CIÊNCIAS: MÚMIA DOADA A MUSEU POLONÊS DESDE 1826 É DE UMA MULHER GRÁVIDA

Uma múmia egípcia grávida é o destaque desta edição da coluna CIÊNCIAS desta primeira segunda-feira de 2022, aqui no Blog do Saber. A múmia doada à Universidade de Varsóvia em 1826 foi considerada um sacerdote do sexo masculino. Em 2016 pesquisadores poloneses, através de tomografia, computadorizada acabaram descobrindo que, na verdade,  a múmia era de uma mulher grávida, segundo o site do The New York Times. Convido você a ler o artigo completo a seguir e conhecer os detalhes dessa incrível história.

REDAÇÃO GALILEU

 ATUALIZADO EM 

Feto de múmia egípcia de 2 mil anos foi estudado por pesquisadores poloneses (Foto: Warsaw Mummy Project/Facebook/Reprodução)Feto de múmia egípcia de mais de 2 mil anos foi estudado por pesquisadores poloneses (Foto: Warsaw Mummy Project/Facebook/Reprodução)

O primeiro caso conhecido de uma múmia egípcia grávida foi registrado em abril de 2021 por pesquisadores poloneses. Em um novo estudo, publicado no Journal of Archaeological Science, no último dia 30 de dezembro, eles revelaram informações impressionantes sobre a preservação do feto.

Ao longo de décadas, a múmia doada à Universidade de Varsóvia em 1826 foi considerada um sacerdote do sexo masculino, mas acabou sendo revelada em 2016 como uma mulher grávida, segundo o site do The New York Times. A descoberta de tal fato ocorreu um ano antes durante um estudo abrangente de mais de 40 múmias no Museu Nacional de Varsóvia.

Um exame com imagens tomográficas mostrou que a mulher tinha entre 20 e 30 anos de idade quando morreu e estava na 26ª a 30ª semana de gravidez, de acordo com o site Heritage Daily.

A nova pesquisa indica que o feto permaneceu preservado por mais de 2 mil anos devido a um processo incomum de decomposição. Ele estava coberto por natrão, um mineral composto por carbonato de sódio hidratado e bicarbonato de sódio, além de pequenas quantidades de cloreto de sódio e sulfato de sódio.

Feto de mulher egípcia mumificada permaneceu preservado por mais de 2 mil anos devido a um processo incomum de decomposição. (Foto: Warsaw Mummy Project/Facebook/Reprodução)Feto de mulher egípcia mumificada permaneceu preservado por mais de 2 mil anos devido a um processo incomum de decomposição. (Foto: Warsaw Mummy Project/Facebook/Reprodução)

O feto permaneceu no útero, onde o Ph foi alterado por processos químicos relacionados à decomposição, que formaram ácido fórmico e outros compostos. A mudança do ambiente alcalino para ácido causou a descalcificação dos ossos daquele que poderia ser um futuro bebê.

Enquanto os ossos começaram a secar e se mineralizar, os tecidos moles do feto ainda ficaram perfeitamente preservados. Por isso, em radiografias e tomografias computadorizadas, os pesquisadores do projeto, Warsaw Mummy Project, observaram as ossadas muito dificilmente.

“Depois que uma pessoa morre, o ácido fórmico começa a ser liberado no sangue e o ambiente no corpo do falecido torna-se ácido. Um fenômeno semelhante ocorreu no ventre da senhora misteriosa”, explicaram os cientistas, em uma postagem no Facebook.

A múmia egípcia de uma mulher grávida que morreu quando tinha entre 20 e 30 anos de idade (Foto: Warsaw Mummy Project/Facebook/Reprodução)A múmia egípcia de uma mulher grávida que morreu quando tinha entre 20 e 30 anos de idade (Foto: Warsaw Mummy Project/Facebook/Reprodução)

A publicação informa ainda que os ossos de fetos já são pobremente mineralizados por natureza, especialmente antes do 7º mês de gravidez, quando eles se dissolvem em grande parte. “Mais tarde, quando o corpo da mãe foi embalsamado, o útero e o feto secaram”, diz o post.

A descoberta foi considerada única pelos pesquisadores, que continuam investigando o fenômeno sem precedentes. Eles planejam publicar mais artigos sobre a múmia grávida, que data por volta do século 1 a.C. Ela pertencia a uma mulher de alto status e estava envolta em linho e tecidos, acompanhada por um rico conjunto de amuletos.

Fonte: Revista Galileu

Deixe uma resposta