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ECONOMIA: SERÁ QUE JÁ É TARDE DEMAIS PRA ESCAPAR DA ARMADILHA CHINESA?

Caro(a) leitor(a),

Faço aqui um pequeno comentário sobre o artigo a seguir que é um grande alerta para todos os países ocidentais e em especial ao Brasil, pois estamos subestimando e, o que é pior, ignorando o plano de poder do Partido Comunista chinês, só para não sair da nossa “zona de conforto“, que já não consegue mais esconder essa obsessão, pois é muito evidente para quem tem mais de 5 neurônios na cabeça. É muito clara essa intenção. Por isso lhe convido a ler com atenção o artigo a seguir, de autoria de Luciano Pires, Diretor de marketing da Dana e profissional de comunicação. Reflita e tire suas conclusões!

A armadilha chinesa: O mundo está alimentando um enorme dragão e ficará refém dele

Fotomontagem ilustrativa

Um determinado produto que o Brasil fabrica em um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões…

A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reação é impressionante.

Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas…

Com preços que são uma fração dos praticados aqui.

Uma das fábricas está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares.

Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo que acrescidos de impostos e benefícios representam quase 600 dólares.

Quando comparados com os 100 dólares dos chineses, que recebem praticamente zero benefícios…. estamos perante uma escravatura amarela e alimentando-a…

Horas extraordinárias? Na China…? Esqueça !!!

O pessoal por lá é tão agradecido por ter um emprego que trabalha horas extras sabendo que não vai receber nada por isso…

Atrás dessa “postura” está a grande armadilha chinesa.

Não se trata de uma estratégia comercial, mas sim de uma estratégia “de poder” para ganhar o mercado ocidental.

Os chineses estão tirando proveito da atitude dos ‘marqueteiros’ ocidentais, que preferem terceirizar a produção ficando apenas com o que ela “agrega de valor”: a marca.

Dificilmente você adquire atualmente nas grandes redes comerciais dos Estados Unidos da América um produto “made in USA”.

É tudo “made in China”, com rótulo estadunidense.

As Empresas ganham rios de dinheiro comprando dos chineses por centavos e vendendo por centenas de dólares…

Apenas lhes interessa o lucro imediato e a qualquer preço.

Mesmo ao custo do fechamento das suas fábricas e do brutal desemprego. É o que pode-se chamar de “estratégia preçonhenta”.

Enquanto os ocidentais terceirizam as táticas e ganham no curto prazo, a China assimila essas táticas, cria unidades produtivas de alta performance, para dominar no longo prazo.

Enquanto as grandes potências mercadológicas que ficam com as marcas, com os designes…suas grifes, os chineses estão ficando com a produção, assistindo estimulando e contribuindo para o desmantelamento dos já poucos parques industriais ocidentais.

Em breve, por exemplo, já não haverá mais fábricas de tênis ou de calçados pelo mundo ocidental. Só haverá na China.

Então, num futuro próximo veremos os produtos chineses aumentando os seus preços, produzindo um “choque da manufatura”, como aconteceu com o choque petrolífero nos anos setenta. Aí já será tarde demais.

Então o mundo perceberá que reerguer as suas fábricas terá um custo proibitivo e irá render-se ao poderio chinês.

Perceberá que alimentou um enorme dragão e acabou refém do mesmo.

Dragão este que aumentará gradativamente seus preços, já que será ele quem ditará as novas leis de mercado, pois será quem manda, terá o monopólio da produção .

Sendo ela e apenas ela quem possuirá as fábricas, inventários e empregos, é quem vai regular os mercados e não os “preçonhentos”.

Iremos, nós e os nossos filhos, netos… assistir a uma inversão das regras do jogo atual que terão nas economias ocidentais o impacto de uma bomba atômica… chinesa.

Nessa altura em que o mundo ocidental acordar será muito tarde.

Nesse dia, os executivos “preçonhentos” olharão tristemente para os esqueletos das suas antigas fábricas, para os técnicos aposentados jogando bocha no clube, e chorarão sobre as sucatas dos seus parques fabris desmontados.

E então lembrarão, com muitas saudades, do tempo em que ganharam dinheiro comprando “balatinho dos esclavos” chineses, vendendo caro suas “marcas-grifes” aos seus conterrâneos.

E então, entristecidos, abrirão suas “marmitas” e almoçarão as suas marcas que já deixaram de ser moda e, por isso, deixaram de ser poderosas pois foram todas copiadas….

REFLITAM E COMECEM A COMPRAR – JÁ – OS PRODUTOS DE FABRICAÇÃO NACIONAL, FOMENTANDO O EMPREGO EM SEU PAÍS, PELA SOBREVIVÊNCIA DO SEU AMIGO, DO SEU VIZINHO E ATÉ MESMO DA SUA PRÓPRIA… E DE SEUS DESCENDENTES.

Luciano Pires. Diretor de marketing da Dana e profissional de comunicação

Fonte: Jornal da Cidade On Line

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ECONOMIA: ADIADO ATÉ 30 DE JUNHO A ENTREGA DA DECLARAÇÃO DO IR

O Governo Federal finalmente decide novo prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda. Ficou prorrogado para 30 de junho. Veja maiores detalhes na reportagem a seguir!

Governo Federal prorroga prazo de entrega da declaração do IR por dois meses

IOF de operações de crédito é desonerado e contribuições são adiadas.

Redação

Publicado em 

Por  

 

Marcelo Casal Jr. | Agência Brasil

Segundo o secretário, apesar de a entrega das declarações neste ano estar em ritmo superior ao do mesmo período do ano passado, a Receita concordou em prorrogar o prazo depois de ouvir relatos de contribuintes confinados em casa com dificuldades em obter documentos na empresa ou de conseguir recibos com clínicas médicas para deduzirem gastos.

“O ritmo de entrega continua bom. Até ontem, tínhamos recebido 8,8 milhões de declarações, 400 mil a mais que no mesmo período do ano passado. Isso representa 27% do esperado. Porém decidimos pela prorrogação por demanda de contribuintes confinados em casa, mas que relatam a falta de documentos ou documentos que estão na empresa, no escritório ou na clínica. Eles estão com dificuldade momentânea de obter todos os documentos necessários”, explicou.

Sobre a possibilidade de rever o cronograma de restituição para quem já entregou a declaração, o secretário disse que ainda vai reavaliar a medida. Neste ano, a Receita tinha reduzido, de sete para cinco, o número de lotes de restituição e antecipado o primeiro lote de 15 de junho para 30 de maio.

Tostes também anunciou a total desoneração, por 90 dias, de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de crédito. A medida terá como objetivo baratear as linhas emergenciais de crédito já anunciadas pelo governo. Segundo ele, o governo deixará de arrecadar R$ 7 bilhões com a desoneração.

A última medida anunciada pelo secretário foi o adiamento das contribuições de abril e de maio para o Programa de Integração Social (PIS), o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição patronal para a Previdência Social, paga pelos empregadores. As parcelas só serão pagas de agosto a outubro, permitindo a injeção de R$ 80 bilhões na economia.

Com informações, Agência Brasil

Fonte:
Redação

Conexão Política
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ECONOMIA: PACOTE DE AJUDA TRILIONÁRIO PARA FREAR TSUNAMI NOS EUA

Situação da pandemia nos Estados Unidos é crítica e corre o risco de se tornar o maior epicentro do vírus do planeta. Governo Trump se antevem e libera uma pacote de ajuda trilionário. O maior já concedido em toda a história republicana da América. Leia a reportagem completa a seguir e veja todos os detalhes do plano.

EUA têm quase 70 mil casos do novo coronavírus

EUA têm quase 70 mil casos do novo coronavírus

Vista da Times Square, em Nova York, deserta – AFP

 

NOVA YORK, 26 MAR (ANSA) – Apesar do otimismo do presidente Donald Trump em querer “reabrir” a economia antes da Páscoa, os Estados Unidos caminham a passos largos para se tornar o país com o maior número de casos do novo coronavírus em termos absolutos.

Segundo o balanço em tempo real feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, o país já tem 69,2 mil contágios, atrás apenas da Itália (74,4 mil) e da China (81,7 mil). Além disso, mais de 1 mil pessoas morreram com o novo coronavírus em solo americano.

O estado mais atingido é Nova York, com mais de 30 mil contágios e de 300 óbitos. Os EUA vêm registrando mais de 10 mil casos por dia e, nesse ritmo, podem ultrapassar Itália e China até o fim da semana.

Em termos relativos, no entanto, o país tem 21 mil contágios para cada 100 mil habitantes, ainda muito distante de nações como Itália (123/100 mil hab.), Suíça (128/100 mil hab.) e Islândia (208/100 mil hab.), que lidera o ranking quando não se leva em conta micropaíses, como San Marino (616/100 mil hab.) e Vaticano (500/mil hab.).

Para combater a pandemia, o Senado dos Estados Unidos aprovou por unanimidade um plano sem precedentes de US$ 2 trilhões, dinheiro que será usado sobretudo para apoiar a economia. O projeto ainda precisa do aval da Câmara e inclui a destinação de US$ 1,2 mil para cada americano adulto e de US$ 500 por criança, para famílias que ganham menos de US$ 150 mil por ano.

