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OPINIÃO: GENERAL HELENO E O CONGRESSO CHANTAGISTA

Na OPINIÃO de Caio Coppolla o tal “presidencialismo de coalização” dos governos tucano, petista e emedebista e o toma-lá-da-cá acabou a partir de 2019 e deixou os tais parasita, carrapatos acostumados a serem maiores que o boi,  sem hospedeiro, com síndrome de abstinência. Por isso a reação pra lá de escandalosa sobre o: “nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente”, do General Heleno por ocasião de uma cerimônia oficial de hasteamento da bandeira nacional. Leia o irretocável artigo a seguir e conheça o lado sóbrio, equilibrado e isento desse imbróglio político.

General Heleno e o Congresso chantagista

General Heleno, Ministro do Gabinete de Segurança Institucional: flagrado em momento agudo de sinceridade

Por ocasião de uma cerimônia oficial de hasteamento da bandeira nacional, o General Heleno (Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, GSI) foi gravado durante o evento, em conversa privada, queixando-se do Parlamento a outros Ministros: “nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente”. A esse comentário, seguiu-se um sonoro xingamento.

Uma falta de respeito sem precedentes – nunca antes na história desse país

Coitados dos nossos parlamentares de notável saber e ilibada reputação.

Imagina insinuar que esses ínclitos deputados e senadores, essa comunhão de santos que ora e labora todos os dias pelo bem da nação, está chantageando o governo para obter mais dinheiro e poder.

A população de bem, que apoia os políticos e por eles se sente representada, está envergonhada com tantas palavras venenosas. Como o Ministro ousa sugerir a convocação do eleitor às ruas para pressionar seus eleitos? É fascismo!

É um escândalo. Onde já se viu xingar políticos em uma conversa entre colegas?

Ironia à parte, aquele que dessa forma nunca pecou, que atire a primeira crítica. Mesmo considerando que a liturgia do cargo obriga o Ministro a posturas em geral mais comedidas, trata-se de uma manifestação particular para uma audiência reservada. Desagradável, porque a verdade em estado muito cru tende a ser desconfortável… mas segue o jogo.

E o fato é que as salas de Brasília estão bem familiarizadas com linguagem de baixo calão – basta ver a postura indecorosa de Deputados da esquerda radical ao interpelarem Ministros de Estado em audiências públicas. O que realmente desestabilizou o alto clero do Congresso, não foi a forma grosseira da fala, mas o seu conteúdo verídico: a constatação da natureza “chantagista” de setores do Parlamento.

Chantagear é condicionar o seu próprio comportamento à obtenção de uma vantagem, geralmente injusta e/ou ilegal. A fala do General denota que o Congresso não é movido por interesse público, mas por interesse próprio. Se os congressistas estivessem de fato preocupados com o Brasil, atuariam sempre por convicção política, considerando a vontade popular, sem condicionar seu voto e sua pauta legislativa a benefícios e conveniências, de natureza lícita ou ilícita.

Peguemos o exemplo do Pacote AntiCrime, em sua versão original, submetido ao Congresso pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Essa legislação previa inovações como o confisco alargado de bens dos criminosos, o agravo de pena para crimes praticados com armas de fogo, o fim da progressão de regime para líderes de organizações criminosas e a criminalização do crime de caixa 2 eleitoral – todas essas medidas amplamente endossadas pela população e gestadas pelo Ministro mais popular do governo recém-eleito, Sérgio Moro. Atuar pela aprovação do Pacote AntiCrime era uma decisão que beirava a obviedade para qualquer parlamentar com um mínimo de espírito público. Mas o Congresso condicionou a aprovação dessas medidas a outras questões, de natureza diversa…

Por isso que nós observamos o fenômeno da Proposta de Emenda Constitucional do Orçamento Impositivo, que beneficiava diretamente os parlamentares, ser aprovada em poucas horas; ao passo que uma lei infraconstitucional, como o Pacote Anticrime, foi fatiada, engavetada por meses e desfigurada. Fica parecendo que se o governo não ceder muito aos caprichos legislativos, acaba perdendo na queda de braço. Porque no caso “hipotético” de um Congresso chantagista, a moeda de troca é o voto… e as vantagens pretendidas são cargos, influência política e verbas públicas.

Assim funcionava o tal “presidencialismo de coalização” dos governos tucano, petista e emedebista. A compra de apoio político no Congresso, por meio do loteamento de Ministérios, da distribuição de postos em empresas estatais, do repasse de verbas federais e do desvio de dinheiro público em esquemas de corrupção (como Mensalão e Petrolão). Esse toma-lá-da-cá acabou a partir de 2019 e deixou muito parasita sem hospedeiro, com síndrome de abstinência – e aqui estamos falando de carrapatos acostumados a serem maiores que o boi.

Só que o mais triste é observar que, na sua sanha insaciável por verbas públicas, os parlamentares contam com a condescendência de uma imprensa muitas vezes enviesada e maniqueísta, que enxerga, de um lado, um Congresso de anjos e do outro, um Governo de demônios.

Caio Coppolla
Editor do Boletim e comentarista político

Fonte: Boletim Coppolla

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OPINIÃO: A SAGA DE ZÉ GAIATO NO CARNAVAL INÚTIL E CRUEL

Nesta quinta-feira tenho o prazer de publicar na coluna OPINIÃO mais um artigo em forma de crônica/poesia do meu grande amigo Ricardo Paz, que mora em Brasília e é colaborador deste humilde Blog. Sempre muito consciente, crítico e de língua afiada faz uma autocrítica ao cidadão brasileiro travestido de Zé Gaiato numa cena bucólica de Carnaval. Leia o artigo completo a seguir e tire suas conclusões!

