ECONOMIA: BOLSONARO PROPÕE GOVERNADORES REDUZIREM O IMPOSTO ESTADUAL SOBRE OS COMBUSTÍVEIS

Em jogada de mestre, Bolsonaro coloca governadores em “saia justa” (veja o vídeo)

07/06/2022 às 17:28

Foto Reprodução/InternetFoto Reprodução/Internet

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta segunda-feira (6), em uma declaração à imprensa, uma proposta para reduzir os impostos estaduais sobre os combustíveis em troca do ressarcimento da perda de receita com recursos federais.

A ideia é aprovar uma proposta de emenda constitucional (PEC) que autorize os estados a zerarem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incidem sobre o óleo diesel e o gás de cozinha (GLP).

Ao fazerem isso, os governos estaduais contariam com uma compensação financeira equivalente à receita que deixaria de ser arrecadada.

“Nós zeramos o PIS/Cofins [imposto federal] desde o ano passado e desde que os senhores governadores entendam que possam também zerar o ICMS, nós, o governo federal, os ressarciremos aos senhores governadores o que deixarão de arrecadar”, disse Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

Durante o anúncio, ele estava acompanhado dos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além de alguns dos seus principais ministros, como Paulo Guedes (Economia), Adolfo Sachsida (Minas e Energia) e Ciro Nogueira (Casa Civil).

Antes da declaração à imprensa, eles estavam reunidos na sede do governo federal para debater as medidas.

Bolsonaro colocou todos os governadores em “saia justa”.

Confira no vídeo:

Fonte: Jornal da Cidade Online

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ECONOMIA: CONHEÇA A FILOSOFIA SUÍÇA DE VIVER. É IMPRESSIONANTE!

Na sessão ECONOMIA desta segunda- feira temos mais um impressionante exemplo de pujança baseado no livre comércio, descentralização e mais capitalismo que se traduz em alto nível de prosperidade e zero preocupação com política. A Suíça é esse paraíso!

Veja o artigo completo de Hunter Hastings e descubra porque a Suíça está entre os 10 melhores IDH’s do mundo e é referencia mundia no que tange a paz!

Ninguém se preocupa com política e a pujança econômica está por todos os cantos: eis a Suíça

Livre comércio mais descentralização mais capitalismo = alto nível de prosperidade

 

No mundo atual, as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o resultado de eleições para chefe de governo. A cada eleição que ocorre em um país economicamente importante, as respirações ficam suspensas (tanto entre a população deste país quanto no resto do mundo).

Foi assim nos EUA em 2016, e na França, na Alemanha e na Holanda em 2017. E está assim agora no Brasil, em 2018.

É como se o padrão de vida de todos dependesse diretamente do resultado da eleição — o que, aliás, é um fato.

Mas eis a realidade, que vale para todos: as pessoas só estão cada vez mais preocupadas com o resultado das eleições porque os estados estão cada vez maiores, mais intrusivos e mais poderosos. As pessoas sabem que o indivíduo que eventualmente estiver no controle destes aparatos estatais terá poderes insanos sobre suas vidas e sobre toda a economia (da qual depende nosso bem-estar). Ele terá o poder de regular cada aspecto econômico e social da vida dos indivíduos.

E as pessoas, mesmo as intervencionistas, sabem que tais poderes são extremamente perigosos caso fiquem sob o controle de “indivíduos perigosos” — isto é, indivíduos que não pensam o mesmo que elas.

Por outro lado, fosse o estado mínimo e sem poder, as pessoas seriam completamente indiferente a quem eventualmente estivesse no comando dele

Sendo assim, será que há alguma esperança, no mundo ocidental, de que as pessoas não mais tenham de se preocupar com a política, com os políticos e com a contínua expansão do tamanho e do poder do estado? Há alguma esperança de assumirmos algum controle e influência sobre nossos impostos, nosso sistema de saúde, nossa energia, nosso comércio com os estrangeiros e, acima de tudo, nossa relação com o governo e suas regulações?

Sim, desde que estejamos dispostos a copiar um modelo estrangeiro que deu certo. Esse modelo é a Suíça.

Naquele país sem saída para o mar, com um terreno incrivelmente acidentado e sem recursos naturais (exceto água), as pessoas foram capazes de criar um alto nível de prosperidade tendo por base a inovação e o capitalismo.

100% economia, 0% política

Os burocratas da União Européia os odeiam. Os suíços não só estão fora da União Européia, como também representam o oposto daquela agenda insanamente centralizadora. A Suíça só aderiu à ONU em 2002, e mesmo assim pela margem mínima de votos. Escolha qualquer área da sociedade e você verá que os suíços fazem tudo à sua distinta maneira — sempre com a liberdade como pré-requisito.

Os corpos de bombeiros são um exemplo: geridos por voluntários locais na maioria dos lugares fora das grandes cidades. Armas e as forças armadas são outro exemplo. As armas estão por todos os lados — e o crime não está em lugar algum.  Com efeito, eles têm ao menos duas das mais pacíficas cidades do mundo – de acordo com várias autoridades online. Zurique inclusive tem um feriado de meio dia em outubro, para celebrar o torneio do “garoto atirador”, no qual há uma feira em estilo americano em que jovens garotos — e garotas também — competem em uma disputa de tiro ao alvo com fuzis de ataque.

A milícia defensiva dos suíços foi temida até mesmo por Hitler, e até hoje tem se mantido onde tem de ficar — em casa —, sem sair patrulhando estrepitosamente o mundo, assassinando pessoas inocentes que porventura se pusessem em seu caminho. Curiosamente, os suíços conseguiram se manter protegidos sem ter de recorrer a guerras preventivas e sem ter de dizimar famílias ao redor do mundo.

E há os bancos suíços, aquele bastião que guarda algo como um terço da riqueza privada transnacional. A posição suíça quanto ao sigilo bancário é mais bem descrita como sendo de neutralidade, nessa constante guerra dos estados contra seus cidadãos. Toda essa riqueza confiada aos bancos suíços certamente não se deve ao governo, e mesmo os banqueiros são meramente beneficiários de um ambiente inteiramente resultante de um distinto traço de liberdade que viceja dentro do povo suíço. Isso vem desde muito antes da lendária rebelião promovida por Guilherme Tell no século XIV. Se os detalhes dessa lenda são mitos ou não, sua popularidade reflete o tradicional espírito de luta do povo suíço quando se trata das imposições feitas pelo estado.

Antes de sua constituição de 1848, a Suíça era uma confederação de estados, cada qual soberano e independente. A unidade deles se dava por meio de um tratado de defesa mútua contra agressões externas.

Em novembro de 1847 eclodiu a Guerra de Sonderbund (“aliança separada”, em alemão), que foi uma batalha originada por sete cantões católicos conservadores que se opunham à centralização do poder e que, por isso, se rebelaram contra a Confederação que estava em vigor desde 1814. Esta foi provavelmente uma das menos espetaculares guerras da história do mundo: com duração de 26 dias, o exército federal perdeu 78 homens e teve outros 260 feridos. Mas saiu vencedor. A Conspiração Sonderbund se dissolveu e a Suíça se tornou, em 1848, o estado que é até hoje.

Apenas pense nisso: a guerra suíça (caracterizada por sua inacreditavelmente baixa violência quando comparada às outras guerras) foi motivada puramente pela rejeição à centralização do poder e pelo ceticismo quanto aos poderes usufruídos por uma entidade grande. E lembre-se de que estamos falando de um país territorialmente pequeno (apenas 41 mil quilômetros quadrados). O resultado foi, e é, um estado relativamente neutro que permite uma maior quantidade de liberdade e prosperidade que praticamente todas as outras nações européias.

Como país, a Suíça se tornou, já à época, o mais economicamente desenvolvido da Europa. Era religiosa e etnicamente diverso, altamente inovador e extremamente produtivo. Os huguenotes expulsos da França pelas guerras religiosas criaram a indústria suíça de relógios. Os alemães protestantes fugindo da opressão católica fundaram as principais indústrias do país. Sempre houve um foco no conhecimento e na educação como forma de compensar a escassez de recursos naturais. E a população sempre foi integrada ao comércio global, sendo comerciantes vigorosos.

“A economia estava por todos os lados; já a política nunca era perceptível”: essa era a frase utilizada para descrever esta produtiva, vigorosa, inovadora e descentralizada nação já em meados do século XIX. Trata-se de uma descrição que evoca uma fotografia maravilhosa de uma liberdade econômica que não é onerada pelo fardo da política.

A Suíça conseguir manter algumas destas características mesmo com todas as depredações estatais que se tornaram tendência ao redor do mundo no século XX. O país permaneceu sob um padrão-ouro até 1999, e resistiu à internacionalização até se juntar à ONU em 2002. Com efeito, a internacionalização foi o que erodiu a singularidade da Suíça como nação. O influxo de engravatados com MBA em conjunto com a máfia da McKinsey está arrastando a Suíça para o mais baixo denominador comum do estatismo e do intervencionismo. A União Europeia almeja fazer a Suíça assinar um acordo bilateral que inevitavelmente fará com que Bruxelas imponha gradualmente seu socialismo multicultural ao país, exatamente como fez no Reino Unido.

Não obstante, a Suíça ainda possui pelo menos seis vantagens estruturais que irá manter o país à frente de seus medíocres pares por algum tempo.

1) Descentralização

A Suíça permanece sendo uma confederação de 26 cantões. É mais centralizada hoje do que era até antes de 1848, mas as funções do governo central são limitadas. Há uma constituição nacional, um exército nacional e uma força de segurança, uma moeda única (o franco suíço, embora o euro também circule livremente) e um banco central, e uma política externa nacional. Mas a população conseguiu manter os poderes do governo central relativamente muito bem acorrentados.

O executivo do país é representado por um órgão chamado Conselho Federal, que é composto por 7 membros, sendo cada membro responsável por um dos sete ministérios da Suíça (que lá são chamados de Departamentos). Esses sete membros são nomeados pelas duas câmaras da Assembleia Federal.

A presidência e a vice-presidência do Conselho Federal sofrem um rodízio anual. Já o mandato dos 7 membros é de quatro anos. O atual Conselho é formado por 2 social-democratas, 2 conservadores de centro-direita, 2 conservadores nacionalistas, e um democrata-cristão.

Ou seja, o poder executivo não se concentra em apenas uma pessoa. A maioria das decisões do Conselho é feita por consenso. E é assim porque seu papel é muito mais decorativo do que funcional, dado que a maior parte do poder é prerrogativa dos cantões. Decisões relacionadas a educação, saúde, assistencialismo e até mesmo criação de impostos são feitas exclusivamente em nível regional. O governo federal não pode editar medidas provisórias e não tem poder de veto.

O presidente da Suíça — que você não sabe quem é — não tem praticamente nenhum espaço nas discussões políticas e econômicas que ocorrem no país. Portanto, se você não sabe quem é o presidente da Suíça, não se preocupe; vários suíços também não sabem e ele muda a cada ano.

2) Subsidiariedade

A subsidiariedade é o princípio de resolver todos os problemas e questões em nível mais local possível. Na Suíça, a maioria dos impostos é impingida em nível municipal e cantonal. A fatia federal se limita a 20% de todos os impostos pagos. Isso faz com que a besta do governo central viva continuamente esfaimada. Os cidadãos suíços são mais engajados em torno de seus governos locais, que é quem toma as decisões de como irá gastar o dinheiro de impostos.

Consequentemente, os cantões suíços são os responsáveis pelo equilíbrio da política: os cantões conservadores são todos aqueles que estão fora das grandes cidades, como Zurique, Genebra e Berna (a capital). A população das comunidades menores rejeita a ideia de ter um governo distante e centralizado em uma capital nacional.

Como resultado — discutido abaixo —, os suíços continuamente rejeitam propostas progressistas, como a de abolir a energia nuclear e a de usufruir uma renda garantida de 2,5 mil francos suíços mensais para cada cidadão. Mais de 75% dos suíços foram contra a medida.

Ademais, os suíços podem “votar com seus pés”, mudando-se para outra cidade ou cantão caso sintam que os impostos locais estão altos.

3) Democracia direta

Na Suíça, o povo é soberano. Uma maneira como essa soberania é mantida é por meio de referendos regulares, nas quais o povo vota questões de política nacional, leis e mudanças na constituição. Tipicamente, há um grande comparecimento às urnas nestes referendos, e as pessoas levam muito a sério o controle democrático sobre o governo.

Normalmente, eis as etapas de um referendo:

a. Um projeto de lei é preparado pelos especialistas na administração federal.

b. Esse projeto de lei é apresentado para um grande número de pessoas por meio de uma pesquisa de opinião: governos cantonais, partidos políticos, ONGs, associações da sociedade civil podem comentar sobre o projeto de lei e propor mudanças.

c. O resultado é apresentado a comissões parlamentares dedicadas ao assunto nas duas câmaras do parlamento federal, é discutido em detalhes a portas fechadas e finalmente é debatido em sessões públicos em ambas as câmaras do parlamento.

d. O eleitorado possui o poder final de veto sobre o projeto de lei. Se qualquer pessoa conseguir encontrar, em três meses, 50.000 cidadãos dispostos a assinar uma petição pedindo um referendo sobre esse projeto de lei, um referendo será marcado. Para que um referendo seja aprovado, o projeto de lei precisa ser apoiado apenas pela maioria do eleitorado nacional, e não pela maioria dos cantões. É comum a Suíça fazer mais de dez referendos em um determinado ano.

Entre 1893 e 2014, apenas 22 de 192 iniciativas populares foram aprovadas pelos eleitores. A reticência com que essas iniciativas são recebidas pelos suíços indica prudência da parte dos eleitores e aversão a leis criadas centralizadamente.

E foi esse sistema de pesos e contrapesos, representado tanto pelos cantões agressivamente localistas quanto pela ferramenta da democracia direta, que tornou a Suíça particularmente resistente ao crescimento do poder do governo.

4) Livre comércio

Praticamente não há debate sobre a importância do livre comércio na Suíça. Ele é uma realidade imperativa. Trata-se de um país fortemente dependente da importação de produtos básicos: energia, comida, matéria-prima, commodities. Consequentemente, o país desenvolveu uma estratégica indústria exportadora:  produtos e serviços de alto valor agregado, sempre aptos a satisfazer as mais exigentes demandas globais.

Relógios sempre foram o mais famoso exemplo. Atualmente, produtos biotecnológicos e maquinários ultramodernos compõem a pauta exportadora. O livre comércio sempre foi a condição vinculante para a prosperidade da Suíça. As tarifas de importação do país estão em zero por cento.

5) Neutralidade

Na política externa e na diplomacia, a Suíça é famosa por sua neutralidade e política externa de não-agressão. Este, aliás, é um pré-requisito para a prática do livre comércio global: criar inimigos seria totalmente contra-producente.

A Suíça possui um exército e o serviço militar é compulsório, mas é voltado exclusivamente para a defesa contra invasores externos. Guerras sempre foram a principal barreira ao progresso econômico, e a reconstrução política após uma guerra quase sempre é um desastre pior do que a própria destruição física da guerra. A Suíça conseguiu evitar tudo isso.

6) Inovação empreendedorial

A Suíça sempre ocupa as primeiras posições na lista de países com a maior facilidade para se empreender, embora sua posição tenha se deteriorado no século XXI. É fácil abrir uma empresa no país, a tributação é relativamente baixa, as leis são transparentes e o arcabouço jurídico é totalmente previsível. Várias empresas internacionais escolheram a Suíça como sede de suas matrizes.

A inovação está enraizada na cultura, no sistema educacional do país e em toda uma rede de centros de pesquisa, o que se traduz em investimentos nas pessoas e no conhecimento. Sem exageros, a inovação está na mente e na alma de praticamente todo suíço, bem como nas instituições do país.

Não é perfeito, mas é o que há

De modo algum a Suíça é perfeita; afinal, trata-se de um estado-nação, e todo conceito de estado-nação é deletério para cada vida individual das pessoas que vivem neles e que os formam. Com efeito, o próprio conceito de estado-nação clama por “inovações disruptivas”.

Talvez, quem sabe?, serão os próprios suíços, com sua tradição de descentralização, subsidiariedade, iniciativa individual, e livre comércio de idéias, que irão implantar essas inovações — isso, é claro, se eles não forem sobrepujados por instituições globalistas como União Europeia, ONU, FMI, Banco Mundial etc.

É a economia contra a política. O nosso desejo, é claro, sempre foi o de “economia por todos os lados, e a política em lugar nenhum”. Mas isso tem se comprovado impossível de ser mantido.

O fato de que houve uma época em que a economia prevaleceu na Suíça — e suas consequências benéficas perduram até hoje — serve como uma tênue esperança de que tal arranjo possa, um dia, voltar a vigorar.

Fonte: Mises Bra

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ECONOMIA: VEJA PORQUE QUANTO MENOR A TRIBUTAÇÃO SOBRE OS RICOS É MELHOR PARA OS POBRES

Na sessão ECONOMIA deste domingo publico um texto que mudou completamente a minha visão a respeito do sistema de tributação sobre o trabalho. Nunca imaginei que a alta tributação sobre a renda dos ricos prejudicaria os mais pobres. Não achava que uma coisa estaria diretamente ligada a outra. Veja no artigo a seguir, em detalhes, como isso se processa. 

Se você defende os trabalhadores, então você tem de defender os ricos

Tributar mais os mais ricos terá efeitos deletérios sobre os trabalhadores

 

Se você é um trabalhador, você é um importador. Nada pode ser mais básico e direto do que isso. Suas “importações” podem vir do outro lado da rua ou do outro lado do planeta. O fato é que o seu trabalho é uma expressão do seu desejo de obter bens e serviços — ou seja, de importar.

Você trabalha em troca de dinheiro para poder consumir.

Igualmente, se você é um consumidor, você tem necessariamente de ser um trabalhador. Ou isso, ou você é um privilegiado que foi presenteado com os frutos de outro trabalhador.

O trabalho é o que possibilita nossa demanda por bens e serviços. Sem antes ofertarmos um bem ou serviço, não temos como comprar coisas. Produzimos para demandar. O trabalho é apenas uma demanda disfarçada.

Logo, a única maneira de entendermos “demanda” no mercado é entendendo a oferta que precede essa demanda. A oferta é a expressão da demanda e sem ela não há meios de se comprar nada. Nas regiões mais pobres [pense no interior do Maranhão], os trabalhadores não estão ofertando muito (ao menos, não para consumidores interessados) e, como consequência, poucos estão ofertando para eles. Nas regiões mais ricas (pense em Nova York), seus trabalhadores estão ofertando em grande abundância, e isso explica por que eles são inundados com todas as farturas produzidas ao redor do mundo.

Onde há muita produção há muita “importação” para atender as demandas dos produtivos. Sim, a Lei de Say é bem básica.

Nós ofertamos com o intuito de conseguir bens e serviços. E as pessoas nos ofertam porque ofertamos para elas.

Tudo isso nos leva à pergunta: já que precisamos ofertar antes para consumir depois, e considerando que nem todo indivíduo é um empreendedor, o que permitirá às pessoas não-empreendedoras produzir?

Empregos e salários

Em outras palavras, o que gera os empregos e os salários das pessoas não-empreendedoras?

A resposta é simples e direta, embora o fenômeno seja complexo: investimentos.

Todos os empregos são consequência de investimentos. Não há empregos sem investimentos.

Para que vagas de trabalho sejam criadas, é necessário que um indivíduo empreendedor — munido de capital próprio ou de capital emprestado por um capitalista — vislumbre uma oportunidade de lucro em uma determinada área (uma demanda ainda não atendida) e então direcione capital e recursos para começar a produzir naquela área.

Investimentos, portanto, são, acima de tudo, atraídos pela perspectiva de lucros.

Empresas e empreendimentos, obviamente, não existem para criar empregos. Empregos são apenas a consequência de empreendimentos. O desejo por retornos da parte do investidor e do empreendedor é o que irá indiretamente levar à contratação de mão-de-obra. É exatamente essa possibilidade de retorno (lucro) o que irá estimular aqueles que possuem meios para postergar seu consumo (capitalistas) a investir esses meios em atividades produtivas. A mão-de-obra de trabalhadores é contratada para ajudar neste retorno.

Não haveria tal contratação se não houvesse investimentos e se não houvesse perspectiva de retornos (lucros). Acima de tudo, não haveria nada disso sem o capital disponibilizado para esses investimentos.

Consequentemente, não haveria empresas, empregos, salários e progresso. Por definição.

O que nos leva aos ricos.

O papel dos ricos

Se você defende os trabalhadores, então você tem de defender ainda mais os investidores que tornam possíveis a criação de empregos e salários. E estes investidores, por definição, são aqueles que têm capital (dinheiro) poupado e disponível para ser investido.

Tais investidores, quase sempre, são aquelas pessoas rotuladas de “ricos”.

Sim, os ricos são essenciais para os salários dos trabalhadores.

Em termos bem diretos e coloquiais, investimento é aquilo que é feito com o dinheiro que sobrou após as necessidades básicas da vida já terem sido compradas. Por isso, os ricos são particularmente cruciais no que diz respeitos a salários mais altos.

Os ricos, precisamente por serem ricos, são aqueles que possuem a maior reserva de capital disponível após já terem saciado seus desejos e necessidades. A menos que enfiem todo o seu dinheiro físico debaixo do colchão — algo que ninguém mais faz no atual sistema financeiro e monetário —, os ricos irão necessariamente investi-lo: ou eles irão empreender diretamente ou irão financiar empreendimentos.

Em ambos os casos, os efeitos são os mesmos em termos de empregos e salários.

Ao investirem, os ricos possibilitam maior capacidade produtiva. Com seu capital, eles adquirem (ou permitem que o empreendedor financie) máquinas, ferramentas, edificações e meios de transporte (tudo isso bens de capital) que irão tornar o trabalho dos empregados mais eficiente e produtivo.

Há uma regra econômica é básica e direta: quanto maior a quantidade de bens de capital utilizados por um trabalhador, maior será sua produtividade.

Um operário americano chega a ganhar até cem vezes mais que um indiano não porque ele é mais trabalhador ou mesmo mais capacitado, mas sim porque o americano utiliza cem vezes mais capital físico (máquinas, ferramentas, instalações industriais, meios de transporte etc.) que seu colega indiano.

Esse capital físico é o que aumenta a produtividade, os salários e, consequentemente, o padrão de vida de uma sociedade. Isso merece ser enfatizado: a acumulação de capital, ao tornar o trabalho humano mais eficiente e produtivo, é o que permite aumentos salariais para todos.

E o que possibilita esse investimento em capital físico é o capital financeiro que foi poupado e acumulado. E nisso os mais ricos têm maior vantagem comparativa que os mais pobres. Por definição.

Eis um exemplo prático: fábricas que produzem chips de computador em volume suficiente para fazer seus preços caírem para centavos por gigabyte requerem um custo bilionário. Eu não teria como construí-las. E eu valho muito menos sem um computador, o qual tornou as coisas incomensuravelmente mais eficientes. Por isso, minha eterna gratidão àqueles que utilizaram sua poupança para financiar e construir as fábricas e fabricar os chips e os computadores que tornam meu trabalho muito mais eficiente e produtivo do que seria sem estes chips e monitores.

E os exemplos são infinitos, e valem para todas as classes sociais. Por exemplo, quanto vale um garçom sem um restaurante? Quanto vale um operário sem as instalações e as máquinas da fábrica em que trabalha? O que seria do funcionário de uma loja sem a loja, sem um computador, e sem um scanner de preços? Quanto vale um caminhoneiro sem um caminhão ou um tratorista sem um trator? Quanto vale um jogador de futebol, âncoras de jornal e artistas sem a TV?

A loja em que o vendedor trabalha, bem como o caixa e os scanners que ele usa; os escritórios e os estúdios de televisão onde o eletricista, os atores e os jornalistas trabalham; os restaurantes e as indústrias de caminhão e tratores que criam os bens que cada trabalhador usa diariamente em seu trabalho; as fábricas de televisores e de cabos que colocam jogadores, atores e âncoras de notícias na televisão — tudo só existe em decorrência do investimento de pessoas ricas. Ou, no mínimo, certamente mais ricas do que você.

De minha parte, eu gostaria de facilitar as coisas para os ricos — pois isso me tornaria ainda mais valioso para os consumidores dos meus serviços, aumentando meus rendimentos.

O que nos leva a outro ponto crucial: os ricos deveriam poder ficar com uma fatia muito maior de seus ganhos. Com efeito, eles deveriam ficar com 100% dos seus ganhos.

O problema em tributar os ricos

Para ser bem direto, não é possível ter salários altos e crescentes sem antes reduzir o fardo imposto sobre aqueles que são mais capazes de poupar e investir: os ricos.

Os efeitos da tributação sobre um rico empreendedor são diretos. Com uma fatia maior de seus ganhos confiscada pelo governo, ele terá menos capacidade para investir e ampliar sua capacidade produtiva. O processo de formação de capital será diretamente afetado.

Menos capacidade de investimento significa menor produção, menos contratação de mão-de-obra e, consequentemente, menor oferta de bens e serviços no futuro. Significa também menos compras de ferramentas, equipamentos e, principalmente, do treinamento contínuo necessário para aumentar a produtividade — diminuindo assim a oferta de bens e serviços que de outra forma seriam disponibilizados a terceiros.

Quando o governo tributa a renda e os lucros, ele apenas faz com que o dinheiro que seria utilizado para ampliar e aprimorar os processos produtivos seja agora direcionado para o mero consumismo do governo, ficando sob os caprichos de seus burocratas, obstruindo a formação de capital.

Ao contrário do que muitos imaginam, o dinheiro dos ricos não fica parado dentro de uma gaveta. Em nosso atual sistema monetário e financeiro, todo o dinheiro está inevitavelmente ou em algum depósito bancário (de onde será emprestado) ou em algum fundo de investimento (de onde será investido). Se o governo tributar esse dinheiro, fará apenas que o dinheiro que antes era direcionado para determinados setores (garantindo emprego e renda) ou investido diretamente em coisas produtivas seja direcionado para burocratas e para toda a máquina estatal. Isso é uma simples e direta destruição de capital.

Por tudo isso, impostos sobre os mais ricos são um grande obstáculo aos investimentos produtivos, à formação de capital e ao simples bem-estar de terceiros. É deste dinheiro que vem a poupança necessária para os investimentos produtivos.

A caça aos ricos é uma caça ao seu padrão de vida

Vale ressaltar algo óbvio: toda e qualquer pessoa em posse de muito dinheiro investe. Tais pessoas, por definição, vivem muito abaixo das suas condições (afinal, elas não gastaram todo o seu dinheiro), o que significa que elas investem “as sobras”.

Sendo assim, será que são realmente apenas elas que se beneficiam de seu capital? É claro que não. São as pessoas comuns que se beneficiam com os bilhões que acabam sendo investidos em fábricas de microchip, em fábricas que produzem carros, em meios de transporte, em instalações hoteleiras, em parques temáticos, em hospitais, em siderúrgicas, em companhias aéreas, em pecuaristas e no agronegócio, em fabricantes de alimentos, em empacotadoras de alimentos, em cervejarias, em todas as fábricas e indústrias, em todo o setor atacadista, varejista e provedor de serviços.

Quando empreendedores e investidores podem manter seus ganhos e reinvesti-los, todos nós ficamos mais ricos — incluindo aqueles de nós que ganhamos a vida usando caminhões e computadores.

Por isso, qualquer redução de impostos que de fato diminua a quantidade de dinheiro que os ricos devem entregar a políticos tem de ser defendida. O fato de que os ricos não têm como gastar todo o dinheiro que ficar com eles é o que irá estimular o progresso. Os ricos são os que mais possuem a capacidade de investir vultosamente, e os trabalhadores irão se beneficiar disso.

No final, empregos, salários e bem-estar estão relacionados a um aumento da produtividade. Mas não há aumento da produtividade sem investimentos. E os ricos são aqueles que mais possuem meios para investir.

Conclusão

Baixas alíquotas de impostos sobre aqueles de rendimento elevado são desejáveis não porque eles precisam do dinheiro, mas sim porque nós precisamos — sob a forma de capital.

Fonte: Mises.org.br

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ECONOMIA: GOVERNO FEDERAL TEM REDUZIDO IMPOSTOS DE DIVERSOS ITENS DA CESTA BÁSICA E DE PRODUTOS ESSENCIAIS

Bolsonaro zera impostos e garante comida no prato dos brasileiros

Foto: TV JCOFoto: TV JCO

Atento às necessidades do povo brasileiro, o governo federal tem reduzido impostos de diversos itens da cesta básica e de outros produtos essenciais.

Apesar da pandemia e da guerra entre Ucrânia e Rússia, é notório o esforço do presidente Bolsonaro para garantir a comida no prato e a economia girando.

Mais recentemente, o Ministério da Economia anunciou a redução em mais 10% das alíquotas do imposto de importação sobre quase 6,2 mil produtos, o que inclui alimentos como feijão, carne, massas, arroz, além de materiais de construções.

Já o embate para reduzir o ICMS dos combustíveis continua, afinal, governadores e prefeitos não querem abrir mão da arrecadação, mesmo que isso prejudique os cidadãos.

Com a proximidade das eleições, o povo deve aguardar ainda mais golpes perversos da oposição, onde vale até obrigar o brasileiro a pagar cada vez mais caro pelo alimento se isso custar a queda de Jair Bolsonaro. A diferença é que agora os cidadãos acordaram e não vão se deixar enganar facilmente como no passado.

Bolsonaro tem feito tudo que está ao alcance do poder executivo, e os governadores, quantos impostos eles zeraram ou reduziram nos últimos tempos?

O que eles têm feito para melhorar a vida do povo? Fica a questão.

Fonte: Jornal da Cidade Online

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ECONOMIA: TERMINA DIA 31 DE MAIO O PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA

Prazo da entrega da Declaração do Imposto de Renda termina em 31 de maio; saiba como corrigir informações depois da entrega

Redação/Portal da Tropical

 Atualizado em:

Marcelo Camargo | Agência Brasil

No próximo dia 31 encerra o prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda. Até a data, o contribuinte ainda pode alterar dados ao documento remetido à Receita Federal e pode corrigir ou incluir novas informações. A checagem dos dados pode evitar que o declarante caia na malha fina e tenha que pagar multas. De acordo com a Receita Federal, somente no ano passado, 869,3 mil contribuintes caíram na malha fina, de um universo de 36,8 milhões de declarações enviadas. Os principais motivos foram a omissão de rendimentos, com 41,4% das ocorrências, e falta de comprovação de dedução, responsáveis por 30,9% das declarações retidas em 2021.

A retificação do Imposto de Renda pode ser feita até cinco anos depois do envio da declaração anterior, desde que a Receita Federal não tenha notificado o contribuinte antes. No entanto, há diferenças entre fazer essa correção dentro do prazo de entrega ou após esse prazo.

Se o contribuinte fizer a retificação dentro do prazo de entrega da declaração, ele poderá alterar também a forma de tributação, podendo escolher de novo o modelo completo ou o simplificado, mesmo que a escolha na declaração original tenha sido diferente.

Após o fim do prazo, ainda é possível retificar os dados, mas não é mais permitido trocar o modelo da declaração. A retificação após o fim do prazo não gera multa, mas se o contribuinte cair na malha fina, pode pagar multa, além de ter que retificar ou apresentar documentos que comprovem as informações prestadas.

A retificação pode ser feita de três formas: utilizando o próprio programa da declaração baixado na página da Receita Federal, por meio do aplicativo Meu Imposto de Renda (disponível nas versões Android ou iOS) ou pelo Portal e-CAC, no serviço Meu Imposto de Renda. No caso do Portal e-CAC, é preciso fazer o acesso com login e senha do portal Gov.Br, com nível de acesso ouro ou prata.

Caso o contribuinte opte pelo programa de preenchimento da declaração, ele precisa ser exatamente o mesmo do ano em que se quer fazer a retificação. Ou seja, se a retificação for para a declaração do Imposto de Renda exercício 2022, o programa a ser utilizado é o de 2022. Se for uma correção do IR de 2021, o programa deve ser o do mesmo ano, e assim sucessivamente. Os programas dos exercício anteriores podem ser baixados no site da Receita Federal.

Ao abrir o programa, clique na opção identificação do contribuinte e, com a ficha aberta, na pergunta “Que tipo de declaração você deseja fazer?”, marque a opção declaração retificadora. Em seguida, é preciso informar o número de recibo da declaração original ou da retificadora anterior. No caso do programa do IRPF 2022, a opção retificar já aparece no menu lateral esquerdo. Ao abri-la, o contribuinte deverá clicar sobre qual declaração deseja retificar, que estará listada na tela como declaração original ou retificadora 1, se outra já tiver sido enviada.

Com a declaração retificadora aberta, todos os dados da declaração anterior aparecerão carregados nas fichas. O contribuinte deve corrigir todas as informações erradas ou incluir os dados que estavam incompletos. Ao final, lembre-se de clicar no botão “verificar pendências”. Por fim, clique em “entregar declaração”.

Uma vez enviada a declaração retificadora, o contribuinte que tiver direito à restituição do Imposto de Renda terá o recebimento adiado, conforme a data de entrega da nova declaração, que é a que passa a ser considerada pela Receita Federal.

Retificação online

Outra forma de fazer a declaração retificadora é pelo sistema e-CAC, da Receita, de forma online, ou pelo aplicativo Meu Imposto de Renda. Nesse caso, como informado, o contribuinte precisará ingressar na plataforma e-CAC por meio do acesso (login e senha) do portal do governo (Gov.Br). Este acesso requer nível prata ou ouro. Após entrar na plataforma e-CAC, deve-se clicar no menu Meu Imposto de Renda, do lado esquerdo.

Em seguida, o programa vai abrir nova tela. Nela, selecione o item “preencher declaração online“, escolhendo em seguida o ano da declaração que pretende corrigir. Ao clicar, uma nova tela será gerada, com opções como “imprimir recibo”, “imprimir declaração” e “retificar declaração”. Escolha a opção “retificar declaração”. Uma caixa será aberta com a informação de que uma uma cópia da declaração selecionada será gerada e se o contribuinte deseja continuar. Ao clicar em sim, a declaração anterior será carregada, o contribuinte poderá fazer as alterações necessárias e, finalmente, enviar a declaração retificadora.

Fonte: Portal da Tropical _ Notícias

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ECONOMIA: NIÓBIO, O QUE É ISSO E PRA QUE SERVE?

JÁ FAZ UM BOM TEMPO, PELO MENOS 5 ANOS QUE OUÇO FALAR NO NIÓBIO. HOJE VAMOS A EXPLORAR ESSE ASSUNTO AQUI, POIS É TEMA QUE ESTÁ NO RADAR DE JAIR BOLSONARO TAMBÉM. VAMOS DESCOBRIR O QUE ESTÁ ACONTECENDO.

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR? SABE O QUE É?

ENTÃO? O NIÓBIO É UM MINERAL QUE EXISTE MUITO POUCO NO NOSSO PLANETA E 98% DAS SUAS RESERVAS ESTÃO AQUI NO BRASIL.

Nióbio - Entenda um pouco mais sobre esse metal descoberto no início de 1800 - IDM Brasil

POR FAVOR ASSISTA O VÍDEO ABAIXO PARA SABER EXATAMENTE SOBRE O QUE ESTAMOS FALANDO:

Fonte: Fatos Desconhecidos

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ECONOMIA: CONHEÇA A FILOSOFIA SUÍÇA DE VIVER. É IMPRESSIONANTE!

Na sessão ECONOMIA desta segunda- feira temos mais um impressionante exemplo de pujança baseado no livre comércio, descentralização e mais capitalismo que se traduz em alto nível de prosperidade e zero preocupação com política. A Suíça é esse paraíso!

Veja o artigo completo de Hunter Hastings e descubra porque a Suíça está entre os 10 melhores IDH’s do mundo e é referencia mundia no que tange a paz!

Ninguém se preocupa com política e a pujança econômica está por todos os cantos: eis a Suíça

Livre comércio mais descentralização mais capitalismo = alto nível de prosperidade

 

No mundo atual, as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o resultado de eleições para chefe de governo. A cada eleição que ocorre em um país economicamente importante, as respirações ficam suspensas (tanto entre a população deste país quanto no resto do mundo).

Foi assim nos EUA em 2016, e na França, na Alemanha e na Holanda em 2017. E está assim agora no Brasil, em 2018.

É como se o padrão de vida de todos dependesse diretamente do resultado da eleição — o que, aliás, é um fato.

Mas eis a realidade, que vale para todos: as pessoas só estão cada vez mais preocupadas com o resultado das eleições porque os estados estão cada vez maiores, mais intrusivos e mais poderosos. As pessoas sabem que o indivíduo que eventualmente estiver no controle destes aparatos estatais terá poderes insanos sobre suas vidas e sobre toda a economia (da qual depende nosso bem-estar). Ele terá o poder de regular cada aspecto econômico e social da vida dos indivíduos.

E as pessoas, mesmo as intervencionistas, sabem que tais poderes são extremamente perigosos caso fiquem sob o controle de “indivíduos perigosos” — isto é, indivíduos que não pensam o mesmo que elas.

Por outro lado, fosse o estado mínimo e sem poder, as pessoas seriam completamente indiferente a quem eventualmente estivesse no comando dele

Sendo assim, será que há alguma esperança, no mundo ocidental, de que as pessoas não mais tenham de se preocupar com a política, com os políticos e com a contínua expansão do tamanho e do poder do estado? Há alguma esperança de assumirmos algum controle e influência sobre nossos impostos, nosso sistema de saúde, nossa energia, nosso comércio com os estrangeiros e, acima de tudo, nossa relação com o governo e suas regulações?

Sim, desde que estejamos dispostos a copiar um modelo estrangeiro que deu certo. Esse modelo é a Suíça.

Naquele país sem saída para o mar, com um terreno incrivelmente acidentado e sem recursos naturais (exceto água), as pessoas foram capazes de criar um alto nível de prosperidade tendo por base a inovação e o capitalismo.

100% economia, 0% política

Os burocratas da União Européia os odeiam. Os suíços não só estão fora da União Européia, como também representam o oposto daquela agenda insanamente centralizadora. A Suíça só aderiu à ONU em 2002, e mesmo assim pela margem mínima de votos. Escolha qualquer área da sociedade e você verá que os suíços fazem tudo à sua distinta maneira — sempre com a liberdade como pré-requisito.

Os corpos de bombeiros são um exemplo: geridos por voluntários locais na maioria dos lugares fora das grandes cidades. Armas e as forças armadas são outro exemplo. As armas estão por todos os lados — e o crime não está em lugar algum.  Com efeito, eles têm ao menos duas das mais pacíficas cidades do mundo – de acordo com várias autoridades online. Zurique inclusive tem um feriado de meio dia em outubro, para celebrar o torneio do “garoto atirador”, no qual há uma feira em estilo americano em que jovens garotos — e garotas também — competem em uma disputa de tiro ao alvo com fuzis de ataque.

A milícia defensiva dos suíços foi temida até mesmo por Hitler, e até hoje tem se mantido onde tem de ficar — em casa —, sem sair patrulhando estrepitosamente o mundo, assassinando pessoas inocentes que porventura se pusessem em seu caminho. Curiosamente, os suíços conseguiram se manter protegidos sem ter de recorrer a guerras preventivas e sem ter de dizimar famílias ao redor do mundo.

E há os bancos suíços, aquele bastião que guarda algo como um terço da riqueza privada transnacional. A posição suíça quanto ao sigilo bancário é mais bem descrita como sendo de neutralidade, nessa constante guerra dos estados contra seus cidadãos. Toda essa riqueza confiada aos bancos suíços certamente não se deve ao governo, e mesmo os banqueiros são meramente beneficiários de um ambiente inteiramente resultante de um distinto traço de liberdade que viceja dentro do povo suíço. Isso vem desde muito antes da lendária rebelião promovida por Guilherme Tell no século XIV. Se os detalhes dessa lenda são mitos ou não, sua popularidade reflete o tradicional espírito de luta do povo suíço quando se trata das imposições feitas pelo estado.

Antes de sua constituição de 1848, a Suíça era uma confederação de estados, cada qual soberano e independente. A unidade deles se dava por meio de um tratado de defesa mútua contra agressões externas.

Em novembro de 1847 eclodiu a Guerra de Sonderbund (“aliança separada”, em alemão), que foi uma batalha originada por sete cantões católicos conservadores que se opunham à centralização do poder e que, por isso, se rebelaram contra a Confederação que estava em vigor desde 1814. Esta foi provavelmente uma das menos espetaculares guerras da história do mundo: com duração de 26 dias, o exército federal perdeu 78 homens e teve outros 260 feridos. Mas saiu vencedor. A Conspiração Sonderbund se dissolveu e a Suíça se tornou, em 1848, o estado que é até hoje.

Apenas pense nisso: a guerra suíça (caracterizada por sua inacreditavelmente baixa violência quando comparada às outras guerras) foi motivada puramente pela rejeição à centralização do poder e pelo ceticismo quanto aos poderes usufruídos por uma entidade grande. E lembre-se de que estamos falando de um país territorialmente pequeno (apenas 41 mil quilômetros quadrados). O resultado foi, e é, um estado relativamente neutro que permite uma maior quantidade de liberdade e prosperidade que praticamente todas as outras nações européias.

Como país, a Suíça se tornou, já à época, o mais economicamente desenvolvido da Europa. Era religiosa e etnicamente diverso, altamente inovador e extremamente produtivo. Os huguenotes expulsos da França pelas guerras religiosas criaram a indústria suíça de relógios. Os alemães protestantes fugindo da opressão católica fundaram as principais indústrias do país. Sempre houve um foco no conhecimento e na educação como forma de compensar a escassez de recursos naturais. E a população sempre foi integrada ao comércio global, sendo comerciantes vigorosos.

“A economia estava por todos os lados; já a política nunca era perceptível”: essa era a frase utilizada para descrever esta produtiva, vigorosa, inovadora e descentralizada nação já em meados do século XIX. Trata-se de uma descrição que evoca uma fotografia maravilhosa de uma liberdade econômica que não é onerada pelo fardo da política.

A Suíça conseguir manter algumas destas características mesmo com todas as depredações estatais que se tornaram tendência ao redor do mundo no século XX. O país permaneceu sob um padrão-ouro até 1999, e resistiu à internacionalização até se juntar à ONU em 2002. Com efeito, a internacionalização foi o que erodiu a singularidade da Suíça como nação. O influxo de engravatados com MBA em conjunto com a máfia da McKinsey está arrastando a Suíça para o mais baixo denominador comum do estatismo e do intervencionismo. A União Europeia almeja fazer a Suíça assinar um acordo bilateral que inevitavelmente fará com que Bruxelas imponha gradualmente seu socialismo multicultural ao país, exatamente como fez no Reino Unido.

Não obstante, a Suíça ainda possui pelo menos seis vantagens estruturais que irá manter o país à frente de seus medíocres pares por algum tempo.

1) Descentralização

A Suíça permanece sendo uma confederação de 26 cantões. É mais centralizada hoje do que era até antes de 1848, mas as funções do governo central são limitadas. Há uma constituição nacional, um exército nacional e uma força de segurança, uma moeda única (o franco suíço, embora o euro também circule livremente) e um banco central, e uma política externa nacional. Mas a população conseguiu manter os poderes do governo central relativamente muito bem acorrentados.

O executivo do país é representado por um órgão chamado Conselho Federal, que é composto por 7 membros, sendo cada membro responsável por um dos sete ministérios da Suíça (que lá são chamados de Departamentos). Esses sete membros são nomeados pelas duas câmaras da Assembleia Federal.

A presidência e a vice-presidência do Conselho Federal sofrem um rodízio anual. Já o mandato dos 7 membros é de quatro anos. O atual Conselho é formado por 2 social-democratas, 2 conservadores de centro-direita, 2 conservadores nacionalistas, e um democrata-cristão.

Ou seja, o poder executivo não se concentra em apenas uma pessoa. A maioria das decisões do Conselho é feita por consenso. E é assim porque seu papel é muito mais decorativo do que funcional, dado que a maior parte do poder é prerrogativa dos cantões. Decisões relacionadas a educação, saúde, assistencialismo e até mesmo criação de impostos são feitas exclusivamente em nível regional. O governo federal não pode editar medidas provisórias e não tem poder de veto.

O presidente da Suíça — que você não sabe quem é — não tem praticamente nenhum espaço nas discussões políticas e econômicas que ocorrem no país. Portanto, se você não sabe quem é o presidente da Suíça, não se preocupe; vários suíços também não sabem e ele muda a cada ano.

2) Subsidiariedade

A subsidiariedade é o princípio de resolver todos os problemas e questões em nível mais local possível. Na Suíça, a maioria dos impostos é impingida em nível municipal e cantonal. A fatia federal se limita a 20% de todos os impostos pagos. Isso faz com que a besta do governo central viva continuamente esfaimada. Os cidadãos suíços são mais engajados em torno de seus governos locais, que é quem toma as decisões de como irá gastar o dinheiro de impostos.

Consequentemente, os cantões suíços são os responsáveis pelo equilíbrio da política: os cantões conservadores são todos aqueles que estão fora das grandes cidades, como Zurique, Genebra e Berna (a capital). A população das comunidades menores rejeita a ideia de ter um governo distante e centralizado em uma capital nacional.

Como resultado — discutido abaixo —, os suíços continuamente rejeitam propostas progressistas, como a de abolir a energia nuclear e a de usufruir uma renda garantida de 2,5 mil francos suíços mensais para cada cidadão. Mais de 75% dos suíços foram contra a medida.

Ademais, os suíços podem “votar com seus pés”, mudando-se para outra cidade ou cantão caso sintam que os impostos locais estão altos.

3) Democracia direta

Na Suíça, o povo é soberano. Uma maneira como essa soberania é mantida é por meio de referendos regulares, nas quais o povo vota questões de política nacional, leis e mudanças na constituição. Tipicamente, há um grande comparecimento às urnas nestes referendos, e as pessoas levam muito a sério o controle democrático sobre o governo.

Normalmente, eis as etapas de um referendo:

a. Um projeto de lei é preparado pelos especialistas na administração federal.

b. Esse projeto de lei é apresentado para um grande número de pessoas por meio de uma pesquisa de opinião: governos cantonais, partidos políticos, ONGs, associações da sociedade civil podem comentar sobre o projeto de lei e propor mudanças.

c. O resultado é apresentado a comissões parlamentares dedicadas ao assunto nas duas câmaras do parlamento federal, é discutido em detalhes a portas fechadas e finalmente é debatido em sessões públicos em ambas as câmaras do parlamento.

d. O eleitorado possui o poder final de veto sobre o projeto de lei. Se qualquer pessoa conseguir encontrar, em três meses, 50.000 cidadãos dispostos a assinar uma petição pedindo um referendo sobre esse projeto de lei, um referendo será marcado. Para que um referendo seja aprovado, o projeto de lei precisa ser apoiado apenas pela maioria do eleitorado nacional, e não pela maioria dos cantões. É comum a Suíça fazer mais de dez referendos em um determinado ano.

Entre 1893 e 2014, apenas 22 de 192 iniciativas populares foram aprovadas pelos eleitores. A reticência com que essas iniciativas são recebidas pelos suíços indica prudência da parte dos eleitores e aversão a leis criadas centralizadamente.

E foi esse sistema de pesos e contrapesos, representado tanto pelos cantões agressivamente localistas quanto pela ferramenta da democracia direta, que tornou a Suíça particularmente resistente ao crescimento do poder do governo.

4) Livre comércio

Praticamente não há debate sobre a importância do livre comércio na Suíça. Ele é uma realidade imperativa. Trata-se de um país fortemente dependente da importação de produtos básicos: energia, comida, matéria-prima, commodities. Consequentemente, o país desenvolveu uma estratégica indústria exportadora:  produtos e serviços de alto valor agregado, sempre aptos a satisfazer as mais exigentes demandas globais.

Relógios sempre foram o mais famoso exemplo. Atualmente, produtos biotecnológicos e maquinários ultramodernos compõem a pauta exportadora. O livre comércio sempre foi a condição vinculante para a prosperidade da Suíça. As tarifas de importação do país estão em zero por cento.

5) Neutralidade

Na política externa e na diplomacia, a Suíça é famosa por sua neutralidade e política externa de não-agressão. Este, aliás, é um pré-requisito para a prática do livre comércio global: criar inimigos seria totalmente contra-producente.

A Suíça possui um exército e o serviço militar é compulsório, mas é voltado exclusivamente para a defesa contra invasores externos. Guerras sempre foram a principal barreira ao progresso econômico, e a reconstrução política após uma guerra quase sempre é um desastre pior do que a própria destruição física da guerra. A Suíça conseguiu evitar tudo isso.