O texto também prevê cerca de US$ 500 bilhões em empréstimos e ajudas para empresas, incluindo US$ 30 bilhões para o setor aéreo, e outros US$ 100 bilhões para hospitais. (ANSA)

Fonte: Isto É Independente

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ECONOMIA: QUEM SERÁ QUE MATA MAIS, CORONAVÍRUS OU RECESSÃO?

Na coluna ECONOMIA desta quinta-feira trago um estudo científico bem elaborado do gestor e economista Gláucio Brandão, da inPACTA incubadora da UFRN, que analisa vários prováveis cenários provocados pela pandemia para concluir quem mata mais, o coronavírus ou a recessão provocada por ele? Leia este competente estudo e tire suas conclusões! 

Vírus versus quebra da Economia: qual morte escolher? Empreendedorismo Inovador

quarta-feira, 25 março 2020

É imperioso que aprendamos a mecânica do movimento atual, o que vai exigir muito de epidemiologistas e economistas

Claro que a pergunta do título é retórica e a resposta óbvia: de nenhuma das duas formas!

A solução para este grande imbróglio universal só sairá se (eu escrevi se e não quando) acionarmos a inteligência coletiva que nos falta, a qual está sendo testada agora com choro e vela. Preferiria outras condições mas, como gosta de dizer minha progenitora, “A humanidade só cresce no amor ou na dor”. Desta vez, nossa evolução utilizará da segunda via.

Nunca se produzira tantos artigos acadêmicos sobre um mesmo tema em tão pouco tempo (a busca por COVID-19, às 17 horas do dia 24.03.2020, no Google Acadêmico retorna 4.460 resultados só para 2020), afora mais outras centenas de artigos baseados em dados científicos, estes não-acadêmicos. Optei por avaliar os que se mostraram mais impactantes para mim e que chegaram pela rede mundial amorfa, o Whatsapp. Destes, escolhi os que apresentavam pontos antagônicos entre si, já que, para mim, são os que melhor oferecem caminhos para a inovação, pois sempre recorro à TRIZ, Teoria para Resolução de Problemas Inventivos para solucioná-los.

Vamos ver se eu consigo enxergar uma possível rota sensata e mostrá-la a vocês. Claro que não sairá muito do que toda esta gente boa escreveu, mas é uma forma de eu dizer ao leitor: entendi algo e estou certo que a solução sairá da mistura das forças.

Propostas antagônicas

  1. Parando as pessoas

No artigo Why outbreaks like coronavirus spread exponentially, and how to “flatten the curve”, porquê surtos como o coronavírus se espalham exponencialmente e como “achatar a curva” (tradução livre), o autor Harry Stevens, repórter gráfico – profissão que eu nem conhecia -, mostra excelentes simulações sobre a estratégia de isolamento social, indo de zero isolamento (A), em que todos agem como se a ordem fosse “aglomerem-se”, como ando vendo por aí em vídeos no RN mundo afora, ao isolamento intensivo, no qual apenas uma em cada oito pessoas pode se movimentar (B).

Para a simulação de 200 “bolinhas”, a proposta A nos dá o colapso do sistema de saúde (SS) em 40% do tempo de simulação, considerando que todo o sistema estivesse com seus leitos disponíveis. Como a onda “contaminação – cura” dura perto de 3 meses, levaria-se 36 dias para o colapso total do SS, nesta região de simulação utópica com leitos hospitalares 100% disponíveis. Claro que todos estariam doentes ao final deste tempo, com uma ou outra exceção. Em uma das simulações de isolamento total dos enfermos com liberação em um dado período de tempo (aprox. um oitavo do tempo de simulação, ou perto de 12 dias), retarda-se o colapso para o quarto final do tempo, ou seja: o colapso chegaria em 68 dias após o início do surto. Para o caso B, intensivo, não haveria colapso do SS e, ao final da onda, teríamos 158 bolinhas não infectadas, 28 recuperadas e 14 doentes.

Fim da análise #1.

2. Parando as Empresas

Para este quadro, extraio recortes da fala do analista Geraldo Samor no artigo O custo econômico do shutdown global (e a busca por alternativas):

“A economia global mergulhou numa queda livre que ninguém sabe onde ou quando termina. As principais vítimas serão as pequenas empresas familiares, que têm pouco acesso a crédito e capital de giro. O restaurante do bairro e a padaria da esquina podem nunca mais reabrir, mas as grandes empresas — quando a tempestade passar – voltarão ainda mais ricas e dominantes”. E continua “Só esta semana, 2,25 milhões de americanos perderam o emprego nos EUA – o maior número desde que começaram a coletar os dados”.

“(…) Infelizmente, o custo desse ‘shutdown’ global será medido não apenas em dinheiro, mas também em efeitos colaterais como desorganização econômica, desespero e violência urbana. Milhões de brasileiros – a tia do pastel, o cara do cachorro quente, o motorista de Uber e a faxineira diarista – dependem da circulação de pessoas e da existência de um mercado, isto é, oferta e demanda.

(…) Explicaram que, se não desacelerarmos o contágio, os sistemas de saúde ficarão sobrecarregados e as pessoas morrerão – como está acontecendo na Itália – por falta de leitos, respiradores e médicos. Isso tudo é verdade – e não se trata de contestá-la.

(…) Ninguém nunca tentou, voluntariamente e de uma hora para outra, paralisar 80% da economia global – e ninguém nunca tentou religar o sistema depois de paralisá-lo.

Fim da análise #2.

3. Proposta Cirúrgica

No artigo Coronavírus: Médicos defendem ‘abordagem cirúrgica’ em vez de lockdown indefinido, Thomas Friedman, um dos colunistas mais influentes do mundo (aquele do Mundo Plano), ouviu três médicos e escreveu o artigo mais contundente até agora sobre o risco do lockdown global (travada geral na economia) se estender por muito tempo.

Friedman mostra a fala do Dr. Katz, que diz “há três objetivos neste momento: salvar tantas vidas quanto possível, garantindo que o sistema de saúde não entre em colapso, “mas também garantir que no processo de atingir os dois primeiros objetivos não destruamos nossa economia e, como resultado disso, ainda mais vidas.”

Katz sugere que o isolamento atual dure duas semanas, em vez de um período indefinido. Para os infectados, os sintomas aparecerão nesse período. “Aqueles que tiverem uma infecção sintomática devem se auto-isolar em seguida, com ou sem testes, que é exatamente o que fazemos com a gripe. Quem não estiver sintomático e fizer parte da população de baixo risco deveria voltar ao…trabalho ou a escola depois daquelas duas semanas.”

Fim da análise #3.

Comparando as abordagens

Finalizando

Todas as abordagens são excelentes e corajosas, pois os autores se expõem para levar “pancada”. Embora embasadas em seus conhecimentos adquiridos e reforçadas pelos respectivos vieses, precisamos juntar as inteligências e criar uma única. A quarentena é necessária, isso é indiscutível, assim como a economia, mas tem de ser administrada sob os fatores de tempo e frequência. Juntando todas estas abordagens (devem haver muitas outras), pois temos que partir de algum ponto, é imperioso que aprendamos a mecânica do movimento atual, o que vai exigir muito de epidemiologistas e economistas mais do que quaisquer outros profissionais, e modelar tudo como um grande processo da produção, que utiliza o protocolo Tambor-Pulmão-Corda (TPC): prender – mergulhar – subir – respirar.

Um mergulho em apneia de 3 ou 4 meses vai gerar mais mortes do que o próprio COVID-19. Desempregos, violência, assassinatos, depressão, suicídios, doenças oportunistas, fome etc., vão fazer Mad Max parecer Lagoa Azul, e ainda nos obrigará a viver em bolhas, um protótipo de Matrix. O treinamento já começou.

Referências

Artigo Why outbreaks like coronavirus spread exponentially, and how to “flatten the curve

Artigo O custo econômico do shutdown global (e a busca por alternativas)

Artigo Coronavírus: Médicos defendem ‘abordagem cirúrgica’ em vez de lockdown indefinido 

 

 

 

Gláucio Brandão é gerente executivo da inPACTA, incubadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

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ECONOMIA: O CONGELAMENTO DE PREÇOS DO ÁLCOOL GEL E MÁSCARAS SÓ GARANTE A VITÓRIA DA PANDEMIA

Saiba o porquê de ser um suicídio nesse momento de pandemia congelar preços de álcool gel e máscaras para ajudar a população a ter acesso aso produtos aqui na coluna ECONOMIA desta segunda-feira lendo o artigo completo a seguir de autoria de Thiago Fonseca.

Para que haja máscaras e álcool em gel para todos, só há uma solução: deixar os preços subirem

O congelamento, esse sim, garantiria a vitória da pandemia

A OAB quer que o governo federal imponha o congelamento dos preços do álcool em gel, das vitaminas, das máscaras e das luvas.