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CARNAVAL INÚTIL E CRUEL

Carnaval chegando, Zé Gaiato não vê a hora de cair nas folias! E nelas esquecer dos problemas e agonias. Das contas vencidas, salário curto, patrão exigente, emprego sem futuro e pensão atrasada. No Carnaval, Zé Gaiato não bebe para morrer, mas morre de beber. O álcool “despolui” a mente, também recheada de problemas do Brasil. Embriagado, ou “no grau”, Zé Gaiato foge deles como o diabo da cruz! Esquece da violência nas ruas, desemprego alto, economia fraca, cidades alagadas, casas afundadas morro abaixo, políticos vigaristas, crise moral, crise fiscal, professores maus pagos e desmoralizados, universitários emaconhados, saúde na UTI, carne cara, frango caro, peixe caro, ônibus caro, água cara, luz e gás nem se fala, ruas e calçadas esburacadas, traveco nos banheiros femininos, menino se beijando com menino, tarado estuprando e até matando, polícia prendendo bandido, e juíz imediatamente soltando, e por aí vai… Solto na beberronia, Zé Gaiato se esconde deste Brasil vivendo a fantasia de um palhaço que chora para ser feliz. Usando máscara, Zé Gaiato esconde a vergonha de brincar o Carnaval num país onde a vida proíbe até criança de brincar. Que bom que chegou o Carnaval, pensa Zé Gaiato. Mas, que triste que com ele vem também a quarta-feira de cinzas. E Zé Gaiato sente um profundo déjà vu e aperto no coração. Terá que se reencontrar com o Brasil. Essa aflição Zé Gaiato tem todo ano, desde quando aprendeu a sambar, pois o Brasil teima em não mudar. E dele Zé Gaiato não tem como escapar. Na quarta-feira de cinzas o folião terá mais contas a pagar ou nenhum dinheiro para recomeçar. Ele se arrepende, e, com baita ressaca moral, braveja: “como é inútil e cruel brincar o Carnaval!”.

Autor: Ricardo Paz
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OPINIÃO: O AUTODECLARADO SANTO LULA RECEBE BENÇÃO DO PAPA FRANCISCO

Na coluna OPINIÃO deste domingo trago mais um artigo brilhante do extraordinário Caio Coppolla. Desta vez ele fala da visita do ex-presidiário Lula da Silva, onde o autor ironiza metaforicamente chamando-o de São Lula em função da quase inacreditável cara de pau desse bandido inveterado que praticamente obrigou o Papa a recebê-lo como uma das suas ovelhas. Na coluna EDITORIAL entrarei em detalhes sobre esse assunto. Mas leia o artigo a seguir de Caio Coppolla e tire suas conclusões!

SÃO LULA VISITA O PAPA FRANCISCO

 

Papa Francisco abençoa Lula, o corrupto que se diz a “alma mais honesta do Brasil”. Foto: Reprodução/Twitter LulaOficial/Ricardo Stuckert

Ontem, no Vaticano, o Papa recebeu a visita de Lula, um corrupto condenado pela Justiça da vara criminal e solto pela (in)justiça do mais alto tribunal – embora nenhum ministro ouse afirmar sua inocência.

Segundo a conta do ilustre ex-presidiário no Twitter, o encontro teve como objetivo “conversar sobre um mundo mais justo e fraterno“. Um papo interessantíssimo, pois inconciliável com a biografia do notório visitante: num mundo mais justo, corruptos condenados deveriam responder por seus crimes no cárcere; e um mundo mais fraterno pressupõe que não se roube o próximo, como preconiza o 7º dos 10 mandamentos bíblicos.

Imagino que, em algum momento da interlocução, o Papa Francisco tenha tido o impulso misericordioso de expiar os pecados de Lula e conceder-lhe o divino perdão. Decerto, frustrou-se. Afinal, perdoar pressupõe o arrependimento do pecador, e não existe absolvição que não seja precedida de remorso.

Lula pode ser acusado de muita coisa (como de fato é!), mas jamais de demonstrar qualquer peso na consciência por seus delitos ou de se esforçar para repara-los. Mesmo figurando em múltiplos processos e condenações, todos amparados por vasto acervo probatório, Lula insiste em uma inocência imaginária, que desafia até a mais alienada das mentes militantes. Mitômano reconhecido, Lula só se esquece de um detalhe: ludibriar o Papa é possível, mas mentir para Deus está muito além do alcance humano (até para um expert na área, como é o caso).

Contudo, faltar com a verdade na Terra não constitui pecado capital. Isso fica por conta da vaidade, da presunção e da arrogância de Lula; e aqui estamos falando do pecado da soberba. Como esquecer as pérolas da “modéstia” do líder petista: Não tem, nesse país, uma viva alma mais honesta do que eu” – quanta generosidade ao falar das próprias virtudes e quanto orgulho de ser tão “humilde”.

Mas pra fechar essa breve nota, voltemos à reunião no Vaticano e analisemos o fato sob o prisma espiritual. Ainda que cândido e casto, o Papa foi mero coadjuvante nesse encontro etéreo; o protagonismo ficou com Lula, o corrupto que se fez santo por autodeclaração. Que Deus nos livre e tenha piedade de nós!

 

Fonte: 

Caio Coppolla
Editor do Boletim e comentarista político

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OPINIÃO: ENTENDA PORQUE SÓ O CAPITALISMO PODE SALVAR O MEIO AMBIENTE

Na nossa coluna OPINIÃO desta quinta-feira trago mais artigo exclusivo do publicado no Boletim Coppolla desta quarta-feira do jornalista Leandro Narloch, comentarista da CNN Brasil onde ele demonstra categoricamente que só o capitalismo moderno pode salvar a natureza. A seguir a nota do editor, Caio Coppolla sobre este brilhante artigo e depois leia o artigo completo e tire suas conclusões!

