CIÊNCIAS: O ACÚMULO DE PLÁSTICOS NOS OCEANOS ESTÁ GERANDO COMUNIDADES DE SERES MARINHOS EM SEU INTERIOR

Segundo estudo a poluição por plástico já é tão grave no Oceano Pacífico que plantas e animais marinhos formaram “comunidades” para sobreviver agrupadas em tanto lixo. O fenômeno foi detectado no Giro Subtropical do Pacífico Norte, localizado entre a Califórnia e o Havaí. Convido você a ler o artigo completo a seguir e conhecer como esse fenômeno aconteceu!

REDAÇÃO GALILEU

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Detritos de plástico com uma mistura de cracas costeiras (Foto: SERC/Marine Invasions Lab)Detritos de plástico com uma mistura de cracas costeiras (Foto: SERC/Marine Invasions Lab)

poluição por plástico já é tão grave no Oceano Pacífico que plantas e animais marinhos formaram “comunidades” para sobreviver agrupadas em tanto lixo. A situação preocupante foi descrita em uma pesquisa publicada no último dia 2 de dezembro, no jornal Nature Communications.
Segundo o estudo, espécies oceânicas e até mesmo aquelas que normalmente vivem nas áreas costeiras agora se acumulam no plástico mar adentro. O resultado são os agrupamentos caracterizados pelos cientistas como “neopelágicos”. O termo “neo” significa novo e “pelágico” refere-se ao oceano aberto, onde esses seres vivos se alojam.

Anika Albrecht do Ocean Voyages Institute, em uma expedição de 2020 coletando plástico no Oceano Pacífico (Foto: Ocean Voyages Institute 2020 Gyre Expedition)Anika Albrecht do Ocean Voyages Institute, em uma expedição de 2020 coletando plástico no Oceano Pacífico (Foto: Ocean Voyages Institute 2020 Gyre Expedition)

O fenômeno foi detectado no Giro Subtropical do Pacífico Norte, localizado entre a Califórnia e o Havaí. A região contém uma gigantesca concentração de detritos: cerca de 79 mil toneladas métricas de plástico flutuam em aproximadamente 1,6 milhão de km². A poluição é tanta que chamam o local de “Grande Mancha de Lixo do Pacífico”.

A líder do estudo, Linsey Haram, do Smithsonian Environmental Research Center (SERC), colaborou com o Ocean Voyages Institute, organização que coleta plástico em barcos à vela com baixa pegada de carbono. Jan Hafner e Nikolai Maximenko, coautores da pesquisa, por sua vez, montaram modelos estatísticos para prever onde esse lixo se acumularia.

Ao longo de 2020, a equipe coletou um recorde de 103 toneladas de plástico e outros detritos no Giro Subtropical do Pacífico Norte. No Laboratório de Invasões Marinhas do SERC, Haram analisou algumas amostras de lixo e encontrou nelas espécies costeiras, como anêmonas, hidroides (um tipo de cnidário) e anfípodes, pequenos crustáceos que se parecem com camarões.

A bióloga marinha Linsey Haram em laboratório no Centro de Pesquisa Ambiental Smithsonian durante a pandemia, analisando seres vivos em detritos de plástico (Foto: Luz Quiñones/SERC Marine Invasions Lab)A bióloga marinha Linsey Haram em laboratório no Centro de Pesquisa Ambiental Smithsonian durante a pandemia, analisando seres vivos em detritos de plástico (Foto: Luz Quiñones/SERC Marine Invasions Lab)

A existência dessa “comunidade” contendo criaturas da costa no meio do oceano foi uma surpresa. “O oceano aberto não era habitável para organismos costeiros até agora”, diz Gregory Ruiz, chefe do laboratório e coautor do estudo, em comunicado. “Em parte devido à limitação do habitat —  não havia plástico lá no passado —  e em parte, pensamos, porque era um deserto de comida”.

O plástico pode estar provendo justamente um habitat com alimento para as espécies. Os cientistas especulam que as criaturas costeiras podem achar comida de dois modos: ou elas já estão indo para pontos adequados na região ou, de alguma forma, o próprio lixo está agindo como um “recife”, que atrai fontes de alimentação.

Luz Quiñones, cientista do Laboratório de Invasões Marinhas do SERC, analisa uma mistura de organismos costeiros e organismos de oceano aberto (Foto: Smithsonian Institution)Luz Quiñones, cientista do Laboratório de Invasões Marinhas do SERC, analisa uma mistura de organismos costeiros e organismos de oceano aberto (Foto: Smithsonian Institution)

O problema é que essas espécies costeiras que se juntam aos aglomerados de plástico podem causar mudanças ecológicas nada favoráveis. “As espécies costeiras estão competindo diretamente com as oceânicas”, alerta Haram. “Elas estão competindo por espaço. Estão competindo por recursos. E essas interações são muito mal compreendidas”.

Os cientistas começaram a suspeitar que os seres da costa poderiam usar plástico no oceano em 2011, após um tsunami no Japão. Eles descobriram na ocasião que cerca de 300 espécies haviam navegado por todo o Pacífico em destroços ao longo de vários anos.

Ainda não se sabe o quão comum podem ser tais “comunidades” ou se elas existem fora do Giro Subtropical do Pacífico Norte. Porém, a tendência é que a poluição por plástico só aumente. A estimativa é que esse lixo acumulado no planeta chegue a mais de 25 bilhões de toneladas métricas até 2050 — e tempestades mais intensas fruto das mudanças climáticas podem levar essa sujeira cada vez mais ao mar.

Esta matéria faz parte da iniciativa #UmSóPlaneta, união de 19 marcas da Editora Globo, Edições Globo Condé Nast e CBN. Saiba mais em umsoplaneta.globo.com.

Fonte: Revista Galileu

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