Como os leitores certamente já sabem, devido à pandemia do Covid-19 (o novo Coronavírus), houve uma súbita e intensa explosão na demanda por estes produtos (aumento de impressionante 3.233% nas compras). Em alguns casos, mesmo com a forte alta dos preços, está havendo desabastecimento.

Isso é totalmente normal quando um produto cuja oferta sempre foi historicamente estável repentinamente vivencia um surto de demanda. Não há como a oferta instantaneamente se adaptar a uma súbita explosão da demanda. Aumentar a produção de algo é um processo complexo, que leva tempo, e que exige investimentos.

A imprensa diariamente se delicia com notícias como as que vão abaixo:

Preço de álcool em gel e máscaras subiu até 161%; governo deveria tabelar?

Procon alerta para abusos nos preços de álcool gel e máscaras

Álcool gel acaba e preço de máscaras explode em São Carlos

Procon fiscaliza reajustes abusivos na venda de álcool gel e máscara

Farmácias do Rio não conseguem repor estoques e consumidores reclamam de preços abusivos do álcool gel

Blitz constata falta de álcool em gel e máscaras em estabelecimentos de Manaus; órgãos monitoram preços

Preço do álcool em gel chega a até R$ 38 em farmácias de Salvador

Em Curitiba, as poucas farmácias que têm álcool gel e máscaras começam a racionar

Após coronavírus, comércio de SP registra falta de máscaras e álcool gel

Demanda por álcool em gel gera diferença de preços de até 356%

Depois que a carne caiu, a notícia sumiu

Em dezembro de 2019, houve uma grande comoção nacional por causa do forte aumento do preço da carne bovina (por causa de uma inesperada alta das exportações para a China). Os suspeitos de sempre fizeram a única coisa que dominam: pediram congelamento dos preços.

As notícias do forte aumento eram estampadas em destaque nos principais veículos de imprensa, com indisfarçável regozijo. Dava-se a ideia de que, se não houvesse algum tabelamento, os preços jamais voltariam ao normal, e iriam se manter em irrefreável disparada.

Este Instituto se manifestou vigorosamente contra o congelamento, tanto em termos morais quanto econômicos. Trata-se de uma questão de economia básica: se os preços se mantiverem livres, com o passar do tempo, oferta e demanda voltarão a se equilibrar.

Pois bem, o que ocorreu?

Já no mês seguinte, janeiro de 2020, o preço da carne caiu 10%. Em fevereiro, caiu mais 4%. No início de março agora, a queda já é de 1%. No acumulado de três meses, a queda já chega a 15%.

Obviamente, tal fenômeno desapareceu da mídia. Aparentemente, a carne só é notícia quando o preço sobe. Quando cai, some.

Já quem entende o básico de economia não se surpreendeu em nada.

A função dos preços

Os preços nada mais são do que mecanismos por meio dos quais compradores se comunicam com vendedores e vice-versa.

Um preço é apenas uma razão (no sentido matemático do termo, isto é, o resultado de uma divisão) resultante da interação de duas mercadorias; é o quociente resultante da interação entre a oferta de uma mercadoria e a demanda por ela.

Preços surgem quando duas mercadorias são trocadas por dois indivíduos em uma transação concreta.

Entretanto, os “preços” que vemos nas lojas para cada bem disponível não são preços, mas sim propostas — e se tornarão preços somente se o bem for comprado.

Se o “preço” de um saco de batatas está colocado a $500, mas ninguém compra, então é errado dizer que o preço dele é de $500. O supermercado tentou vender a $500, mas tal valor foi recusado.

Empreendedores, sendo humanos, podem cometer erros. Um empreendedor pode oferecer um bem por um “preço” (proposta) alto demais e então descobrir que ele não conseguiu vender unidades suficientes para fazer o investimento valer, sendo então forçado a diminuir o preço para aumentar as vendas.

Isso não significa que o preço inicial estava errado e que o novo preço está certo: significa apenas que o empreendedor está reagindo à nova informação adquirida após sua primeira tentativa. Se mais informações chegarem, o preço será novamente ajustado, para cima ou para baixo.

Essa, aliás, é a essência do processo empreendedorial: reagir às mudanças que ocorrem no mercado, tentando sempre se adaptar às novas preferências demonstradas ou antecipadas pelos consumidores.

Por tudo isso, podemos dizer que, grosso modo, em economia, o preço é um conceito que pode ser traduzido como o “termômetro da escassez”: é o mecanismo que transmite aos agentes do mercado, tanto do lado da oferta quanto da demanda, informações sobre o nível de escassez de determinada mercadoria ou serviço.

Em um mercado sem intervenções, tabelamentos, estabelecimentos de pisos ou tetos, a variação do preço de um produto informa as condições de oferta e demanda do mesmo.

É por isso que os preços possuem um papel fundamental em uma economia de mercado.

O sistema de preços, quando deixado a funcionar livremente, é um engenhoso método de comunicação e coordenação. Os preços livremente formados nos informam não apenas sobre a abundância ou escassez de cada bem ou serviço específico, como também coordenam como cada bem e serviço será usado em um dado processo de produção.

Para os consumidores, um aumento nos preços de um produto sugere que este se tornou mais escasso. Consequentemente, os consumidores irão reduzir o consumo deste produto em decorrência deste aumento do preço e procurar por substitutos mais baratos.

Para os produtores, os preços maiores deste produto informam que pode haver maiores oportunidades de lucro para entrar neste mercado específico. Estes novos concorrentes irão ou produzir mais deste produto, aumentando sua oferta, ou produzir bens alternativos para concorrer com o produto em questão.

Este é o processo de descoberta que define a essência do mercado. E é este processo, quando deixado a ocorrer livremente, que garante que os preços estejam sempre em níveis que tendam a equilibrar oferta e demanda.

Por isso, assim como quebrar o termômetro não resolverá a febre, impedir que um determinado preço flutue livremente só provocará excedentes ou escassez.

Os preços das máscaras e do álcool em gel estão explicitando sua súbita escassez

Em uma economia de mercado, quando ocorre uma súbita explosão na demanda por um bem — como álcool em gel (aumento de 3.233% nas compras), luvas ou máscaras da categoria N95 —, ele se torna mais escasso. A sua oferta, até então estável em relação à demanda, passa a ser muito menor que a nova demanda.

No entanto, o efeito que isso gera não é um racionamento do produto, mas sim um aumento em seu preço.

O aumento no preço serve, de um lado, para reduzir a quantidade que os consumidores compram deste bem até um nível que esteja dentro do limite da oferta presentemente disponível (em vez de comprar estoques para mais de um ano, a pessoa irá comprar apenas o suficiente para um mês); e, de outro, para estimular os produtores a aumentarem a produção daquele item, pois agora há mais ganhos a serem obtidos (a demanda aumentou).

E é exatamente isso o que já está acontecendo: as fabricantes aumentaram sua produção, adotaram terceiro turno e contrataram mais mão-de-obra. Em alguns casos, a produção chegou a aumentar 1.300%, como mostra a notícia.

Nada disso ocorreria caso houvesse congelamento de preços. Se os preços fossem congelados, não haveria aumento da oferta (pois não seria lucrativo), não haveria mais investimentos (pois não seria lucrativo) e não haveria mais empregos gerados (pois não seria lucrativo).

Não seria lucrativo aumentar investimentos, adotar terceiro turno e contratar mão-de-obra porque tudo isso são custos. E as fábricas não iriam incorrer neste aumento de custos se suas receitas estivessem congeladas, com os preços tabelados em um nível muito abaixo daquele que equilibra a oferta com a nova demanda.

No final, não haveria aumento na produção, a demanda continuaria em forte ascensão, e aí haveria o inevitável: desabastecimento. E aí todos ficariam sem nada.

Com os preços maiores, os fabricantes viram que há mais lucros a serem alcançados. Mas estes lucros maiores só serão alcançados se houver maior produção e maior oferta. Lucros são alcançados no volume de vendas, e não apenas com o aumento dos preços.

Esta é a beleza e função precípua do sistema de preços: coordenar uma alocação racional de recursos escassos de modo a satisfazer as demandas dos consumidores. Ao fazer isso, os investimentos aumentam, os empregos aumentam, a oferta do produto aumenta e todos ficam em melhor situação — afinal, é melhor pagar mais caro, porém ter acesso a todos os produtos do que ter preços congelados e não ter acesso a nada.

Por isso, estava errada a deputada Jandira Feghali quando fez a seguinte ironia em seu Twitter:

Jandira.png

Sim, deputada. O capitalismo, ao fazer com que produtores voluntariamente aumentem a oferta de um produto, garantindo assim acesso a todos, é um arranjo extremamente solidário. E a senhora? O que já fez para efetivamente combater o novo coronavírus?

Para concluir

Sim, os mais pobres sofrerão com os preços temporariamente mais altos, mas ao menos eles terão acesso a estes bens. É melhor pagar caro, mas conseguir o que se quer, do que ter um preço congelado em um valor baixo, mas não ter o que comprar. Em época de quarentena, é natural e inevitável que o padrão de vida caia. Todos nós gostaríamos de ter acesso farto e barato a bens essenciais, mas, infelizmente, vivemos em um mundo de escassez.