O estereótipo do “capitalista malvadão”, arqui-inimigo da natureza, é uma das maiores vitórias narrativas da esquerda e não condiz com a realidade dos fatos econômicos contemporâneos. O ecossocialismo capturou a agenda da preservação da natureza e deu à causa seu viés anticapitalista, divisionista e sectário. Exemplos desse discurso panfletário são abundantes:

Nas imensas plantações que alimentam o mundo, defensivos agrícolas, utilizados para manter cultivos saudáveis e viabilizar a agricultura em larga escala, são vilanizados como agrotóxicos cancerígenos – estranhamente, a qualidade e expectativa de vida aumentaram no mundo conforme a população incauta foi se envenenando. Já na Amazônia, queimadas sazonais ou para agricultura de subsistência são atribuídas ao agronegócio, tão demonizado pela elite intelectual urbana que ignora os rigorosos padrões de qualidade e sustentabilidade desse mercado exportador e competitivo. Climatologistas, incapazes de acertar com precisão a previsão do tempo da semana seguinte, tem certeza absoluta que mudanças climáticas (ou seria “aquecimento global”?) são essencialmente antropogênicas, causadas por atividade humana predatória – provavelmente fruto da ganância capitalista.

Neste Boletim especial, o artigo exclusivo do jornalista politicamente incorreto, Leandro Narloch, vai na contramão dessa narrativa ao pegar carona nos fatos. O autor, que é fundador da iniciativa www.instagram.com.br/ArvoreDoFuturo (plataforma que compila dados e informações sobre avanços ambientais no mundo desenvolvido), é categórico ao afirmar que só o capitalismo moderno pode salvar a natureza. Convido nossos Assinantes a desfrutarem dessa leitura incomum, que serve tanto como vacina pra cantilena ecossocialista, quanto como antídoto pra eco-chatice alienada.

Caio Coppolla
Editor do Boletim e comentarista político

SÓ O CAPITALISMO PODE SALVAR O MEIO AMBIENTE

Leandro Narloch, Jornalista, autor best seller, comentarista da CNN Brasil e fundador da @ArvoreDoFuturo 

O título acima pode soar absurdo – afinal, toda hora vemos pequenos garimpos ou grandes mineradoras causando tragédias ambientais, carros poluindo cidades, florestas sendo derrubadas para garantir lucros e consumo. Mas é isso mesmo: só o capitalismo pode garantir a preservação do meio ambiente.

Primeiro é preciso esclarecer: ao contrário do que ecossocialistas costumam dizer, não é exatamente o capitalismo que destrói a natureza. É a própria ação humana. Alteramos o meio ambiente muito antes de Adam Smith, James Watt ou David Ricardo existirem. Como qualquer outra espécie, dependemos de outras para sobreviver. Hoje ou na Idade da Pedra, o homem mata grandes animais para obter proteína, corta plantas para obter madeira e carboidratos.

Há milhares de anos, quando a revolução cognitiva do Neolítico nos levou para o topo da pirâmide alimentar, nos espalhamos como uma praga por ambientes que não estavam preparados para nos receber. A Austrália e a Nova Zelândia tinham centenas de espécies de megafauna que sobreviveram por milhões de anos. Quando os primeiros humanos chegaram ali, todas essas espécies desapareceram em poucos séculos.

É culpa do capitalismo? Só se o leitor considerar que já havia capitalismo entre os índios brasileiros ou quando os maoris chegaram à Nova Zelândia.

É verdade que a tecnologia e a produtividade criadas pelo capitalismo aumentaram esse potencial destrutivo. Mas também é verdade que o capitalismo criou o fenômeno contrário: a preocupação com a preservação da natureza. Só depois de um certo nível de prosperidade nos demos ao luxo de nos preocupar as florestas, a extinção dos animais, a qualidade da água e do ar.

Imagine, por exemplo, uma mãe perdida numa floresta com seus filhos, todos há dias sem comer. Se de repente ela tiver a oportunidade de caçar um macaco em extinção para evitar morrer de fome, eu aposto que não pensará duas vezes. Abaterá o bicho.  Mas, numa outra situação, se a família estiver de barriga cheia, com comida de sobra em casa e um bom dinheiro na conta bancária, poderá se dar ao luxo de poupar o pobre animal. E até gastar algum dinheiro apoiado um programa de preservação do mico-leão dourado ou do peixe-boi. A prosperidade não é só compatível: é necessária à preservação do meio ambiente.

Não à toa, a pauta ambiental é mais forte justamente nos países mais capitalistas e mais ricos. Nessas nações, grandes animais ameaçados estão se recuperando – é o caso de lobos, ursos e veados da Europa e da América do Norte. Já elefantes, rinocerontes e hipopótamos (quase todos de países pobres) ainda sofrem risco de extinção.

A inovação e a tecnologia têm ainda outra vantagem: nos tornam capazes de produzir mais utilizando menos recursos e causando menos impacto. Há 150 anos, quem quisesse desfrutar o luxo de ter uma fonte de luz artificial em casa precisaria abater um animal, cozinhar sua gordura e então montar velas. Outra opção era caçar uma baleia cachalote – cujo espermacete foi usado para velas com fumaça clara e sem cheiro. Hoje uma simples usina nuclear, sem emitir carbono na atmosfera, fornece energia para um país inteiro. E as baleias, que deixaram de ser fonte de energia, estão se recuperando em todo o mundo. Uma lata de refrigerante de 1994 utilizava seis vezes mais alumínio que as atuais. Em 1980, a produção de um quilo de milho exigia 18 metros quadrados de área: hoje, apenas 3 metros quadrados.

