ARTIGOS: OS ESSÊNIOS, O DESTINO DA HUMANIDADE NAS MÃOS DAS SOCIEDADES SECRETAS

Como falei no post introdutório da  série O DESTINO DA HUMANIDADE NAS MÃOS DAS SOCIEDADES SECRETAS as instituições ou irmandades mais conhecidas eram: Os Essênios, Os cavaleiros Templários, A Maçonaria, A Rosa Cruz e os Illuminati. Então, no ARTIGO de hoje vamos falar sobre Os Essênios, uma das três seitas do Judaísmo.

Descobertos esqueletos que podem revelar quem escreveu os Manuscritos do Mar Morto - ZAP

Os Essênios

Na antiguidade, antes do nascimento de Jesus, o judaísmo era dividido em três seitas: os Saduceus, os Fariseus e os essênios. É comum e corriqueiro ouvirmos falar nos Saduceus e Fariseus, principalmente quem é cristão e frequenta a missa regularmente, seja na Igreja Católica ou nas igrejas evangélicas, pois são normalmente muito citados nas celebrações litúrgicas. Entretanto a palavra Essênios não é muito comum de ser pronunciada em missas e/ou cultos. Isso se dá pelo fato desta seita ser envolta por mistérios, no que tange a sua vida e suas atividades. Certamente por isso mesmo, os ‘evangelhos apócrifos’[1], que relatam o cotidiano dessa seita, não foram incluídos no ‘Código do Direito Canônico’[2]. Na antiguidade há pelo menos três escritores que fizeram relatos sobre esta seita: Flávio Josephus, no seu livro Guerra dos Judeus, Plinius e Philon de Alexandria.

De acordo com as fontes citadas acima, a comunidade dos essênios já existia desde 160 a.C., vindo a desaparecer por volta da época da destruição de Jerusalém (70 d.C.) pelos romanos. Eles estavam espalhados por toda a Palestina. Pela sua simpatia e dedicação eram bem acolhidos em suas peregrinações e ganhavam toda assistência e alimentação. Cumpriam rigorosamente os mandamentos de Moisés e obedeciam a uma estrita regra de disciplina, codificada em manuscritos, que regulavam todos os detalhes da vida diária. O historiador Plinius lembra de uma comunidade dos essênios que vivia as margens do Mar Morto, conhecida por Qumram, mas também havia os essênios que viviam na Síria e no Egito.

Segundo diversos historiadores (entre outros, Martin Larson, Robert Eisemann, John M. Allegro), a história do cristianismo se confunde com a história dos essênios. Seus ensinamentos secretos vêm a público a partir de João Batista e mais adiante com Jesus.

Flavius Josephus, em seu Guerra dos Judeus, presta contas detalhadamente desta comunidade diferenciada e incomparável a qualquer outra. Comenta sobre seu modo de vida, seus costumes, suas normas e suas crenças. Observando-se estes detalhes relatados, chegamos à conclusão que são absolutamente harmônicos com a igreja do cristianismo primitivo.

Como já disse aqui, os Essênios estavam espalhados por toda a palestina. Os irmãos do Egito eram chamados de Therapeutas, os curadores. De acordo com ‘Edgar Cayce’’, famoso vidente, Maria, José, João Batista e o próprio Jesus eram Essênios.

No entanto após muitos estudos, na tradução de centenas de manuscritos descobertos nas cavernas do Mar Morto, atribuídos aos Essênios, não se conseguiu comprovação dessa ligação:

Quem defende essas teorias lembra que as palavras essenoi, em grego, e esseni, em latim, são traduzidas como “aqueles que curam”, o que seria uma referência a atividades parecidas aos milagres atribuídos a Jesus. No final da década de 1940, a descoberta de centenas de manuscritos atribuídos aos essênios, em cavernas na região do mar Morto, despertou a esperança de que o material pudesse confirmar finalmente a ligação entre a seita e os primeiros cristãos.

