CRÔNICAS: FAZ DE CONTA…POR ANA MADALENA

A coluna CRÔNICA desta quarta-feira tem mais um show de talento da nossa colaboradora Ana Madalena. Se normalmente já tem nos presenteado com histórias maravilhosas e inspiradoras, imagine só no dia do niver da sua netinha de dois anos, que por acaso é o dia do seu próprio aniversário. Então sai de baixo, senta ai e comece logo a ler mais um ‘Faz de conta’ da nossa cronista!

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Faz de conta…

Dois anos. Hoje uma menininha levanta dois dedinhos para dizer quantos anos está comemorando. Foi dificil convencê-la da mudança de idade; acostumou-se a responder “um” toda vez que eu fazia a pergunta. Eu também poderia  fazer essa mesma contagem para mim, uma vez que  nascemos no mesmo dia, sete de julho. Sim, poderia, mas não vou. São anos demais e ela só sabe contar, ainda, até vinte e três. Em inglês conta até “ten” e adora dizer as cores “blue” e “green”. Adoro comentar essas coisinhas da minha neta!
Maria Cecília nasceu numa madrugada de domingo, antecipando em algumas semanas a sua chegada. Eu, desde que minha filha ficara grávida e sabendo que nasceria em julho, comecei intimamente a torcer que ela nascesse no mesmo dia da “avó”, mas desisti da idéia; minha torcida iria contra a natureza, e eu não tinha  esse poder. Será?
Era um sábado, quase meia noite da virada do dia seis para o dia sete, quando cheguei à casa dos meus pais. Eles estavam sob minha “responsabilidade”, uma vez que minha irmã, o anjo da guarda deles, estava viajando e só retornaria na data provável para o nascimento da primeira sobrinha neta. Eu estava vindo de um jantar oferecido por amigas, disposta a dormir até tarde. No outro dia almoçaríamos todos juntos para comemorarmos.
À meia noite meu celular começou a tocar, eram meus filhos. Leo, que mora em São Paulo, estava reunido com amigos e, numa vídeo chamada, cantou parabéns. Mariana que chegara há pouco de uma festinha, fez também aquela folia! Aconselhei-a que tentasse descansar; há dias estava sem posição para dormir. A barriga, enorme, já pesava bastante. Nos despedimos, coloquei meu celular no silencioso, uma máscara nos olhos e dormi profundamente até umas duas da manhã quando acordei sem motivo e, por acaso, olhei o celular, que somava várias chamadas não atendidas de Mariana. Nessa hora, o telefone residencial tocou; sim, meus pais ainda têm um telefone fixo!
Meu genro ligou informando que já estavam no hospital e que minha neta estava para nascer. Como assim? A bolsa havia estourado! Por sorte, as malas estavam prontas e o hospital ficava a dois minutos de casa. Meus pais acordaram assustados, temendo algo grave, mas quando souberam da novidade ficaram com aquelas carinhas bobas de “nossa, somos bisavós”! Deixei o mais novo bisavô em casa ( os homens da família são fracos para hospitais) e segui com minha mãe; às 3:37h minha netinha nasceu, saudável, espertinha e linda, claro!
O hospital estava lotado. Sem acomodações, passamos o dia todo na sala de recuperação, com outras mães e seus bebês. Naquela madrugada nasceram seis! Alguém  comentou que a data era cabalística, que o dia sete, de todos os números, é o que mais vibra perfeição e quem nasce nesse dia tem grande espiritualidade, além de…Não escutei o restante da explicação; naquela hora, em meio às parturientes, em um ambiente gelado, foi que me dei conta que era meu aniversário e que eu ganhara de presente uma neta!
Maria Cecília, ou simplesmente Maria, como a chamamos, é uma menina maravilhosa. Como toda canceriana, é bastante emotiva. Adora ouvir música e “ler” seus livros, de longe sua diversão preferida. É vaidosa, ao ponto de, quando gosta de uma roupa, quer vestir sempre. Atualmente está encantada com seu vestido de São João! Há dois anos, quando nasceu, estava havendo um surto de sarampo na cidade e ela passou os primeiros meses em casa. Depois, quando as coisas acalmaram, ela pôde começar a ter uma “vida social”, frequentando escolinhas de natação e musicalização. Infelizmente, pouco depois chegou a pandemia e ela entrou noutro ciclo de isolamento.
Minha netinha ainda estranha o uso de máscara e, muitas vezes, ela puxa a do meu rosto, dizendo:
-Nāo, vovó! Axim não! Tira, tira!
Nossas brincadeiras exigem muitas “caras e bocas” e os olhos não dão conta de expressar tudo.
Estou encantada com a “voternidade”.  É uma delícia voltar a entrar no mundo do faz de conta!
Ana Madalena

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