Sendo assim, além de tudo o que foi dito, outra maravilha do sistema de preços livres é que ele estimula a racionalidade e a preservação, desincentivando os desperdícios.

Um aumento de preços decorrente de uma explosão na demanda garante que os consumidores passem a se comportar com mais eficiência. O aumento nos preços das máscaras mostra ao consumidor que ele não deve comprar todos os suprimentos da loja “apenas para se garantir”, pois há outras pessoas que também estão necessitadas daquele bem.

O aumento nos preços do álcool em gel estimulará as pessoas a utilizaram o produto de maneira mais racional: em vez de derramarem despreocupadamente mais de 100 ml nas mãos a cada uso (sendo que este volume a mais não traz mais benefícios), elas usarão apenas o suficiente para se higienizar e matar os eventuais vírus.

Assim, os preços garantem que haverá produto para todas as pessoas, de todas as classes sociais. Apenas dê tempo. As fábricas já estão produzindo (como demonstrado acima). Basta o governo não interferir.

A grande genialidade do sistema de preços é que todo esse “gerenciamento de recursos” ocorre automaticamente. Nenhum burocrata precisa de criar um plano mirabolante, nenhum político trapalhão precisa decretar alguma coisa, e nenhuma intervenção é necessária. Tudo se resolve.

Ademais, quero crer que Jandira Feghali e toda a esquerda não querem Jair Bolsonaro gerenciando a oferta de álcool em gel e de máscaras no país.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: O NÚMERO DE DESEMPREGADOS MA ALEMANHA PODE CHEGA A 3 MILHÕES SE CRISE FOR FORTE

 

Na Alemanha teme-se que o número de desempregado possa ultrapassar os 3 milhões caso essa pandemia demore mais do que o esperado!

Número de desempregados na Alemanha pode chegar a 3 milhões

Davy Albuquerque

Publicado em 

Número de desempregados na Alemanha pode chegar a 3 milhões 16

De acordo com a pesquisa, o instituto acredita que a produção econômica do país recue 2% em 2020 como resultado da pandemia. As previsões são baseadas no pressuposto de que partes da economia serão efetivamente fechadas por seis semanas e que o retorno ao normal levará o mesmo tempo.

Colunista político e editor-chefe do Conexão Política; Fundador do Movimento Brasil Conservador. Brasileiro com orgulho, cristão por convicção, política por vocação.

Com informações, Agência de notícias britânica.

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ECONOMIA: COMO EVITAR UM COLAPSO NA ECONOMIA MUNDIAL

Na nossa coluna ECONOMIA desta segunda-feira temos um artigo altamente esclarecedor do que está acontecendo com a economia mundial por causa da pandemia do coronavírus, através de um duplo choque, oferta e demanda, que é raríssimo de acontecer e dá sugestões para solucionar o grave problema. Leia artigo completo a seguir e tire suas conclusões!

Coronavírus: um caso raro de choque de oferta e de demanda – e suas possíveis consequências nefastas

E o que deveria ser feito

Em termos puramente econômicos — ênfase em ‘econômicos’ —, a atual epidemia do Covid-19 (que está prestes a virar pandemia) apresenta um estimulante debate intelectual: no curto prazo, teria este cisne negro um efeito inflacionário ou deflacionário sobre os preços da economia global?

E no longo prazo, quais as suas reais consequências?

Rápida cronologia

Como o leitor certamente já está ciente, a difusão do novo coronavírus está causando sérios estragos econômicos.

Ainda em fevereiro, a China entrou em quarentena. Quase 70 milhões de chineses foram literalmente mantidos presos dentro de casa pelo governo. A pena para quem desrespeitasse o aquartelamento era a cadeia. Empresas foram fechadas e linhas de montagem foram paralisadas. Restaurantes não abriram. Ninguém saía às ruas, que ficaram desertas. Nos poucos supermercados abertos, passou a haver racionamento e rigor na entrada de clientes. A atividade do setor privado (PMI – Índice dos Gerentes de Compras), sem nenhuma surpresa, desabou para as mínimas históricas. As principais companhias aéreas do mundo suspenderam seus voos para a China.

E então, apesar de todos os esforços, o vírus começou a se espalhar pelo mundo. Chegou à Coreia do Sul e causou estragos semelhantes. A Samsung e a LG fecharam várias fábricas. Depois chegou ao Japão. Escolas estão fechadas. Está havendo racionamento nos supermercados e, recentemente, uma escassez de papel higiênico.

Na Austrália, que também está sendo afetada, observa-se fenômeno idêntico. Um jornal local até passou a imprimir oito páginas extras para serem utilizadas como “papel higiênico de emergência”

Agora, o vírus se vai se espalhando rapidamente pela Europa. Ainda ontem, o governo da Itália, que se tornou o segundo país mais afetado pela epidemia (já são 631 mortos), simplesmente decretou o isolamento do país. Reuniões públicas estão banidas e qualquer movimentação pelo país está proibida, com exceção daquela estritamente necessária para atendimentos médicos e emergências. A polícia foi instruída a impingir rigorosamente as proibições.

Nos EUA, a epidemia ainda é incipiente, mas já demonstra rápido avanço. Já são mais de mil casos e 31 mortos. E, é claro, a venda de papel higiênico passou a ser racionada pelos supermercados (também no Canadá), em decorrência da súbita e inesperada demanda.

Ao redor do mundo, eis a situação: viagens a turismo e a negócio entraram em colapso (o que está afetando severamente a solvência das companhias aéreas), conferências e eventos esportivos estão sendo cancelados, e, principalmente, toda a cadeia global de produção foi severamente atingida, com várias fábricas e empresas fechadas.

Assim, a oferta global de produtos está afetada, pois as cadeias de suprimento, que possibilitam a produção desses bens, estão paralisadas.

Portanto, temos um impacto sobre a oferta (cadeias interrompidas, fábricas paradas, férias coletivas) e sobre a demanda (restrições de circulação, fechamento de escolas, interrupção de eventos de massa, viagens canceladas, lojas vazias, comércio sem clientes).

Ambos estes choques de oferta e demanda — bem como a expectativa de que há muito mas por vir — geraram pânico nos mercados financeiros. Nas últimas semanas, as bolsas de valores desabaram (pois espera-se menos crescimento econômico global e menores lucros para as empresas), o preço do barril de petróleo afundou (tanto pelo colapso da demanda quanto pela falta de um acordo entre a Rússia e a OPEP) e o indicador de volatilidade, também conhecido como Índice do Medo, alcançou as máximas vistas apenas em 2008, no auge da crise financeira mundial.

Como é de se esperar nestas situações, todos os investidores em busca de proteção e segurança se refugiam nos títulos públicos americanos, que são tidos como os mais seguros do mundo (e, ao contrário de vários europeus, ainda pagam juros nominais positivos). Esse aumento pela procura reduz os juros pagos por esses títulos (entenda aqui o mecanismo) e, como consequência, os títulos de 30 anos do governo americano estão pagando hoje a menor taxa de juros de sua história: 1,17%.

Para se ter uma ideia da magnitude da queda, no início de 2020 (meros dois meses atrás), esses mesmos títulos pagavam juros de 2,35%. Uma queda desta profundidade e rapidez mostra como os investidores experientes (o chamado smart money) estão receosos quanto aos impactos econômicos do coronavírus.

Os dois choques se iniciaram na Ásia

A Ásia foi, e ainda é, o epicentro do surto do coronavírus. E lá também continua sendo epicentro dos problemas das cadeias de suprimento global.

O efeito é duplo:

1) De um lado, todas as empresas ao redor do mundo importam produtos montados na China, no Japão e na Coreia do Sul; e dado que as fábricas destes países estão paralisadas, então tem-se uma disrupção momentânea das cadeias globais de suprimento. As outras empresas do mundo não conseguem receber suas encomendas fabricadas nos países asiáticos.

2) De outro, dado que esses países asiáticos são grandes importadores de commodities do resto do mundo (e utilizam essas commodities exatamente para fabricar os produtos que exportam para o mundo), e dado que suas fábricas estão fechadas, então temos um forte impacto sobre os preços das commodities.

E esse impacto sobre os preços das commodities já é explícito. Abaixo, o gráfico da evolução do Índice CRB, que é o principal índice de commodities do mundo. O índice engloba as 19 commodities mais transacionadas mundialmente: alumínio, cacau, café, cobre, milho, algodão, petróleo bruto, ouro, óleo para aquecimento, suínos, boi gordo, gás natural, níquel, suco de laranja, prata, soja, açúcar, gasolina e trigo. Em termos práticos, você pode interpretar o gráfico como sendo o preço em dólares de uma cesta contendo todas essas commodities.

Indice CRB.png

Índice CRB – evolução dos preços das commodities, em dólar

Observe que os preços das commodities desabaram, e voltaram ao mesmo nível de 2002. Tal efeito é fortemente deflacionário sobre os preços de bens e serviços, pois tudo, em última instância, depende de commodities.