Por que isso aconteceu? Porque empresários, com o objetivo de lucrar o máximo possível, têm incentivos para reduzir a necessidade de matérias-primas, o custo do frete e extrair o máximo de suas áreas de cultivo.

Por causa desse aumento de eficiência, o mundo rico está, pela primeira vez na história, consumindo cada vez menos commodities e recursos naturais. Em 2015, os americanos consumiram 32% menos alumínio, 40% menos cobre e 15% menos aço que em 2000.

Certamente o sistema tem falhas – e as leis e a Justiça estão aí para punir quem polui. Mas isso não desmerece nem apaga as enormes vantagens ambientais que o capitalismo nos proporciona.

Autor:

Leandro Narloch(@lnarloch)
Jornalista, autor do Guia Politicamente Incorreto da História Brasileira e fundador da @ArvoreDoFuturo, plataforma que reúne dados e informações sobre os benefícios do capitalismo contemporâneo ao meio ambiente.

Fonte: Boletim Coppolla

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OPINIÃO: “SINTOMA” ARTIGO DE ADRILLES JORGE E OS EFEITOS NEFASTOS DA PEÇONHA IDEOLÓGICA

Caro(a) leitor(a),

Hoje, na nossa coluna OPINIÃO trago um artigo do genial poeta, escritor Adrilles Jorge, necessária voz plural nas manhãs radiofônicas, que publicou este artigo exclusivo para o Boletim Coppolla: “Sintoma” fala de um país vítima do veneno do discurso hegemônico – e dos efeitos nefastos da peçonha ideológica que castra a liberdade de pensamento e parasita a democracia que a viabiliza. 

Numa linha do tempo que remonta ao regime militar, Adrilles descreve a ascensão do ideário identitário e progressista, intolerante e monopolista desde a sua origem. Contudo, com o lirismo habitual, o poeta nos alerta para o pêndulo deste “sino”, que costuma badalar para os dois lados, produzindo o som inconfundível do pensamento único.

SINTOMA

Adrilles Jorge, escritor, poeta e comentarista. 

Sintoma. Um efeito físico, coletivo e visceral, de uma doença longamente não percebida no Brasil.

Sintoma. O Messias do avesso revelou-se antídoto para o veneno da certeza absoluta de uma leitura única da realidade que contaminou mídia e universidades brasileiras por décadas.

A doença teve sua origem em 1964.

Rechaçando a tentativa violenta de apropriação política por uma esquerda utópica, o que havia por aqui que se denominava direita tomou o poder a tapa. Uma direita tecnocrata, que eliminou o conservadorismo pensante. Uma direita burra, que produziu um milagre econômico ocasional e um abismo no pensamento nacional, reagindo – reacionariamente – ao avanço da percepção sobre a realidade no país.

A esquerda tomou este espaço. Universidades e mídia – verdadeiras expressões do poder – foram tomadas por stalinistas românticos autocráticos. O poder militar perdeu, sem saber o que perdia. Sintoma.

E a esquerda mudou. Largou seus princípios econômicos. Abandonou o proletariado, que a abandonara, abraçando as benesses trabalhistas do famigerado capitalismo. Abraçou e criou novos opressores: homens, brancos, heterossexuais, classe média… Nascia paulatinamente a esquerda identitária, o politicamente correto, o marxismo cultural – sintoma. Mundial. Adotado nesta aldeia tupiniquim.

A direita militar matou a direita. Foi a pior tortura que exerceu: ao pensamento liberal e conservador. Sobrou a esquerda identitária, ressuscitada após o fim da União Soviética e a queda do muro de Berlim, que denunciava o micropoder nas relações sociais, enquanto tomava (e comprava!) o poder absoluto das relações políticas. No ápice desse processo, Lula celebra o fato de não haver um único candidato de direita à presidência do país. A esquerda havia, enfim, controlado corações e mentes, numa ditadura ideal, talvez nunca sonhada por Stalin ou Lênin.

Mas o poder absoluto , como diz o clichê, corrompe absolutamente. Lula no poder foi sinônimo de corrupção, centenas de bilhões. O partido que jurou destruir a corrupção da direita inexistente, foi o mais corrupto da história da humanidade. E o povo começou a despertar. Parte dele. Muitos ainda ficaram presos às décadas de lavagem cerebral.

Sintoma. Além da corrupção criminosa, havia a corrupção sócio-ideológica. Ser chamado de fascista, racista e abusador pela esquerda identitária era comum para a classe média, pois o socialista, no poder, se via como vítima. Esquizofrênico. O poder absoluto que se faz de vítima para poder massacrar seus súditos, sem sofrer represália.

Sintoma: cansaço. O povo cansou. Cansou de quem o massacrava. Sintoma: Jair Messias Bolsonaro. O avesso. O anti politicamente correto, o anti-identitário, o antimarxista… o sem complexidade.

Qual o problema? A realidade é complexa. Mas e a sede de simplicidade? De perceber que quem rouba é ladrão?!

Sintoma. Efeito colateral. Mesmo a simplicidade tem seu gosto amargo. Destrói as nuanças da complexidade em nome da restauração da normalidade. Isso causa vítimas. A primeira delas talvez seja a liberdade de pensamento. De enxergar a realidade por um prisma maior. Hostes governistas reagem – reacionariamente – a outras formas de pensamento. Criam outro modo único de pensamento. Sintoma.