6) Inovação empreendedorial

A Suíça sempre ocupa as primeiras posições na lista de países com a maior facilidade para se empreender, embora sua posição tenha se deteriorado no século XXI. É fácil abrir uma empresa no país, a tributação é relativamente baixa, as leis são transparentes e o arcabouço jurídico é totalmente previsível. Várias empresas internacionais escolheram a Suíça como sede de suas matrizes.

A inovação está enraizada na cultura, no sistema educacional do país e em toda uma rede de centros de pesquisa, o que se traduz em investimentos nas pessoas e no conhecimento. Sem exageros, a inovação está na mente e na alma de praticamente todo suíço, bem como nas instituições do país.

Não é perfeito, mas é o que há

De modo algum a Suíça é perfeita; afinal, trata-se de um estado-nação, e todo conceito de estado-nação é deletério para cada vida individual das pessoas que vivem neles e que os formam. Com efeito, o próprio conceito de estado-nação clama por “inovações disruptivas”.

Talvez, quem sabe?, serão os próprios suíços, com sua tradição de descentralização, subsidiariedade, iniciativa individual, e livre comércio de idéias, que irão implantar essas inovações — isso, é claro, se eles não forem sobrepujados por instituições globalistas como União Europeia, ONU, FMI, Banco Mundial etc.

É a economia contra a política. O nosso desejo, é claro, sempre foi o de “economia por todos os lados, e a política em lugar nenhum”. Mas isso tem se comprovado impossível de ser mantido.

O fato de que houve uma época em que a economia prevaleceu na Suíça — e suas consequências benéficas perduram até hoje — serve como uma tênue esperança de que tal arranjo possa, um dia, voltar a vigorar.

Fonte: Mises Bra

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ECONOMIA: O TRABALHO SEM POUPANÇA E INVESTIMENTO PODE SER GARANTIA DE POBREZA PERPÉTUA

NÃO, O “TRABALHO DURO” (SOZINHO) NÃO GARANTE A PROSPERIDADE E NÃO RETIRA NINGUÉM DA POBREZA

AO CONTRÁRIO: ELE (SOZINHO) PODE SER A GARANTIA DE POBREZA PERPÉTUA

 

O trabalho é inegavelmente um fator determinante para o sucesso pessoal e para o desenvolvimento social. Entretanto, há um mantra socialmente aceito em relação ao trabalho que o trata com uma aura de misticismo.

É dito que o “trabalho duro” é o que conduz uma pessoa, bem como todo um país, ao sucesso e ao enriquecimento. A ideia é que você (bem como todo o país) só irá enriquecer e prosperar se “trabalhar duro”, se “acordar cedo e trabalhar pesado o dia inteiro, sem preguiça” — ou qualquer coisa neste sentido.

Mas isso é conceitualmente incorreto. A ideia de trabalho duro como o único determinante para o desenvolvimento é incompleta. Trabalhar intensamente, por si só, não leva ao desenvolvimento econômico desejado por todos.

A relação é inversa

Para começar, quando se fala sobre “trabalho duro”, é difícil encontrar a melhor maneira de explicá-lo: você toma por base a força ou a inteligência? Uma maneira fácil de tentar mensurar o trabalho é baseando-se nas horas de trabalho de cada trabalhador individual. O gráfico 1 abaixo mostra a média das horas trabalhadas por ano.

1.pngGráfico 1: média das horas anuais de trabalho por trabalhador – Fonte: OCDE. Dados de2017

Já o gráfico 2 mostra a média das horas de trabalho por semana em diferentes países da OCDE

Gráfico 2: média das horas de trabalho semanais, por trabalhador, em diferentes países da OCDE

Já de imediato é possível constatar um padrão simples: países mais ricos trabalham menos horas. Trabalha-se muito menos na Alemanha, na Dinamarca do que na Costa Rica e no México.

Ou, para ser ainda mais direto, veja esta tabela (fonte) que mostra a quantidade anual de horas trabalhadas por país (com dados agora de 2014):

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Gráfico 2: média das horas de trabalho semanais, por trabalhador, em diferentes países da OCDE

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Faria sentido, portanto, ainda acreditar que pessoas que trabalham mais horas são aquelas que vivem melhor? Os dados primários parecem indicar o contrário.

Ainda assim, essa ideia vai contra o senso comum. Em praticamente todas as sociedades e religiões, trabalho duro e esforço exaustivo são bem vistos. Mas se eles não determinam o desenvolvimento de um país, então o que determina? Por que os países mais ricos trabalham “menos duro” do que os mais pobres? Por que o esforço daqueles que trabalham mais não são recompensados com maior qualidade de vida?

Para começar a entender essas questões, é necessário adicionar variáveis à análise. E uma variável importante a ser analisada é como o número de horas trabalhadas mudou ao longo dos anos. O gráfico 3, abaixo, mostra o valor anual da média de horas trabalhadas para três diferentes gerações, com um espaço de aproximadamente 20 anos por observação.

4.pngGráfico 3: horas trabalhadas em diferentes períodos de tempo – Fonte: OCDE

Observe que, após a década de 1970, houve um pronunciado declínio no número de horas dedicadas ao trabalho nos países da OCDE. No caso do Japão, a redução foi de quase 30% em 40 anos.

Mas o passar do tempo, por si só, não explica tudo, obviamente. Portanto, é importante lembrar que todos os países da OCDE cresceram economicamente ao longo destes 40 anos. Logo, a relação resultante é entre desenvolvimento econômico ao longo do tempo e redução nas horas anuais de trabalho. Os países mais pobres continuam trabalhando mais horas.

Isso pode ser visto mais claramente no gráfico 4, o qual mostra a evolução das horas anuais de trabalho ao longo de 40 anos para três potências econômicas (EUA, Reino Unido e Japão). A tendência é claramente declinante ao longo dos anos.

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Gráfico 4: evolução das horas anuais de trabalho entre 1970 e 2017 para Japão (linha azul), Reino Unido (linha laranja) e Estados Unidos (linha cinza) – Fonte: OCDE

Analisando os dados para as horas anuais de trabalho, e comparando-os em relação ao PIB per capita, vemos que a relação anteriormente pressuposta é verdadeira: quanto maior o PIB per capita, menores as horas trabalhadas por ano.

Ou seja, a riqueza gera menos necessidade de trabalho.

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Gráfico 5: PIB per capita na eixo horizontal; horas anuais de trabalho no eixo vertical. Quanto maior o PIB per capita, menor as horas de trabalho por ano – Fonte: OCDE

Portanto, temos uma observação empírica: países mais ricos trabalham menos que países mais pobres. Quanto mais rico é um país, menores as suas horas de trabalho.

Isso leva à inevitável pergunta: por quê?

Trabalhar duro é diferente de trabalhar produtivamente

Em certo sentido, trabalhar mais horas pode produzir mais riqueza. Teoricamente, se tudo o que você tem é um machado e troncos de árvore, então trabalhar oito horas cortando madeira irá lhe render mais madeira do que em apenas quatro horas. Assim, neste caso hipotético, trabalhar mais significa mais produção.

O problema é que dificilmente você conseguirá manter essa rotina exaustiva por muito tempo e durante vários meses. Com efeito, tentar manter essa rotina não será muito inteligente. Haverá um momento em que suas condições físicas estarão debilitadas e sua produtividade inevitavelmente cairá.

Sendo assim, se você conseguir obter uma máquina que lhe permita cortar madeira de uma maneira mais rápida, você terá a mesma quantidade de madeira em apenas uma fração do tempo original.

Uma serra elétrica, por exemplo, tornará o seu trabalho muito mais produtivo do que um machado. Uma serra elétrica permite que, com menos horas de trabalho, você consiga a mesma quantidade de madeira que conseguiria com um machado e várias horas a mais de trabalho.

A serra elétrica é um bem de capital que aumenta sua produtividade, permitindo que você trabalhe menos e produza mais. Ao aumentar a quantidade de energia disponível, a serra elétrica permite que você, simultaneamente, reduza sua carga de trabalho muscular e obtenha mais cortes de madeira. A introdução da serra elétrica aumentou seu padrão de vida e ainda reduziu o seu “trabalho pesado”.

E aí você começa a entender a diferença entre os trabalhadores em países ricos e os trabalhadores em países pobres.

A resposta rápida para a pergunta de por que trabalhadores em economias desenvolvidos trabalham menos que trabalhadores de economias ainda em desenvolvimento é porque a produtividade média dos trabalhadores das economias ricas é maior.

Ter mais acesso à tecnologia e a técnicas que tornam o trabalho mais eficiente gera menos horas de trabalho necessárias para alcançar o mesmo resultado — ou, talvez, um resultado até melhor.

O gráfico 6, abaixo, mostra a relação entre produtividade e média anual de horas de trabalho. A produtividade é mensurada dividindo-se o PIB por horas de trabalho.

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Gráfico 6: no eixo horizontal, a produtividade (PIB por hora de trabalho); no eixo vertical, horas de trabalho por trabalhadores – Fonte: University of Groningen, Our World in Data, Banco Mundial

Como se observa, há uma relação inversa entre produtividade e horas anuais de trabalho por trabalhador. Não é necessário trabalhar mais para produzir mais. Tudo o que é necessário para se produzir mais é, como explicado acima, capital. A produtividade do trabalhador é aumentada quando se utiliza mais tecnologia e melhores técnicas de produção.

Como se faz?

Os países desenvolvidos passaram séculos trabalhando e poupando com o objetivo de acumular o capital que eles atualmente possuem. O trabalho, por si só, não traz automaticamente o desenvolvimento econômico; entretanto, o trabalho torna possível a formação de capital por meio da poupança.

O capital advém da poupança, e poupar significa se abster do consumo. Uma sociedade que trabalha, produz e se abstém do consumo permite que os recursos criados e não consumidos sejam utilizados na construção de bens de capital que irão tornar o trabalho humano mais produtivo. Os recursos não-consumidos se tornam insumos para a construção de moradias, fábricas, infraestruturas, meios de transporte, maquinários, escritórios e imóveis comerciais, laboratórios, cientistas, arquitetos, universidades etc.

Inversamente, uma sociedade que consome 100% do que produz não possui um único bem de capital. Nesta sociedade não haveria moradias, fábricas, infraestruturas, meios de transporte, maquinários, escritórios e imóveis comerciais, laboratórios, cientistas, arquitetos, universidades etc. Todos os indivíduos estariam permanentemente ocupados (trabalhando duro) produzindo bens de consumo básicos — comidas e vestes — e não dedicariam nem um segundo para a produção de bens de capital, que são investimentos de longo prazo que geram bens futuros.

É a poupança, é o não desejo de consumir tudo o que se pode, o que permite direcionar esforços para satisfazer não os desejos mais imediatos, mas sim as necessidades futuras. Com a poupança, são produzidos bens de capital que irão, por sua vez, fabricar os bens de consumo que serão demandados no futuro.

Logo, ao fim e ao cabo, os componentes-chave para se ter trabalhadores mais produtivos é poupar e, consequentemente, utilizar essa poupança na construção de máquinas, ferramentas, instalações industriais e bens de capital em geral que poupem o trabalho físico.

Os países ricos de hoje são aqueles que passaram as últimas décadas (e séculos) trabalhando, produzindo e poupando. Isso significa que várias gerações decidiram não consumir toda a sua produção presente, optando por poupar com o intuito de ter um futuro mais próspero. Essa poupança foi então investida por empreendedores e inovadores que souberam como criar valor. Finalmente, esse capital aumentou a produtividade das gerações seguintes, levando à qualidade de vida que hoje vemos nos países de primeiro mundo.

É por isso que os salários nestes países são maiores do que os países mais pobres, e é por isso que menos trabalho é exigido nestes países. Dado que o capital aprimorou a produtividade marginal da mão-de-obra — isto é, a contribuição adicional de cada trabalhador ao longo da cadeia produtiva —, seu salário aumenta porque seu desempenho é melhor.

Ludwig von Mises sintetizou perfeitamente o arranjo:

Com o auxílio de melhores ferramentas e máquinas, a quantidade dos produtos aumenta e sua qualidade melhora. Assim, o produtor consequentemente estará em posição de obter dos consumidores um valor maior do que aquele que seu empregado consumiu em uma hora de trabalho. Somente assim o produtor poderá — e, devido à concorrência com outros empregadores, será forçado a — pagar maiores salários pelo trabalho do seu empregado.

Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto dessa acumulação de capital. Assim como a serra elétrica aumenta a produção em relação a um serrote ou a um machado, e um trator multiplica enormemente a produção agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos modernos multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e, consequentemente, seus salários e sua qualidade de vida.

Um operário norte-americano ganha quatro vezes mais que o espanhol ou cem vezes mais que o indiano não por “trabalhar mais duro” ou por ser mais inteligente, mas sim por utilizar quatro ou cem vezes mais capital (máquinas, ferramentas, instalações industriais, meios de transporte etc.) que seu colega espanhol ou indiano, respectivamente.

Em um país rico, a quantidade e a qualidade das máquinas e das ferramentas disponíveis são muito maiores do que nos países pobres. A acumulação de capital, o empreendedorismo e a inventividade tecnológica são os pilares da economia. Como consequência, a produtividade, a riqueza e o padrão de vida nestes países são muito mais altos.

O objetivo é trabalhar menos e produzir mais

A ideia de que é necessário trabalhar duro para enriquecer seria verdadeira apenas se vivêssemos em um mundo completamente destituído de melhorias na produtividade. Neste caso, realmente, não haveria alternativa senão trabalhar mais.

Felizmente, não vivemos nesse mundo. E, no mundo em que de fato vivemos, o objetivo de alcançar um contínuo aumento no padrão de vida ao mesmo tempo em que se diminui as horas de trabalho é perfeitamente factível.

Afinal, foi exatamente a Revolução Industrial que permitiu que grande parte da humanidade se livrasse, pela primeira vez na história do mundo, do fardo diário de ter de trabalhar longas horas sem nenhuma perspectiva de alívio, tendo pouquíssimo tempo livre para a educação, o lazer e atividades caritativas.

Desde então, graças à expansão do capitalismo, a produtividade do trabalhador só fez aumentar nos séculos seguintes. Hoje, não é necessário trabalhar mais do que dois dias por semana para alcançar um padrão de vida maior do que aquele usufruído por nossos ancestrais que viveram no século XVIII. Não temos de trabalhar mais do que nossos tataravôs. Certamente trabalhamos menos horas do que eles — e por livre e espontânea vontade.

Os obstáculos

Entretanto, de nada adianta falar de tudo isso se ignorarmos o papel deletério das políticas governamentais, que afetam enormemente todo o processo de acumulação de capital.

aparato regulatório que impede o surgimento de novas empresas e novas criações. A burocracia, a carga tributária e o complexo código tributário, que penalizam a inovação e a poupança. Tarifas de importação e uma moeda em contínua desvalorização, que impedem que empresas adquiram do exterior bens de capital bons e baratos que aumentariam sua produtividade.

As políticas fiscais e monetárias do governo, as quais, ao incentivarem o consumismo, o imediatismo e o endividamento da população para fins consumistas, fazem de tudo para desestimular a poupança.

O problema da contínua inflação e da consequente destruição do poder de compra da moeda. Uma moeda que continuamente perde poder de compra afeta os investimentos de longo prazo (é impossível fazer investimentos produtivos se você não tem a mínima ideia do poder de compra futuro da moeda) e reduz os salários reais. Ao reduzir os salários reais, desestimula a poupança (com a renda disponível cada vez mais afetada, não há como poupar). Consequentemente, a pouca poupança disponível não é direcionada para investimentos produtivos, mas sim para o consumo imediato.

O resultado é uma economia voltada para o consumo e para o prazer imediato, e não para a poupança e para o investimento de longo prazo. E isso, por sua vez, afeta toda a estrutura produtiva da economia: em vez de se ter uma economia voltada para a produção de longo prazo, há uma economia voltada para o consumismo de curto prazo.

Em todos esses casos, avanços na produtividade são perdidos.

Por isso, para o desenvolvimento, é crucial haver um governo que ao menos não atrapalhe.

Conclusão

Se o objetivo é o crescimento econômico e o enriquecimento, então apenas “trabalhar duro” não terá efeito nenhum. O trabalho duro é importante, mas de nada adianta sem capital acumulado, que é o que irá realmente aumentar a produtividade do trabalho e gerar mais retornos com menos esforço. O capital, tanto físico quanto intelectual, é o que permite aos trabalhadores terem um maior padrão de vida, seja por meio de maiores salários, seja ao permitir menos horas para se completar um trabalho.

É por isso que a poupança e o investimento são os mais importantes fatores nas economias desenvolvidas. Acreditar que o trabalho duro, por si só, fará com que um país prospere é ignorar as premissas básicas da economia. O verdadeiro crescimento econômico advém da poupança e do investimento (em conjunto com uma moeda forte e uma economia genuinamente empreendedora).

Por fim, eis a grande tragédia: a ideia de que a prosperidade está no trabalho duro — quando desacoplada do conhecimento econômico — pode condenar milhões a viverem eternamente na pobreza. Um bom exemplo é o Haiti: um país de pessoas laboriosas, mas que não consegue prosperar.

Fonte: Mises.org.br

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ECONOMIA: NIÓBIO, O QUE É ISSO E PRA QUE SERVE?

JÁ FAZ UM BOM TEMPO, PELO MENOS 5 ANOS QUE OUÇO FALAR NO NIÓBIO. A PARTIR DE HOJE VAMOS COMEÇAR A EXPLORAR ESSE ASSUNTO AQUI, POIS É TEMA QUE ESTÁ NO RADAR DE JAIR BOLSONARO TAMBÉM. VAMOS DESCOBRIR O QUE ESTÁ ACONTECENDO.

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR? SABE O QUE É?

ENTÃO? O NIÓBIO É UM MINERAL QUE EXISTE MUITO POUCO NO NOSSO PLANETA E 98% DAS SUAS RESERVAS ESTÃO AQUI NO BRASIL.

POR FAVOR ASSISTA O VÍDEO ABAIXO PARA SABER EXATAMENTE SOBRE O QUE ESTAMOS FALANDO:

Fonte: Fatos Desconhecidos

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ECONOMIA: ALTA NO PREÇO DO CHOCOLATE DIFICULTA COMPRA DA PÁSCOA PARA FAMÍLIAS POTIGUARES

Por g1 RN

 

Ovos de páscoa no supermercado (Arquivo) — Foto: Carlos Alberto Jr/G1Ovos de páscoa no supermercado (Arquivo) — Foto: Carlos Alberto Jr/G1

Os potiguares têm intenção de compras maior para a Páscoa de 2022 do que em 2021, segundo levantamento feito com moradores de Natal e Mossoró e divulgado pelo Instituto Fecomércio Rio Grande do Norte nesta quarta-feira (6).

Segundo a pesquisa, os natalenses pretendem gastar em média R$ 97,66 para comprar presentes para familiares e amigos. O chocolate é o principal produto, citado por mais de 90% das pessoas entrevistadas.

De acordo com a Federação do Comércio do RN (Fecomércio), o cenário favorável para o consumo no período da Semana Santa, entre 15 a 17 de abril, anima os empresários.

Porém praticamente metade do público ainda diz que não vai às compras por causa da situação financeira.

“O comércio já esperava uma Páscoa mais animada, tanto que a preparação para as vendas começou ainda no Carnaval. Os números mostrados pela nossa pesquisa empolgam o varejo potiguar, após dois anos complicados de vendas no período da Páscoa. Ainda não chegamos aos índices de 2019, mas sabemos que o caminho de retomada não seria numa crescente rápida e estamos trabalhando para isso”, disse o presidente da Fecomércio, Marcelo Queiroz.

Intenção de compra

Entre os consumidores natalenses que irão às compras, o índice avançou de 39,2% para 53,5%, na comparação entre 2021 e 2022.

Em Mossoró, 48,4% dos consumidores disseram que vão presentear na data este ano. Em 2021, percentual foi de 43%.

Nas duas cidades, o número em 2019 foi superior, alcançando 59% e 58,4%, respectivamente.

Situação financeira dificulta consumo

Entre os que afirmaram não ter intenção de presentear, a maior justificativa dos consumidores das duas maiores cidades do RN é a situação financeira, sendo a falta de dinheiro o argumento com maior adesão dos entrevistados (43,4% – Natal; 47,9% – Mossoró).

O ticket médio entre os consumidores das duas cidades se diferencia. Em Natal, o valor será de R$ 97,66, aumento nominal de 6% em relação ao levantamento feito no ano passado, o qual havia sido de R$ 92,15. Já em Mossoró, o valor deve ficar em R$ 87,65, valor 2% menor nominalmente do que o registrado no ano passado (R$ 89,40).

Chocolate é o principal produto

Para os entrevistados de Natal, o sentimento de afeto pelas pessoas que vão presentear é o motivo de ir às compras (50,7%), e para os mossorenses é o costume de presentear na data (41,9%).

Em ambas as cidades, o chocolate será a principal escolha para mais de 95% dos entrevistados, presenteando, pela ordem de preferência, filhos, companheiros, sobrinhos.

Na hora de escolher o presente, serão consideradas principalmente as ofertas/promoções (Natal 59,5% e Mossoró 53,5%) e a marca do produto (Natal 29,2% e Mossoró 19,8%). Já sobre pesquisas de preço, 72,8% dos natalenses e 60,5% dos mossorenses afirmaram que vão fazer antes de efetuar a compra.

Na capital, os shoppings serão os locais preferidos para comprar (48,6%) e em Mossoró, o comércio de rua lidera a preferência (50,2%). O público também difere quanto a forma de pagamento, em Natal, a maior parcela dos consumidores pretende pagar utilizando cartão (51,8%), sendo 33,7% no crédito e 18,1% no débito; em Mossoró, o pagamento à vista em dinheiro será a forma escolhida pela maior parte dos consumidores, 51,4%. Para os consumidores das duas cidades, a compra será feita na semana que antecede a data comemorativa (mais de 75%).

Peixes

Outro mercado também impactado pela Semana Santa é o consumo de peixes e crustáceos. Em Natal, 76,1% dos entrevistados têm pretensões de comprar o produto para a data; o percentual é 9,5 pontos percentuais maior que o do ano passado, quando 66,6% colocaram os frutos do mar entre os itens a serem consumidos. O gasto médio será de R$ 73,02.

Em Mossoró, 75% dos entrevistados têm intenção de consumir peixes e crustáceos durante este período, gastando em média R$ 69,66.

Viagens

A Semana Santa também acende o desejo de viajar. 17,5% dos natalenses tem a pretensão de viajar – um aumento de 12,5 pontos percentuais em relação a 2021, quando o índice chegou a 5,3%, causado pela incerteza da pandemia.

Em 2019, período anterior à pandemia, o número foi 22,7%. Sobre os gastos na viagem, 81% disseram que deverão desembolsar até R$ 500.

Entre os mossoroenses, a intenção de viajar no feriadão da Semana Santa subiu de 8,3% em 2021 para 14,8% neste ano. Em 2019, a pretensão de realizar uma viagem no período era de 22,1%.

Gastos na viagem não devem passar de R$ 500,00, para 62,2% dos consumidores.

As duas pesquisas aconteceram entre os dias 14 e 23 de março de 2022 nas duas cidades. O levantamento tem um índice de confiança de 95% e um erro amostral de aproximadamente 3%.

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ECONOMIA: A BOMBA ATÔMICA DAS SANÇÕES ECONÔMICAS E SUAS PROVÁVEIS CONSEQUÊNCIAS

O destaque deste domingo, aqui na coluna ECONOMIA do Blog do Saber é sobre as prováveis consequências das sanções econômicas lançadas sobre a Rússia na tentativa de cessar o conflito entre Rússia e Ucrânia. O artigo a seguir elenca todas as sanções provocadas pela OTAN e os países do ocidente contra a Rússia e esclarece sobre as prováveis consequências. Você vai entender tudo que está acontecendo nesse tabuleiro de xadrez.

As devastadoras e atômicas sanções lançadas pelo Ocidente contra a economia russa

E suas prováveis consequências

 

Desta vez, Vladimir Putin conseguiu a façanha de unir o mundo em oposição. Mas suas propensões autoritárias e expansionistas não são surpresa para quem acompanha sua trajetória.

Já em sua primeira campanha eleitoral, em 2000, Putin foi questionado por uma jornalista como era ser um candidato ex-agente da KGB. Respondeu com sorriso malicioso: “Não existe tal coisa como um ‘ex-agente da KGB'”.

Sua primeira grande crise ocorreu quando 42 terroristas chechenos tomaram 850 reféns em um teatro de Moscou. As forças especiais russas chefiadas por Putin (as Spetsnaz) empregaram agentes químicos, que mataram 39 sequestradores e 130 reféns, incluindo 9 estrangeiros.

Em 2003, fechou a última emissora independente de TV e tornou ilegal que a mídia comente sobre eleições. Em 2004, passou a nomear os governadores. Em 2005, afirmou que o colapso da União Soviética foi “o maior desastre geopolítico do século”. Eliminou inimigos políticos, muitos alegadamente com veneno, coagiu e aliciou os oligarcas e colocou as principais empresas russas sob sua órbita.

Ao menos desde 2008 Putin já vociferava que, caso a Ucrânia aderisse à Otan, anexaria a Ucrânia do Leste e a península da Crimeia. O Ocidente ignorou e preferiu pagar para ver. Naquele ano, Ron Paul votou ‘não’ à proposta do governo Bush de expandir a OTAN alertando que “a expansão da OTAN poderá envolver os Estados Unidos militarmente em conflitos que não são de interesse nacional”.

As seguidas trapalhadas de política externa dos EUA e da OTAN não justificam a anexação da Crimeia em 2014, território ucraniano desde 1954. Putin violou a soberania da Ucrânia e zombou do Direito Internacional ao empenhar soldados sem insígnias. De lá para cá, as hostilidades entre as partes se acentuaram e Putin optou pela agressão aberta.

É de se imaginar, porém, se Putin realmente vislumbrou a potência e a extensão da reação internacional, que simplesmente desconectou a Rússia do resto do mundo por intermédio de uma “bomba atômica financeira” e a tornou pária instantaneamente.

Já se imaginavam sanções a indivíduos, até agora implementadas contra cerca de 700 oligarcas, empresários e membros do círculo de poder, que tiveram seus bens congelados na Europa e nos EUA.

Mas as sanções financeiras contra toda a economia russa foram devastadoras.

Um curto resumo

Até o momento, eis um sucinto resumo destas sanções.

* A comunidade internacional desconectou vários bancos russos do Swift, uma rede de facilitação de transferências financeiras, composta por 11 mil bancos. Embora a medida tecnicamente não impeça que a Rússia efetue transações internacionais, a sanção torna estas transações muito mais custosas, trabalhosas e demoradas.

* Adicionalmente, vários bancos russos também sofreram sanções. O Sberbank, que é maior banco russo, teve da anunciar sua saída do mercado europeu. Suas ações caíram 99% na bolsa de Londres (confira o gráfico). O banco está sendo liquidado na Áustria. Na Croácia e na Eslovênia, está repassando a carteira para quem se dispuser a comprar. Na República Checa, precisa aparecer com um depósito bilionário até o fim do dia ou será liquidado. Para completar, o banco está sofrendo uma corrida bancária da parte de seus clientes. Não tem como durar.

* A British Petroleum, maior investidora estrangeira na Russia, anunciou sua saída do país ao se desfazer da participação de 20% na estatal Rosneft.

* A Shell também desfez sua parceria com a Gazprom.

* A Equinor, maior companhia de energia da Noruega, também está saindo do país.

* E a Exxon também se juntou ao grupo.

* GM, Ford, Volvo, Daimler Truck, Renault e BMW informaram que interromperam exportações para a Rússia, bem como parcerias com empresas locais.

* Boeing e Airbus suspenderam suas operações no país. A Boeing não irá mandar peças de manutenção.

* A Apple também parou de vender seus produtos no e para o país.

* Visa, Mastercard e Amex bloquearam seus sistemas e estão impedindo os bancos russos de utilizarem suas redes. Na prática, ninguém mais pode utilizar cartão de crédito na Rússia.

* Todos os produtos da Nike estão indisponíveis no país.

* As principais empresas mundiais de transporte marítimo de carga suspenderam todo o transporte de contêineres para a Rússia. Maersk, MSC, Hapag Lloyd, Ocean Network Express não transportam mais nada para o país.

* EUA, Canadá e União Europeia fecharam seu espaço aéreo para companhias aéreas russas. Russos precisam recorrer a aviões da Turkish Airlines (a Turquia não boicotou a Rússia). O Canadá também fechou seus portos para navios russos.

* A Rússia, portanto, está isolada economicamente, pelo ar e pelo mar. Trata-se de um colapso total no comércio internacional do país. Na prática, o país voltou a viver em uma situação de autarquia, e podendo utilizar apenas dinheiro de papel (Apple Pay e Google Pay também pararam de funcionar).

A mãe de todas as sanções

Porém, a ‘sanção atômica’ visando a fechar as torneiras da guerra e desestabilizar a Rússia financeiramente foi o congelamento das gigantescas reservas internacionais (US$ 630 bilhões) do Banco Central russo.

Quem acompanha este Instituto sabe que não existe isso de dólares (ou euro) “entrarem em um país”. Dólares eletrônicos nunca saem dos EUA. Assim como euros eletrônicos nunca saem da Europa. Dólares, no formato de dígito eletrônicos, só ficam depositados em bancos americanos. E euros eletrônicos só ficam depositados em bancos europeus (o mesmo, obviamente, vale para franco suíço, libra esterlina e iene japonês: todos estes ficam apenas no sistema bancários de seus respectivos países).

Logo, quando um Banco Central estrangeiro (seja da Rússia ou mesmo do Brasil) quer utilizar os dólares (ou euros) de suas reservas internacionais, eles inevitavelmente têm de recorrer a bancos americanos (ou europeus). Isso foi explicado em detalhes aqui.

Igualmente, Bancos Centrais estrangeiros também detêm títulos do governo americano e dos governos europeus. Estes títulos ficam custodiados em seus respectivos países. Se estes governos se recusarem a convertê-los para suas respectivas moedas quando demandados por uma instituição estrangeira, nada feito.

Sendo assim, da noite para o dia, o Banco Central russo perdeu acesso aos US$ 630 bilhões que possuía em suas reservas internacionais (a título de comparação, as reservas internacionais do Banco Central do Brasil são de “apenas” US$ 360 bilhões). Com a instituição sem acesso às suas reservas, ela perdeu totalmente sua capacidade de vender dólares e euros para estabilizar o rublo.

Como consequência desta medida, e em conjunto com todas as demais sanções anunciadas, houve uma brutal especulação baixista contra o rublo, que derreteu.

O gráfico abaixo mostra a evolução da taxa de câmbio rublo/dólar.

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Gráfico 1: evolução da taxa de câmbio rublo/dólar

Ao fim do ano passado, eram necessários 70 rublos para se comprar um dólar. Agora são necessários 106 rublos, um encarecimento de mais de 50%.

Isso obrigou o Banco Central russo a disparar a taxa básica de juros para 20%, em uma tentativa de tentar conter a desvalorização.

O Banco Central russo pode vender ouro em sua posse (o ouro, de fato, está nos cofres da instituição), mas só para portadores de rublo. Já ajuda bastante, inclusive para secar a base monetária, mas o efeito sobre o câmbio demorará mais que a venda direta de dólares.

O objetivo dos EUA e da União Europeia era exatamente este: derreter o rublo.

Um derretimento semelhante (porém menos intenso), aliás, aconteceu ao fim de 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e o país sofreu sanções da União Europeia (as quais nem de perto se comparam às atuais). Naquela ocasião, o rublo se esfacelou. O dólar saltou de 33 rublos para quase 80 rublos em um ano e meio (vide o gráfico 1). A inflação de preços encostou em 18%. A taxa básica de juros subiu de 4,75% para 17% em poucos meses. E o PIB caiu 4% (em momento de expansão mundial).

Naquela ocasião, Putin conseguiu se segurar. Será um pouco mais difícil bancar essa agora.

Os contra-ataques

Como medidas de contra-ataque, o governo russo impôs controle de capital e proibiu estrangeiros de venderem ativos russos. O intuito é afetar diretamente investidores da União Europeia e dos EUA, cujos fundos investem em ativos russos.

A consequência mais direta é que estrangeiros em posse de ativos russos não mais podem vender estes ativos em troca de rublos para então conversar os rublos em dólares. E isso está dando algum suporte ao rublo. O rublo estaria muito pior não fosse isso.

Adicionalmente, a Rússia anunciou um calote no pagamento de seus bonds (títulos emitidos em moeda estrangeira) para estrangeiros. Nem tinha como ser diferente.

Agora, já entrando na economia real, a Rússia suspendeu a venda da fertilizantes para o mundo, inclusive para o Brasil. Rússia, Ucrânia e Bielorrússia são os maiores fornecedores. A encrenca é que a Lituânia fechou as fronteiras e, com isso, impediu acesso ao corredor logístico.

Já os preços do trigo e do milho dispararam. A Rússia é o quarto maior produtor de trigo do mundo e o maior exportador. A Ucrânia é o sétimo maior produtor e está entre os quatro maiores em embarques. Juntos, os dois países respondem por cerca de 30% das exportações mundiais de trigo. E ambos os países são grandes exportadores de milho para a China.

E tornaram-se também grandes exportadores de óleo de soja.

Eis a evolução dos preços do trigo, do milho e da soja, em dólares:

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Gráfico 2: evolução do preço do trigo, em dólares

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Gráfico 3: evolução do preço do milho, em dólares

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Gráfico 4: evolução do preço da soja, em dólares

E, obviamente, o mais impactado de tudo foi o petróleo. A Rússia é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e o maior exportador de gás. Com o comércio fechado para o país, e com as sanções, o barril do tipo Brent saltou de 80 dólares no início deste ano para 111 dólares.

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Gráfico 5: evolução do preço do barril de petróleo do tipo Brent, em dólares

Por ora, alimentos e energia ficarão ainda mais caros para o resto do mudo.

Outro grande risco está no sistema bancário mundial.

Ao se desplugar a Rússia financeiramente, materializa-se o grave risco de contágio de bancos e empresas estrangeiras, que podem sofrer atrasos de pagamentos e calotes. E evaporam-se os mais de US$ 300 bilhões que a Rússia disponibiliza ao sistema financeiro no overnight, que será um choque nos bancos do Ocidente.

Para concluir

O Kremlin afirmou que “as sanções são problemáticas, mas a Rússia tem o potencial de neutralizá-las”. Pouco provável.

Ao que tudo indica, as sanções só serão revertidas se Putin se retirar da Ucrânia. Ou então renunciar. Mas as chances desta última são ínfimas.

O povo russo será o mais afetado pelo impasse. Com a economia esfacelada, os riscos da reação de Putin – no limite, a continuidade da escalada bélica – são enormes. A sanção atômica financeira pode ser percebida pelos russos como uma renúncia das tradicionais e ensaiadas regras de “escalada gradual”, tornando-se um ato de guerra análogo ao bloqueio total do comércio e do sistema bancário.

A Rússia, vale repetir, está neste momento isolada do comércio por ar e mar, vivendo em autarquia e utilizando apenas papel-moeda físico. E com uma perspectiva de hiperinflação e acentuado empobrecimento.

As reações do chefe de estado perante esta situação são completamente imprevisíveis, principalmente quando se sabe que ele tem acesso a quase 6 mil ogivas nucleares.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: EMPREGOS SÃO CRIADOS POR INVESTIMENTOS QUE OLHAM PARA O FUTURO

Não há empregos sem investimentos. Logo, quem cria empregos são investidores, e investidores fogem de situações econômicas caracterizadas por uma falta de mudanças. A genialidade dos inovadores está em sua capacidade de destruir empregos supérfluo. Do tipo que não é mais necessário. O artigo a seguir esclarece pontos importantíssimo dessa equação. Leia, reflita e tire suas conclusões!

Para se criar empregos bons, empregos ruins devem ser destruídos

Empregos são criados por investimentos, e investimentos preferem economias que olham para o futuro

 

Em seu livro A Era da Turbulência, uma coletânea de memórias lançada em 2007 por Alan Greenspan, o ex-presidente do Fed relata duas visitas que fez à União Soviética em intervalos de tempos bastante espaçados.

Durante sua segunda visita, a qual ocorreu algumas décadas após a primeira, Greenspan ficou espantado ao testemunhar que os trabalhadores soviéticos ainda estavam utilizando exatamente o mesmo tipo de trator que utilizavam décadas antes.

Para qualquer indivíduo entusiasta do processo de “criação destrutiva” imortalizado por Joseph Schumpeter, segundo o qual novas formas de maquinário e de trabalho estão constantemente substituindo as antigas, e com isso gerando um substancial crescimento econômico, a cena testemunhada na União Soviética é típica de uma economia estacionária, sem criação e sem inovação, e que ocultava como era realmente desesperadora a situação na URSS.

Uma sociedade destituída de empreendedores, de inovadores e do capital necessário para financiar suas ideias originais será inevitavelmente uma sociedade economicamente estagnada, e como tal, em declínio. Não há empregos sem investimentos. Logo, quem cria empregos são investidores, e investidores fogem de situações econômicas caracterizadas por uma falta de mudanças.

Só que, por mais que isso seja difícil de ser aceito, ao menos em princípio, a genialidade dos inovadores está em sua capacidade de destruir empregos. A melhor maneira de se criar empregos é tornando supérfluo aquele tipo de trabalho que não mais é necessário.

Quando empregos bons são criados, empregos ruins são destruídos

Dado que são os investidores que criam empregos, e dado que investidores são atraídos por lucros, quando inovações tecnológicas permitem que se produza mais bens com menos mão-de-obra, os lucros aumentam. E esse aumento dos lucros gerará os investimentos que criam empregos.

O automóvel, o computador, a luz elétrica, a internet e a mecanização da agricultura tornaram várias formas de emprego totalmente obsoletas. Não obstante, isso não apenas não empurrou a humanidade para a pobreza endêmica, como ainda gerou a criação de maneiras totalmente novas de se ganhar a vida.

A criação do automóvel e do caminhão, por exemplo, não apenas destruiu vários empregos no setor de carroças, como ainda tornou obsoleto todo o setor de transporte manual, em que cargas eram carregadas nas costas por vários trabalhadores. Esses empregos exaustivos e deletérios para a saúde foram substituídos por novas e melhores formas de emprego.

Por exemplo, as indústrias puderam expandir o escopo de seus mercados porque os caminhões as tornaram capazes de transportar seus bens para locais mais distantes. Com a massificação desse novo meio de transporte, as indústrias puderam se expandir vastamente, e com isso criaram milhões de novos empregos.

Pense no computador. Esta máquina provavelmente destruiu mais empregos do que qualquer outra inovação tecnológica na história da humanidade, com a possível exceção do automóvel. Porém, assim como os automóveis não levaram a humanidade para a miséria (todos os empregos destruídos pela criação do automóvel foram substituídos pela criação de novos e melhores empregos), tampouco o computador conseguiu esse feito.

Ao contrário: ao passo que o computador tornou supérfluas várias formas antigas de trabalho corporal e mental, os lucros gerados por essa mecanização criada pela computação permitiram novos investimentos em milhares de outras áreas da economia, gerando a criação de milhões de novos empregos.

Só a internet criou empregos que, duas décadas atrás, ninguém imaginava poderem existir.

E a eletricidade? Sua invenção destruiu um sem-número de empregos na indústria de velas e na indústria de carvão. No entanto, os lucros gerados por essa invenção permitiram novos investimentos em praticamente todos os outros setores da economia, o que possivelmente gerou a criação de bilhões de novos empregos, sem nenhum exagero.

Quem entre nós gostaria de viver em um mundo sem carros, computadores, internet e eletricidade, considerando-se todos os empregos que tais invenções destruíram? Quem quer voltar a viver em um mundo em que praticamente todos os seres humanos tinham de trabalhar exaustivamente no campo — querendo ou não — apenas para sobreviver?

Para a nossa sorte, a tecnologia acabou com a necessidade de utilizar seres humanos para fazer trabalhos agrícolas pesados, e os liberou para ir buscar outras vocações fora do campo. Foi então que começou nosso processo de enriquecimento e de melhora no padrão de vida.

Um dos pioneiros na criação do computador foi o físico John Mauchly. E sua criação ocorreu justamente porque ele queria se livrar do fardo de ter de fazer, diariamente, vários cálculos longos e tediosos. Foi para se livrar deste trabalho penoso que Mauchly passou a se concentrar na invenção de uma máquina que fizesse esses cálculos para ele. E então surgiu o computador.

O progresso e a inovação são belos justamente porque eles tornam obsoletos vários tipos de trabalhos exaustivos. E, ao tornarem obsoletos esses empregos arcaicos, mão-de-obra e recursos escassos são liberados para ser investidos em novas áreas, criando novos tipos de emprego mais compatíveis com nossas reais habilidades individuais.

A quimera do “vamos criar empregos!”

Qualquer político ou economista que porventura alegue ter algum plano mirabolante para “criar empregos” deve ser prontamente ridicularizado. Eles não entendem esse básico: empresas bem-sucedidas, que empregam vários trabalhadores, só conseguiram chegar a essa condição após terem regularmente destruído outros empregos.

Falando mais diretamente, planos econômicos inventados para “criar empregos” irão necessariamente fracassar, no longo prazo, porque empregos são um custo. Sendo um custo, o fato é que, por mais paradoxal que isso pareça, o caminho mais rápido para a verdadeira criação de empregos é permitir a redução desse custo trabalhista por meio da redução dos empregos.

Para entender por que é assim, vale repetir o que já foi dito lá no início: todos os empregos decorrem de investimentos. E investimentos são, acima de tudo, atraídos pela perspectiva de lucros. Consequentemente, quando políticos e economistas pontificam eloquentemente sobre seus planos para criar empregos, eles estão ignorando esse ponto essencial: investidores estão sempre à procura de situações comerciais em que as empresas conseguem produzir o máximo possível com o mínimo de custos trabalhistas.

Peguemos como exemplo a Amazon. Ainda na década de 1990, a Amazon conseguiu atrair um maciço volume de investimentos não porque Jeff Bezos, seu criador, estava prometendo contratar várias pessoas com essa sua nova criação. Ao contrário: a maior varejista online do mundo conseguiu atrair capital exatamente porque prometia custos baixíssimos em termos de mão-de-obra para vender uma quantidade enorme de bens.

Agora, veja a situação da empresa hoje: essa capacidade da Amazon de fazer mais com menos foi justamente o que atraiu vários investidores ávidos para financiar essa abordagem varejista revolucionária, e isso impulsionou a empresa a uma expansão contínua.

Consequentemente, a Amazon emprega hoje um número substantivamente maior de pessoas que empregava quando foi criada. E essa crescente quantidade de mão-de-obra empregada pôde ocorrer justamente porque a empresa foi cautelosa em suas contratações, empregando sempre um número ótimo de empregados em relação à quantidade de produtos com que ela tem de lidar.

Peguemos a Google. Ainda em 2003, Rich Karlgaard, editor de tecnologia da Forbes, previu que a Google seria um tremendo sucesso na década seguinte para investidores porque, segundo ele, seu motor de busca era alimentado essencialmente por “12 mil servidores baratos“. A genialidade da Google está em seu modelo de negócios de baixo custo, formado por equipamentos relativamente baratos e até mesmo prosaicos.

Compare isso a um exército de empregados caros que podem faltar ao trabalho, fazer greve, exigir aumentos salariais ou simplesmente se demitir. Servidores de internet não param de trabalhar; e quando dão defeito, podem ser prontamente substituídos.

Obviamente, a Google hoje emprega um grande número de trabalhadores exatamente porque seu crescimento, lucratividade e retorno sobre os investimentos atraíram novos investidores intrigados por um plano de negócios que alcança grandes resultados com pouca mão-de-obra humana.

Em suma, a Google criou vários empregos e possui hoje vários empregados justamente porque sua abordagem inovadora na busca pelo lucro revelou um profundo entendimento sobre como destruir ou mecanizar um trabalho até então feito exclusivamente por humanos.

Agora, compare esses reais fenômenos de mercado a políticos e governos que juram ser capazes de “criar empregos”, “salvar empregos” e “reduzir o desemprego” por meio de políticas intervencionistas. Eles agem exatamente como se pudessem manusear alavancas em seus gabinetes e, com isso, fossem capazes de criar empregos nas áreas em que eles, burocratas, julgam ser necessário.

Ao agirem assim, o efeito é justamente o oposto do intencionado.

Quando políticos utilizam o dinheiro dos cidadãos para “salvar empregos” ou “criar empregos”, o único resultado é fazer com que capital e recursos escassos permaneçam imobilizados sustentando ideias econômicas ultrapassadas — ou, no mínimo, que podem ser mais bem efetuadas por trabalhadores de outros países.

Colocando bem francamente, essa abordagem laissez-faire faria com que, inicialmente, a taxa de desemprego subisse, pois, ao menos temporariamente, haveria uma mão-de-obra desalojada à procura de novas oportunidades. A duração desse desemprego será inversamente proporcional à liberdade de empreendimento e investimento concedida pelo governo.

À medida que o capital liberado por uma indústria falida for realocado para novas áreas e novas demandas ditadas pelo livre mercado, essa mão-de-obra desocupada encontrará novas demandas.

Com o tempo, essa liberdade empreendedorial — como demonstrado empiricamente no caso da eletricidade, dos automóveis, do computador e da internet — criará novos e melhores empregos.

Só que essa perda inicial de empregos não seria nada popular para os políticos, e eles certamente farão de tudo para impedir esse processo. Paradoxalmente, essa desorientada teimosia dos políticos faz com que o desemprego se mantenha, ao longo do tempo, em níveis muito maiores do que poderiam ser caso as inovações tivessem plena liberdade de ser implantadas.

Para concluir

Como bem observou Adam Smith há séculos, investimentos e os empregos que eles criam ocorrem de acordo com a direção de uma economia: se ela está livre para progredir ou se ela está sendo proibida disso. Os investimentos sempre migram para as economias que olham para o futuro.

Economias amarradas pelo governo são tautologicamente um repelente para o capital produtivo. Enquanto esses conceitos básicos não forem compreendidos, o próprio crescimento da oferta de bons empregos será um fenômeno distante.

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ECONOMIA: O FED E O BCE PERDERAM O PROTAGONISMO SOBRE O RUMO DA ECONOMIA MUNDIAL

O artigo que publicamos hoje na nossa coluna ECONOMIA é, talvez, o mais importante dos últimos tempos, pois se reporta a verdadeira situação atual da economia mundial e da capacidade de articulação e poder do FED, banco central americano em influenciar a economia de mercado mundial, algo que que sempre foi de uma amplitude extrema, mas que agora está bastante limitada diante da realidade atual depois da pandemia da Covid. Dai a importância da leitura do artigo a seguir e com toda a atenção.

A regra mudou: com a maior carestia em 40 anos, o Fed e o BCE estão encurralados

Eles sempre se preocuparam em salvar a Bolsa – mas agora é diferente

A taxa de inflação de preços nos EUA renovou sua máxima e alcançou o maior valor em quarenta anos.

Segundo dados publicados hoje (quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022) pelo Bureau of Labor Statistics, o índice de preços ao consumidor (CPI – Consumer Price Índex) acumulado nos últimos 12 meses foi de 7,5%.

A última vez em que ele esteve tão alto assim foi em fevereiro de 1982, quando a taxa foi de 7,6%.

inflamaer.pngGráfico 1: evolução da taxa de inflação de preços ao consumidor americano (acumulado em 12 meses)

Na zona do euro, por sua vez, a carestia também está vigorosa.

Embora, oficialmente, a taxa de inflação aos consumidores esteja em 5,1%, que é o maior valor da história do euro, a taxa de inflação de preços aos produtores— ou seja, os preços que os produtores pagam em suas matérias-primas para fabricar bens — está em fulminante ascensão.

inflaeuro.pngGráfico 2: evolução da taxa de inflação de preços ao produtor na zona do euro (acumulado em 12 meses)

Para se ter uma ideia do que representa este valor de 26%, a taxa de inflação de preços ao produtor no Brasil está 28%. Brasil e Europa estão praticamente empatados.

Ou seja, não há mais espaço para o discurso de que a inflação é “transitória” e que não há motivos para preocupação.

A questão é: o que o Fed e o Banco Central Europeu irão fazer? Isso terá consequências para o resto do mundo.

O histórico recente

Em 1989, estourou a maior bolha financeira de todos os tempos: da Bolsa e dos imóveis japoneses.

Após uma década de estímulos monetários, os preços de imóveis alcançaram a estratosfera. Os Jardins Imperiais, no centro de Tóquio, (apenas 1 km²), valiam mais que todos os imóveis da Califórnia juntos. O índice Nikkei, da Bolsa japonesa, jamais se recuperou e ainda está 30% abaixo do pico de 1989.