Resta saber agora qual será o efeito sobre os preços da interrupção da cadeia de suprimentos globais. Tal fenômeno, por reduzir a oferta, tende a gerar uma pressão altista nos preços. Mas, por ora, isso ainda não foi observado.

Logo, a realidade é que, por enquanto, já estamos sentindo os efeitos de um choque de demanda — que já é perceptível na forte redução dos preços das commodities — e estamos vivenciando um ainda incipiente choque de oferta, que tende a se refletir na queda da produção de vários bens, como automóveis e eletroeletrônicos. No Brasil, esse choque de oferta já chegou: por falta de peças importadas da China, algumas fábricas estão dando férias coletivas.

Mas tudo tende a piorar.

Efeitos econômicos no resto do mundo

A grande encrenca deste duplo choque é que ambos tendem a se retroalimentar e a se espalhar pelo mundo, intensificando a disrupção. Se o Covid-19 mantiver sua progressão, os choques de oferta e demanda, até então restritos à Ásia, ocorrerão em todos os continentes. Na Europa, o fenômeno já começou.

Para facilitar o raciocínio, eis um resumo cronológico de toda a situação (o que já aconteceu e o que ainda pode vir a acontecer):

a) China, Coréia do Sul e Japão, por causa do Covid-19, sofrem um choque de oferta, o qual reduz profundamente a produção destes países. Sem produção, a renda cai.

b) Com a renda em queda, a população asiática reduz as importações do resto do mundo (commodities da América Latina e bens de consumo da Europa e dos EUA). Isso representa um choque de demanda para estes outros países.

c) Como consequência dessa menor demanda asiática, toda a produção destes países europeus e americanos voltada para a exportação tende a se reduzir. Assim, as pessoas dessas áreas passam agora a também ter uma renda menor.

d) Logo, tem-se menor produção e menor renda ao redor do mundo.

Mas ainda não acabou. O choque de oferta se alastra pelo mundo.

e) Dado que vários dos bens e serviços fabricados pelas empresas europeias e americanas contêm produtos intermediários fabricados na China, no Japão e na Coreia (cadeias globais de produção), a interrupção da atividade na Ásia afeta a produção na Europa e no continente americano. Tem-se um choque mundial de oferta.

f)  No entanto, na União Europeia a situação é mais grave. Conforma a epidemia vai se alastrando pela Europa (e na Itália com mais intensidade), a própria atividade econômica no continente europeu vai sendo suspendida, de modo que o choque de oferta acaba sendo intensificado nos países europeus. Sem estarem produzindo, não há renda. Sem renda, não há como os europeus demandarem produtos do resto do mundo.

Ou seja, tanto Ásia quanto Europa vivenciam os dois choques: demanda e oferta.

g) Por último, resta o continente americano. Por ora, nós estamos vivenciando apenas um incipiente choque de oferta, e um muito pontual choque na demanda (que é sentida nos setores voltados para a exportação). Ainda assim, é notável que os portos de Los Angeles e Long Beach estejam vivenciando uma queda de 2 milhões de contêineres em relação ao mesmo período do ano passado.

A questão é quais serão os desdobramentos em termos de preços. O que irá prevalecer: a restrição da oferta (aumento de preços) ou a queda da demanda (redução de preços)?

O que é fato é que um choque negativo na cadeia da oferta gera um choque negativo na demanda: as empresas, por não estarem mais nem produzindo e nem vendendo, tendem a se tornar insolventes, tornando-se incapazes de honrar suas dívidas ou mesmo de conseguir refinanciamento. Dependendo da situação, isso tende a gerar calotes em massa, o que pode colocar em risco todo o sistema bancário e financeiro.

Por tudo o que foi dito, e respondendo à pergunta inicial do artigo, o coronavírus tende a ter um efeito mais deflacionário sobre as economias — a menos, é claro, que os governos enlouqueçam e adotem as políticas erradas listadas a seguir.

Soluções

Em um contexto de choque de oferta, uma política fiscal expansionista — isto é, aumentar os gastos do governo — não faria sentido: se as pessoas estão proibidas de trabalhar pelos seus respectivas governos (Ásia e Itália) ou se elas não estão trabalhando porque seus fornecedores não estão produzindo (interrupção da cadeia de oferta global), então, por consequência lógica, fomentar um maior gasto estatal não terá como fazer a economia crescer. O único efeito será o de aumentar os preços.

Neste cenário de choque de oferta, o problema óbvio não é a escassez de gastos, mas sim a ausência de atividade econômica.

É difícil as pessoas aceitarem isso, mas quando se tem um choque de oferta ocasionado pelo surto de um vírus que afeta diretamente as bases produtivas das economias, não há como a oferta ser ressuscitada por meio de políticas fiscais e monetárias. É um tanto óbvio, mas vale a pena enfatizar: colocar o governo para imprimir dinheiro, ou para se endividar e gastar um dinheiro que não tem, não terá o poder de magicamente criar novos bens de capital, de ressuscitar linhas de produção e de religar máquinas. (Uma automação intensa até teria esse poder, mas não meros gastos do governo.)

Já um choque de demanda, em tese, até pode ser contrabalançado por um política fiscal baseada estritamente na redução de impostos. Mas isso funcionaria apenas no curto prazo. No longo prazo, sem um aumento na produção (e este é o caso, pois estamos vivendo um duplo choque), não haverá renda crescente para sustentar essa maior demanda.

Igualmente, se muitas empresas se tornarem insolventes por não estarem produzindo, e consequentemente vivenciarem problemas financeiros, então é verdade que uma política monetária mais expansionista poderia facilitar seus refinanciamentos até o momento em que a situação se normalizasse. No entanto, neste caso, também a margem seria estreita e com contrapartidas negativas (maior inflação de preços em decorrência de haver mais dinheiro na economia). E, como já explicado, políticas monetárias não têm como abolir problemas cujas origens estão em um choque de oferta (de novo: estamos vivenciando um duplo choque).

Sendo assim, eis o que realmente pode, e deve, ser feito: permitir que empresas em dificuldades adiem o pagamento de tributos; reduzir todos os fardos regulatórios e burocráticos que oneram a produção (qualquer oxigênio é bem-vindo); permitir a total e irrestrita cooperação entre organização científicas e de saúde; facilitar cadeias de oferta alternativas por meio da abolição de todas as tarifas de importação e barreiras não-tarifárias; facilitar o financiamento a pequenas e médias empresas (por exemplo, zerando o imposto de renda e o imposto sobre ganhos de capital dos fundos de investimento, de private equity ou de venture capital que investirem nelas).

Choques de oferta devem ser resolvidos com políticas do lado da oferta. Uma vez estabilizada a oferta, a renda é criada, e aí a demanda vem naturalmente.

Colocar o governo para imprimir dinheiro, ou para se endividar e gastar dinheiro que não tem apenas para sustentar elefantes brancos e com isso turbinar os números do PIB não é apenas uma solução insensata; é também a receita para um colapso econômico ainda maior no futuro.

Para concluir

Além de evitar adotar as más políticas elencadas acima (que irão intensificar os efeitos do choque de oferta), e de torcer para que sejam adotadas apenas as boas (que irão amenizá-los), resta apenas torcer para a descoberta da vacina. Desonerações e retiradas de obstáculos governamentais sobre a indústria farmacêutica ajudariam bastante, mas isso se tornou anátema.

O que é definitivo é que, infelizmente, os danos econômicos causados por um surto viral aparentemente fora de controle não podem ser abolidos totalmente por meio de truques fiscais e monetários. Quem dera fosse tão simples assim.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: O CÁLCULO CORRETO DO PIB BRASILEIRO MOSTRA UM PIB MAIS ROBUSTO

A forma correta de cacular o PIB brasileiro é o destaque desta segunda-feira na nossa coluna ECONOMIA. Ao separar PIB privado do PIB estatal é fácil observar que a economia brasileira está crescendo mais do que o PIB anunciado pelo IBGE. Leia o artigo esclarecedor a seguir e entenda qual a real situação da nossa economia!

A economia brasileira está crescendo mais do que o PIB reportado

Eis a importância de se separar o PIB privado do PIB estatal

 

De acordo com os dados divulgados hoje pelo IBGE, a economia brasileira cresceu 1,14% em 2019.

Houve duas notícias boas, que foram amplamente divulgadas:

1) No quarto trimestre de 2019, a economia cresceu 1,67% em relação ao quarto trimestre de 2018.

2) O segundo semestre de 2019 foi o melhor, em termos de crescimento econômico, desde 2013. Em termos anualizados, o crescimento do segundo semestre foi de 2,3%.

No entanto, há algo ainda mais positivo que não tem sido ressaltado pela mídia: a atividade econômica não só está crescendo com mais vigor do que o divulgado, como também está crescendo com mais qualidade.

O que compõe o PIB

Para entender como o Brasil está crescendo mais do que sugere o PIB, é preciso entender como o Produto Interno Bruto é construído e quais são seus componentes internos.

Este Instituto possui vários artigos detalhando os principais problemas com a metodologia do PIB, e estamos vivenciando hoje aquele que talvez seja o seu mais grave: ele considera que o gasto estatal é igual (tem a mesma qualidade e o mesmo efeito benéfico) ao gasto privado.

