BORIS JOHNSON FOI ACUSADO DE USAR DOAÇÕES PRIVADAS PARA REFORMAR APARTAMENTO OFICIAL

Premiê britânico será investigado por reforma de apartamento

Segundo ex-conselheiro, Boris Johnson teria usado dinheiro de doadores para bancar obras, que giram em torno de R$ 1,5 milhão

INTERNACIONAL |

Da AFP, com R7

Premiê britânico será investigado por reformas no apartamento do governo

PAUL ELLIS/POOL VIA REUTERS – 26.4.2021
Boris Johnson, premiê do Reino Unido, foi acusado pelo ex-conselheiro, Dominic Cummings, de usar doações privadas para refomar o apartamento oficial cedido pelo governo como residência oficial do político.

Johnson negou qualquer delito na quarta-feira (28), mas será aberta uma investigação no caso, uma semana antes das principais eleições do país.

Em 6 de maio, o Reino Unido realiza eleições regionais e municipais que representam o primeiro teste eleitoral para os conservadores de Johnson desde a entrada em vigor do Brexit no início do ano e o terremoto causado pela pandemia do coronavírus.

Nas últimas semanas, o governo foi abalado por uma série de escândalos de lobby e influência corporativa na sequência de uma série de vazamentos.

O altamente polêmico Cummings, estrategista político da campanha pró-Brexit e o conselheiro mais influente de Johnson até sua renúncia em novembro, foi apontado por alguns veículos como a fonte dos vazamentos. Na sexta-feira (23), ele se defendeu lançando um ataque devastador em seu blog contra Johnson, cuja competência e integridade foram questionadas.

Na postagem, ele afirmou que o primeiro-ministro renovou seu apartamento oficial em Downing Street com dinheiro de doadores do Partido Conservador, o que o governo negou categoricamente.Um porta-voz do executivo disse terça-feira que, além do orçamento do governo alocado para manutenção, as obras – de até 200 mil libras, cerca de R$ 1,5 milhão, segundo a imprensa – foram pagas por Johnson.

Cummings não especificou se o premiê recebeu um empréstimo ou se os fundos do partido foram inicialmente usados, referindo-se a reportagens da imprensa sobre uma contribuição de 58 mil libras (R$ 435 mil, aproximadamente) de um doador rico que não teria sido comunicada à comissão eleitoral britânica como requerido pela lei.

Após avaliar as informações prestadas pelo Partido Conservador, a comissão eleitoral anunciou nesta quarta-feira a abertura de uma investigação.

“Há motivos razoáveis para suspeitar que uma ou mais violações possam ter sido cometidas. Portanto, prosseguiremos com uma investigação formal para determinar se este é o caso”, disse ele.

O anúncio veio minutos antes da sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro na Câmara dos Comuns, que Johnson usou para se defender da oposição trabalhista.

“Fui eu que paguei as despesas (…) e posso dizer que cumpri integralmente o código de conduta ministerial”, disse.

Vazamentos comprometedores

Neste contexto, o Executivo anunciou a nomeação de um conselheiro, Christopher Geidt, ex-secretário da Rainha Elizabeth II, cuja missão será garantir o cumprimento do código de conduta ministerial.

Além das suspeitas sobre a reforma de sua residência, Johnson também foi alvo de outras revelações comprometedoras, como ter proferido uma frase chocante para se opor a um novo bloqueio contra o coronavírus em outubro.

O jornal Daily Mail afirmou na segunda-feira que durante uma reunião o primeiro-ministro disse: “Chega de fechamentos de m*, vamos deixar os corpos amontoados aos milhares.” Sem citá-lo como a fonte dessa divulgação, o jornal também afirmou que Cummings mantinha gravações de áudio e registros escritos de reuniões importantes.

Downing Street, a sede do governo, e o próprio Johnson negaram essas palavras, mas vários meios de comunicação as repetiram e alegaram ter a confirmação de fontes anônimas.

O líder conservador britânico tem sofrido severas críticas desde o início da pandemia, há mais de um ano, primeiro acusado de demorar para agir e depois de desperdiçar o dinheiro dos contribuintes fornecendo equipamentos de proteção sem licitação.

Fonte: R7

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