Nikkei.pngGráfico 3: evolução do índice Nikkei, da Bolsa de Valores do Japão

O estouro foi arrasador para a poupança dos japoneses e para a economia.

Recordo-me de apenas um investidor que navegou bem a bolha: ele identificou uma companhia aérea japonesa com patrimônio líquido negativo (ou seja, a contabilidade indicava mais dívidas do que bens). Mas a companhia detinha um imóvel no centro de Tóquio, cujo valor de mercado era muitas vezes superior ao valor contábil. O investidor comprou a companhia, em seguida vendeu o imóvel, saldou as dívidas e embolsou uma bolada.

Assustado com o cenário devastador, o Banco do Japão concebeu instrumentos não-convencionais que foram copiados pelos demais Bancos Centrais após a crise de 2008 e intensificados com a pandemia.

Com efeito, virou regra: sempre que há uma turbulência, os Bancos Centrais mundiais copiam a política monetária do Banco Central do Japão (BoJ).

Junto com o BoJ, o Federal Reserve (o Banco Central americano) foi também pioneiro nesta política, embora tenha começado bem mais comedido.

Mais especificamente, desde 1987, a cada queda relevante da Bolsa e a cada recessão, o Fed sempre pôs em marcha a seguinte receita: reduzir juros, expandir a base monetária e, com isso, inundar os bancos com dinheiro recém-criado na esperança de que eles emprestarão, comprarão ativos, e manterão estes ativos valorizados.

Essa receita de socorro automático ficou conhecida como o “Fed put”, ou “seguro do Fed”, uma espécie de licença para comprar Bolsa e outros ativos sem risco de perdas. O longo histórico de socorro condicionou os investidores e bancos a presumir que “na próxima crise, o Fed novamente socorrerá a Bolsa e a economia”.

E, com efeito, por reiteradas vezes o dinheiro novo animou a Bolsa e provocou gastos a curto prazo, mas não aboliu o ciclo econômico nem inibiu crises financeiras.

Isso ocorreu em 1987, 1991, 2001, 2008-2015 e agora em 2020.

socorro de 1987 estimulou a carestia que fez o Fed elevar os juros em 1989 e provocar a recessão de 1990.

A expansão monetária da década de 1990 gerou a bolha das ações de internet (pontocom) que estourou em 2000, quando o Fed estava novamente elevando os juros para conter a carestia.

O estouro das pontocom em conjunto com os ataques de 11 de setembro fizeram com que o Fed voltasse a expandir a oferta monetária na década de 2000, o que gerou a bolha imobiliária e um forte (para os padrões americanos) aumento dos preços ao consumidor. O aumento da taxa básica de juros (de 1% para 5,25%) culminou na crise financeira de 2008.

Uma nova e inédita política de afrouxamento monetária é então implantada e dura até o fim de 2015, quando o Fed volta a elevar, timidamente, a taxa básica de juros.

Em todos estes episódios, sempre que o mercado de ações americano dava um soluço, o Fed interrompia e até mesmo revertia seu ciclo de subida de juros.

O exemplo mais recente, antes da Covid-19, havia sido em janeiro de 2019: após uma queda de 9% na bolsa em dezembro de 2018, e mais uma queda de 3,5% no início de janeiro de 2019, o Fed se apressou em vir a público para anunciar que “seria mais paciente” na elevação dos juros. Dali em diante, ele não mais fez elevação nenhuma.

E então veio a Covid-19 e o resultado é o atual.

Mas a novidade é que, ao contrário das outras marretadas nos juros, agora a inflação de preços está muito mais acentuada — mesmo porque o volume de injeção monetária na economia foi sem precedentes.

Isto coloca o Fed em uma sinuca de bico: ele vai se preocupar em combater a carestia e ignorar o mercado de ações, ou vai proteger o mercado de ações e ignorar a carestia?

Por que o Fed não pode se dar ao luxo de ignorar o preço dos ativos

Há vários motivos políticos e econômicos de o Fed não querer que o valor dos ativos — majoritariamente ações e imóveis — caiam. Mas dois se sobressaem.

O primeiro é que a maioria dos americanos assalariados tem os seus famosos planos 401(k), que são suas previdências investidas em bolsa de valores. Uma queda na bolsa empobrece contabilmente dezenas de milhões de americanos.

O segundo motivo, e este é menos discutido mas é igualmente importante, é que tanto os americanos quanto o mundo estão altamente alavancados: ou seja, endividaram-se para investir e obter ganhos bastante acima do valor da dívida.

Quem está alavancado tem de utilizar colateral (garantia para o empréstimo). E este colateral normalmente são imóveis e ações, ambos ativos totalmente sensíveis às taxas de juros.

Se este colateral se desvalorizar, então a alavancagem se torna  literalmente impagável, e o alavancado se torna contabilmente falido.

Se você utiliza um imóvel como garantia para uma dívida, e o valor deste imóvel desaba, você se torna insolvente. Você terá de liquidar outros ativos, normalmente ações. Igualmente, uma queda nas ações irá tornar contabilmente falidos investidores que utilizam ações como colateral para operar alavancados na bolsa e com isso obter retornos acima da média (uma prática comum em ambiente de juros baixos ou juros reais negativos).

Este, portanto, é o grande tormento do Fed. Ele não pode permitir grandes quedas no valor de imóveis e de ações, pois há um efeito-cascata imprevisível e com alto potencial destrutivo.

Logo, se o Fed pressentir que o colateral de americanos e do mundo (que utiliza ativos americanos) pode ficar em risco em decorrência de eventuais elevações nos juros, ele dificilmente incorrerá nesta política. Entre uma carestia maior, mas com ativos mantendo seu valor nominal, e uma carestia menor, mas com ativos perdendo valor nominal (e falindo milhões de pessoas alavancadas, bem como aposentados e pessoas visando à aposentadoria), ele tende a optar pelo primeiro cenário.

O Banco Central Europeu, não é diferente – mas é pior

Proteger os preços dos ativos não é preocupação exclusiva do Fed. Além do já mencionado Banco Central do Japão, o Banco Central Europeu (BCE) também segue a mesma linha.

O mercado financeiro obviamente já entendeu que os propósitos não-oficiais dos principais Bancos Centrais mundiais têm sido a) sustentar os preços de ativos (principalmente ações e imóveis), b) atenuar (ou tentar extinguir) o ciclo econômico, c) financiar os déficits dos respectivos governos.

Com as maciças — e até então inéditas em volume — injeções monetárias para combater a pandemia, ocorreu uma raríssima sincronização do ciclo econômico no mundo. A inflação de preços agora sobe simultaneamente em quase todos os países, até no Japão. Quase todos os bancos centrais já iniciaram ou anunciaram que irão iniciar altas de juros.

A notável exceção é o Banco Central Europeu, que tem combatido a inflação de preços apenas com retórica vazia. No ano passado, abandonou a histórica meta de inflação, “abaixo de 2%”, e adotou meta de inflação “próxima a 2%” (pode flutuar acima por longo período). A nova atitude “pombinha” (“dovish”) do BCE de Christine Lagarde jogou a inflação para mais de 5%, ao passo que a inflação no atacado, como visto no início deste artigo, tem rodado acima de 25%.

A sinuca de bico do BCE é real. Uma eventual alta dos juros pode elevar em demasia o custo de captação dos governos da Itália (cujos juros de 10 anos subiram de 0,5% para 2%) e da Grécia (que subiram de 0,5% para 2,5%), criando uma situação parecida com a crise existencial do euro de dez anos atrás.

Mas, caso o BCE siga financiando déficits da Itália e da Grécia e praticando juros zero, a espiral inflacionária preços-salários-preços entrará em ação.

Para concluir

Hoje, a Bolsa americana está borbulhante, com ganância e euforia em retroalimentação. Parte da explicação tem a ver com a “TINA, expressão da Margaret Thatcher, “There Is No Alternative”. Ela se referia à economia de mercado, o melhor e único sistema que funciona. A analogia é que, como a renda fixa não paga nada, não parece haver outra opção do que colocar na “tina” da Bolsa.

Porém, se o Fed optar pelo combate inequívoco à inflação e eventualmente indicar uma trajetória de normalização dos juros (a níveis acima da inflação), a Bolsa poderá despencar, a ganância se tornar pavor, e aquele efeito cascata sobre a alavancagem gerar estragos.

Nem investidores, nem bancos, nem gestores, nem os demais países anseiam por essa alternativa. Também não aplaudiram inicialmente quando Paul Volcker acertadamente partiu para cima da carestia aumentando os juros em 1981, o que propiciou a volta da estabilidade e décadas de lucros nos mercados.

O grau de liberdade do Fed desapareceu. O do BCE também. A opção das injeções monetárias não-inflacionárias expirou. A regra do jogo mudou, e os investidores — inclusive os brasileiros — precisam reler o manual para evitar as perdas.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: PROTECIONISMO E LIVRE COMÉRCIO, QUEM GERA ABUNDÂNCIA E QUEM GERA ESCASSEZ?

O artigo deste domingo, aqui na coluna ECONOMIA trata de abundância e escassez, protecionismo e livre comércio. O protecionismo é uma desastrosa política implantada para criar escassez e para impedir a abundância. Tal política é destruidora do padrão de vida humano. Ao passo que, se as fronteiras do território dentro do qual vivemos estão completamente abertas para todos os bens e serviços produzidos mundialmente, estamos na privilegiada situação de ter os indivíduos mais talentosos do mundo trabalhando e produzindo para atender às nossas demandas, reduzir nossa escassez e aumentar nossa abundância. Leia o artigo completo a seguir e entenda isso.

Se você é contra o livre comércio, você tem medo da abundância e da prosperidade

O protecionismo é a confusa tese daqueles que acreditam que mais escassez gera bem-estar

 

Eis o fato mais importante que qualquer economista digno de sua profissão tem de reconhecer: vivemos em um mundo de escassez.

A escassez é ubíqua e está por todos os lados. Nenhum bem de consumo existe em abundância. Nenhum bem de consumo é infinito. Tudo tem de ser trabalhado e produzido.

E, por mais que trabalhemos e produzamos, ainda assim jamais conseguiremos criar tudo o que desejamos. Nem todos os desejos e necessidades humanas podem ser satisfeitos com os meios — mão-de-obra, recursos, ferramentas, maquinários, tempo, conhecimento — disponíveis.

Alguns de nossos desejos — com efeito, a maioria — jamais serão atendidos, pois, exatamente para que possamos utilizar os recursos escassos, a mão-de-obra, as ferramentas, os maquinários, o tempo e o conhecimento na produção de alguns bens e serviços, outros bens e serviços deixarão de ser produzidos.

Consequentemente, determinados bens e serviços deixarão de ser produzidos para que aqueles outros bens e serviços que julgamos ser mais essenciais possam ser produzidos.

Um dos mais graves erros econômicos que os seres humanos podem cometer é o de ignorar que o nosso mundo é caracterizado pela escassez. Seres humanos que partirem do princípio de que vivem em um mundo de superabundância pagarão um preço extremamente alto por esse erro.

E caso você pense que só falei obviedades — tão óbvias ao ponto de serem irrelevantes, pois ninguém ousaria imaginar outra coisa —, repense. Uma grande variedade de políticas governamentais se baseia na premissa de que o maior “problema” que a humanidade enfrenta não é a escassez, mas sim a superabundância.

O protecionismo e o temor da prosperidade

Um perfeito exemplo de uma política baseada no temor de que haja superabundância é o protecionismo.

De longe, a força ideológica mais poderosa na defesa do protecionismo é o temor de que, com o livre comércio — isto é, com as pessoas podendo comprar coisas baratas do exterior —, haverá poucos empregos para os trabalhadores na economia doméstica.

Repare: o que seria esse temor senão o medo de que o livre comércio irá gerar uma abundância tão plena, que ninguém mais terá de trabalhar para produzir? O que seria esse temor senão a noção de que, com o livre comércio, todos os desejos da humanidade seriam tão completamente satisfeitos, que chegaremos ao ponto em que não mais seremos úteis em fornecer bens e serviços uns aos outros?

O temor do cidadão comum em relação ao livre comércio se baseia em um entendimento completamente equivocado em relação à realidade do mundo. É um temor de que nós humanos (ou pelo menos os humanos de um determinado país) estamos no limiar de abolir a escassez e, consequentemente, de transformar o mundo (ou ao menos o nosso país) em um ambiente de superabundância.

Esse temor é completamente irracional.

Esse temor é irracional não apenas porque, não importa quão materialmente prósperos nos tornemos, a escassez sempre continuará existindo; é irracional também porque sua expressão é invariavelmente incoerente. Aquelas pessoas que temem que o livre comércio irá abolir a demanda por mão-de-obra estão, por definição, dizendo que o livre comércio irá abolir a escassez. Mas tão extraordinário sucesso em abolir a escassez significaria, também por definição, que não ter um emprego não geraria nenhuma penúria ou privação. Em um mundo de superabundância, ninguém precisa trabalhar para sobreviver ou mesmo para viver luxuosamente. Se a escassez foi abolida, as privações acabaram.

Por outro lado, um mundo em que as pessoas têm de trabalhar para sobreviver, principalmente para viver com algum luxo, é necessariamente um mundo de escassez — o que significa que é um mundo repleto de oportunidades econômicas para todos aqueles que desejam servir aos outros visando ao lucro.

Políticas baseadas em um erro tão grosseiro quanto esse, que confunde nosso mundo de irrevogável escassez com um mundo de superabundância — ou no limiar da superabundância —, são destrutivas. E quanto mais essas políticas forem buscadas, mais destrutivas elas serão.

O protecionismo é uma política baseada no calamitoso e errôneo temor de que um dos maiores problemas enfrentados pelos seres humanos não é a escassez, mas sim a superabundância.

Protecionistas confundem trabalho duro com prosperidade

No entanto, há uma explicação para essa confusa mentalidade protecionista. Eles confundem trabalho duro com prosperidade.

As pessoas trabalham com o intuito de reduzir o fardo da escassez. Elas trabalham para produzir e, com isso, tornar bens e serviços mais abundantes. Fazer com que bens e serviços sejam mais abundantes é o fim; o trabalho é o meio.

Ao verem uma conexão entre trabalho e redução da escassez, os protecionistas erroneamente concluem que, ao reduzirem as importações e elevarem artificialmente a escassez, e com isso obrigarem as pessoas a trabalharem mais, esse aumento da necessidade de trabalho tornará as pessoas mais prósperas.

Ou seja, ao corretamente verem o trabalho como um meio para a redução da escassez, os protecionistas ilogicamente concluem que políticas que aumentem a escassez — e que, logo, gerem mais necessidade de trabalho — irão necessariamente tornar as pessoas mais prósperas.

Só que, com a escassez artificialmente aumentada por tarifas de importação e outras “proteções” — e com a abundância artificialmente reduzida por essas medidas —, as pessoas terão, como resultado, de trabalhar mais pesado a fim de continuar consumindo a mesma quantidade de bens e serviços que consumiam. Ou, o que dá no mesmo, caso continuem trabalhando o mesmo tanto, terão de se contentar em consumir menos bens e serviços.

Isso é o exato oposto de maior bem-estar e maior padrão de vida.

Afinal, é exatamente naquelas sociedades em que o esforço físico é o mais pesado e intenso, que a qualidade de vida é menor. Onde o trabalho é mais fisicamente exaustivo: no Haiti ou na Nova Zelândia? Quem tem um comércio mais livre? Quem tem um padrão de vida maior?

Protecionistas, ao verem uma maior necessidade de trabalho, concluem que esse maior esforço físico fará com que as pessoas se tornem mais prósperas. Já os defensores do livre comércio, ao verem uma maior necessidade de esforço físico, reconhecem que isso é consequência de as pessoas terem se tornado menos prósperas.

Conclusão

O protecionismo é uma desastrosa política implantada para criar escassez e para impedir a abundância. Tal política é destruidora do padrão de vida humano. Não há meias palavras.

Todos nós trabalhamos porque queremos trocar os frutos do nosso trabalho por aqueles bens e serviços que ainda não temos ou dos quais necessitamos continuamente.  Trabalhamos e produzimos para que então possamos demandar bens e serviços. Trabalhamos e produzimos para que possamos importar bens e serviços — seja de outra rua, de outro bairro, de outra cidade, de outro estado ou de outro país.

Se as fronteiras do território dentro do qual vivemos estão completamente abertas para todos os bens e serviços produzidos mundialmente, então somos pessoas de sorte: estamos na privilegiada situação de ter os indivíduos mais talentosos do mundo trabalhando e produzindo para atender às nossas demandas, reduzir nossa escassez e aumentar nossa abundância.

Sob este arranjo, por definição, o poder de compra do nosso salário alcança sua máxima capacidade. Todos aqueles que gostam de barganhas e de pechinchas adoram, intuitivamente, o livre comércio.

Por outro lado, se o governo fecha artificialmente as fronteiras do país para os produtos estrangeiros, então a população passa a viver sob um permanente estado de isolamento e autarquia. Ao serem praticamente proibidas de utilizar os frutos do seu trabalho para adquirir aqueles bens e serviços que são produzidos com mais qualidade por estrangeiros, as pessoas são forçosamente obrigadas a trabalhar duro par fabricar elas próprias esses bens, consequentemente desempenhando atividades nas quais não têm nenhuma habilidade.

Sendo obrigadas a fazer coisas para as quais não têm talento, toda a divisão do trabalho é afetada. A produtividade cai, a economia se torna mais ineficiente, e o padrão de vida vai junto.

Adicionalmente, a restrição às importações faz com que a capacidade de consumo e de investimento da população seja artificialmente reduzida. Tendo agora de pagar mais caro por produtos nacionais de qualidade mais baixa, os consumidores nacionais estarão incapacitados de consumir mais e de investir mais.

E sempre que a capacidade de consumo e de investimento da população é artificialmente reduzida, lucros e empregos diminuem por toda a economia.

Consequentemente, empregos de baixa produtividade nas indústrias protegidas são mantidos em detrimento de empregos de alta produtividade em empresas que tiveram suas vendas reduzidas por causa da queda da capacidade de consumo e de investimento das pessoas. A produção diminui, os preços médios aumentam, e os salários reais caem.

No que diz respeito ao comércio, a melhor política sempre será a eliminação de todas as barreiras à importação. Mesmo que unilateralmente. E por um motivo simples e racional: a abundância sempre deve ser preferida à escassez.

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UTILIDADE PÚBLICA: 53 MIL SERVIDORES DO ESTADO RECEBERÃO SALÁRIO ATRASADO REFERENTE A DEZEMBRO DE 2018, SEGUNDO ANUNCIOU O GOVERNO DO ESTADO

Por g1 RN

 

Dinheiro, real, economia, salário mínimo, pagamento, PIB, reais, auxílio, notas, dívidas, contas, endividamento — Foto: Natalia Filippin/G1Dinheiro, real, economia, salário mínimo, pagamento, PIB, reais, auxílio, notas, dívidas, contas, endividamento — Foto: Natalia Filippin/G1

O Governo do Rio Grande do Norte anunciou que vai concluir neste sábado (29) o pagamento da quarta folha de salários em aberto desde 2018 a 53 mil servidores ativos e inativos com vencimentos até R$ 3.500,00 líquido. O pagamento é referente à folha salarial de dezembro de 2018.

Também no sábado (29), o governo deverá concluir o pagamento dos salários de janeiro, segundo o governo estadual.

“Quando assumimos em 2019, os servidores públicos estavam com quatro folhas de salários em atraso. Nos últimos três anos pagamos os salários em dia e três folhas deixadas em atraso. Agora estamos quitando esta herança perversa e concluindo o pagamento de todos os salários atrasados de 65% dos servidores”, afirmou a governadora Fátima Bezerra.

Segundo o governo, a dívida era de quase R$ 1 bilhão. Dos 85 mil servidores que tinham salários atrasados, serão concluídos os pagamentos de 53 mil neste sábado (29).

Ainda de acordo com o governo, no final de março será concluído o pagamento de outros 22,5 mil e o restante receberá o pagamento no final de maio. Com o pagamento deste sábado ficará faltando quitar aproximadamente R$ 200 milhões.

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ECONOMIA: PREFEITO DE NATAL ADOTA MEDIDAS PARA CONTER A DISSEMINAÇÃO DO VÍRUS E ASSEGURAR O FUNCIONAMENTO DO COMÉRCIO

Decreto do prefeito Álvaro Dias assegura acesso da população ao comércio e suspende eventos, shows e festas em Natal

25 jan 2022

Decreto estabelece novas normas para retomada gradual das atividades econômicas em Natal

A Prefeitura do Natal, após reunir na noite de ontem o Comitê Científico Municipal, resolveu adotar uma série de medidas relativas à pandemia da Covid 19 no sentido de controlar a disseminação do vírus e, ao mesmo tempo, assegurar o livre funcionamento do comércio, pensando na geração de empregos e de renda e na manutenção da atividade econômica na cidade.

Um decreto a ser publicado na edição desta terça-feira (25) do Diário Oficial do Município assegura o acesso da população aos serviços e ao comércio em geral, independente da comprovação do esquema vacinal, desde que atendidos os protocolos sanitários.
O decreto também suspende a realização de festas, shows e eventos comerciais, mantém a proibição da circulação de pessoas nos espaços público sem o uso de máscaras de proteção facial, e ratifica o cancelamento de toda a programação de eventos organizados pela Prefeitura durante o carnaval.

As regras definidas no Decreto poderão ser revistas a qualquer momento de acordo com as taxas de transmissibilidade da Covid 19 em Natal.

Fonte: Política em Foco
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ECONOMIA: O QUE O FED IRÁ FAZER DIANTE DE UM CENÁRIO OBSCURO NA ECONOMIA AMERICANA?

Um fato quase inédito, que não acontecia na economia dos Estados Unidos há, pelo menos, 40 anos volta a acontecer como consequência da pandemia de Covid-19. Com uma inflação de preços se aproximando da faixa dos dois dígitos rapidamente, uma taxa de desemprego de 3,9%, “aparentemente” positiva e os salários em queda, o país caminha para uma recessão. Leia o artigo completo a seguir e saiba o porquê disso!

Inflação de preços nos EUA é a maior desde 1982. E os salários reais estão em queda

O que o Fed irá fazer?

A inflação de preços nos EUA atingiu o maior valor em quase quarenta anos.

Segundo dados publicados ontem (quarta-feira, 12 de janeiro de 2022) pelo Bureau of Labor Statistics, o índice de preços ao consumidor (CPI – Consumer Price Índex) acumulado em 2021 foi de 7,1%.

A última vez em que ele esteve tão alto assim foi em junho de 1982, quando a taxa foi de 7,2%.

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Gráfico 1: evolução da taxa de inflação de preços ao consumidor americano (acumulado em 12 meses)

Este acentuado aumento na inflação de preços provavelmente irá aumentar a pressão política para que o presidente do Federal Reserve (o Banco Central americano) Jerome Poweel “faça alguma coisa” sobre isso.

Após meses insistindo que a inflação de preços seria “transitória” e que não havia motivos para preocupação, ficou claro, já em outubro de 2021, que a inflação de preços estava alcançando os piores níveis em décadas.

Desde então, o Fed fez uma alteração drástica no tom de seus pronunciamento, com Powell, nesta semana, dizendo que a inflação se tornou “uma ameaça severa“, e ainda reiterando que o Fed planeja elevar a taxa básica de juros bem mais cedo do que se imaginava:

À medida que o ano [de 2022] vá avançando … se as coisas progredirem como o esperado, iremos normalizar a política monetária, o que significa que, em março, iremos abolir o programa de compra de ativos, o que também significa que iremos elevar os juros ao longo do ano.

Observem a condicional “se as coisas progredirem como o esperado”. Naturalmente, o planejado aperto monetário irá depender fortemente dos indicadores econômicos do próprio Fed. Mais especificamente, irá depender de se a economia está crescendo e se a bolsa de valores está subindo.

Queda da renda real

Para muitos americanos, porém, as notícias já são ruins, e a carestia está subtraindo o poder de compra dos trabalhadores. Os números de dezembro mostram que a inflação de preços já superou os ganhos salariais. Em 2021, o salário médio aumentou 4,7% em termos nominais. Mas com a inflação de preços subindo 7,1%, os salários reais caíram.

O gráfico abaixo mostra esta evolução. A linha azul representa a evolução da taxa de inflação de preços. A linha cinza mostra a evolução dos ganhos salariais nominais. A partir de 2021, a inflação passa a subir mais que os salários.

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Gráfico 2: evolução da taxa de inflação de preços (linha azul) versus evolução dos ganhos salariais nominais (linha cinza). Fonte: BLS, tabela B-3. Ganhos por hora e semanais de todos os empregados do setor privado não-agrícolaConsumer Price Index 

Analisando esta diferença, pode-se constatar que os salários reais estão caindo há pelo menos oito meses, com a queda chegando a 2,3% em dezembro de 2021 em relação a dezembro de 2020.

Além da inflação de preços, a inflação de ativos também continua sendo um problema para os consumidores. Por exemplo, de acordo com a Federal Housing and Finance Agency, os preços dos imóveis estão em forte ascensão, tendo encarecido 16,4% em 2021. Trata-se do maior aumento da série histórica (iniciada em 1975), e muito maior do que os aumentos registrados no período 2004 a 2007, ápice da bolha imobiliária.

Empregos e estímulos

A taxa de desemprego em 3,9% parece positiva, mas a criação de empregos foi significativamente abaixo do consenso: foi de 199 mil em dezembro versus um consenso de 450 mil.

Este número fraco tem de ser visto dentro de seu real contexto: o maior plano de estímulo fiscal e monetário da história recente. Com a oferta monetária tendo aumentado 40% desde janeiro de 2020, e com o governo tendo um déficit de US$ 2,77 trilhões (espantosos 15% do PIB, o maior da história), a criação de empregos ficou muito aquém da ocorrida em outros episódios de recuperações, e a situação do emprego está significativamente pior do que estava em 2019.

O número de pessoas que não estão na força de trabalho, mas que querem um emprego, não mudou em dezembro. Foi de 5,7 milhões. Isso representa 717 mil pessoas a mais do que em fevereiro de 2020.

O total dos que estão desempregados há muito tempo (aqueles que estão sem emprego há 27 semanas ou mais) permaneceu em 2 milhões em dezembro de 2021. Isso são 887 mil pessoas a mais que em fevereiro de 2020. Estes desempregados representam 31,7% do total de desempregados, de acordo com o BLS (Bureau of Labor Statistics).

A taxa de participação da força de trabalho — que é a razão entre o número total de pessoas economicamente ativas (empregadas e desempregadas) e o número total de pessoas aptas a trabalhar — ficou em 61,9% em dezembro, estagnada há quase doze meses. E 1,5 ponto percentual menor que em fevereiro de 2020.

Finalmente, a razão entre empregados e população total ficou em 59,5%, o que dá 1,7 ponto percentual abaixo do nível de fevereiro de 2020.

Se colocarmos todos estes números dentro do contexto de um maciço estímulo de US$ 3 trilhões, a evidência é cristalina. A gastança e a impressão monetária desenfreadas não trouxeram melhorias. Todos os empregos recuperados vieram simplesmente da reabertura da economia. Eles viriam de qualquer jeito. O plano de estímulos não apenas não acelerou a criação de emprego, como, ao contrário, reduziu.

Com as pessoas desempregadas recebendo 300 dólares por semana para ficar em casa, as empresas passaram a ter dificuldades para contratar pessoas. A situação se tornou tão bizarra que o McDonald’s passou a pagar 50 dólares apenas para a pessoa comparecer para uma entrevista de emprego.

Como bem apontou o The Wall Street Journal, ainda antes da pandemia, empresas americanas já estavam reclamando de uma escassez de mão-de-obra qualificada para a indústria e para os setores mais tecnológicos, o que estava afetando a competitividade americana. Na atual situação, ficou ainda mais difícil para essas empresas encontrarem pessoas para operar fábricas de semi-condutores e desenvolver tecnologias de ponta.

Ou seja: a recuperação teria sido mais robusta sem estes estímulos.

Pior: os estímulos serviram apenas para gerar carestia e reduzir os salários reais.

Se a força de trabalho está estagnada e os salários reais estão caindo em meio à maior expansão monetária, ao maior pacote fiscal e ao maior déficit da história do governo americano, a conclusão inevitável é de que estes estímulos não foram particularmente exitosos.

Em específico, o número inédito de pessoas abandonando o emprego é evidência de um mercado de trabalho disfuncional, no qual centenas de milhares de americanos não querem trabalhar porque os custos superam os salários. Isto não é um sintoma de economia robusta; é um sintoma de um efeito realmente preocupante e deletério da inflação.

Por tudo isso, apesar da taxa de desemprego estar em 3,9%, o fato é que os EUA não estão nem próximos de um pleno emprego. A taxa está baixa porque, como demonstrado, a quantidade de pessoas que se retiraram da força trabalho (e que, portanto, não entram nas estatísticas) é alta. Apagar pessoas da lista de desemprego não representa pleno emprego.

Uma inflação persistentemente alta em conjunto com impostos mais altos (que serão necessários para financiar ao menos uma parte do déficit trilionário) significam menos oportunidades de emprego, pois as pequenas e médias empresas — que são as maiores empregadoras do país — têm de lidar com custos de produção maiores e margens de lucro menores.

A sinuca de bico do Fed

Nos últimos 40 anos, a cada queda relevante da Bolsa e a cada recessão, o Fed sempre recorria à mesma receita: socorrer o mercado e a economia, injetando dinheiro nos bancos.

A ideia é que esta impressão monetária fosse despejada na economia — via empréstimos concedidos pelos bancos — e causasse uma injeção de ânimo e de gastos, sustentando a Bolsa e interrompendo a recessão. Com efeito, por reiteradas vezes, o dinheiro novo animou a Bolsa e provocou gastos a curto prazo, mas não aboliu o ciclo econômico nem inibiu crises financeiras.

Só que este longo histórico de socorro condicionou os investidores e bancos a presumir que, na próxima crise, o Fed novamente socorrerá a Bolsa e a economia. Mas a novidade é que, ao contrário das outras ocasiões, agora realmente está havendo inflação de verdade (mesmo porque os estímulos de agora foram sem precedentes).

Logo, o que fará o Fed no atual e inédito cenário?

Se ele optar pelo combate à inflação e eventualmente indicar que haverá uma normalização dos juros — para níveis acima da inflação —, a Bolsa poderá despencar, junto com o PIB. Nem investidores, nem bancos, nem gestores, nem os demais países anseiam por essa alternativa. Também não aplaudiram inicialmente quando Paul Volcker acertadamente aumentou os juros em 1981, o que aniquilou a estagflação da década de 1970 e propiciou a volta da estabilidade e décadas de lucros nos mercados, mas ao alto custo de uma profunda recessão no curto prazo.

Se ele se mantiver no curso atual, tolerando uma inflação de preços mais altas para não apertar a bolsa, os desarranjos econômicos supracitados irão se intensificar, com consequências nada alvissareiras.

O grau de liberdade do Fed desapareceu. A até então “alternativa gratuita” dos estímulos fiscais e monetários não inflacionários expirou. A regra do jogo mudou. Para o mundo todo.

Fonte: Mises Brasil

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ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE: O DEGELO NO HIMALAIA ESTÁ A CADA DIA MAIS INTENSO

O derretimento desenfreado no Himalaia está resultando na formação de imensos lagos. O gelo está sendo perdido nas  geleiras do Himalaia a uma taxa pelo menos dez vezes maior do que a taxa média nos séculos passados. O artigo a seguir mostra o que realmente está acontecendo nas geleiras do Himalaia. Leia e se atualize!

REDAÇÃO GALILEU

 ATUALIZADO EM 

O derretimento desenfreado no Himalaia está resultando na formação de imensos lagos (Foto: Duncan Quincey, University of Leeds)O derretimento desenfreado no Himalaia está resultando na formação de imensos lagos (Foto: Duncan Quincey, University of Leeds)

O conjunto de montanhas mais altas do mundo é também o mais ameaçado pelos efeitos do aquecimento global. É o que indica uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra. O estudo publicado nesta segunda-feira (20) na revista Scientific Reports aponta que a cordilheira do Himalaia, que abriga o Everest, tem perdido gelo em velocidade recorde.

Segundo os pesquisadores, as geleiras estão derretendo dez vezes mais rápido nas últimas décadas do que a média de derretimento desde a Pequena Era do Gelo, um período de resfriamento da Terra que acabou por volta de 1800. Na prática, isso significa que o Himalaia perdeu cerca de 40% da sua área desde então. Para chegar nessas estimativas, a equipe da Universidade de Leeds usou imagens de satélite e modelos digitais de elevação, simulando qual seria a superfície do gelo entre 400 e 700 anos atrás — e, portanto, concluindo quanto foi perdido.

O derretimento “excepcional” do Himalaia, nas palavras dos pesquisadores, também é recorde se comparado ao de outras geleiras do mundo. A título de comparação, a quantidade de gelo que a cordilheira perdeu desde a Pequena Era do Gelo, algo entre 390 km³ e 586 km³, é equivalente a todo o gelo contido hoje nos Alpes da Europa Central, no Cáucaso e na Escandinávia somados.

 Himalaia perdeu cerca de 40% da sua área desde a Pequena Era do Gelo (Foto: Duncan Quincey, University of Leeds)Himalaia perdeu cerca de 40% da sua área desde a Pequena Era do Gelo (Foto: Duncan Quincey, University of Leeds)

Para os pesquisadores, esse degelo acelerado e desenfreado do Himalaia não pode ser dissociado do aquecimento global. “Nossas descobertas mostram claramente que o gelo está sendo perdido nas geleiras do Himalaia a uma taxa pelo menos dez vezes maior do que a taxa média nos séculos passados. Essa aceleração na taxa de perda surgiu apenas nas últimas décadas e coincide com a mudança climática induzida pela humanidade”, afirma à imprensa Jonathan Carrivick, um dos autores do estudo e chefe adjunto da Escola de Geografia da Universidade de Leeds.

Esse gelo todo, é claro, acaba se convertendo em líquido. A estimativa é que esse derretimento das geleiras do Himalaia nos últimos séculos tenha elevado entre 0,92 milímetros (mm) e 1,38 mm o nível do mar em todo o mundo. Mas isso não significa abundância para quem depende da água que escoa do degelo da cordilheira.

derretimento das geleiras, que deveria ser sazonal, abastece diversas regiões da Ásia com a água que é usada para irrigação, geração de energia e até para beber. Com a perda de gelo acelerada, o risco é que esse abastecimento acabe num futuro próximo. Além disso, o derretimento desenfreado também está resultando na formação de imensos lagos nessas regiões.

Estudos apontam que, se esses lagos entrarem em colapso, podem resultar em enchentes que afetarão milhões de pessoas. Segundo Simon Cook, coautor do estudo e professor de Geografia e Ciência Ambiental na Universidade de Dundee, trata-se de um impacto significativo em nações e regiões inteiras.

Esta matéria faz parte da iniciativa #UmSóPlaneta, união de 19 marcas da Editora Globo, Edições Globo Condé Nast e CBN. Saiba mais em umsoplaneta.globo.com.

Fonte: Revista Galileu

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ECONOMIA: CRIAR RIQUEZA NÃO É O MESMO QUE CRIAR EMPREGOS, SAIBA O PORQUÊ

Se engana redondamente quem imagina que o objetivo de uma economia é criar e proteger empregos. Na coluna ECONOMIA deste domingo você vai entender que ao criar riqueza, que não significa unicamente gerar empregos, é atribuição única e exclusiva da iniciativa privada e a única coisa que o governo deve fazer é não atrapalhar: não tributar, não regular, não burocratizar, e não encarecer artificialmente a contratação da mão-de-obra.

O objetivo de uma economia não é nem “criar empregos” e nem “proteger empregos”

 

Há aquela famosa estória apócrifa de um engenheiro que, em visita à China, deparou-se com uma enorme equipe de operários construindo uma barragem com pás e enxadas.

Quando o engenheiro disse ao supervisor da obra que todo o trabalho poderia ser completado em poucos dias — em vez de em vários meses — caso os trabalhadores utilizassem escavadeiras motorizadas, o supervisor disse que não podia fazer isso, pois tal equipamento iria destruir vários empregos.

“Ah”, respondeu o engenheiro, “pensei que você estava interessado em construir uma barragem. Se o seu objetivo é apenas criar empregos, então por que você não coloca seus homens para trabalhar com colheres em vez de enxadas?”.

O “empreguismo” parece ser a principal política dos governos

As políticas governamentais e até mesmo a popularidade de um governo costumam ser avaliadas em termos de quantos empregos foram criados.

Quantas vezes escutamos políticos dizerem que irão fazer de tudo para “criar empregos”? Ou, mais ainda, com que constância eles dizem que farão de tudo para “proteger os empregos do povo”?

Ato contínuo, várias medidas intervencionistas passam a ser defendidas com a justificativa de que irão “criar empregos”. Restringir importações é visto como uma maneira de proteger e criar empregos domésticos. Subsídios e créditos tributários são frequentemente justificados como uma maneira de aumentar empregos no setor favorecido. Empréstimos baratos feitos por bancos estatais são defendidos por estimularem “o consumo e a criação de empregos”. Até mesmo o inchaço do funcionalismo público é visto como uma maneira válida de criar empregos.

Presidentes apontam com orgulho o número de empregos criados na economia durante seus mandatos. Supostamente, quanto mais empregos criados, mais bem-sucedida foi a administração. Ao que parece, nunca houve um programa de gastos governamentais cujos defensores não tenham ressaltado que ele “criou empregos”.

Em princípio, não há nada de errado com a criação de empregos. Trabalhar em um emprego é uma maneira importante por meio da qual as pessoas criam riqueza. Assim, a ênfase na criação de empregos é compreensível.

O problema é que as pessoas se esquecem de que ter um emprego não é um fim, mas apenas um meio. O que realmente queremos é criar mais riqueza, e empregos são apenas um meio para este fim.

Quando este fato elementar é esquecido, torna-se mais fácil ludibriar as pessoas com argumentos que elevam a criação de empregos a um fim em si mesmo. E o que é pior: esses argumentos frequentemente são utilizados para defender políticas que destroem a riqueza.

Criar empregos não é o problema

Qual é objetivo de qualquer atividade produtiva? Produzir a maior quantidade de valor possível utilizando os recursos escassos (inclusive o esforço humano) disponíveis.

Não importa o quanto tentemos revogar a escassez, ela nunca será abolida. Vivemos em um mundo de escassez. Nada é infinito. Dado que nenhum bem ou serviço é encontrado pronto do nada — todos eles precisam ser criados e trabalhados —, a escassez para sempre irá nos impedir de conseguir as coisas que desejamos. Por isso, sempre haverá trabalho a ser feito. Sempre haverá uma demanda a ser saciada.

Logo, criar empregos não é o problema. Esse é o ponto da estória do engenheiro na China. O problema é criar empregos nos quais as pessoas produzam o máximo de valor.

Se o objetivo de uma economia fosse apenas empregar a maior quantidade possível de pessoas, então a receita seria muito simples: bastaria o governo decretar a destruição de todas as máquinas do país e fechar completamente as fronteiras para as importações.

Por exemplo, se o governo banir os tratores e todos os modernos equipamentos agrícolas amanhã, ele criaria milhões de novos empregos no campo. Se o governo banir as máquinas e outros avançados processos automatizados de produção industrial, ele criaria milhões de novos empregos na indústria. Se o governo proibir todas as importações, ele criaria milhões de empregos na indústria, no campo e no setor de transportes. Se o governo banir ferramentas mecânicas e equipamentos modernos para a construção civil, outros milhares de empregos seriam criados.

Podemos ir além e abolir o uso de caminhões, trens, aviões e automóveis. Toda a carga teria de ser transportada no lombo de cada indivíduo. O número de empregos criados iria superar com ampla margem o número de empregos perdidos na indústria de transportes.

Não há dúvidas de que tamanha regressão compulsória na tecnologia geraria um grande número de postos de trabalho. Não é nenhum exagero dizer que, neste cenário, a taxa de desemprego seria zero. Consequentemente, desocupação é algo que não mais ocorreria com a população deste país. Todo e qualquer indivíduo estaria completamente atarefado tendo de produzir e transportar absolutamente todos os bens de consumo necessários para continuar vivendo. O “fantasma do desemprego” nunca mais assombraria esta população.

Sensacional, não?

Mas fica a pergunta: essa criação de empregos por acaso deixou a população mais rica? Aumentou seu bem-estar? Melhorou seu padrão de vida?

Criar valor é o segredo

É por isso que se concentrar apenas no número de empregos criados e ignorar o valor que está sendo criado por esses empregos é uma prática deletéria para a economia. Pode perfeitamente ser o caso de estes empregos estarem destruindo riqueza (como é o caso de vários cargos no serviço público).

Eis a verdade politicamente incorreta: todo o progresso econômico resulta do aumento da produtividade. Isso significa que o progresso econômico ocorre quando nos tornamos capazes de ofertar os mesmos — ou melhores — bens e serviços com menos trabalhadores.

Ao usar menos trabalhadores para produzir a mesma quantidade de bens e serviços, estes trabalhadores dispensados são liberados para aumentar a produção em outros setores econômicos, tendo agora novos empregos mais produtivos.

A incapacidade de compreender este fato como sendo a fonte de crescente prosperidade explica a enorme simpatia de políticos e pessoas comuns por políticas públicas destrutivas.

Na prática, ao recorrerem à justificativa da “criação de empregos”, políticos frequentemente implantam legislações que aumentam o esforço e o custo necessários para se produzir a mesma quantidade de bens e serviços.

Por exemplo, um dos argumentos para se restringir as importações é que isso irá criar (ou proteger) empregos domésticos. Pode até ser verdade — embora os estudos indiquem que não —, mas a realidade incontornável é que uma restrição nas importações irá encarecer a obtenção de produtos de maior valor (afinal, este é exatamente seu objetivo). O único motivo de um país importar produtos é que esta é a maneira mais barata de adquiri-los. São necessários menos trabalhadores para obter os produtos importados do que para produzi-los diretamente. Desta maneira, o livre comércio funciona como um avanço tecnológico, libertando os trabalhadores de empregos improdutivos e permitindo que eles aumentem a produção de bens e serviços naquelas áreas cuja demanda dos consumidores ainda não está saciada.

Por isso, restrições às importações criam empregos da mesma maneira que dinamitar ferrovias, explodir fábricas e exigir que trabalhadores usem enxadas em vez de escavadeiras motorizadas também criam empregos: com grande destruição de valor, riqueza e bem-estar.

De novo: o segredo do progresso não está na criação de empregos, mas sim na criação de valor. O segredo é criar riqueza, isto é, produzir bens e serviços de valor para os consumidores.

A destruição natural de empregos é algo positivo

Um dos grandes erros das políticas públicas que visam à criação de empregos é que elas não reconhecem que a competitividade e o progresso requerem uma maciça destruição de empregos

A perda de empregos, quando ocorre naturalmente, deveria ser tratada como uma medida de grande sucesso, e não de fracasso de uma economia. Quando a indústria, a agricultura e os serviços aumentam acentuadamente sua produtividade e passam a ser capazes de produzir cada vez mais com menos trabalhadores, tamanha eficiência deve ser comemorada, e não lamentada.

Nenhuma economia rica se desenvolveu “protegendo empregos”, pois a destruição de empregos representa o próprio sinal do progresso.

Se a ideia de “proteger empregos” houvesse prosperado lá atrás, não haveria nem carros (que acabaram com empregos na indústria de carroças), nem tratores (que acabaram com empregos manuais na agricultura), nem computadores (que não só acabaram com empregos na indústria de máquinas de escrever, como provavelmente destruíram mais empregos do que qualquer outra inovação tecnológica na história da humanidade), nem luz elétrica (que acabou com empregos na indústria de velas), nem smartphones (que a acabou com a indústria de telefones fixos e de celulares obsoletos) nem praticamente nada de moderno que existe hoje.

Por isso, automações e mecanizações maciças que tendem a tornar obsoletos determinados postos de trabalho não devem ser condenadas, mas sim abraçadas. Elas representam aumento da eficiência e redução dos custos de produção.

Ter um canteiro de obras repleto de peões que fazem o mesmo serviço que apenas um homem com uma máquina seria capaz de fazer não é um exemplo de economia pujante ou rica, mas sim de desperdício de recursos. A taxa de desemprego seria baixa, mas essa economia não estará criando riqueza de forma eficiente.

Conclusão

Economias ricas são aquelas cujos empregos produzem, utilizando o menor esforço possível, os bens e serviços que os consumidores desejam. Logo, de certa maneira, o objetivo nacional adequado seria ter o menor número possível de empregos — isto é, utilizar a menor quantidade de trabalho e esforço possíveis para produzir a maior quantidade de produtos.

É um erro tratar empregos como um benefício quando, não verdade, empregos são um custo de produção. Por isso, uma economia rica não é aquela que cria empregos como uma finalidade em si mesmos, mas sim aquela que cria empregos que geram valor. Criar empregos como um fim em si mesmo não agrega valor à economia. O objetivo não deve ser meramente criar empregos, mas sim criar empregos produtivos.

E os únicos indivíduos capazes de criar empregos produtivos são os empreendedores atuando em um arranjo de livre mercado, guiados pelo sistema de preços, buscando lucros e evitando prejuízos, e sempre tentando antecipar as demandas dos consumidores.

Quando empresas são bem-sucedidas em criar valor — isto é, satisfazem as demandas dos consumidores, que voluntariamente decidem adquirir os bens e serviços produzidos por essas empresas —, elas auferem lucros. Com lucros, elas podem investir mais para produzir mais. Haver cada vez mais empresas auferindo mais lucros e fazendo mais investimentos para expandir sua produção gera uma maior quantidade de bens e serviços a preços mais acessíveis. O benefício para o consumidor é direto. E, como efeito colateral, haverá um aumento genuíno da demanda por mão-de-obra. Quanto mais as empresas auferem lucros, investem, crescem e se expandem, mais mão-de-obra elas demandam e maiores salários elas podem pagar.

Essa é a dinâmica de uma criação de empregos natural e saudável.

Sendo assim, para estimular essa criação de empregos, a única coisa que o governo deve fazer é não atrapalhar: não tributar, não regular, não burocratizar, e não encarecer artificialmente a contratação da mão-de-obra. Acima de tudo, não implantar políticas públicas que visem à “criação de empregos”.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: ENTENDA O PORQUÊ DE OS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO CONTINUAREM ATRASADOS

O artigo a seguir muito bem escrito pelo economista Antony P. Geller faz um questionamento muito importante acerca de o porquê dos países em desenvolvimento continuarem atrasados apesar de toda a tecnologia disponível no mercado e expõe o segredo do enriquecimento econômico dos países ricos. Convido você a ler o artigo completo a seguir e saber o que o Brasil precisa fazer para sair desse atraso econômico. 

O segredo do enriquecimento econômico – e por que os países em desenvolvimento continuam atrasados

Acumular capital e adotar tecnologias será perda de tempo e de recursos sem estes indivíduos

 

Há apenas duas maneiras de se aumentar a renda dos indivíduos — ou seja, a renda per capita — de uma sociedade: ou se aumenta o número de horas totais durante as quais se fabricam bens e serviços, ou se aumenta o número de bens e serviços fabricados por cada hora de trabalho.

Ou seja: ou trabalha-se mais ou trabalha-se com mais produtividade.

Estas são as duas únicas maneiras possíveis de se aumentar a renda de cada indivíduo da economia. Ou ele aumenta sua carga de trabalho e, consequentemente, passa a produzir uma quantidade maior de bens e serviços (cujas vendas irão lhe permitir mais renda), ou ele mantém suas horas de trabalho e passa a produzir mais coisas durante este mesmo intervalo de tempo (o que, igualmente, irá lhe permitir mais renda).

No longo prazo, é claro, o padrão de vida de qualquer sociedade só consegue melhorar de maneira sustentada se ela optar pela segunda alternativa: afinal, a quantidade máxima de horas que os indivíduos de uma sociedade podem trabalhar é materialmente limitada, de modo que só lhes resta elevar a produtividade.

Portanto, temos que maior qualidade de vida requer maior produtividade. Porém, eis o problema: a produtividade das economias em desenvolvimento está estancada.

Por que o Brasil segue parado: primeira teoria

No Brasil, por exemplo, segundo estudo do Insper em parceria com a consultoria Oliver Wyman, “entre 1996 e 2014, o índice que mede a produtividade, chamado de PTF (produtividade total dos fatores), caiu de forma acentuada em comparação com o resultado americano, saindo de 69% em 1996 para 48% em 2014.”