A maneira tradicional de se calcular o PIB de um país é por meio da seguinte (e extremamente simples) equação:

PIB = C + I + G + X – M

C representa os gastos do setor privado, I representa o total de investimentos realizados na economia, G representa os gastos do governo, X é o total de exportações e M, o de importações.

Observe que os gastos governamentais entram somando (ou seja, são considerados criadores de riqueza) na equação, sendo, portanto, considerados uma atividade econômica criadora de riqueza.

Igualmente, o ‘I’ considera que os investimentos privados, feitos por empreendedores em busca do lucro (o que só ocorre se souberem atender a demanda de consumidores), têm a mesma qualidade que o investimento estatal, feito por políticos que visam a eleições e por burocratas que querem atender a algum grupo de interesse (pense nos estádios da Copa, no Comperj, na Refinaria Abreu e Lima, na Sete Brasil etc.).

Presumir, como faz a equação do PIB, que todo gasto e todo investimento, público ou privado, são produtivos significa incorrer em profundos erros econômicos.

A diferença crucial entre o gasto estatal e o privado está na origem dos recursos e nos critérios que são utilizados para estes gastos. O setor privado, quando opera fora da alçada estatal, arrisca os seus próprios recursos (mesmo quando pega empréstimos, pois tem de apresentar garantias que, se não forem honrados, resultam em arresto de bens). Já o setor público simplesmente utiliza dinheiro de impostos, sem qualquer preocupação com  custos, lucros, racionalidade e retorno.

No entanto a estatística do PIB é cega para a diferença da origem dos recursos.

A diferença entre PIB privado e PIB governamental

Exemplo: ao contabilizar o gasto privado como sendo igual ao gasto estatal, o PIB assume que,  quando João compra R$ 100 em comida para sua família”, isso tem o mesmo efeito que quando João paga R$ 100 em impostos, os quais são gastos para comprar lagostas para juízes do STF.

Nos dois casos, o PIB considera que a economia “girou”, e irá registrar que o Brasil está crescendo. No entanto, o primeiro caso é um gasto voluntário, que visa a uma satisfação pessoal, que decorre da livre associação de indivíduos e no qual o agente utiliza recursos próprios. Já o segundo, além de ser involuntário, é apenas uma exemplo prático de confisco seguido de parasitagem.

Se esses dois gastos houvessem ocorrido, o PIB os somaria, contando R$ 200 como parte do PIB brasileiro. Ou seja, o Brasil estaria crescendo firmemente! Mas se o segundo gasto não houvesse ocorrido, e João tivesse comprado R$ 100 em alimentos e economizado os R$ 100 que deixou de pagar em impostos, o PIB teria crescido “apenas” mais R$ 100. Ou seja, o PIB seria “decepcionante”.

Olhando a frieza dos números, parece que o segundo cenário é bem pior do que o primeiro. No entanto, agora que entendemos a diferença, podemos ver que essa situação não só é preferível, mas ética.

Mas, mesmo em termos puramente econômicos, os recursos tributados e subsequentemente gastos pelo governo são um fardo para a economia. Dado que o governo só pode gastar aquilo que ele antes confiscou do setor produtivo, temos que quando o governo federal gasta, isso significa que deputados, senadores, ministros, reguladores, secretários, comissionados e todos os tipos de burocratas estão desempenhando um papel substantivo na alocação de trilhões de uma riqueza que foi previamente criada pelo setor privado e subtraída deste.

Os gastos do governo não têm como criar riqueza pelo simples motivo de que algo que só é possível em decorrência da apropriação de riqueza alheia não pode, por definição, criar riqueza nenhuma.

Por outro lado, quando menos desta riqueza vai para o governo, isso significa que empreendedores, investidores e consumidores possuem mais recursos em mãos para produzirem e, consequentemente, multiplicar a riqueza à disposição de todos.

No exemplo acima, se João houvesse gasto R$ 100 com alimentos, e o gasto em lagostas para o STF houvesse sido cortado em R$ 100, com uma redução de impostos na mesma quantia, e João agora economizasse esse dinheiro em vez de gastá-lo, o PIB nos diria que nada mudou na economia. Cem para um lado, cem para outro, resultado zero. Porém, agora é fácil perceber que essa terceira situação é ainda melhor do que a segunda: o gasto estatal encolheu, a poupança privada aumentou, e o nível de confisco e parasitagem na economia foi reduzido.

Portanto, é preciso decompor o PIB em no mínimo dois componentes: o privado e o estatal.

O Brasil está crescendo mais do que o PIB mostra

Os dois gráficos a seguir utilizam os próprios dados do PIB. (Eles vão até terceiro trimestre de 2019; ainda não há uma atualização para os resultados divulgados hoje).

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Figura 1: decomposição feita pelo Ministério da Economia entre PIB privado e governamental (trimestre sobre mesmo trimestre do ano anterior)

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Figura 2: decomposição feita pelo Ministério da Economia entre PIB privado e governamental (variação acumulada em 12 meses)

Observe que, a partir de março de 2017, o PIB privado passa a crescer mais que o PIB estatal. No terceiro trimestre de 2019, o PIB privado cresceu 2,72% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior enquanto o PIB estatal encolheu 2,25%.

Isso é uma diferença brutal.

Porém, olhando-se o PIB como um todo, houve um crescimento de 1,19% no período. Esse número mascara a realidade. O número a ser celebrado é de 2,72%, com uma menção honrosa à redução de 2,25% nos gastos do estado.

O mesmo raciocínio se aplica ao gráfico 2, que mostra os mesmo indicadores, mas com outro intervalo de tempo.

Em um jargão econômico, temos o chamado crowding-in: o encolhimento do PIB público ajuda no processo de crescimento do PIB privado, pois se está reduzindo a quantidade de recursos controlados pelo estado. Como dito acima, deputados, senadores, ministros, reguladores, secretários, comissionados e todos os tipos de burocratas passaram a ter um papel menor na alocação de trilhões de uma riqueza que foi previamente criada pelo setor privado e subtraída deste.

Com o estado gastando (improdutivamente) menos, sobra mais espaço para o setor privado atuar.

Eis os números fechados para todos os anos desde 2013:

PIBprivado.png

Figura 3: decomposição dos PIBs anuais em público e privado

Note que, em 2019, o PIB privado cresceu 1,81%, sendo que o investimento privado (FBCF) foi de 4,48%. Já o PIB estatal encolheu 1,11% e o investimento público também encolheu 5,18%.

Outra boa notícia: a quantidade de funcionários públicos, estatutários federais e regidos pela CLT, diminuiu mais de 31 mil em 2019, mantendo a tendência iniciada em 2015.

Vale observar, porém, que o governo brasileiro ainda apresenta um profundo déficit em suas contas. Embora tenha sido o menor déficit desde 2014, o país registrou um rombo de 95 bilhões de reais em 2019, ou cerca de R$ 452 por brasileiro. Além disso, o resultado foi obtido sobretudo em virtude de aumento de receitas extraordinárias.

E esse é apenas o déficit primário, que não inclui o pagamento de juros da dívida. O déficit total do Brasil em 2018, por exemplo, foi de R$ 120 bilhões no déficit primário e de R$ 342 bilhões em juros da dívida, totalizando um assombroso valor de R$ 462 bilhões, ou R$ 2.200 por brasileiro.

Foram implantadas medidas para o Brasil crescer mais, como a Lei da Liberdade Econômica, a reforma da previdência e outros avanços. Contudo, o ambiente de negócios brasileiro ainda é um dos piores do mundo. Nesse sentido, há algumas propostas interessantes tramitando no Congresso, como as PECs emergencial e do pacto federativo e a reforma tributária.

Dito isso, podemos ao menos ter a boa notícia de que a economia brasileira está se recuperando a passos um tanto mais largos do que os números do PIB mostram. O setor privado está retomando o crescimento, enquanto o estado reduz seu peso nas nossas vidas.

Uma discussão ética dos gastos públicos

Oppenheimer já apontava a diferença entre os “meios econômicos” e os “meios políticos” no seu livro “O estado”, de 1919. Murray Rothbard expandiu essa análise em seu livro “Governo e Mercado”.

O setor privado obtém recursos recorrendo a meios pacíficos: empreendedores têm de convencer investidores a financiar seus projetos, e depois têm de convencer os consumidores a voluntariamente abrirem mão de seu dinheiro para adquirir os bens e serviços fornecidos por esses empreendedores.

Um empreendedor apenas possui o dinheiro que ele foi capaz de convencer terceiros a lhe emprestar ou o dinheiro que obteve servindo aos seus clientes.

Já o estado obtém recursos por intermédio da tributação (isto é, do roubo). Outra alternativa é a “promessa de roubo futuro”: a emissão de títulos de dívida. O estado convence credores de que será capaz de roubar pessoas no futuro para pagá-lo, e obtém um crédito hoje.