Tese, antítese, síntese. Dialética simples. Um pensamento que encontra seu contrário. Dos contrastes, nasce uma teoria que alcança um sentido mais amplo. Este é um princípio de liberdade: o diálogo. Talvez o cansaço dos extremos nos leve ao esboço de um 2020 que comece a nos libertar de décadas de autoritarismo – no Estado e em nossa psique. Esta minha sintomática esperança.

Adrilles Jorge (@AdrillesRJorge)
Escritor, poeta e comentarista

Fonte: 

Caio Coppolla
Editor do Boletim e comentarista político

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OPINIÃO: O CLARIVIDENTE GUILHERME FIUZA ANTECIPA A POLÍTICA EM 2020

TEXTO

Na coluna OPINIÃO desta quarta-feira trago mais um Boletim Coppolla, com o sarcástico jornalista Guilherme Fiuza fazendo troça da “moderna tendência do noticiário de fazer a realidade” insignificante. Coppola comenta o seguinte: Já que o jornalismo anda tão desapegado dos fatos, antecipar o futuro em alguns meses parece coerente com um ambiente midiático cada vez mais descolado da narração e atolado na narrativa. O texto do consagrado escritor, além de espirituoso e politicamente incorreto, é um convite à reflexão sobre o viés da (des)informação que alcança o grande público.

FURO DE REPORTAGEM: RETROSPECTIVA 2020

Guilherme Fiuza, jornalista “vidente”e autor best seller. Foto de acervo.

Num furo de reportagem que fura todas as previsões furadas, antecipamos com exclusividade a retrospectiva deste ano que mal começou. Pela primeira vez na história do jornalismo brasileiro, os principais acontecimentos do ano na política serão revelados com antecedência, consolidando a moderna tendência do noticiário de fazer a realidade se recolher à sua insignificância.

Veja a seguir como foi 2020:

Em janeiro você já sabe: o Fórum Econômico de Davos, também conhecido como Davos Fashion Week, foi um belíssimo desfile dos democratas de Instagram preocupadíssimos com a Terra – essa grife de ponta destinada a perfumar reputações medíocres e ONGs gulosas (em se panfletando tudo dá). Paulo Guedes foi lá explicar como se reconstrói uma sociedade esfolada pelo populismo, mas as manchetes destacaram o barraco ecológico que o zelador de girafas Al Gore armou para cima do ministro brasileiro. Muito mais importante.

Em fevereiro o presidente Bolsonaro afrontou a instituição do Carnaval por se recusar a desfilar no Sambódromo cantando a nova marchinha infantil de Caetano Veloso e Daniela Mercury contra o fascismo imaginário. A OAB denunciou o presidente ao STF por crime de responsabilidade – apontando o flagrante descumprimento do artigo 1º da Constituição: “Puxar incondicionalmente o saco das divas da MPB”.

Em maio os mortadelas foram às ruas e queimaram pneus contra o plano do governo Bolsonaro de transformar as universidades brasileiras em filiais do McDonald’s – conforme revelado pela Folha. Em comício emocionante, o ex-ministro da Educação e ex-suplente de presidiário, Fernando Haddad, prometeu que Lula será preso de novo para o Brasil voltar a ser feliz com a campanha Lula Livre.

Em julho a diplomacia brasileira teve sua grande derrota. Ela aconteceu nos Jogos Olímpicos do Japão, onde os Estados Unidos obtiveram muito mais medalhas que o Brasil – numa prova irrefutável de que Donald Trump traiu Bolsonaro. Batendo novo recorde olímpico, o noticiário sustentou essa tese por mais de 24 horas – mostrando que o bom jornalismo não se faz sem coragem e desinibição.

Em agosto o governo fascista do Brasil voltou a queimar a Amazônia, que tinha sido toda replantada por Leonardo DiCaprio, Armínio Fraga e Emmanuel Macron. Em setembro, na Assembleia Geral da ONU, Paulo Coelho declarou que não volta ao Brasil enquanto Bolsonaro for presidente – e enquanto qualquer outro for presidente, porque na Suíça tá tudo ótimo. Fernando Henrique aplaudiu de pé ao lado do embaixador Alexandre Frota.

Em outubro, os candidatos a prefeito que defenderam as reformas de Paulo Guedes e o pacote anticrime de Sergio Moro foram beneficiados por um golpe do WhatsApp, segundo o DataLula. Já os candidatos que defenderam o legado delinquente do Lula fizeram campanhas impecáveis.

Assim foi 2020. Deu para entender? Então não perca tempo: faça você mesmo a retrospectiva de 2021 – e revele com exclusividade antes do final de 2020. Quem sabe faz a hora.

Guilherme Fiuza (@GFiuza_Oficial)
Escritor best seller e jornalista

Fonte:

Caio Coppolla
Editor do Boletim e comentarista político

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OPINIÃO: O MAGISTRAL DESAFIO CONTRA O POPULISMO EM 2020, POR RENATA BARRETO

Na nossa coluna OPINIÃO deste domingo trago mais um artigo publicado no Boletim Coppolla. desta vez da economista Renata Barreto. Em nota o editor explica: Para a economista Renata Barreto, o maior desafio do Brasil em 2020 se dá no campo da narrativa: superar a mentalidade populista fomentada por décadas (e até hoje) por demagogos, cínicos e manipuladores das massas, que propagam a irresponsabilidade socialista envelopada em apelo emocional. Destaque para o uso da “empatia vazia”, aquela que não propõe solução viável, mas contra a qual se insurgir é sinônimo de desumanidade segundo a retórica progressista.