E mais: o trabalhador brasileiro leva uma hora para fazer o mesmo produto ou serviço que um norte-americano consegue realizar em 15 minutos e um alemão ou coreano em 20 minutos. Em termos de riqueza, o Brasil produz em uma hora o equivalente a US$ 16,75, valor que corresponde apenas a 25% do que é produzido nos EUA (US$ 67). Comparado a outros países, como Noruega (US$ 75), Luxemburgo (US$ 73) e Suíça (US$ 70), o desempenho do país é ainda pior.

Eis uma lista de 62 países em ordem de produtividade.

E eis um gráfico da revista The Economist mostrando a evolução da produtividade de Coreia do Sul, Chile, México, Brasil, China e Índia.

grafico.png

Há um certo consenso sobre as causas da baixa produtividade:

  • Baixa qualificação e capacidade dos trabalhadores (capital humano)
  • Tecnologia atrasada e mal administrada nas empresas (capital físico)
  • Investimento caro e abaixo do necessário (capital financeiro)
  • Infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos insuficientes e sucateados)
  • Burocracia complicada
  • Ambiente de negócios perverso

Tudo isso é verdade. E vale acrescentar também a hipótese de uma baixa qualidade do corpo administrativo das empresas. Os economistas Fabiano Schivardi e Tom Schmitz, em recente trabalho acadêmico voltado para as economias mais atrasadas da Europa, afirmam que pelo menos metade do atraso de produtividade desses países em relação à Alemanha se deve a uma má gestão das empresas, cujos administradores não souberam aproveitar a difusão da tecnologia.

Em outras palavras, por causa da má qualidade dos administradores e gestores, as empresas destes países não foram capazes de tirar o máximo proveito possível da incorporação de novas tecnologias — ou, mais ainda, essa incompetência impediu que muitas das tecnologias sequer fossem adotadas.

Consequentemente, com menos tecnologia adotada, houve menor demanda por mão-de-obra mais qualificada, o que redundou em salários menores do que poderiam ser.

Tudo isso, repetindo, na Europa.

Mas não é desarrazoado imaginar causas semelhantes no Brasil.

Podemos até mesmo ir um pouco além e concluir que, no final, todos os elementos listados acima apontam para um mesmo problema comum. Mais especificamente: a baixa acumulação de capital, o mau uso da tecnologia disponível, o baixo progresso técnico, o mau gerenciamento das empresas, e o baixo nível técnico da mão-de-obra decorrem de uma causa maior: a estrutura regulatória e protecionista do país protege as grandes empresas da concorrência externa e impede (por meio das regulações anti-truste) que as mais ineficientes sejam adquiridas pelas mais eficientes e com melhor qualidade administrativa.

Estando blindadas da concorrência externa e não podendo ser adquiridas por outras empresas mais eficientes, não há realmente por que se importarem com produtividade. Não há grandes riscos.

Baixa produtividade significa crescimento econômico de má qualidade

Vale lembrar que a produtividade nada mais é do que o resultado de uma divisão. Divide-se o PIB (que, grosso modo, é o total de bens produzidos por uma economia) pelo número de trabalhadores, e assim se obtém quanto cada trabalhador produziu.

Logo, se a produtividade ficou estagnada, então tem-se a obviedade matemática de que o PIB foi conduzido majoritariamente pelo aumento da mão-de-obra (o famoso “bônus demográfico”).

Ou seja, a economia cresceu simplesmente porque mais pessoas entraram no mercado de trabalho. Mais pessoas trabalhando e produzindo gerou um inevitável aumento dos bens e serviços produzidos (óbvio), e daí o PIB cresceu.

Mas isso é um crescimento “inercial”. Não é um crescimento duradouro. É o tipo de crescimento que tende a estagnar tão logo o número de pessoas entrando no mercado de trabalho pare de crescer.

E aí começa o verdadeiro problema.

Segundo a teoria neoclássica, se um país adota novas tecnologias que aprimorem a produtividade de sua mão-de-obra, haverá desenvolvimento econômico. Essas novas tecnologias normalmente são criadas pelos países ricos; ao passo que o criador dessas novas tecnologias irá auferir lucros extraordinários no curto prazo, todos irão ganhar ao adotarem essa tecnologia no longo prazo.

Isso significa que economias em desenvolvimento deveriam ser capazes de se aproximar mais das nações desenvolvidas tão logo adotassem essas novas tecnologias. Consequentemente, os mercados emergentes de hoje deveriam estar mais ricos do que as economias avançadas estavam antes da criação dessas tecnologias.

E, como mostram os dados acima, isso não ocorreu. As tecnologias estão disponíveis para os países mais pobres, mas elas não geraram maior crescimento econômico. Como a produtividade se manteve (ou até mesmo caiu), isso significa que o crescimento econômico nos países mais pobres foi gerado pelo aumento da mão-de-obra, e não por novas descobertas.

Por que foi assim? Por que a adoção de novas tecnologias gerou crescimento econômico nos países mais ricos e não nos mais pobres?

O professor Ricardo Hausmann, da Universidade de Harvard, já abordou este problema. Ele se apoiou na mesma tese de Friedrich Hayek: segundo ele, trata-se de um problema de conhecimento.

Friedrich Hayek argumentou em seu ensaio O Uso do Conhecimento na Sociedade que o conhecimento necessário para o avanço econômico é fundamentalmente subjetivo e está disperso por toda a sociedade. Seria impossível, por exemplo, condensá-lo e transmiti-lo por completo.

Ou seja, a natureza tácita do conhecimento faz com que seja extremamente difícil transmitir corretamente, para os países pobres, todas as coisas que foram aprendidas pelos países ricos no passado. Assim como ninguém aprende a andar de bicicleta apenas lendo um livro de física, o verdadeiro conhecimento também só é absorvido quando colocado em prática, pelo método da tentativa e erro.

Portanto, segundo esta teoria, o conhecimento necessário para o desenvolvimento econômico não está mastigado e pronto para ser aplicado, como uma receita de bolo, em países que até então desconheciam esses conhecimentos. O real desafio de um país em desenvolvimento é descobrir quais são os melhores métodos a ser aplicados em sua economia. Deve-se levar em conta o conhecimento específico da população desse país e, após um longo (e talvez doloroso) processo de tentativa e erro, determinar o que funciona melhor.

A tese, em si, é irrefutável. Mas também não explica tudo. Pode-se igualmente pontificar aqui sobre todos aqueles itens citados na seção anterior (imediatamente abaixo do gráfico), bem como as incertezas geradas pelos respectivos regimes políticos, ou mesmo sobre as décadas de desastre monetário geradas pelos bancos centrais desses países. Tudo isso certamente será válido. Mas ainda incompleto.

A causa principal do atraso dos países pobres é outra.

Para prosperar, tem de arriscar

A realidade é que, no final, todo e qualquer crescimento econômico decorre de uma só atitude: a assunção de riscos.

É sempre necessário haver um grupo de indivíduos dispostos a colocar seu capital e patrimônio em risco, visando a implantar uma nova idéia ou um novo projeto, com o objetivo de auferir altos retornos financeiros caso o risco incorrido se comprove acertado — isto é, caso eles saibam satisfazer os desejos dos consumidores.

É assim que ocorre o crescimento econômico: indivíduos assumindo riscos ao investirem o capital próprio (ou emprestado por terceiros) em uma idéia, a qual eles esperam irá agradar terceiros (consumidores) que voluntariamente irão pagar por ela.

Não há crescimento econômico sem a tomada de risco. Não há prosperidade sem indivíduos assumindo riscos em investimentos incertos.

Nem todos os riscos assumidos produzem crescimento (sempre há os investimentos mal sucedidos), mas se houver uma grande quantidade de assunção de riscos, o crescimento ocorrerá.

O que nos leva às seguintes obviedades:

  • Se os riscos necessários para se alcançar o crescimento forem diminuídos, mais crescimento ocorrerá.
  • Se as incertezas (políticas, jurídicas, regulatórias, monetárias e fiscais) forem reduzidas, mais risco será tomado, e mais crescimento ocorrerá.
  • Se as recompensas para aqueles riscos que se comprovarem bem-sucedidos aumentarem (por exemplo, uma redução dos impostos sobre os lucros e ganhos de capital), mais crescimento ocorrerá.
  • Se o custo de se assumir riscos diminuir (redução da burocracia e dos encargos sociais e trabalhistas), mais riscos serão assumidos e mais crescimento ocorrerá.

De novo: todo e qualquer crescimento econômico decorre da assunção de riscos (investimentos arriscados em projetos incertos). E o impulso humano, em todo e qualquer lugar do mundo, sempre foi o de avançar assumindo riscos que tragam recompensas condizentes (pois isso é o que melhora seu bem-estar).

Se o arranjo governamental vigente desestimula a assunção de riscos e, pior ainda, pune os mais bem-sucedidos, então é óbvio que não haverá muita assunção de risco. E aí não haverá crescimento econômico duradouro.

Se as barreiras à assunção de risco não forem reduzidas, ou se a recompensa pela assunção de riscos não for aumentada, não há como aumentar a taxa de crescimento da economia.

É realmente simples assim.

Os corajosos foram mais recompensados nos países ricos

Por mais cruciais que sejam os debates sobre produtividade, uso da tecnologia e uso do conhecimento disperso na sociedade, a realidade incontornável é que nada disso terá qualquer serventia se não houver um grupo de indivíduos dispostos a incorrer em riscos para empreender.

Sem a tomada de risco por parte de empreendedores, não há crescimento econômico substantivo.

Daí a importância de se criar um arranjo institucional que não crie barreiras ao empreendedorismo e à tomada de risco.

E, no final, é aí que está a reposta para as diferenças entre os países ricos e os países pobres: o ambiente empreendedorial.

Os países ricos são aqueles em que houve mais assunção de risco. E houve mais assunção de risco porque havia menos incertezas institucionais e menores punições para os bem-sucedidos (vide o fato de que, mesmo nos países escandinavos, o imposto de renda sobre pessoas jurídicas está entre os mais baixos do mundo).

Por isso, sim, acumular capital e fomentar a adoção de novas tecnologias (via abolição de tarifas de importação) são medidas cruciais. Porém, serão inócuas se não houver pessoas dispostas a incorrer em riscos para transformar idéias em coisas concretas. Sem pessoas tomando risco, não haverá crescimento econômico.

Consequentemente, o que é realmente crucial é abolir as barreiras que impedem estas pessoas tomadoras de risco (empreendedores) de atuar. Daí a importância de reformas estruturais que visem não apenas a aumentar a produtividade (e, consequentemente, o padrão de vida), mas também aumentar os incentivos à tomada de risco.

Como primeiro passo, é crucial cortar aqueles impostos que terão os maiores efeitos marginais sobre os incentivos que as pessoas têm para criar e produzir. Imposto de renda de pessoas jurídica, CSLL e imposto sobre ganhos de capital são os principais.

Um elevado imposto sobre ganhos de capital significa punir pessoas que se arriscam criando empresas com o intuito de gerar valor para posteriormente vendê-las. Reduzir impostos sobre ganhos de capital foi o segredo dos governos Reagan e Clinton, e seu aumento foi o desastre do governo Bush I.

Além de zerar todos os encargos sociais e trabalhistas da folha de pagamento, o financiamento a pequenas e médias empresas pode ser facilitado zerando o imposto de renda e o imposto sobre ganhos de capital dos fundos de investimento, de private equity ou de venture capital que investirem nelas.

No entanto, aumentar o incentivo à tomada de risco envolve não apenas obviedades como flexibilizar o mercado de trabalho e o mercado de energia, reduzir burocracias, impostos e regulações, e permitir maior dinâmica concorrencial entre as empresas (para que as eficientes possam crescer e as ineficientes serem absorvidas ou desaparecerem), como também estabilidade monetária, fiscal e institucional: a certeza de que a moeda não será dilapidada (pois a recompensa do sucesso viria em uma moeda sem poder de compra), a certeza de que impostos futuros não serão aumentados (pois impostos maiores no futuro, além de serem um custo artificial, equivalem a punir os mais bem-sucedidos) e a certeza de que o arcabouço econômico e jurídico não será alterado.

Qualquer incerteza em qualquer um destes itens — e observe que todos estão ligados à política — já diminui os incentivos para a tomada de risco. Consequentemente, aniquilam qualquer perspectiva de crescimento econômico.

E, historicamente, os países mais pobres sempre foram aqueles que criaram mais incertezas no ambiente empreendedorial (afugentando os tomadores de risco). Com efeito, são pobres exatamente em decorrência disso.

Concluindo

No final, é realmente básico: para haver crescimento econômico é necessário haver pessoas com uma genuína mentalidade empreendedorial dispostas a incorrer em riscos para transformar idéias em coisas concretas. E tais pessoas só são abundantes em ambientes que lhes permitam atuar e, principalmente, usufruir as eventuais recompensas pelos riscos que assumiram.

Logo, as barreiras à atuação destas pessoas devem ser removidas ao máximo. Caso contrário, qualquer eventual acumulação de capital e adoção de novas tecnologias serão apenas perda de tempo e desperdício de recursos. Sem pessoas tomando risco, nada sai do lugar. E para haver tais pessoas, é necessário abolir as barreiras à sua atuação.

Foi isso o que historicamente fizeram os países ricos. E não foi isso o que historicamente fizeram os países pobres.

Continuar lendo ECONOMIA: ENTENDA O PORQUÊ DE OS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO CONTINUAREM ATRASADOS

ECONOMIA: O CONSUMISMO VISTO PELO LADO POSITIVO

O artigo de hoje, aqui na coluna ECONOMIA mostra o consumismo sob uma ótica diferente onde “consumismo” deixa de ser vilã e passa a ser algo edificante e necessário para se ter uma sociedade próspera e completa. Mostra como algumas soluções de urgência, as vezes até de vida ou morte, existem por causa do consumo do supérfluo. Então para entender melhor convido você a ler o artigo completo a seguir, refletir e fazer o seu juízo de valor.

O outro lado do consumismo – ele mostra as maravilhas geradas pelo capitalismo

Ser contra o comércio é ser contra a própria vida

 

A importância da poupança, da frugalidade e da prudência é inquestionável, pois estes são alguns dos pilares que permitem o investimento de longo prazo e, consequentemente, o enriquecimento de uma sociedade.

E a Escola Austríaca de pensamento econômico sempre foi pródiga em suas explicações de que são a poupança e o investimento, e não o consumo, a força-motriz de uma economia.

No entanto, estou começando a crer que o epíteto “consumismo”, quase sempre evocado de forma pejorativa, é apenas outra palavra para a expressão “usufruir liberdade no mercado”.

A verdade é que o mercado está, diariamente, nos proporcionando uma quantia cada vez maior de bens e serviços, e sempre com avanços tecnológicos que eram inimagináveis há apenas alguns anos.

Quem imaginaria, dez anos atrás, que um GPS que mostra o trânsito em tempo real se tornaria algo tão corriqueiro nas ruas das nossas cidades? (O Waze se mantém via anúncios publicitários). Quem imaginaria, dez anos atrás, que ao simples clique em um aplicativo de celular teríamos motoristas particulares que nos locomovem a preços inacreditavelmente baixos? Uber, Cabify, Lyft e vários novos concorrentes, que surgem quase que diariamente, fazem isso.

Ou quem imaginaria, dez anos atrás, não mais depender de hotéis e poder escolher mais de 2 milhões de imóveis em 190 países ao redor do mundo? Com o AirBnB, você pode se hospedar em imóveis com banheira de hidromassagem e piscina, ou pode ficar em um quarto de uma casa, ou mesmo apenas em um sofá. Você escolhe de acordo com seu orçamento.

Recorrer a esses prodígios significa usufruir a maravilhosa liberdade de escolha e de consumo que o mercado nos oferece.

Acima de tudo, o que dizer então da onipresença dos smartphones, cada vez melhores, e sua infinidade de aplicativos que facilitam nossas vidas? Nos países mais ricos, as pessoas alegam que estão sendo submetidas a uma avalanche tão grande de produtos tecnologicamente avançados — os quais supostamente as estariam tornando “anti-sociais” —, que elas não aguentam mais. “Diga não!” à mais recente engenhoca!

Mas é claro que, na prática, nenhum de nós realmente quer essa interrupção. Ninguém, por exemplo, quer ter seu acesso à internet negado ou encarecido. Ao contrário: queremos acessar a internet de forma cada vez mais rápida, mais barata, e com mais variedade de meios (tablets, smartphones, laptops, Smart TVs etc.). Queremos a liberdade de fazer downloads de músicas, filmes, seriados, livros, monografias e tratados sobre absolutamente todos os assuntos imagináveis. Nenhuma informação é considerada excessiva quando algo específico está sendo procurado.

E isso não é tudo.

Queremos mais variedades da comida, de bebida, de produtos de limpeza, de pastas de dente, de barbeadores. Queremos eletrodomésticos mais práticos e mais eficientes. Queremos mais ar-condicionado (ou mais calefação) em nossas casas, ambientes de trabalho e estabelecimentos comerciais. Queremos acesso a toda uma gama de estilos para o mobiliário de nossa casa.

Se algo está quebrado, queremos as peças de reposição prontamente disponíveis. Queremos peixes frescos, carnes suculentas, frutas frescas, roupas limpas e cheirosas, pão quentinho, e carros modernos com cada vez mais tecnologia embarcada. Queremos restaurantes variados e abertos 24/7. Queremos pronta-entrega e suporte técnico 24 horas. Queremos usufruir o que está na moda em todas as partes do mundo.

O comércio se adaptou e fez essa transição. Novos mundos são abertos para nós diariamente.

Há várias maneiras de se comunicar com pessoas distantes gratuitamente. O email está se tornando obsoleto e os torpedos já estão gratuitos. Podemos conversar instantaneamente com qualquer pessoa em qualquer canto do mundo por meio de aplicativos como Skype e WhatsApp, que são gratuitos. Televisões de tubo e telefones de linha fixa — artigos de luxo no século XX — já foram abandonados em prol de modelos muito superiores de tecnologia de informação.

Queremos agilidade. Queremos velocidade. Queremos redes sem fio e internet 5G. Queremos acesso. Queremos aperfeiçoamentos. Água limpa e filtrada tem de sair diretamente de nossas geladeiras. Queremos todos os tipos de bebidas: energética, esportiva, espumante, suculenta. Queremos água importada das ilhas Fiji. Queremos casas melhores. Queremos apartamentos melhores. Queremos segurança. Queremos educação. Queremos saúde. Queremos infraestrutura. Queremos serviços. Queremos liberdade de escolha.

Estamos conseguindo essas coisas? As que são estatais, como segurança, educação, saúde, água encanada e infraestrutura, não muito. E as outras que não são fornecidas pelo estado? Sim. Como? Por meio deste incrível mecanismo de produção e distribuição chamado ‘economia de mercado’, que nada mais é do que uma arena na qual bilhões de pessoas voluntariamente cooperam e inovam com o único intuito de melhorar a própria vida.

Contrariamente ao que dizem os detratores desse arranjo voluntário, não há nada de “selvagem” nele. A concorrência nada mais é do que empreendedores e capitalistas se esforçando — alguns ganhando, outros perdendo — para conquistar a preferência do público consumidor.

Obviamente, é muito fácil olhar para tudo isso e simplesmente sair gritando: “consumismo odioso!” Porém, se estamos utilizando o termo “consumir” nos referindo ao ato de comprar produtos e serviços com o nosso próprio dinheiro com o intuito de melhorar nossa condição, então quem realmente pode se declarar inocente do “crime” de consumismo?

Condenando a prosperidade

Toda a história do debate de idéias sempre girou em torno de como criar algum sistema que servisse mais ao homem comum do que apenas às elites, aos governantes e aos poderosos. Quando a economia de mercado — e sua estrutura capitalista — surgiu, esse tão sonhado sistema havia finalmente sido descoberto.

Com o subsequente advento da ciência econômica, passamos a entender como tudo isso funciona. E começamos finalmente a entender como é que bilhões de escolhas econômicas voluntárias e não planejadas por nenhum comitê de planejamento centralizado podem conspirar para criar um belo sistema global de produção e distribuição que servem a todos os indivíduos.

E como os intelectuais respondem a isso? Denunciando o sistema exatamente pelo “crime” de ele fornecer um excesso de coisas e de, com isso, incitar os desejos “consumistas” das massas.

Algumas pessoas estão se endividando para comprar coisas supérfluas sem as quais elas podem viver perfeitamente bem? Certamente. Mas isso é motivo para condenar todo esse arranjo maravilhoso? A culpa não deveria ser apenas individual?

Ademais, quem é que deve decidir de maneira inquestionável o que é uma necessidade e o que é um mero desejo? Um ditador onisciente à frente de um comitê de planejamento? Como podemos garantir que os desejos dele estarão de acordo tanto com as minhas necessidades quanto com as suas?

Em uma economia de mercado, desejos e necessidades estão interligados, de modo que as necessidades de uma pessoa são satisfeitas justamente porque os desejos de outras pessoas foram realizados.

Um exemplo prático de uma maravilha diária

Eis um exemplo que vivenciei recentemente.

Minha neta estava desesperadoramente doente, o que fez com que meu desejo mais premente fosse levá-la a um médico. Seu consultório ficava aberto até tarde, assim como a drogaria imediatamente ao lado. Ainda bem. Fui ao consultório, recebi a indicação do remédio, fui à farmácia ao lado e já saí de lá com o remédio e todos os demais materiais necessários para restaurar a saúde dela. Ninguém vai me dizer que isso foi uma demanda superficial.

Mas agora é que vem o principal. A farmácia só pôde ficar aberta até tarde porque ela está localizada em um edifício comercial cujo acesso é fácil e o custo total do aluguel pode ser dividido por todos os outros estabelecimentos comerciais que alugam as outras salas desse edifício.

E quais são esses outros estabelecimentos comerciais? Cabeleireiros, manicures, sorveterias, docerias, lojas de materiais esportivos, e até mesmo uma loja que faz a decoração de festas. Ou seja, todas elas lojas que vendem coisas “superficiais”. Todas elas pagam aluguel. E isso possibilitou a existência daquela farmácia.

O edifício não teria sido construído se a incorporadora não imaginasse que ele também seria demandado para essas coisas menos urgentes, e os proprietários dos imóveis não os alugariam caso também não houvesse essas necessidades menos urgentes. E aí provavelmente aquela farmácia não estaria ali.

O mesmo raciocínio é válido para os equipamentos e a mão-de-obra utilizados no consultório médico que me atendeu. Eles são menos caros e mais acessíveis do que seriam em outras circunstâncias justamente por causa da existência de demandas não-essenciais de consumo. Por exemplo, os computadores utilizados nessa clínica eram de ponta, e isso só se tornou possível porque técnicos e empreendedores inovaram para atender às demandas de aficionados por videogames, de apostadores profissionais e de demais pessoas que utilizam a internet para fazer coisas “não-essenciais”.

E o mesmo ponto pode ser feito sobre “bens de luxo” e tecnologias de vanguarda. Os ricos são os primeiros a adquiri-los e a utilizá-los. Ao fazerem isso, os defeitos inerentes a todo e qualquer produto recém-criado vão sendo descobertos e corrigidos. Ato contínuo, os imitadores começam a surgir e o produto começa a se popularizar. Capitalistas empreendedores, em busca do lucro, começam a fornecer produtos semelhantes e mais baratos, sempre querendo se aproveitar de um nicho de mercado ainda não atendido.

Com o tempo, os preços despencam e aquela mesma tecnologia que antes estava restrita apenas aos mais ricos se torna disponível para as massas.

Pense em qualquer bem ou serviço que hoje seja amplamente tido como uma necessidade básica: você descobrirá que ele utiliza produtos, tecnologia e serviços que foram inicialmente criados para atender demandas superficiais. Por esse prisma, não é errado dizer que foram os ricos que forneceram o capital necessário para esses investimentos.

Apenas olhe ao seu redor

Talvez você pense que qualidade de vida não é algo muito importante. Afinal, é realmente importante que as pessoas tenham acesso imediato a farmácias, supermercados e produtos tecnológicos? Sim, é.

A resposta mais fácil é aquela que recorre aos direitos naturais: um indivíduo deve ter a liberdade de escolher e de consumir o que ele quiser. Mas há outra resposta, ainda mais poderosa, que está escondida em alguns dados que raramente ocupam nossas mentes.

Considere a expectativa de vida nessa nossa era do consumismo. Em 1900, as mulheres em média morriam aos 46 anos de idade, e os homens, aos 44. Hoje? As mulheres vivem até os 82, e os homens, até 79. Essa mudança se deveu a uma maior oferta de alimentos, a empregos menos perigosos, a melhores condições de saneamento e de higiene, a um maior acesso a serviços médico (os quais também melhoraram de qualidade), e a toda uma gama de fatores que contribuem para aquilo que chamamos de “padrão de vida”.

Atualmente, não apenas a mortalidade infantil despencou em decorrência da invenção de remédios e vacinas para todas aquelas doenças que matavam crianças (paralisia infantil, tuberculose, difteria, tétano, coqueluche, meningite, pneumonia, rubéola, sarampo, varicela, hepatite etc), como ainda fetos com problemas pulmonares recebem uma injeção intra-uterina e o problema é resolvido instantaneamente. Nos últimos 100 anos, a expectativa de vida aumentou 36 anos.

É fácil olhar esses números e imaginar que eles também poderiam ter sido alcançados sem capitalismo e sem mercado, mas sim com um comitê de planejamento central no qual burocratas controlariam tudo relativo à saúde ao mesmo tempo em que evitariam todo esse odioso consumismo gerado por ela. O problema é que esse tipo de planejamento central já foi tentado nos países socialistas, e seus resultados foram exatamente na direção contrária em termos de estatísticas de mortalidade. Mesmo nos países que adotaram o socialismo apenas recentemente, observa-se total regressão em todos os indicadores de bem-estar.

Conclusão

Atualmente, a crítica ao consumismo vem adornada de um manto ambientalista. Segundo essa gente, temos de praticamente voltar ao estado básico da natureza, parar de dirigir automóveis, fazer uma pilha de adubos, cultivar nossos próprios vegetais, desligar nossos computadores, e comer nozes de árvores.

Esse desejo por um retorno ao primitivismo nada mais é do que uma tentativa de dar um polimento lustroso aos inevitáveis efeitos das políticas socialistas. O que essa gente está realmente nos dizendo é que devemos amar a pobreza e odiar a fartura.

Mas a beleza da economia de mercado é que ela permite a todos uma escolha. Para aquelas pessoas que preferem morar em tendas em vez de em apartamentos com encanamento, que preferem arrancar os próprios dentes em vez de ir ao dentista, e que preferem nozes arrancadas da árvore em vez de comprar latas de nozes no supermercado, elas têm perfeitamente o direito de adotar esse estilo de vida. Nada as impede.

Mas não deixe que elas digam que são contra o “consumismo”. A nossa própria sobrevivência depende do ato de vender e comprar. Ser contra o comércio é ser contra a própria vida.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: O CONSUMIDOR DEVE FICAR ATENTO AS FRAUDES E ARMADILHAS QUE SURGEM NA BLACK FRIDAY

Veja dicas e cuidados na hora de comprar na Black Friday

Redação / Portal da Tropical

 Atualizado em:

Foto: Ney Douglas

O consumidor deve ficar atento às fraudes e armadilhas que surgem na Black Friday, marcada para o próximo dia 26. O Instituto Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor do Natal – Procon Natal, elaborou uma série de necessárias que devem ser feitas para evitar perdaszos. O órgão disponível atento para atuar, caso necessário.

O dia de promoções, criado nos Estados Unidos, se expandiu para todo o mundo, tanto em lojas físicas como pela internet, que apareceu bastante e onde costumava estar concentrado o maior número de reclamações.

Entre os problemas comuns relatados estão situações em que o consumidor finaliza uma compra on-line e algum tempo depois a mesma é cancelada. Nesse caso, segundo o Procon Natal, a dica é sempre guardar anúncio, e-mails com a operação, recibos, contratos, além de imprimir ou salvar, as telas com as ofertas, e as confirmações de transações financeiras realizadas.

Preocupado também com o endividamento das famílias, o Procon Natal, conselha que os consumidores evitem gastos desnecessários. Uma das formas mais eficazes de evitar cair na “tentação”, é fazer uma lista de produtos que você precisa e que gostaria de comprar, estabelecendo limites de gasto, evitando o comprometimento do orçamento, afinal, logo no início do ano existem obrigações como: o IPTU, o IPVA, além da matrícula e o material escolar.

Devolução e prazo de entrega

Algumas lojas físicas não permitem a troca de produtos na Black Friday, isso é permitido. Segundo o CDC, o fornecedor não tem obrigação de trocar o produto caso não apresente vício ou defeito.

No entanto, para o caso de compras feitas para o estabelecimento comercial (por telefone, em domicílio, telemarketing, catálogos, internet), o consumidor tem prazo de sete dias para desistir da operação, sem precisar apresentar justificativa. O período é contado a partir da data de aquisição do produto ou do seu recebimento.

Na compra feita pela internet, ou fora do estabelecimento comercial, é direto do consumidor o arrependimento em sete dias. Nesses casos, o consumidor pode receber de volta os valores eventualmente pagos e corrigidos monetariamente, mesmo os custos do frete, como reza o Art. 49º paragrafo único da lei 8.078 / 1990 (CDC).

Em relação a entrega dos produtos, o CDC determina que o fornecedor estipula um prazo para entrega. A regra está explícita no Art. 39, inciso XII e a lei também processo o direito a informação segundo o Art. 6º inciso III da lei 8.078 / 1990 (CDC).

A loja virtual é obrigada a informar a previsão de entrega do item. Quando o logista descumpre com o prazo que foi determinado, o consumidor deve acionar a empresa, por meio de atendimento ao consumidor (SAC).

Cuidados que o consumidor deve tomar para evitar prejuízos:

1 – O consumidor deve ficar atento às falsas ofertas. Durante uma Black Friday, hackers costumam usar um golpe conhecido como phishing (pescaria), ou seja, o envio de links maliciosos em que páginas falsas se passam por sites de venda on-line com valores e preços dos produtos muito abaixo do mercado, com o objetivo de roubar dados do cartão de crédito. Então, o consumidor deve estar atento a erros de português e conferir se o endereço pelo qual ele foi direcionado é o mesmo da loja do anúncio.

2 – VERIFIQUE se a loja virtual no CNPJ, endereço e telefone de contato. O consumidor também deve conferir se as páginas oficiais nas redes sociais como Facebook, Instagran, Twitter, tem selo de verificação. O ideal é utilizar-se de sites com HTTPS, pois a comunicação é criptografada, aumenta a segurança dos dados.

3 – Nunca fazer transações on-line em casas lan, cyber cafés, computadores de redes públicas, pois essas máquinas não podem estar protegidas.

4 – Assinar o documento de recebimento do produto da internet apenas após examinar o estado da mercadoria. Se for constatada irregularidade, deve ser informada, justificando o não recebimento. Nas lojas fisicas, só assinar o termo de recebimento após conferir o produto.

5 – Preferir fornecedores favoritos ou indicados por amigos e familiares, pesquise sua reputação em sites que avaliam lojas virtuais.

6 – O consumidor deve ficar atento a “maquiagem dos preços” para que os produtos pareçam mais baratos, ou seja, elevam os valores na véspera e baixam na data, como se individuais ofertas. Essa prática é considerada enganosa, e o estabelecimento pode ser penalizado. Arte. 37º paragrafo 1º e 2º da lei 8.078 / 1990 (CDC), faça uma denúncia aos órgãos de defesa do consumidor.

7- O consumidor deve usar o cartão de crédito virtual para compra online, ele é um espelho do cartão, sua numeração alterada e com prazo de validade, só pode ser usado uma vez por compra, com isso, ele garantia segurança e o retorno no caso de golpe ou mesmo de não entrega do produto, diferente de outros métodos de pagamento como boleto e transferência bancária.

8 – Nunca forneça dados pessoais ou bancários em sites desconhecidos. É importante observar o valor do frete, pois pode está alterado para mais caro e compensar o valor do produto que em tese estará em “promoção”.

9 – Desconfie de preços muito abaixo dos praticados normalmente no comércio.

10 – Denuncie como irregularidades aos órgãos de proteção ao consumidor.

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ECONOMIA: O AUMENTO DA RENDA É QUE GERA A DEMANDA NECESSÁRIA PARA A PRODUÇÃO

É necessário sair do ciclo vicioso para o ciclo virtuoso através da geração do aumento de renda, pois não é possível aumentar o consumo sem antes haver um aumento da renda. E para haver renda é necessário haver produção. E para que haja um aumento da produção é necessário um ambiente que seja propício à produção. Baseado nesse contexto convido você a ler o artigo completo a seguir para entender como funciona uma ECONOMIA de livre mercado.

Por que “estimular a demanda” sempre será um atentado à lógica — como bem mostra a realidade atual

Demandar é algo natural e não pode ser manipulado; o real desafio é criar renda

 

Você é o sobrevivente de um naufrágio e está sozinho em uma ilha. Não há nada pronto à sua disposição. Tudo o que você quiser consumir você terá antes de produzir ou, no mínimo, coletar.

Subitamente jogado nesta situação, você terá de se virar para encontrar alimentos e outros elementos da natureza que lhe permitam construir um teto para se abrigar do frio da noite e da insolação do dia. Nada surgirá pronto para você. Tudo terá de ser trabalhado e produzido.

Este cenário, embora com aspectos cartunescos, ilustra uma realidade irrevogável: para você consumir algo, este algo tem antes de ser produzido. Na ilha deserta, você tem de comer. Para comer, você tem antes de pescar. Para pescar, você tem de aprender a pescar. Se não pescar, não terá produzido nada. Como resultado, não terá nada para consumir.

Caso você estivesse com uma valise cheia de dólares ou de ouro, nenhuma diferença faria. Caso você estivesse em companhia de outras pessoas, e todas elas estivessem apenas pensando em como gastar esse dinheiro, não haveria nenhuma melhora em termos de bem-estar. Aquela valise com dinheiro, por si só, não teria absolutamente nenhuma serventia em fazer surgir bens e serviços. Estes continuariam tendo de ser trabalhados e produzidos.

Eis uma realidade óbvia, mas que insiste em ser ignorada por vários economistas: só conseguimos satisfazer nossas necessidades se antes produzirmos algo.

Passemos agora ao outro lado.

No mundo real

Eis um exemplo cotidiano.

Você vai ao supermercado e compra provisões e insumos que irá utilizar para cozinhar. Só que, para poder fazer essas compras no supermercado, você tem de pagar a conta. E, para poder pagar a conta, você tem de ter uma renda. E, para ter essa renda, você teve de oferecer um produto ou serviço no mercado.

Não há como escapar desta realidade. A menos que você viva de doações caritativas (as quais, por sua vez, só foram possíveis porque os doadores tinham renda), você tem de ter produzido algo para ter uma renda que então será utilizada para bancar seu consumo.

Não há consumo sem renda. E não há renda se antes não tiver havido produção.

Consequentemente, e agora expandindo o exemplo acima para toda a economia, é impossível criar uma política de “estímulos a compras nos supermercados”, de maneira contínua, se os consumidores não houverem antes produzido algo.

Igualmente, é impossível estimular compras no supermercado se os produtores de alimentos não houverem antes produzido esses alimentos que estão sendo vendidos no supermercado.

O que, finalmente, nos leva ao ponto principal: mesmo se o governo simplesmente criasse dinheiro e repassasse para esses consumidores, o problema da produção de alimentos continuaria inatacado. Afinal, quem irá produzir alimentos se o governo está dando dinheiro para as pessoas e essas pessoas nada têm de produzir em troca?

O eventual produtor de alimentos passaria a ser um escravo: ele produziria alimentos e, em troca, nada teria para consumir, pois as outras pessoas não estão produzindo nada. Elas estão apenas consumindo seus alimentos e não estão oferecendo em troca nenhum bem ou serviço.

Desnecessário também enfatizar que esta política de estímulo ao consumo irá inevitavelmente impulsionar a carestia: muitas pessoas querendo consumir, poucas pessoas efetivamente produzindo. No final, termos apenas preços mais altos e redução da produção total na economia.

Por isso, chega a ser espantoso que políticos, analistas e até mesmo economistas ainda insistam, com tanta ênfase, na necessidade de “estimular o consumo” para reativar uma economia estagnada.

A única maneira sensata de estimular o consumo é aumentando a renda das pessoas. Mas a renda das pessoas só é aumentada se elas aumentarem sua produção. Ou, no mínimo, se aumentarem o valor agregado desta produção.

Estimular o crédito é autoabortivo

Há vários economistas que defendem que o governo deve estimular o consumo da população facilitando o crédito para as pessoas (leia-se: aumentando o endividamento das pessoas).

Tal medida é claramente autoabortiva. Afinal, como essas pessoas — que não estão aumentando sua produção — irão quitar essa dívida?

Se um indivíduo aumenta seu endividamento, mas não aumenta sua renda (ou seja, sua produção), ele não tem como quitar essa dívida. (Até porque, caso as pessoas estivessem aumentando sua produção, então elas, por definição, não precisariam de crédito artificial para aumentar seu consumo).

No cômputo final, estimular o endividamento visando ao consumo não gera aumento da produção.

Redistribuição de renda é, na melhor das hipóteses, inócua

Há também economistas que defendem a ideia de que o governo deve fazer uma redistribuição de renda para permitir o consumo dos mais pobres.

Neste caso, além de o problema da produção seguir irrevogável, o próprio consumo, por definição, não será estimulado.

Afinal, se o dinheiro é extraído de uma fatia da população e repassado a outra fatia, isso não gera um aumento líquido do consumo. João poderá consumir mais graças aos $ 100 que recebeu do governo, mas Pedro consumirá menos porque agora tem $ 100 a menos por causa do aumento dos impostos.

O mais irônico de tudo é que mesmo estes economistas que querem estimular o consumo por meio da redistribuição de renda partem do princípio de que já houve uma produção prévia (do contrário, nada haveria a ser consumido). Portanto, eles até entendem a teoria; apenas não conseguem levá-la adiante até suas conclusões inevitáveis.

Lógica básica

Essa idéia de “demanda insuficiente” é um conceito que, em si mesmo, não faz sentido.

Por definição, nunca há um “problema de demanda”. Demandar é algo que ocorre naturalmente; demandar é intrínseco ao ser humano. A partir do momento em que você sai da cama até o momento em que você vai dormir você está demandando coisas. Demandar coisas é o impulso mais natural do ser humano. É impossível viver sem demandar.

Por isso, a ideia de que é necessário “estimular a demanda” é completamente ilógica. A demanda é algo que ocorre naturalmente pelo simples fato de sermos humanos.

O problema não é e nem nunca foi “estimular a demanda”. O real problema é que a demanda de um indivíduo é restringida por sua capacidade de produzir bens e serviços.

Para demandar (bens e serviços), um indivíduo tem antes de produzir (bens ou serviços) para auferir uma renda. Somente após ter produzido, ele terá a renda necessária para demandar. Quanto mais bens ou serviços um indivíduo for capaz de produzir, mais bens e serviços ele poderá demandar, e consequentemente adquirir.

Logo, é a produção de um indivíduo o que o capacita a pagar pela produção de outro indivíduo. Quanto mais bens ou serviços um indivíduo produzir, mais bens e serviços ele pode adquirir para si próprio. Assim, a demanda de um indivíduo é restringida por sua capacidade de produzir bens ou serviços.

A demanda, portanto, não é algo independente e autônomo. Não é algo que depende apenas de si próprio, podendo ser livremente manipulado. A demanda é limitada pela produção. Sendo limitada pela produção, é logicamente impossível querer “estimular a demanda”.

Por conseguinte, o que impulsiona a economia não é a demanda por si só, mas sim a produção de bens e serviços.

Se uma população de cinco indivíduos produz dez batatas e cinco tomates, isso é tudo o que eles podem demandar e consumir. Não há nenhum truque do governo ou do banco central que possa aumentar a demanda efetiva. A única maneira de aumentar a capacidade de consumir é aumentando a capacidade de produzir.

O fato de que a demanda depende da produção é uma realidade que não pode ser abolida por meio de gastos governamentais ou de aumento da quantidade de dinheiro na economia.

Aumentar os gastos do governo ou a quantidade de dinheiro na economia não só não tem como alterar esta realidade, como ainda, pelo contrário, irá desviar para o governo boa parte do que foi produzido e elevar os preços dos produtos remanescentes no mercado. O produtor de batatas, que precisa se alimentar de tomates para continuar produzindo, terá agora menos tomates à sua disposição, e os preços serão maiores. O mesmo vale para o produtor de tomates que se alimenta de batatas.

Consequentemente, com menos bens à venda e preços maiores, o bem-estar dos produtores/consumidores será menor e eles terão de arcar com preços de produção maiores, o que irá afetar sua capacidade de produzir mais bens e serviços. Tudo isso irá enfraquecer a demanda efetiva.

Conclusão

O problema não é e nem nunca foi “estimular a demanda”. O grande problema sempre foi criar renda. E, para se criar renda, é necessário antes haver produção.

É exatamente a produção (oferta) o que permite a demanda.

Para entender este básico nem sequer é necessário ler tratados de economia. Apenas volte ao exemplo em que você é um náufrago em uma ilha: há ali um problema de demanda ou de oferta? Como você pode aumentar seu consumo? Se você tivesse uma valise cheia de dinheiro, haveria aumento de seu consumo?

Trata-se de uma realidade incontornável: não é possível aumentar o consumo sem antes haver um aumento da renda. E para haver renda é necessário haver produção. E para que haja um aumento da produção é necessário um ambiente que seja propício à produção.

Por isso, o que é necessário para reativar uma economia estagnada não é estimular a demanda, mas sim dar liberdade para a produção (criação de oferta). Isso inclui desburocratizar, desregulamentar e reduzir impostos (o que implica a necessidade de reduzir gastos do governo), pois apenas isso irá permitir que os verdadeiros criadores de riqueza reativem a economia em decorrência de terem mais liberdade para empreender, produzir e gerar riqueza.

Acima de tudo, inclui não fazer uma política monetária expansionista e não aumentar os gastos do governo — com efeito, inclui fazer uma política monetária austera e cortar os gastos do governo (vide, novamente, o exemplo dos produtores de batatas).

Quem defende “estimular a demanda” deve, por definição, defender que seja facilitada a capacidade da economia de produzir bens e serviços. Isso, sim, é promover o verdadeiro crescimento econômico.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: O ATIVISMO GEROU ESCASSEZ DE PETRÓLEO E GÁS , UM RETORNO AO CARVÃO E MAIORES EMISSÕES

O ativismo ambientalista gerou crise energética global, pois fez despencar a produção de petróleo e de gás natural que, naturalmente abastecia os países europeus com energia elétrica, causando uma drástica redução no consumo de carvão, que agora volta a ser demandado aumentando as emissões de CO2. O artigo a seguir mostra como a agenda ambientalista e a imposição do ESG estão causando essa crise global. Leia e se atualize!

Como a agenda ambientalista e a imposição do ESG estão causando uma crise energética global

Ativismo gerou escassez de petróleo e gás, um retorno ao carvão e maiores emissões

 

Eletricidade racionada na China. Desabastecimento de carvão na Índia. Preço da eletricidade disparando em toda a Europa. Uma busca desesperada por postos que ainda têm gasolina no Reino Unido. Apagões e explosões no Líbano.

A revista The Economistem uma ótima reportagem, relata os eventos acima e mostra que os sintomas de uma profunda disrupção nos mercados de energia são globais.

Segundo a reportagem, na Ásia, os apagões são diários, em vários países. E o inverno, que gera um aumento na demanda por energia, ainda está para chegar no hemisfério norte.

Alguns anos atrás, os produtores de combustíveis fósseis teriam respondido a estes sinais enviados pelo sistema de preços aumentando o investimento e a produção. Em 2014, com o barril de petróleo em torno de US$ 100, a petrolífera europeia Royal Dutch Shell fez um investimento de US$ 30 bilhões em projetos de exploração e produção de petróleo e gás. Em seguida, gastou US$ 70 bilhões para adquirir a BG Group, uma rival britânica, para se tornar a maior produtora mundial de gás natural liquefeito.

Mas não desta vez.

Seu investimento em exploração, neste ano de 2021, caiu para irrisórios US$ 8 bilhões. No mês passado, a petrolífera vendeu todos os seus ativos de xisto na Bacia do Permiano, no Texas, para uma rival americana, a ConocoPhillips, por US$ 9,5 bilhões.

A Shell também está se retirando da Nigéria, país em que ela estava desde 1936.

Mais ainda: avisou que irá reduzir sua produção de petróleo de 1 a 2% ao ano até 2030.

Recentemente, os preços do petróleo — que chegaram a cair para US$ 20 em abril de 2020, no auge das incertezas quanto aos efeitos da Covid-19 — superaram US$ 80, o valor mais alto desde 2014.

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Figura 1: evolução do barril de petróleo

Já o preços do gás natural na Europa triplicaram desde 2020.

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Figura 2: evolução do preço do gás natural na Europa

A demanda por carvão, uma commodity que todos davam como morta, disparou. Seu preço quase quintuplicou desde o ano passado.

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Figura 3: evolução do preço da tonelada do carvão

Perguntado sobre o que a explosão nos preços significará em termos de investimento, o diretor de produção de óleo e gás da Shell respondeu francamente: “Da minha perspectiva, nada”.

O que houve?

Sinalização de virtude e suas consequências

Preços mais altos não levarão a mais investimentos por um motivo simples: o ativismo dos ambientalistas e a agenda ESG obrigaram as empresas a se afastarem dos combustíveis fosseis.

Ao longo da última década, ativistas climáticos foram bem sucedidos em pressionar governos, bancos e grandes corporações a reduzirem investimentos em empresas de petróleo e gás natural. No início, tais esforços pareciam estritamente simbólicos. Mas, nos últimos anos, esses ativistas foram exitosos e conseguiram retirar investimentos públicos e privados da exploração de petróleo e gás e redirecioná-los para energias renováveis.

O resultado está sendo a pior crise energética em 50 anos.

Sim, a redução de investimentos na exploração de petróleo e gás não é a única causa da crise energética atual. A recuperação pós-pandemia, guiada por uma maciça expansão monetária, gerou uma explosão na demanda. Está havendo uma escassez de vento (sério) na Europa, o que tornou inúteis as turbinas cólicas e aumentou a demanda por gás natural e carvão. E uma seca no Brasil obrigou o país a importar gás natural.

Mas a principal causa da atual escassez de energia é a redução de investimentos em petróleo e gás nos últimos cinco anos, guiada por preocupações climáticas.

“As considerações da agenda ESG [environmental, social, and governance — ambiental, social e governança] explicam a maior parte do declínio nos investimentos das petrolíferas nos últimos anos”, relata o The Financial Times, “bem como o êxodo dos investidores dos mercados de petróleo e gás natural”.

A Bloomberg concorda, e acrescenta que “o mercado está hoje obcecado com mudanças climáticas, o que levou a uma redução do apetite para se investir em combustíveis fosseis”.

Além do lobby ambientalista, organismos multilaterais e governos de países desenvolvidos têm forçado as empresas e os bancos a reduzirem financiamentos para exploração de petróleo e gás, e a implementarem uma transição rápida para o mundo verde. Tudo isso é falado abertamente.

Investimentos para a exploração de petróleo e gás caíram à metade entre 2011 e 2021, observa o Financial Times. As descobertas de novos campos de petróleo caíram para as mínimas históricas entre 2016 e 2020. E não por uma escassez de petróleo, mas sim por escassez de investimentos em exploração. Hoje, as petrolíferas estão gastando 25% menos do que precisam para manter a produção de petróleo constante.

Como resultado da pressão dos ativistas, governos e investidores passaram a punir petrolíferas e empresas de gás natural. Quando uma despesas empresas, a EOG Resources, anunciou, ainda em fevereiro, que tinha a intenção de expandir sua produção, o preço de suas ações caiu mais do que o de todas as outras empresas do S&P 500. Naturalmente, petrolíferas e empresas de gás americanas, desde então, se recusaram a aumentar sua produção, mesmo com o aumento dos preços destas commodities.

A ideia de responsabilidade social nos investimentos é antiga, mas a agenda ESG foi adotada ao longo da última década por empresas que fazem doações para universidades, bancos de investimento, como o BlackRock, governos, pela Agência Internacional de Energia, pela ONU e, agora, pelas próprias petrolíferas, incluindo-se Shell, Total e várias outras.

Em maio, um tribunal na Holanda ordenou que a Shell reduzisse suas emissões, uma sentença que tornou outras petrolíferas relutantes em investir em novas explorações de petróleo e gás.