Finalmente, o estado pode emitir moeda, como fazem a Venezuela e Argentina. Isso gera uma queda no poder aquisitivo da moeda e uma destruição das poupanças, enquanto os primeiros recebedores desse dinheiro enriquecem. A impressão de moeda, portanto, nada mais é do que um roubo disfarçado, um processo chamado Efeito Cantillon.

Tudo que o estado gasta é produto de crime. Um aumento nos seus gastos diretamente significa um aumento do crime atual ou futuro, uma situação indesejável e antiética.

Enquanto isso, o setor privado obtém recursos de maneira pacífica, conseguindo apenas aquilo que foi capaz de convencer terceiros a voluntariamente lhe conceder.

Consequentemente, um aumento dos gastos no setor privado necessariamente implica convencimento, comunicação e coordenação na sociedade, o que por definição significa que os indivíduos nela estão mais bem servidos.

Para concluir

Por tudo isso, somar gastos privados e públicos como se fossem equivalentes é um enorme erro. Quanto menor o gasto estatal e quanto maior o privado, melhor estará o Brasil, tanto econômica quanto eticamente.

Fonte: Mises Brasil

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ECONOMIA: UMA COMPROVAÇÃO EMPÍRICA E CIENTÍFICA DE COMO A REDUÇÃO NOS GASTO DO GOVERNO GERA CRESCIMENTO ECONÔMICO

Na nossa coluna ECONOMIA desta sexta-feira temos um artigo espetacular que mostra cientificamente e empiricamente como uma redução nos gastos do governo gera crescimento econômico, derrotando desta forma a teoria Keynesiana que diz que uma redução nos gastos do governo pode representar uma “auto-mutilação” para o governo federal e para a economia. Leia o artigo completo a seguir e entenda o brilhante raciocínio do economista Joseph Salerno.

Como uma redução nos gastos do governo gera crescimento econômico

Gastos do governo são uma depredação para a economia; quanto menores, maior será a riqueza privada

 

Vamos direto ao ponto: quando o governo reduz seus gastos, a equação do PIB apresenta um resultado menor.  Ou seja, matematicamente, corte de gastos gera uma queda no PIB.

Sim, da maneira como o PIB é calculado, uma redução nos gastos do governo gera uma redução na taxa de crescimento do PIB.

Por isso, economistas keynesianos dizem que uma redução nos gastos do governo pode representar uma “auto-mutilação” para o governo federal e para a economia.

Eles estão certos quanto à primeira parte.  De fato, seria uma auto-mutilação para o governo federal.  Mas, por outro lado, seria algo extremamente benéfico para a economia do setor privado.

Ao contrário do que dizem os keynesianos, a redução nos gastos do governo não retarda o crescimento da produção de bens que satisfazem as demandas dos consumidores.  Ao contrário até: pode acelerá-la.

Adicionalmente, a renda real e o padrão de vida de produtores e consumidores no setor privado irão aumentar como resultado direto do declínio nos gastos do governo.  A razão desse aparente paradoxo está no método convencional que é utilizado para calcular a produção real que ocorre na economia.

Eis um exemplo simples.

O problema com o cálculo do PIB

Imagine uma economia simples — por exemplo, uma ilha — cujo setor privado produz 1.000 maçãs por ano.

Agora suponha que o governo dessa ilha tribute os produtores em 200 maçãs por ano para sustentar sua burocracia e seu aparato de segurança nacional.

De acordo com as contas tradicionais da renda nacional, as quais possuem profundas raízes na teoria keynesiana, o PIB real dessa ilha será de 1.200 maçãs.

Ou seja, o cálculo considera todas as 1.000 maçãs produzidas (antes dos impostos) e que são parte consumidas (C )pelos produtores, parte investidas (I) por eles na plantação de novas macieiras, e parte pagas como impostos, mais as 200 maçãs gastas pelo governo (G) para sustentar sua burocracia que está ocupada em fornecer o “bem público” da segurança nacional.  Supõe-se que a balança comercial — exportações (X) menos importações (M) — esteja em equilíbrio (ou então seja nula):

PIB = C + I + G + X – M

C + I = 1.000

G = 200

X – M = 0

PIB = 1.200

Em outras palavras, o PIB real[1] da ilha inclui as 1.000 maçãs voluntariamente produzidas (e que serão consumidas, investidas e pagas como impostos) pelo setor privado mais o “valor em maçãs” da segurança nacional, cujo valor é mensurado pelo seu custo de produção.  Ou seja, as 200 maçãs arrecadadas por meio de impostos compulsórios são integralmente gastas nos sustento da burocracia.

Agora, suponhamos que, já no próximo ano, o governo decida reduzir pela metade seus gastos com segurança nacional, pois concluiu que não há necessidade de manter aparato tão grande em um lugar tão desinteressante.  Suponhamos também que o corte de gastos seja integralmente acompanhado de um corte de impostos.  Agora, portanto, os impostos serão de 100 maçãs e, consequentemente, os gastos serão também de 100 maçãs.

Tudo o mais constante, o PIB real cairá de 1.200 para 1.100 maçãs, uma vez que os “serviços” da segurança nacional agora contribuem com apenas 100 maçãs para o PIB.

PIB = C + I + G + X – M

C + I = 1.000

G = 100

X – M = 0

PIB = 1.100

Mas eis a primeira complicação.

As 1.000 maçãs foram voluntariamente produzidas pelo setor privado.  Consequentemente, a produção das 1.000 maçãs é uma ação que comprovadamente vale mais do que os recursos (tempo e esforço) utilizados em sua produção.  Caso as maçãs não valessem mais do que seus custos de produção, não seriam produzidas.

Em profundo contraste a isso, não há absolutamente nenhuma evidência de que os consumidores e produtores privados consideravam que os serviços militares do governo valiam mais do que o custo de produzi-los.  Aliás, não há sequer evidências de que eles valorizavam qualquer tipo de oferta de serviço militar.

Não há como saber isso simplesmente porque os gastos militares do governo eram financiados pela coerciva extração de recursos do setor privado, cujos membros não tinham escolha.  Sendo assim, não há como eles expressarem sua real valoração deste “serviço”.

Não há como calcular o valor real dos serviços financiados por impostos

A mesma conclusão é válida para qualquer empreendimento financiado coercivamente pelo governo — como, por exemplo, a construção de um ambulatório nessa ilha.

Na ausência de transações e produção voluntárias, não há maneira efetiva de determinar o valor de bens e serviços.  Os investimentos e serviços governo podem até ter algum valor para os consumidores privados, mas não há nenhum método científico e objetivo de mensurar esse valor.  Com efeito, assumindo-se que o governo desperdiça pelo menos 50% dos recursos que ele gasta, o benefício líquido para os consumidores privados seria zero.

Utilizando agora o “Produto Privado Bruto”

Portanto, por essas e outras razões, uma contabilidade da renda nacional que seguisse os princípios da Escola Austríaca de Economia excluiria os gastos do governo do cálculo da produção total da economia.

Sendo assim, nessa ilha, o produto real — ou aquilo que os austríacos chamam de “Produto Privado Bruto” ou “PPB”[2] — seria apenas as 1.000 maçãs produzidas pelo setor privado.  Os gastos governamentais de 200 maçãs para a oferta de serviços militares (ou construção de ambulatório) são excluídos do cálculo.

Mas isso ainda está incompleto.  As 1.000 maçãs do PPB ainda superestimam os recursos que realmente estão à disposição do setor privado, pois, dessas 1.000 maçãs, 200 maçãs foram forçosamente confiscadas pelo governo e, assim, impedidas de serem utilizadas de maneira mais proveitosa pelo setor privado, o qual poderia utilizá-las em novos investimentos ou simplesmente consumi-las.  Essas 200 maçãs foram desviadas para financiar atividades estatais que, do ponto de vista dos produtores originais desses recursos (maçãs), podem ser vistas como um desperdício.

Nesse sentido, as 200 maçãs pagas como impostos podem ser vistas como uma “depredação”, uma “espoliação” da economia privada, e isso ainda não é mensurado pelo PPB.

Sendo assim, se incluirmos essa depredação, chegaremos àquilo que os austríacos chamam de “produto privado remanescente em mãos privadas”, ou PPR.  O PPR é igual ao PPB menos a depredação total (ou seja, os gastos do governo).[3]

Em nossa ilha hipotética, o PPR será de 800 maçãs (PPR = 1.000 maçãs – 200 maçãs).  Sendo assim, os gastos do governo não deveriam ser adicionados à produção privada mas sim subtraídos dela para que se tenha uma sensação do padrão de vida dos cidadãos privados que exercem atividades econômicas produtivas.

Portanto, temos que:

PIB = 1.200 (número divulgado pelo governo)

PPB = 1.000 (produção efetiva do setor privado)

PPR = 800 (produção que realmente fica com o setor privado)

Na prática, PPR = PIB – 2G

Reduzir impostos e gastos aumenta o bem-estar

Baseando-se na análise acima, quando o governo da ilha reduz seus gastos militares em 100 maçãs, e supondo que não haja nenhuma outra mudança, ele realmente irá reduzir o PIB de 1.200 para 1.110 maçãs.