O combate a essas narrativas de fácil aceitação, porém de aplicação impossível, é tarefa para “aqueles que prezam pela liberdade, prosperidade e responsabilidade” e veem as políticas públicas sob o prisma da racionalidade, não das paixões inflamadas com propósito eleitoreiro e descompromisso com a realidade de médio e longo prazos. Mais matemática, menos proselitismo; mais lógica, menos conjecturas; mais liberdade econômica e menos Estado – já que o governo inchado é o meio pelo qual agentes populistas prometem (e às vezes até entregam!) aquilo que não poderiam, sem o consentimento das próximas gerações e às custas do futuro do país.

O MAGISTRAL DESAFIO CONTRA O POPULISMO EM 2020

Renata Barreto, economista. Foto: acervo pessoal.

2019 foi um ano de importantíssimas mudanças, com um giro de 180º graus na política e economia. Um ano que, apesar de conturbado, será lembrado historicamente como aquele em que a reforma da previdência – a mais importante (e também impopular) da década – foi aprovada.

A maneira de fazer política mudou. Quem não se adaptou à invasão das redes sociais e com como as opiniões não são mais moldadas apenas pela grande mídia, se perdeu no caminho. Até mesmo o Presidente da República e alguns de seus ministros se comunicam com o público através do Twitter, Facebook e Instagram. E embora muitas vezes se perca tempo com picuinhas ideológicas e bobagens randômicas, o que importa é que o eleitor agora busca muito mais a informação na fonte oficial e passou a acompanhar muito mais de perto a política e seus desdobramentos. O trabalho de deputados, vereadores, senadores e até mesmo do judiciário é analisado milimetricamente. O eleitor cobra vorazmente que as posturas de seus candidatos se mantenham as mesmas da campanha eleitoral e, em caso de decepção, passam a detratar o político considerado traidor, que talvez não volte a se eleger.

E qual será o maior desafio para o ano que bate à nossa porta? O mesmo desafio que sempre permeou os países da América Latina: o combate ao populismo. A mentalidade populista criada por anos de políticos de discursos fáceis e políticas econômicas desastrosas pode ser a ruína de um país inteiro. Vejamos o próprio Chile, país com PIB per capita 60% maior do que o brasileiro e o melhor IDH da América Latina. Foi tomado por grupos financiados pelo Foro de São Paulo (em especial Cuba e Venezuela), com protestos violentos que chegaram a culminar na morte de 20 pessoas, além de massiva depredação de patrimônio público, aplaudido pela esquerda brasileira. E por que?

Pergunte a qualquer esquerdista o que aconteceu no Chile. Ele dirá, categoricamente, que se trata de uma manifestação contra a desigualdade causada pelo liberalismo. E é claro que nenhum deles vai mencionar o fracasso econômico produzido pela socialista Michelle Bachelet desde 2014. Dizem também que a previdência chilena é desumana (e de novo, fruto do liberalismo cruel), mas recusam-se a sentar e fazer uma conta simples em que se conclui que é impossível se aposentar com mais do que os atuais 34% da renda se a contribuição for de apenas 10%. A conta não fecha, mas matemática e lógica são tidos como algo igualmente cruel e desumano para quem apela sempre para o conceito de empatia como resolução dos problemas da humanidade. O problema é que empatia vazia, aquela que não faz nada de construtivo para de fato ajudar em algo, é bonito de se dizer, mas totalmente inócuo como proposta.

O Brasil passa por uma transformação inusitada que, como esperado, é conturbada, polarizada e barulhenta. Como dito anteriormente, hoje as fontes de informação de muitos mudou da mídia tradicional e foi para as redes sociais. Não por acaso, partidos de esquerda sempre quiseram controlar a mídia, como se lia claramente na proposta do candidato petista derrotado nas eleições de 2018, Fernando Haddad. Mas quem acha que o Brasil está longe de seguir os passos do populismo está muito enganado. É preciso lutar diariamente contra as narrativas fáceis que induzem conclusões erradas e que fatalmente nos levarão ao pior resultado possível.

Vejam, por exemplo, a questão da desigualdade social. É tido como fato de que a desigualdade é um problema e contra ela devemos lutar. Porém o problema de verdade é a pobreza, algo que vêm sendo reduzido no mundo todo de maneira exponencial. É comum vermos matérias alarmistas de que nunca estivemos tão mal, mas a realidade dos números – a que realmente importa – nos conta uma história diferente. Nos anos 1960 a população vivendo em extrema pobreza era de assustadores 40%. Hoje, perto de 2020, temos cerca de 8% nessa situação, mesmo com um crescimento populacional de 140% no período. E como isso foi possível? Com geração de riquezas, não com políticas contra a desigualdade.

Esse simples exemplo, o qual daria um artigo inteiro, demonstra que a luta contra o populismo está nas pequenas coisas e deve ser feita todos os dias por aqueles que prezam pela liberdade, prosperidade e responsabilidade. O populismo é e sempre será um fantasma que ronda os países latino-americanos, justamente pelo tempo absurdo que políticos dessa natureza estiveram no poder. A mente populista sempre terá uma obsessão maluca por igualdade, uma paranoia sobre o “neoliberalismo”, um complexo exagerado de vítima, um desprezo pelas liberdades individuais, a crença de que toda a solução vem do Estado e uma distorção do conceito de democracia.