Não é que os executivos das petrolíferas não soubessem que uma redução nos investimentos levaria aos atuais choques de preços. É que eles foram ignorados. Quando perguntaram ao ex-CEO da Exxon, Lee Raymond, o que lhe causava insônia, ele simplesmente respondeu: “estoques em baixa”. Os acionistas da empresa haviam exigido que ele parasse de investir. Em 2020, sob a pressão de ativistas climáticos, o JPMorgan Chase, o maior banco de investimentos dos EUA, removeu Raymond de sua função de diretor do conselho da empresa.

“Hoje, o investimento em combustíveis fosseis passou a ser criminalizado, e o financiamento está cada vez mais esparso, com os grandes bancos ocidentais se retirando da atividade”, relata o Financial Times. “Devido ao grande período de tempo entre o investimento e o surgimento da oferta, ainda estamos para vivenciar o verdadeiro impacto desta redução na produção  convencional de petróleo e gás. Em outras palavras, a oferta continuará aquém da demanda pelos próximos anos”.

Saindo espetacularmente pela culatra

O resultado deste bem-sucedido ativismo climático foi, paradoxalmente, o aumento no uso do carvão e das emissões de carbono (a eletricidade produzida pelo gás natural gera metade das emissões da produzida por carvão).

China, Índia, EUA, Leste Asiático e Europa — todos estão minerando e queimando mais carvão para suprir a escassez de gás natural (vide a evolução dos preços do carvão na figura 3).

O governo da China recentemente revogou todas as considerações ambientais para a exploração de carvão, ordenou que a produção fosse acelerada ao máximo possível, e impôs blecautes rotineiros devido à escassez de energia.

Especialistas sempre alertaram que o ativismo climático contra o gás natural geraria o efeito contrário. Oito anos atrás, o ativista Michael Shellenberger defendeu o fracking, argumentando que isso faria com que o gás natural se tornasse mais barato que o carvão. E foi realmente o que ocorreu nos anos seguintes. Porém, com o tempo, fracking voltou a ser criminalizado. Essa redução da exploração, ao tornar o gás mais caro, diminuiu a possibilidade se abandonar o carvão.

Ambientalistas também argumentam que petróleo barato aumenta seu uso. Só que o uso de petróleo é extremamente inelástico, dado que automóveis, caminhões e aviões dependem dele. Por outro lado, pouco óleo é utilizado para a produção de eletricidade, de modo que o gás natural é necessário para compensar a intermitência de luz solar e vento.

A prova está nos dados. A fatia dos combustíveis fosseis na produção de energia global se mantém inalterada em 84% desde 1980. Considerando que as emissões na Europa e nos EUA declinaram neste período, isso deve majoritariamente à transição do carvão para o gás natural.

O masoquismo ocidental

Se as coisas estão ruins na Ásia, na Europa, a situação beira o masoquismo.

Com o inverno se aproximando, sem carvão e sem energia éolica (como dito acima, não ventou no continente), o continente está totalmente dependente da Rússia. Mais especificamente, de Vladimir Putin.

A Rússia oferta metade do gás natural consumido pelo continente, o qual aquece casas e é a força-motriz da indústria. Embora Moscou esteja cumprindo seus contratos de longo prazo, o The Wall Street Journal relata que Putin está se recusando a vender gás pelo preço vigente no mercado spot, cobrando mais caro.

Ainda segundo o jornal, outros oficiais do Kremlin fazem chantagem explícita: se os governos europeu aprovarem o marco regulatório do gasoduto Nord Stream 2, que vai da Rússia à Europa, a oferta de gás será mais abundante. Moscou tem duplo interesse no gasoduto: de um lado, ele irá aprofundar a dependência energética da Europa em relação à Rússia; de outro, o gasoduto irá privar a Ucrânia (cujo governo é inimigo de Moscou) de continuar coletando tarifas sobre o gás que circula nos atuais gasodutos.

O Reino Unido e a União Europeia prometeram zerar suas emissões até 2050. Para isso, fecharam todas as suas minas de carvão e despejaram bilhões em projetos de energia solar e éolica. A Alemanha e vários outros países europeus praticamente baniram o fracking.

Isso transformou os líderes europeus no equivalente a exploradores navais do século XVI, rezando por ventos e clima favoráveis, uma vez que, no continente, os preços da energia dependem inteiramente da quantidade de nuvens e das condições do vento.

A Alemanha também se deu mal quando a chanceler Angela Merkel decidiu abolir toda a energia nuclear do país em uma reação exagerada ao acidente de Fukushima, em 2011. A última estação nuclear do país será desativada ano que vem. A Comissão Europeia está agora debatendo se deve ou não classificar a energia nuclear como energia sustentável, o que poderia reduzir os custos de financiamento para projetos nucleares. Mas a Alemanha é contra.

Essa propensão da Europa a se auto-imolar em nome de metas climáticas inalcançáveis — e, consequentemente, ficar totalmente à mercê de Vladimir Putin — é um dos maiores atos de auto-sabotagem da história. E, ainda assim, os líderes europeus irão se encontrar na Conferência Climática de Glasgow, em novembro, para aumentar seu masoquismo energético.

Já o presidente americano Joe Biden parece ansioso para não ficar atrás dos seus congêneres europeus. Seguindo pressões dos ambientalistas, Biden já revogou a licença para a construção do Gasoduto Keystone, que seria construído entre Alberta, no Canadá, e as refinarias do estado americano de Nebraska (de onde ele seria conectado à rede já existente de oleodutos nos EUA, chegando às refinarias do sul do Texas) e também vetou novos projetos de fracking no Alasca e em todas as terras federais do país.

Como resultado, os EUA voltaram a ficar dependentes energeticamente de outros país.

“O presidente Biden efetivamente aceitou a ideia de que os EUA passarão a depender mais de petróleo estrangeiro”, observa o The New York Times. “Sua administração vem pedindo à OPEC para aumentar a produção para ajudar a diminuir os preços do petróleo e da gasolina no país, ao mesmo tempo em que busca limitar o crescimento da produção de petróleo e gás no país”.

Aumentar a dependência dos EUA em relação ao petróleo dos estrangeiros é uma medida que deixa até mesmo o The New York Times — que sempre defendeu a redução de investimentos em petróleo e gás — nervoso. O jornal recentemente alertou que “EUA e Europa podem se tornar mais vulneráveis às turbulências políticas daqueles países e aos caprichos de seus governantes”.

Para concluir

O masoquismo energético do Ocidente beira o inacreditável. Um movimento ambientalista radicalizado em conluio com políticos sem visão fez com que investir em prospecção e refino de petróleo se tornasse uma atividade extremamente arriscada do ponto de vista financeiro. Nenhuma empresa fará investimento de longo prazo — imobilizado capital e recursos escassos — em um atividade que está cada vez mais criminalizada e que, dependendo do governo, pode até vir a ser proibida.

Sendo assim, a realidade será de cada vez menos oferta de combustíveis fosseis e preços cada vez maiores.

Trata-se de um desastre auto-induzido, que foi gestado cuidadosamente. Putin deve estar maravilhado com sua sorte estratégica.

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ECONOMIA: BRASIL VOLTA A SER PAÍS COM MAIOR TAXA DE JUROS DO MUNDO, POR SAMY DANA

A partir deste domingo não teremos mais o RESUMO DA SEMANA. Estamos substituindo essa coluna pela coluna ECONOMIA, para você também se atualizar com tudo que está rolando no mercado brasileiro e mundial e saber como proteger o seu dinheiro e patrimônio. Nesta edição vamos iniciar com Samy Dana comentando sobre um ranking que classificou o Brasil como país com maior taxa de juros do mundo, após a elevação da Selic para 7,75% ao ano. Em contrapartida, Argentina e Estados Unidos são os países com o índice mais baixo. Então fique ligado e atualizado!

 

Fonte:

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ECONOMIA: CERVEJA SOFRE REAJUSTE NO BRASIL A PARTIR DESTA SEXTA-FEIRA (01)

Sextou? Cerveja fica mais cara no Brasil a partir desta sexta-feira (1º)

Somado ao valor da carne, o reajuste da cerveja deixa cada vez mais difícil para o brasileiro fazer um churrasco

sabelle Resendeda

CNN

Tamires VitorioCleber Souzado

CNN Brasil Business

em São Paulo e Rio de Janeiro

brasileiro fazer um churrasco

Cerveja vai ficar mais cara no BrasilCerveja vai ficar mais cara no Brasil Anete Lusina no Pexels

cerveja vai ficar mais cara no Brasil a partir desta sexta-feira (1º), acompanhando a alta dos preços de produtos como combustíveis, alimentos e gás de cozinha.

Os consumidores já vinham lidando com o gosto amargo dessa notícia há alguns dias, já que a Ambev, dona das marcas Brahma, Skol e Stella Artois, enviou um comunicado aos comerciantes avisando que iria reajustar os preços da bebida na quarta-feira.

Em nota, a empresa afirmou que faz, periodicamente, ajustes nos preços de seus produtos, e que os reajustes vão variar conforme a região do país.

Na sequência, o grupo Heineken disse que os preços de seus produtos seguem os mesmos por ora, já que a empresa já fez uma revisão de valores neste ano e não prevê mais mudanças até o fim do ano.

Mesmo assim, o peso no bolso dos consumidores deve se espalhar pelo país de forma significativa, já que a Ambev concentra cerca de 60% do mercado no Brasil.

A cerveja é uma das bebidas mais consumidas pelos brasileiros. A Euromonitor aponta que o consumo em 2021 alcançou seu maior patamar desde 2014, com 13,67 bilhões de litros da bebida vendidos no país.

O preço da cerveja fechou agosto em alta pelo oitavo mês consecutivo, segundo o IBGE, em seus cálculos para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com isso, o preço do item já apresenta um aumento 3,49% no ano e 7,62% nos últimos 12 meses.

Somado ao valor da carne, o reajuste da cerveja deixa cada vez mais difícil para o brasileiro fazer um churrasco

Aumentar para quê?

O economista da Fundação Getúlio Vargas, André Braz, afirma que o aumento tem relação direta com a desvalorização do real, o que eleva o preço dos insumos para produção da cerveja, e com as elevações nos preços da energia elétrica e frete.

“Tudo isso é custo para a companhia e, embora o reajuste nos preços das cervejas seja feito uma vez por ano, esses são fatores que a empresa considera, pois aumenta o custo da produção”, ressalta o especialista.

Para o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, o reajuste anunciado pela cervejaria, embora compreensível em função da alta nos insumos e do dólar, não é desejável, já que o setor, um dos mais afetados pela pandemia, começa a mostrar sinais de recuperação.

Segundo a Abrasel, uma parcela significativa, cerca de 37%, ainda está operando no prejuízo. Em São Paulo, esse percentual é ainda maior, 50%.

“O setor está hiper pressionado por aumento de custos na luz, no aluguel, nos alimentos, no combustível, que afeta o delivery, por exemplo. Não suporta novo aumento sem repassar para o consumidor. É o acreditamos que vai acontecer instantaneamente”, avaliou.

Solmucci calcula ainda que o reajuste anunciado pela Ambev deverá ser a tendência também implantada por outras fabricantes de cervejas.

Repasse

Em comunicado à imprensa, a Abrasel afirma que 37% do setor de bares e restaurantes opera atualmente com prejuízo em todo o país; em São Paulo, esse número chega a 50%. “O ajuste de custos deverá ser repassado imediatamente ao consumidor”, diz a entidade. A expectativa da Abrasel é de que o aumento acompanhe a inflação acumulada nos últimos 12 meses e fique em até 10% na capital paulista.

Uma pesquisa feita pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR), divulgada nesta terça-feira (28), mostrou que, mesmo com a retomada gradual da economia, 62% dos estabelecimentos no país ainda não recuperaram o faturamento que tinham em 2019.

A situação é ainda pior para 55% deles, que declararam estar endividados. Desse total, 78% devem para bancos, 57% estão com impostos em atraso, 24% têm dívidas com fornecedores e 14% afirmam ter pendências trabalhistas.

Fonte: CNN

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ECONOMIA: LEVANTAMENTO DA ANP APONTA QUE O RN TEM A GASOLINA MAIS CARA DO PAÍS

Por Igor Jácome, G1 RN

 

Posto de gasolina, combustível, Natal — Foto: Augusto César GomesPosto de gasolina, combustível, Natal — Foto: Augusto César Gomes

Rio Grande do Norte tem a gasolina mais cara do país, de acordo com o último levantamento de preços da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em média, o preço do litro do combustível custa R$ 6,625 no estado.

O levantamento da agência considera os preços encontrados em postos de todos os estados brasileiros entre os dias 5 e 11 de setembro. No RN, por exemplo, foram consultados 53 postos.

maior preço encontrado nas bombas do estado foi de R$ 6,699 e o menor, R$ 6,420.

Embora outras unidades da federação, como Rio Grande do Sul e Acre, tenham postos vendendo gasolina comum a mais de R$ 7, é possível encontrar estabelecimentos com preços bem mais baixos.

Nos postos gaúchos, por exemplo, a gasolina variou de R$ 5,958 a R$ 7,185 e a média levantada ficou em R$ 6,335.

Com preço médio de R$ 5,224, o Amapá foi o estado com o menor preço para o combustível na semana do levantamento, de acordo com a ANP.

Logo atrás do Rio Grande do Norte, Piauí (R$ 6,605), Rio de Janeiro (R$ 6,560), Acre (R$ 6,485) e Distrito Federal (R$ 6,411) figuraram entre os estados com combustível mais caro do país.

Nos estados vizinhos, Paraíba e Ceará, os preços médios ainda estão abaixo de R$ 6, segundo o levantamento da ANP.

Outros combustíveis

No caso do Etanol, o Rio Grande do Norte tem o terceiro maior preço médio do país: R$ 5,658. Fica atrás apenas do Rio Grande do Sul (R$ 6,036) e do Amapá (R$ 5,680).

Custando em média, R$ 4,578 o gás natural veicular vendido no estado é o segundo mais caro do país, com preço abaixo somente do praticado no Rio Grande do Sul, que é de R$ 4,846.

No caso do óleo diesel, o preço médio encontrado no estado ficou em R$ 4,875, não figurando nem entre os mais caros, nem mais baratos do país. Já o gás do cozinha, de 13 litros, custa em média R$ 100,59.

Preço médio da gasolina por estado

  • Rio Grande do Norte – R$ 6,625
  • Piauí – R$ 6,605
  • Rio de Janeiro – R$ 6,56
  • Acre – R$ 6,485
  • Distrito Federal – R$ 6,411
  • Goiás – R$ 6,363
  • Rio Grande do Sul – R$ 6,335
  • Minas Gerais – R$ 6,304
  • Tocantins – R$ 6,274
  • Espírito Santo- R$ 6,218
  • Rondônia – R$ 6,158
  • Mato Grosso – R$ 6,129
  • Alagoas – R$ 6,1
  • Sergipe – R$ 6,087
  • Pará – R$ 6,07
  • Bahia – R$ 6,062
  • Maranhão – R$ 6,028
  • Pernambuco – R$ 6,018
  • Amazonas – R$ 6,001
  • Ceará – R$ 5,987
  • Mato Grosso do Sul – R$ 5,971
  • Paraíba – R$ 5,929
  • Santa Catarina – R$ 5,833
  • Paraná – R$ 5,775
  • Roraima – R$ 5,739
  • São Paulo – R$ 5,715
  • Amapá – R$ 5,224

Fonte: G1 RN

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ECONOMIA: REINAUGURADA NESTA QUARTA-FEIRA ( 01) NO CENTRO ADMINISTRATIVO A FEIRA DE AGRICULTURA FAMILIAR

Feira do Centro Administrativo de Agricultura Familiar é reinaugurada nesta quarta-feira

Redação/Portal da Tropical

 Atualizado em:

Foto: Divulgação/Governo do RN

Está marcada para esta quarta-feira (1º) a reinauguração da Feira do Centro Administrativo – Agricultura Familiar e Economia Solidária, realizada pelo Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (Sedraf) e o projeto Governo Cidadão, em parceria com a União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes).

A Feirinha acontece no pátio central do Centro Administrativo do Estado, onde agricultores e agricultoras familiares, como também artesãos e artesãs comercializam seus produtos, nas 16 barracas disponíveis. A feira é realizada semanalmente, às quartas- feiras, das 07h às 13h, e é aberta ao público.

Os feirantes comercializam hortifrúti, tubérculos, raízes, plantas ornamentais, culinária regional, ovo caipira e muito mais. Essa é uma excelente oportunidade de os servidores do Centro Administrativo e da comunidade em geral conhecerem os produtos originários da agricultura familiar. A iniciativa é parte das ações do Projeto de Feiras da Agricultura Familiar, executado pela Sedraf.

SERVIÇO:

O QUE: Reinauguração da Feira do Centro Administrativo – Agricultura Familiar e Economia Solidária.
ONDE: Pátio Central do Centro Administrativo do Estado, Lagoa Nova, Natal-RN.
QUANDO: quarta-feira (01), das 07 às 13h.

Fonte: Portal da Tropical _ Notícias

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ECONOMIA: FINANÇAS CAUSAM ESTRESSE E REFLETEM NA VIDA FAMILIAR DE 58,4% DOS BRASILEIROS

Finanças são motivo de estresse em 58,4% das famílias

Redação*

 Atualizado em:

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

As finanças causam estresse e refletem na vida familiar de 58,4% dos brasileiros, segundo o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro. O indicador, lançado hoje (19), faz parte de uma iniciativa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em parceria com o Banco Central para fornecer à população ferramentas de educação financeira.

O índice foi construído para avaliar a capacidade de cada pessoa em cumprir as obrigações financeiras; tomar boas decisões do ponto de vista das finanças pessoais; ter disciplina e autocontrole; sentir segurança em relação ao futuro; ter a liberdade de fazer escolhas que permitam aproveitar a vida.

O questionário do indicador foi aplicado por meio de 5 mil entrevistas em uma amostra representativa das regiões do país, faixas de renda, idade e sexo. O questionário também fica disponível na página dedicada ao tema onde os usuários podem avaliar de forma individual a própria saúde financeira.

A pesquisa nacional mostrou ainda que apenas 21,9% dos brasileiros se sentem preparados para lidar com uma grande despesa inesperada.

Pontuação

Em uma pontuação que vai de zero a 100, a média nacional ficou em 57 pontos, o que significa uma situação de razoável equilíbrio, mas com pouco espaço para erros e imprevistos. Quase a metade da população (48,3%), no entanto, está abaixo desse patamar, em faixas consideradas de baixa saúde financeira.

Desigualdades

A Região Sudeste teve o maior percentual (14,1%) de pessoas na faixa mais baixa de saúde financeira – de zero a 36 pontos. Em seguida vem a Região Nordeste, com 11% da população nessa situação.

A Região Sul tem 13,1% das pessoas no patamar de melhor saúde financeira, marcando acima de 83 pontos. Na média nacional esse índice é de 8,1%.

Os homens têm uma situação financeira melhor do que as mulheres. Entre os entrevistados do sexo masculino, 10,1% estão na faixa com situação financeira ótima e 8,3% na pontuação mais preocupante. Entre as entrevistadas, 15,1% estão na pior faixa e 5,9% na situação ótima.

Sobre o futuro, apenas 35% da população têm segurança sobre as finanças. Mais da metade (53,5%) disseram que os compromissos reduziram o padrão de vida.

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ECONOMIA: LEI QUE FACILITA CRÉDITO PARA EMPRESAS E FAMÍLIAS É SANCIONADA POR BOLSONARO

Bolsonaro sanciona lei que facilita crédito a famílias e empresas

FOTO: MARCELLO CASAL JRAGÊNCIA BRASIL

O presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei que facilita o acesso de famílias e empresas ao crédito bancário. Conforme o texto publicado no Diário Oficial desta quinta-feira (1º), as instituições financeiras ficam dispensadas, até 30 de dezembro de 2021, exigir documentação de regularidade fiscal para liberar os recursos.

A proposta, originada em uma MP (Medida Provisória) do Planalto busca reduzir os impactos econômicos causados pela pandemia do novo coronavírus. O texto original concedia o benefício até 30 de junho, mas o prazo foi prorrogado pelos deputados.

“A sanção presidencial é de grande valia, pois auxiliará as medidas de combate aos efeitos econômicos e sociais decorrentes do enfrentamento à pandemia de covid-19, franqueará às empresas melhores condições de acesso ao mercado de crédito, bem como permitirá maior taxa de sobrevivência de empresas”, destaca o governo.

Entre os documentos que não serão cobrados de empresas e pessoas físicas estão a comprovação de quitação de tributos federais, a certidão negativa de inscrição na dívida ativa da União, a certidão de quitação eleitoral, a regularidade com o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), a regularidade na entrega da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e a comprovação de pagamento do ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural) para os tomadores de empréstimo rural.

Outra inovação trazida pela MP trata da determinação de que micro e pequenas empresas, cooperativas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões e setores mais afetados pela pandemia recebam tratamento diferenciado na captação de crédito ofertado com recursos públicos.

Aposentados e pensionistas também deverão ter acesso a condições facilitadas em empréstimos viabilizados com verbas oficiais até o final do ano, nos termos do regulamento a ser editado pelo Poder Executivo.

Fonte: Blog do BG

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ECONOMIA: COSERN ORIENTA CLIENTES A EVITAREM DESPERDÍCIO DE ENERGIA POR MEIO DE AÇÕES SIMPLES

Veja dicas para economizar energia e reduzir impactos da bandeira tarifária vermelha na conta de luz

Redação / Portal da Tropical

 Atualizado em:

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Com a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de manter a bandeira tarifária vermelha no patamar 2 anunciada na última sexta-feira (25), a Cosern reforça e orienta os seus clientes a evitarem o desperdício de energia por meio de ações simples no dia a dia, tais como manter lâmpadas desligadas quando não estiver no ambiente e retirar os aparelhos da tomada sempre que não estiver utilizando.

A distribuidora disponibiliza manuais e publicações sobre uso eficiente num aplicativo especial para smartphones. Bastar procurar “Publicações Neoenergia” e baixar gratuitamente.

“Os nossos clientes podem economizar energia com mudanças de hábitos ou investindo em aparelhos mais eficientes, lembrando que o investimento inicial se paga com a redução do valor da conta de luz”, afirma a gerente de Eficiência Energética da Neoenergia, Ana Christina Mascarenhas.

Entre as orientações da Cosern, utilizar a luz natural nos cômodos sempre que possível, abrindo portas e janelas. Quando for escolher as lâmpadas, o consumidor deve preferir os modelos mais econômicos, que são as de LED, capazes de proporcionar uma economia de até 78% se comparada com as halógenas, que substituíram as incandescentes, e 40% em relação às fluorescentes compactas.

Ao comprar eletrodomésticos, a orientação da Cosern é optar pelos modelos mais eficientes, que apresentam o Selo Procel ou que tenham a classificação de consumo de energia “A” estabelecida pelo Inmetro. É importante comparar o consumo descrito na etiqueta, porque a variação de uma marca para outra pode ser de até 50% entre aparelhos com a mesma capacidade.

No caso da geladeira, durante o uso, as principais dicas são: evitar deixar a porta aberta por mais tempo que o necessário e não colocar alimentos quentes dentro do refrigerador nem secar roupas e panos na parte de trás. Os refrigeradores duplex frost free de 342 litros são 50% mais econômicos que os side by side de 501 litros. A capacidade do refrigerador impacta no consumo de energia elétrica.

Chuveiro elétrico e ar-condicionado

Quando usarem ar-condicionado e chuveiro elétrico, os clientes devem ficar atentos à temperatura. Para economizar no banho, podem passar menos tempo, desligar a torneira enquanto se ensaboam e deixar o chuveiro na posição “verão”, que consome até 30% menos de energia. Isso vale também para o ar-condicionado: quanto mais alta a temperatura do termostato, menor o consumo. Quando não estiver usando o ar-condicionado no inverno, por exemplo, é recomendado desligar no disjuntor do quadro geral de energia, pois o stand-by também consome energia.

No banho, um minuto a menos no chuveiro elétrico de 5.500 W faz diferença no final do mês. Se a casa tiver quatro pessoas, a economia mensal com esse minuto a menos no banho equivale ao uso de 8 (oito) lâmpadas LED de 9W durante cinco horas diárias por 30 dias.

Ferro de passar roupas

O modelo do ferro de passar roupas também faz muita diferença. O consumo dobra quando utilizamos o ferro a vapor em relação ao ferro a seco e, se utilizar vaporizador, esse consumo multiplica por seis vezes. Cabe ainda destacar que alguns ferros a vapor possuem um dispositivo de desligamento automático que atua após 15 minutos de inatividade (posição vertical), evitando o desperdício de energia e protegendo contra possíveis incêndios.

Segundo estudo realizado pelo Inmetro e pelo MDIC, a economia de energia quando se opta por acumular roupas ou passar tudo de uma vez é muito pequena comparada com passar roupa todo dia. Isso quer dizer que o consumidor pode escolher passar poucas peças por dia sem que isso aumente significativamente sua conta de energia.

Mais dicas

No ventilador de teto que tem três posições de velocidade – baixa, média e alta –, a posição média em alguns modelos economiza metade da energia gasta na posição alta. Esses equipamentos também têm o selo Procel e o ideal é comprar os mais eficientes.

Deve-se atentar para o uso de micro-ondas para descongelar alimentos: aumentando o tempo de uso, como a potência do forno é alta, o consumo mensal é impactado. Se for adquirir algum equipamento novo, prestar atenção no consumo na etiqueta do Inmetro, pois existem diferenças de potência de até 70% entre os modelos – quanto maior o volume, maior o consumo.

Nas lavadoras de roupa, as que lavam e secam com abertura frontal, usando água quente, o consumo de energia pode triplicar em relação as que apenas lavam apenas com água fria.

O que significa a bandeira tarifária?

As contas de luz estão vindo com valor extra devido à decisão da Aneel de acionar a bandeira tarifária vermelha para compensar os custos relacionados à menor geração hidrelétrica na estação seca nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN).

No mês, a cada 100 kWh consumidos, os clientes terão um custo adicional que pode ser consultado na parte de “Informações Importantes” da conta luz.

No Brasil, a energia hidráulica representa quase 60% da matriz elétrica – ou seja, mais da metade da capacidade instalada vem da água. Isso quer dizer que nos períodos de estiagem, outras fontes precisam ser acionadas, principalmente a térmica, elevando o custo.

Quando a geração nas hidrelétricas está em condições favoráveis, não há aumento e a bandeira é verde. Porém, se houver a necessidade de utilizar mais outras fontes, podem ser acionadas as bandeiras: amarela (aumento de R$ 1,343 a cada 100 kWh) e vermelha no patamar 1 (acréscimo de R$ 4,169, como foi em maio de 2021) ou no patamar 2.

Tarifa Social

Descontos de até 65% na conta de luz são oferecidos aos clientes classificados com baixa renda, por meio da Tarifa Social. Têm direito ao benefício os consumidores inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal e que tenham renda familiar mensal por pessoa menor ou igual a meio salário mínimo.

As distribuidoras da Neoenergia fazem a inscrição de forma proativa, mas, se o CPF que aparece na fatura não for o mesmo que o do representante da família no cadastro nacional, é necessário solicitar a inclusão. O pedido pode ser feito através dos canais de atendimento digitais das concessionárias, como o site (www.cosern.com.br) e o WhatsApp (84) 3215-6001.

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ECONOMIA: GOVERNO DO RN NEGLIGENCIA NA ECONOMIA E BANCA AUMENTO DE 12% PARA AUDITORES FISCAIS

Governo nega socorro para trabalhadores do turismo, bares e restaurantes, mas banca aumento para auditores com impacto de R$ 40 milhões

Governadora anuncia decreto com recomendação para bares e restaurantes fecharem às 22h no RN - Na Boca do Povo RN

 

No último dia 7, o Governo do Rio Grande do Norte publicou no Diário Oficial uma resolução reajustando os salários dos auditores fiscais em 12%. O aumento será retroativo a março deste ano e vai gerar um impacto de cerca de 40 milhões de reais aos cofres públicos ao longo dos próximos três anos. Atualmente o salário de um auditor gira em torno de 35 mil reais mensais, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos do Estado do Rio Grande do Norte(SINSPER).

Nada contra o reajuste à categoria, o problema é que esse montante que será sentido na folha é o mesmo valor que poderia servir para um socorro financeiro aos trabalhadores do turismo, bares e restaurantes. Há mais de 1 anos essa categoria sofre sem faturamento, desemprego em alta e contas em atraso.

Nesta quarta-feira (12), em entrevista ao Meio Dia RN, o secretário estadual de Tributação, Carlos Eduardo Xavier usou justamente a falta de orçamento para justificar a falta de adoção de um socorro financeiro mais efetivo para esses trabalhadores do setor.

“É uma cadeia de cerca de 80 mil trabalhadores, então tudo que se faz tem multiplicar por esse número. Por exemplo, um auxílio de 500 reais se torna 40 milhões, então por causa das nossas limitações financeiras nós preferimos trabalhar na linha de renúncias e prorrogações fiscais. Resolve o problema? Não, mas é o que podemos fazer e precisamos lembrar que é de suma importância que a União e os Municípios façam as suas partes”, justificou o secretário.

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ECONOMIA: SEGUNDO O MINISTRO DAS COMUNICAÇÕES, GRAÇAS AO GOVERNO FEDERAL OS COFRES DO RN ESTÃO COM SALDO DE R$ 180 MILHÕES

Fábio Faria diz que o “saldo no caixa do governo do RN de quase R$ 180 milhões foi graças a ajuda do governo Bolsonaro”

Cofre Para Guardar Dinheiro - Vecsa International

 

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, destaca nesta terça-feira(06) em suas redes sociais, que com ajuda do Governo Bolsonaro, o Rio Grande do Norte concluiu o exercício financeiro de 2020 com um saldo orçamentário de R$ 177,6 milhões. Esse saldo é a diferença entre as receitas do ano e o comprometimento com despesas.

“O Governo do RN em 2020 recebeu em transferência da União R$ 1,8 bilhão, sendo R$ 1,1 bilhão em decorrência direta da pandemia do coronavírus e o resto por meio de recursos de convênios, emendas parlamentares, além de transferências para complementar os gastos com saúde, educação e segurança pública.

As áreas da saúde, segurança e educação foram as pastas contempladas com mais recursos. Levando em conta as despesas liquidadas, foram R$ 1,61 bilhão na Saúde, R$ 1,36 bilhão na educação e R$ 1,02 bilhão na segurança pública”, completou o post.

Fonte: Blog do BG

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ECONOMIA: O CAPITALISMO É UM SISTEMA COMO TODOS OS OUTROS. O QUE O DIFERENCIA É A LIBERDADE DE ESCOLHA

O destaque desta quinta-feira, aqui na coluna ECONOMIA é o Capitalismo. Aceitar a pressuposição de que o capitalismo é um sistema baseado na competição significa aceitar um debate que já começa inteiramente moldado nos termos criados pelos seus detratores, de modo que, a partir daí, qualquer discussão já está contaminada e enviesada. Para desmistificar essa ideia Antony Sammeroff, autor do complexo artigo a seguir, defende que o que diferencia o capitalismo não é a competição, mas sim a liberdade de escolha. Entenda o porquê lendo o artigo completo!

Não, o que diferencia o capitalismo não é a competição, mas sim a liberdade de escolha

Em termos de competição, o capitalismo é um sistema como todos os outros

 

O capitalismo é frequentemente descrito pelos seus detratores como “um sistema darwinista de competição”, uma selva na qual apenas os mais fortes sobrevivem, e na qual os mais fracos e os menos capazes definham.

Já os mais comedidos simplesmente descrevem o capitalismo como um sistema “baseado na concorrência”.

Curiosamente, vários defensores do capitalismo também parecem assimilar essa ideia de que o capitalismo é um sistema baseado na competição. Eles apenas contra-argumentam que essa concorrência, longe de ser um defeito, é na realidade a grande virtude do sistema, sendo ela a responsável por elevar o padrão de vida da população ao criar bens e serviços de melhor qualidade.

Em minha visão, isso é um erro. Aceitar a pressuposição de que o capitalismo é um sistema baseado na competição — em contraste a outros sistemas que hipoteticamente seriam de cooperação (como socialismo e comunismo) — significa aceitar um debate que já começa inteiramente moldado nos termos criados pelos seus detratores, de modo que, a partir daí, qualquer discussão já está contaminada e enviesada.

No âmbito estatal, a competição é selvagem

Obviamente, não estou criticando a concorrência. Nem poderia. Afinal, não fosse a concorrência entre produtores, com cada um deles se esforçando para ganhar acesso ao dinheiro dos consumidores, não haveria como vivenciarmos um progressivo aumento em nossa qualidade de vida em decorrência da contínua melhora observada nos bens e serviços que usufruímos — os quais, vale ressaltar, apresentaram quedas reais nos preços em decorrência exatamente desta competição.

A concorrência de mercado é o que aumenta a eficiência e reduz o preço real dos bens e serviços, ao mesmo tempo em que gera inovação. Dado que todos nós já estamos familiarizados com este argumento — até porque o vivenciamos diariamente —, é desnecessário ficar reforçando este ponto.

Adicionalmente, a alternativa à concorrência é o planejamento centralizado, no qual há um único fornecedor de bens e serviços, sendo ele quem decide “em nosso nome” como estes serão produzidos e alocados. Todas as sociedades que tentaram este arranjo se afundaram na miséria e no extermínio em massa.

O ponto aqui é outro.

Se os detratores do capitalismo consideram a competição de mercado algo ruim, por que o mesmo não se aplica à esfera política?

Peguemos a tão venerada democracia. Se a competição é um fator deletério e corruptor, então a democracia tem de ser o primeiro sistema a ser abolido. Afinal, o que fazem os políticos senão competirem acirradamente entre si para conseguir um cargo?

Pior: não apenas há essa acirrada competição entre partidos políticos, como também há uma vigorosa competição entre empresas, lobistas e grupos de interesse para ver quem consegue tratamento preferencial (subsídios, patrocínios, reservas de mercado etc.) de políticos e legisladores, tudo com o dinheiro do povo.

Se as pessoas que estão no mercado (a seção livre e voluntária da sociedade) vivem em um sistema de competição, o que dizer então do aparato estatal? O que dizer das pessoas que querem acesso a ele? A democracia é também um sistema de competição. E darwinista. Os políticos estão sempre competindo pelo acesso ao aparato de controle da sociedade. Estão competindo pelo “direito” de aprovar e impingir leis, legislações e políticas que serão aplicadas a todos e que afetarão a todos (queiramos nós ou não). Mais: tudo isso será compulsoriamente pago por nós.

Políticos e todas as pessoas que querem fazer parte do aparato estatal não estão simplesmente competindo por uma fatia de mercado, na qual o vencedor da competição é aquele que melhor satisfaz as demandas dos consumidores. Eles estão afetando diretamente a todos nós, a sem a nossa anuência.

O capitalismo é sobre trocas voluntárias

É óbvio que a competição, por si só, não é um mal. Longe disso. O problema é que definir o capitalismo como um sistema “baseado na competição” — em comparação a outros arranjos que supostamente são baseados na cooperação — é um truque retórico.

Aqueles que acreditam que o capitalismo é baseado na concorrência podem honestamente acreditar nisso, mas não é verdade. O capitalismo é um sistema tão concorrencial e competitivo quanto qualquer outro sistema. Concorrência e competição existem em todos os arranjos. Não é uma exclusividade do capitalismo.

Consequentemente, o correto seria dizer que o capitalismo (ao menos no ideal laissez-faire) é um sistema baseado em transações livres e voluntárias de bens e serviços, transações estas que ocorrem na ausência de coerção física, roubo, compulsão ou fraude, e é baseado no direito fundamental de ter e acumular propriedade.

Ou, em nome da brevidade: o capitalismo é um sistema de trocas voluntárias, baseado no direito de ter propriedade.

Sendo assim, é até possível concluir que o capitalismo é, com efeito, o sistema que mais apresenta as características de cooperação. Afinal, no capitalismo, a competição significa que os produtores têm de se esforçar para agradar seus clientes, e eles terão de agir assim exatamente porque visam ao seu interesse próprio. Em outras palavras, os vendedores cooperam com os consumidores, atendendo às suas necessidades e preferências.

Dado que há escassez, sempre haverá competição — em qualquer sistema

Não é a existência da propriedade privada ou da livre transação de bens que gera a concorrência. O que gera a concorrência é a escassez.

Em qualquer situação em que haja escassez de recursos, haverá alguma forma de competição pela apropriação destes recursos (bem como para decidir a maneira como esses recursos serão alocados).

Se houver um sistema que permita trocas voluntárias, alguma competição surgirá naturalmente neste arranjo. Mas a competição também surgiria em qualquer outro sistema. Mesmo se existisse uma sociedade completamente comunista, que fosse inteiramente planejada por um comitê central, e que não praticasse absolutamente nenhuma transação envolvendo dinheiro, ainda assim haveria competição, e por um motivo incontornável: o tempo das pessoas sempre será limitado.

Se você fosse, por exemplo, um cineasta nesta sociedade comunista utópica, você provavelmente iria querer que o máximo possível de pessoas assistisse ao seu filme. só que todos os outros cineastas iriam querer o mesmo. Isso colocaria você em concorrência direta com eles. Podemos então concluir que o comunismo também é um sistema baseado na competição? É certo que você estaria competindo pelo único cliente: o patrocínio do estado. Corrupção e compadrio certamente seriam o inevitável resultado. Quem terá seu filme financiado? Quem não terá? Quem ganhará o altamente cobiçado emprego de cineasta em vez do nada desejável emprego de varredor de rua ou de recolhedor de lixo? Como conseguir favores das autoridades? A competição será selvagem. Mas, em vez de ser decidida pelas transações livres e voluntárias dos espectadores, dos investidores e dos cineastas, ela será decidida por uma autoridade do comitê central — e de maneira bastante autoritária, eu apostaria.

A competição, em suma, continuaria existindo. Ela apenas seria de outra natureza: em vez de produtores competindo entre si para conseguir clientes, eles irão competir entre si para ver quem obtém mais favores da poderosa e corrupta estrutura do estado.

A competição é simplesmente uma característica inerente ao fato de que vivemos em um mundo de escassez. Ela existiria em qualquer outro sistema econômico. O socialismo não pode abolir a competição. Assim como nenhum outro sistema.

O custo de oportunidade significa que a competição está em todos os lugares

Quando você finalmente constata essa realidade, você percebe que a escassez faz com que a competição esteja muito além da economia.

Por exemplo, imagine que dois amigos distintos me convidem para um jantar em suas respectivas casas na mesma noite. Eu, obviamente, terei de optar por apenas um, o que fará com que o outro fique sem minha companhia. Isso por acaso significa que a amizade é um sistema baseado na competição?

Não podemos nos encontrar com todos os nossos amigos o tempo todo, ou mesmo com todos eles ao mesmo tempo. E, mesmo se conseguíssemos, teríamos de dividir nossa atenção entre eles. Adicionalmente, não somos íntimos de todos eles, de modo que apenas alguns serão realmente amigos. Não dá para ser amigo íntimo de todos. Tudo isso significa que inevitavelmente teremos de fazer escolhas. E, com elas, renúncias. No final, não importa quais critérios você utilizará para escolher quais amizades priorizar: você estará optando e decidindo; escolhendo alguns e isolando outros. Em alguns casos, você pode acabar isolando pessoas que adorariam ter a sua companhia. Mais: ao optar por priorizar amizades, você terá de sacrificar outras atividades que gostaria de fazer, apenas para ficar na companhia deles.

Estes são fatos básicos da vida, pelos quais todos nós já passamos. Mas eles não fazem com que a amizade seja vista como um sistema de competição.

Similarmente, no mercado, nossos recursos e tempo são limitados. Estamos, a todo o momento, fazendo juízos de valor, escolhendo quais produtos e serviços iremos consumir tendo por base a utilidade que imaginamos que eles nos trarão. Ao fazermos isso, sacrificamos algumas opções em prol de outras. Talvez iremos escolher uma cafeteria que tenha o café mais saboroso. Ou então aquela que tem o melhor ambiente. Ou talvez aquela que é mais próxima. Ou aquela outra cujo serviço é o melhor. Ou então aquela que é a mais barata. Ou quem sabe aquela a que sempre fomos e com a qual estamos mais familiarizados. Ou talvez aquela que implantou atitudes mais “socialmente conscientes” — a que sempre privilegiou a contratação de deficientes físicos, por exemplo. O fato é que nós decidimos.

Cada provedor de serviços acredita que irá se beneficiar de nossa clientela e fará diversas tentativas de nos atrair, seja melhorando a qualidade dos serviços, seja reduzindo (os mantendo baixos) os preços, o que corretamente podemos identificar como uma forma de competição. Dado que seres humanos não são infalíveis, em algumas ocasiões alguém irá comprar um café do qual não irão gostar; mas, no longo prazo, a competição tenderá a ser vencida por aqueles que agradarem de maneira melhor e mais consistente seus clientes.

Os benefícios da liberdade de escolha

O fenômeno realmente miraculoso que ignoramos ao concentrarmos nossa atenção na concorrência é a própria capacidade que temos de fazermos escolhas.

Por exemplo, suponha que dois eventos comerciais estejam ocorrendo na mesma tarde. Cada cliente potencial irá escolher aquele evento que mais lhe seja atraente, utilizando para isso uma variedade de critérios subjetivos. Entretanto, simplesmente dizer que esses dois eventos são “concorrentes” seria ignorar completamente o ponto essencial: os frequentadores destes eventos (que são muito mais numerosos que os organizadores destes eventos) podem escolher entre dois eventos. Muito melhor ter a opção de dois (e inclusive optar por nenhum) do que ter apenas a opção de um. Com efeito, pode até ser possível ir aos dois na mesma tarde, sacrificando o tempo que ficam em cada um.

Sendo assim, a realidade é que há muito mais cooperação envolvida no ato fornecer bens e serviços às pessoas do que há competição. Para conseguir fazer qualquer coisa no mercado, você tem de cooperar com compradores, vendedores, administradores, gerentes, empregados, fornecedores, clientes, anunciantes, promotores de eventos, comerciantes, negociantes, compradores coletivos etc.

O clássico ensaio Eu, o Lápis ainda continua sendo o melhor exemplo ilustrativo disso: quando você se dá conta da quantidade de pessoas, nos mais distintos lugares do mundo, trabalhando conjuntamente para fabricar um simples lápis de madeira — e cada um buscando apenas seus próprios interesses financeiros —, é inevitável não se maravilhar ao constatar como realmente funciona todo este arranjo empreendedorial. Essas pessoas, que nem se conhecem, estão atuando em conjunto, em cooperação, e o resultado é que você consegue comprar um lápis — algo que jamais conseguiria fabricar sozinho — por centavos.

A competição no mercado é o que permite a escolha em meio à escassez

Dado que os recursos são escassos e o tempo sempre é limitado, as pessoas têm de fazer escolhas. Consequentemente, a competição sempre será uma parte inerente a todo e qualquer sistema econômico. Enquanto vivermos em um mundo caracterizado pela escassez, haverá competição.

A característica precípua do capitalismo de livre mercado não é a competição, mas a liberdade de escolha. Pessoas que criticam a competição no capitalismo estão, na prática, pedindo para que o estado substitua a competição entre produtores para ver quem obtém mais consumidores voluntários por uma competição entre produtores para ver quem obtém mais favores do governo. Em vez de produtores tentando convencer consumidores a voluntariamente gastar seu dinheiro em uma ampla variedade de bens e serviços, cada vez mais vastos, teremos produtores tentando convencer políticos a coercivamente tomar dinheiro da população para lhes repassar na forma de subsídios e demais protecionismos.

Compare o arranjo capitalista com arranjos corporativistas e socialistas: em todos há competição, mas apenas no primeiro há liberdade de escolha para os indivíduos.

Compare o livre mercado com outros sistemas nos quais a competição é feroz para ver quem consegue obter mais favores de burocratas em cargo de poder: é nestes que realmente há a “lei da selva” e a “sobrevivência do mais forte”.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: ONDE COMEÇA E ONDE REALMENTE TERMINA O DIREITO DE CADA INDIVIDUO EM TEMPOS DE LOCKDOWN?

A pandemia do coronavírus gerou uma infinidade de dúvidas e questionamentos sobre o ordenamento jurídico, começando pelo principal deles: onde começa e termina o direito de cada indivíduo? Quando não se tem mais certeza do direito intocável do indivíduo de respirar livremente para atmosfera é sinal que a coisa está muito complicada! Portanto lhe convido a ler o artigo completo a seguir, de autoria de Donald Boudreaux, economista e bacharel em direito, refletir e tirar suas próprias conclusões!

Poderiam ao menos ter a decência de parar com as justificativas bizarras para o lockdown

A questão das externalidades e do direito

 

Embora eu sempre tenha preferido estudar economia a direito, nunca me arrependi da decisão de obter um diploma de direito além do meu diploma de economia.

Ao me expor a detalhes do mundo real que, de outra forma, eu teria perdido, estudar direito melhorou acentuadamente minha capacidade de avaliar políticas e processos econômicos.

Alguns economistas, de alguma maneira, compreendem esses detalhes cruciais sem terem estudado direito formalmente. Dentre estes estudiosos impressionantes temos Armen Alchian, Terry Anderson, Ronald Coase, Harold Demsetz, Thomas Sowell e Bruce Yandle. Mas muitos economistas desconhecem esses detalhes. O resultado, muitas vezes, são análise políticas equivocadas e conselhos irrealistas e contraproducentes.

Tais análises e conselhos ruins são especialmente dominantes quando os economistas escrevem sobre as chamadas “externalidades“.

Externalidades são efeitos causados por terceiros, como quando as ações de Gustavo e Sara têm um impacto sobre o bem-estar de Silas, com Silas não tendo sido consultado por Gustavo ou Sara.

Se este impacto aumenta o bem-estar de Silas, chamamos isso de “externalidade positiva” – como ocorreria, por exemplo, se Sara pagasse a Gustavo para reformar sua casa, aumentando assim o valor de mercado da casa do vizinho Silas.

Se esse impacto piorar o bem-estar de Silas, nós o chamamos de “externalidade negativa” – como ocorreria, por exemplo, se Gustavo, enquanto trabalha na reforma da casa de Sara, fizesse barulhos altos que incomodasse profundamente Silas enquanto este fazia ioga ou estava em uma reunião importante.

Quando economistas encontram exemplos práticos como esses, seu primeiro instinto é lamentar o fato de Sara e Gustavo ignorarem os impactos de suas ações sobre Silas. Já o segundo instinto é descrever as intervenções que o governo deveria fazer para garantir que Gustavo e Sara levassem em consideração esses impactos. Uma recomendação típica normalmente é tributar as pessoas por qualquer barulho irritante causado por seus projetos de reforma domiciliar.

Os economistas reconhecem que os custos administrativos de se impingir tais políticas são, na maioria das vezes, tão altos, que elas se tornam insensatas. No entanto, pelo menos em princípio, muitos economistas estão propensos a concluir que a ausência de tributação sobre barulhos altos da construção civil faz com que muito ruído desagradável seja feito impunemente em horários impróprios.

A sutil genialidade do direito

O direito, no entanto, frequentemente leva em conta tais efeitos de maneiras que os economistas não percebem. A mais importante destas formas reside na maneira específica com que o direito cria – e se recusa a criar – direitos de propriedade.

O padrão resultante e detalhado dos direitos de propriedade é importante.

Na lei anglo-americana, uma pessoa tem direito a uma indenização somente se ela transfere o título de uma propriedade valiosa sem ter tido a intenção de dar um presente (como ocorre em casos de desapropriação), ou se ela sofre a perda de alguma propriedade (ou parte dela) em decorrência das ações de alguém que violou seus direitos de propriedade.

Portanto, o simples fato de que a ação de Sara aumentou o bem-estar de Silas é insuficiente para criar uma obrigação de que alguém pague Sara por sua ação “positiva”.

Da mesma forma, o simples fato de Silas sofrer algum incômodo com o barulho das atividades de construção de Gustavo é insuficiente para justificar a cobrança de um imposto sobre Gustavo por suas barulhentas atividades de construção.

O direito se recusa a impor obrigações em circunstâncias como estas porque reconhece uma característica da realidade que os economistas muitas vezes ignoram.

Ao passo que a economia e o direito entendem que as pessoas, sendo criaturas gregárias, estão sempre causando impactos sobre estranhos, o direito – ao contrário do economista descuidado, um tipo muito comum – reconhece que as pessoas frequentemente interagem repetidamente umas com as outras ao longo do tempo, e o fazem de maneiras que os custos e os benefícios dos efeitos “externos” tendam a se equilibrar para cada pessoa.

