PAZ, UMA TRÉGUA NO NATAL

Nesta quinta-feira estamos estreando a coluna CRÔNICAS, aqui no Blog do Saber e o texto inaugural é de uma grande amiga chamada Ana Madalena, que adora escrever as coisas do cotidiano, do dia a dia com um olhar de otimismo, atentando sempre para o lado bom das experiências vividas por ela, pelos amigos, pelas pessoas em geral. Sempre tirando as boas lições de cada uma dessas experiências, pois é o que importa e que levamos nessa jornada. Então convido você a ler  o lindo conto adaptado por ela sobre “Um Natal de guerra e paz”, que vai deixar você simplesmente apaixonado(a) com a história, o exemplo e as lições enriquecedoras!

TBT Guerra e Paz: Uma Trégua no Natal [Musical de Natal 2019] - YouTube

Um Natal de guerra e paz

Por Ana Madalena
” A guerra é sempre uma derrota da humanidade”.
João Paulo II

A lenda

Era um povoado muito pobre, no meio do nada. O humilde sapateiro morava numa casinha que ficava numa esquina, de onde era possível ver outro pequeno povoado. Por ali passavam muitos viajantes que se perdiam durante a noite, quando o céu não tinha estrelas e tudo era escuridão.
Ele era um homem bondoso; o dinheiro ganho com dificuldade, era usado em alimento e velas. Sim, velas. Toda noite ele acendia uma vela na sua janela, criando um ponto de luz para os que por ali passassem. Era como se ele fosse um farol.
A guerra tão alardeada começou. A cidade ficou totalmente deserta e todos os rapazes que moravam nos arredores foram convocados. Dificilmente alguém passava por ali, mas mesmo assim, o sapateiro continuou acendendo velas, por muitos anos. As poucas pessoas do povoado, percebendo sua insistência, traduziram esse gesto como um ato de bondade e esperança. Na véspera do Natal todos decidiram acender uma vela nas suas casas. À meia noite os sinos da igreja começaram a tocar e veio a boa nova: a guerra tinha cessado. Todos acreditaram ser o milagre das velas! Desde então é tradição em quase todos os povos acender velas no Natal.

A História

A primeira Grande Guerra tinha começado há menos de seis meses. Nas trincheiras, os dias eram longos, frios e os ataques não paravam. Estava chegando o Natal e o Papa consciente dessa situação, propôs uma trégua  para os países envolvidos: “que as armas silenciem, enquanto os anjos cantem”. A resposta foi negativa; o Natal deveria ser cancelado para não atrapalhar o êxito da guerra.
A noite de Natal chegou. Às 20.30h o capitão do exército britânico deu três tiros para cima e ergueu uma bandeira com os dizeres “Merry Christmas”. Os alemães ergueram outra, onde estava escrito “Thank you”. Uma ventania muito forte começou e os ingleses puderam ouvir um alemão chamando-os com sotaque forte.
Os capitães de ambos os lados se levantaram para se encontrar no meio do caminho, um em direção ao outro. Apertaram as mãos e ouviram um caloroso aplauso de todos os soldados. Trocaram cigarros, bebidas e até montaram uma barbearia improvisada para cortes de cabelo. Por fim, puderam recolher seus mortos do campo de batalha, para velá-los em paz. A notícia da trégua se espalhou por toda Europa tornando-se um símbolo da esperança. De certa forma a guerra acabou no Natal de 1914, mesmo que por algumas horas…

A mensagem

Cada pessoa está vivendo uma guerra particular. Em comum, lutamos para eliminar o vírus que assola o mundo. Infelizmente existe a pandemia do egoísmo; pessoas que não se preocupam com o coletivo, que vivem na superfície da existência  O amor está ficando rarefeito. Ainda bem que existem muitos sapateiros e soldados que estão dispostos a mudar tudo isso. A vida pede por nós!
Autor: Ana Madalena

Este post tem um comentário

  1. Fátima Furtado

    Sou fã dessa escritora há anos! Amo a forma simples e clara como olha o cotidiano e passeia por ele em seus escritos. Parabéns!

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