Como quebrar esse círculo vicioso? Do ponto de vista do eleitor, buscar eleger políticos que lutem pela redução do Estado, inclusive cobrando propostas de reforma política. Governantes não podem deixar o clamor popular os distanciarem das reformas necessárias, justamente porque o tempo é curto para que as medidas sejam sentidas pela população e estes possam entender que o que é estruturalmente bem feito tem mais efeito no longo prazo. A educação da população é o mais difícil e deve ser feito incansavelmente por todos os canais possíveis. Infelizmente, boa parte da mídia tradicional atua mais na desinformação do que na informação, mas essa ruptura sentida pelos grandes canais pode fazer as coisas mudarem de rumo, com o público consumindo cada vez menos esse tipo de informação. É preciso esclarecer, todos os dias, que dinheiro público é dinheiro de todos os pagadores de impostos, que as leis brasileiras de forma geral estão obsoletas, que é preciso flexibilizar as regulações trabalhistas, reduzir a carga tributária e fazer tudo mais o que for possível para criar mais liberdade econômica. Os números mostram que os países mais ricos e prósperos abusam da liberdade econômica e, consequentemente, entregam mais qualidade de vida, nível de educação e empregabilidade.

O populismo não pode voltar a vencer. E é dever de todos lutar contra ele.

Renata Barreto (@renataj.barreto)
Economista

Fonte: Boletim Coppolla

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OPINIÃO: A ALTERNÂNCIA DE PODER NO BRASIL, POR MODESTO CARVALHOSA

Caro(a) leitor(a),

É com muito prazer que passo a republicar aqui no Blog do Saber, na coluna OPINIÃO artigos do Boletim Coppolla. O jovem Caio Coppolla, talvez o mais competente comentarista político da atualidade. Profissional irretocável, de grande saber jurídico que sabe dar brilho, clareza e lucidez a todos os seus comentário transmitindo ao leitor e/ou telespectador a verdade como ela é. Hoje trago um artigo publicado em seu boletim de dos maiores juristas brasileiros de todos os tempos, o Doutor Modesto Carvalhosa, sobre a saudável alternância de poder no Brasil, pela primeira vez na república. A seguir a Nota do Editor (Caio Coppolla) e em seguida o artigo.

 

NOTA DO EDITOR

Caio Coppolla
Editor do Boletim e comentarista político

 

O presidencialismo de coalizão, modus operandi do governo federal nas últimas décadas, é uma afronta à separação dos poderes, tão cara a qualquer democracia. Quando o Executivo loteia suas atribuições, cargos e verbas, favorecendo lideranças do Legislativo, o sistema de freios e contrapesos da república é comprometido – quem deveria fiscalizar, se compromete como sócio; quem deveria mandar, fica refém.

O aspecto mais disruptivo da atual administração é, justamente, a quebra desse paradigma, sinalizado pela ausência de nomeações partidárias para ocupação de Ministérios (que também foram reduzidos em número de pastas, outra medida bem-vinda). Esta edição especial do Boletim traz considerações do professor e jurista Modesto Carvalhosa sobre essa novidade na política nacional: uma Presidência com maior controle e autonomia de gestão, e um Congresso que, embora ressentido de não gozar das benesses de outrora, se torna mais independente e fiscalizador.

FINALMENTE, A ALTERNÂNCIA DE PODER NO BRASIL

Modesto Carvalhosa, jurista, advogado e professor. Foto: Bruno Rizzo.

Em meio a tantas barbaridades praticadas contra a sociedade brasileira pelo Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional, em harmoniosa união para destruir instituições e pessoas que combatem a corrupção no país, esquecemos de um fato histórico, único, que ocorreu nas eleições de 2018: a alternância do poder político pela primeira vez na República brasileira.

Nos vários períodos em que tivemos ora democracia, ora ditadura, desde a República Velha até os dias atuais – e lá se vão 130 anos –, as oligarquias sempre se compuseram e estiveram unidas para dominar as instituições e repartir entre si o poder, suas benesses e seus privilégios.

Para não ir longe, basta observar os sucessivos governos desde a redemocratização em 1985. Sempre os mesmos grupelhos, representados por nossos execráveis “partidos políticos”, partilhando e se refestelando em benefícios, estatais, cargos de confiança (aos milhares), ministérios (às dezenas), verbas orçamentárias fabulosas e assim por diante. Do Centrão fisiológico à esquerda “revolucionária”, o objetivo era expropriar o que fosse possível dos cofres públicos, dividindo o mando deste fazendão chamado Brasil.

O distanciamento entre a sociedade civil e os intocáveis bandos no poder foi dramaticamente expandido durante os governos petistas, que aparelharam o Estado para a prática sistemática de crimes contra o erário. Esse sórdido mecanismo foi denunciado e escancarado pela Operação Lava Jato, com endosso entusiasmado do povo. E o apoio popular ao combate à corrupção se traduziu, nas eleições de 2018, na rejeição ao modus operandi da velha política e na demanda por um novo governo, que se libertasse dos métodos de loteamento do poder.

Aí que se deu a alternância! Pela primeira vez, ministros não são indicados por caciques políticos e cargos de confiança não são entregues aos seus rapinadores apaniguados. Não há mais uma “maioria” parlamentar comprada (a peso de ouro, com dinheiro público) para sustentação fisiológica do Governo. É por isso que as velhas raposas, agora afastadas do comando central, reagem para restaurar antigos e maus hábitos – que nos levaram a ser um país atrasado e inóspito para milhões de cidadãos torturados pela pobreza crônica e endêmica.

Nada mais auspicioso e bem-vindo que a alternância de poder, um primeiro passo democrático rumo a um Brasil mais próspero e civilizado.