O direito, com efeito, reconhece que os custos que Silas sofre hoje com a construção barulhenta de Gustavo na casa de Sara serão compensados por outros benefícios que Silas terá amanhã, como sua própria liberdade de fazer barulho que irritará Sara se e quando ele, Silas, optar por renovar sua casa.

Em outras palavras, naquele cenário em que economistas mais apressados veem “externalidades” – e, portanto, “falha de mercado” –, o direito frequentemente vê as partes compensando umas às outras na forma de atividades práticas.

Por ter suportado o barulho da reforma na casa de Sara, Silas é “indenizado” adquirindo ele próprio o direito de infligir o mesmo tipo de barulho a Sara se e quando ele fizer reformas  no seu imóvel.

O direito também reconhece outra característica desta compensação prática que ocorre ao longo do tempo: tal indenização está embutida nas expectativas sensatas dos membros da comunidade. Se Sara restringir as obras na sua casa a apenas durante a luz do dia, a lei não reconhece o direito de Silas de ficar livre desse barulho. Silas é tratado corretamente como alguém que deve esperar sofrer com tal barulho durante o dia. Da mesma forma, Sara e o reformador de casas Gustavo são tratados como indivíduos que sabem que podem infligir tal barulho à vizinhança apenas durante o dia.

As coisas são diferentes para o período da noite. Se o barulho das marteladas noturnas de Gustavo mantiver Silas acordado (o que afetará profundamente sua produtividade e seu bem-estar no dia seguinte), o direito apoiará a tentativa de Silas de impedir Gustavo de dar marteladas. As pessoas esperam que seus vizinhos tenham a sensatez de não fazer barulhos altos à noite.

Identifique os direitos de propriedade

As expectativas sensatas das pessoas dão origem a direitos de propriedade. Nenhum direito de propriedade de Silas é violado pelas marteladas barulhentas de Gustavo ao meio-dia; já um direito de propriedade muito real de Silas é violado pelas fortes marteladas de Gustavo à meia-noite.

Esta distinção deveria ser, mas frequentemente não é, reconhecida pelos economistas. O que esta distinção significa é que uma externalidade genuína existe apenas quando há uma violação dos direitos de propriedade de alguém.

Se um homem chega perto de mim calçando sandálias, qualquer desconforto que eu possa sentir por não gostar de ver um homem de sandálias não é uma externalidade, mesmo que eu possa provar objetivamente que minha angústia e meu desconforto ao ver tal cena são intensos. Dado que este indivíduo o direito de usar sandálias em público, e considerando que devo esperar me deparar de vez em quando com homens calçado sandálias, este sujeito não me prejudicou de nenhuma forma jurídica, econômica ou ética.

Em outras palavras, apesar da minha aversão a homens trajando sandálias, o fato de um homem usar uma sandália em público não viola aquilo que os libertários chamam de “princípio da não-agressão“. (O princípio de não-agressão diz que os indivíduos devem ser livres para fazer o que quiserem, desde que não agridam terceiros inocente e não-agressivos.)

O fato de que a lei protege os direitos de propriedade contra efeitos externos criados por terceiros não permite saltos de lógica. Uma pessoa não pode simplesmente sair gritando que “As ações de Sara afetam negativamente um terceiro, que é Silas!” para então concluir “Silas tem o direito ético, e também deve ter o direito legal, de usar coerção, se necessário, para evitar que Sara o afete negativamente!”

A respiração sem máscara em público é uma agressão contra terceiros inocentes?

A relevância desta distinção entre os efeitos de terceiros que violam os direitos de propriedade de outra pessoa e os efeitos de terceiros que não violam é especialmente crucial hoje.

Muitos economistas defendem lockdowns, decretos que impõem o uso de máscara e outras restrições voltadas para combater a Covid-19 como meios cientificamente “objetivos” de lidar com as externalidades.

Da mesma forma, até mesmo alguns libertários justificam lockdowns e outras restrições como sendo não apenas consistentes com o princípio da não-agressão, como, mais ainda, uma consequência direta deste princípio.

No entanto, a pergunta relevante não é: “Se Sara respirar em público sem máscara, estará ela afetando física ou psicologicamente o terceiro e inocente Silas?”.

A pergunta relevante é: “Se Sara respirar em público sem máscara, estará ela violando algum dos direitos de propriedade de Silas?”

A resposta à primeira pergunta é irrelevante; a resposta à segunda pergunta é o que realmente importa.

Somente se a resposta a esta segunda pergunta for “sim”, um economista deve concluir que uma externalidade está em andamento; apenas se a resposta a esta segunda pergunta for “sim”, um libertário deve concluir que Sara está agredindo Silas.

Logo, o que podemos dizer sobre a Covid?

Até março de 2020, nenhum cidadão tinha como um “direito de propriedade” estar livre do risco de exposição a patógenos carregados por indivíduos assintomáticos que continuavam vivendo sua rotina diária. Dado que cada um de nós sempre, e inevitavelmente, expeliu para o ar que respiramos bactérias e vírus que potencialmente prejudicam – e às vezes matam – outras pessoas, a vida como a conhecemos nunca poderia existir se cada um de nós tivesse o “direito de estar livre dessas bactérias e vírus espalhados por outras pessoas”.

Ninguém jamais esperou se tornar livre de tal exposição. Ninguém jamais teve o direito de se tornar livre dessa exposição.

Sendo assim, tem de haver pelo menos uma presunção de que esta mesma regra se aplica ao SARS-CoV-2. Deveria haver pelo menos a presunção de que cada um de nós continua a usufruir o direito legal e ético de continuar cuidando de nossas vidas, de continuar trabalhando, de continuar circulando e até mesmo de continuar mantendo nossos afazeres sem o uso obrigatório de máscaras, não obstante o fato físico de que, ao fazê-lo, corremos o risco de transmitir o vírus a outras pessoas.

Talvez essa presunção seja, como dizem os advogados, “refutável”. Pode ser. Porém, da mesma maneira, posso também “refutar” crenças antigas e enraizadas. Se o jogo é esse, posso também “provar” que uma simples respiração em público configura violação de propriedade.

Por exemplo, com algum esforço, eu consigo imaginar o surgimento de um patógeno extremamente contagioso e extremante letal para todas as faixas etárias. No entanto, se for comprovado que este patógeno pode ser evitado com relativo sucesso por algumas semanas de lockdown rigoroso, então acabou-se de ser criado um argumento plausível que refuta a arraigada presunção de que nenhum direito de propriedade é violado quando estranhos respiram ar em público.

Ou seja, neste cenário, ou as pessoas ficam trancadas em casa, ou elas se tornam criminosas por estarem respirando em público. Logo, criou-se um cenário em que respirar em público atenta contra um direito de propriedade criado ad hoc.

E é isso o que estamos vivendo hoje.

Lockdowns ignoram conceitos básicos de externalidade

Não só a gravidade do SARS-CoV-2 dificilmente chega a um nível que justifique uma mudança tão grande na lei e na ética, como também ignoraram a antiga regra de que nenhum direito de propriedade é violado pela respiração de outras pessoas que estão levando suas vidas normais.

Repentinamente, há um ano, o medo histérico de Covid – e o irresponsável incitamento desse medo por políticos e a mídia – fez com que as pessoas simplesmente esquecessem que ninguém tem “o direito” de ficar livre do ar respirado por outros.

Ademais, como já foi explicado na mais importante análise sobre externalidades já escrita — O Problema do Custo Social, de Ronald Coase —, externalidades são bilaterais. Você só irá conseguir me afetar se eu estiver na posição de ser afetado por você. Em termos práticos, isso significa que há mais de uma maneira de reduzir as chances de as pessoas serem contaminadas pelo coronavírus: você pode tomar medidas para reduzir o seu risco de me infectar, ou eu posso tomar medidas para reduzir o meu risco de ser infectado por você.

Esta realidade, no entanto, é totalmente ignorada por aqueles que clamam para que toda a população seja colocada em lockdown e drasticamente altere seu comportamento.

Por que presumir que as medidas corretivas devem ser tomadas por aqueles rotulados de “espalhadores do vírus” (a esmagadora maioria dos quais em perfeita saúde) e não por aqueles que realmente estão no grupo de risco de sofrerem seriamente caso sejam contaminados? Nunca foi apresentada uma resposta satisfatória para isso.

Exige-se que os saudáveis e aptos sejam trancados em casa e proibidos de trabalhar e circular (tendo suas vidas destruídas), e ignora-se que o real grupo de risco também pode tomar medidas para se proteger das externalidades negativas.

Não faz sentido nenhum — nem em termos legais, nem em termos econômicos — proibir toda a população de circular e de trabalhar (e, consequentemente, de ganhar seu próprio sustento) com o intuito de evitar que pessoas de uma determinada faixa etária sejam contaminadas por um vírus.

Deve-se defender que estas pessoas adotem medidas para se proteger das externalidades de terceiros, e não que terceiros tenham suas vidas destruídas em troca de não respirarem sobre pessoas que podem e devem se proteger.

Qualquer pessoas temerosa de ser contaminada tem a liberdade de ficar em casa. Mas ela não tem o direito de proibir outras de manterem sua rotina diária. E tampouco de proibi-las de respirar em público.

Para concluir

Economistas cientificamente falhos e pró-lockdown exclamam “Reduzam as externalidades!”. Libertários com um fraco comprometimento com a liberdade juram serem os verdadeiros defensores da liberdade ao repetir, ininterruptamente, que “devemos honrar o princípio da não-agressão!”.

Mas nem esses economistas nem esses libertários dedicaram algum tempo para considerar os detalhes complexos do mundo real a partir dos quais os direitos dos indivíduos emergem e nos quais esses direitos estão enraizados e definidos.

Em sociedades livres, o potencial impacto negativo de Sara no bem-estar da terceira parte Silas nunca foi considerado uma razão suficiente para impedir coercivamente que Sara aja de maneiras que se acredita darem origem a esse impacto negativo. Qualquer uma dessas regras teria paralisado completamente a sociedade no momento em que foi adotada.

Infelizmente, essa regra foi adotada – ou, na verdade, imposta com violência – em 2020. E é de se temer que essa regra destrutiva permanecerá conosco por muito tempo.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: A DESIGUALDADE DE RIQUEZA É UMA CONSEQUÊNCIA DO PROGRESSO, MAS REDUZ A POBREZA

Devo confessar que fazia muito tempo que não lia um artigo tão esclarecedor sobre economia e sociologia. No texto a seguir John Tamny explica com muita clareza como a desigualdade de riqueza acaba reduzindo a pobreza.  Todos nós deveríamos querer viver em um mundo repleto de empreendedores visionários e inovadores, que enriqueçam bastante em decorrências de seus inventos que aumentam substantivamente nosso padrão de vida. Quanto mais eles enriquecerem e mais financeiramente desiguais forem em relação a nós, maior será o nosso padrão de vida e menor será a diferença de estilo de vida entre eles e nós. Alguns críticos, que prefiro chamar de invejosos falam dessa desigualdade de riqueza como se essa tal riqueza atingisse um enorme contingente de pessoas. Quando vamos para os números esses bilionários representam apenas 1% da população mundial. Esses críticos sanguessugas não conseguem enxergar que graças a esse 1% os outros 99% passou a ter uma qualidade de vida milhares de vezes melhor do que o pobre da idade média. E que em termos de padrão de vida  menor será a diferença de estilo de vida entre eles e nós.É urgente passar a ver o lado positivo da desigualdade. Por isso, a genuína preocupação não tem de ser com a pobreza relativa, mas sim com a pobreza absoluta. E esta está sendo devidamente aniquilada pelo capitalismo e pela globalização.

Como a desigualdade de riqueza acaba reduzindo a pobreza

Em economias livres, a desigualdade é uma consequência do progresso

 

A desigualdade de riqueza sempre existiu no mundo. Mas ela nunca foi tão explícita e deletéria quanto na era feudal.

Naquele mundo, quando alguém via uma plantação, ou um celeiro, ou um arado, ou animais de carga, e perguntava a quem tais meios de produção serviam, a resposta é “ao agricultor e sua família, e a ninguém mais”. À exceção de algum ocasional gesto de caridade dos proprietários, aqueles que não possuíam meios de produção não podiam se beneficiar dos meios de produção existentes, a menos que eles próprios de alguma maneira também se tornassem proprietários de meios de produção. Eles não podiam se beneficiar dos meios de produção de terceiros, a menos que os herdassem ou os confiscassem.

Com a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, a realidade mudou. Os meios de produção dos mais ricos passaram a servir diretamente aos mais pobres. A desigualdade continuou existindo, mas a pobreza absoluta passou a desabar.

No entanto, e curiosamente, a obsessão das pessoas com a desigualdade de renda nunca foi tão premente como é agora, exatamente quando a miséria absoluta está nas mínimas históricas.

Economistas como Thomas Piketty e entidades como a Oxfam pedem mais impostos sobre os ricos e mais controles e regulamentações para “combater o capitalismo” e “acabar com as desigualdades geradas por ele”. Utilizando-se de uma metodologia altamente questionável, a Oxfam quer “uma economia para os 99% da população mundial”, que “desconcentre” a riqueza do 1% mais rico da sociedade.

A contínua revolta contra “os ricos” e os seguidos clamores para se confiscar uma substantiva fatia de sua riqueza baseiam-se no velho princípio marxista de que há uma pequena minoria de abastados vivendo à custa da exploração da esmagadora maioria da população.

Tal raciocínio seria verdadeiro caso a revolta se direcionasse especificamente para aqueles indivíduos cuja riqueza foi adquirida por meios que atentam justamente contra o capitalismo, como subsídios governamentais, protecionismo e outras formas de governo que obstruem a livre concorrência.

No entanto, a gritaria tem sido generalizada e o alvo comum tem sido “os ricos” de forma geral.

Eis o problema fundamental com esta postura: ela desconhece por completo o papel que esse 1% desempenhou na melhora dos padrões de vida e das condições de trabalho da humanidade.

O grupo do 1%

Dos oito homens que encabeçam a lista dos mais ricos do mundo, quatro estão ligados às novas tecnologias. Na lista dos 500 mais ricos do mundo publicada pela revista Forbes, Bill Gates, da Microsoft, é seguido por Jeff Bezos, da Amazon, por Mark Zuckerberg, do Facebook, e por Larry Ellison, da Oracle. (E Steve Jobs, da Apple, só não está ali porque já morreu).

Isso os coloca no exclusivo grupo dos inovadores tecnológicos, que diariamente nos assombram e surpreendem com suas criações. É claro que suas inovações os deixaram incrivelmente ricos em relação a nós, mas será que isso significa que eles nos deixaram mais pobres? Mais ainda: será que isso significa que sua riqueza deveria ser confiscada?

Um estudo publicado em 2004 pelo economista William Nordhaus, da Universidade de Yale, já mostrava que “apenas uma pequena fração dos retornos derivados dos avanços tecnológicos entre 1948 e 2001 foi capturada pelos produtores, o que indica que a maior parte desses benefícios foi transferida aos consumidores”.

Nordhaus estimou que os empreendedores inovadores capturaram somente 2,2% do valor total que suas invenções criaram para a sociedade. E isso muito antes da invenção do smartphone e dos tablets.

Ou seja, não há dúvidas de que Bill Gates, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e o falecido Steve Jobs se tornaram multimilionários com suas criações. Porém, como já mostrava Nordhaus, o valor que eles criaram para a sociedade com suas invenções é quase 40 vezes maior do que eles próprios embolsaram.

E isso é algo que podemos ver e sentir diariamente. A tecnologia da informação avança a passos mais do que agigantados, facilitando e barateando incrivelmente a comunicação e as transações comerciais das empresas e pessoas comuns. Esta redução nos custos da comunicação e do processamento de informação possui um notável impacto não apenas na vida diária das pessoas como também na produtividade das empresas.

Quando um computador custava US$ 10.000 (R$ 31.500) e a comunicação era cara e lenta, quantas pequenas empresas podiam surgir e prosperar? Hoje, em que um computador custa US$ 400 (R$ 1.260) e a comunicação é instantânea e de baixíssimo custo, quantas pessoas podem empreender e crescer?

Tudo isso foi gerado pelo avanço tecnológico possibilitado por esses bilionários. Mais empresas, mais produção, mais emprego e menos pobreza.

Como diz Edward Conrad, autor do livro “O lado bom da desigualdade“:

Dado que os benefícios da inovação auferidos pelo público são muito maiores que os lucros capturados pelos inovadores bem-sucedidos, surpreende a ânsia dos defensores da redistribuição em maximizar os impostos cobrados dos inovadores. Essas pessoas deveriam, isso sim, querer maximizar o ritmo destas inovações.

Quando a desigualdade aumenta, a diferença de padrão de vida entre ricos e pobres diminui

Apenas pense em Henry Ford, no falecido Steve Jobs, no criador da Amazon Jeff Bezos e no empreendedor da informática Michael Dell. Cada um destes se tornou extraordinariamente rico não por prejudicar os pobres e a classe média, mas sim por saber transformar luxos que até então eram usufruídos apenas pelos ricos — o automóvel, um smartphone (que, na prática, é um supercomputador), um Shopping Center mundial que vende produtos baratos a um clique, e o computador portátil — em bens corriqueiros acessíveis a todos.

E, graças à globalização, os inventos desses empreendedores não ficaram restringidos às suas fronteiras, mas se espalharam por todo o mundo. Ao popularizarem seus inventos, esses três empreendedores se tornaram extremamente ricos. Bem mais ricos que o resto de nós, meros mortais. Houve um aumento da desigualdade.

Mas esse aumento da desigualdade não apenas não foi maléfico, como, na verdade, representou uma redução na diferença de estilo de vida entre pobres e ricos. Quando essa desigualdade aumentou, a diferença de padrão de vida entre ricos e pobres diminuiu. Por definição.

E é assim porque, como a história sobre a riqueza no mundo deixa bastante claro, em economias de mercado, indivíduos se tornam ricos majoritariamente à medida que suas inovações melhoram o padrão de vida de todas as classes sociais. Eles só podem enriquecer — aumentando a desigualdade de renda — se conseguirem satisfazer as necessidades daquela maioria que não é rica.

Pense, por exemplo, no extraordinário valor de mercado da Amazon, que catapultou Jeff Bezos para o posto de homem mais rico do mundo. O valor da Amazon é uma função de Bezos ser capaz de servir, de forma barata, aos desejos de todos os consumidores do planeta desde sua base em Seattle, sem que a Amazon tenha uma presença física na maior parte do globo. Por isso, a importância da história da Amazon não pode ser minimizada.

O progresso sempre foi historicamente definido pelo encolhimento do mundo por meio da tecnologia. À medida que a tecnologia aproxima as pessoas (encolhendo o mundo), um número cada vez maior de indivíduos se torna capaz de atender aos nossos infinitos desejos. É extremamente emocionante lembrar que os melhores cérebros da humanidade trabalharam fervorosamente para possibilitar e facilitar o comércio entre indivíduos que não moram na mesma cidade e nem no mesmo país. Jaz aí a fonte de nossa imensa riqueza atual.

Assim, será que realmente há algo de surpreendente no fato de que a desigualdade aumentou nas últimas décadas? Eis um fenômeno que realmente não deveria causar surpresa alguma. O que é realmente importante é que esse aumento da desigualdade foi um efeito feliz e lógico de um aumento no comércio global. Graças aos avanços nas comunicações e nos meios de transporte, o empreendedor de hoje pode servir praticamente a todo o planeta (quando os governos não atrapalham com escorchantes tarifas de importação).

Cem anos atrás, a genialidade de Bezos estaria confinada ao noroeste dos Estados Unidos. Hoje, grande parte do planeta pode usufruir seu talento e se beneficiar dele. O mesmo raciocínio vale para Apple, Microsoft, Dell e todas as empresas de tecnologia.

Com a proliferação desta tecnologia que, figurativamente, encolheu o mundo, as chances de mentes empreendedoras geniais servirem aos desejos do mundo aumentaram exponencialmente. E, consequentemente, também aumentaram as chances destas mentes geniais se tornarem impressionantemente ricas. E, ao enriquecerem, tais pessoas também melhoram nosso padrão de vida e nos enriqueceram.

Sim, elas nos enriqueceram. A riqueza, como disse o economista Matt Ridley, é “a vida tornada mais fácil e confortável em decorrência dos mercados, das máquinas, da tecnologia, e das outras pessoas”. Hoje, mesmo as pessoas mais pobres dos países ricos (e daqueles países cujos governos não atrapalham severamente o livre comércio e a criação de riqueza) têm acesso a confortos e amenidades que teriam assombrado os bilionários de não muito tempo atrás: smartphones — que nada mais são do que computadores de alta tecnologia que dão acesso a literalmente todo o conhecimento existente no mundo — em seus bolsos; transporte barato com motorista particular ao toque de um aplicativo; filmes e televisão em seus tablets. Cito apenas esses três para não me alongar.

E, à medida que as pessoas vão enriquecendo, elas valorizam mais a inovação. E, à medida que avança a globalização, e a tecnologia da informação melhora nossa capacidade de nos comunicarmos, também aumenta a capacidade das empresas e dos indivíduos de alcançar uma maior quantidade de consumidores.

Assim, os inovadores que alcançam o êxito, como Steve Jobs, Bill Gates e Jeff Bezos, enriquecem muito mais que os inovadores que os antecederam no passado. E também se enriquecem muito mais que os doutores, professores e motoristas de ônibus, pois os ganhos destes estão limitados ao número de pessoas que podem servir.

O mesmo ocorre com os CEOs das empresas multinacionais bem-sucedidas. Eles gerenciam negócios que mudam a vida de bilhões de pessoas, e isso lhes traz uma remuneração de acordo.

Por isso, o aumento da desigualdade de renda é um subproduto de um arranjo econômico que premia aqueles que direcionam seu talento e sua riqueza de maneira mais efetiva. Quando um indivíduo tem êxito em uma economia globalizada, seu enriquecimento pode até parecer desproporcionado, mas o fato é que quem estipulou o valor de mercado deste indivíduo foram os próprios consumidores de seus produtos.

Duas histórias pouco difundidas

Jamais foi explicado por que seria deletério para a economia indivíduos buscarem carreiras que, caso bem-sucedidos, os tornarão muito mais desiguais em relação a seus pares. Levando ao extremo, se um grupo de cientistas descobrir a cura definitiva para o câncer, e enriquecer enormemente por causa dessa descoberta, os críticos da desigualdade terão de exigir que essa descoberta seja revogada, pois levou a um aumento da desigualdade.

Nessa mesma linha, Henry Ford morreu muito rico, Steve Jobs morreu valendo bilhões, e Michael Dell vale dezenas de bilhões. Como exatamente o fato de eles serem muito ricos prejudicou você? Alguém realmente diria que o mundo estaria melhor caso estes três fossem meros preguiçosos sem ambição? A desigualdade, sem dúvida, seria menor.

Quando John D. Rockefeller começou a vender querosene em 1870, ele detinha aproximadamente 4% do mercado. Já em 1890, ele tinha 85% do mercado. Como ele conseguiu esse aumento estrondoso de sua fatia de mercado? Foi espoliando os consumidores? Muito pelo contrário. Os preços do galão de querosene desabaram: eram de 30 centavos em 1869 e despencaram para 6 centavos em 1897. Rockefeller reduziu seus preços exatamente para aumentar sua fatia de mercado. Ao agir assim, ele afastou a concorrência e aumentou estrondosamente sua riqueza. Mas, simultaneamente, melhorou a qualidade de vida das pessoas. A Standard Oil de Rockefeller tornou a gasolina tão barata, que possibilitou à Ford criar um mercado de massa para o seu modelo T.

Já Henry Ford, por sua vez, duplicou o salário básico de seus empregados em 1914. A lenda é que ele fez isso para possibilitar a seus funcionários comprarem Fords. Falso. A verdade é que ele aumentou o salário de seus empregados para diminuir a rotatividade deles. Em 1913, a rotatividade de empregados na economia americana era de incríveis 370%. Ford, ao aumentar os salários e diminuir a rotatividade, reduziu seus custos trabalhistas, pois não mais tinha de treinar novos empregados. E, ao fazer isso, sua riqueza aumentou exponencialmente. Mas a qualidade de vida de seus consumidores também.

De novo: quando a disparidade de riqueza aumenta, a diferença de padrão de vida diminui.

Conclusão

Embora sempre haverá pobres e ricos, a definição moderna de “pobreza” é algo que certamente seria classificado como classe média em 2005, e bilionário em 1905.

À medida que a desigualdade aumenta, a diferença de padrão de vida entre pobres e ricos diminui. Óbvio: inovadores enriquecem em virtude da comercialização daquilo que era um luxo no passado, e os inovadores de hoje servem às necessidades de um número muito maior de pessoas.

Todos nós deveríamos querer viver em um mundo repleto de empreendedores visionários e inovadores, que enriqueçam bastante em decorrências de seus inventos que aumentam substantivamente nosso padrão de vida. Quanto mais eles enriquecerem e mais financeiramente desiguais forem em relação a nós, maior será o nosso padrão de vida e menor será a diferença de estilo de vida entre eles e nós.

Por isso, para estimular a inovação e o crescimento, é necessário permitir que os inovadores e empreendedores bem-sucedidos mantenham a totalidade de sua renda, a qual a sociedade, voluntariamente, lhes outorgou.

Punir o êxito com mais impostos logrará o objetivo contrário. Haverá menos inovações, menos crescimento econômico e, logo, salários mais baixos e mais pobreza.

É urgente passar a ver o lado positivo da desigualdade. Por isso, a genuína preocupação não tem de ser com a pobreza relativa, mas sim com a pobreza absoluta. E esta está sendo devidamente aniquilada pelo capitalismo e pela globalização.

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ECONOMIA: MEXE-SE EM TUDO NUMA CRISE, MENOS NO FUNCIONALISMO PÚBLICO

Enquanto a alta casta do funcionalismo ganha entre R$ 10.000 e R$ 60.000 por mês (em alguns casos, ganham mais de R$ 100 mil), o trabalhador do setor privado, que é quem produz e é tributado para sustentar toda essa farra , está com uma renda média de R$ 2.300 por mês. Podemos chamar isso de democracia? No artigo a seguir uma análise profunda dessa terrível desigualdade social!

O oásis do funcionalismo público brasileiro na crise

Milhões de desempregados no setor privado; emprego garantido e zero centavo a menos no setor público

 

No deserto, convivendo com a escassez de água e comida, o oásis é um refúgio temporário para viajantes em travessias difíceis. Não sendo propriedade de alguém, oferece algum conforto para todos que passam pelo mesmo difícil caminho.

Não é o caso do sentido aqui empregado, já que no mesmo território, e no mesmo caminho, o abrigo só serve para poucos.

No Brasil, antes da pandemia, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgada em março, tínhamos no setor privado aproximadamente 33,6 milhões de pessoas com carteira assinada e 38 milhões de trabalhadores informais. Estes incluem desde os trabalhadores sem carteira assinada (11,6 milhões) até trabalhadores por conta própria (24,5 milhões).

Os grupos acima, quando somados à força de trabalho desocupada no mesmo período, equivalente a 12,3 milhões de desempregados, significam 84 milhões de brasileiros que lutam no dia a dia para procurar ou manter seus empregos e sua renda (veja todos os números aqui).

Nesse sentido, enfrentar a crise é uma batalha que os torna semelhantes como brasileiros.

No universo de trabalhadores brasileiros ainda faltam os trabalhadores do setor público, também chamados de servidores públicos pela sua natureza universal de servir ao público (compreendida, corretamente, como uma nobre atividade desde o Império Romano). Somadas as diferentes esferas de governo, civis e militares, os servidores públicos no Brasil são aproximadamente 11,4 milhões.

A crise econômica é global. E, como em vários outros países, no Brasil milhões de trabalhadores já perderam seus empregos e salários. Atualmente, mais da metade dos brasileiros não tem trabalho.

Governos, incluindo o brasileiro, adotam programas bilionários (que serão pagos com os impostos de todos contribuintes) para tentar mitigar o sofrimento dos que perdem sua renda, integralmente ou parcialmente, da noite para o dia.

Brasileiros, todos, navegam na mesma crise econômica, correto? Não. Nem todos da mesma forma. Para uma minoria, os trabalhadores do setor público, os empregos são garantidos por lei. E os salários, obviamente, são garantidos pelos impostos pagos pelos trabalhadores do setor privado.

Austeridade portuguesa e grega

Além do estatuto da estabilidade no emprego, sequer é possível admitir algum pequeno ajuste temporário de salários no serviço público.

No fim de junho de 2020, o STF negou a possibilidade de reduções temporárias de salários condicionadas à redução de jornadas de trabalho (no julgamento de matéria relativa à Lei de Responsabilidade Fiscal), algo já feito em larga escala pelos trabalhadores do setor privado – e, ainda assim, só para aqueles que tiverem a sorte de manter seus empregos em meio à crise.

Muitos países procuram reforçar sua identidade e propósito de união em momentos mais difíceis, como guerras, epidemias, desastres naturais ou crises econômicas. Em todas essas situações, a estabilidade da sociedade, em meio à exigência de maior sacrifício pessoal, passa também pela percepção da maioria de que o sacrifício temporário é distribuído de maneira justa e solidária.

Tratamento igual entre iguais, sacrifícios maiores para aqueles que podem contribuir mais em períodos excepcionais. Tudo em nome de uma união necessária para a travessia de um caminho difícil. Um teste, que pode sinalizar o quão próspero pode ser o futuro de uma nação.

Para não voltarmos muito longe no tempo, como nos períodos das grandes guerras mundiais – que moldaram o sentimento de união de países como o Japão, Alemanha, Itália, França, Inglaterra, Estados Unidos e tantos outros —, fiquemos com algumas crises econômicas mais recentes.

Em Portugal, depois da crise de 2008/2009, o déficit nominal do setor público atingiu o recorde de 11% do PIB em 2010, com um crescimento negativo do PIB de 3% no mesmo ano. Vale lembrar que as atuais projeções para o déficit nominal do Brasil em 2020 já estão em 16% do PIB.

O programa de ajuste português, que anos mais a frente permitiu aquele país ser saudado como um exemplo de recuperação econômica (e com participação conjunta de partidos de direita, centro e esquerda), procurou distribuir esforços entre o setor privado e o setor público.

Na aprovação da primeira fase do programa, em 2010, ao incluir a redução e congelamento futuro dos salários no serviço público, o primeiro-ministro de Portugal da época, José Sócrates, ressaltou a importância de um algum esforço solidário do setor público, em meio a uma grande onda de demissões e reduções salariais no setor privado.

Em 2011, em mais uma onda de ajustes, o governo português extinguiu o 13º e o 14º salários para o funcionalismo público e aposentados portugueses que recebiam mais de mil euros. (Leia tudo sobre o ajuste de Portugal aqui).

Na Grécia, a crise de 2008/2009 levou o déficit nominal a patamares ainda mais altos: acima de 13% em 2013, com uma queda do PIB que havia chegado a 10% no ano anterior.

O ajuste grego também envolveu partidos de diferentes orientações ideológicas, incluindo o Syriza, partido radical de esquerda e antigo crítico de medidas de ajuste fiscal.

O processo de ajuste grego foi ainda mais longo e sofrido do que o de Portugal, mas o país voltou a ter superávit nominal entre 2016 e 2019, a dívida pública voltou a ficar estável — ainda que em patamar extremamente elevado — e o crescimento econômico também retornou (antes da Covid-19), ainda que a taxas modestas.

Na Grécia, até pelo peso maior do setor público na economia local, os cortes de salários e benefícios foram ainda maiores do que em Portugal. Entre 2010 e 2012 foram cinco rodadas de ajustes, que na soma significaram mais de 30% de reduções salariais no funcionalismo público, além da revisão de outros benefícios.

Em cada uma das rodadas de ajuste na Grécia, mesmo com diferentes coalizações políticas, a justificativa de reduções salariais no setor público foi a mesma de Portugal: o esforço precisava ser de todos, num país onde a taxa de desemprego havia saído de 7,5% em 2008 para quase 30% no início da década passada.

Salários no setor público brasileiro

Segundo estudo do Banco Mundial divulgado em conjunto com o Ministério da Economia em 2019, intitulado “Gestão de pessoas e Folha de Pagamentos no Setor Público Brasileiro – o que dizem os dados?“, servidores federais no Brasil ganham 96% a mais do que recebem trabalhadores da iniciativa privada que exercem funções semelhantes.

O número acima, chamado de “prêmio salarial”, é o mais alto na amostra de 53 países pesquisados pelo Banco Mundial, como mostra o gráfico abaixo.

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Prêmio Salarial do Setor Público em Relação ao Setor Privado por País

No caso dos estados, aquele número é de 36% mais elevado do que a média do setor privado. Nos municípios o prêmio salarial é equivalente ao do setor privado.

O mesmo estudo mostrou que, em 2019, 44% dos servidores do executivo federal, o poder federal com a menor média salarial, recebiam mais de R$ 10 mil reais por mês. Essa remuneração coloca esses servidores nos 5% superiores da distribuição de rendimentos domiciliares per capita dos brasileiros calculada pelo IBGE para o ano de 2019.

Como essa distribuição foi verificada antes da atual crise econômica, a tendência é piorar a performance relativa dos rendimentos do setor privado.

teto salarial do setor público brasileiro foi reajustado, em 2019, em 16,3%, aproximadamente quatro vezes a inflação daquele ano, de 4,31%. O valor, R$ 39,2 mil, coloca esse teto entre o 0,5% superior do rendimento domiciliar per capita.

Dado que em 2019 a metade mais pobre da população viveu com uma renda média de R$ 850 por mês, R$ 39,2 mil equivalem a 46 vezes mais do que ganharam em média a metade dos brasileiros.

O teto salarial já seria uma belíssima remuneração, mas há milhares de servidores no Executivo, Legislativo e Judiciário, na União e nos estados que recebem muito além desse valor. Perde-se a conta de remunerações acima de 60-70-80 mil reais por mês infladas por todos os tipos de adicionais e auxílios — os famosos “penduricalhos” — que fogem de uma definição legal mais rigorosa para o conceito de teto remuneratório. Outra pendência esquecida nas gavetas do governo e do Congresso Nacional.

As distorções dentro da própria máquina garantem privilégios ainda mais imorais

É preciso ser dito também que, na outra ponta da distribuição salarial do setor público, há milhões de funcionários públicos em estados e, principalmente municípios, com rendimentos baixos ou comparáveis aos praticados no mercado.

Há enormes desigualdades no tratamento dentro do próprio setor público. E são tratamentos desiguais no sentido de privilegiar exatamente quem ganha mais.

Alguns estados atrasam suas folhas de pagamento pelas suas crises financeiras, agora agravadas com a pandemia da Covid-19. No entanto, há um agravante: quando a receita de todo o setor público estadual cai de forma inesperada, os poderes executivos estaduais são proibidos de pedir que o legislativo, o judiciário e o Ministério Público estaduais compartilhem o “sacrifício”.

Os executivos estaduais acabam tendo de resolver sozinhos a crise, sem dividi-la com os outros poderes e órgãos independentes (como o Ministério Público), onde exatamente se encontram os salários mais altos.

Os poderes executivos estaduais estão proibidos de tentar reduzir os repasses da execução orçamentária (os chamados duodécimos) para os outros poderes quando há frustração de receitas. Mais uma decisão recente do STF, junto com a que proibiu a redução salarial no setor público associada à redução de jornada de trabalho.

Vejamos apenas um exemplo das muitas distorções que se acumulam no setor público brasileiro, seja pela legislação vigente ou por decisões do STF já mencionadas.

No Rio Grande do Sul, hoje, uma professora do ensino fundamental com doutorado que receba uma remuneração pouco superior a R$ 3.000 receberá a totalidade do seu salário com mais de 30 dias de atraso. No mesmo estado, no mesmo setor público, um desembargador que tenha uma remuneração total mensal de R$ 60.000  (20 vezes maior) receberá a integralidade de seus vencimentos rigorosamente em dia.

A constatação é de que a atual estrutura de remunerações no setor público brasileiro, comparativamente ao setor privado, não é só desconectada em relação ao que acontece em outros países, mas é também parte agravante da descomunal desigualdade de renda que vigora no País.

Voltando à crise atual no Brasil

No momento em que o mundo volta a discutir o compartilhamento de esforços entre setor privado e público no enfrentamento de uma crise, isso ainda parece ser uma barreira intransponível no Brasil. E temos exemplos recentes muito próximos do país indo em outra direção.

A Colômbia aprovou em abril deste ano um imposto adicional transitório para servidores públicos que ganham acima de 10 milhões de pesos (o equivalente a 10 mil reais no Brasil).

No Chile, o parlamento discute de maneira avançada a extensão de reduções salariais temporárias no serviço público, depois do salário de parlamentares e outras autoridades públicas terem sido reduzidos em até 50% ao final de 2019.

No Uruguai, depois de cortar 20% do seu próprio salário e de outros dirigentes públicos, o presidente Lacalle Pou avançou na aprovação de um desconto temporário entre 5% e 20% para servidores com remuneração mensal superior a 80.000 pesos (o equivalente a R$ 9.000).

No Brasil, qualquer iniciativa de propor alguma redução temporária de salários não passa de uma primeira manifestação de intenções. Nunca se concretiza.

Além da enorme força das corporações do setor público, aparentemente o próprio presidente da República não enxerga prioridade neste esforço. O máximo que se fez até agora, após forte trabalho de convencimento do ministro Paulo Guedes, foi congelar os atuais salários do serviço público de apenas alguns categorias até o final de 2021.

Mesmo nesse esforço louvável, há muitas dúvidas sobre como será possível controlar aumentos disfarçados, como promoções de carreiras e concessões de auxílios diversos.

Para concluir

Toda essa bonança é bancado pelos impostos pagos por quem trabalha e produz riqueza — e que, consequentemente, ganha bem menos.

E que agora está desempregado.

Enquanto a alta casta do funcionalismo ganha entre R$ 10.000 e R$ 60.000 por mês (em alguns casos, ganham mais de R$ 100 mil), o trabalhador do setor privado, que é quem produz e é tributado para sustentar toda essa farra — não houvesse trabalhador do setor privado, não haveria salário para funcionalismo público —, está com uma renda média de R$ 2.300 por mês.

A injustiça causada pelo estado não poderia ser mais fragorosa.

Quando saírem os dados econômicos do ano de 2020, deveremos ter a uma das maiores quedas da história do PIB brasileiro, alguns novos milhões de desempregados e muitos outros milhões de empregados do setor privado com salários muito abaixo do início da atual crise.

Será uma travessia muito difícil até o Brasil voltar a crescer e começar a recuperar os empregos perdidos nessa crise. Para aqueles que têm a felicidade de mantê-los por lei, um verdadeiro oásis no deserto, seria no mínimo um gesto de solidariedade e união compartilhar uma pequena parte do sacrifício. Uma demonstração de que a crise, assim como o país, é de todos.

fonte: Mises Brasil

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SAÚDE- ECONOMIA:SEGUNDO ESPECIALISTA, A ECONOMIA BRASILEIRA SÓ VAI MELHORAR COM A VACINAÇÃO EM MASSA

Só a vacinação em massa pode melhorar a economia brasileira, afirma especialista

Segundo dados divulgados nesta quarta (3) pelo IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado de 2020 registrou tombo de 4,1%

Layane Serrano, da CNN, em São Paulo

Atualizado 03 de março de 2021 às 11:11

Vacinação em massa é 'decisiva' para o bom desempenho da economia brasileira, diz Guedes | Economia | G1

A economia brasileira só tem chance de melhorar se a vacinação contra a Covid-19 atingir uma proporção grande da população do país. Esta é a análise do economista e sócio da MB Associados José Roberto Mendonça de Barros. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado de 2020 registrou um encolhimento de 4,1%.

“Chama a atenção que no ano passado só a agropecuária teve crescimento positivo. Todos os outros setores do PIB tiveram crescimento negativo. A pandemia leva a restrições de mobilidade e, com isso, o setor que mais sofre é serviços porque boa parte desse setor exige aglomeração e presença das pessoas, e é o setor que mais emprega”, disse.

“Por isso, se olhamos para esse ano, a grande lição que sobra do ano passado é que só teremos chance de melhorar se a vacinação em massa atingir uma proporção grande da população. Isso é o mais fundamental para esse ano, até mesmo antes da continuidade, que é importante, de um certo auxílio emergencial”.

Na avaliação do economista, o que salvou o ano passado foi o auxílio emergencial. “Até julho do ano passado, a projeção era de menos 6%, até mais, e acabou dando menos 4%. Isso foi um resultado médio, se compararmos com países da Europa, como a Inglaterra e a Espanha, e da América Latina, como o Peru, a Argentina e o México. Mas, de qualquer forma, é uma queda muito significativa e que tem custos para o país, especialmente porque a gente vem crescendo pouco desde 2014, 2015. Entretanto, o que salvou o ano foi o auxílio emergencial.”

Fonte: CNN

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ECONOMIA: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO DE BICICLETAS SERÁ REDUZIDO, SEGUNDO ANUNCIOU O PRESIDENTE BOLSONARO

Bolsonaro anuncia redução no imposto de importação de bicicletas

Foto: Arquivo/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro anunciou na noite dessa quarta-feira (17) que o governo vai reduzir de 35% para 20% a alíquota do imposto de importação de bicicletas no Brasil até o final do ano. Em uma postagem nas redes sociais, em que aparece andando de bicicleta, o presidente escreveu que a medida foi uma decisão da Câmara de Comércio Exetior (Camex), do Ministério da Economia, e será publicada na edição de amanhã (18) do Diário Oficial da União (DOU).

“Atualmente o Imposto é de 35%. A CAMEX deliberou por diminuí-lo. Publicará no DOU de amanhã: para 30% em março/21; para 25% em julho/21; e para 20% em dezembro/21”, postou Bolsonaro.

Fonte: Blog do BG

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ECONOMIA: GANHOS SOCIAIS COMO O FIM DO TRABALHO INFANTIL E A REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO SÃO GRAÇAS AO CAPITALISMO

Na coluna ECONOMIA deste domingo temos uma aula e tanto sobre Humanização e Capitalismo. Os autores, Steve Horwitz e Julian Adorney, com muita competência esclarecem que nós não humanizamos o capitalismo, mas o capitalismo quem nos humanizou e que a jornada de trabalho foi reduzida, bem como o trabalho infantil abolido graças à acumulação de capital. Leia o artigo completo a seguir e entenda como isso acontece!

Nós não humanizamos o capitalismo; foi o capitalismo quem nos humanizou

Graças à acumulação de capital, o trabalho infantil foi abolido e a jornada de trabalho, reduzida

 

Sempre que há um feriado prolongado, várias pessoas dizem que foram os sindicatos e as intervenções do governo que “humanizaram o capitalismo” ao nos dar a jornada de trabalho de 8 horas, a semana de cinco dias de trabalho, a abolição do trabalho infantil e tudo mais.

Infelizmente, essas pessoas inverteram as relações de causa e efeito.

Não fomos nós que humanizamos o capitalismo; foi o capitalismo que nos humanizou.  A riqueza produzida pelo capitalismo nos permitiu satisfazer nossas demandas humanitárias de maneiras que não eram nem sequer sonháveis em outras épocas, quando todos os seres humanos viviam, diariamente, no limiar da sobrevivência.

Era absolutamente impossível trabalhar apenas 8 horas por dia, ter uma semana de trabalho de apenas 40 horas, e abrir mão do trabalho infantil quando as condições materiais que permitem esse luxo ainda não existiam. Ao contrário do que alguns gostam de imaginar, os trabalhadores não trabalhavam longas jornadas e as crianças não trabalhavam desde muito cedo porque os empregadores apontavam uma arma para suas cabeças. Igualmente, eles não trabalhavam tanto só porque gostavam de laborar por longas, duras e desconfortáveis horas.

Eles, assim como nós, teriam preferido trabalhar menos, ganhar mais, e usufruir melhores condições de trabalho.  No entanto, quando o capital — ferramentas tecnológicas, maquinários de alta produção, e de meios de transporte rápidos e eficientes —  é escasso, a produtividade é baixa.  Sendo a produtividade baixa, os salários inevitavelmente também serão baixos.  Sendo assim, para se alimentar toda uma família, serão necessárias várias horas de trabalho e muito mais pessoas trabalhando.

Cuidando de si próprio

Como Ludwig Von Mises nunca se cansou de repetir, foi a acumulação de capital o que tornou o trabalho mais produtivo.

Capital é tudo aquilo que aumenta a produtividade e, em última instância, o padrão de vida de uma sociedade. Capital são todos os fatores de produção — como ferramentas, maquinários, edificações, meios de transporte etc. — que tornam o trabalho humano mais eficiente e produtivo.

Capital, em termos físicos, são os ativos físicos das empresas e indústrias.  São as instalações, os maquinários, os estoques e os equipamentos de escritório de uma fábrica ou de uma empresa qualquer.

Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto da acumulação de capital. Assim como um trator multiplica enormemente a produção agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos modernos multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e, consequentemente, seus salários e sua qualidade de vida.

Foi a acumulação de capital ocorrida ao longo dos séculos o que permitiu que os trabalhadores produzissem mais com menos horas de trabalho. Em decorrência disso, eles passaram a poder alimentar a si próprios e a seus familiares — bem como educar seus filhos — ao mesmo tempo em que trabalhavam menos horas.

Nos países ricos, em que os trabalhadores possuem uma grande quantidade de maquinários e bens de capital tecnológicos à sua disposição, tais trabalhadores tendem a ser mais produtivos. Sendo assim, eles podem se dar ao luxo de trabalhar menos horas.  Já nos países ainda em desenvolvimento, que não usufruem de bens de capital abundantes e de qualidade para seus trabalhadores — o que faz com que eles sejam menos produtivos —, não há alternativa senão trabalhar mais para produzir o mesmo tanto que um trabalhador de um país desenvolvido.

Os salários dos trabalhadores dependem de sua produtividade e do valor daquilo que produzem para os consumidores. Quando trabalhadores têm mais e melhores bens de capital com os quais trabalhar, sua mão-de-obra se torna mais produtiva. E quando os consumidores demandam aquilo que eles produzem, seus salários, por causa da maior produtividade, podem aumentar.

Quando os proprietários do capital — isto é, os donos dos meios de produção — têm de concorrer pela mão-de-obra, eles têm de oferecer maiores salários para atrair essa mão-de-obra mais produtiva, retirando-a de seus concorrentes.  A consequência é que mais e melhores bens de capital levam a maiores salários, e isso permite que mais famílias possam sobreviver sem ter de colocar seus filhos para trabalhar, e que mais trabalhadores e empresas possam reduzir as horas de trabalho e a jornada semanal.

E todo esse processo já estava a pleno vigor antes de qualquer tipo de sindicalização ou de regulamentações governamentais sobre a jornada de trabalho. A linha de tendência de queda nas horas de trabalho não foi alterada quando sindicalizações e regulamentações governamentais começaram a aparecer.

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Horas semanais de trabalho na indústria, 1830-1997; a cada regulamentação que surge, a tendência de queda não é alterada

O economista Robert Whaples observa que a jornada semanal média vem caindo progressivamente desde os anos 1830.

Em 1938, quando o então presidente americano Franklin Roosevelt assinou a Fair Labor Standards Act (FLSA), uma lei que estipulava a jornada semanal máxima em 40 horas, tal lei já era praticamente desnecessária.  Ao longo do século anterior, as forças de mercado já haviam derrubado a jornada semanal média nas indústrias, de quase 70 horas para apenas 50 horas.  Em outras indústrias, a jornada era ainda menor.  Em 1930, por exemplo, operários das ferrovias trabalhavam uma media de 42,9 horas por semana.  Já os carvoeiros trabalhavam uma média de apenas 27 horas. (Confira os números aqui).

Henry Ford implantou uma jornada semanal de 40 horas em 1926 porque ele acreditava que consumidores com mais tempo livre iriam comprar mais produtos.  Outras grandes empresas fizeram o mesmo.  Apenas um ano depois, 262 grandes empresas já haviam adotado uma semana de trabalho de 5 dias.  Pela primeira vez na história, as pessoas estavam usufruindo fins de semana livres.

De acordo com esse trabalho acadêmico do economista Robert Whaples:

Mais de 80% dos historiadores econômicos já aceitam a idéia de que “a redução na jornada de trabalho semanal nas indústrias americanas antes da Grande Depressão deveu-se majoritariamente ao crescimento econômico e aos aumentos salariais gerados por esse crescimento econômico.  Outras forças tiveram um papel apenas secundário.  Por exemplo, dois terços dos historiadores econômicos rejeitam a proposta de que os esforços dos sindicatos foram a principal causa da queda na jornada de trabalho antes da Grande Depressão.