No entanto, de uma perspectiva austríaca, o produto real (em termos de bens produzidos e valorados pelos consumidores e produtores) permanece constante em PPB = 1.000 maçãs.  Mais ainda: o bem-estar econômico dos produtores será significativamente majorado porque a depredação sobre sua produção cai de 200 para 100 maçãs, fazendo com que o PPR suba de 800 para 900 maçãs!

O raciocínio é simples: dado que os gastos do governo equivalem na verdade a depredações econômicas, eles devem ser subtraídos do cálculo do PIB.  Ou seja: do valor anual do PIB divulgado, subtrai-se os gastos governamentais duas vezes.  A primeira, apenas para tirar essa variável da equação, obtendo-se assim o Produto Privado Bruto — PPB; a segunda, para levar em conta todos os recursos que o estado tungou do setor privado, obtendo-se assim o Produto Privado Remanescente, que representa a real criação de riqueza de uma economia.

PIB = 1.100 (número divulgado pelo governo)

PPB = 1.000 (produção efetiva do setor privado)

PPR = 900 (produção que realmente fica com o setor privado)

E ainda não acabou.  Desse corte de impostos de 100 maçãs, uma fatia provavelmente será investida na plantação de novas macieiras, o que irá aumentar o estoque de capital e, consequentemente, acelerar o crescimento econômico ao longo do tempo.

Mesmo no curto prazo, é bem possível que já ocorra um crescimento positivo do PPB devido aos “efeitos da oferta”.  Por exemplo, o corte marginal nos impostos aumenta o “custo de oportunidade” do lazer (ficar sem fazer nada de produtivo acaba representando uma oportunidade perdida), e isso estimulará os produtores a trabalhar mais horas.  A mão-de-obra do setor privado irá aumentar ao ser integrada por ex-militares desempregados.

Sendo assim, é possível que o PPB cresça de 1.000 para 1.075 maçãs (e, consequentemente, o PPR cresça de 800 para 975 maçãs).  Nesse cenário, o corte de gastos governamentais de 100 maçãs será parcialmente contrabalançado por um aumento de 75 maçãs na produção privada.  As estatísticas do PIB irão mostrar um declínio menor do que o anterior, de 1.200 para 1.175 maçãs.

No entanto, não obstante esse declínio nas estatísticas do PIB (que são economicamente sem sentido), o resultado representaria uma bonança para a economia privada, uma vez que a produção de maçãs, a renda real e o padrão de vida dos produtores de maçãs, bem como sua capacidade de produzir mais maçãs no futuro, irão aumentar.

PIB = C + I + G + X – M

C + I = 1.075

G = 100

X – M = 0

PIB = 1.175

PPB = PIB – G = 1.175 – 100 = 1.075 (produção efetiva do setor privado)

PPR = PPB – G = PIB – 2G = 1.175 – 200 = 975 (produção que realmente fica com o setor privado)

Do ponto de vista austríaco, portanto, o caminho para a saúde econômica imediata e para o crescimento econômico duradouro passa por um maciço corte de impostos e de gastos governamentais, em toda e qualquer área.  Sim, isso é austeridade — mas austeridade apenas para o governo.

A redução das depredações políticas na economia privada irá desencadear uma série de benefícios presentes e futuros para os consumidores privados.  E esses benefícios são virtualmente “grátis” porque os recursos consumidos pelo governo em seu orçamento são, do ponto de vista dos produtores privados destes recursos, praticamente um total desperdício.

Cortar profundamente os gastos do governo em, por exemplo, 25% não apenas iria resolver o problema do déficit orçamentário, como também, e ainda mais importante, iria estimular o crescimento de longo prazo, com reflexos positivos sobre renda e padrão de vida.

O real problema não é apenas o tamanho do déficit orçamentário por si só, mas sim as depredações sobre a produção privada feitas pela totalidade dos gastos do governo[4].  Sendo assim, um orçamento governamental total de $4 trilhões e um déficit de $500 bilhões representam uma depredação muito maior e muito mais danosa sobre a economia privada do que um orçamento de $2 trilhões parcialmente financiado por um déficit de $1 trilhão.

Para ver a comprovação empírica de toda a teoria acima exposta, veja os seguintes artigos:

O exemplo irlandês – como a redução dos gastos do governo impulsionou o crescimento da economia

Se o objetivo é limitar os gastos do governo, há um exemplo prático a ser copiado: a Suíça

Os cinco graves problemas com o PIB


[1] Por uma questão de simplicidade, estamos ignorando a depreciação do capital nesta simples economia, assumindo que as macieiras, após plantadas, vivem para sempre, jamais necessitando de manutenção ou replantio.  Logo, PIB real = PIB nominal

[2] De novo, desconsiderando depreciações, PIB = PPB

[3] Na prática, a depredação é calculada como “gastos do governo” ou “receitas de impostos”, o que for maior.  Mas como a imensa maioria dos governos incorre em déficits orçamentários, podemos ignorar essa complicação.

[4] Obviamente, para se calcular a depredação total sobre a economia privada, os gastos dos governos estaduais e municipais também teriam de ser contabilizados.

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ECONOMIA: ESCALADA DO DÓLAR NÃO PARA NEM COM INTERVENÇÃO DO BANCO CENTRAL

Uma análise sobre o desempenho do dólar frente ao real é o destaque da coluna ECONOMIA desta quinta-feira. A moeda americana quebra record após record, um dia atrás do outro e mesmo com a intervenção do Banco Central que agiu duas vezes ontem através de contratos de swap cambial não foi o suficiente para acalmar os ânimos da moeda que fechou a R$ 4,63 nesta quarta-feira. Veja a reportagem completa a seguir e tire suas conclusões!

Dólar supera R$ 4,63, mesmo após duas intervenções do Banco Central no câmbio

Entre as economias emergentes, real é a moeda que mais se desvalorizou frente à divisa dos EUA. Bolsa cai mais de 1,5%

RIO — O dólar comercial superou novo recorde intradiário nesta quarta-feira, superando o patamar de R$ 4,60. O Banco Central (BC) fez duas atuações extraordinárias no câmbio, mas elas acabaram não sendo suficientes para segurar a disparada da moeda, que agora é negociada a R$ 4,633, com alta de 1,17%. O Ibovespa (índice de referência da Bolsa de SP) recua 1,79%, aos 105.300 pontos.

O BC ofertou 40 mil contratos de swap cambial (oferta de dólar com compromisso de recompra) nesta sessão. Assim, foram injetados US$ 2 bilhões no mercado brasileiro.

Economia:  Brasil fica em 17º lugar no ranking de crescimento de 22 países

— Ontem mesmo o BC anunciou que faria um leilão nesta quinta-feira. A medida perdeu um pouco de força justamente por conta desse aviso de véspera — pondera Gilmar Lima, economista do BMG. — Mas a atuação do BC não é para definir um patamar de câmbio, é para conter distorções observadas no mercado.

Dentro de uma cesta de 21 moedas de economias emergentes, compilada pela agência Bloomberg, o real é a divisa que mais se desvalorizou frente ao dólar.

Somente neste ano, o retorno da moeda brasileira é negativo em 12,1%. O resultado é pior do que o peso chileno, cuja desvalorização frente ao dólar é de 7,94%, e do peso mexicano, que perdeu 3,11% no período.

Mansueto Almeida:  ‘Não é normal um país em desenvolvimento como é o Brasil crescer 1% ao ano’

Os analistas explicam que os patamares recordes do dólar observados neste pregão estão relacionados tanto a eventos externos, como a emergência global de coronavírus, como a questões internas, como a economia brasileira mais fraca.

— A disseminação e os impactos econômicos globais do coronavírus, junto com indicadores internos apontando para crescimento mais fraco fazem com que o dólar siga essa trajetória de disparada — diz Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais.

A Califórnia decretou estado de emergência após ter confirmado uma morte por Covid-19 (doença causada pelo coronavírus). O Japão suspendeu as aulas nas escolas e impôs quarentena a viajantes da China e da Coreia do Sul.

J. P. Morgan:  ‘Patrimônio do governo brasileiro para ajudar no crescimento é a confiança’

Bandeira aponta que a prespectiva de um novo corte na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que vai se reunir no dia 18, também fazem com que a moeda siga em trajetória de disparada

— O mercado parou de projetar se o BC cortaria ou não ou juros. Agora avalia se o corte na Selic sera de 0,25 ou ,05 ponto percentual daqui a duas semanas. Com juros mais baixos, o carry trade fica menos atraente ainda, fazendo com que investidores externos não venham para cá, ou, quem já está aqui, saia.

Dólar sob pressão:  Entenda o que é ‘carry trade’ e como ele impacta na cotação da moeda

Os grandes bancos estão revisando as projeções para Selic neste ano. Na segunda-feira, o Goldman Sachs publicou relatório no qual projeta que os juros brasileiros encerrem o ano em 3,75%. Nesta segunda, Bank of America (BofA) também revisou seus números, e agora projeta juros a 3,5% este ano.

Atualmente, a taxa Selic está em 4,25% ao ano, piso histórico para o indicador.

Fonte: O Globo

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