Após décadas de trabalho e controvérsias, a tradução integral dos manuscritos do mar Morto foi completada em 2002, mas não havia nenhuma referência direta a Jesus, João Batista ou aos primeiros cristãos. Os essênios provavelmente foram exterminados pelos romanos, ou obrigados a deixar suas comunidades e fugir para salvar suas vidas, por volta do ano 68 d.C.

Os manuscritos são constituídos de quase mil obras divididas em três grupos (Sectários, Apócrifos e Bíblicos). Os Sectários são pergaminhos relacionados com a seita dos Essênios, incluindo visões apocalípticas e trabalhos litúrgicos. Através dessas obras foi possível saber que os Essênios praticavam muito tempo antes de Cristo, o batismo e o repasto litúrgico de pão e vinho presidido por um sacerdote. Eles acreditavam na redenção e na imortalidade da alma. Existem no Novo Testamento muitas frase e preceitos semelhantes aos da literatura essênia, o que levou alguns autores a defenderem a ideia de que Jesus teria convivido com eles e também João Batista seria Essênio ou teria sido fortemente influenciado por eles.

Santo Agostinho também concordava que os Therapeutas do Egito eram cristãos, e eram predecessores do cristianismo. Algumas escrituras sagradas do cristianismo se originam dos essênios.

Diz-se que a origem dos Therapeutas foi na Alexandria que, por acaso, detinha a maior biblioteca da antiguidade. Lá eles aprenderam a sabedoria da cura e conheceram a filosofia. Philon informa que eles eram, ao mesmo tempo curadores, ascetas e filósofos. Desta forma a sua filosofia de vida era a seguinte: “Não juntem riquezas na terra, mas sim no céu, onde nem as traças a podem roer e nem a ferrugem poderá destruir”.

Existia todo um ritual para aqueles que queriam se ligar a eles. Primeiro faziam uma promessa de fidelidade à comunidade e a seus princípios, que não podia ser quebrada ou seriam castigados e excluídos da irmandade. O ‘iniciado’ se submetia a um período de um ano de experiência, onde era cuidadosamente observado durante essa jornada. Após dois anos e aprovação em todas as fases, finalmente era considerado membro efetivo da irmandade. Eram quatro os grupos que constituíam a irmandade: As crianças compunham o primeiro, os noviços o segundo e o terceiro e o quarto grupo eram os membros com plenos direitos. Ainda segundo Flávius Jusephus eles levavam uma vida muito simples e sem excessos, pois achavam que a falta de medida era prejudicial tanto para o corpo quanto para a alma. Todos os homens eram livres, não havendo escravos nem empregados. Acreditavam em anjos que tinham um papel fundamental em suas vidas.

Eram estudiosos e dedicavam muito tempo a estudar os manuscritos primitivos dos Caldeus, Persas, Egípcios, com o foco sobre cura e astronomia, entre outros temas. Todos os conhecimentos adquiridos eram utilizados em seus ensinamentos e em favor da cura dos homens.

O filósofo e teólogo Huberto Rohden, em seu livro o Cristo Cósmico e os Essênios, explora a fase da vida de Jesus Cristo que todos os ‘Evangelhos Canônicos’ ignoram, dos 12 aos 30 anos. Ele sugere que durante este período Jesus viveu junto a uma dessas irmandades essênias aprofundando os seus conhecimentos espirituais e desenvolvendo as suas habilidades curativas. Não é à toa que o messias curou tantas pessoas na sua curta passagem pela Galileia.

[1] São aqueles que a Igreja não aceitou como autêntica tradição apostólica, apesar de normalmente serem apresentados com o nome de algum apóstolo. Passaram a circular rapidamente, pois são citados na segunda metade do séc.II, mas não gozavam da mesma garantia apostólica dos quatro reconhecidos e muitos deles continham doutrinas que não tinham conformidade com os ensinamentos apostólicos. Esses evangelhos chegam a um número superior a cinquenta. (opusdei.org)

[2] é o conjunto de normas (cânones) que orientam a disciplina eclesiástica, definem a hierarquia administrativa, os direitos e deveres dos fiéis católicos, os sacramentos e possíveis sanções por transgressão das normas.

Wagner Braga

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