AUTOCONHECIMENTO: ENTENDER A NOSSA ANCESTRALIDADE PARA ENTENDER O NOSSO COMPORTAMENTO

Adoro textos que falam de ancestralidade porque invariavelmente vão tratar do tema inconsciente coletivo, que poucas pessoas sabem o que é e o que significa. E só entendendo isso é que temos condições de entender o nosso comportamento e o da nossa sociedade. O texto a seguir aborda muito bem esse assunto e esclarece alguns pontos importantes para a sua compreensão de como se forma a sua personalidade e a sua autoestima. Portanto convido você a ler o texto completo a seguir!

A ancestralidade e sua influência na formação da autoestima

Mulher negra deitada de olhos fechados.
Polina Kovaleva / Pexels

São Paulo, 2 de julho de 2021

Já passou pela sua mente sobre as origens das nossas crenças e forma de pensar? Quando se fala que não existe a verdade absoluta, significa que tudo o que sabemos, a nossa leitura de mundo, molda-se a partir de muitos fatores: O contexto histórico, social e econômico, esses recortes que trazem junto elementos importantes para a formação de quem somos: tradições, pensamentos coletivos, crenças, medos e inseguranças. Tenhamos consciência disso ou não.

Não estou aqui apontando vilões e mocinhos, porque ainda temos a nossa autorresponsabilidade e o nosso livre-arbítrio para decidir por nós mesmos o que queremos para as nossas vidas, mas não podemos desconsiderar o fato de que sofremos influências externas.

Somos a formação da nossa personalidade e nosso temperamento, que se juntam com as crenças e tradições hereditárias que às vezes nem nos damos conta.

Às vezes carregamos conosco uma bagagem que nem sabemos a origem ou o porquê. Já parou para pensar nisso?

Para entendermos a nossa vida no presente, temos que buscar no passado todo o caminho que fizemos para chegar até aqui.

Vamos sair do automático, da dormência, e refletir sobre quem estamos sendo e os passos que nos trouxeram até aqui para entendermos o lugar onde estamos. Não para se apegar ao passado, martirizar-se e se prender na angústia e no arrependimento, mas para olhar as nossas vidas por um ponto de vista mais objetivo e analítico. Sem julgamentos ou terceirização da responsabilidade. Saia do ciclo da eterna vítima e dessa narrativa da vítima e agressor.

Traga a história da sua vida para uma análise, apenas uma análise. O que você costumava e/ou costuma ouvir ao seu respeito (rótulos, adjetivos…)? O que te falam ou já te falaram sobre as pessoas e o mundo?

Quando somos crianças e adolescentes, nossa mente é como uma esponja, absorvendo sem filtro o que acontece ao nosso redor, seja no ambiente familiar, na roda de amigos, no ambiente de trabalho e estudos.

Mulher branca segurando flores rosas.

Marta Dzedyshko / Pexels

Por mais que a criança e o adolescente sejam considerados “maduros” ou, como as pessoas falam, “já feitos”, vamos considerar esses fatos: na fase da infância e da adolescência, existe o desenvolvimento físico e sexual (motor – sensorial), a formação da personalidade, dos temperamentos e o começo das experiências que vão trazer mais sabedoria e mais amadurecimento para lidar com várias questões do psicológico e emocional necessário para algumas situações. Nessas fases normalmente não adquirimos os recursos necessários nem a responsabilidade que é necessária para determinadas questões da vida, como a autonomia e a responsabilidade, seja com os outros ou consigo.

É algo muito complexo para explicar teoricamente, mas fica fácil entender quando compreendemos que é um mito a criança e o adolescente maduros. Essa ideia veio como uma brecha para a chamada “hiperssexualização” de menores e para tornar até aceitável e “passável” condutas sexuais inadequadas de uma pessoa mais velha com uma pessoa mais nova. Você descobre isso analisando, fazendo uma comparação com os grandes teóricos e contextualizando tudo isso ao ir mais a fundo no assunto.

O que estou querendo dizer é que crianças são CRIANÇAS, adolescentes são ADOLESCENTES e adultos são ADULTOS. Não tem como tratar essas faixas etárias da mesma forma por causa da diferença de fases do desenvolvimento.

Quando somos crianças, estamos criando nossas programações e apenas a partir dos 7 anos começamos a criar consciência e a nossa programação mental. Até esse momento, o ambiente externo é um forte influente para a formação das nossas crenças e da nossa personalidade, por isso que não é incomum ver os que são mais novos reproduzirem atitudes e falas dos que são mais velhos, que estão em seu convívio.

Estou falando isso para refletirmos sobre a nossa construção mental, sem julgamentos e sem criar essa esfera do vilão e da vítima, porque isso não vai nos beneficiar em nada. Vamos nos concentrar apenas no presente e no que podemos alterar. Mas precisamos fazer uma análise do nosso passado para compreender o momento atual.

Precisamos de um momento para desacelerar e refletir sobre nós mesmos, sobre nossas vidas. A vida é feita de escolhas, sejam elas boas ou ruins. Estamos a todo momento tomando uma decisão, consciente ou inconsciente e até mesmo quando estamos em “cima do muro”.

Falo isso porque, quando não toma uma decisão explicitamente, ou seja, está indeciso, em cima do muro, as nossas programações mentais e crenças inconscientes vão decidir. Ou pior, os outros vão decidir por você.

Escrito por Anne Moon

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