E essa tendência de queda nas horas de trabalho pode ser observada com ainda mais intensidade no que diz respeito ao trabalho infantil.

No início do século XIX, crianças trabalhavam ou na agricultura familiar ou nas fábricas.  Em ambos os casos, as famílias necessitavam dessa contribuição do salário da criança para sobreviver.

O historiador Steven Mintz, especialista em trabalho infantil, observa que os salários de crianças entre 10 e 15 anos de idade “frequentemente representavam 20% da renda da família e podiam significar a diferença entre bem-estar e privação”.  Como também disse Mintz, “nessa economia cooperativa familiar, as decisões essenciais […] se baseavam nas necessidades da família e não na escolha individual”.

É claro que se os pais daquela época fossem capazes de sobreviver sem ter de colocar seus filhos para trabalhar, eles teriam feito isso, como demonstrado pela relativa ausência de trabalho infantil entre as famílias mais ricas da época.  O problema é que a maioria dos pais simplesmente não podia se dar a esse luxo.

Quando uma demanda menor é algo bom

Evidências de que foi a acumulação de capital, e não legislações, que reduziram o trabalho infantil e a jornada de trabalho foram compiladas pelo historiador Clark Nardinelli, que mostra o contínuo declínio das horas de trabalho infantil nas fábricas britânicas de algodão e de linho nas duas décadas anteriores à promulgação do Factory Act de 1833 [que limitava a 10 horas por dia o trabalho infantil em fábricas], bem como o contínuo declínio no trabalho infantil total nas fábricas de seda até 1890, muito embora as leis de trabalho infantil não se aplicassem à indústria da seda.

Conjuntamente, todos esses dados fornecem evidências do papel da elevação dos salários reais, permitida pelo capitalismo, como a causa da redução do trabalho infantil ao longo do século.  Mesmo crianças que trabalhavam na agricultura viram suas funções diminuírem à medida que maquinários agrícolas de maior qualidade reduziram a necessidade do uso de mão-de-obra infantil e aumentaram a produtividade, o que permitiu que proprietários de terra contratassem mão-de-obra de fora da família.

Sim, não há dúvidas de que as condições nas quais as crianças trabalhavam nas fábricas (e ainda o fazem nos locais mais pobres do mundo) eram desagradáveis e desumanas para os nossos padrões atuais; mas a vida no campo, trabalhando na lavoura, certamente não era melhor. Provavelmente, era pior. Se levarmos em conta a maior renda familiar e o maior acesso a recursos, principalmente remédios, disponíveis à recém-formada mão-de-obra industrial urbana, a vida era, no geral, melhor para crianças que trabalhavam nas fábricas do que para crianças que trabalhavam na lavoura na geração anterior.

A conclusão de Nardinelli merece ser citada:

A crescente renda real observada na Grã-Bretanha do século XIX foi a mais importante força responsável por retirar as crianças das fábricas têxteis após 1835. As crianças trabalhavam nas fábricas porque suas famílias eram pobres; à medida que a renda das famílias aumentou, a mão-de-obra infantil diminuiu.  Com efeito, à medida que a renda de uma determinada família aumentava, seus filhos começavam a trabalhar em idades mais avançadas do que seus irmãos mais velhos.

Aquela bem conhecida preocupação vitoriana com as crianças surgiu, em grande parte, como um reflexo da renda crescente.  Era de se esperar que, graças ao crescente aumento da renda na última metade do século XIX, a quantidade de mão-de-obra infantil nas fábricas têxteis teria declinado sem qualquer legislação a respeito.

É certo que as leis tiveram algum efeito em dar um empurrão ao processo, mas a “mais importante força” continua sendo o aumento na renda real produzido pelo capitalismo e pela industrialização.

Contrariamente à alegação de seus críticos, não foi o capitalismo quem criou a desagradável mão-de-obra infantil. Esse tipo de trabalho sempre existiu nas famílias e no campo. E não por uma questão de maldade, mas sim de necessidade econômica. O que obrigou agricultores a colocar seus filhos para trabalhar foi o fato de que, como a produtividade era baixa, tais pessoas simplesmente tinham de trabalhar 70-80 horas por semana se quisessem produzir o suficiente para comer.

Foi o capitalismo e a acumulação de capital gerada pelo capitalismo quem permitiu o desaparecimento do trabalho infantil entre as massas pela primeira vez na história da humanidade, ainda que ele tenha, à primeira vista, tornado o trabalho infantil mais visível ao movê-lo do campo para as fábricas.

Se o problema fosse de tão fácil resolução, então tudo o que aqueles países do Terceiro Mundo — cuja população, inclusive crianças, ainda trabalha muitas horas por semana — têm de fazer para acabar com a pobreza, enriquecer e usufruir mais horas de lazer é criar leis.

A sociedade supera o ego

Por tudo isso, é válido perguntar por que se tornou uma espécie de senso comum acreditar que foram leis estatais que aboliram o trabalho infantil, as longas jornadas e a semana de sete dias de trabalho. Meu palpite é que tal raciocínio provavelmente é reflexo da nosso viés intelectual e evolutivo, o qual nos leva a acreditar que de fato temos o poder de controlar o mundo social à nossa volta.

É mais fácil, bem como mais moralmente satisfatório, acreditar que fomos nós que intencionalmente abolimos algo desagradável ao simplesmente nos posicionarmos contra ele. Não é fácil aceitarmos que o responsável por tudo foi um processo que não controlamos diretamente.

Adicionalmente, parece ser uma tendência que leis contra um comportamento antigo que julgamos ser moralmente repreensível adquiram uma aura de santidade quando as práticas em questão já majoritariamente desapareceram, fazendo com que os poucos exemplos ainda remanescentes sejam ainda mais repreensíveis.  Isso certamente é válido para alto enfoque dado ao trabalho infantil ao mesmo tempo em que este foi rapidamente desaparecendo ao redor do mundo, por causa da cada vez menor necessidade de renda infantil para complementar a renda de uma família minimamente estruturada.

É mais fácil legislar contra uma prática cuja necessidade econômica, ou mesmo conveniência, já não existe mais. Leis proibindo o trabalho infantil e longas jornadas de trabalho só foram possíveis de ser implantadas quando as famílias não mais necessitavam daquelas horas extras de trabalho para sobreviver e propiciar uma vida melhor para si próprias e para seus filhos.

O real crédito pelo declínio do trabalho infantil e das longas jornadas de trabalho se deve ao capitalismo e aos mercados concorrenciais, os quais permitiram a acumulação e o crescimento do capital, o qual aumentou a produtividade da mão-de-obra e enriqueceu tanto os capitalistas quanto os trabalhadores.  Pessoas mais ricas podem se dar ao luxo de trabalhar menos e viver melhor.

Sindicatos e governos não humanizaram o capitalismo. Foi o capitalismo quem criou as condições que permitiram que cada vez mais pessoas vivessem vidas verdadeiramente humanas.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: 1,4 MIL NOVOS EMPREGOS SERÃO GERADOS COM NOVO EMPREENDIMENTO TURÍSTICO EM EXTREMOZ

Novo empreendimento turístico em Extremoz vai gerar 1,4 mil empregos

Redação/Portal da Tropical

Atualizado em:

Com 8.721 m² de área construída, o resort terá 114 apartamentos | Divulgação

A indústria do turismo, um dos principais setores que impulsionam a economia do Rio Grande do Norte, vai ganhar mais uma megaestrutura no Litoral Norte. Trata-se do empreendimento imobiliário Pitangui Beach Resort,  que faz parte do projeto Rivieira Dourada, apresentado nessa quarta-feira (10) à governadora Fátima Bezerra pelo empresário Paulo de Paula.

Com investimentos estimados de R$ 600 milhões, a iniciativa imobiliária vai fomentar a economia local, gerar empregos e desenvolver a região, através da construção de diversos equipamentos  como um hotel de luxo, pousada, parque aquático, um condomínio, entre outros. O projeto deve gerar 1.400 empregos diretos e indiretos na fase inicial e mais de 6 mil quando estiver pronto. Com 8.721 m² de área construída, o resort terá 114 apartamentos e está preparado para funcionar como residência de férias.

Durante a apresentação, Paulo de Paula solicitou ao Governo do RN  melhorias em áreas como segurança, saúde e acessos viários na região onde o empreendimento será construído, entre Extremoz e Ceará-Mirim.

“As reivindicações apresentadas são perfeitamente viáveis”, afirmou Fátima, que indicou os secretários de Desenvolvimento Econômico, Jaime Calado, e o da Infraestrutura, Gustavo Coelho, como interlocutores do governo. “Lutaremos muito para que este sonho se torne realidade”, reforçou a governadora.

Além da questão econômica – “é um projeto importante para o desenvolvimento do nosso turismo” -, Jaime destacou o compromisso social dos empreendedores: “a prioridade é aproveitar a força de trabalho local, inclusive serão criados cursos profissionalizantes para qualificar a mão de obra.”

Já a secretária do Turismo, Ana Maria Costa, atestou a importância da obra para o Rio Grande do Norte. “Um empreendimento deste porte aumentará, inclusive, a procura de vôos para o Estado.”

Também estiveram presentes a apresentação, os secretários  da Tributação, Carlos Eduardo Xavier;  da Infraestrutura, Gustavo Coelho; o diretor geral do Idema, Leonlene Aguiar; a assessora especial do Gabinete Civil, Luciana Daltro; o presidente da Emproturn, Bruno Reis; a secretária adjunta da Educação, Márcia Gurgel; a prefeita de Extremoz, Jussara Sales.

Fonte: Portal da Tropical _ Notícias

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ECONOMIA: NESTA QUINTA FEIRA SERÁ PAGO O 13º SALÁRIO PELA PREFEITURA DO NATAL

Prefeitura de Natal paga 13º nesta quinta-feira

Redação / Portal da Tropical

 – Atualizado em: 

Servidor pode movimentar o dinheiro nesta sexta | Foto: Alex Régis

A Prefeitura do Natal paga, de forma antecipada, nesta quinta-feira (17), o décimo terceiro salário de todas as categorias do funcionalismo público municipal, entre ativos, inativos e pensionistas.

Ao longo do dia, uma Secretaria Municipal de Administração (Semad) fará o repasse dos créditos à instituição financeira responsável pelo pagamento e o dinheiro disponível para ser movimentado pelos servidores na manhã desta sexta-feira (18). A quitação de 100% do décimo terceiro vai colocar R $ 64 milhões em circulação na economia da capital potiguar.

“Essa é mais uma demonstração de que o servidor público municipal é prioridade total da nossa administração. Mesmo com o quadro econômico recessivo e agravado pela pandemia da covid-19, optamos em nossa gestão por não penalizar os servidores. O salário é sagrado, por isso o pagamento da folha vem sendo mantido não apenas em dia na Prefeitura do Natal, mas realizado até com antecedência, como estamos fazendo com o 13º ”, afirma o prefeito de Natal, Álvaro Dias.

Fonte: Portal da Tropical- Notícias

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ECONOMIA: O ESPERTO SÓ EXISTE PORQUE EXISTE O OTÁRIO ASSIM FUNCIONA O MUNDO

O destaque da nossa coluna ECONOMIA desta quinta-feira é um artigo muito especial, escrito por Leandro Ávila é formado em administração de empresas e se especializou em educação financeira e de investimentos que trata da relação mais intima entre Consumistas e Capitalistas. Como o primeiro se torna cada vez mais dependente do segundo e como este cada vez mais próspero. Então lhe convido a ler e entender sobre essa relação de dependência!

Consumistas, capitalistas e dívidas como alavanca de empobrecimento

Seja aquele que mais prospera

 

Podemos dividir as pessoas em dois grupos de acordo com a forma como lidam com o próprio dinheiro.

De um lado, temos um grande grupo de pessoas que consomem tudo que ganham. Muitas vezes fazendo dívidas para que possam consumir mais do que ganham, mesmo que isso limite o consumo no futuro devido ao pagamento de prestações e juros.

Podemos chamar essas pessoas de consumistas.

Do outro lado, temos algumas poucas pessoas que consomem só uma parte do que ganham para que possam capitalizar, mesmo que isso limite o consumo no presente devido aos investimentos que fazem para receberem juros.

Podemos chamar essas pessoas de capitalistas.

Capitalizar significa literalmente juntar dinheiro ou equivalente a dinheiro para então auferir ganhos exponenciais sobre esse capital acumulado. Se você está juntando dinheiro, acumulando bens de valor ou bens que fazem o seu patrimônio crescer com o objetivo de ter um futuro mais próspero, você é um capitalista, mesmo que seja um pequeno capitalista.

Geralmente, as pessoas escondem quanto ganham, poupam e investem. É muito comum entre as pessoas que conseguiram acumular um bom patrimônio sentirem vergonha por isso. Em alguns casos, até possuem um sentimento injustificado de culpa pelo sucesso financeiro.

O mesmo tipo de vergonha, porém, não existe entre os consumistas. Os mais consumistas adoram falar sobre o que compraram e sobre o que pretendem comprar. Tiram até fotos comprando e depois que compram para exibir na internet. As pessoas se orgulham quando mostram para as outras que compraram bens caros ou desejados. Algumas pessoas até se orgulham e gostam de falar sobre as enormes faturas que pagam no cartão de crédito e sobre as dívidas de financiamentos de carros e imóveis.

Por isso, é importante entender a relação que existe entre o capitalista e o consumista.

Ambos se ajudam, mas só um prospera

Geralmente, o que o capitalista faz com o dinheiro que capitaliza ajuda o consumista a manter o seu estilo de vida.

Já o que o consumista faz com o dinheiro ajuda o capitalista a construir um novo estilo de vida.

Vale ressaltar que não há nada de moralmente errado neste arranjo. Os dois se complementam.

Vejamos alguns exemplos.

Imagine um consumista. Tudo que ele ganha é gasto mensalmente com todas as coisas de que ele precisa e com tudo aquilo que ele gosta de fazer com o dinheiro. O problema é que, ao gastar tudo que ganha, falta dinheiro para realizar grandes objetivos. Ele recorre a bancos e financeiras para conseguir um empréstimo ou um financiamento para realizar esse grande sonho.

O dinheiro que o banco ou financeira empresta para o consumista é exatamente o mesmo dinheiro que os clientes capitalistas do banco ou da financeira aplicaram em CDB, LCI, LCA, poupança, LC e outras modalidades de investimento.

Os bancos e as financeiras lucram intermediando essa relação entre consumistas e capitalistas.

O consumista aceita pagar juros para ficar com o dinheiro do capitalista temporariamente. O capitalista aceita receber juros para ficar sem o próprio dinheiro temporariamente. Um paga juros e o outro ganha juros.

O banco ou a financeira cobra juros maiores dos consumistas e paga juros menores para os capitalistas. Esse “spread” se deve ao risco que a instituição assume, já que o banco é que se torna o devedor do capitalista e o credor do consumista. Além do risco, ele assume também a responsabilidade da intermediação.

Embora pareçam estar em lados opostos, capitalistas e consumistas são complementares. Mas, no longo prazo, apenas um prospera.

O consumista vai utilizar o dinheiro que pegou emprestado no banco ou na financeira para fazer compras. Os bancos e as financeiras oferecem empréstimo, crédito e parcelamentos de compras emprestando o dinheiro dos clientes que acumulam capital no banco (capitalistas).

Esse consumista irá visitar lojas que possuem ações listadas na bolsa e que fazem parte da carteira de ações dos capitalistas. Existem muitas empresas do varejo na bolsa em diversos segmentos como eletrodomésticosvestuário etc.

Já o capitalista vai ganhar juros, por ter sido ele que emprestou o dinheiro para os bancos e financeiras quando fez um investimento de renda fixa (exemplo: CDB e LC). O capitalista também vai receber os dividendos e os ganhos de capital das ações que ele comprou aos poucos no passado, com a fatia do dinheiro que ganhou e resolveu investir.

É possível que o consumista tenha esperado o ano inteiro para comprar o que desejava com desconto em uma Black Friday. Ou então ele pode parcelar em várias vezes.

O capitalista também gosta de fazer compras, mas ele terá o ano todo para comprar aquilo que deseja sem precisar esperar a Black Friday e sem precisar tirar dinheiro do bolso. Por meio dos juros, dividendos e ganhos de capital que ele receberá dos seus investimentos, ele poderá realizar as compras que desejar.

Outras relações entre consumistas e capitalistas

O consumista trabalha para receber uma renda fixa (salário). Com efeito, um emprego nada mais é do que um investimento de renda fixa. Você investe o seu tempo e a sua força de trabalho no emprego e recebe uma renda fixa no final do mês na forma de salário e direitos trabalhistas. É uma renda segura e previsível.

Muitas vezes, os consumistas trabalham nas empresas que fazem parte da carteira de ações dos capitalistas. Enquanto os consumistas trabalham em troca de uma renda fixa (salário), os capitalistas apenas recebem dividendos e ganhos de capital destas empresas em que os consumistas trabalham.

Observe que quem trabalha para o capitalista é o dinheiro que ele investiu na empresa. O capitalista, em vez de uma renda fixa, prioriza os ganhos (lucros), mesmo que isso represente riscos. Os ganhos de capital, dividendos e demais proventos recebidos por aqueles que possuem ações de empresas são fontes de renda variável, sem qualquer estabilidade ou garantia de recebimento. Você investe o seu dinheiro e recebe uma renda variável, sem garantia de ganho. É uma renda sem limites, porém incerta e imprevisível.

Os consumistas, portanto, trabalham pelo dinheiro. Os capitalistas fazem o dinheiro trabalhar para eles.

Muitas vezes, os consumistas também pagam aluguéis para os capitalistas. É comum em muitos países a pessoa juntar dinheiro durante a vida para comprar ou construir imóveis que geram renda oriunda de aluguéis na aposentadoria. É um investimento em imóveis muito comum.

Já o consumista que mora em um imóvel financiado está pagando juros para os bancos, os quais remuneram os capitalistas que investiram em LCI ou na poupança.

As parcelas que os consumistas pagam nas prestações dos carros financiados também remuneram os capitalistas que investem em renda fixa (CDB).

Qualquer um pode ser capitalista

Entendido esse básico, é importante ressaltar que, nos dias de hoje, qualquer pessoa pode ser capitalista, caso queira.

Para se capitalizar (juntar dinheiro e bens que geram renda), você tem necessariamente de gastar menos do que ganha, e investir essa diferença para obter retornos exponenciais. Trata-se majoritariamente de uma questão da adquirir o hábito de poupar (gastar menos do que se ganha) e de obter o conhecimento necessário para investir esse dinheiro que você salvou do consumismo.

Tudo isso também vai exigir paciência, já que pode demorar muito tempo para se acumular capital. No entanto, quanto mais cedo você começar, mais cedo irá usufruir.

Ser consumista ou capitalista é uma escolha. Não é uma questão de certo ou errado. Ambos estão corretos, desde que escolhidos conscientemente.

O único erro é você não entender a sua escolha. Toda escolha tem o seu preço (custos). Ser consumista tem seus ganhos e seus custos. Ser capitalista tem seus ganhos e seus custos. Encontrar um equilíbrio entre os dois também é uma escolha.

Opte por ser capitalista: fuja das dívidas

Não existiriam empresas, produtos, serviços, empréstimos, financiamentos, Black Friday e a sociedade como conhecemos hoje se não existissem pessoas que poupam e que acumulam capital e bens que geram capital — ou seja, capitalistas.

A vida dos consumistas sem os capitalistas seria difícil.

Igualmente, a vida dos capitalistas sem os consumistas seria menos fácil.

E este é um ponto crucial: para quem acumula capital, é bom haver pessoas que gastam tudo que ganham e que ainda solicitem empréstimos para que possam gastar tudo que podem ganhar no futuro.

Quanto mais consumistas existirem, maiores serão os ganhos dos capitalistas.

O que nos leva à crucial questão do endividamento.

Embora endividar-se para consumir traga uma sensação inicial de bem-estar e satisfação, é importante entender que, se voltadas para o consumo, dívidas são alavancas de empobrecimento.

Os juros e as taxas que você paga durante uma vida para sustentar bancos e financeiras poderiam ser utilizados para aumentar o seu patrimônio e para gerar renda passiva (juros sobre juros) nos seus investimentos. Isso poderia melhorar a qualidade de vida da sua família.

Dívidas são alavancas de riqueza quando você é o credor, e não quando é o devedor. Você enriquece quando as pessoas devem para você, e não quando você deve para as pessoas. Banqueiros enriquecem emprestando o seu dinheiro para os outros. São os outros que precisam trabalhar mais para pagar os juros que você recebe quando faz um investimento financeiro (emprestando dinheiro para os bancos ou para o governo).

É exatamente por isso que, no Brasil, vender produtos passou a ser um pretexto para vender crédito. Grandes lojas de eletrodomésticos, grandes lojas de moda e fabricantes de automóveis lucram mais vendendo crédito do que vendendo produtos. Isso explica por que as grandes lojas possuem cartão próprio, e por que as grandes concessionárias têm suas próprias financiadoras. Elas estimulam que você compre parcelado ou financiado em vez de comprar à vista. Agindo assim, elas podem ganhar duas vezes: ganham vendendo o produto e ganham emprestando o dinheiro para que você compre.

Sempre que você compra qualquer coisa por meio do crediário de uma loja ou por meio de financiamentos, você está pagando duas vezes. Isso faz você empobrecer se comparado a quem poupa, recebe juros e paga à vista negociando descontos. As pessoas não percebem que passam a vida toda trabalhando para pagar juros e taxas, transferindo sua riqueza para os outros — os capitalistas.

Seja o capitalista.

O governo também gosta dos consumistas – mas só existe por causa dos capitalistas

Políticos vivem atacando as pessoas que poupam, investem e empreendem. São chamados de “rentistas”, de “especuladores” ou de capitalistas mesmo, já que a palavra ganhou sentido pejorativo.

Os políticos preferem os consumistas, pois eles pagam mais impostos. São tributados quando recebem a renda, são tributados quando fazem as compras e quando pegam empréstimos para consumir mais.

Entretanto, os governos dependem dos capitalistas. São as empresas — frutos de investimentos de capitalistas — que produzem e vendem produtos e serviços que geram lucros, ganhos de capital e salários para serem tributados. Se nada fosse produzido e vendido, nada seria tributado. E aí nem haveria governo.

Sim, os próprios governos não existiriam sem pessoas e empresas acumulando capital. Os governos, nas sociedades em que as pessoas são livres, são mantidos por cobranças de impostos. Quando os impostos são insuficientes, os governos emitem dívida por meio da venda de títulos públicos. E são as pessoas que acumulam capital que compram esses títulos.

Um mundo sem capitalistas

Como seria o mundo se só existissem consumistas?

Imagine um mundo no qual ninguém acumula nada. Todas as pessoas consomem tudo que produzem. Ninguém produz nada em excesso para fazer trocas ou comércio. Ninguém acumula nada que possa ser alugado ou vendido. Não existem empresas. Não há visão de longo prazo. Não há frugalidade.

Não é difícil visualizar que, neste mundo, não existiriam empréstimos, financiamentos, produtos, serviços e empregos oferecidos por empresas. Empresas são necessariamente investimentos de longo prazo; são o conjunto de bens e capitais que pessoas investiram.

Em um mundo inteiramente voltado para o consumismo não teria como haver nada cuja existência dependesse de investimentos de longo prazo

Por isso, naquela época em que as pessoas só trabalhavam para o próprio consumo, o mundo era muito parecido com isso:

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Felizmente, existem os capitalistas – e eles seguem crescendo

Neste momento existem diversas empresas de capital aberto (ações negociadas na bolsa) que estão investindo dinheiro de pequenos e grandes capitalistas para a construção do futuro.

Se você está consumindo e se endividando, sim, você está fazendo a sua parte desse processo. Porém, se além de consumir, você está acumulando capital e investindo, então você não apenas faz parte do processo, como também será remunerado por isso.

Seja essa pessoa.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: DESDE TERÇA FEIRA (1º) CONTA DE LUZ PASSOU A TER COBRANÇA DE TAXA EXTRA

ECONOMIA: DESDE TERÇA FEIRA  (1º) CONTA DE LUZ PASSOU A TER COBRANÇA DE TAXA EXTRA
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Conta de luz terá cobrança de taxa extra a partir desta terça

02 dez 2020

Conta de luz terá cobrança de taxa extra a partir desta terça | Economia | O Dia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acaba de aprovar a retomada do sistema de bandeiras tarifárias na conta de luz a partir desta terça-feira (1º). O mecanismo havia sido suspenso em maio devido à pandemia do novo coronavírus, e a agência havia acionado a bandeira verde, sem cobrança de taxa extra, até o fim deste ano.

A Aneel, no entanto, informou que as condições atuais não permitem mais manter a bandeira verde acionada. Por isso, a partir de terça-feira, as tarifas terão bandeira vermelha em seu segundo patamar, com uma taxa extra de R$ 6,243 a cada 100 kWh.

O diretor Efrain Pereira da Cruz mencionou “afluências críticas” nos principais reservatórios do País, no Sudeste e Centro-Oeste, além do Sul, e deterioração nos meses de outubro e novembro. Isso levou ao acionamento de termelétricas, o que pressionou o custo de geração de energia no País diante de uma “oferta adversa”.

O diretor mencionou que o preço da energia no mercado de curto prazo (PLD) está no teto em todos os submercados. Ele disse ainda que o Custo Marginal da Operação (CMO) da próxima semana operativa (de 28 de novembro a 4 de dezembro) foi estabelecido em R$ 744,43/MWh em todos os submercados do País, o maior do ano

Ainda segundo ele, o consumo de energia retomou o patamar pré-pandemia em setembro, e o setor enfrenta novamente uma seca que há muito não se via. Por isso, a avaliação da Aneel é que o sistema de bandeiras precisa ser retomado imediatamente – e não apenas em janeiro de 2021, como indicava a nota técnica do órgão regulador.

“São indícios concretos de que o mecanismo das bandeiras já merece ser restabelecido e a curto prazo, tendo em vista sua eficiência na sinalização de preços aos consumidores”, disse o diretor.

No sistema atual, que estava suspenso desde maio, na cor verde, não há cobrança de taxa extra, indicando condições favoráveis de geração de energia no País. Na bandeira amarela, a taxa extra é de R$ 1,343 a cada 100 kWh consumidos.

Já a bandeira vermelha pode ser acionada em um dos dois níveis cobrados, dependendo da quantidade de termelétricas acionadas. No primeiro nível, o adicional é de R$ 4,169 a cada 100 kWh. No segundo nível, a cobrança extra é de R$ 6,243 a cada 100 kWh.

Fonte: Política em Foco
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ECONOMIA: SAIBA COMO FUNCIONA OS BASTIDORES DOS RECURSOS DA POUPANÇA E O QUE FAZ A RODA GIRAR

Meus amigos, não existe mágica nem mistério. A matemática é uma ciência exata e a conta só fecha com cálculos matemáticos perfeitos. Então vamos parar de acreditar que as sociedades consumistas enriquece. Os jovens de hoje não fazem a menor do as gerações passadas fizeram para dar a eles a vida boa e confortável que têm hoje. Então lhe convido a ler  o artigo completo a seguir para entender oque realmente acontece nos bastidores dos raladores!

Por que uma sociedade poupadora enriquece e uma sociedade consumista empobrece

Ao contrário do que dizem os intervencionistas, o caminho para a riqueza é a poupança, não o consumo

 

João tem uma renda de $ 6.000 por mês. Não está nada mal. Com esse dinheiro, todos os meses ele consegue tranquilamente bancar seus gastos fixos: ele paga o aluguel, o condomínio, a conta de luz, a conta de gás, a internet e a conta de celular.

Com o que sobra, ele decide gastar com lazer e mimos próprios. Sai para jantar com frequência, vai ao boliche duas vezes por semana, vai a baladas todos os sábados, e ainda extrapola o limite do cartão de crédito comprando roupas e perfumes. Ele chega ao final do mês zerado. Gastou tudo o que recebeu e ainda tem dívidas pendentes no cartão de crédito.

Maria trabalha em uma empresa e tem um cargo similar ao de João. Seu salário é aproximadamente o mesmo. Mas o padrão de gastos é completamente diferente. Ao contrário de João, Maria, após quitar todos os seus gastos fixos, poupa o que sobrou e investe.

Ou seja, Maria restringe seu consumo presente. Maria faz o sacrifício de gastar pouco no presente, privando-se de vários prazeres. Isso, obviamente, significa que ela nem sempre se permite a pequenos luxos. Ela não é da mentalidade do “eu mereço, por isso gasto”. Muitas vezes ela tem de dizer a seus amigos e amigas que “esta noite não poderei sair”.

Difícil e chata a vida de Maria, não?

No curto prazo, de fato pode parecer assim. Já no longo prazo, a história será bem diferente.

Vinte anos depois, João se tornou vítima de suas próprias escolhas. Ele gostaria de sair do seu atual e estafante emprego e poder se dedicar a outras coisas, mas está afundado em um mar de dívidas. Como ele não tem reservas — pois não poupou —, praticamente tudo o que ele recebe como salário vai diretamente para o pagamento de dívidas. Consequentemente, ele não pode se dar ao luxo de sair deste seu emprego e mudar sua rotina. Seus gastos fixos são hoje ainda mais altos, de modo que ele sempre está “com a corda no pescoço”. Antigamente, ele trabalhava para ganhar dinheiro. Hoje, ele trabalha para pagar dívidas.

Já Maria está em uma situação completamente distinta. Com bastante dinheiro acumulado — consequência de sua poupança e de sua restrição de gastos —, seu trabalho não mais é uma necessidade de sobrevivência. Ela não mais precisa daquele emprego como se fosse o único recurso para continuar viva.

Com efeito, ela está pensando em deixar de ser empregada e se tornar empreendedora. Ela quer investir no ramo da moda. Ela sempre gostou de design de moda e agora está animada a dar uma guinada em sua vida. Está decidida, e investirá sua poupança neste novo projeto.

Seu sonho é, em alguns anos, poder viver do seu próprio empreendimento.

A poupança, a frugalidade, e a capacidade de pensar visando ao longo prazo foi o que ajudou Maria. Se esse comportamento foi positivo para Maria, por que seria negativo caso adotado por todas as pessoas de uma economia?

A falácia de que a poupança afeta a economia

Com enorme frequência escutamos que a poupança é a inimiga do crescimento econômico. Os economistas keynesianos nunca se cansam de enfatizar que o que move a economia é o consumo. Consequentemente, a política econômica correta é aquela que estimula o consumismo, seja por meio do crédito farto e barato, seja por meio de simplesmente dar mais dinheiro às pessoas para que elas possam gastar.

“Mais consumo significa mais demanda, e mais demanda gera maior produção. Eis a receita para a prosperidade!”, dizem eles.

Já a poupança — isto é, a frugalidade e a contenção os gastos — seria a inimiga número um desta receita mágica.

Quais os problemas com esta visão? Vários.

Para começar, ela se baseia na crença de que ações individuais voluntárias — as pessoas decidem poupar mais de livre e espontânea vontade — podem ser deletérias para toda a economia.

Na visão keynesiana, tal comportamento não é algo racional; não é um comportamento adotado voluntariamente de acordo com as condições econômicas. Ao contrário, trata-se de um comportamento irracional, de um “espírito animal”.  É algo que acontece do nada. As pessoas simplesmente param de gastar e começam a poupar.

Sim, se várias pessoas repentinamente decidirem parar de gastar toda a sua renda e decidirem poupar boa parte dela com a intenção de consumir apenas no futuro, isso obviamente terá certos efeitos sobre parte da economia, uma vez que haverá menos demanda por certos tipos de bens e serviços. Isso é algo óbvio e nada controverso.

Mas o que isso gerará? Essa é a questão principal. E ela nos leva ao principal problema com esta visão: ela ignora por completo a verdadeira “função social” da poupança.

Esta função social da poupança, e sua importância para o desenvolvimento das economias, foi destacada pelo economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk, que escreveu em 1910:

Aquilo que todos conhecem como “poupança” tem, como consequência imediata, um lado negativo: o não-consumo de uma fatia de nossa renda. Ou, em termos aplicáveis à sociedade que utiliza o dinheiro, o não-gasto de uma porção do dinheiro recebido anualmente.

Este aspecto negativo da poupança é o mais imediatamente evidente em nosso dia a dia e, com efeito, é o único que as pessoas imaginam existir. São muito poucas as pessoas que realmente param para pensar no destino subsequente das somas de dinheiro poupado; elas apenas imaginam que o dinheiro ficou parado dentro de uma conta bancária.

Mas é exatamente aqui que começa a parte positiva do processo da poupança, o qual irá se completar muito longe do campo de visão do poupador — cujas ações, entretanto, foram as que deram o impulso a toda a atividade que virá a seguir.

O banco irá recorrer a essa poupança de seus depositantes e irá emprestá-la para empreendedores de várias maneiras: empréstimos para a construção civil, empréstimos para a abertura de pontos comerciais, empréstimos para a ampliação de instalações industriais, empréstimos para a construção de fábricas, empréstimos para a contratação de mão-de-obra, empréstimos para capital de giro etc.

Desta maneira, a poupança de uns foi direcionada para o financiamento de atividades produtivas, as quais, sem esta ajuda, não poderiam ter êxito. No mínimo, não alcançariam a mesma eficiência.

Essa é a primeira consequência positiva da poupança: se ela não existisse, não haveria depósitos nos bancos e, consequentemente, não haveria crédito nem para o consumo e nem para o investimento.

Em suma, sem a poupança não há investimento, e sem investimento os países não cresceriam.

(Quanto menos poupadora é uma sociedade, mais o governo tenta remediar essa situação expandindo ele próprio o crédito, por meio da simples criação de moeda. As consequências são a inflação de preços e os ciclos econômicos).

No entanto, vários oferecem resistência a esta ideia de que é necessário poupar. Ao próprio Böhm-Bawerk os contrários à poupança diziam que, se todos os indivíduos decidissem poupar 25% de sua renda ao mesmo tempo, isso iria restringir a demanda por bens de consumo, levando a economia a uma forte recessão.

E haveria recessão não somente porque cairia a demanda por bens de consumo, mas também porque a demanda por bens de capital (aqueles utilizados para produzir bens de consumo, como máquinas e ferramentas) iria igualmente cair. Afinal, quem iria comprar uma máquina que fabrica sapatos se ninguém quer comprar sapatos, já que todos decidiram poupar mais? Consequentemente, quem investiria na produção de máquinas?

A esta acusação Böhm-Bawerk respondeu de maneira magistral:

Nesta premissa — de que a poupança significa necessariamente uma redução na demanda por bens de consumo — está faltando uma única, porém muito importante, palavra: ‘presente’.

Para começar, o homem que poupa reduz a sua demanda por bens de consumo presentes, mas de maneira alguma ele reduz seu desejo geral por bens que lhe deem prazer. A “abstinência” gerada pela poupança não é uma abstinência absoluta, ou seja, ela não gera uma renúncia definitiva a todo e qualquer bem de consumo. Ele continua consumindo bens básicos no presente. Mas abrirá mão do consumo, no presente, de bens mais luxuosos. Mas tal renúncia não é definitiva. Ela é apenas uma postergação.

O motivo principal daqueles que poupam é precisamente preparar-se para o consumo futuro; ter meios com os quais suprir suas demandas futuras ou as de seus herdeiros.

Isso significa, nada mais nada menos, que eles desejam garantir que terão controle sobre os meios que permitirão a satisfação de seus desejos futuros, isto é, sobre o consumo de bens em um período futuro.

Em outras palavras, aqueles que poupam reduzem sua demanda por bens de consumo no presente justamente para poderem aumentar proporcionalmente sua demanda por bens de consumo no futuro.

Ou seja, a poupança é a restrição do consumo presente visando a um aumento do consumo futuro.

O consumismo e a lição de Crusoé

A diferença entre o Robinson Crusoé pobre e o Robinson Crusoé rico é que o rico dispõe de bens de capital. E para ter esses bens de capital, ele teve de poupar e investir.

Os bens de capital do Robinson Crusoé rico (por exemplo, uma rede e uma vara de pescar, construídas com bens que ele demorou, digamos, 5 dias para produzir) foram obtidos porque ele poupou (absteve-se do consumo) e, por meio de seu trabalho, transformou os recursos que ele não havia consumido em bens de capital. Estes bens de capital permitiram ao Robinson Crusoé rico produzir bens de consumo (pescar peixes e colher frutas) e com isso seguir vivendo cada vez melhor.

Já o Robinson Crusoé pobre é aquele que não poupa. Consequentemente, ele não dispõe de bens de capital. Logo, todo o seu trabalho é feito à mão. Por isso, ele é menos produtivo. E, por produzir menos e ter menos bens à sua disposição, ele é mais pobre e seu padrão de vida é mais baixo.

O Robinson Crusoé rico é mais produtivo. E, por ser mais produtivo, não apenas ele pode descansar mais, como também pode poupar mais, o que irá lhe permitir acumular ainda mais bens de capital e consequentemente aumentar ainda mais a sua produtividade no futuro.

Já o Robinson Crusoé pobre consome tudo o que produz. Ele não tem outra opção. Como ele não é produtivo, ele não pode se dar ao luxo de descansar e poupar. Essa ausência de poupança compromete suas chances de aumentar seu padrão de vida no futuro.

Por isso, sociedades ultra-consumistas são necessariamente sociedades de subsistência. Uma tribo africana consome 100% de sua produção (renda). Como não consegue poupar, não consegue acumular capital. Sem capital acumulado, não consegue aumentar sua produtividade. Sem aumento de produtividade, não sai da pobreza. Nada é mais anti-capitalista que uma sociedade ultra-consumista.

Capitalismo é, acima de tudo, poupança

Não há dúvidas de que o consumo é o propósito supremo de toda atividade humana de caráter produtivo. As pessoas trabalham e produzem para poder consumir; e é assim em todo e qualquer arranjo econômico, tanto em sociedades capitalistas quanto em sociedades não-capitalistas.

Ninguém quer dedicar esforços e recursos para fabricar algo que não será utilizado no futuro.

Mas a característica distintiva do capitalismo é que ele direciona a poupança dos cidadãos para investimentos produtivos. Em outras palavras, ele transforma poupança em capital.

Aqueles que crêem que o capitalismo se sustenta sobre o consumismo desconhecem a própria raiz da palavra “capitalismo”. Capitalismo advém de capital. Capitalismo é acumulação de capital. E capital é aquela fatia do nosso patrimônio que aumenta a nossa riqueza futura. Capital é toda a riqueza acumulada — que pertence a empresas ou a indivíduos — e que é utilizada para o propósito de se auferir receitas e lucros futuros.

Capital, em suma, é aquilo que cria riqueza futura para nós mesmos e para o resto da sociedade.

Para acumular capital é necessário poupar. E para poupar é necessário restringir o consumo.

Sendo assim, qual o sentido de dizer que um arranjo cuja própria existência depende da virtude da poupança e do não-consumo só pode sobreviver e prosperar quando se consome maciçamente?

O capitalismo não depende do consumo, mas sim da poupança. Uma sociedade que consome 100% da sua renda será uma sociedade anti-capitalista. Não haveria um único bem de capital existente: não haveria moradias, não haveria fábricas, não haveria infraestruturas, não haveria meios de transporte, não haveria maquinários, não haveria escritórios e imóveis comerciais, não haveria laboratórios, não haveria cientistas, não haveria arquitetos, não haveria universidades, não haveria nada.

Simplesmente, todos os indivíduos estariam permanentemente ocupados produzindo bens de consumo básicos — comidas e vestes — e não dedicariam nem um segundo para a produção de bens de capital, que são investimentos de longo prazo que geram bens futuros. Por definição, se uma sociedade consome 100% da sua renda, ela não produz nenhum outro bem que não seja de consumo imediato.

É a poupança, é o não desejo de consumir tudo o que se pode, o que nos permite direcionar nossos esforços para satisfazer não os nossos desejos mais imediatos, mas sim nossas necessidades futuras: com a poupança, produzimos bens de capital que irão, por sua vez, fabricar os bens de consumo de que podemos necessitar no futuro.

Mas como saber o que produzir?

A objeção final torna-se óbvia: dado que temos de poupar agora para consumir mais no futuro, como serão os investimentos?

Ou seja, mesmo se houver uma maior demanda futura por bens de consumo, como os empreendedores irão saber quais tipos de investimentos em capital deverão fazer?  E quais tipos de bens, e em quais quantidades, devem planejar ofertar no mercado em preparação para esta maior demanda futura?

A resposta de Böhm-Bawerk foi mostrar que a produção é sempre voltada para o futuro — um processo no qual se utiliza meios produtivos hoje com o intuito de se ter bens de consumo para serem vendidos amanhã.

O exato propósito da concorrência empreendedorial é testar constantemente o mercado, de modo a antecipar da melhor maneira as demandas do consumidor, corrigir as existentes e perceber as que estão mudando.

Empreendedorismo é, acima de tudo, a arte de saber antecipar corretamente as demandas dos consumidores e direcionar os recursos presentes de modo a fabricar bens que atenderão aos desejos dos consumidores no futuro. Não é fácil. É uma arte dominada por muito poucos. E estes poucos que a dominam irão auferir grandes lucros.

A concorrência, portanto, é o método de mercado que faz com que a oferta seja sempre correspondente às demandas dos consumidores.  E se erros forem cometidos — e eles serão —, os prejuízos resultantes deste prognóstico errôneo funcionam como estímulo para que se faça ajustes apropriados na estrutura de produção, ou para que se realoque mão-de-obra e recursos para outras linhas de produção.

Quando deixado funcionando livremente, o mercado exitosamente garante que as demandas tenderão a igualar a oferta, e que os horizontes temporais dos investimentos serão compatíveis com a poupança disponível necessária para manter e expandir a estrutura do capital no longo prazo.

E qualquer tentativa de manipular esse arranjo — por exemplo, por meio da redução artificial das taxas de juros — inevitavelmente gerará ciclos econômicos.

Conclusão

A poupança é vital para que exista um futuro melhor. É ela que deve ser estimulada, e não o consumismo, o endividamento, o crédito subsidiado ou o controle de preços.

Poupar sempre é bom. Se o fazemos, isso significa que somos mais pacientes e, consequentemente, podemos gerar processos de produção mais completos, de maior duração, e com mais etapas intermediárias. Sem a poupança, jamais teria sido possível o surgimento de tratores, máquinas ceifadoras, escavadeiras e, acima de tudo, nenhuma das inovações tecnológicas que hoje estão revolucionando a maneira como nos comunicamos, como WhatsApp, Facebook, Twitter, Skype, Gmail, Instagram, SnapChat etc.

Todas estas criações foram possíveis porque alguém, em algum momento, decidiu poupar, e esta poupança foi direcionada para o investimento.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: A RENDA MÉDIA DO AMERICANO AUMENTOU VERTIGINOZAMENTE NOS ÚLTIMOS 20 ANOS

Nesta sexta-feira, aqui na coluna ECONOMIA trago um artigo muito bem escrito por Jon Miltimore, editor-chefe do website Intellectual Takeout, sobre uma afirmação que a maioria dos economistas fazem: o salário médio dos americanos estava estagnado. Não é bem assim ele prova que, pelo contrário, ele afirma que o corte de impostos fez a renda dos americanos aumentar a uma taxa recorde. Então convido você a lero artigo completo a seguir e entender como tudo aconteceu!

Como um corte de impostos fez a renda dos americanos aumentar a uma taxa recorde

Em um ano, a renda dos americanos aumentou mais do que havia aumentado nos últimos 20 anos

 

Ao longo das últimas décadas, economistas de diferentes escolas de pensamentos eram praticamente unânimes em afirmar que o salário médio dos americanos estava estagnado.

“Os empregos estão voltando, mas os salários não. A mediana dos salários ainda está abaixo de onde estava antes da Grande Recessão de 2009”, disse em 2015 Robert Reich, ex-Secretário de Trabalho do governo Clinton.

Com efeito, não é difícil encontrar dados mostrando que o salário real médio dos americanos praticamente não aumentou desde a década de 1970 — dados estes que muitos utilizam para açular a guerra de classes.

Embora tais dados corroborem a tese de que a abolição do padrão-ouro foi a grande responsável pela crescente disparidade desde 1971, o fato é que há muitos problemas com a alegação de que os salários reais (ajustados pela inflação) estão estagnados há anos.

O mito dos salários estagnados

Como o economista Don Boudreaux sempre ressalta, há importantes fatores sendo desconsiderados nesta análise.

Nas últimas décadas, por exemplo, os benefícios não-salariais dos americanos explodiram. Hoje, eles recebem vários tipos de auxílios para deslocamento e para realocação, recebem planos de saúde pagos pelo empregador, recebem cobertura odontológica e oftalmológica, recebem cuidados médicos que também se estendem a seus filhos, possuem participação em generosos fundos de pensão, e recebem do empregador seguro de vida corporativo (há empregadores que pagam as creches dos funcionários).

Há também férias pagas e o direito de se faltar ao trabalho 6 vezes ao ano sem ser descontado. Há lojas que dão desconto a funcionários de determinadas empresas. Tudo isso chega, no mínimo, a 40% do salário do indivíduo (fonte aqui).

Adicionalmente, no geral, os preços de vários bens de consumo importantes desabaram. Coisas como fogão, geladeira, televisão e todos os tipos de sistemas de entretenimento doméstico, lava-louças, churrasqueiras, microondas, forno elétrico, panelas especiais, torradeiras, esteiras de ginástica, aspiradores de pó etc. ficaram 76% mais baratos, em média.

Já os preços de vários utensílios domésticos caíram 81% entre 1960 e 2013 em termos de horas de trabalho necessárias para comprar esses itens.

Ou seja, os benefícios não-salariais (não computados nas estatísticas) dos trabalhadores aumentaram 40% e os preços nominais caíram entre 76% e 81%.

Portanto, a narrativa dos salários estagnados nos EUA sempre foi majoritariamente um mito. Os próprios dados do Federal Reserve (que utilizam um índice de preços ponderado de acordo com mudanças de hábitos de consumo) mostram um substantivo aumento no crescimento dos salários nos últimos anos.

Ainda assim, pelo bem da argumentação, vamos usar os mesmos dados convencionais que estes economistas utilizam para fazer sua argumentação. O resultado, prometo, será surpreendente.

Utilizando os dados convencionais

Se utilizarmos os dados do Bureau of Labor Statistics [equivalente ao Ministério do Trabalho] para mensurar a renda das famílias ao longo das duas últimas décadas, a fotografia de fato fica um tanto mais sombria.

Na verdade, ficava. Agora, não mais.

As estatísticas do governo — que utilizam o Índice de Preços ao Consumidor para mensurar a inflação — mostram que, de 2002 a 2015, a mediana dos salários semanais praticamente não se mexeu. No entanto, entre 2018 e 2020 ela disparou.

O gráfico abaixo mostra os dados da mediana do rendimento semanal real (ajustado pela inflação) de empregados que trabalham em período integral, entre 1999-2020.

bls.pngGráfico 1: mediana do rendimento semanal real (ajustado pela inflação) de empregados que trabalham em período integral, entre 1999-2020.

Note que, de 1999 a 2015, os salários não se moveram. Não houve crescimento. De 2015 a 2018, há uma reação. Já em 2019, eles disparam a uma taxa jamais observada nas duas décadas anteriores.

Tal fato já foi observado na grande mídia. Na Bloomberg, o economista Karl Smith descreve o crescimento na renda utilizando uma métrica ligeiramente distinta, a mediana real da renda das famílias.

“Em 2016, a mediana real da renda das famílias era de $62.898, apenas $257 acima do nível de 1999”, escreveu Smith. “Nos três anos seguintes, ela cresceu quase $6.000, indo para $ 68.703”.

De fato, a mediana da renda das famílias aumentou de $64.300 para $68.700 somente em 2018 — um aumento de $4.400.

Colocando de outra maneira, em apenas um ano, a mediana da renda dos americanos aumentou mais do que em todos os 20 anos anteriores combinados. (A renda das famílias era de $61.100 em 1998 e de $64.300 ao fim de 2017).

realwages.png

Gráfico 2: mediana da renda real as famílias

Observe que, de 1999 a 2016, o valor se mantém praticamente inalterado (em torno de $63.000). E então, há um salto em 2019 (para $68.700).

A causa

A pergunta, obviamente, é por que os salários dos americanos repentinamente explodiram após décadas de crescimento tépido? A resposta não é difícil de ser encontrada.

No ano de 2017, o governo Trump implantou um grande programa de desregulamentações em conjunto com a aprovação de um acentuado corte na alíquota máxima do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica.

Estima-se que as desregulamentações trouxeram uma poupança de $2 trilhões para o setor privado. Mas o corte do imposto de renda sobre empresas foi um fator ainda mais crucial.