Modesto Carvalhosa (@CarvalhosaMo)
Jurista, advogado e professor

Fonte: Boletim Coppolla

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OPINIÃO: EXPECTATIVAS PARA 2020 POR LUIZ FELIPE PONDÉ

Na coluna OPINIÃO desta sexta-feira trago a análise sempre fria e racional do grande filósofo atual Luiz Felipe Pondé que fala sobre as EXPECTATIVAS PARA 2020. Artigo publicado com exclusividade no Boletim Coppolla e que trás as impressões do próprio Coppolla sobre o destemido intelectual e polemista contumaz:

“Pondé argumenta que o governo não precisa de oposição, porque tropeça nas próprias pernas; alerta para os riscos de uma reorganização da esquerda a partir da soltura de seu corrupto de estimação; aponta que o vácuo de poder está sendo ocupado por um “semiparlamentarismo silencioso” (fisiológico, corporativista, oligárquico, elitista…); identifica na retomada econômica o fator-chave para a popularidade do presidente; e questiona – sem resistir a responder à própria pergunta! – se as redes sociais manterão sua vocação para serem vitrines do populismo”.

EXPECTATIVAS PARA 2020

1. O horizonte de 2020 se move, creio, ao redor de alguns eixos centrais. O primeiro é a recuperação econômica que se delineia. Um possível aprofundamento da resposta econômica, depois da devastação que o PT causou na economia, pode definir, em parte, 2020 na política. Terá Guedes o papel de salvar Bolsonaro? Sabemos que o bolso é o órgão mais sensível do homem. Mas, a economia dos índices guarda uma certa distância da economia das donas de casa. Há um tempo de espera entre o otimismo dos economistas e a ida ao supermercado. Entretanto, é possível que um aprofundamento da melhoria econômica lance Bolsonaro para uma curva ascendente. Um paciente na UTI, como a nossa economia, pode ficar apenas estável (índices miseráveis de melhora) sem animar os familiares que o acompanham.

2. Uma outra frente é em que medida Bolsonaro ficará de boca fechada e manterá sua malta ideológica calma. Como bem se falou ao longo de 2019, seu governo não precisou de oposição, essa veio dos seus filhos e assessores ideológicos mais fieis. Uma melhoria significativa na economia pode levar o país a ser governado (como alguns acham que já é) por um regime semi-parlamentarista silencioso feito pelos “adultos” de Brasília, enquanto Bolsonaro seria deixado com suas práticas de churrasco na varanda de casa levadas para o Planalto. O fator de risco “rainha da Inglaterra trans”, que apontei numa coluna no início de 2019, se revelou profético. Em 2020, esse fator de risco pode se normalizar.

3. Haverá uma oposição de fato em 2020? A esquerda, grosso modo, conseguirá se recuperar da humilhação de 2018? Todo vitorioso numa eleição sofre desgaste. Isso ajuda a oposição, em geral. Lula fora da cadeia, sendo ele o único guru da esquerda, pode ajudar a oposição se refazer. Este tema do Lula pode aumentar as tensões entre judiciário, legislativo e executivo. Os grupos que elegeram Bolsonaro, grande parte deles “apenas” antipetistas, teriam gás pra enfrentar o risco de uma onda de simpatia da população pelo velho populista sindicalista que a fez comprar “TV de cristal líquido”? Entendo que as bases que levaram e sustentam Bolsonaro em 2020 terão que voltar a carga. A esquerda, apesar de combalida, foi até recentemente a única frente política pós-ditadura organizada, e esse “hábito” pode reergue-la.

4. Nesse sentido as eleições pra prefeitura serão, como sempre é, um teste para as grandes eleições estaduais e federais. A péssima qualidade da articulação do governo Bolsonaro pode abrir um vácuo de recuperação da esquerda nos municípios e isso será um desafio em 2022. A base institucional-partidária de Bolsonaro tem se revelado amadora e incompetente. Tivesse ela enfrentando uma esquerda organizada, ela já teria sido reduzida a pó.

5. Surgirá uma alternativa de centro a onda Bolsonaro e ao “retorno do Lula”? Essa alternativa depende, entre outras coisas, de uma assimilação do possível sucesso econômico aos agentes do semi-parlamentarismo silencioso em curso. Depende também do quanto de absurdos que a comunicação do governo continuará a produzir e quanto sua sustentação nas redes sociais se revelarem consistentes ao longo do ano.

6. 2020 a 2022 será, em geral, um campo de aprofundamento do estudo do impacto das redes sociais na democracia e nas eleições. Políticos mais ao centro encontrarão formas de se comunicar numa ferramenta de vocação populistas como as redes sociais, seja de direita ou de esquerda? Ou a vocação a imaturidade populista vai continuar a se impor? Aposto nessa última alternativa.

Luiz Felipe Pondé, doutor em Filosofia, professor, escritor e colunista. Foto de divulgação.

Fonte: 

Caio Coppolla
Editor do Boletim e comentarista político

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OPINIÃO: MINISTRO DO STF QUE LIGA PRA SENADOR MERECE IMPEACHMENT

Na OPINIÃO do jornalista José Maria Trindade ministro do STF que liga para um senador – investigado ou não – por si só já é motivo de impeachment. Na minha humilde Opinião também. Não ter o Lava Toga é uma vergonha. Se esse fosse um país de vergonha assim seria!

Ministros do STF ligaram para senadores investigados pedindo ajuda na Lava Toga, segundo jornalista (veja o vídeo)

“O simples fato de um ministro do Supremo pegar o telefone e ligar para um senador – investigado ou não – […] isso já é motivo de impeachment”, disse José Maria Trindade.

Se confirmada a informação, trata-se de um escândalo sem precedentes.

A Lava Toga foi criada pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania – SE) com o objetivo de investigar ilicitos de membros de tribunais superiores, especialmente ministros do STF e STJ.

Confira o comentário na íntegra:

da Redação

Fonte: Jornal da Cidade On Line

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