Antes de 2017, os EUA possuíam a maior alíquota de IRPJ em todo o mundo desenvolvido: 35%. Esta alíquota superava a da China e até mesmo a da Venezuela. [A do Brasil está hoje em 34%].

Após o corte, a alíquota máxima sobre empresas caiu para 21%, tornando-se uma das menores do mundo desenvolvido.

Consequentemente, as empresas passaram a ter uma fatia menor de seus lucros confiscada. Em outras palavras, as empresas passaram a ter mais capital disponível.

E aí aconteceu exatamente aquilo previsto pela teoria econômica: pagando menos impostos, empresas passaram a ter mais capital disponível para crescer, investir, contratar mão-de-obra e, claro, pagar melhores salários.

Lucros são o que possibilitam as empresas a fazer novos investimentos, a adquirir mais maquinários, a expandir suas instalações e, com isso, aprimorar sua capacidade produtiva. São também os lucros que possibilitam a contratação de novos empregados e a concessão de aumentos salariais.

São os lucros, portanto, que permitem que as empresas contratem mais pessoas e paguem maiores salários.

Quando o governo tributa o lucro, ele faz com que o capital que poderia ser utilizado para contratar mais pessoas e pagar maiores salários seja direcionado para o mero consumismo do governo, ficando sob os caprichos de seus burocratas, obstruindo a formação de capital.

Já menos impostos sobre as empresas, além de permitir mais contratações, também aumentam a recompensa de se assumir riscos empreendedoriais, de se aprimorar técnicas, de se criar novas tecnologias e de se aumentar os investimentos em capital. Isso aumenta a produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, seus rendimentos.

Menos impostos sobre os lucros das empresas significam maiores recompensas para se arriscar e para empreender. Isso gera mais contratação e maiores remunerações. Além de beneficiar trabalhadores, os consumidores também são premiados.

Portanto, sim, tão logo a alíquota máxima do IRPJ caiu de 35% para 21%, as empresas prontamente se viram com mais capital disponível para investir, para se expandir, para aumentar a produtividade e para contratar mais trabalhadores (a taxa de desemprego caiu estava nas mínimas históricas até imediatamente antes da Covid-19). E poucas coisas atraem mais trabalhadores do que salários mais altos.

Com efeito, impostos sobre as empresas afetam muito mais os trabalhadores do que as próprias empresas. Especialistas tributários apontam que aproximadamente 70% do que as empresas ganham em lucros são pagos aos trabalhadores na forma de salários e outros benefícios. Sendo assim, não é de se surpreender que estudos comprovem que os trabalhadores arcam com entre 50 e 100% do fardo dos impostos sobre pessoa jurídica.

A mídia, como sempre, errou

À época do anúncio dos cortes de impostos, a mídia escarneceu da possibilidade de que cortes de impostos sobre empresas pudessem resultar em aumentos salariais para os trabalhadores. Hoje, porém, os dados falam por si: as famílias viram suas rendas crescerem mais rapidamente do que em qualquer outro período de sua geração.

Adicionalmente, embora a mediana dos salários tenha subido, mostrando que os benefícios foram para todos, o fato é que cada segmento da sociedade se beneficiou desses ganhos salariais: o quintil mais baixo teve um aumento da renda maior do que o aumento vivenciado pelo quintil mais alto.

Apenas para deixar claro, a redução do IRPJ não foi o único fator responsável pelo aumento dos salários, mas é provável que tenha sido o maior.

Esse aumento na renda das famílias certamente ajudou a amortecer o impacto da destruição econômica causada pelos lockdowns durante a pandemia de Covid-19, em 2020.

Será mantido?

A continuidade destes ganhos salariais irá depender da manutenção deste corte de impostos. Joe Biden, que pode se tornar o próximo presidente americano, já sinalizou que pretende retornar a alíquota do IRPJ para 35%, ou, no mínimo, elevá-la para 28%.

A sorte é que ele provavelmente não terá votos suficientes no Senado para revogar os cortes de impostos.

Por outro lado, ele parece inclinado a revogar algumas tarifas de importação elevadas por Trump, as quais basicamente representam impostos sobre os consumidores americanos e custos de produção para as empresas.

Se o próximo governo revogar as tarifas e mantiver os cortes de impostos sobre as empresas, a economia americana poderá aumentar os ganhos obtidos antes do evento dos lockdowns.

Essa seria uma fórmula vitoriosa para os trabalhadores americanos, para as empresas e para a economia americana.

Para concluir

Cortes de impostos sempre são benéficos, pois representam uma redução da punição ao empreendedorismo, à assunção de riscos e à contratação de trabalhadores. E ainda aumentam o padrão de vida de todos, ao permitir mais renda disponível.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: A GUERRA COMERCIAL IMPOSTA POR TRUMP PREVISIVELMENTE FRACASSOU NO QUE TANGE A RECRIAÇÃO DE EMPREGOS

O artigo da postagem desta quarta-feira, aqui na coluna ECONOMIA faz uma análise bastante contundente sobre os efeitos das tarifas de importação na economia de um país. Quem afirma que tarifa de importação gera industrialização e emprego está afirmando que aumento de impostos sobre o consumo, e um consequente aumento de preços para os consumidores, geram industrialização e emprego. Ocorre que A esmagadora maioria dos economistas (os sérios) concordam que tarifas de importação não têm como funcionar e alcançar seu objetivo (reindustrialização e aumento do emprego neste setor) simplesmente porque tarifas de importação são um imposto sobre os consumidores. Entenda melhor como isso acontece lendo o artigo completo a seguir!

Exatamente como previsto, a guerra comercial fracassou em recriar empregos na indústria

As tarifas ajudaram alguns poucos e prejudicaram vários outros, havendo uma perda líquida

 

Donald Trump foi eleito em 2016 com uma agenda contrária ao livre comércio com determinados países (principalmente China e México), prometendo que tarifas de importação e demais medidas protecionistas iriam restaurar o emprego no setor manufatureiro dos EUA.

Após ser eleito, o presidente americano efetivamente impôs tarifas sobre a importação de produtos chineses equivalentes a centenas de bilhões de dólares, com o objetivo de desestimular as importações e substituí-las pela produção nacional. Ele próprio se auto-descreveu como “o homem das tarifas” e disse que “guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar”.

Qual foi o resultado prático de toda essa retórica?

Um análise dos dados feita pelo The Wall Street Journal, um jornal abertamente pró-Trump, faz uma grande revelação sobre os resultados da guerra comercial até o momento. E estes não são nada bonitos — embora totalmente previsíveis.

Eis a conclusão:

A guerra comercial do presidente Trump contra a China não alcançou o objetivo central de reverter o declínio do setor industrial americano, mostram os dados econômicos. […]

Um outro objetivo — trazer indústrias de volta aos EUA — também não ocorreu. O crescimento do emprego na indústria começou a desacelerar em julho de 2018, e a produção industrial chegou ao pico em dezembro de 2018, quando começou a cair.

Este gráfico mostra de maneira cristalina que as tarifas de Trump não tiveram êxito em promover o emprego no setor industrial. Imediatamente antes do início da pandemia de Covid-19, todo o aumento do emprego no setor industrial já havia sido totalmente revertido.

Mais ainda: praticamente todos os ganhos de emprego no setor industrial ocorreram antes das tarifas sequer entrarem em prática.

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Gráfico 1: alteração anual do número de empregos industriais nos EUA, de janeiro de 2017 até o presente. A linha vertical pontilhada mostra o momento em que as tarifas de importação entraram em prática. Crédito da imagem: The Wall Street Journal

Esta notícia é desalentadora, claro, mas nada surpreendente.

A esmagadora maioria dos economistas (os sérios) concordam que tarifas de importação não têm como funcionar e alcançar seu objetivo (reindustrialização e aumento do emprego neste setor) simplesmente porque tarifas de importação são um imposto sobre os consumidores.

Tarifas de importação nada mais são do que impostos sobre a compra de bens importados. A mercadoria importada chega ao porto, desce do navio e um burocrata da alfândega impõe uma taxa ao valor total que o importador pagou, taxa essa que é repassada ao consumidor final.

Impostos mais altos sobre a compra de bens importados representam um subsídio às empresas nacionais, pois eles impedem que os estrangeiros possam utilizar preços baixos para concorrer com a indústria nacional.

Ao reduzir a variedade de opções disponíveis para os consumidores nacionais, as tarifas permitem que a indústria nacional cobre preços mais altos do que aqueles praticados por produtores estrangeiros.

Portanto, quem afirma que tarifa de importação gera industrialização e emprego está afirmando que aumento de impostos sobre o consumo, e um consequente aumento de preços para os consumidores, geram industrialização e emprego.

Com efeito, em uma pesquisa de 2016 realizada entre economistas, absolutamente nenhum concordou com a afirmação de que aumentar tarifas sobre determinados bens iria estimular a produção doméstica. Nada menos que 93% discordaram ou discordaram fortemente, ao passo que 7% não responderam.

A explicação lógica 

“Tarifas de importação que protegem empregos na siderurgia significam preços mais altos para o aço, o que, por sua vez, significa menos vendas de produtos nacionais à base de aço (tanto dentro do país quanto para o resto do mundo). Isso leva a perdas de empregos nestes outros setores em um número maior do que o número de empregos protegidos”, explicou o economista Thomas Sowell.

“Os benefícios de uma tarifa de importação são visíveis”, disse Milton Friedman. “Os sindicatos podem ver que estão sendo “protegidos”. Já o estrago que a tarifa faz é invisível. Ele é amplamente difuso. Há várias pessoas que perdem seus empregos por causa das tarifas, mas não sabem”.

O problema com tarifas é que, de modo geral, elas destroem mais empregos do que protegem. Para cada emprego “protegido” por uma tarifa, vários outros são extintos em indústrias que utilizam o bem tarifado (e agora mais caro) como insumo em sua produção. Seus custos de produção sobem, e a solução passa a ser cortar mão-de-obra e automatizar.

Dois exemplos práticos famosos

Em março de 2002, o então presidente George W. Bush impôs uma tarifa de 30% sobre o aço chinês. O objetivo, obviamente, era proteger empregos no setor siderúrgico.

Só que havia um problema: o número de trabalhadores que utilizam aço como matéria-prima é muito maior do que aqueles que produzem aço.

Há aproximadamente 200.000 de trabalhadores nas indústrias de aço, alumínio e ferro, e há nada menos que 6,5 milhões de trabalhadores empregados em indústrias que utilizam aço e alumínio como matéria-prima para seus produtos — empresas que fabricam de tudo, desde caminhões, automóveis e maquinários pesados até latas de cerveja e aramados para galinheiro.

Consequentemente, os resultados dessa tarifa foram caóticos, embora totalmente previsíveis pela teoria econômica.

Segundo uma extensa pesquisa realizada por um conglomerado de indústrias de bens de consumo, as tarifas contra a China aumentaram os preços do aço (óbvio) e, como consequência, eliminaram 200.000 empregos naqueles setores que compram aço para usar em seus processos de produção.

À época, esses 200.000 empregos eliminados da economia eram mais do que o número total de pessoas que trabalhavam nas siderúrgicas, e representaram US$ 4 bilhões em salários perdidos.

Eis as conclusões do estudo:

  • 200.000 americanos perderam seus empregos em decorrência do aumento dos preços do aço em 2002. Esses empregos perdidos representaram aproximadamente US$ 4 bilhões (US$ 5,5 bilhões em valores atualizados) em salários perdidos de fevereiro a novembro de 2002.
  • Um em cada quatro (50.000) destes empregos perdidos foi nos setores de produção de metais, de maquinários, de equipamentos e de transportes, bem como no de peças de reposição.
  • O número de empregos eliminados cresceu continuamente ao longo de 2002, chegando a um pico de 202.000 empregos em novembro.
  • O número de americanos que perderam seus empregos em 2002 em decorrência do encarecimento do aço foi maior que o número total de empregos nas próprias siderúrgicas (187.500 americanos estavam empregados nas siderurgias americanas em dezembro de 2002).
  • Clientes que consumiam produtos fabricados com aço americano trocaram de produtos e passaram a consumir mais estrangeiros, uma vez que o aço americano, protegido da concorrência, tornou esses produtos menos confiáveis e mais caros. Algumas empresas, incapazes de aumentar seus preços em decorrência do maior custo do aço, tiveram elas próprias de absorver todo o aumento de custos de produção, o que as deixou em situação financeira precária.

Em dezembro de 2003, Bush teve um lampejo de bom senso e aboliu essa tarifa, a qual só causou estragos à economia. Não coincidentemente, a recuperação econômica veio em 2004.

Entra em cena Obama, que aparentemente não havia aprendido nada com seu antecessor.

Em 2009, ele impôs uma tarifa de 35% sobre pneus chineses. O motivo foi o mesmo de sempre: as fabricantes americanas estavam reclamando de “concorrência desleal” dos chineses.

Em janeiro de 2012, o próprio Obama se gabou dizendo que “mais de 1.000 americanos têm um emprego hoje porque interrompemos esse surto de pneus chineses”. Estima-se que 1.200 empregos na indústria americana de pneus foram protegidos por essa tarifa.

Mas, como sempre na economia, há o que se vê e o que não se vê.

De acordo com este completo e aprofundado estudo do Peterson Institute for International Economics (reconhecido até mesmo por fontes de esquerda), essas tarifas obrigaram os americanos a pagar US$ 1,1 bilhão a mais por pneus americanos.

Ou seja: embora 1.200 empregos tenham sido protegidos na indústria americana de pneus, o custo por emprego mantido foi de impressionantes US$ 900.000 naquele ano.

Mais ainda: segundo o Bureau of Labor Statistics [o IBGE americano], o salário médio anual de pessoas que trabalhavam na indústria de pneus era de US$ 40.070.

E piora: como os consumidores americanos tiveram de pagar US$ 1,1 bilhão a mais em pneus, eles não puderam usar esse dinheiro para comprar bens e serviços de outros setores. Consequência? Aproximadamente 4.000 americanos (3.731, para ser mais exato) perderam seus empregos nestes setores.

Ou seja: 1.200 empregos salvos a um astronômico custo de US$ 900.000 por emprego versus 3.731 empregos destruídos pela tarifa.

E um adendo: a maior parte do US$ 1,1 bilhão a mais que os americanos pagaram em decorrência dos pneus mais caros não se traduziu em aumentos salariais para os trabalhadores da indústria de pneus. Segundo o estudo do Peterson Institute, apenas 5% deste valor foi para o bolso dos empregados. Os 95% restantes viraram bônus corporativos.

Tarifas servem para isso mesmo.

Assim com Bush, Obama também acabou tendo um lampejo de bom senso, e seu governo aboliu a tarifa em 2012.

Para concluir

No caso das tarifas de Trump, não apenas várias indústrias sofrerem em troca da proteção de algumas poucas, como também as tarifas geraram, como era de se prever, uma ação retaliatória da China, a qual piorou ainda mais a situação.

Segundo o The Wall Street Journal:

Uma análise detalhada, indústria por indústria, feita pelo Federal Reserve mostrou que as tarifas estimularam o emprego em 0,3% naquelas indústrias expostas à concorrência com a China. Porém, este ganho foi mais do que contrabalançado pelos agora maiores custos de se importar produtos e equipamentos chineses, o que reduziu o emprego industrial geral em 1,1%. […]

Tarifas retaliatórias impostas pela China contra produtos americanos reduziram empregos industriais nos EUA em 0,7%.

Sem nenhuma surpresa, temos mais uma comprovação empírica da velha teoria: tarifas matam mais empregos do que criam. Para cada emprego “protegido” por uma tarifa, vários outros são extintos.

Nenhum economista tem o direito de se surpreender com isto.

Fonte: Mises Brasil 

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ECONOMIA: SAIBA PORQUE OS SOCIALISTAS SEMPRE FORAM SUBESTIMADOS PELOS CONSERVADORES E LIBERAIS!

Na nossa coluna ECONOMIA desta terça-feira vamos estudar um pouco sobre conservadorismo, liberalismo e socialismo e entender as diferenças entre essas ideologias. O texto a seguir também esclarece por que conservadores e liberais sempre subestimaram os socialistas. Não perceberam que o povo escolhe ideologias criadas por intelectuais. Então pode ter sido pura ingenuidade? Esclareça essa dúvida lendo o artigo completo a seguir!

Por que conservadores e liberais sempre subestimaram os socialistas

O povo escolhe ideologias criadas por intelectuais; se preferir ideias ruins, o desastre está feito

Trecho extraído do livro Ação Humana, de 1948

As massas, as legiões de indivíduos comuns, não concebem ideias, sejam elas verdadeiras ou falsas. Elas apenas escolhem entre as ideologias elaboradas pelos líderes intelectuais da humanidade. No entanto, essa escolha é decisiva e determina o curso dos eventos. Se preferirem doutrinas ruins, nada poderá impedir o desastre.

A filosofia social do Iluminismo não se deu conta dos perigos que poderiam advir da prevalência de ideias falsas. As objeções habitualmente apresentadas contra o racionalismo dos economistas clássicos e dos pensadores utilitaristas eram inconsistentes; no entanto, havia uma deficiência nestas doutrinas: elas ingenuamente pressupunham que tudo quanto fosse lógico e razoável prevaleceria.

Não chegaram a imaginar a possibilidade de a opinião pública apoiar ideias espúrias cuja aplicação viesse a ser danosa à prosperidade e ao bem-estar, e que levasse à desintegração da cooperação social.

Atualmente, é moda desmerecer aqueles pensadores que criticavam a fé que os filósofos liberais depositavam no homem comum. Apesar disso, foram pensadores como Edmund Burke e Karl HallerLuis de Bonald e Joseph de Maistre que chamaram atenção para o problema essencial que os liberais não haviam percebido. Foram eles que souberam avaliar o comportamento das massas mais realisticamente do que os seus adversários.

Esses pensadores conservadores, sem dúvida, iludiam-se ao pensar que o sistema tradicional de governo paternalista e a rigidez das instituições econômicas pudessem ser preservadas. Louvavam o Ancient Régime pela prosperidade que havia proporcionado e por haver até mesmo humanizado a guerra. Mas não perceberam que precisamente essas realizações haviam dado lugar a um aumento demográfico e, portanto, a um excedente populacional para o qual não havia mais espaço no antigo sistema de restricionismo econômico.

Ignoraram o surgimento de uma classe de pessoas que não poderia ser absorvida, se prevalecesse a ordem social que desejavam perpetuar. Não conseguiram oferecer uma solução para o mais sério problema que a humanidade teria de enfrentar às vésperas da “Revolução Industrial”.

O capitalismo deu ao mundo aquilo de que ele precisava: um melhor padrão de vida para um  população em constante crescimento. Mas os liberais, os pioneiros e os defensores do capitalismo, não chegaram a perceber um ponto essencial: um sistema social, por mais benéfico que seja, não pode funcionar sem o apoio da opinião pública. Não previram o êxito que a propaganda anticapitalista teria.

Depois de haverem destruído o mito de que reis sagrados estavam a mando de Deus em uma missão divina, os liberais se deixaram seduzir por outras doutrinas não menos ilusórias: o poder irresistível da razão, a infalibilidade da volonté générale, e a divina inspiração das maiorias.

A longo prazo, pensavam eles, nada pode impedir a melhoria progressiva das condições sociais. Ao desmascarar antigas superstições, a filosofia do Iluminismo havia, de uma vez por todas, implantado a supremacia da razão.

Os resultados das políticas pró-liberdade seriam uma demonstração irresistível das vantagens da nova ideologia; nenhum homem inteligente se atreveria a questioná-la. Estava implícita na convicção desses filósofos que a imensa maioria das pessoas é inteligente e capaz de pensar corretamente.

Não ocorreu aos antigos liberais que a maioria poderia interpretar a experiência histórica com base em outras filosofias. Não imaginaram a popularidade que viriam a ter, nos séculos XIX e XX, ideias que eles considerariam como regressivas, supersticiosas e inconsistentes. Estavam tão convencidos do fato de que todos os homens são dotados da faculdade de raciocinar corretamente, que não souberam interpretar adequadamente os presságios.

Consideravam todos esses maus augúrios apenas como recaídas passageiras, episódios acidentais, sem importância para o filósofo que contemplava a história da humanidade sub specie aeternitatis. Os defensores do atraso poderiam dizer o que quisessem, mas havia um fato que não poderiam negar: que o capitalismo propiciou a uma população em rápido crescimento um padrão de vida cada vez melhor.

Pois foi precisamente este fato que a imensa maioria contestou.

O ponto essencial das teses de todos os autores socialistas, e particularmente das de Marx, é a afirmativa de que o capitalismo resulta no progressivo empobrecimento das massas trabalhadoras. Em relação aos países capitalistas, o equívoco desse teorema é explícito e não tem como ser negado. Em relação aos países subdesenvolvidos, que só foram afetados superficialmente pelo capitalismo, o crescimento demográfico sem precedentes não parece confirmar a interpretação de que as massas estão cada vez mais em pior situação. Esses países são pobres em comparação com outros mais avançados. Sua pobreza é fruto do rápido crescimento populacional. Preferem ter mais filhos do que elevar o seu padrão de vida. A decisão é deles.

Mas não se pode negar o fato de que tiveram os recursos necessários para prolongar a duração média de vida. Teria sido impossível criar tantas crianças sem que tivesse ocorrido um aumento dos meios de subsistência.

Apesar disso, não apenas os marxistas, como também muitos autores “burgueses” seguem afirmando, sem grande oposição, que a previsão de Marx quanto à evolução do capitalismo foi, de um modo geral, confirmada pela história dos últimos cem anos.

Fonte: mises.org.br

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ECONOMIA: AO CONTRÁRIO DO QUE SE IMAGINA, DESDE A CRIAÇÃO DO REAL, NÃO FORAM OS PREÇOS QUE SUBIRAM E SIM A MOEDA QUE CAIU

Quando olhamos para a nossa moeda, o Real, hoje, temos a impressão de que os preços dos produtos em geral subiram muito desde que ela foi criada em 1994, pois quando nos lembramos que a saca de 100 kg de arroz custava R$ 10,00 e hoje  custa R$ 71,00  e  o galão de gasolina saltou de R$ 0,50 em julho de 1994 para R$ 5,90 em outubro de 2020, ficamos achando que os preços de tais produtos subiram muito nesses 26 anos. Na verdade, os preços desse produtos caíram muito, quando comparados com uma moeda real, como o ouro, que mantém sua reserva de valor. Portanto, convido você a ler o bem escrito artigo a seguir para entender a diferença de uma moeda real e uma moeda fake!  

De 1994 até hoje, não foram os preços que subiram; foi a moeda que caiu — e isso é fácil de provar

Impressionantemente, as coisas nunca estiveram tão baratas

 

A característica mais sensacional de uma economia de mercado é que os preços dos bens e serviços caem ao longo do tempo.

E isso vale inclusive para nós, brasileiros.

Sim: hoje, os preços de tudo estão mais baixos do que estavam em julho de 1994, quando surgiu o real (como irei provar mais abaixo).

Infelizmente, essa queda de preços é ocultada pelo fato de não utilizarmos dinheiro real.

Dinheiro versus moeda corrente

Dinheiro real é qualquer moeda que tenha todas as três características a seguir: é meio de troca, é uma unidade de conta e é uma reserva de valor.

Essa é a definição clássica de dinheiro em todos os manuais de macroeconomia. E está correta.

Ou seja, além de ser usado para transações diárias e além de ter preços estabelecidos em sua unidade, o dinheiro também tem de guardar seu valor ao longo do tempo. Se, no entanto, ele perde poder de compra ao longo do tempo, então não é dinheiro real, pois não é reserva de valor.

Se não é dinheiro real, então é apenas moeda corrente. E tudo que é corrente, como o próprio nome diz, é apenas passageiro, e não vai durar.

Vários itens já foram utilizados ao longo da história como moeda corrente: tabaco, açúcar, sal, gado, pregos, cobre, grãos, rosários, chá, conchas, anzóis e, é claro, papel pintado.

Cada um à sua época, todos estes produtos foram meios de troca e unidade de conta. As pessoas precificavam as coisas em unidades destes bens e então transacionavam usando estes itens como meio de troca.

Mas nenhum deles era dinheiro real, pois nenhum era reserva de valor — qualquer pessoa que houvesse acumulado conchas ou anzóis visando a se aposentar teria ficado pobre.

Hoje, a nossa moeda corrente é o real. Trata-se de uma moeda estatal, de curso forçado (ou seja, todos são obrigados a aceitá-la; recusar-se é crime) e fiduciária (o valor depende apenas da confiança que as pessoas lhe atribuem). Ela é utilizada como meio de troca e unidade de conta. Compramos e vendemos em reais, precificamos em reais e calculamos orçamentos, custos, lucros e prejuízos em reais.

Mas nossa moeda não é reserva de valor. Se fosse, teria ao menos mantido o mesmo poder de compra que tinha quando surgiu em julho de 1994, quando o arroz custava R$ 0,64 o quilo, o pão francês, R$ 0,09 a unidade, e o filé mignon, R$ 6,80 o quilo (veja outros valores da época aqui).

Pode não parecer, mas, na prática, o real em nada se diferencia das conchas e dos anzóis utilizados no passado. E terá o mesmo destino. Pode até demorar, mas vai acontecer.

Dinheiro real versus dinheiro fake

O fato de utilizarmos como meio de troca e unidade de conta uma moeda que não é uma reserva de valor ofusca o fato de que tudo hoje está mais barato do que estava em 1994.

Com efeito, a afirmação de que hoje as coisas estão mais baratas do que estavam em 1994 nem deveria surpreender, pois é algo lógico e direto: houve um grande aumento da oferta de bens e serviços nestes últimos 26 anos.

Hoje, há muito mais restaurantes a quilo, há muitos mais lojas disputando clientes, e há muito mais variedade e quantidade de roupas, carros e de itens domésticos à venda. Há muito mais empreendedores e produtores hoje do que havia em 1994. Há, em suma, muito mais produtos e serviços sendo ofertados. No Brasil e ao redor do mundo.

Isso não é apenas uma questão econômica, como também demográfica.

Sim, há também mais consumidores e demandantes. Mas, ora, dado que só é possível demandar quem antes produziu (você só tem renda para consumir se antes houver trabalhado e produzido), então, no mínimo, esse aumento da demanda ou bens e serviços foi equilibrado pelo aumento da oferta de bens e serviços, de modo que os preços deveriam, no máximo, estar iguais.

No entanto, os preços em reais dispararam. Normal. O real não é dinheiro real (sem trocadilhos). É apenas uma moeda corrente estatal e que é monopólio do governo. Sendo um monopólio do governo, não é de se espantar que a qualidade desta moeda se degrade ao longo do tempo.

No entanto, se mensurarmos a evolução dos preços utilizando dinheiro de verdade, veremos que, mesmo vivendo em uma economia pouco livre e muito regulada, ainda assim, graças ao incrível aumento na produção — característica intrínseca ao capitalismo —, os preços caíram.

Nós não conseguimos perceber esta queda simplesmente porque utilizamos um dinheiro fake, para recorrer a um termo da moda. Se trocarmos o dinheiro fake pelo dinheiro real, iremos constatar que tudo está mais barato.

E qual é o dinheiro real? Quem acompanha este Instituto há mais tempo sabe que o dinheiro real é e sempre foi o ouro.

Ao longo da história, o que inclui o período anterior a Cristo, o ouro sempre foi a mercadoria naturalmente escolhida para servir como meio de troca, unidade de conta e reserva de valor. Sua tradicional estabilidade como unidade de conta fez dele uma escolha natural para definir aquilo que hoje conhecemos como dinheiro (os motivos foram detalhadamente explicados aqui, e não será necessário repeti-los).

Embora hoje já não seja mais utilizado como meio de troca — simplesmente porque os governos monopolizaram esta atividade, e baniram toda a concorrência —, o ouro manteve impecavelmente sua característica de reserva de valor.

Por isso, a maneira correta de mensurar a evolução dos preços reais das coisas é acompanhar a variação dos seus preços em dinheiro real, pois apenas o dinheiro real é reserva de valor. Mensurar a evolução dos preços em uma moeda fake apenas obscurece a realidade.

E como variaram os preços?

Tudo barateou 

Indo direto ao ponto, e começando com um item bem popular, vejamos a variação do preço do arroz.

O gráfico abaixo mostra a evolução do preço, em reais, de 100 quilogramas de arroz no mercado de commodities — ou seja, é o preço cobrado pelo produtor rural (a série disponível começa no fim de 1999):

arrozreais.png

Gráfico 1: evolução do preço de 100 quilogramas de arroz, em reais, no mercado de commodities

Já o gráfico abaixo mostra a evolução do preço destes mesmos 100 quilogramas de arroz em gramas de ouro:

arrozouro.png

Gráfico 2: evolução do preço de 100 quilogramas de arroz, em gramas de ouro, no mercado de commodities

O contraste não poderia ser mais gritante. Em reais, o arroz encareceu de R$ 10 para R$ 71 neste período de 21 anos. Um aumento de 610%.

Já em ouro, o arroz barateou. E muito. Ao passo que você precisava de 0,69 grama de ouro para comprar 100 quilos de arroz no início do ano 2000, hoje você precisa de apenas 0,21 grama de ouro para comprar os mesmos 100 quilos de arroz. Trata-se de uma queda de quase 70%.

Vamos para o próximo.

O gráfico a seguir mostra a evolução do preço, em reais, de um galão de gasolina no mercado de commodities. É exatamente este valor que a Petrobras utiliza para precificar a gasolina que vende em suas refinarias:

gasolina reais.png

Gráfico 3: evolução do preço, em reais, de um galão de gasolina no mercado internacional de commodities

Já o gráfico abaixo mostra a evolução do preço deste mesmo galão de gasolina em gramas de ouro:

gasolinaouro.png

Gráfico 4: evolução do preço, em gramas de ouro, de um galão de gasolina no mercado internacional de commodities

De novo, o contraste impressiona: ao passo que o galão de gasolina saltou de R$ 0,50 em julho de 1994 para R$ 5,90 em outubro de 2020 (aumento de impressionantes 1.080%), neste mesmo período, em ouro, o galão de gasolina barateou de 0,045 grama para 0,017 grama (queda de 62%).

Continuemos.

O próximo gráfico mostra a evolução do preço, em reais, de um bushel de soja no mercado de commodities. Trata-se de uma mercadoria cujo preço recentemente virou motivo de preocupação para o governo:

sojareais.png

Gráfico 5: evolução do preço, em reais, de um bushel de soja

Agora, vejamos evolução do preço deste mesmo bushel de soja em gramas de ouro:

sojaouro.png

Gráfico 6: evolução do preço, em gramas de ouro, de um bushel de soja

A mesma história: encarecimento contínuo em reais; barateamento contínuo em ouro.

Em julho de 1994, você precisava de R$ 400 para comprar um bushel de soja. Hoje, você precisa de R$ 6.080. Um encarecimento de 1.420%.

Neste mesmo período, o preço do bushel de soja caiu de 56 gramas de ouro para 17,4 gramas. Um barateamento de 69%.

Como anedota, se servir de consolo para o governo, ele pode ao menos dizer que a soja realmente encareceu nos últimos meses (repare no pequeno “v” no gráfico do ouro). Só que ela apenas retornou aos valores de janeiro de 2020 — em dinheiro de verdade.

Agora, vamos para a carne.

O gráfico abaixo mostra a evolução do preço da arroba do boi gordo na B3 (a série disponível começa em janeiro de 2001). O preço da nossa picanha é formado aí:

Boigordoreais.png

Gráfico 7: evolução do preço da arroba do Boi Gordo, em reais, na B3.

Agora, eis a evolução do preço desta mesma arroba de boi gordo em gramas de ouro:

boigordoouro.png

Gráfico 8: evolução do preço da arroba do Boi Gordo, em gramas de ouro, na B3.

Em janeiro de 2001, eram necessários R$ 40 para comprar uma arroba de boi gordo. Hoje não sai por menos de R$ 273. Encarecimento de 582%.

Por outro lado, ao passo que você precisaria de 2,40 gramas de ouro para comprar uma arroba de boi gordo em janeiro de 2001, hoje você precisa de apenas 0,80 grama de ouro. Barateamento de 67%.

Também como anedota, repare que os preços da carne, em dinheiro de verdade, realmente subiram muito ao fim de 2019, como todos sentimos. Mas foi um fenômeno pontual. Hoje, em dinheiro de verdade, já está bem mais barato. Quase nas mínimas históricas.

O próximo é o milho.

O gráfico abaixo (a séria disponível começa ao fim de 2009) mostra a evolução do preço da saca de milho na B3. Por ser a ração de suínos e frangos, seu preço impacta diretamente nos custos de produção destes itens:

milhoreais.png

Gráfico 9: evolução do preço, em reais, de uma saca de milho na B3

Agora, e evolução do preço desta mesma saca de milho em gramas de ouro:

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Gráfico 10: evolução do preço, em gramas de ouro, de uma saca de milho na B3

O milho, curiosamente, é o único item que, em ouro, não está próximo de suas mínimas históricas. Ele já esteve mais barato em outros anos, o que comprova que, hoje, ele realmente pode ser considerado caro.

Mesmo quem não é do ramo agrícola, mas entende o básico de economia, sabe que tal fenômeno certamente se deve a algum problema atual de safra ou à perspectiva de um problema futuro de safra. Uma rápida pesquisa na internet comprova isso.

Em todo caso, em dinheiro real, o milho está mais barato hoje do que estava em 2009. E muito mais caro em dinheiro fake.

Ao fim de 2009, eram necessários R$ 20 para comprar uma saca de milho. Hoje, são necessários R$ 83. Um aumento de 315%.

Neste mesmo período, o milho barateou de 0,36 grama de ouro para 0,24 grama. Uma queda de 33%.

Finalmente, vejamos agora os preços gerais da economia brasileira.

O gráfico abaixo mostra a evolução do índice de preços gerais ao consumidor. Na prática, o gráfico mostra quantos reais são necessário para comprar uma cesta contendo uma fatia de todos os bens de consumo pesquisados pelo IBGE para calcular a evolução do IPCA.

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Gráfico 11: evolução do índice de preços ao consumidor na economia brasileira; ou, quantos reais custa uma cesta contendo uma fatia de todos os bens de consumo computados pelo IBGE

Já o gráfico abaixo mostra a evolução do preço desta mesma cesta, em gramas de ouro:

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Gráfico 12: evolução do índice de preços ao consumidor, em gramas de ouro: ou, quantos gramas de ouro custa uma cesta contendo uma fatia de todos os bens de consumo computados pelo IBGE

Como gran finale, e como foi prometido, perceba que os preços de todos os bens de consumo caíram no Brasil — quando precificados em dinheiro de verdade.

Ao passo que, mensurado em dinheiro fake, tudo hoje está mais caro, a realidade é que, mensurado em dinheiro real, tudo está mais barato.

Utilizando o dinheiro fake, eram necessários R$ 21, em julho de 1994, para comprar uma cesta contendo uma fatia de todos os bens de consumo da economia. Hoje, são necessários R$ 132. Encarecimento de 529% — que é exatamente o IPCA acumulado no período.

Porém, utilizando dinheiro de verdade, precisaríamos de 2,4 gramas de ouro para comprar essa cesta em julho de 1994. Hoje, precisamos de apenas 0,4 grama. Uma deflação de preços de impressionantes 83%.

Ou seja, nossa economia, quando precificada em dinheiro de verdade é deflacionária. Ou seja, ela é saudável e funciona bem.

Para concluir

A economia de mercado e o capitalismo são inerentemente deflacionários. Quanto mais se produz, maior a oferta, maior a necessidade de vender (para se obter renda), maior a disputa por consumidores, maiores os descontos.

Aquilo que sempre foi explicado pela teoria foi agora comprovado na prática, com dados e fatos.

Com efeito, tal “descoberta” nem deveria ser impactante, pois,  quando o mundo estava sob o padrão-ouro clássico, os preços caíam anualmente. Foi apenas quando passamos a utilizar moeda estatal (dinheiro fake), que essa percepção de queda nos preços foi extinta.

Vale enfatizar: os preços continuaram caindo normalmente e continuam caindo até hoje. Nós é que paramos de perceber (e de sentir) porque trocamos o “mensurador”. Trocamos a unidade de conta. Em vez de dinheiro de verdade, que possui reserva de valor, passamos a utilizar dinheiro fake, que perde valor com o tempo.

Em vez de um dinheiro de oferta controlada pelo mercado, passamos a utilizar uma moeda estatal completamente sob o controle de políticos e burocratas, que fazem com ele o que querem.

Por fim, atente-se para o seguinte: esse fenômeno da contínua desvalorização da moeda gerou um agigantamento do setor financeiro — pois as pessoas, afinal, têm de adotar alguma medida para proteger o poder de compra da sua poupança —, criando justamente aquilo que os críticos do capitalismo chamam de “financeirização” da economia, arranjo em que os mercados financeiros adquirem importância central, deixando o setor produtivo, que é quem genuinamente gera riqueza, em segundo plano.

Se o dinheiro fosse o ouro, o papel proeminente hoje ocupado pelo mercado financeiro seria muito menor. Os críticos do “financismo” estão xingando a consequência e ignorando totalmente a causa — que é o uso da moeda estatal fiduciária.

Quanto a você: não deixe o seu padrão de vida e o da sua família a mercê desta farsa. Proteja-se utilizando dinheiro de verdade.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: A CONSEQUÊNCIA DE UMA CEGA DEVOÇÃO AO SISTEM DE METAS DA INFLAÇÃO TEM COMO CONSEQUÊNCIA A ATUAL CARISTIA DOS ALIMENTOS

O artigo a seguir publicado aqui na coluna ECONOMIA desta quarta-feira nos dá a exta noção do que causou a carestia dos alimentos durante a pandemia do coronavírus. Ele nos mostra que as políticas de metas de inflação são a real causa dessa carestia. E você pode entender bem melhor depois que ler o artigo completo e analisar os gráficos!

A atual carestia dos alimentos é consequência de uma cega devoção ao sistema de metas de inflação

Políticas de metas de inflação são a causa, e não a solução dos atuais problemas

 

Comecemos com um exemplo simples que, no entanto, reflete exatamente o que está se passando na economia brasileira neste momento pandêmico.

Imagine uma economia em que haja apenas dois produtos: maçãs e laranjas. Vamos trabalhar apenas com o curto prazo.  Há 10 maçãs e 10 laranjas, e uma oferta monetária total de $20.

Suponha que a interseção entre oferta de laranjas e demanda por laranjas determine um preço de $1,10 por laranja. Isso irá, simultaneamente, estipular o preço de cada maçã em $0,90.

(Se você multiplicar 10 laranjas por $1,10 e 10 maçãs por $0,90 terá um total de $20, que é a oferta monetária total da economia).

O preço relativo entre laranjas e maçãs reflete a demanda da sociedade por estes dois bens, sempre de acordo com sua relativa abundância — ou oferta.

Agora, suponha que as preferências das pessoas se alteram e elas passam a demandar ainda mais laranjas e menos maçãs. Ou seja, a demanda por laranjas aumenta e a demanda por maçãs cai. Faltam laranjas e sobram maçãs.

O efeito de curto prazo será um aumento no preço das laranjas e uma redução no preço das maçãs (caso a oferta monetária se mantenha inalterada).

Assim, suponha agora que o novo preço de equilíbrio seja de $1,20 para laranjas e $0,80 para as maçãs.

Isso representa um aumento de 9% no preço das laranjas (de $1,10 para $1,20) e uma redução de 11% no preço das maçãs (de $0,90 para $0,80).

Estatisticamente, essa alteração no padrão de consumo deveria levar a uma alteração no peso de cada item na cesta de consumo. No início, laranjas e maçãs tinham o mesmo peso, pois eram consumidas igualmente (10 de cada). Agora, sobram maçãs e faltam laranjas. Logo, laranjas deveriam passar a ter mais peso estatístico do que maçãs. Se isso for feito, o cálculo da inflação estará correto.

No entanto, se não fizermos essa alteração, e considerarmos que o peso dos dois itens na cesta de consumo das pessoas se manteve o mesmo — que é exatamente o que o IBGE fez; ou seja, o Instituto não alterou os pesos dos itens na cesta de consumo durante a pandemia (e, justiça seja feita, nem teria como) —, então temos que a economia está vivenciando uma deflação de preços de 2%, calculada como uma média ponderada dos dois bens (aumento de 9% nas laranjas, queda de 11% nas maçãs, ambos os itens sendo mantidos erroneamente com o mesmo peso na cesta de consumo).

E tudo por causa de uma simples mudança na preferência das pessoas, mudança essa que não foi levada em conta pela agência que calcula a inflação de preços, que não alterou a cesta de consumo das pessoas — com o novo padrão de consumo, laranjas deveriam ter mais peso que maçãs.

(Ironicamente, o IBGE alterou a metodologia da cesta no fim de 2019, antes da pandemia. A alteração foi correta; porém, com a pandemia, ficou desatualizada)

Ato contínuo, em decorrência do fato de o índice oficial de preços estar agora apontando uma deflação, o Banco Central — que tem como principal política manter este índice de preços aumentando 4% ao ano — terá de reduzir a taxa básica de juros e expandir a oferta monetária (aumentar a quantidade de moeda na economia) com o objetivo de estimular a demanda e, com isso, encarecer ainda mais a laranja (ou evitar que a maçã caia de preço).

Agindo assim, ele tentará fazer com que o índice oficial de inflação ao menos volte para perto de 4%.

E por que o Banco Central tem de atuar para encarecer as coisas? Por que ele tem de impedir que os preços caiam? Nenhum economista convencional sabe responder seriamente a essa pergunta, sem cair em contradição.

É assim no mundo real

Embora extremamente simples, o exemplo acima ilustra exatamente o que o Banco Central brasileiro está fazendo nesta era de Covid-19.

Por causa das quarentenas e do desligamento compulsório da economia efetuado por prefeituras e governos estaduais, a esmagadora maioria do setor de serviços foi fechada. A cesta de consumo do brasileiro foi profundamente alterada.

Com poucas pessoas saindo de casa, a demanda por itens como passagens aéreas, passagens de ônibus, hotéis, turismo, vestuário, lazer, estacionamentos, ingressos de cinema e teatro, utensílios domésticos, móveis, toalhas, lençol, fronhas etc. simplesmente sumiu.

Com a queda global no preço do barril de petróleo e a forte redução na circulação de veículos, combustíveis baratearam. Com o fechamento das escolas e a adoção do ensino à distância, várias instituições ofereceram redução nas mensalidades.

Tudo isso pode ser comprovado nos gráficos abaixo.

Itens como artigos de residência, vestuário e transporte apresentaram a menor taxa de crescimento em 20 anos. (Observação: o gráfico está no formato de média móvel de 12 meses, o que significa que os valores se referem à média dos valores mensais para cada período de 12 meses).

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 15.37.09.png Gráfico 1: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços dos itens “transportes”, “artigos de residência” e “vestuário

Observe que, no primeiro semestre, todos apresentaram deflação de preços.

Já a educação, embora não tenha entrado em deflação, apresentou uma queda fragorosa:

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 15.37.33.pngGráfico 2: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços do item “educação”

Por outro lado, alimentos e bebidas vivenciaram uma disparada de preços.

Consequentemente, e dado que estes itens possuem um peso considerável na cesta de consumo criada pelo IBGE para calcular o IPCA, o Banco Central reduziu acentuadamente a SELIC (fazendo com que a taxa real de juros se tornasse negativa e menor até mesmo que a da Suíça) e expandiu e atuou para expandir a oferta monetária, principalmente por meio do Orçamento de Guerra.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da oferta monetária (M1).

m1xselic.pngGráfico 3: linha azul, eixo da direita: M1; linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão da oferta monetária sofre uma desaceleração. Quando a Selic cai, expansão da oferta monetária acelera.

Igualmente, a forte expansão monetária em conjunto com juros reais negativos depreciaram fortemente o real. O dólar encareceu.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da taxa de câmbio.

selicxcambio.pngGráfico 4: linha azul, eixo da direita: taxa de câmbio (reais por dólar); linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é também quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão a taxa de câmbio cai (ou pára de subir). Quando a Selic cai, a taxa de câmbio sobe.

O real, até o início de outubro, foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo. Um feito.

Como consequência desta forte expansão monetária, desta forte redução dos juros e da ampla desvalorização da moeda, os preços em reais das commodities brasileiras negociadas no mundo e cotadas em dólares, como arroz, milho, soja e carne, subiram forte.

O gráfico abaixo mostra a evolução dos preços, em reais, das principais commodities agropecuárias brasileiras, segundo dados do Banco Central:

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 16.04.03.pngGráfico 5: evolução dos preços das principais commodities agropecuárias.

Com os preços em reais em alta, as exportações de alimentos passaram a bater recordes. E isso gerou seu encarecimento, mesmo tendo havido recorde de produção.

O gráfico abaixo mostra a taxa de inflação dos preços dos alimentos em comparação com os demais produtos da cesta do IBGE.

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 15.43.27.pngGráfico 6: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços dos itens “alimentos e bebidas”, “transportes”, “artigos de residência” e “vestuário”

Portanto, essa disparada dos preços dos alimentos se deveu, basicamente, a três fenômenos:

1) auxílio emergencial de R$ 600 por mês para 67 milhões de pessoas, que está sendo feito majoritariamente via expansão monetária.

2) Isso gerou um aumento da quantidade de moeda injetada na economia pelo Banco Central.

3) E gerou também uma alta do dólar, a qual foi causada tanto pela injeção de moeda quanto pela pronunciada redução da Selic.

Já os preços dos materiais de construção também seguem batendo recordes, mas estes nem sequer entram no índice de preços ao consumidor.

Apenas mais um exemplo

Portanto, comparando-se ao nosso exemplo hipotético inicial, os alimentos e os materiais de construção são as laranjas, que tiveram aumento na demanda e subiram intensamente de preços. Já todo o resto da economia são as maçãs, que tiveram queda na demanda e relativa estabilidade nos preços.

O IBGE captou esse fenômeno, mas não alterou o peso de cada item nas cestas de consumo (e, como dito, nem teria como em tão curto espaço de tempo). E o Banco Central, que é guiado exclusivamente pelo resultado final do índice de preços, reagiu de acordo com seu objetivo de tentar encarecer tudo em 4% ao ano.

Para compensar a queda dos preços dos estacionamentos (vazios), das passagens aéreas (aviões parados), das diárias de hotéis (fechados) e das roupas (quase ninguém compra roupa sem ir à loja experimentar), o Banco Central injetou moeda a rodo para fazer subir outros preços e, com isso, manter a meta de carestia em 4% ao ano.

Consequentemente, acabou gerando uma brutal carestia nos alimentos, algo que todas as famílias sentem no supermercado. E nos materiais de construção. E ainda impediu uma salutar e necessária queda nos preços nos outros setores (em recessão com alto desemprego, custos devem cair para auxiliar uma recuperação mais rápida).

Todo o problema, portanto, está não apenas na devoção cega ao sistema de metas de inflação, como também na estipulação de um valor absurdamente alto para esta meta. Em outros países da América Latina, a meta de inflação é bem menor.

Ao passo que, no Brasil, o Banco Central tem como meta encarecer o custo de vida do brasileiro em 4% ao ano, no Chile, na Colômbia e no México essa meta é de 3%. No Peru, é de apenas 2% (veja a lista completa aqui).

Se, por exemplo, tivéssemos como meta 3% (quiçá 2%, como o Peru) em vez de 4%, a Selic não teria sido reduzida tanto quanto foi, e consequentemente não estaríamos vivenciando essa bizarra desvalorização do real e essa desumana carestia nos alimentos (em meio a uma pandemia e um alto desemprego).

Nosso padrão de vida estaria maior. E, ainda mais importante, não estaria sendo construído um cenário bombástico para o futuro.

Eis a evolução dos preços no atacado:

ipa.pngGráfico 7: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços no atacado

Com uma taxa média de 1,58% ao mês, estamos com um acumulado de quase 21% em 12 meses. Trata-se, simplesmente, da maior taxa da história do real.

Se isso “vazar” para os consumidores (e ao menos uma parte irá vazar), um aperto nos juros poderá ser necessário no futuro — um aperto maior do que seria necessário caso a meta de inflação fosse mais civilizada.

Tal aperto poderá afetar a recuperação econômica.

Ter uma meta para o encarecimento do padrão de vida já é, por si só, algo bizarro e que não faz nenhum sentido. A meta ser alta é algo ainda mais bizarro. Mas a busca por essa meta levar ao encarecimento desnecessário itens essenciais beira o criminoso.

Apenas mais um caso de desarranjo econômico causado pela Banco Central, essa agência estatal responsável por planejar centralmente os preços chaves da economia.

Fonte:mises.org.br

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